Esta tudo errado, não há nada bem
Como poderia ser, sendo você este alguém?

Me pergunte logo o que está em você
Me desafie, venha me dizer

Seu idiota, sabe nem que é insano
O estúpido, pobre, pensa que é humano

Háháháháháháha

Risos soltos por aquele que não vê
VOCÊ!

Olhe em volte e talvez consiga perceber

Não enxerga aquilo que não te mostram?
Não escuta o reverberar daqueles que choram?

Eles choram por você

Não por sofrer, mas por pena
E você ainda ai, sem entender o motivo dessa cena

Ignorante, pobre e idiota
Olhe em volta!

Eles não te ignoram, e muito menos eu
Mas continuas ai sem saber o que sou perdeu

Nunca soube, nunca viu
Idiota desalmado, servo varonil

Procure em sua mente e um dia talvez ainda vá a ver
O diabo e a inocência
Aquilo que não consegue mais saber

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Um dia ouvi de um professor que deveríamos, às vezes, praticar a desconexão. Como um professor renomado de mídias digitais e redes sociais, que vive para o universo on-line poderia dizer aquilo? Não entrava na minha cabeça.

Hoje vivemos numa era midiática, onde todo o tipo de informação chega em nossas mentes e temos que dar conta de tudo num curto espaço de tempo. Pensei, analisei, enxerguei os prós e os contras e lá fui eu viver sete dias como há muitos anos não vivia.

Sete dias sem elas.

Sete dias sem likes.

Sete dias sem amei.

Sete dias sem há há há.

Sete dias sem ver a vida dos outros.

Sete dias sem compartilhar o que estava sentindo ou não.

Sete dias que pareciam durar uma eternidade.

Sete dias desconectada das redes sociais que mais ocupavam meus dias com besteiras, notícias boas, notícias ruins, nóias e risadas.

Sete dias vivendo.

Os hipócritas vão dizer: Ah, isso é fácil! Você é viciada! Certeza que você está fazendo isso porque deu ruim!

Como as vezes não vale a pena explicar eu fiquei com a minha resposta e segui nos sete dias. Não foi fácil. Mas como não nasci com elas na forma on-line, logo aprendi a lidar com a desconexão e praticar a rede social que aprendemos desde crianças. A rede off-line.

E sabem o que encontrei?

Encontrei um mundo real, encontrei-me com pessoas reais e principalmente comigo mesma. Meu coração desacelerou, não sofri a espera de nada e deixei o tempo me levar pra onde ele gostaria que eu fosse, sem mudar o rumo de nada.

Foram sete dias desconectada de um mundo que criamos, um mundo acelerado prestes a sucumbir.

Claro que não serei tola em dizer que viverei sem elas. Mesmo porque eu trabalho com isso. Mas de uma coisa eu tenho certeza. A vida é muito mais real, leve e gostosa longe delas.

Olhem para o céu, vejam a lua, as estrelas, o pôr do sol, subam em pedras, sintam o vento no rosto e ouçam os passarinhos. Olhem para os seus filhos, para os seus amigos, para os seus pais, para seus maridos, esposas, namorados, peguetes…whatever!

Apenas olhem e sintam.

Cris Saad – Bela Urbana, professora universitária, publicitária, fã do vento, da lua e do acaso. Apaixonada por música e dança, enfim apaixonada pela liberdade, pela loucura do movimento e o gozo do encontro.