A criança que ficou em mim às vezes sente um cheiro qualquer e é remetida a um dia lá atrás quando a fruta era escassa, só aos domingos e era tão especial, uma maçã, como as dos contos de fadas, só que não fazia dormir, a alegria já começava no olfato, cheirava, comia, era maçã Argentina, grandona, comia tudo, com casca e tudo, tinha dó de jogar a semente fora, a criança que ficou em mim quer chorar quando minhas
filhas não querem comer fruta.
A criança que ficou em mim se maravilha com tantos livros a disposição para leitura, eram tão poucos os que ela conseguia ler e lia tudo avidamente, ainda hoje se emociona em uma biblioteca e não sabe a razão mas não se esquece daquela criança que foi, a criança que ficou em mim se lambuza de chocolate e doces e guloseimas e lembra que ficava feliz em comer bolo de banana e vitamina de abacate, e que a mãe fazia doce de banana com as bananas já por estragar, era tão bom.
A criança que ficou em mim chora a falta do pai que não a abraçava, ele não sabia, hoje ela sabe e mesmo assim como essa criança ainda sente falta daquele abraço que podia ter acontecido, a criança que ficou e mim sente falta do olhar do pai falando com ela e olhando para ela com atenção.
A criança que ficou em mim sabe que precisa abraçar essa sua criança que habita nela para ser uma adulta amorosa com as crianças dela, ela luta para amar suavemente, para deixar o rancor, a raiva contida e os julgamentos e seguir mais leve.
A criança que ficou em mim ama comer a comida da mãe dela e sabe, ah como ela sabe o valor disso, hoje ela é grata e aprecia todo carinho envolvido em fazer e oferecer uma refeição a um filho, a criança que ficou em mim sabe que já está tudo bem, que seus pais fizeram o melhor que podiam com as ferramentas que tinham quando ela era criança, que há que se desfazer do peso desnecessário ao caminhar pela vida e isso é escolha. Mas porque será que ainda dói?
A criança que há em mim se equivoca e se atropela ao educar suas crianças, entende agora que as respostas não são óbvias e o caminho por vezes é sinuoso mas ela ama ver como tudo o que viveu serviu para fazê-la enxergar tudo o que pode ser evitado na educação de suas filhas, talvez não consiga, mas tenta, faz o que pode, assim como seus pais também faziam, há evolução, o caminho vai melhorando. Ela agradece a criança que ficou nela e a ama assim como ela é: uma criança cheia de birras, resmungona, engraçada, desesperada, mas que acha a vida linda mesmo com seus gigantes desafios e tormentas. Ela agradece a vida e a alegria de ter chegado a esse momento de entendimento.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Ela adorava viajar, e em sua lista de possíveis destinos lá estava o Inhotim, um lugar que após conhecer o comparou ao céu, ou oásis ou ainda um paraíso ou algo similar, como não se sentir maravilhada com a junção de tanta beleza: natureza exuberante e obras de arte a céu aberto.
A viagem tomou forma, uma amiga de anos a convidou, marido foi generoso (a maior prova de amor do mundo), ficou com duas crianças para cuidar, e lá se foi ela ansiosa e excitada com as perspectivas da descoberta de um lugar novo, poucas coisas no mundo a deixam terrivelmente feliz quanto mudar de lugar, ver pessoas de outras terras, habitar outros lugares, saborear outros pratos, o cheiro do inédito é único, tudo tinha uma aura especial, por muitos anos não passava tanto tempo com a amiga de mais de vinte anos, a rotina e a vida as juntava apenas por algumas horas por mês, de vez em quando; ela na verdade estava se sentindo tão mais jovem, estava em seus quase 50 anos mas não
durante aquela viagem, voltou a ter vinte e poucos, remoçou, seus olhos vibravam com as novidades, a mente estava frenética para não perder nenhum detalhe.
Chegaram em Belo Horizonte e o amigo da amiga lá estava, conversas, sorrisos, mais conversas, beberam, comeram e seguiram conversando, ela adora os mineiros, para beber e conversar melhor que mineiro só mexicanos, os melhores. No dia seguinte saíram para conhecer a Lagoa da Pampulha, caminharam, tiraram “selfies” e fizeram tudo o que os turistas fazem, o dia estava lindo, era novembro, depois almoçaram e
foram encontrar outros amigos no final da tarde; a noite seguiram em grupo, beberam, riram muito, falaram muito, ela, uma mãe, uma esposa era agora apenas uma pessoa conhecendo e convivendo com outras pessoas, ela estava despida de seus títulos costumeiros e se sentia maravilhosamente bem, não deixou de ser mãe, não deixou de ser esposa mas reencontrou suas outras partes, algumas já nem se lembrava mais, não se lembrava mais como era gargalhar a toa, sem se preocupar em cuidar de alguém ou preparar a comida de alguém; e se sentiu livre e descompromissada e aqueles poucos dias valeram por horas de terapia, ela sentia saudades e falava com a família todos os dias mas desfrutou seu tempo sem culpa e com muita alegria, todas as mães deveriam ter algo de tempo para si próprias, assim teriam sua Pasárgada, um refúgio, um escape, para se refazerem, olharem para si próprias e voltar melhor para sua realidade.
Ela é grata por essa experiência e ama ter vivido com intensidade todos aqueles dias, aprendeu a criar sua Pasárgada ainda que seja apenas por 10 minutos diários: liga para uma amiga ou para mãe, observa suas suculentas crescendo e respira, faz um café e o saboreia sem pressa, lê umas duas páginas de seu livro do momento, e o faz com a intenção de que aqueles momentos são para ela e para mais ninguém. Ela precisa.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Minha mãe sempre teve medo do pai dela, ele batia nela e em todos os irmãos, ela chegou a ser espancada algumas vezes, minha mãe viu também uma tia ser chutada na barriga, grávida, essa mesma tia viveu anos com esse homem e teve vários filhos dele, apanhou e foi muito humilhada, ele teve várias mulheres fora do casamento e finalmente quis se separar para ficar com outra, bem mais jovem, ela, mulher das antigas ficou com ele e nunca tentou se separar, aguentou tudo calada. Apesar do meu avô ter sido violento com minha mãe, ele nunca me bateu, acho que foi suavizando com o tempo mas eu percebia o quanto minha avó o temia, o quanto minha mãe se sentia tensa ainda adulta ao estar perto dele, ela carrega muitas feridas emocionais da infância que a afetam até hoje aos seus quase 65 anos; se casou aos 16 anos, no fundo acredito que quis fugir de casa; aos poucos na adolescência fui entendendo o ciclo de violência que as famílias vão perpetuando, e o poder que os homens exercem sobre as mulheres, ou querem exercer, vivemos ainda hoje na cultura do patriarcado, a cultura do machismo que ainda impera e apesar de tantos direitos adquiridos pelas mulheres ao longo dos anos, essa cultura segue impregnada nas atitudes de homens e por vezes até das próprias mulheres, na relações das crianças também, podemos ver os meninos ainda nos dias de hoje, passando a bola somente para os colegas meninos e ignorando as meninas, essas atitudes são ensinadas, observadas e copiadas, as famílias ainda perpetuam essa cultura sexista e misógina, ajudando a disseminar essa visão da mulher como um ser inferior, infelizmente ainda existe um preconceito muito grande em relação a mulher e tudo isso leva ao feminicídio, uma realidade horrenda no Brasil, com números alarmantes, em média 13 mulheres são assassinadas por dia, e o pior: uma grande parte dessas mulheres é morta por parentes, maridos ou parceiros.

Talvez por ouvir as histórias da minha mãe, me sentir muito tocada por seu sofrimento eu cresci muito atenta às relações entre mulheres e homens, me lembro que minha mãe não trabalhava fora e quando chegava próximo ao horário do meu pai chegar do trabalho ela me pedia para pôr o par de chinelos dele e a toalha de banho no banheiro, eu fazia isso sempre, aos quinze anos falei que não faria mais, achava um absurdo e pensava que se um dia me casasse eu jamais faria isso, claro que eu era apenas uma adolescente desenvolvendo minhas opiniões sobre o mundo porém me incomodava também aquelas piadinhas antigas: “mulher esquenta a barriga no fogão e esfria na geladeira”, eu nunca achei aquilo engraçado e ficava muito brava ao ouvi-las, e o pior: me deixava boquiaberta a naturalidade das meninas com respeito a isso, para mim nunca foi uma piada ou “brincadeira boba de homem” era algo muito sério,  o tempo passou e hoje eu vejo com alegria que apesar da cultura machista as mudanças chegaram para nós mulheres, a Constituição de 1988 assegura que os homens e as mulheres são iguais em direitos e obrigações, a Lei Maria da Penha já existe há 12 anos e essa lei trouxe apoio legal para milhões de vítimas de violência, a mulher conquistou o direito do voto, no nossos dias as mulheres trabalham, são independentes, chefes de família e as relações amorosas são igualitárias, porém a cultura machista segue ainda poderosa, e com ela o feminicídio segue frequente, o abuso, a falta de aceitação do homem de que ele não tem poder absoluto sobre as mulheres, felizmente com o advento da internet as notícias chegam muito rápido, as investigações também e assim pessoas como João de Deus, Sri Prem Baba e tantos outros são desmascarados e detidos, no entanto me entristece ver todos os dias uma notícia nova de uma mulher que foi morta, estuprada, atacada e tantas outras situações que a colocam em risco de vida ou que perdeu sua casa ou está foragida enquanto o homem segue sua vida normalmente, é tanta injustiça que me angustia pensar que minhas duas filhas vivem nesse mundo aonde não somente a rua mas a nossa própria casa pode se tornar um lugar perigoso; sei que leva anos para que as mudanças sejam efetivas, para que os culpados sejam punidos adequadamente, sonho com o dia em que as estatísticas sejam diferentes para nosso país e que as mortes diminuam, por ora eu acredito nos grãos de areia das nossas atitudes, em minha micro esfera tento plantar sementes de respeito e amor na minha casa com as minhas meninas e nossa relação de família, meu marido é um companheiro que respeita meu “não”, que divide as tarefas diárias, e faz sua função de pai assim como eu faço a minha de mãe, ele cuida delas, ensino minhas crianças a respeitar o “não” de qualquer outro ser humano, e também a dizerem não se necessário, a respeitar seu espaço pessoal, seu corpo, a duvidar de figuras de autoridade, que não batemos para conseguir respeito, com minha família espero ter quebrado o ciclo de violência que tantas vezes vi com meus avós e parentes próximos,  ensino que estudar e trabalhar é importante e necessário para todos, não sou uma “feminazi”, e estou longe de ter uma vida de foto de rede social,   radicalismos não são meu forte, gosto, pratico e busco o caminho do meio: as pessoas precisam uma das outras, as relações amorosas independente do gênero devem ser respeitosas e igualitárias, se alguém acha que está em desvantagem então é problema, acredito nos bons combinados entre os parceiros, no amor acima de tudo, quem ama não quer prender o outro consigo, quem ama aceita que as coisas nem sempre são como gostaríamos que fossem, quem ama quer a felicidade do outro e não a morte.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Eu sou de 1971, 43 anos, como muitos da minha geração, eu apanhei da minha mãe diversas vezes e também do meu pai (raras vezes), não me considero traumatizada por isso, ao contrário, por tudo o que minha mãe conta, se eu não tivesse apanhado talvez hoje fosse uma drogada, bandida ou uma vagabunda qualquer, perdida na vida, pois segundo ela eu era uma criança de temperamento difícil, muito questionadora, porém depois de já ser uma criança grande, a fera dentro de mim já domada, eu nunca questionei a minha mãe sobre se apanhar era certo ou errado, eu aceitava isso como verdade absoluta e inclusive tive muitas conversas com amigos e conhecidos e os relatos eram bem parecidos, comentários bem comuns e repetitivos sobre serem travessos e terem levado vários corretivos dos pais, ou seja, é mais comum essa situação, do quê ouvir alguém dizer: eu nunca apanhei dos meus pais, isso para mim significava: ou essa pessoa é uma santa, uma mosca morta ou os pais são santos ou não se preocupavam com a educação dessa pessoa, essa era minha crença até a bem pouco tempo atrás, eu nunca concebi a idéia de que alguém pudesse ser educado sem ter apanhado, eu sempre acreditei que eu mereci apanhar e que minha mãe me amou o suficiente para me bater e quando me dei conta do meu equívoco foi quando tive filhas e pela primeira vez li “Educar sem violência – Criando filhos sem palmadas” de Ligia Moreiras Sena e Andréia C.K. Mortensen, sobre esse não entrarei em detalhes mas foi crucial para que eu tivesse noção do quê não fazer com minhas filhas, esse me levou a outro livro maravilhoso e é dele que falarei agora, dito isso, vamos ao assunto.

“Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho falar” de Adele Faber e Elaine Mazlish, já me animou desde o princípio pois foi escrito por duas psicólogas com filhos e que trabalharam com  muitas famílias, elas tinham experiências positivas em como educar crianças e os comentários que encontrei eram todos excelentes.

 

Razões para lê-lo:

1- Se tem filhos e questionamentos sobre como educá-los.

2 – Se é professor ou avô ou avó.

3 – Se acredita que bater é somente para quem não tem argumentos adequados.

4 – Se quer educar seu filho de uma maneira amorosa, justa e mais tranquila dentro do possível.

5 – Se cansou de ler que criança tem que ter limites mas ninguém explica como dar os limites de uma maneira fácil, prática  e que funcione (eu já li vários livros sobre esse tema, inclusive Içami Tiba), mas nunca encontrei algo tão simples e com exemplos relevantes como nesse livro.

6 – Se você quer respeitar e ajudar seu filho a entender seus próprios sentimentos.

7 – Se alguma vez na vida já passou pela sua cabeça que todos deveriam ter um treinamento formal em Educação Infantil antes de serem pais ou mães.

 

Quero deixar alguns exemplos para que tenham um gostinho de como o livro é, mas somente do que eu já experimentei com minhas filhas ( 7 e 5 anos) e que funcionou:

Situação: Sapatos espalhados em lugares indevidos.

Eu costumava dizer (já em tom de irritação): Por favor recolham esses sapatos e ponham no lugar que vocês já sabem, será possível que eu tenho que falar isso quantas vezes???

Reação das crianças: Ás vezes elas iam no mesmo momento, mas muitas vezes elas ficavam fingindo que não era com elas, ou demoravam para recolher os sapatos, isso me deixava muito irritada e eu queria obediência no mesmo minuto e isso não acontecia, eu ficava uma pilha de nervos.

Agora eu apenas descrevo o que vejo (uma das habilidades que aprendi com o livro), eu digo com a voz mais calma que eu consigo (venho praticando muito para ter nervos de aço) eu digo tranquilamente: vejo sapatos fora do lugar e um milagre acontece no mesmo momento: elas não reclamam e vão retirar os sapatos e colocá-los no lugar correto, quando tentei isso pela primeira vez e funcionou eu nem acreditei, comecei a fazer isso com tudo o que posso, a luz está acesa, eu digo: luz acesa no banheiro, pronto, resolvido, no mesmo momento alguém apaga ou diz que não foi ela e a outra corre lá e apaga, criança não gosta de sermão e nem de tom de crítica o tempo todo, aliás ninguém gosta, o problema é que os pais perdem a paciência e com crianças é necessário ter paciência ilimitada.

Outra habilidade que o livro ensina é ajudar o filho a reconhecer os sentimentos dele, e com isso acalmar diversas situações que podem gerar uma birra ou fazer o pai perder a paciência, por exemplo: De manhã seu filho fica pouco colaborativo para se arrumar para ir a escola e diz não para tudo o que você quer que ele faça de boa vontade, você começa a ficar estressado porque sente que vai se atrasar, antes eu ficava muito irritada e

começava dizer que nos iríamos nos atrasar por culpa delas, etc, agora eu digo para elas com a voz calma: sei que estão com muito sono, eu também estou e é difícil fazer tudo isso com sono, mas sei que vocês querem ir para a escola (elas gostam mesmo de ir para a escola) então nós vamos conseguir e agora elas colaboram de verdade.

Mas de todas as situações positivas que já aconteceram até agora foi quando nós três, eu e minhas duas filhas resolvemos uma situação de conflito juntas, não fui eu quem ditou todas as regras, elas colaboraram e agora tudo melhorou.

Situação: como elas têm idades próximas as roupas não tinham dona pois os tamanhos são similares e eu utilizava as roupas da maneira que eu quisesse, mas conforme cresceram, elas começaram a reclamar e tive muitas discussões sobre isso antes de sair para um passeio, por exemplo, uma não queria emprestar para a outra a roupa que ganhou de aniversário mas nem iria usar, enfim, vários cenários de conflito em relação as roupas, recentemente apliquei a técnica que o livro ensina, nos sentamos com papel e caneta e a mais velha de 7 anos escrevia tudo o que pensávamos que poderia resolver as disputas, cada uma falava sua sugestão e no final escolhemos as melhores idéias e descartamos o que era inviável, o mais importante era ouvir tudo e anotar sem preconceitos, mesmo que fosse o mais absurdo que se possa imaginar,  as regras foram escritas e penduradas na geladeira, eu quase chorei de emoção, agora quando se inicia uma discussão sobre isso eu só falo para elas lerem o que está escrito no papel e imediatamente as coisas se ajeitam entre elas.

Enfim, ainda não consegui aplicar tudo o que li nesse livro maravilhoso, mas dentre todos o que li até agora, esse foi o que me deu mais ferramentas de ação com minhas filhas e resultados positivos, recomendo para todos os pais que como eu amam intensamente seus filhos e que não compram mais a idéia de que para educar uma criança é necessário a punição física, mas que sim acreditam em limites e em formar pessoas que respeitam os limites alheios e que também não acreditarão na violência como forma de educar seus próprios filhos.

10904140_825917754113886_1593655827_n foto Eliane

Eliane Ibrahim – Mãe de duas meninas de 7 e 5 anos, apanhou quando criança e não gostou, acredita que deve quebrar o ciclo de violência, já bateu em suas filhas e não gostou, também não funcionou, outras abordagens funcionaram melhor.

Que delícia poder escolher uma roupa e não ser escolhido por ela, escolher uma comida e não ser seduzido e abduzido por ela e não conseguir parar de comer até ver o prato com os restos mortais dentro da pia, me sinto super poderosa quando alguém me oferece um pedaço de bolo de chocolate e eu corajosamente digo: não, obrigada, hoje sou uma nova pessoa, uma recém ex-gorda ainda em processo de emagrecimento (me faltam pouco menos de três quilos para atingir meu objetivo pessoal de perda de peso) e uma vida toda de manutenção para não engordar 24 quilos outra vez. Sete meses atrás o cenário era completamente diferente e eu não tinha perspectiva alguma de mudança, emagrecer dependia somente de mim e eu dependia de bolos, doces, happy hours, guloseimas, carboidratos e chocolate, a minha força de vontade de me livrar dos quilos adicionais era mínima, durava apenas algumas horas da manhã de segunda-feira quando eu tomava um café da manhã leve e lá pelas 10:00 já tinha devorado um salgado frito ou um pedaço de bolo, ou até o próximo convite para sair com amigos, ou qualquer outra ocasião social, lá íamos meu marido e eu os gordinhos simpáticos muito felizes para mais um churrasco regado a muita picanha e cerveja, porém nos bastidores, sofríamos juntos quando proibíamos nossas filhas (temos duas, uma de 7 e outra de 5 anos) de comer chocolate a noite e depois que elas iam dormir devorávamos uma ou duas barras grandes em frente a TV, estamos na faixa dos 40 anos portanto sabíamos que aquele estilo de vida já não era adequado para nós, mas a força de vontade estava escondida no fundo do nosso estômago.

A motivação veio pela situação física do meu marido que estava com 162 quilos, com 1,90 de altura, obesidade mórbida, eu com 1,65 de altura e quase 84 quilos, obesidade moderada, ele tinha apnéia do sono e tinha que usar uma máscara para dormir (CPAP) e roncava muito, além disso, tinha muitas dores nas costas, não tinha ânimo para nada, vivia cansado e estressado e para relaxar nós comíamos, foi quando meu marido me disse que iria fazer a cirurgia bariátrica, conheço várias pessoas que passaram por esse procedimento e voltaram a engordar, o procedimento não resolve a mentalidade de gordo, com o agravante do risco de sérias consequências decorrentes da cirurgia, a contragosto com o plano dele que deu sequência a todos os procedimentos necessários para tal. Foi quando encontramos um amigo nosso, quando o vi fiquei completamente sem fala ele tinha perdido 75 quilos sem cirurgia e estava muito diferente, assim soubemos do método de emagrecimento da CUCA.

Meu marido entrou para o programa de emagrecimento da CUCA academia como o último recurso antes de partir para a bariátrica eu me comprometi a ajudá-lo e com os cardápios da Cuca me organizei e adaptei a dieta dele para mim, assim eu cozinhava para nós dois, em 2/04/2014 iniciamos nossa grande aventura rumo ao emagrecimento, hoje (sete meses depois) com 65 quilos eliminados, ele  pesa 97 quilos, e eu peso 62,9 quilos (eliminei 20,5 quilos até agora), nossa vida mudou radicalmente, a dieta é variada e uma delícia, porém muito trabalhosa, vou a supermercado/hortifruti de duas a três vezes por semana, cozinho como nunca fiz antes em minha vida, a vida social se resume em levar marmita para todos os lugares fora de nossa casa, temos que programar totalmente a nossa vida alimentar para não furar a dieta, o exercício físico faz parte da rotina dele, mas nunca me senti tão feliz e realizada, a sensação anterior de fracasso foi substituída por um grande orgulho de nós, como casal obtivemos um feito grandioso, o curioso é que podemos discutir por qualquer outra coisa porém até agora não me lembro de jamais termos discutido por causa da dieta, nos ajudamos, nos incentivamos, nos organizamos para que tudo funcione da melhor maneira possível, formamos uma dupla imbatível nesse quesito, estamos juntos há 15 anos e nunca estivemos tão unidos quanto agora, as maiores recompensas: meu marido ficou curado da apnéia do sono, não ronca mais, tem muita energia para brincar com as crianças, eu estava como a glicose alta e hoje estou com o a glicemia normal.

antesedepois

Agradeço as forças invisíveis do Universo que fizeram com que as pessoas e situações certas chegassem até nós para que a mudança de fato ocorresse, a meu marido, (sem o qual eu não teria conseguido), ele é fonte de  forças para momentos ásperos, meu exemplo a ser seguido com sua constância e perseverança, agradeço a Cuca, profissional experiente, competente e dedicada. O melhor de tudo isso é que ainda posso comer todas as comidinhas que eu amo, quando quero mas não sou mais controlada por elas, sou EU e ninguém mais quem controla a quantidade de comida e o que eu como, eu não sou influenciada pelas pessoas, pelas festas ou pelas comidas, quem manda na minha boca hoje e sempre sou eu.

antesedepois2Eliane Ibrahim – Administradora, recém ex-gorda, 43 anos, sócia da Escola de Inglês inFlux Cambuí, mãe da Clara e da Luisa, esposa do Celso,  apaixonada pelas flores por viagens e por cozinhar e comer.