Outro dia me perguntaram: O que faz um professor se sentir valorizado?

Perguntinha estranha essa, né?

Pensei por segundos… eu poderia responder melhores salários, melhores condições de trabalho, mais segurança, apoio da família, e blá blá blá que no fundo não é nada blá blá blá.

Ferrou… afinal de contas, tudo o que eu disser poderá ser entendido de forma rasa e poderá ser compartilhado de maneira inadequada.

Mais alguns segundos e me arrisquei a responder:

No meu caso, me sinto valorizada quando revejo um ex-aluno e nesse encontro há respeito, há amor, há memórias, há relatos do que juntos fizemos!

Tem risadas, tem conquistas, tem desafios, tem perdas, mas não há desistências.

Tem hoje quem nos tornamos!

Claudia Chebabi Andrade – Bela Urbana, pedagoga, bacharel em direito, especialista e psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre 

Neste dia do professor, de 2019, minha homenagem vai para milhares de alunos que passaram pelos meus olhos e ficaram no meu coração. Agradecimentos a muitos que receberam, pouco ou muito de minha influência. Gratidão tanto aos que se lembram de mim como aos que nem sabem mais quem eu sou.

Afinal, tenho sempre em mente que ensinar é, muito mais, aprender. Como se sabe, em francês o verbo é o mesmo: “apprendre” (aprender e instruir, cf. Dicionário Michaelis).

Realmente, ao longo da vida fui entendendo que quanto mais ensinava, mas aprendia. Portanto, o professor é um aluno ao quadrado, capaz de potencializar o conhecimento.

Muito tenho a agradecer por tudo a todos meus alunos e alunas, sem exceção.

Vocês, talvez, não saibam; vou contar. Sempre senti na minha direção, nesse papel, um fluxo contínuo e vibrante de boas energias, fazendo-me muito bem à pele e ao coração. Isso injeta em mim sua juventude em doses colossais. É inexplicável com palavras, é algo entusiasmante, um sentimento sutil fornecedor de doses enormes de disposição e força para todos os momentos.

Isso, antecipadamente, já serve de resposta para muitas questões que me fazem pessoas que não entendem bem o que é ser professor por vocação.

Desde o início perguntavam: “- como é que você suporta as atitudes dos alunos, sua rebeldia, alguns petulantes ou prepotentes, como donos da verdade, outros desafiantes quanto ao seu poder e seu conhecimento?”

Ultimamente, as questões têm sido do tipo: – “como você aguenta ainda, depois de 35 anos de magistério, ter paciência para ‘enfrentá-los’ em sala de aula, em vez de ir pra piscina, tomando uma cervejinha, ir passear, morar numa praia ou viajar pelo mundo?”

“Por que você não deixa as preocupações da sala de aula e vai curtir os prazeres da vida?”

Para essas perguntas posso acrescentar sinceramente.

O que me dá imenso prazer, tanto quanto as sugestões prazerosas mencionadas, é conhecer pessoas novas a cada ano. Lembrando que, a cada período, mais de 100 alunos entram para seguir os mesmos passos que nós percorremos ao longo de tantos anos.

Com outras perguntas, retorno às questões do amigo preocupado, julgando infelicidade e chateação do mestre em sua jornada.

– O que dá mais prazer a alguém do que conhecer e conviver, ao longo de tantos anos, com pessoas alegres, curiosas, animadas, cheias de sonhos, mas também de angústias?

– O que pode dar mais satisfação do que acompanhar as gerações que se sucedem diante dos olhos e poder acompanhar tão de perto o amadurecimento da moçada que chega com 18 anos e após oito semestres segue seu caminho?

– O que pode dar mais alegria do que sentir que você é importante na condução de pessoas em sua vida e em suas carreiras num mundo cheio de incertezas?

Posso garantir, são centenas de vantagens a serem expostas aqui, mas não quero falar demais.

Em minha bagagem de vida, tenho milhares de histórias pra contar sobre a experiência maravilhosa de minha carreira.

Sempre me empolguei pensando em ensinar, desde o primeiro quadrinho negro com giz que ganhei de presente, um dia lá com meus 7 aninhos, já sabendo escrever, e querendo brincar de professora, em que eu assumia sempre o papel de mestra, colocando os amiguinhos sentados pra aprender o que eu achava que devia ensinar a eles.

Se pudesse renascer, sem dúvida nenhuma, escolheria seguir a mesma profissão, tendo pensado, na fase da minha juventude, que não aceitaria ensinar nada a ninguém. Entretanto, tendo passado por outros tipos de trabalho e amadurecimento, tudo acabou me reconduzindo à minha vocação primeira.

Quem não está neste barco do ensino por vocação e amor, não pode ter ideia de quanto é incrível ver o resultado de seu trabalho. Não apenas ao longo e ao final dos quatro anos, período que passa, a meu ver, num piscar de olhos.

Mais interessante, ainda, é poder acompanhar de perto, ou mesmo de longe, os resultados de muitos que mantêm contato virtual, graças à internet, além de algumas amizades presenciais sinceras e despretensiosas.

Ninguém pode imaginar como tudo isso é gostoso, uma felicidade difícil de explicar. Sem contar, visitas a agências de publicidade ou participação de eventos da área, encontrando centenas de ex-alunos, ocupando inúmeros postos de trabalho do setor ligados ao marketing ou à comunicação.

Só pra citar um exemplo, recebi de um aluno um livro indicado no tempo da faculdade (1995), ele hoje um diretor de uma agência do interior de São Paulo com a seguinte mensagem:

-“Este é o meu exemplar do ‘Relatório Popcorn’ – adquirido ainda quando seu aluno – e que vem sendo utilizado como a primeira leitura recomendada para todos que chegam à ‘Full Hand’, desde o nosso primeiro dia de atividade. Gostaria que ficasse com você, em sinal de gratidão à sua paciência, dedicação e estímulo. Denis. (obs. Temos outros aqui)”.

Aos Denis e a todos os Andrés e Andréias, Adrianos e Adrianas, Carlos e Carlas, Caios, Lucas, Danilos, Danielas, Fernandos, Gustavos, Rodrigos, Marcos, Enios, Enzos, Marias, Joões, Pedros, Paulos e Paulas, Rebecas, Manuelas, Fábios, Fabianos e Fabianas, Giovannis e Giovanas, Julianos e Julianas, Carolinas, Tiagos, Vitors e Vitórias… e centenas de nomes, repetidos, ou inusitados (como o meu) gostaria de falar. Queria dizer, pessoalmente, com muitos abraços e beijos, quanta gratidão eu sinto por tudo de maravilhoso que me fizeram sentir durante tantos anos dessa minha vida, realizando meu sonho infantil de instruir e ajudar pessoas a encontrarem seus caminhos.

Vejo o tempo passar por meio deles, em revezamento a cada quatro anos, como belas nuvens passando no céu azul, jovens, belos e cheios de sonhos.

Pra concluir, devo agradecer a Deus, pela emoção das recordações de tanta gente. Quanta responsabilidade ter a incumbência de instruir e falar com tantas personalidades e, agora, poder declarar meu grande amor por todos ou meus, eternamente, alunos e alunas do coração.

Desculpem, se, o que afirmo a seguir, possa parecer politicamente incorreto, deixo de lado esses melindres, viver é se apaixonar, é fazer por paixão o que o universo nos designou como missão. Mas me apaixono pelo que faço e, muito, pelos meus alunos e alunas, não posso deixar de dizer isso e, também, que acho difícil esquecê-los.

Reencontrar ex-alunos, por aí, é muito bom, é como retornar no tempo e sentir de novo e acrescentar novas emoções, uma nova parte da nossa história. Sem exceção, todos se tornam nossos filhos, “nossas crias”, como dizem outros professores felizes nesta profissão.

Precisa mais pra justificar a alegria imensa que é ser professor?

Flailda Brito Garboggini – Bela Urbana, Pós graduada em marketing, Doutora em comunicação e semiótica. Dois filhos e quatro netos. Formada em piano clássico. Hobbies música, cinema, fotografia e vídeo. Nascida em São Paulo. 4 anos como aluna, 35 anos como professora de Publicidade na PUC Campinas. É aquariana (ao pé da letra).

Desde os primórdios da humanidade que jovens e crianças observam os mais velhos realizarem suas tarefas. Desde então, brincam, imitando tais tarefas, seja de caça, coleta, agricultura, escrita, artesanato, manufatura, indústria, comercio, serviços, tecnologia, computação, astrofísica. Jovens mimetizam, imitam, se divertem, aprendem. Ao lado, sempre alguém, munido de algum conhecimento sorri lembrando de seu saudoso passado e os incentiva.

Esses jovens passam adiante, conforme a idade avança, o que aprenderam brincando, debatendo, perguntando e refletindo em suas praticas. Esses jovens fazem sua parte no mundo e tocam a bola do futuro aos mais novos.

Sempre foi assim, então para que romantizar a função do professor, se ele é, na realidade, mais um dentro desse ciclo milenar de passagem de bastão? Para que ele sinta-se um herói mal compreendido e mal remunerado? Para que ele seja reconhecido com tapa nas costas? Para que seja consolado pelas suas condições de trabalho precárias, burocratizantes e desmotivadoras?

Ser professor é navegar num mar bipolar do humor. Uma alegria infinita quando deparamos com alunos que sonham, uma ponta de tristeza quando nos deparamos com o mercado que se tornou esse processo natural do ser humano que é ensinar. Uma alegria de aprender a cada dia com quem menos se espera, uma tristeza ao penhorar horas a fio em preparo, pesquisa, processos administrativos e formação. Alegria de enxergar a olhos nus o futuro, tristeza de saber que, dali a dias, terá de pagar uma conta que talvez não caiba no orçamento.

Não basta elogiar, há de se brigar para que não o professor, mas a educação seja tomada como base de uma nação próspera, para além do lucro que gera sob a despesa que exige.

O saldo é positivo. Poucas profissões permitem sonhar tanto quanto a de ensinar. Sonhar junto, em coletivo com os jovens, que imitam, brincam, sonham, crescem e levam adiante o que aprenderam, ensinando. É assim, a forma de tornar-se sutilmente eterno, anonimamente eterno, amorosamente eterno, apesar de tudo. Sigamos em frente!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


Sempre #naforma elas estão… E sempre #emforma estarão.                  

E nunca #seformatarão aos insensíveis olhos e mãos dos marceneiros e, dos temperos das cozinheiras de plantão!                                                               

Observar relatos sobre crianças é muito comum, mas, observar tratos para crianças não é curtido como um barato. Principalmente aquelas que são avaliadas como não sendo de fino trato, e essas precisam estar sendo observadas com mais afeto, com mais percepção, mais toque tateado, mais empatia e menos julgamento sem poesia.                                     Todos os movimentos teóricos para exercer a educação das crianças têm validade e, é bom pensar nisso. Porém, TUDO em nossa vida tem VALIDADE!                                                                                                 

Um conto vivenciado por mim e pela minha filha Juliana pré-adolescente há alguns anos: Estávamos eu e ela dentro de um ônibus e comodamente sentadas num banco alto e, ela na janela… Ao que olhando para fora, vimos dois meninos de mais ou menos 07 anos de idade, ao lado de um adolescente que fumava um cigarro. Eis que num repente, o adolescente oferece um cigarro para cada um dos meninos, que aceitaram sem pestanejar! E eu, como Educadora nem raciocinei dizendo para a minha filha:

– Que horror eles estão fumando!

Ao que Juliana minha filha respondeu:            

– Ah, Mãe… Eles são “MENINOS de RUA”   

Eu respondi para espanto dela: 

– São realmente MENINOS de RUA Juliana minha filha, mas, são ME… NI… NOS! Ora… Ora!                                                                                                       

Já se faz tempo que ouvir as crianças perdeu-se na MAJESTADE do canto, do SABIÁ!

É preciso prestar a devida atenção, nos intensos buraquinhos teclados…   No TOQUE SILENCIOSO das emoções!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Essa semana aconteceu algo que me fez pensar sobre ser professor… me deparei com uma foto com algumas professoras que me deram aula na adolescência, alguns daqueles rostos me causaram tristes lembranças… professor deveria ser aquele que acolhe e ensina seus alunos a lutarem em meio a suas dificuldades. Eu era essa aluna com dificuldades de aprendizagem, mas nem sempre no meu caminho escolar encontrei professores com essas preocupações. Infelizmente foram professores que se alegravam em trabalhar com alunos ditos inteligentes, aqueles que nem precisam do professor para aprender. Então questiono, qual a importância desse professor? Professor deveria se alegrar em ensinar independente a quem! Como um médico que cura o doente… mas estar nas mãos de um professor que não se sensibiliza com a necessidade de seu aluno é doloroso, causa danos e muitas vezes podem ser permanentes. Um professor deve sempre ser lembrado que terá em mãos seres humanos em formação, daí tamanha responsabilidade dessa profissão, que é linda!
Mas nesse mesmo caminho tortuoso apareceram outros professores maravilhosos que me entenderam e me levaram a escolher ser professora, e de forma inconsciente naquele momento ( mas consciente mais tarde), escolhi essa profissão exatamente para levar o meu olhar e minha sofrida experiência, para ajudar aqueles pequenos que encontrei em meu caminho com dificuldades muito parecidas com as que tive.
O magistério foi uma escolha que mudou minha vida escolar, me reaprendi, tive professores de olhares sensíveis que me ensinaram a superar-me e a mudar a minha história. Me superei quando fui fazer pedagogia na Unicamp, encontrei novos desafios e novos professores mas nesse momento eu já era outra pessoa, bem mais forte e acreditando em mim, isso era o fruto dos professores competentes que encontrei nessa caminhada!
Quando me tornei professora, já muito diferente e mais madura daquela adolescente que deixou para trás aqueles professores opressores, voltei para trabalhar na mesma escola da adolescência, nesse momento me redefini enquanto pessoa, pois encontrei um novo lugar, de olhar sensível ao aluno e pude colocar o meu amor ali!
O olhar sensível do professor é uma das ferramentas mais importantes para exercer essa profissão. É esse olhar que percebe a dificuldade, que busca caminhos para instrumentalizar o aluno, para que ele possa se superar.
Enfim, esse emaranhado de sentimentos me fez constatar algo que já sabia, o quanto o professor é importante na vida de seus alunos, e quanto ser sensível às dificuldades deles é urgente!
Veja bem, após 30 anos, ao ver a foto com algumas pessoas q me ignoraram nas minhas necessidades (sim é forte dizer isso, mas é verdadeiramente doído) senti indignação!!!!
E então me lembrei de uma reportagem que dizia que somente 2,4% dos jovens hoje escolhem ser professor, eu reflito, diante dos diversos motivos óbvios (falta de reconhecimento, salários baixos, condições de trabalho ruins etc) para os jovens não escolherem essa profissão, também devemos incluir a possível experiência de se depararem com a falta de sensibilidade de alguns professores que não deveriam estar onde estão! Essa falta de identificação com esse profissional também afasta os jovens dessa escolha.
No meu caso consegui usar a experiência negativa para buscar uma mudança para melhor, mas imagino que muitos que desistiram de seus sonhos tenham tido professores insensíveis que colaboraram com o fracasso escolar!

Viviani Raimundo Viégas Barreira –  Bela Urbana, psicopedagoga. Muitos alunos passaram em seu caminho, foram 20 anos de magistério e mais alguns de professora de seus filhos. Sempre teve como objetivo encorajar na dificuldade., buscou ao longo da trajetória o olhar sensível. Hoje é mãe em tempo integral de João Vitor e Milena, continua se sensibilizando e encorajando-os a enfrentarem os obstáculos.

 

Tem dias em que o ‘dia’ na escola não é muito simples…

Não dá pra dizer que o dia é pesado porque dentro desse mesmo dia coexistem situações de ‘desespero’ e esperança… então é desnecessário rotular assim.

Estar entre as crianças é uma das coisas que mais fazem sentido pra mim. Com e apesar de todas as questões que enfrentamos. Com e por todos os momentos especiais que vivenciamos.

Muitas profissões são difíceis, complicadas, dolorosas, talvez seja aquela velha história do ônus e do bônus de todas as situações. Que fique claro que respeito e admiro todas elas.

Mas hoje, eu queria deixar mais claro ainda o quando eu admiro as minhas colegas professoras (‘os’ também, mas somos a maioria garotas!). O quanto eu admiro e o quanto estar lá também faz sentido por elas existirem, por estar lá também com elas. O quanto eu admiro a maneira como a gente pode olhar uma pra outra com respeito e compreensão… o quanto eu admiro a maneira como a gente pode perceber a dor, ou o desespero, ou a angústia, ou que seja um simples nó e de alguma maneira ‘tornar’ aquele nó também nosso.

Porque nesse momento, em que essa angústia é partilhada, de alguma forma a esperança se refaz, ainda que por vezes, nem se vislumbre solução. Nesse momento, em que a gente divide o que está pesado, de alguma forma talvez a gente se lembre dos outros momentos que fazem tanto sentido, dos outros momentos que sustentam o nosso fazer diário, a nossa crença diante de condições tão delicadas e muitas vezes desfavoráveis.

E aí que a gente talvez perceba a nossa humanidade da forma mais concreta, junto com toda limitação, mas também com toda a nossa força.

Michelle Felippe – Bela Urbana, professora por convicção e teimosa. Apaixonada por doces, cinema, poesia urbana e astrologia. Acredita que ainda vai aprender a levar a vida com a mesma leveza e impetuosidade das crianças.