Uma das perguntas que mais ouço ao longo da minha vida é: Tiago com h ou sem?

Várias vezes eu disse que meu nome não tem h pois sou Homem com H maiúsculo, portanto não preciso desta letra extra; demonstrando orgulho (no mau sentido). Por quê me orgulhar de algo que não foi obtido por escolha ou esforço?

Desde tenra idade percebi que minha vida seria moldada por ter encarnado em um corpo masculino desta vez, afinal o preconceito faz parte de toda sociedade. Durante décadas vi os preconceitos, não apenas os de gênero, diminuírem muito. As mulheres passaram a ocupar funções antes exclusivas dos homens, beneficiando não apenas elas, mas toda a sociedade.

Criado em uma família de cinco filhos, tivemos tratamentos diferentes, minhas duas irmãs, na adolescência, não podiam frequentar qualquer ambiente sozinhas; a preocupação, neste caso, era apenas a segurança.
Machistas ou não, pais de filhas adolescentes têm a obrigação de zelar por elas.

Acabei de escrever uma frase machista, pois poderia ter escrito filhos. Foi por uma questão gramatical, o português é um idioma com gênero, o que não ocorre no inglês, por exemplo. Os plurais devem ser no masculino, não importa a proporção. Idioma machista, não acham?

É evidente que o zelo deve se estender aos meninos, mas a natureza nos fez diferentes. A sociedade, apesar dos avanços, nos trata com diferença. Jamais vou passar pelo sofrimento que minhas semelhantes estão sujeitas e por mais que me esforce, minha empatia será sempre limitada.

Lendo as notícias, escandalizo-me, protesto nas redes sociais do meu jeito tosco e muitas vezes insensível e colérico. São todas minhas irmãs, como ficar insensível diante de tanta brutalidade?!

Não posso me comportar como um homem com h minúsculo. Tenho que ouví-las para crescer. Somente elas vão me ensinar a tornar nossos relacionamentos mais harmoniosos. Oro diariamente à Mãe Divina por todos nós, pois só a sintonia com o aspecto feminino de Deus vai completar meu entendimento nesta luta.

Ao amadurecer este entendimento, graças à ajuda feminina, principalmente das minhas Mães, a divina e a terrena, que até hoje me ensinam, vou procurar fortalecer as principais armas para lutar por elas: solidariedade, compaixão e amor.

Tiago Nogueira – Belo Urbano. Formado em publicidade pela PUC Campinas e jornalismo pela FACHA-RJ, atuou profissionalmente em audiovisual desde 1986, jamais escrevendo, é melhor com as imagens. Em raros momentos de inspiração e dedicação tenta produzir textos para contribuir para a sociedade, através deste fascinante e multifacetado mundo digital. Sem filhos, mas apaixonado por crianças e mágicas, descobriu no trabalho voluntário em pediatrias de hospitais públicos, como levar alegria a elas através da risoterapia através da Fundação Griots http://www.griots.org.br/2019/

– Meu pai é o homem mais forte do mundo?

Na minha cabeça eu já tinha a resposta e era SIM, mas a resposta que veio foi NÃO. Inconformada voltei com outra pergunta: – E como ele vai nos proteger dos ladrões?

Não me lembro com exatidão da resposta, mas lembro que minha mãe me disse que não era para eu me preocupar, mas a pequena Adriana, na sua primeira infância, já era alguém preocupada. Preocupações exageradas para uma menininha, mas cada um é o que é desde sempre.

E somos, todos nós, uma construção de todos que vieram antes de nós, de todos que conviveram conosco, de tudo que vimos, sentimos, vivemos e percebemos… assim somos feitos.

Meu pai tem um grande papel na pessoa que sou, além da parte genética, sempre me disseram que sou a cara dele, o que me gerava muito choro, porque eu achava que me achavam “cara de homem”, eu chorava e rebatia que eu era a cara da minha mãe.

Tenho lembranças muito doces, outras engraçadas, outras tristes, outras alegres. Lembranças com todos os sentimentos do mundo. Tenho certeza que fez o seu melhor como meu pai.

Quando ele ficou doente, teve um câncer muito agressivo e já sem cura quando descobrimos, foram três doloridos meses. Algumas pessoas me falavam que era um tempo para se despedir… sinceramente que bobagem falar isso para alguém que está com o pai visivelmente morrendo… não existem palavras para se dizer nessa hora, é só viver e sem pensar que é uma despedida, mesmo sabendo que é.

Meu pai morreu em casa, na frente de sua família, já não falava nas últimas semanas e nem se comunicava de outras formas. Um pouco antes dele morrer, eu estava com ele sozinha no seu quarto e naquele momento eu contei algo que nunca tinha dito e que até hoje guardo no meu coração. Contei que amava quando era pequena e ele me fazia dormir no sofá da sala, depois do almoço, antes de voltar para o trabalho. Eu acho que ele ouviu e me entendeu.

Ali eu me sentia protegida e amada. Essa sensação é uma capa de proteção que levo comigo. Uma lembrança linda…. de todas, é a minha preferida. E ter dito, foi um dos momentos mais especiais da minha vida.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Sobre as letras e os Livros, sobre a religião com uma forma muito peculiar de ser;
Nunca fomos muito amigos, tivemos nossas dificuldades em nos entender;
Mas quando olho no espelho, vejo muito de você em mim;
Talvez isso me alegre, afinal, será que aprendi alguma coisa?

São frequentes os críticos pensamentos para com você;
Em muitos momentos, entendi que talvez fosse melhor não ter;
Mas pensamentos não são definidos por nós, eles tendem a acontecer;
São muitas recordações, algumas boas outras ruins, complicado de se escolher;

Sempre vi você ali, talvez mais perto ou mais longe do que queria;
Estava lá, com Livros e Religião, um distúrbio, uma criança tentando acertar;
Nunca ri direito das suas piadas, nunca conseguimos harmonizar nossas conversas;
Ou eu me adequo, ou tudo se encerra.

Mas de um tempo para cá algo mudou, senti uma certa necessidade de me aproximar;
De ser um pouco mais tolerante, de talvez o aceitar ou me aceitar;
Ainda não somos melhores amigos, mas ainda acredito que isso irá mudar;
Já olho para você com outros olhos, sem me preocupar em enfrentar;

O tempo passou e me pego nos livros que vi você ler;
Nossas religiões são diferentes, mas da para comparar;
Somos mesmo pai e filho, isso não dá para negar;
Talvez um pouco na aparência ou na forma de falar;

Em fim, esta chegando o seu dia, dia de comemorar, dia dos pais, dia para se pensar;
Espero neste tempo de vida, que passei ao seu lado a caminhar, que tenha sentido orgulho de mim, isso faria eu me orgulhar;
Sei que não fui o melhor filho, mas nunca tentei me afastar;
Se brigamos algumas vezes, é porque sempre estou a me importar;

Pai espero que desculpe a minha forma grosseira de falar;
Te amo e desejo um lindo dia, destes para se lembrar;
Feliz dia dos pais meu velho, meu companheiro;
Espero ter conseguido te Honrar.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

As coisas do dia a dia estão sempre mudando, as vezes mudam gradualmente e mal percebemos, mas as vezes mudam de repente.

Nos dias de hoje, eu trabalho home office quase que totalmente, as exceções são quando participo de produções de filmes ou fotos, até as reuniões viraram virtuais.

Há quase um ano e meio assim, percebo que trabalho mais do que antes e que faço um esforço danado para não perder o foco do que estou fazendo, porque faço muitas funções ao mesmo tempo. Sempre fiz, mas agora além das do trabalho, faço funções da casa juntamente. Entre um texto, uma aprovação, a roupa para a máquina, o cachorro para passear, a arte para aprovar, o briefing para levantar, o vídeo para postar, o feijão para cozinhar…

E é justamente o feijão que hoje me deu um presta atenção. Quase coloquei fogo no meu apartamento. Deixei três panelas cozinhando, uma delas, a panela de pressão com o feijão. Eu trabalho na sala de jantar e comecei a sentir um cheiro de queimado, na hora senti o cheiro e fiquei com raiva de mim que foquei nos afazeres do trabalho. Pensei que deixei o feijão queimar, mas quando chego na cozinha é um pano de prato que está em chamas. Joguei água correndo apaguei o fogo, mas o pano se foi por inteiro, mais um pouco e começaria um incêndio, até um pedaço do fogão pegou fogo.

Essa mania que nós mulheres temos de fazer várias coisas ao mesmo tempo… primeiramente eu sentia orgulho, é uma boa capacidade, mas será que é mesmo? Hoje muitas vezes me pego assistindo séries e fazendo coisas mais burocráticas de trabalho ao mesmo tempo. Hoje mesmo fiz isso vendo um documentário que um amigo me indicou ontem e me disse que eu choraria muito no final. Não chorei, mas acho que não chorei (sou emotiva vendo filmes, séries e documentários), mas acho que não chorei porque não estava ali por inteiro, vou até assistir de novo, só olhando para a tela e nada mais.

Semana passada viajei, quatro deliciosos dias em Minas, em Gonçalves com a família, sem muita conexão com a internet, mas conectada com a natureza, com novos lugares, com o campo. Viajar é preciso, desacelerar pode ser o recurso que precisamos para focar de fato e ser mais produtiva e assertiva. Fazer tudo ao mesmo tempo sem perceber gera uma ansiedade enorme. Tenho conversado com muitos amigos nessa mesma condição de ansiedade, mas não conseguia ter clareza de onde estava vindo isso, mas hoje, o feijão me deu a lição.

Por sinal ele ficou saboroso e delicioso e graças a Deus e ao meu anjo da guarda, foi só o pano de prato que virou cinzas. O que tenho que aprender com tudo isso? Que posso ser mais cuidadosa comigo mesmo fazendo uma coisa por vez e que não sou nenhuma mulher maravilha e nem a Oma (entendedores entenderão).

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Dos vinhos e dos deuses foi criado em 2014 com uma proposta de homenagear o deus Dionísio.
Mitologia passada e repassada em estímulos, surgiu esta composição em que o vinho inebria, mas não descompõe.
A sandália pousada na mesa nos fala da soltura elítica adornada de elegância. Tudo aqui é elegância. Nobreza.
Ticiano, em “A Bacanal”,  aparece em representação livre no livro que a personagem saboreia, ao lado do vinho.
O personagem nobre, Adamastor, pode ser alguém da família.

Marilia Cotomacci – Bela Urbana. Formada em Publicidade e Propaganda. Revisora de textos, artista plástica e ilustradora. Além da palavra corrigida e dos lápis de cor abundantes na mesa em plena liberdade, adora descobrir imagens reais, que captura em suas andanças pela cidade.

Olá, se você caiu aqui nesse texto saiba que essa é uma declaração de um amor torto.

Sabe aquele encontro que você pensa, “puxa, se eu não tivesse vindo parar aqui… nunca teria acontecido?” Nossa história é uma dessas, você já imaginou ver seu marido te avaliando em um trabalho de faculdade? Bom eu não, fui pega de surpresa pelo destino que colocou ele bem ali, entre os professores que me avaliariam em mais um trabalho semestral… Fico brava até hoje com a bendita pergunta: “por que preto esse logo?” (PORQUE, SIM MEU ANJO, reclame com o GUI!).

Seis meses depois, veja bem quem o destino resolveu por toda quinta feira na minha vida?

Ele mesmo, professor Euclides, o Crido (como outras pessoas o chamavam).

Ele era lindinho com seus três pares de botas, calça era verde escuro ou um tipo de tom terroso não identificado, as camisetas sempre lisas e os mesmos óculos de sempre. Eita homem de sorriso bonito! (sim meu caro leitor, reparei em todas as combinações possíveis de vestuário, e nas aulas também antes que pergunte!).

O melhor professor que já tive, e nem era por conta do meu crush por aquele homem!

Fui uma daquelas alunas pentelhas, que perguntam, interagem e se incomodam com o fato de outros alunos não conseguem ver a importância daquela matéria. Às quintas fazia questão de ir a mais arrumada possível, após as aulas ficávamos conversando sobre a vida, verdade e universo.

Era curiosa, afinal como um homem daqueles não tinha uma aliança no dedo? Podia ser meu… (pensei diversas vezes), cuidado com o que você joga para o universo!

As coisas mudaram bastante não é? Aos poucos não entendia o motivo de me sentir atraída por você, meu mundo virou de cabeça pra baixo ao perceber o estranho interesse por aquele homem, afinal eu não podia me interessar por você, professor-aluna, homem solteiro- mulher comprometida.

Foi então que tudo mudou, muito obrigada pelo melhor conselho de toda minha vida, abriu meus olhos, me fez entender que a vida que tinha anteriormente não poderia continuar existindo. Conversas e mais conversas e um pedido inusitado para almoçar acontece, o nosso dia 23 acontece.

Crido querido (pra mim meu XUXU, sempre!), sei que você é o escritor dessa família, mas tomei a liberdade de te dizer o quanto você importante pra mim. Feliz dois anos meu benzinho! Obrigada por me encorajar, por crescer ao meu lado, por ter acreditado, sonhado, e realizado esse amor junto comigo, por todo seu carinho, respeito e parceria. Por formar nossa família (você, eu, Nico e Olivia), e ser exatamente assim, desse jeitinho, imperfeito, incongruente e doce.

Feliz dia 23 de maio, dia do nosso amor.

Com todo amor do mundo,
Ana.

Ana Luíza Machado – Bela Urbana. Designer de formação, criativa na alma, guiada pela alegria, cidadã de mundo bonito.

Vivi uma situação no aquário em Gênova na Itália, numa viagem em família, que me colocou para pensar.

Eu, meu marido, meus dois filhos e mais nove da família, um super aquário, muitos ambientes e muita coisa interessante para ser vista!

Na sala das águas vivas, o Silvio, meu filho mais novo, que na época tinha cinco anos, ficou encantado e parou num expositor estarrecido, esqueceu de tudo e de todos e assim ficou, ali parado olhando os animais brilhantes naquela sala escura, e sem lembrar de nada nem de ninguém, ficou ali enquanto todos seguiram inclusive eu, a mãe!

Eu chamei algumas vezes, vamos continuar, tem bastante coisa para ver, vamos seguir, sempre muito atenta aos meus dois e conferindo todos, de repente segui acreditando que ele já tinha ido e, de repente, ao chamar todos da família para uma foto constatei que ele não estava entre nós!

Mais que rápido, voltei e falando (parlando) um Italiano na época bem mais ou menos, em alto e bom som gritei:

Dove stai meu bambino? Onde está meu filho?

Silvio dove stai? Silvio onde está??

Bateu um desespero, uma agonia, olhava para meu marido, sem saber o que fazer quando, de repente, uma moça aparece de mãos dadas com ele que estava aos prantos e me diz:

Suo fíglio? Seu filho?

Eu o abracei, ela meio desconfiada, olhou para ele para saber se me reconhecia e ele imediatamente me abraçou e falou mãe Carol eu fiquei perdido, vocês me esqueceram?

Eu respondi a pergunta da moça:

Si mio figlio. Grazie. Sim, meu filho. Obrigada.

E perguntei a ela:

Como si chiama? Como se chama?

Muito agradecida a moça  italiana que trouxe meu filho até mim!

Io mi chiamo Matilda. Eu me chamo Matilda, respondeu a moça gentilmente, enquanto eu, naquele momento aliviada, dei um abraço muito apertado nele e no mesmo instante reforcei que eles precisavam ficar perto de nós. Sempre juntos, que eu jamais o esqueceria e que isso não é impossível de acontecer!

Que desespero! Que agonia!

Muito bom viajar em família, mas isso fica muito fácil de acontecer, quando há muita gente.

Desde aquele acontecimento, sempre que saímos com mais pessoas em lugares desconhecidos, instituímos algumas regras para evitar que isso ocorra novamente.

Ninguém sai, sem que todos estejam juntos. Esperamos, e juntos seguimos!

Nunca esquecemos deste acontecimento, tampouco do nome da italiana Matilda que hoje virou motivo de brincadeira entre nós, pois graças a Deus, isso tudo teve um final feliz! Mas muitas vezes muitos não tem…

Mãe também se distrai, mãe também se esquece, pois,  mãe também é gente, é humana, mas uma gente, uma humana  diferente quando se trata de seus filhos! Falei um italiano como nunca havia falado e hoje esta história é lembrada entre nós de maneira engraçada, reforçando os cuidados para quando pudermos sair novamente em viagens e em família como sempre amamos fazer!

Inclusive guardo um calendário com uma foto de toda à família, do dia que tudo isso aconteceu, que ilustra meu relato, dia que nós deixou diversos aprendizados e lembranças boas…

Todos juntos e uns cuidando dos outros!

Amor de mãe, amor de filhos e de família!

Ana Carolina Rogé Ferreira Grieco – Bela Urbana, mulher, advogada formada pela Pucc Campinas em 2000, atualmente atua no corpo de advogados do escritório Izique Chebabi Advogados Associados e empresária. Virginiana que ama jogar tênis e ficar com a família!

No início deste texto, pensei em colocar as mudanças que fazemos no decorrer das nossas carreiras, sejam profissionais ou pessoais. Sim, o fato de darmos conta dos nossos lares é sim uma profissão, talvez a mais digna delas.

Quando escolhemos nossas profissões, muitas vezes ainda jovens, vamos na intuição e no impulso das nossas paixões. Muitos prevalecem nelas, outros percebem que adequações ou até mesmo mudanças radicais redirecionam nosso olhar sobre o que queremos de fato, o que podemos fazer por nós mesmos, para os outros e para a sociedade em geral.

Por muitos anos me dediquei à carreira de Relações Públicas. Era muito feliz fazendo o que fazia. Entendia, me destacava, ganhava espaço, promoções e dinheiro. Foram anos de longas jornadas diárias e um certo dia, minha filha fez 15 anos e aquilo me assustou:

_ Caramba, não vi a minha filha crescer!

Nesse momento, comecei a pensar em como poderia mudar esse contexto. Trabalhava numa boa agência em São Paulo. Um certo dia, me chamaram para uma viagem ao Nordeste para conhecer o espaço onde seria construído um enorme empreendimento imobiliário de luxo. Lindo!!! Conhecendo locais, percebi que estavam inseguros, que aquela natureza exuberante seria derrubada, que muitas pessoas teriam suas casas “compradas” e começariam uma vida distante e sem a estrutura que passaram a vida toda construindo. Ali era uma comunidade rica de pessoas, de trabalhadores, de talentos natos e pouca coisa seria aproveitada. Minha função era fazer o Planejamento Estratégico de Comunicação e orientação criativa para que a propaganda de lançamento resultasse em muitos compradores, principalmente, europeus. Sinceramente, passei dias sem escrever. Não conseguia colocar no papel como aquilo poderia ser benéfico.

Foi então que, aproveitando um frágil momento financeiro da agência, resolvi voltar ao Rio de Janeiro, onde morava antes de me separar.

O objetivo era diminuir meu tempo, me dedicar a casa, à família, a minha filha… e à reconciliação do casamento.

Mas a questão humana daquele trabalho não saia da minha cabeça, até que fui apresentada para uma fundação sem fins lucrativos no Rio de Janeiro. BrazilFoundation. Pensei:

_ É isso! Terceiro Setor! Sustentabilidade! Responsabilidade Social!!

Sempre fui muito engajada no social, mas trabalhar diretamente seria maravilhoso. E lá fui eu, como voluntária, três vezes por semana, como parte da Comunicação. Aos poucos, fui fazendo meu trabalho e acabei sendo contratada. Foram 5 anos. Dois diretos na Fundação e outros três dando capacitações para gestores de organizações pelo Brasil afora. Experiência maravilhosa. Em outros textos, virão histórias que terei muito prazer em contar.

Só sei que escolher o Terceiro Setor e o engajamento em questões sociais foi a coisa mais rica que pude fazer na minha vida.

Porém, aquela questão da família acabou ficando pra trás, porque eram tantos trabalhos, horas de dedicação que mal via a família também.

Tive problemas pessoais, pois gostava mesmo era de subir morro: Vidigal, Rocinha, Maré, Cantagalo, Macaco, entre tantos outros em vários Estados diferentes e até eventos internacionais. Claro que isso tudo teve um impacto financeiro muito grande, pois aquela que ganhava bem, passou a ganhar pouco, bem pouco. Mas a realização era enorme. Mas não bastava. Aí surgiram os problemas no relacionamento, as cobranças, todo aquele trabalho lindo que tinha prazer em fazer era diminuído pelo contraste financeiro. Me tornei uma mulher dependente. E a dependência traz correntes, amarrações, conversas cruéis e discussões que enfraquecem qualquer relacionamento. Foi aí que me vi numa completa depressão e fui me afundando cada vez mais. A verdade é que essa depressão já existia, mas estava escondida, preparando o momento certo de aflorar. Isso também contarei num outro momento.

A crise de 2018 veio forte e com ela a ajuda financeira aos projetos diminuíram, assim como a violência nas comunidades cariocas aumentaram e acabei me afastando. Mas a depressão ainda estava ali, forte, corroendo. Me via trancada num lindo castelo, cercada de tudo que uma “rainha” poderia ter. Porém, nada daquilo era suficiente. Tudo estava a beira do caos. Bebidas, remédios e um bom quarto escuro era o que segurava a minha onda. Certo dia, numa séria discussão com meu marido, tomei a decisão de me afastar, separar, tentar recomeçar. Saí vazia, com muito menos do que deveria. Fiz a escolha e, acredite, acertei.

Não recomecei. Comecei do zero, pois fui para um lugar menor, sozinha, três cachorros, com dinheiro que teria que fazer escolhas do que comprar para sustentar a casa, os animais, minha saúde etc. Troquei novamente a profissão. Reencontrei a antiga dona de casa, lavando, passando, cozinhando, fazendo faxina, cuidando dos cães e de suas enormes “montanhas” espalhadas pelo jardim.

Descobri uma força enorme dentro de mim e sim, a “Força Enorme de Ser Duas”, ser três, quatro…

Hoje, estou na linha de frente da minha vida. Com tantas experiências vividas nesses últimos 20 anos, desde meu casamento até seu término, me sinto mais completa, mais feliz. A liberdade de escolha sem críticas, sem opressões, me fez uma mulher mais forte, mais segura, mais bonita e muito mais profissional. Carrego o meu dia a dia no colo, cuido de tudo do jeito que posso, que quero, que sou. Comecei a escrever um livro, estou roteirizando um documentário. Fiz muitas amizades, acordo cedo e faço meus esportes. Não tenho que justificar cada passo. Me responsabilizo por eles. E, acredite, sou feliz assim. Claro que tem horas que quero entrar num quarto escuro novamente, choro, me sinto frágil. Mas isso é a vida. Como tem que ser. A outra opção seria uma vida sem problemas, sem medo, sem angustia. Completa ilusão. Nada real.

O cuidado e o carinho com si mesma te levam de um lugar para o outro. Tudo bem, dá pra aguentar!

A minha compreensão hoje é que minhas antigas atitudes foram substituídas por pontos de vista novos, renovados acerca de quase tudo. E pela primeira vez na minha vida, tive a chance de parar de me chocar com muros que eu mesma criei e, em vez disse, aprender a atravessá-los.

Tudo isso não quer dizer que estar sozinha é ter força, é poder. Temos força quando nos juntamos a outras pessoas. Quando estamos juntos, não podemos ser quebrados, divididos, não estaremos cansados!

Junte-se àqueles que dão ferramentas para te construir emocionalmente, pessoalmente, profissionalmente. Junte-se àqueles que se deparam perante a vida com humor. Porque sem humor, a vida não tem graça e é preciso sorrir de dentro pra fora, sempre!

A Força está em sermos muitos e sermos inteiros!

Dani Fantini -Bela Urbana, mãe de uma menina moça, que a acompanhou em toda a sua jornada, que não viu crescer, mas acompanha seu presente e seu futuro. É dona de casa, escritora, que trabalha com gente, que ama animais, a vida e que venceu a morte no auge de uma depressão. Podemos dizer que sim, é completa, mesmo faltando algumas peças desse enorme quebra-cabeça que é a vida!
 

Foto: @camilasvenson

Mãe
Era meia noite quando chorei a primeira vez.
Me senti seguro quando você me acolheu.
Você me deu amor e me ensinou a ser.
Você me protegeu até na rua e mostrou verdades com exemplos de uma vida digna.
Você virou estrela, mas antes sempre me disse “siga em frente, a vida vale cada segundo”.

Irmã
Não consigo falar de ti sem lacrimejar meus olhos.
Sua bondade é tanta que lembro que Deus existe.
As músicas que veem dos seus dedos me recordam da alegria da nossa infância até hoje.
Até na viagem à terra de CABRAL você estava lá me apoiando como fez em toda minha vida.
Obrigado.

Esposa
Você apareceu na primavera florida.
Eu esperava uma flor, mas ganhei um coração, um furacão e uma inteligência ímpar, capaz de me levar aos sonhos.
Você me deu tanta felicidade que se passaram 30 anos e nem percebi.
Nós construímos uma família e demos a luz mais brilhante de nossas vidas.
Eu pensava que seria pra sempre, mas vivemos juntos intensamente cada segundo.

Filha
Você é o maior dos meus sonhos.
Você mudou meu sentimento pelo mundo e pela vida.
Você é um amor que não cabe dentro de mim, incondicional.
Me realizo com o que te deixa feliz, gosto até do seu namorado.
Tenho a minha vida, mas tenho você.

Mulheres: parabéns e obrigado, cada respiração minha, cada movimento meu e cada decisão minha foram vocês que me ensinaram.

Antônio Pompílio Junior – Belo Urbano. Graduado em Análise de sistemas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas . Pós-graduado em Gestão de Empresas pela UNICAMP e MBA Gerenciamento de Projetos E-Business pela FGV-RJ . Adora esportes, viagens e luta pela liberdade da vida e pelo amor das pessoas.

Em relação ao carnaval, nesse ano, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro passava por grandes mudanças, entre elas a inauguração do Sambódromo na Sapucaí. Já quanto à infância, eu com apenas 11 anos e meus primos com idades entre 6 e 14 anos, não estávamos interessados no principal acontecimento do carnaval do Rio de Janeiro, ou seja, que o samba deixaria de acontecer no asfalto de grandes avenidas e passaria a ter a sua própria casa.

Naquela época, a chegada do feriado do Carnaval era muito esperada pelas famílias que viviam no interior de São Paulo, principalmente pelas crianças. Um feriado prolongado nos dava a possibilidade de viajar e a torcida era para que pudéssemos sempre ir à praia. O que aconteceu por vários anos consecutivos…

Tínhamos um tio muito querido que adora viajar e sempre convidava a família toda… Digo tínhamos porque esse meu tio nos deixou ainda muito jovem, com apenas 35 anos de idade, vítima de um aneurisma cerebral.

Não quero falar de tristeza, porque meu tio era pura alegria, e falar desse ano, especificamente, me faz homenageá-lo ao lembrar de algumas situações engraçadas que vivenciamos na cidade de Itanhaém, município da Baixada Santista, e que ficaram marcadas para sempre.

A aventura começou já na descida ao litoral, pois como íamos em várias pessoas e, naquela época, os lugares para compras de alimentos eram escassos, tínhamos que levar muita comida para dar conta da fome do povo todo, e para ter espaço para outras coisas que levávamos, meu tio acoplava ao carro uma carretinha.

Saímos de casa de madrugada, e quando estávamos na Marginal Pinheiros, um dos pneus da carretinha se soltou e correu na estrada. Eram só crianças gritando e adultos correndo em direção ao local da parada do pneu. Graças a Deus, a pista estava tranquila (acredito que pelo fato de estar muito cedo) e nenhum acidente foi provocado.

Euforia total nos carros, começava ali o nosso carnaval… muitas risadas, gritos e correria para sairmos da pista o mais rápido possível.

Ao chegarmos na praia, outra situação atípica… Como era a primeira vez que meu tio tinha alugado aquela casa, estávamos acostumados a ir em outro imóvel, demoramos um pouco para encontrá-la. O lugar era distante e com poucas construções, o que deixava o local um pouco sombrio. Os adultos, imediatamente, começaram a comentar o quão difícil ia ser sair dali para ir ver o carnaval de rua, e as crianças mais velhas começaram a falar dos perigos da noite para os pequenos. Muitas risadas e choros.

Meu tio quis alugar uma casa maior para acomodar melhor a família toda, mas também queria nos fazer uma surpresa: na casa tinha piscina com escorregador, o que era uma novidade para todos e acabou causando muito contentamento, principalmente para as crianças, e os choros de minutos atrás se transformaram em muita alegria e euforia.

Durante os dias, as crianças ficavam divididas entre ir à praia ou ficar na piscina. E o carnaval de rua durante a noite? Ah, esta é outra história!

Vou contar aqui o que aconteceu em um dos dias, com duas situações engraçadíssimas…

A família toda foi assistir ao desfile de rua e, chegando lá, havia um público bastante animado. Pessoas desfilando em trajes engraçados e uma considerada plateia acompanhando, dançando, cantando… até que em certo momento, um grupo que estava desfilando começou a jogar no público algumas coisas, o que me lembro eram casca de banana, tomate, farinha, fubá, ovos, entre outros. Minha família toda aglomerada, isso em 1984, certo? Não sabia o que fazer.

Os adultos queriam correr, mas tinham as crianças que para enxergar melhor estavam um pouco distanciadas. Como era carnaval, o público entrou na brincadeira e não era mais possível saber de onde vinham as coisas que estavam sendo atiradas. 

O carnaval acabou cedo para a minha família, tivemos que voltar para casa porque muitos foram atingidos naquela brincadeira, até ovos estavam espalhados pelas roupas. Chegando em casa, foi aquela correria para o banheiro, os atingidos queriam se livrar das roupas e tomar banho.

Lembro que uma das minhas tias teve a ideia de ir usar o banheiro de fora da casa, que era um pouco afastado, e algumas crianças, inclusive eu, resolvemos ir com ela. Afinal, aquele seria um local mais tranquilo, uma vez que a casa estava bastante agitada.

Minha tia entrou correndo porque estava com vontade de fazer “xixi”, mas ela mal entrou e começou a gritar desesperadamente. Nós, crianças, não sabíamos o que fazer e fomos chamar os adultos da casa. Depois de algum tempo, minha tia abriu a porta e mostrou a perereca que se encontrava em um canto do banheiro, tão assustada quanto ela. De acordo com minha tia, assim que ela abaixou o short e foi sentar, viu a perereca… O que aconteceu não preciso contar. Que noite!

Os dias transcorreram e a pauta das conversas era só a perereca no vaso, todos se esqueceram do que aconteceu no desfile, e nem de volta às nossas casas a perereca nos deixou.

São muitas lembranças do carnaval de 1984! Minha família se lembra até hoje dessa viagem, enquanto, certamente, a comunidade da Portela deve se lembrar do título do Carnaval do Rio de Janeiro (conquistado na primeira noite dos desfiles), assim como a escola verde e rosa (Mangueira) também deve trazer nas lembranças a conquista do título na segunda noite e a premiação da campeã das campeãs.

Enfim, enquanto minha família foi surpreendida com arremessos de coisas pelos foliões em plena avenida, os mangueirenses surpreenderam ao dar meia-volta no final da passarela e cruzar a Sapucaí “na contramão”, encantando os presentes.

Pensando neste ano, 2021, em que estaremos isolados, sem comemorações e viagens, vamos ficar em casa e contar histórias. Acredito que assim como eu e minha família, muitas pessoas da minha época, e que viviam no interior, devem ter muitas histórias engraçadas experienciadas no carnaval. Resgatar as memórias da infância é vivê-las um pouco no presente!

Experimente, a festa familiar pode ser muito animada!

Adriana Silva – Belas Urbana. Pedagoga de formação, apaixonada pelo poder transformador da educação e movida por desafios, propósitos e pessoas, há sete anos está no terceiro setor atuando em Programa de Primeira Infância.
Nunca pensou em escrever, mas trabalhou durante anos com crianças em processo de alfabetização e, talvez isso, tenha sido a inspiração para aceitar o convite e compartilhar uma história da sua infância
.