O Cordão Umbilical nos amarra para sempre… Alguma dúvida?

Belas Urbanas, meu pensamento pode ser mais reflexivo e atuante sobre esse amarrar em cordão que se faz pela vida afora, inteira…

Como é difícil, essa separação, que muitos, ainda não acreditam que esse cordão tão forte e tão necessário para a vida que veio, e outras que ainda estão por vir, e necessitam dele para sobreviver!

Sim, estamos falando de sobrevida…

Isso é realmente o que acontece em algumas crianças entorno de suas mães, e essa atitude é tão veemente, que ofusca o olhar de quem está observando as carícias entoadas nas revistas encantadas, onde as mães sentem que a Paz é por elas providenciada, como se fossem a “Divina Providência”.

De que Paz, ela fala com o olhar em seu filho?

E, de que Paz, o filho fala ao olhar em dependência para a sua mãe?

Será teatro, pensam alguns, ou será que é um espelho de almas engatadas no social, e, devido a isso, esses filhos e mães se sentem engajados ao determinismo da comunidade funcional?

A mídia familiar proclama, e a mamãe reclama, e tem tantos receios de ser talhada de dês… natural e uma mãe desigual, que aperta mais o cordão e chora os seus absintos nefastos sobre a sua cama, e se acha uma mamãe in… sana!

E, para ela isso é ponto final, e ela se entrelaça mais e mais no cordão umbilical…

A mídia familiar exalta, e os filhos se deixam acreditar que esse laço tem um nó, e será muito dificultoso desenlaçar…

Ora, eu digo ao ver uma mamãe se situando nesse abrigo já roxo, já meio frouxo, e já escalpelado devido aos preciosos tempos de seu filho contigo, e muitos deles com a pressão do desconforto entre o rei/rainha em seu trono, e mimado em demasia, sem ter sido abandonado nenhum dia!

Quando elas chegam, em uma Escola, para efetivar a matrícula de seu bebê, elas nem percebem que o cordão irá se dês… fazer simplesmente por uma razão, ela e seu filho terão uma força vinda dos céus, e darão aos curadores de seus cordões, que eles serão desprendidos das paredes de seus corações, que estarão agora em rede com outras histórias, em tempo de novos aconteceres, em tempo de se alegar novas memórias, checadas ao se olhar para a liberdade de estarem sem esse nó entrelaçado, não permitindo um novo olhar entre o presente e o passado…

Motivos, muitos nós temos em algumas vezes para nos sentirmos presos aos cordões de nossas mães, mas, nós adultos sabemos que esse processo de aleitamento materno nessa idade, não é bonito, é até esquisito ao olhar de uma sociedade, que nos apara e, nos aperta, e nos declara presos, mas, essa mesma sociedade nos liberta…

Penso eu, após muitos anos exercendo o ofício em uma Escola Infantil que o cordão se estabelece por receios, de que a maternidade se desfará, e nos obrigará a sermos independentes desse amado ofício de estarmos mães, sem artifícios, sem colagem, sem adereços, sem compressas, sem avessos, no entanto com muito compromisso, conosco e com o nosso filho que veio para nos dar mais artifícios para enlaçar as pontas das fitas sem nós, e muitas vezes nos perdemos ai…

Que tal iniciarmos um curso, em que o assunto é como fazer um laço, sem dar nó, para que o nosso abraço seja fortalecido num cordão que poderemos desenlaçar para uma viagem, quando se der a mudança de uma estação para outra?

Estou falando de Filhos e de Mães… Mas também falando para Educadores…

Até, eu volto.

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Tenho lido muito sobre o amor e sobre as declarações tipo eu te amo, desculpem-me mas pra mim é difícil EUTEAMO, tem gente que diz com a banalidade de quem diz “como vai” e na verdade só quer dizer “oi” sem saber como você vai de verdade. Pra mim EUTEAMO é sagrado, intenso, avassalador!

Quando falo de não se banalizar o “EUTEAMO”, penso e lembro o quanto meu amor, esse sentimento tão humano é imperfeito, é egoísta e necessita de reciprocidade! Necessito que me respeite e me preserve como ser, como pessoa, como indivíduo singular, pra não cair nas relações abusivas tão nocivas. Preciso que tenhamos admiração um pelo outro, admirar e ser admirado faz parte deste amor terreno, não dá pra amar alguém que desprezamos pois cairíamos num processo doentio e insalubre. Preciso olhar para o outro e perceber que faz o seu melhor, não poupa esforços pra cuidar de nossa relação, e que quando falha, logo busca sanar isso pois preservar o que temos é mais importante que vencer ou deixar de dar o braço a torcer. Preciso egoisticamente que você possa ser pleno na minha ausência, pois parte da sua beleza é não precisar de minha pessoa, e que compreenda que não preciso da sua pessoa pra existir, mas que escolhemos partilhar este amor e nossa existência; seja como casal, família ou amizade.

Que te ofereço a melhor pessoa que consigo ser e recebo isso de volta de você. Que nossas diferenças não nos aniquilam, que quando pensamos diferentes isso representa nossas opiniões, gostos e preferências, nunca são questões morais ou valores que ameacem nossa integridade e sobrevivência. Que estar junto é bom, mas, estar separado é apenas uma questão de geografia, nunca algo que enfraqueça a relação, e que, o reencontro, mesmo que demore muito tempo, faz com que pareça que foi ontem que pudemos sentar, rir e abraçar. Que este afeto não dependa do contato físico e sim do contato da alma.

Pensei isso, e muitas coisas mais, pensei que te quero, quero vocês, as pessoas especiais as quais reservo o meu EUTEAMO, te quero e só posso desejar que seja recíproco. Ainda sou muito terrena pra amar incondicionalmente…quem sabe um dia chego lá.

Thelma Carlsen Fontefria – Bela Urbana, 50 anos, psicóloga, mãe de Isabella 20 anos, 2 cães, 1 gata, 1 afilhada 21 anos, 2 gerbils netos, mora em Santos, tentando manter a sanidade neste tempos de um Brasil tão distópico.

Se deparar com o silêncio é enlouquecedor. O apartamento era chique, tudo milimetricamente no lugar.

Nos últimos dias ela estava só. Ninguém podia entrar. Dispensou a empregada doméstica e o personal trainer, a contragosto, mas no condomínio o pedido foi explícito: Liberem seus funcionários pelo bem de todos, precisamos controlar as entradas, temos 06 casos suspeitos aqui.

Solidão pesa, ainda mais para quem se engana. A filha mora em Brasília com o marido, se falam bem pouco. O ex casou faz 10 anos com uma jovenzinha, como ela diz, e até hoje não conversam.

Solidão pesa. Você tem que se olhar, quando tudo que te sobra é você mesmo. Sentir isso era uma facada no peito. Não tinha amigos para ligar, sempre implicava com todos. Era chata. Impecavelmente chata.

As pessoas se afastam de quem só enxerga problemas, só critica.

Sandra, esse era seu nome, mas ela nem se lembrava. A vida inteira foi Sazinhah, que ela escrevia com o H no final desde menina. Achava chique como os copos de cristais que ganhou no casamento há 35 anos e que continuam intactos, sem uso.

Sua vida foi cuidar da casa, mas sempre com ajuda de empregada doméstica. Cada ano uma. Ninguém durou muito ali. Ela implicava. Não era rica, mas tinha uma boa condição. Classe média-alta, casou bem. Fez um acordo no divórcio de uma boa pensão, afinal, ele tinha condição.

Hoje o incomodo foi enorme quando o som alto do vizinho chegou aos seus ouvidos, a música falava rezadeira…. ela se irritou, como sempre aliás. Ligou na portaria para pedir para abaixarem. O som vinha do vizinho, que ela nem sabia quem era. Evitava entrar no elevador com outras pessoas, odiava sentir outros perfumes além do dela. Era chata até o infinito.

A música não parava e se repetia. A portaria retornou e disse que ninguém atendia. Ela poderia bater no vizinho e pedir para abaixar, mas só de pensar sua mão gelava.

Engoliu seco, e foi deixando aquele som diferente entrar na sua mente, no seu corpo. Foi até o espelho, olhou uma mulher com a expressão dura, parada, pensou: deve ser o botox.., os vários preenchimentos. Nunca tinha percebido sua falta de expressão. Doeu, assim como doeu olhar para a cristaleira com aqueles copos de cristais esperando a melhor ocasião. Esperando há 35 anos!

Foi para a varanda, a música que falava benzedeira não parava. De irritada começou a se movimentar, olhava para as áreas do condomínio, todas vazias. Super irritada, começou a se soltar e a dançar. Devo estar louca, pensou. Jogou as almofadas no chão. Foi fazendo um striptease até ficar nua. Nua e só.

Nua e com os cristais. Nua dançando ao som do vizinho. Resolveu beber, por sorte tinha um vinho bom. Presente da dermatologista pelo aniversário, afinal, gastou um bom dinheiro com ela. Não gostou, nunca gostava de nada. Chata.

Nua, abriu o vinho, fez uso da taça de cristal, até que enfim, a ocasião. Dançou na varanda, nua, com o copo na mão ao som do vizinho. Bebeu a garrafa inteira.

Lembrou-se de quando era uma criança e de tudo que NÃO vivera até ali. Lembrou a pandemia. Lembrou da dor da solidão. Dançou até o último gole e jurou que se saísse viva daquilo, mudaria tudo, começaria convidando os vizinhos para um vinho e decidiu que todos os dias da sua vida usaria seu jogo de copos de cristal, até para beber água. 

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

Foto: @gilguzzo @ofotografico

A pedido da profissional, prima e amiga fui convidada a escrever sobre toda esta assustadora realidade que estamos enfrentando, amo estes desafios e como amo escrever, cá estou!

Mulher, advogada, empresária, mãe e dona de casa acostumada a madrugar e não parar até a hora de descansar. Ser obrigada a parar em casa por completo. Fácil, não, difícil, muito difícil!

Os primeiros dias, a falta de rotina dá margem a ansiedade, às crianças assustadas e o marido ainda sem muita consciência de tudo que está ocorrendo a nossa volta, homem tem tendência a negação.

Os dias vão passando e a angústia daqueles que dependem de nossa empresa, pagamento de vales transportes, vales alimentação do nosso Grab a Dog no Aeroporto Internacional de Viracopos, em breve os salários e o aluguel…., o que fazer sem poder sair de casa mas ao mesmo tempo manter nossa equipe lá, trabalhando, pois dependem dos seus empregos para se manter e manter suas famílias e filhos, ou seja, sobreviver!

Muitas recomendações reforçadas, fazendo tudo aquilo que está a nosso alcance visando proteger nossa equipe e clientes, por outro lado, a contradição: de que o mais correto é a recomendação de que todos permaneçam em suas casas!

O aniversário da nossa querida Bisa em Bebedouro, a 300 km de distância, nosso amor de avó desde que a conheci quando comecei a namorar meu marido Fábio aos 30 de novembro de 1998, que no último dia 20/03/2020, comemorou muitos anos e como sempre tudo desde o início do ano programado, para estarmos ao lado dela, não foi possível.

O coração aperta de tanta angústia, como é difícil se manter afastado! Manter o afastamento social, ficar longe para proteger quem amamos!

Para uma virginiana sempre super programada, os imprevistos e esta necessidade de se manter isolada chega ser a oportunidade de percebemos que o ser humano tem muita capacidade de mudar seu estilo de vida e ser feliz!

O que nos resta é nos reinventar, desde o primeiro dia que estou em casa com meus filhos, muitas boas ideias estão surgindo e percebo como os seres humanos tem uma grande capacidade de criar e fazer o bem quando desafiados.

Combinei com minha família na quinta, 19/03/2020 uma pequena rotina: iniciamos com a aula sobre a importância da lavagem das mãos, com direito a aula pratica e muitas risadas por aqui. Logo após as atividades escolares que tentaremos realizar nos períodos das manhãs e às tardes poderiam assistir tv, ler um livro, jogar um jogo, treinar nosso violão e na sexta um cinema em casa com pipoca ou uma gordice, como amo chamar alguma extravagância alimentar que de vez em quando nos permitimos por aqui.

Surgem ideias para fazer o bem daqueles que mais precisam, já compartilhei o telefone de um supermercado delivery com minha Tia Maura caso seja necessário e também me coloquei à disposição pois afinal não me enquadro como sendo de nenhum grupo de risco e oferecer ajuda aqueles que tem mais de 70 anos, e um alto risco de letalidade acaba fazendo toda a diferença.

Por fim, o mais novo projeto que já começamos a colocar em prática por aqui a doação de sabonetes antissepticos, aqueles que não tem condições de comprar e com isso irmos fazendo a diferença em tempos muito difíceis que temos que nos reinventar e semear, mesmo que a distância o bem e o amor! Por aqui já começamos e como não podemos sair de casa, estamos fazendo uma distribuição digital que fará a diferença.

Já reduzi a jornada de trabalho de minha ajudante por aqui mas no dia que ela vem para me ajudar, está levando vários sabonetes antibactericida para doar as pessoas que precisam, não tem condições de comprar e muitas vezes desconhecem inclusive o bem que tudo isso faz em relação ao combate à estes vírus e doenças.

Um gesto de carinho para proteger quem precisa neste momento em que quem tem mais consciência e talvez oportunidades, possam fazer a diferença mesmo que afastados uns dos outros e assim com pequenos gestos neste momento de tanta dificuldade, vamos enchendo o mundo de amor e proteção!

Mantenham – se distantes para depois podermos celebrar o amor!

Beijo de longe com carinho e preocupação.

Ana Carolina Rogé Ferreira Grieco – Bela Urbana, mulher, advogada e empresária. Virginiana que ama jogar tênis e ficar com a familia!

Eu começo o dia lendo notícias ruins nos sites, na TV e logo em seguida, parto para minha energia diária…o site Só Notícia Boa…, lá mostra o lado bom de tudo, inclusive sobre este assunto e aí as informações ficam balanceadas…mas meu coração prefere terminar o momento de atualização “com notícias positivas…o dia fica bem melhor”!

Mas, estou em casa e a minha realidade é o que realmente importa.

Minha mãe de 83 anos em casa, filhos sem aula em casa e…de repente o WhatsApp toca. Era minha manicure confirmando o horário de amanhã.

Pensamento 1- Meu Deus, eu não posso ir, não posso fazer isso com minha mãe…será que seria perigoso pra ela? Será que eu seria culpada se eu passasse algo para ela? E meus irmãos? E minha família?

Pensamento 2- Puxa, como sou egoísta, eu é quem poderia levar o vírus pra minha manicure, afinal, ela tem uma mãe acamada e corre mais riscos do que a minha… Ela seria culpada por trabalhar? E o dinheiro dela no fim do mês? E se alguém da família dela pegasse de mim?

Pensamento 3- Nossa, será que preciso mesmo correr este risco? Eu não sei se tenho alguma coisa que ainda não apareceu.

Pensamento 4- E meus clientes? Vai aparecer minhas unhas sem fazer nas reuniões online?

Foi assim minha tarde, uma mistura de sentimentos…às vezes egoísta, às vezes com medo… e foi aí que o amor e a gentileza falou mais alto…

Comecei a pegar os ovos, a manteiga, o leite, a canela, a noz moscada, a ameixa, a farinha de trigo….misturei tudo…, mas achei ainda faltava alguma coisa especial…coloquei então castanhas e mel, que nem tinha na receita. Dei um toque final com fermento em pó, muito amor e bons pensamentos…

Em seguida, untei a forma e coloquei tudo lá dentro. Com o tempo, o cheiro foi se espalhando pela casa toda e todos perguntando que eu estava fazendo e a resposta foi… estava fazendo quarentena, cuidando da família (fiz dois) e fazendo gentileza!

Pode ser que enquanto você esteja lendo este texto, ainda tenha sobrado um pedacinho de bolo no salão da Paula…

Mas se quiser a receitas, me liga…a gente aproveita, bate um papo, você passa o tempo e minha quarentena em casa ficará ainda mais divertida!

Agora, sem unha bonita, mas com muita consciência e muita gentileza!

Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

Quando a epidemia do Covid-19 virou pandemia, uma de minhas filhas me perguntou o que era isso e eu como sempre fui ao dicionário buscar primeiro o significado da palavra para começar a explicar a ela, ao ler, fui me dando conta da amplitude de significados para nossa vida aqui no Brasil, com tantas notícias sobre o Corona vírus já sabíamos que outras nações estavam sofrendo seus efeitos de maneiras devastadoras porém era lá, não aqui, não ainda; os dias foram passando e as mudanças para nós aqui começaram, as escolas fecharam, todos os dias uma nova providência a ser tomada, o clube fechou, os parques públicos fecharam, os shoppings vão fechar, a instrução é o isolamento social, as crianças estão sem aula desde o dia 16/03 e ainda no fim de semana uma amiga da minha filha veio dormir aqui em casa e depois no domingo foi a vez da minha filha dormir na casa dela, na segunda-feira já começamos a entender melhor o quê significa isolamento social, portanto expliquei para minhas filhas que não estavam de férias e não era feriado forçado, que as amigas não poderiam mais vir em nossa casa e nem elas saírem para a casa das amigas, as coisas têm acontecido muito rápido, fui ao supermercado bem cedo ontem e encontro filas e filas quando antes no mesmo horário estava vazio, o álcool gel sumiu das prateleiras, apenas alguns dias antes comprei 500ml por R$ 13,00 e agora após muito procurar encontrei em uma farmácia 200ml por R$ 20,00, fui ao hortifruti e não tinha batata, e nem para repor, nunca vi isso em todos esses anos que frequento esse lugar, vi pessoas com máscara e pessoas se afastando das outras, obviamente seguindo as instruções para evitar o contágio, vi medo em meu olhar, vi medo do olhar dos outros.

Ao ouvir um áudio da irmã de uma amiga que vive na Itália, tive um momento de pânico, ela descrevia um cenário de guerra que só vi em filmes até hoje e não era uma notícia falsa, não era filme, o marido dela têm que preencher um formulário e entregar em um posto policial todos os dias quando sai para trabalhar pois todos estão isolados e precisam de autorização para sair de casa, o supermercado recebe apenas 5 pessoas por vez e os outros fazem filas do lado de fora, todos de máscaras e luvas, chegam a esperar duas horas para entrar, durante esses últimos três dias tenho tentado respirar conscientemente várias vezes ao dia para controlar os pensamentos em minha cabeça, sou duas o tempo todo: uma que faz suas atividades normalmente, cozinha, paga contas, limpa a casa, conversa com marido e filhas, cumpre sua rotina de isolamento imposto e a outra que percebe como um vírus parou o mundo e se desespera ao pensar nos desdobramentos, nos efeitos a curto e longo prazo na economia mundial,  as empresas que não resistirão ao impacto disso, as agências de viagem que vão falir, os pequenos empresários que demitem funcionários diariamente, os restaurantes que irão fechar, enfim, um efeito dominó que pela primeira vez em minha vida sou testemunha e tento manter minha sanidade mental para não transmitir esse sentimento às minhas filhas para fingir que apesar da nossa vida ter mudado tanto, tudo está bem quando sei que não, nada está bem, é um momento de pouco controle e por isso sei que é imprescindível manter a sanidade mental, buscar a qualquer custo a serenidade, cada um à sua maneira e fazer a minha parte, cumprir as regras de higiene e de isolamento social dentro do possível e ter esperança em dias melhores, ter fé que algo há a aprender em toda e qualquer situação e seguir adiante por mais um dia, tentar focar em tudo o que posso ser grata em cada dia e não sair como uma louca para buscar papel higiênico e álcool gel em todos os supermercados que encontrar.

Percebo quão frágil podemos nos tornar perante a um vírus, perante a tragédia, percebo como a falta de controle sobre uma situação nos desestabiliza e percebo também a força que temos quando nos agrupamos todos com o mesmo objetivo, outras nações provaram isso como Taiwan, que foram eficientes em controlar o vírus, cada um fazendo um esforço individual, nunca vi uma situação de isolamento se tornar o elo de união entre as pessoas, todos combatendo um vírus e essa lição é a que quero manter em minhas experiências, quero crer que o velho clichê funciona sim, que juntos somos mais fortes, o ser humano precisa de outro para viver, ser feliz e prosperar, isolados sim, sozinhos nunca. Tenho fé que sairemos fortalecidos dessa situação extrema, isso também é aceitar a dádiva de estarmos vivos, aceitar os altos e baixos e fortalecer nossa resiliência.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Não sei se foi o tempo nublado, a chuva fina que caía, os armários brancos e a pedra preta na cozinha ou o vento fresquinho que soprava através da cortina…. O fato é que segunda passada fui fazer um café à tarde e, de repente, por um segundo, uma fração de segundo, eu não estava aqui. Eu estava lá, no apartamento de São Paulo, na João Julião.

O tempo parou e me ofereceu seu ombro. 

Finalmente pude descansar meu coração, meus olhos, no exato momento que repousei minha cabeça em seu ombro.

Finalmente as sensações de paz, de aconchego, segurança e felicidade há muito desconhecidos. Finalmente.

Apenas uma centelha divina que o tempo me ofertou. Apenas uma saudade matada de forma deliciosa.

E essa sensação ainda me acompanha, quase uma semana depois – não posso e não quero perdê-la. 

Que abraço mais amigo que o tempo me deu!

Naquele microssegundo, minha mãe e minha tia estavam na sala, fazendo os bordados de ponto cruz, falando amenidades e esperando o meu café…

Voltei para a sala, já neste tempo e neste lugar – meu lugar – e me deliciei com o amor imenso que se apoderou de mim.

A única testemunha foi a Nina. Quietinha, mas tenho certeza que seu coraçãozinho também entendeu aquela magia que aconteceu.

Nada deveria ser acrescentado ou tirado daquela centelha divina. Foi perfeito.

E, como num delicioso passe de mágica, à noite sonhei que estava na cozinha fazendo um bolo com a mamãe.

Talvez porque tenho sentido uma vontade grande de fazer o “bolo de aniversário” que, mesmo fora de datas específicas, às vezes fazíamos. Com camadas de recheio, leite condensado cozido, creme holandês com morangos, glacê de antigamente, chocolate branco.

O fato é que este ombro tão carinhosamente me ofertado, deixou saudades. Mas saudade da boa, daquela que provoca um leve sorriso e brilho nos olhos.

Saudade da boa! 

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena. Louca pela Nina  (na foto, já com 15 anos )

No trabalho as relações são as mais bem definidas. As funções, obrigações e interesses de cada um estão pré-estabelecidos e essa simbiose de interesses precisa ser saudável. Nem empregados nem empregadores estão prestando favores uns aos outros. É necessário que essa interdependência seja óbvia. Abusos e excessos de qualquer uma das partes prejudicam direta e instantaneamente a saúde da empresa. Empresa esta, que provê todos interesses de cada parte. Sejam eles financeiros, profissionais, ou qualquer tipo de crescimento esperado.

Na família o laço é eterno. Talvez seja o plano onde se cometam alguns abusos, por haver um vínculo compulsório e indestrutível. Às vezes não há simbiose, às vezes nem existem interesses em comum. De toda forma, acredito eu, que por algum motivo fomos inseridos em nossos contextos familiares. E na maior parte das vezes é na relação entre pais e filhos que a criança tem o primeiro contato com a construção de um relacionamento. Portanto as promessas feitas nunca deveriam ser descumpridas. Sejam elas de gratificações, sejam elas de punições. Pois é nessa fase da vida que se aprende o valor do respeito e da palavra.

A amizade é a mais singela de todas as relações, pois é onde não há uma simbiose. É onde não existem interesses. É onde se desenvolve a capacidade do bem querer por alguém que você não tem vínculos nem obrigações. São pessoas que se divertem juntas, compartilham bons momentos, trocam experiências e conhecimentos, dividem alegrias e tristezas. O sentimento genuíno da amizade é altruísta pois é absolutamente desinteressado. É, portanto, um vínculo extremamente raro.

O amor romântico? Sim ele existe. Existe entre pessoas que antes do “I love you”, são capazes de dizer “I see you”. O I love you é egoísta. Refere-se aos próprios sentimentos.  O I see you demonstra a capacidade de enxergar as necessidades do outro. Esse tipo de relacionamento não é desinteressado. As trocas são necessárias. A espiritualidade e os objetivos de vida precisam ser compatíveis. Deve haver sintonia na maneira de enxergar o mundo e os relacionamentos. E quais são os interesses? Ah… são os mais carnais e mundanos que existem. 

Mas seja qual for o tipo de relacionamento, eles são sagrados. E podem se quebrar.

Uma vez quebrados, partem-se em muitos pedaços que podem até ser colados, podem até voltar às suas formas. Mas as marcas serão eternas.  

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

..tem uma coisa que me deixa muito chateada, é eu não saber que profissão eu quero seguir, isso me deixa angustiada, porque eu adoro trabalhar com pessoas, mas a maioria dos empregos, pagam mal, falta emprego. Como é difícil morar em um País pobre.

Esses dias ganhei uma bolsa de estudos para fazer um curso de computação, só teria que pagar o material, mas minha mãe já veio falando que era caro, meu para falou que não tinha condições, tudo bem, não fiz. Só que ontem meu irmão ganhou uma bolsa igualzinha, só que em outro lugar. Com ele minha mãe já foi até lá hoje ver, ela fica com dó dele, eu também fico, mas não é justo ele fazer e eu não, só que eu também não sei se ele irá fazer, mas esse apoio que deram para ele, para mim não deram nenhum apoio. Isso não é justo e nem certo.

29 de agosto – Gisa Luiza – 16 anos


Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

OITAVO CAPÍTULO

Eu pensei naquele momento! Como? Que desrespeito! Ou coragem que esses filhos possuem! E esta mulher? RESPEITOSAMENTE CORAJOSA? Que loucura! Esta vida é louca mesmo!

 

NONO CAPÍTULO

  1. (AGORA PRESTEM MUITA ATENÇÃO NA LEITURA, POR FAVOR) Quando o ônibus parou, esta mulher que conversou a viagem inteirinha, a viagem toda, me atrapalhando…. e se enfiando sem cerimônia em minhas anotações sobre RESPEITO e CORAGEM, se levantou, meio que trôpega (pelo tempo sentada), desceu apressada, correndo… quase voando para abraçar o seu filho mais novinho (como ela havia dito), ela estava roxa de saudades, e naquele momento ele seu filho NÃO ERA BÊBADO, AGRESSIVO, SEM JUÍZO, ERA UM …FILHO E MUITO AMADO!E para mim que a observei e a escutei, a ouvi a viagem toda, pensei ao vê-la nesse momento:

“E UMA MÃE CORAGEM”! (e não é loucura da joaninha).

Acreditem… eu e ela nem ao menos os nossos nomes trocamos! É a vida! Realmente a vida é bela!

(FIQUEI MAIS “RICA” APÓS ESSA VIAGEM DE RETORNO PARA A MINHA CIDADE).

BOA VIAGEM… APROVEITEM, NÃO SOMENTE AS JANELAS!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.