“Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez”; quem não conhece essa famosa canção que segue sendo hit até hoje? Um clássico atemporal frequentemente tocado em festas de final de ano, para muitos remete a um balanço do ano, a fechamento de ciclos a planos elaborados e conquistados, a outros postergados e aqueles que não se realizaram, ao mesmo tempo pode trazer um sentimento de urgência para o próximo ciclo, se não foi em 2020 então será em 2021, muitos questionamentos surgem: O que mudarei? O que eu quero de verdade? Vou tomar quais decisões? Certamente os finais de ciclo tradicionalmente são marcados pela dualidade do que foi e do que será, de tristezas e alegrias, independentemente das religiões e seus rituais e símbolos, as festas que encerram esse ano para muitos seguramente serão atípicas, desnecessário mencionar a razão.

Que seja esse o texto das saudades que sentimos de nos aglomerar sem máscara e sem receio, de sentir o cheirinho de nossos queridos bem de perto, de abraçá-los e beijá-los bem apertado como antes, de viajar para ver o mar em dezembro, de quando sentíamos medo de algumas coisas mas agora temos muito mais, de ter que controlar essa ansiedade desenfreada que as vezes sufoca o peito com pensamentos inconvenientes, que seja o texto também dos pequenos e grandes agradecimentos, em 2020 tantos tiveram perdas, muitas  irreparáveis e outras milhares de ínfimas perdas: pequenos confortos ,hábitos, agradáveis passatempos, em pouco tempo o mundo mudou e pouco se pôde fazer para conter essa cascata de desagradáveis novidades, conviver com a sensação de impotência, máscara, distanciamento e álcool gel viraram rotina obrigatória.

2020 têm sido um ano com muitos desafios, muitas perguntas sem respostas disponíveis e lógicas, muito sofrimento, ao mesmo tempo vimos generosidade, solidariedade, amor, esforço contínuo de profissionais de saúde extremamente dedicados, cientistas se superando em sua busca por conhecimento na luta contra o vírus, vimos o mundo lutando por um ideal comum e isso de alguma maneira faz com que apesar dos reveses tenha-se fé e esperança na humanidade e na vida, foi um ano de intensivo aprendizado.

Que nesse período que antecede o próximo ano, possamos escolher agradecer mais do que nos queixar, focar no que se tem e não na falta, agradecer cada minuto de vida com as nossas pessoas preferidas, respirar profundamente e seguir com fé independentemente da religião, buscar uma maneira mais tranquila de lidar com as incertezas e o caos ao redor, quer seja aromaterapia, meditação, yoga, leitura, cozinhar, terapia, ouvir música, voluntariar, escrita, observação de pássaros, flores, do mar, da lua e do sol, assistir séries e filmes favoritos, jardinagem e uma infinidade de opções, acima de tudo que possamos querer ter menos razão e mais ação, parar de achar que a esperança está apenas em uma vacina e abrir os olhos para a realidade e nosso comportamento do dia de hoje, da vida que acontece nesse minuto e fazer a nossa parte com responsabilidade, amar com intensidade, se possível doar, buscar a humildade em nossas interações com outros seres humanos, perdoar depressa, olhar mais nos olhos e menos nas telas e mais do que apenas querer ser feliz que possamos também querer que outros sejam felizes, que não nos esqueçamos que todos somos irmãos em nossas dores e falhas e que não importa quão diferente sejamos, estamos unidos em nossa humanidade, de acordo a pesquisadores da Universidade da Califórnia através da análise de DNA todos os seres humanos vivos na atualidade são descendentes da Eva mitocondrial que viveu na África a cerca de 200 mil anos, se tivermos essa consciência podemos assim tocar com delicadeza a vida do outro e assim quiçá o mundo se cure, se aprimore um pouquinho a cada dia no nosso microcosmo e assim reverbere no universo. Mais do que todos meus objetivos e planos para o próximo ano essa é a minha prece. Amém!

Um 2021 com muita vida e esperança para todos!

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

No texto poético “Morte e vida severina”, o escritor João Cabral de Melo Neto narra a história de um sertanejo, retratado como “Severino”, que deixa sua terra natal por causa da seca. O retirante sai em busca de vida, sai em busca de algo que lhe dê esperança. 

Na caminhada encontra um lugar de boa vegetação e trabalho. Por um momento, o cidadão pensa ter encontrado o que tanto buscava. No entanto, ele se depara com a morte de um dos trabalhadores e as marcas registradas no sofrimento de quem lá vive se aflora de tal forma que o retirante percebe que aquele não é o lugar que ele tanto buscava. Então, ele decidi continuar sua jornada em busca de esperança.

O sertanejo desejoso por vida chega até a capital e se choca com as mazelas do centro urbano. A condição de sobrevivência sub-humana continua e com isso o Severino fica totalmente desesperançado. Todavia, algo promissor acontece: o nascimento de uma criança. 

No final do texto, o Severino conversa com um carpinteiro sobre a descrença na vida. Sabiamente, o carpinteiro respondeu que “defender a vida em palavras é difícil, pra não dizer impossível”. O Severino pergunta: “Vale a pena viver?”. O carpinteiro diz que resposta para essa pergunta é dada pelo próprio espetáculo da vida, não importando se o espetáculo será o nascimento de mais um ser para viver essa vida severina. E “não há melhor resposta que o espetáculo da vida”. 

O poema “Morte e vida severina” foi escrito em 1950. 

Vida severina – vida sofrida.

O ano de 2020 apresentou um sofrimento a todos nós e escancarou a fragilidade da existência humana. Não saímos de casa, literalmente. Em compensação, figuradamente, saímos em busca de algo interior. Vasculhamos memórias. Rememoramos muitos momentos e nos questionamos como o Severino.

A minha resposta para 2020 é:

O movimento da vida faz a gente incessantemente buscar “vida” e não apenas “existência”. 

O nascimento renova a esperança e anuncia uma boa-nova.

Que não nos falte a esperança … porque um menino nasceu. É natal!

 Feliz Natal!

Miriam Camelo de Assis – Bela Urbana, alguém sendo constantemente reformada pelas palavras. Formada em administração e letras. É professora de língua portuguesa por profissão e paixão. Ama artesanato e uma boa conversa.

Natal uma festa cristã carregada de significados. Nesta data somos convidados a experimentar, na intimidade de nossos lares, um momento especial entre familiares e amigos. E assim compartilhar afetos e gestos que nos remeta a vivências como a comunhão, fraternidade e pertencimento.

O Natal promove a oportunidade de rever valores, relevar divergências e
construir pontes que nos unam. É quando pisamos no chão da humildade que, podemos reconhecer que somos seres humanos limitados, buscando evoluir de alguma forma. Às vezes escolhemos caminhos tortuosos, a fim de chegar em algum lugar de paz e encontro. No entanto de modo equivocado nos ferimos, bem como a outros, com quem poderíamos fazer trocas significativas.

O Natal em sua origem carrega a mensagem de boas novas, ou seja, o
menino, Jesus, nasce como resposta de Deus ao sofrimento humano. Jesus, o Deus encarnado experimenta em sua trajetória, as dores humanas, identifica- se com aqueles, cuja, a dignidade fora violada.

É interessante observar que, Jesus, se oferece como sacrifício vivo e de amor na cruz por todos os seres humanos inclusive seus malfeitores. Sendo assim como Deus, escolhe o caminho do amor em sua potência máxima.
Torna-se um grande farol a nos guiar e através de sua imensa compaixão com as misérias humanas, nos deixa um caminho aberto para reconciliação entre realidades diversas e aparentemente contraditórias.

Ele é uma síntese perfeita na qual a vida sempre recomeça. A ressureição
acontece a cada dia. Basta observarmos os ciclos da natureza, onde uma
estação termina para dar lugar a outra, a noite gentilmente recebe o
amanhecer e, a tempestade cessa para que o dia brilhe ainda mais.

E assim em um movimento de expansão da vida acontece. Neste ano de 2020, diferentemente de outros, vivenciamos uma tempestade provocada pela presença do coronavírus; tão pequeno, porém tão ameaçador a manutenção vida.

A princípio nos recolhemos dentro de nossas casas. O sentimento de
impotência nos atingiu e, nos sentimos como que, arrastados por uma
tempestade. Desequilibramos, caímos e levantamos. Um caos instalou se e
percebemos que estruturas as quais, nos apegávamos se fragilizaram.

Fomos forçados a nos distanciar uns dos outros, limitando assim em muito o nosso convívio social. Em geral o nosso tempo com familiares tornou-se maior e as relações se intensificaram. A vida pareceu ter encolhido, nos sentimos sufocados e, mais do que nunca a nossa alma clamou por liberdade e expansão.

Não imaginávamos que bem precioso que experimentávamos ao exercer a
liberdade de nossas escolhas, cair nossos próprios tombos e nos reerguer construindo o nosso próprio caminho. Sentimos falta de gestos
simples como abraçar, beijar, sorrir, gargalhar etc…. A satisfação de nos
encontrar com amigos e familiares para, trocar confidências ou mesmo jogar conversa fora. Respirar ar puro, contemplar a natureza que tanto nos ensina sobre a vida.

Apesar de tantas privações descobrimos que há um mundo vastos a ser
explorado tanto para fora como para dentro de nós. Tivemos que enfrentar
muitos fantasmas externos e internos. Nos esforçamos para que o nosso
desejo pela vida prevalecesse e ressignificamos a nossa dor a transformando em força a favor da continuidade da vida.

Descobrimos que não estamos sozinhos e que, podemos contar com
instrumentos tecnológicos e redes de apoio para nos manter próximos mesmo que a distância. A humanidade mais do que nunca se percebeu interligada.

Nos unimos para cuidar dos feridos e, estamos utilizando as adversidades
como matéria prima para a criação de novos caminhos e assim a vida vai
retomando seu seu fluxo.

Faltam poucos dias para o Natal e diferentemente de outros anos, pessoas queridas podem não estar presentes. No entanto aprendemos algo novo, ou seja, a presença também se faz na ausência, pois para o amor não há distância. E a vida sempre acontece para aqueles para que sonham com dias melhores. E reconhecem que os intervalos e as pausas da vida, apenas fazem com que o reencontro, seja, um momento de intensa alegria, de modo que tudo tenha valido a pena.

Podemos então concluir que, o nascimento e a vida de Jesus, sacrificada na cruz, nos disponibilizou uma fonte de amor acessível a todos. A cruz simboliza na sua forma horizontal e vertical um lugar onde a nossa humanidade pode se encontrar e, quando isso acontece somos remetidos a lugares mais elevados.

E assim podemos perceber que os processos da vida, se organizam de modo
a cooperarem na direção do aperfeiçoamento do amor. Pontes são estendidas fora e dentro de nós e a vida se faz novamente.

Não conseguimos controlar o que nos acontece, mas conseguimos ter a
liberdade de escolher como vivenciar a experiência.

Feliz Natal a todos os amantes pela vida.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Bela Urbana. Psicologa clinica. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o Mar.

Noite encantada de esperança, de alegria e de uma sensação que um sonho se realizará.

Aquele Sr. que nos ama, nos educa, nos alimenta e que temos o maior respeito, de repente vira um grande portador de presentes e nem sabemos.

Aquela Sra. que nos acolhe, nos orienta  e que temos um amor que não dá pra medir, de repente dá um sorriso que nos absorve, faz a gente crer que existe um ser superior que nos quer feliz.

Aquela criança que existe em todos nós que nunca queremos abandonar fica simplesmente perplexa, sorrindo, gritando e em êxtase.

Aquela sensação de felicidade que não queremos nunca que acabe, de repente se transforma em LUZ e dormimos o sono dos deuses,  felizes, crendo que a vida vale cada segundo.

A todos meus sinceros desejos que não apagamos esta LUZ de felicidade dentro de nós, como se cada dia fosse um Natal, não só de presentes, mas de esperança de uma vida melhor sempre.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo sempre.

Antônio Pompílio Junior – Belo Urbano. Graduado em Análise de sistemas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas . Pós-graduado em Gestão de Empresas pela UNICAMP e MBA Gerenciamento de Projetos E-Business pela FGV-RJ . Adora esportes, viagens e luta pela liberdade da vida e pelo amor das pessoas.

Dois anos atrás, quando começamos a planejar um sonhado período vivendo nos Estados Unidos, nunca poderíamos imaginar que isso ia acontecer juntamente com uma pandemia mundial. Se, na época, alguém tivesse previsto que o mundo inteiro iria parar, escolas e comércios iam permanecer fechados e as pessoas ficariam em isolamento social dentro de suas próprias casas, eu teria certeza que se trataria de um filme de ficção
científica. Mas não.

E foi um pouco antes disso tudo começar que cheguei em Berkeley, na Califórnia, junto com a minha família (marido, filho e meus pais), para passarmos 7 meses por aqui. Eu e um marido viemos para atuar como pesquisadores da University of California. Deu o maior trabalho conseguir conciliar nossos afastamentos nas universidades brasileiras que
trabalhamos, para que eles acontecessem no mesmo período, providenciar os documentos desse tipo de visto, planejar a mudança e deixar parte da família, os amigos, uma casa para trás. Mas, enfim, viemos. Com muitos planos.

Os dois primeiro meses foram ótimos. Pudemos conhecer a região, nos inserimos em diversas atividades da universidade. Eu e meus pais começamos a frequentar aula de inglês todas as manhãs. Meu filho ingressou na escola, no 2º ano do ensino fundamental. E a vida corria exatamente do jeito que havíamos imaginado. Mas, em março, tudo mudou. Fomos avisados de que tudo seria fechado e que deveríamos fazer o isolamento social. De repente, nos vimos sem acesso as todas as atividades da universidade (as mesmas atividades para as quais viemos até aqui), meu filho sem escola, tudo fechado. Estamos há mais de 1 mês nessa situação. E no país que tem mais casos de contaminação e de mortes no mundo!

Com o passar dos dias, fomos vendo a crise se instalar. Supermercados com
prateleiras vazias, produtos de limpeza esgotados, produtos de proteção (máscaras, luvas) sem previsão de estarem disponíveis em qualquer lugar, loja física ou online. Por sorte, a cidade em que estamos não tem apresentado crescimento dos casos. As pessoas têm se mostrado, em sua maior parte, bastante conscientes, permanecendo dentro de suas casas
ou saindo com todo o cuidado quando precisam.

E me vi questionando: puxa, mas justo agora? O que eu estou aprendendo com tudo isso? Que nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente quer. Todos os meus planos profissionais aqui provavelmente foram encerrados, ainda que a gente vá continuar na cidade até final de julho. Considerando-se que não há nenhuma previsão de encerramento do isolamento, todas as oportunidades que começamos a aproveitar, não
mais farão parte dessa experiência. Do mesmo modo, pensei que a oportunidade do meu filho frequentar uma escola aqui pudesse ampliar sua visão de mundo e seu domínio do inglês, mas isso só durou 2 meses. Ainda que parte das atividades tenham voltado a partir da segunda semana de abril, tanto as aulas de inglês quanto as aulas da escola do Miguel,
oferecidas por meio de plataformas online, não é a mesma coisa.

Por outro lado, estamos aprendendo muito sobre ficar juntos, nos aproximando mais da educação do Miguel, compartilhando sentimentos e percepções. Nesse momento agradeço por estarmos em cinco pessoas aqui e, principalmente, por estar com meus pais aqui junto comigo. Parece que fica mais fácil de enfrentar essa situação. Se eles estivessem no Brasil, e eu aqui, estaria medo por não saber se eles estariam se cuidando adequadamente, se estariam precisando de alguma coisa.

Junto a tudo isso, não posso esquecer que eu e meu marido somos psicólogos. Fica mais fácil por causa disso? Não! Nesse momento somos apenas mais duas pessoas com medo e em casa. Talvez a diferença que isso esteja fazendo envolve dois temas que trabalho: psicologia positiva e criatividade.

A psicologia positiva é um movimento que busca valorizar o que existe de melhor em cada indivíduo. Essas habilidades, como otimismo, esperança, felicidade, podem ajudar as pessoas a encontrarem qualidade de vida nesse momento tão difícil, entender e lidar com as suas emoções e se relacionar com as pessoas ao seu redor. Já a criatividade, pode funcionar como uma espécie de energia adicional que vai nos ajudar a olhar para a situação
por novos ângulos, na busca por soluções para os novos problemas do dia a dia, nos tornando mais abertos e flexíveis em relação ao futuro, nesse momento tão difícil que estamos vivendo. Penso que, mais do que nunca, uma atitude positiva em relação a vida e ao futuro poderá nos ajudar a superar essa fase e sairmos ainda mais fortalecidos. É nisso que acredito.

Tatiana de Cassia Nakano – Bela Urbana, psicóloga, mãe, apaixonada por fotografia, viagens e pela família. Professora do curso de
psicologia da PUC-Campinas.

Como não falar sobre ontem?

Preciso falar. Falar sobre pessoas, ansiedade, humanidade, medo, morte, religião, sobre dezembro.

Talvez desta vez não saiba ao certo por onde começar, sei que penso em tudo junto e que as lágrimas não param de escorrer.

Ontem aconteceu essa tragédia na Catedral na cidade de Campinas, minha cidade. Eu questiono, você deve questionar também: Por quê?

Sem resposta, só podemos nos colocar no lugar das pessoas e sentir o medo e a dor que sentiram e que seus familiares sentem agora.  Dor que devia existir nesse homem que causou tudo. Dor na família dele agora e talvez até antes, porque talvez as pessoas deem sinais de que as coisas não andam bem, mas até que ponto esse não tudo bem é tão ruim assim?

Quanto mais penso, penso que as pessoas, muitas mesmo, estão enlouquecendo lentamente.  A ansiedade e a depressão são irmãs gêmeas, vivem grudadas. Primeiro vem a ansiedade e depois quando ela fica por um certo tempo, vem a depressão.

Dias desses, eu estava refletindo sobre dezembro e como esse mês me deixa ansiosa, me dei conta disso.  Tenho vontade de fazer tantas coisas, programas natalinos e nunca consigo. Faz anos que nunca consigo, acho que nunca consegui da forma que tenho em mente e que considero o ideal. Talvez seja porque o mês é tão corrido e sempre surgem trabalhos urgentes, que não sobra tempo para dar um tempo.

O tempo de apreciar coisas que só temos nessa época, como os corais natalinos, visitar a casa do Papai Noel com as crianças, estar com os amigos sem pressa e a obrigação de estar por ter que confraternizar o ano, viver mais o amor com calma no dia a dia etc. Falta tempo para fazer com calma as compras natalinas, sempre me vejo comprando os presentes na última hora, no stress, preocupada para não esquecer ninguém, sem relaxar e curtir esse momento.

O fato de ser o último mês do ano, automaticamente nos faz fazer um balanço do ano e da vida, e quanto mais velhos vamos ficando, mais esses balanços nos balançam, para cima e para baixo, mas alguns não aguentam e adoecem.

Esse ano, colocou os instintos mais baixos para fora do armário. Não vou discutir politica, mas as eleições foram o estopim para isso, quem passou e soube dialogar, passou brilhantemente essa etapa. Sinto uma tristeza de ter visto tantas pessoas tão intolerantes, tão cheias da verdade absoluta e querendo impor de forma tão radical seu ponto de vista. Ignorância que não leva nada de bom para lugar nenhum. Diálogo é o caminho. Diálogo quando as pessoas tem um objetivo em comum, mas muitos não perceberam isso e infelizmente se fecharam, excluindo, deletando, bloqueando.

Vejo um sociedade doente, que está contaminando todos. Precisamos de ajuda e precisamos ajudar. Precisa existir essa troca e isso é amor. O amor precisa sobressair e sair com força dos armários.

Não importa a religião, importa estender a mão, importa o abraço, o beijo, o carinho.

As vezes o grito de socorro não sai da garganta, as vezes o sorriso disfarça a dor. Difícil perceber o outro se estamos todos correndo. Difícil perceber o outro na sua tristeza, ansiedade, depressão e até na perda da sanidade mental.

Podemos ser melhores, podemos ser AMOR.

 

“Paz na terra e aos Homens”.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro dia fui à feira comprar algumas coisas para fazer um creme de abóbora. Eu tinha até levando uma lista: abóbora, alho poró, gengibre e salsinha…de repente, um vendedor me abordou e me ofereceu tomates. Sim, tomates maduros, saborosos, recém colhidos, foi o que ele me apregoou.

Pensei: não preciso de tomates, mas estão tão bonitos e o vendedor me parece tão certo das qualidades do produto…quer saber? Vou levar os tomates!

Cheguei em casa já cheia de expectativas sobre o molho maravilhoso que faria e lá fui eu para a cozinha.

Abri o primeiro tomate e… podre! O segundo, a mesma coisa. O terceiro, o quarto…o lote quase inteiro sem condições de uso. Comecei a me questionar: nossa, mas estavam tão bonitos e o vendedor tão certo sobre suas qualidades. E dinheiro que gastei? O que vou fazer?

Me apeguei a ideia do tal molho, naquilo que ia perder é quase esqueci dos ingredientes que tinha comprado para a sopa.

Mas não tinha o que fazer, eu tinha sido enganada pelo bom papo do vendedor e pela aparência do produto. Num momento de frustração pensei: nunca mais compro tomates!

Me desapeguei da ideia do molho, me lembrei dos outros ingredientes que eu tinha na geladeira e fiz uma deliciosa sopa que apreciei imensamente.

E o tomate? Na semana seguinte voltei a comprá-los e fiz um belo molho. Porque não seria um vendedor enganador ou um lote podre que me fariam deixar de acreditar nas possibilidades desse ingrediente maravilhoso.

Assim como na cozinha, é na vida…

Quantas vezes a gente não foi enganada por pessoas ou situações que se apresentaram promissoras, mas no fim eram apenas “tomates podres”? Tenho certeza que todos nós já passamos por isso…mas é preciso acreditar que são situações isoladas e que valerá a pena abrir mão dos apegos, das mágoas e seguir em frente acreditando que existem outras pessoas, outras situações possíveis e que, se você não desistir, você poderá experimentar o melhor “molho” da sua vida!

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr que fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

 

Este ano, vou eleger o pé de umbu como minha árvore de natal. Não que não goste do pinheiro, mas frente às suas histórias, o pé de umbu me cativa.

No sul do Brasil, reza a lenda que quando Deus criou o mundo, havia uma fila de árvores rogando, cada qual um fruto mais frondoso que a outra. A amoreira, pedia o fruto mais doce e saboroso. A laranjeira um fruto grande, belo e suculento. A parreira uma fruta inebriante e mística.

Enquanto isso o umbuzeiro, sábio e humildemente, pedia apenas folhas largas para uma confortável sombra e um tronco frágil, para que nunca sua madeira fosse usada como arma ou madeira de Cruz. Ganhou sim um tronco seco, porém caudaloso de água para os que passam com sede e frutos redondos e adocicados. Tornou-se refúgio dos que mais precisam de alimento para a jornada.

No nordeste não é lenda, é fato: Euclides da Cunha, em Os Sertões registrou, admirado com a resistência do sertanejo diante da adversidades, que o pé de umbu era “Árvore Sagrada do Sertão”, pois no inverno, é desfolhada e seca, fica praticamente morta, ressurgindo logo na primavera, altiva, cheia de flores, mostrando sua força e grandeza.

Por essas e outras o pinheiro, esse ano, abre espaço ao umbuzeiro. E sabendo que não consigo trazer um exemplar para minha sala, farei do país o meu quintal, com firme desejo de que esse natal traga a mesma força, resistência, altivez, sabedoria e humildade do pé de umbu, e que tais valores se estendam não apenas ao novo ano, mas sempre em nossas vidas!

Segue um poema que fiz anos atrás sobre nosso protagonista.

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O imenso pé de umbu nos mostra, ensina
Como ser e agir, ter perseverança
Pois mesmo com a ação do tempo
Do desastre, do mal ou da vingança
Mesmo preta de queimada, alagada
Cortada assim, renasce fé, amor, esperança
Sem mesmo mostrar um mero verde
Sem ter chance enfim, viravolta, criança
Frondosa lição de vida, superação, pujança

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Tem dias em que o ‘dia’ na escola não é muito simples…

Não dá pra dizer que o dia é pesado porque dentro desse mesmo dia coexistem situações de ‘desespero’ e esperança… então é desnecessário rotular assim.

Estar entre as crianças é uma das coisas que mais fazem sentido pra mim. Com e apesar de todas as questões que enfrentamos. Com e por todos os momentos especiais que vivenciamos.

Muitas profissões são difíceis, complicadas, dolorosas, talvez seja aquela velha história do ônus e do bônus de todas as situações. Que fique claro que respeito e admiro todas elas.

Mas hoje, eu queria deixar mais claro ainda o quando eu admiro as minhas colegas professoras (‘os’ também, mas somos a maioria garotas!). O quanto eu admiro e o quanto estar lá também faz sentido por elas existirem, por estar lá também com elas. O quanto eu admiro a maneira como a gente pode olhar uma pra outra com respeito e compreensão… o quanto eu admiro a maneira como a gente pode perceber a dor, ou o desespero, ou a angústia, ou que seja um simples nó e de alguma maneira ‘tornar’ aquele nó também nosso.

Porque nesse momento, em que essa angústia é partilhada, de alguma forma a esperança se refaz, ainda que por vezes, nem se vislumbre solução. Nesse momento, em que a gente divide o que está pesado, de alguma forma talvez a gente se lembre dos outros momentos que fazem tanto sentido, dos outros momentos que sustentam o nosso fazer diário, a nossa crença diante de condições tão delicadas e muitas vezes desfavoráveis.

E aí que a gente talvez perceba a nossa humanidade da forma mais concreta, junto com toda limitação, mas também com toda a nossa força.

Michelle Felippe – Bela Urbana, professora por convicção e teimosa. Apaixonada por doces, cinema, poesia urbana e astrologia. Acredita que ainda vai aprender a levar a vida com a mesma leveza e impetuosidade das crianças.

Um poema de amor

É algo pelo qual não se da mais valor

Pois nele não há mais a emoção e a surpresa

Há apenas um amor sem calor

Os poemas não tem mais esse ardor

Não existe alegria ou emoção

Sumiu a felicidade e da vida o tesão

Coisas ditas são esquecidas em um instante

Coisas paradas e vazias

Que se esquecem

 

Essa é a morte da poesia…

 

A morte da vida e de sua alegria

Instantes que se passam e se esquecem

Pois ninguém mais deles quer lembrar

Emoções e decepções não são mais vividas

Onde esta a alegria e o amor?

Onde foi parar?

Em meio a essa escuridão e terror?

Não se pode mais acreditar em nada que se lê

Pois não existe força ou poder pelo qual se escrever

Nada mais durou

Nada mais o é

I

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

O amor não morreu

Só não se aguenta mais em pé