Já escrevi sobre o processo de decisão do eleitor, frente a propaganda e o processo e formação de opinião pública.

Vou falar agora sobre a estrutura de construção emocional que a propaganda gera. E é bem curiosa, pois ao invés de apresentar projetos, que são complexos e boa parte do povo mal compreenderia (apesar de ser o caminho correto explicar), apelam para as emoções dos eleitores. Decidimos emocionalmente, como fazemos com qualquer produto descartável de supermercado.

Emoções como o medo. Medo do mercado quebrar, do desemprego, do bandido ou da dívida gera votos. Ninguém gosta de perder, e não perder gera voto. Faça alguém ter medo e você dominará esse alguém muito fácil. Vilões de novela mostram esse processo a anos e não aprendemos,  mas medo não debate nem resolve problemas.

Emoções como revolta e indignação. Quem não está revoltado com tudo? Vivemos um mundo estressante por natureza, ainda mais quando está em crise, seja política, econômica, humanitária. Revolta é inerente a vida e apelar a esse sentimento para agrupar pessoas e ganhar voto é tática barata. Revolta e indignação não resolvem e nem debatem problemas.

Emoções como o sentimento de ridículo. Soar ridículo, seja o próprio candidato ou ainda mais quando direcionado a um oponente gera votos. Pois ninguém fala o que esse cara (o ridículo) tem coragem de falar. Se tem coragem é diferente, se é diferente, é melhor dos que os outros. Talvez pessoas sensatas não teriam coragem de falar tais coisas simplesmente porque elas não funcionam, mas são obrigados a entrar nesse debate ridículo, se tornando ridículos por consequência. É o processo da “mitada”, você fala algo ridículo, mas acusa o outro que se defende de ser ridículo na réplica. Mas “mitar” não resolve nem debate problemas.

Emoções como a saudade. A saudade de um tempo melhor também gera voto. Sempre e para todos o passado era melhor. Pode pesquisar. Esse saudosismo acontece em todas as áreas da vida, e apenas a ele gera votos. Mas saudade não resolve e nem debate os reais problemas.

Emoções como o sentimento de novidade. Mesmo que sendo exatamente a mesma coisa, vestida com terno laranja, todos adoram algo que pareça novidade. Não importa a essência, importa a aparência, para ficar bonito nas redes. O velho se reinventa e lucra bastante com esse investimento barato. Mas cara de novo não resolve problema.

Dentre outras emoções. São tantas…

Emoções servem para pegar o eleitor fraco. E depois da eleição, como ficamos? No dia seguinte da eleição, o que você sabe sobre a atuação de seu candidato eleito? Nada. Nada foi comunicado a você. A propaganda apenas te fez sentir um caminhão de emoções, mas não te disse nada de concreto, que desse subsídios para decidir e cobrar futuramente. Observe, é verdade esse bilhete.

Se você pesquisa, lê, compara e vota de forma racional e independente, focada nas soluções que mais lhe parecem viáveis, praticáveis, você faz direito. Dá trabalho votar direito, não? Por isso a propaganda te engana. Porque pela sua preguiça, após a eleição, um país inteiro pode compartilhar um sentimento de ser feito de trouxa.

E pasmem, alguém vai aproveitar esse sentimento de trouxa para iniciar a propaganda da próxima eleição!

Acredite, por mais trabalhoso que seja, “tirar essa corja”, como bradavam.muitos nas manifestações do impeachment está mais em nossas mãos em 2018 do que no post de Facebook emocionado que fizeste, só para parecer cidadão de bem.

Pense nisso e faça direito agora, senão não adianta chorar de amarelo.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Um poema de amor

É algo pelo qual não se da mais valor

Pois nele não há mais a emoção e a surpresa

Há apenas um amor sem calor

Os poemas não tem mais esse ardor

Não existe alegria ou emoção

Sumiu a felicidade e da vida o tesão

Coisas ditas são esquecidas em um instante

Coisas paradas e vazias

Que se esquecem

 

Essa é a morte da poesia…

 

A morte da vida e de sua alegria

Instantes que se passam e se esquecem

Pois ninguém mais deles quer lembrar

Emoções e decepções não são mais vividas

Onde esta a alegria e o amor?

Onde foi parar?

Em meio a essa escuridão e terror?

Não se pode mais acreditar em nada que se lê

Pois não existe força ou poder pelo qual se escrever

Nada mais durou

Nada mais o é

I

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

O amor não morreu

Só não se aguenta mais em pé

Quão poderoso é o amor… que transborda o ser.

Permite o inexplicável, aprova sem preconceito.

Como é bom viver o amor… em seu completo tesouro, guardado a sete chaves, dentro do oceano das ilusões.

Amor sem juízo, sem gênero ou cor.

Amor que rouba sentido, tira o fôlego, faz com que sejamos imaturos, ou sensatos ao extremo.

Momentos completos, outros nem tanto.

Viramos poetas, atores representando nossos melhores papéis, sem vergonha ou culpa.

Às vezes judia, mas também acalma e faz a vida fluir…

Quão intenso é o amor, que, provocando sensações, não desiste, luta, guerreia, aposta sempre na vitória.

E é nesse jogo inconstante, no vai e vem de emoções, que vale a pena seguir, e saber…

Quão vida é o amor!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Quando os irmãos lumière apresentaram ao mundo o cinema em 1895 muitos apostaram que seria uma brisa passageira, porém, os quadros em movimento povoaram o imaginário das pessoas. E aí está!

As pessoas: esse universo no qual a psicanálise embarca há tempos tentando entender você, eu, tu e eles. Com a chegada da televisão não foi diferente, o que mudou foi somente a forma e a linguagem, ainda que, pessoalmente, eu prefira a tela de projeção, tudo bem dinâmico e associado fizeram de novelas e hoje séries um verdadeiro vício pelo próximo capítulo ou episódio. Tudo por uma história bem contada, um enredo, uma trama, um roteiro adaptado para a vida.

As pipocas só aumentaram seu consumo e o consumo só aumentou mais fãs. Hoje com as mídias sociais, podemos ser mais belos, mais magros, inteligentes e interessantes, quase sem defeitos, orbitando uns aos olhos do outro.

Contatos, relações, profundas ou não, é bom lembrar que tudo fica fascinante quando você acha que domina seu perfil, mas aí está de novo. Por que? Porque todos só querem mesmo ser amados e aceitos ainda que de forma virtual ou “cinematográfica”. Fazendo uma ponte com um dos musicais mais lindos que vi por essa tempos, “la la land”, acho que na trama deliciosamente bem dirigida você mergulha em universos paralelos onde afetos e horizontes ainda que divergentes contam sobre um amor e um encontro quase juvenil que desabrocham em música, dança e interpretação das boas, é bom que se diga, e emoções projetadas. E aí está novamente! É delicioso!

Os dois lados da mesma moeda: um mundo dinâmico, fantasioso e colorido mas que acompanham os indivíduos e sua trajetória pessoal onde um não existe sem o outro. Um verdadeiro encontro entre a tela e o espectador que também dançam juntos mas que terminam sozinhos quando as luzes acendem.

Vivamos com sabedoria esses tempos líquidos e que acima de tudo a gente se divirta pelo preço do ingresso, da pipoca e da companhia.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

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Os últimos acontecimentos na política nacional e na minha própria vida me levara a uma reflexão, que não me gerou conclusões (não aquelas as quais ansiamos), mas me suscitou dúvidas pertinentes.  Despertou máximas que estavam arraigadas em mim e que por um motivo qualquer (ou medo ou comodismo) eu sequer costumada a pronunciá-las, seja em voz alta ou mentalmente.

Eu me nego a acreditar que num país com tantos corruptos (em todas as esferas da sociedade e não só na política), a corrupção seja a única saída ou escolha;

Eu me nego a acreditar que as desilusões com as pessoas, em todos os níveis de relacionamento, são argumentos para se desistir de tentar e confiar;

Eu me nego a acordar todos os dias para viver uma rotina besta de trabalho ou vida só para me financiar, como muitos querem me fazer crer que é preciso;

Eu me nego a ler as notícias no jornal, os estereótipos na mídia e achar que o mundo é tão só e simplesmente isso;

Eu me nego a viver pensando que em quanto mulher só tenho dois caminhos me ensinados na infância: ou ser a princesa de contos de fadas, esperando o príncipe e o “felizes para sempre”, ou ser a profissional bem sucedida e emocionalmente frustrada;

Eu me nego a colocar o sapato de cristal, esquecer o sapo, servir ao outro, a não cantar em voz alta a música que estiver na minha cabeça (seja eu desafinada ou não), a não dormir o quanto o meu corpo pede, a não chorar por vergonha, a ter que ser forte porque assim alguém espera que eu seja.

Ando me negando tanta coisa, que já nem tenho mais certeza real do que ando me permitindo. Mas, saber o que não quero já é um bom começo para se chegar ao que anseio, mesmo que isso esteja meio nebuloso no momento, assim como a política e a vida…  Por enquanto, a certeza máxima é seguir tendo fé no ser humano (no outro e em mim) por mais que o mundo, as pessoas e as situações nos desencoragem!

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Marina Prado – Bela Urbana, recém chegada ao time. Jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

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“A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.”

Leon Tolstoi

Essa afirmação existe há tempos não é mesmo? Não tanto como a luta pelos Direitos de Gêneros, mas não vou falar sobre isso, quero somente falar de uma mulher qualquer nesse dia qualquer de um hoje qualquer.

Eu.

Acordo já pensando nas mil pequenas tarefas diárias, aquelas que esgotam nosso tempo e também parte do humor, mas alguém terá que fazer o trabalho, no caso eu mesma, pois bem, sigo em frente, igual a milhões de pessoas, atarefada e cronometrada pelas 24 horas, parecendo competir comigo mesma num campeonato onde o troféu é o meu cúmplice travesseiro. No elevador com compras, malas, bolsas e mochilas, sigo para levar as crianças para a escola e verifico se meu I pod está carregado porque terei um ensaio importante. Esqueci de mencionar que trabalho com Dança.

E entre todas as prioridades apareceu mais uma, achar um argumento para explicar para o filho mais novo porque ele não pode ter seu próprio jabuti. Isso mesmo. Ele ainda não pode. Nem eu posso. Talvez nem você possa, mas é necessário dar uma resposta condizente ao pequeno quando o elevador abre e “ufa”, todos saem correndo; inclusive eu. Dai chego ao trabalho. E lá vem ela.

A Dança.

Sim, a Dança que me obriga e despir-me de mim mesma como numa ordem. E assim, eu faço, obedecendo e tentando agradá la de todas as formas. O tempo todo. Naqueles momentos junto aos amigos, alunos, parceiros, música, dor, suor e concentração acontece uma tríade. Mente, corpo e alma, onde seu corpo vira uma espécie de pensão de emoções tentando comunicar se com você mesmo e com o outro.

A Dança é uma arte que te escolhe e ponto. Não tem outra opção, não há acordo, não discuta com ela. Ela é tirana e tão feminina como uma leoa no cio. Caça e caçadora se alimenta de você e te alimenta de volta, devolvendo a energia que faz você respirar. Claro, que muitas pessoas encontram isso em igual força e semelhança em outras artes, mas posso falar desta. Soberana ela dita e você obedece. Mas muitas valentes teimosas não escolhidas também chegam lá. E como!

Em meio a idas e vindas, versos e reversos lá estamos em busca do aplauso. Um aplauso interno, pessoal que complete uma existência. A mulher da dança estará sempre insatisfeita como todas as outras, será sempre crítica, como muitas outras, lutará contra o tempo até aceitá lo e também será interrompida de sua última valsa como todas as outras.

Mas se ao raiar do novo dia, você estiver lá com suas demandas e agradecer por logo menos poder encontrá la novamente, terá outra chance diante do indizível. Comunicar-se através do corpo e do ritmo em busca de seu aplauso interno. Aplauso que todas merecem. Parabéns para nós em todos os 364 dias, mas por hoje vale lembrar que o significado de ser mulher é a gente que dá e não o cupom de supermercado ou a flor doada no banco.

Bravo!
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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.Meg Lovato-