Dois homens morreram hoje. Pai e filho. Mas que lástima ser essa. Que tristeza
inominável isso é para seus parentes e amigos. Um pai nunca quer ter uma vida mais
longa que a de seu filho, e o filho não quer nem pensar de em perder o seu pai. Claro isso
serve apenas para verdadeiros pais e filhos, onde um soube cuidar de sua criação e ter
dado a ele amor e carinho. Pai é quem cria alguns chegam a dizer. E apenas assim que
se é um verdadeiro pai.
Mas pais não são criaturas perfeitas. Afinal, quem é? Os únicos homens perfeitos
que existem estão presentes nas histórias antigas que dizemos uns aos outros na
escuridão da noite, mas nunca nas histórias pessoais de nosso dia a dia. E mesmo na
morte, essa imperfeição não se vai. Pois é apenas na morte que somos obrigados a ver
aquilo que sempre negamos em nós mesmos e nos outros. E assim foi, para um pai e um
filho que se foram no mesmo momento.
O pai chegou as portas do mundo dos mortos alguns instantes antes de sua
descendência, como deve ser (segundo alguns). E chegando lá conversou por um tempo
que pareceram ser horas, com uma entidade que nunca vira e nunca ouvira falar. Falaram
sobre histórias de sua própria vida e talvez nesse ínterim, tenha tido até mesmo a sua
alma medida de cima a baixo. Pois a história do pai fora longa e sofrida. Em sua historia,
fora abandonado e largado. Lutara e se desesperará. Muito ele passou e diversas
cicatrizes ele acumulou em seu espírito. E apenas ali, no mundo dos não vivos que ele
havia sido capaz de enxergar isso.
Pois em um mundo que não é mundo, onde a carne não existe e o que sobra é o
espirito, apenas as almas podem ser vistas, mesmo que não da forma as quais as
pessoas pensem que as almas são. E o pai e a entidade viam que nele, em sua alma,
havia uma grande gama de cicatrizes. Cicatrizes que apenas os vivos sabiam fazer. E o
pai se entristeceu, se adoeceu e se redimiu. Pois é assim que as coisas são no mundo
dos não vivos. E o filho, após poucos segundos que foram a eternidade, chegou também.
E o pai ao ver o filho ficou horrorizado com o que via. Pois mesmo sem saber, viu
o filho de verdade pela primeira vez. E em seu coração soube que não havia sido o pai
que pensara ser. Pois ao olhar para seu filho pela primeira vez, viu que nele as cicatrizes
eram muito maiores e mais profundas do que o pai jamais havia tido em si mesmo.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

(AVISO DE GATILHO: Eu escrevi, li, reli e chorei então prepare o lencinho por que hoje vamos falar sobre amor de mãe e filho)

A pessoa que eu era antes de ser mãe, sabia exatamente como ser uma mãe disciplinada e regrada.
Ao olhar uma criança sem limites na rua ou no mercado, sabia exatamente o que fazer – Isso é birra, nada que uma ou duas palmadas não resolvam. Pensava.
O cabelo cheiroso e a roupa intacta montavam uma adolescente completa que sabia o que queria e com certeza tinha convicção de como lidar com um ser humano sendo ele seu filho.
A pessoa que eu era não sabia nada sobre elefantes ou mamutes, pouco interessava o que comiam ou o som que reproduziam. Não era importante decorar quantas saias a barata diz que tem, nem quantas vezes o elefante incomoda muita gente.
Mas sem problemas, eu sabia exatamente como deveria agir sendo mãe.
Eu sabia perfeitamente até o primeiro chute dentro de mim.
Alguém lá dentro se mexia com movimentos aleatórios e de início eu já tinha me tocado que eu não estava tendo controle nem mesmo sob meu corpo, o que me faria pensar que eu teria controle sobre o que estava invadindo cada parte do meu ser sem pedir licença?
Noah me desconstruiu como ser humano desde a primeira batida do seu coração dentro de mim. A luta constante de procura por identidade, a maternidade me sugou a alma sem ao menos me dar a chance de querer desistir.
Eu me fiz novamente uma nova pessoa. A maternidade me moldou e me deu a chance de experimentar o lugar de Deus.
Não é somente sobre cuidar, dar colo e amamentar.
É sobre ter perdões extras e gratuitos.
A luta gratificante de esculpir espírito e psicologicamente um ser humano para a vida. É uma tarefa árdua, sem muitos recursos, é preciso trabalhar com matéria prima, um trabalho sobre pressão, sem folga, sem descanso, sem paradinha, nem férias.
As vezes da vontade de sair correndo, chorando e pedindo socorro mas levando o filho no colo por que alguém precisa dar o jantar e dar banho e esse alguém é a gente. Tem horas que a gente acha que não vai dar conta, o cansaço vem e com ele o questionamento. Será que eu sou uma boa mãe mesmo?
Por querer sempre o melhor para os nossos filhos achamos que não. Tudo nunca é o suficiente e o filho da outra parece que sempre aprende sempre mais e melhor que o nosso.
Todos os dias, eu me reconstruo como humano, mulher, pessoa e mãe e assim entendo que o sorriso estampado no rosto do meu filho reflete como está sendo meu trabalho como mãe.
Noah é de longe o parceiro mais fiel e dedicado. A companhia perfeita. Nossa sincronia e sintonia de mãe e filho ultrapassa qualquer ligacao amorosa mais direta que possa nos comparar.
O encontro de almas foi selado muito antes de chegarmos aqui. Eu sinto.
E como sinto.
Na pele e na alma, todos os dias quando eu sinto o ar quente da sua respiração sobre a minha face me chamando de Mãe.

De: Sua Princesa
Para: Pitoco da Mamãe.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

(Só leia esse texto se você for vítima da sociedade padronizada ou já tiverem te mandado sentar como Mocinha)

Estou farta, arrotando pelos cantos. Vítima da sociedade. 
Por quanto tempo mais terei que aguentar o dedo do jovem branco apontando pro meu cabelo afro? Quantas vezes vou ter que ouvir que eu ”não sou tão negra assim”? Quantas lojas eu vou ter que entrar para ser tratada como cliente e não como funcionária?
Estou farta! E não é pouco. Arrotando pelos cantos.
Cansada de ouvir que eu tenho que me desdobrar ao quintos pois sou mãe solteira. Tendo que conviver com a opinião de quem não me sustenta, dizendo que a responsabilidade da mãe é maior do que a do pai (oi?).
Por quantas vezes mais vou ter que me calar pra não ofender o outro? Quantas vezes vou ter que engolir seco a cantada de quem esta ali só para comer sexualmente o outro como um predador?
Quantas vezes vou ter que ouvir da mídia, do homem e da sociedade que meu quadril largo é ótimo pra procriar mas não constituir família?
Quantas vezes mais vou ter que ouvir do policial e do confidente qual era roupa que eu estava usando quando fui estuprada?
Até quando vou ter que aguentar ouvir que apanhei do namorado por que ele perdeu o controle e se exaltou, mas não foi por querer?
Por quanto tempo vou ter que levar meu filho no colo em pé no transporte pra não ser hostilizada por quem trabalhou o dia inteiro e está sentado no banco prioritário?
Quantas vezes vão me mandar sentar igual mocinha e ter a força de um bruto?
Quantos ‘Nãos’ eu vou ter que ouvir nas entrevistas de emprego por ter tatuagem, por ter filho, por ser solteira, por ser gorda, por ser mulher?
Tá doendo?
Em mim não dói nada. Não mais!
A sociedade me deixou assim, o soco na face me deixou assim. Aquele grupo de brancos me chamando de macaca, aqueles homens que eu atendia no restaurante insinuando sexo oral, aquele cara que me forçou pra ir além, aquela mulher que me olhou da cabeça aos pés e disse que eu não tinha o perfil, aquela empresa que preferiu um homem ou uma mulher sem filhos, aquela revista que disse que o manequim tinha que ser 38, aquele fora da família do namorado branco, aquela pessoa que eu achei que estava tendo um papo legal e logo já me mandou fotos obscenas, me deixaram assim.
Eu sou a Gi, eu sou a Mãe do Noah, eu sou aquela que escreve legal e os amigos gostam.
Eu sou a estatística, eu sou o vácuo, o grito abafado da dor, o sorriso amarelo, o “está tudo bem” disfarçado.
Eu sou mulher, eu sou filha, sou mãe, sou preta, sou gorda, sou tatuada, sou gente e não me calo.
Porque estou farta.
Farta e arrotando pelos cantos.
Digerindo o teu ódio e vomitando poder pra quem quiser ver.
Mandando nudes da alma pra quem pedir.
Essa sou eu.
Só mais um número na multidão.
Farta de toda pressão que aos poucos está me mutilando.
Farta e arrotando pelos cantos.

 

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Quando criança sempre fui magro, os amigos daquela época podem confirmar, morava na Aeronáutica em Santana, São Paulo, chegava a escola e todos os dias tinha futebol ou algum tipo de brincadeira, até esconde esconde com bola, foi uma infância maravilhosa. Eu não era magro, eu era muito magro.
Na adolescência mudamos para uma casa, mudei de escola e não tinha amigos, a casa era muito boa, mas ficava em uma rua íngreme, sem a segurança que existia na anterior. Tinha poucos amigos e quando voltava do colégio ficava na maior parte do tempo na TV, sempre comendo alguma coisa.
Por um tempo treinei handebol no Banespa, mas naquele momento a obesidade já demonstrava seus primeiros sinais.
Quando completei 18 anos, perdi meu pai e tive uma fase difícil em minha vida, havia acabado de entrar em engenharia e não consegui suportar o trote da Mauá Engenharia, nunca falei nesse assunto, grande parte em decorrência da obesidade.
Passados mais alguns anos me casei e retornei aos estudos, trabalhei em uma construtora por um longo período, me formei em administração, fiz estágio na Sabesp, passei no concurso da Sabesp e arrumei um emprego na Abril, decidi pela Abril.
Na árvore fiz muitos amigos, sofri preconceito devido ao estágio avançado de obesidade, mas sempre procurei ajudar as pessoas e fazer novas amizades. Muitos amigos sempre me incentivaram pela redução bariátrica, mas eu sempre protelava. Depois de 20 anos de empresa sofri meu primeiro acidente rompendo o quadríceps da perna direita, com 216 kilos. Fiquei 43 dias internado. Retornei ao trabalho após 4 meses com 202 kilos. Cinco meses depois nova queda dentro da empresa e 40% de rompimento do joelho esquerdo, porém após essa queda já não conseguia subir escadas escadas e convivia com fortes remédios para para suportar as dores. Almoçava dentro do carro, pois o refeitório tinha escadas e na Van que levava ao Shopping eu não conseguia subir.
Somente no dia 30/12 o joelho esquerdo rompeu totalmente e fui novamente operado, mais 35 dias de internação. Nesse momento aceitei que não poderia mais ser obeso mórbido e providenciei todo o processo da cirurgia bariatrica, realizada em Abril de 2017. Já perdi 59.1 kilos. Porém minha recuperação do joelho esquerdo e do fortalecimento das pernas vem apresentando problemas. Hoje existe um risco de romper novamente o quadriceps esquerdo. Tive condromalacea e o joelho já saiu 9 vezes do lugar. Decidi fazer um tratamento no centro de reabilitação do Sírio Libanês, tenho que agarrar essa chance e evitar esse rompimento, caso ele ocorra não poderei mais andar.

Estou contando tudo isso para que meus amigos vejam os perigos da obesidade e evitem a todo custo que isso ocorra em suas vidas, de seus familiares e de seus filhos.

Por recomendação médica não posso subir nenhum degrau, devo andar somente com muletas e fazer o tratamento de fortalecimento com urgência.

CUIDEM DE SEUS FILHOS!!!

EVITEM A OBESIDADE !!!

Ainda nesse mês completo 52 anos de vida!

Silvio Lavras – Belo Urbano, administrador de empresas, trabalha na Editora Abril há 22 anos (mas por causa da obesidade está há um ano afastado do trabalho), palmeirense, adora viajar. Antes da redução bariatrica gostava de pizzas e churrascos, hoje se alimenta de tudo, porém em quantidade mínima. Casado há 31 anos com Claudia Lavras, não tem filhos.

Que Deus cuide e proteja os pais. Todos. Sem exceção.

Proteja os pais que ajudam as mães a cuidar dos filhos uma ou duas vezes por semana, porque estes não entendem nada do papel de um pai.

Cuide daqueles que colocam os filhos no mundo e que às vezes aparecem anos depois sem nenhuma explicação, porque estes não podem reconhecer a si mesmos como homens, o que dirá como pais.

Cuide e proteja os pais separados que dão uma força pra mãe de vez em quando desde, que não atrapalhe o futebol ou a cerveja com os amigos. Que pagam a pensão de um salário mínimo em dia, mesmo que isso não dê conta das despesas dos filhos. Afinal, já estão fazendo mais do que a mãe das crianças merece. Estes meu Deus, não conseguem enxergar muito além ao redor dos seus umbigos. Logo, não sabem o que é ser homem, nem tão pouco o que é ser um pai de verdade.

Cuide e proteja todos esses pais e tantos outros que abandonam seus filhos de infinitas maneiras, estando perto ou longe.

Mas Deus, observa com cuidado aqueles outros pais que levantam antes das seis da manhã para preparar o lanche, acordar as crianças e deixar todos na escola antes do trabalho. Que levam os filhos ao médico, que preparam o almoço, o jantar, que fazem festa no banho, que jogam cinco ou seis partidas de futebol por dia com seu filho, mesmo que já não tenha mais idade pra isso. Que brinca de boneca com sua filha depois de um dia exaustivo de trabalho. Que anda de bicicleta num domingo de tarde, que arruma um cachorro grande pra seus filhos mesmo morando num apartamento pequeno. Que sai mais cedo do trabalho nos dias quentes só pra poder brincar com os filhos antes de escurecer. Que inventa histórias antes de dormir. Que orienta as tarefas da escola, que dá bronca, que repreende, que educa. Que viaja sozinho com os filhos e se diverte com isso. Que se emociona ao ver os filhos dormirem abraçados a ele. Que é capaz de olhar nos olhos da sua companheira ou companheiro e ver que são pais e mães, mães e mães, pais e pais, sabendo que as alegrias e as dores fazem parte da vida e que a construção de uma vida é mais leve quando se faz junta aparando um ao outro. Que é capaz de construir a mesma vida junta, mesmo quando são separados.  Pais e mães são para sempre. Esse pai sabe disso meu Deus. Esse pai sabe disso e de tantas coisas. Esse pai tem um sexto sentido, igual ao da mãe.

Ah Deus! Estes pais não precisam de cuidado nem proteção. Com eles você não precisa se preocupar. Sim, eu sei. Eles são incríveis. São homens. São pais de verdade. São pais felizes de ser pai. Mas Deus, eles não fazem nada além da sua obrigação.

Gil Guzzo – Belo Urbano, é ator e fotógrafo. É um flaneur que faz da rua, das pessoas e da vida nas grandes cidades sua maior inspiração. Trabalha com fotografia de arte, documental e fotojornalismo. É fundador do [O]FOTOGRÁFICO (Coletivo de arte contemporânea que desenvolve projetos autorais e documentais de fotografia). E o melhor de tudo: é pai da Bia e do Antônio.  

O dia das mães foi ontem, o dia de comemorá-lo, mas mãe, uma vez mãe, é mãe em tempo integral.

Tem gente que diz que mulher é frágil, mas que mãe é muito forte. Não concordo exatamente com isso, mulheres são fortes e também são frágeis e mães são fortes sim, muito fortes quando ser MÃE está na sua essência. Ter filhos é fácil, mas ser mãe não é só ter.

Hoje, pós dia das mães, meu dia começou com um imprevisto. A escola da minha filha me ligou porque ela estava com muita dor de ouvido. Eu estava indo para uma consulta médica agendada há mais de dois meses. A médica que agendei, tem a agenda lotada, difícil conseguir consulta a curto prazo, mas é claro que desmarquei e fui com minha filha para o pronto socorro. Ficamos praticamente a manhã toda e saímos de lá para a farmácia comprar remédios, aliás, uma observação, como remédios em nosso país são caros.  Conclusão, uma otite que já sendo tratada pela mãe.

Outro dia uma amiga me disse: – Adriana os filhos são da mãe.

Nunca tinha ouvido aquilo, mas faz sentido, os filhos são da mãe na maioria dos casos, conheço algumas exceções, mas na maioria, os filhos são da mãe mesmo. É a mãe o porto seguro, emocional e muitas vezes o financeiro. Tenho três filhos, descobri o que é ser mãe com o primeiro, que hoje tem 19 anos. Filho não tem manual de instrução e mesmo no terceiro, no meu caso, na terceira, cada um é um, e com cada um, aprendo e ensino sempre algo novo.

Ser mãe de bebê para mim é o mais fácil, uma outra vez uma prima me disse: – Se sempre fossem bebês eu teria uns dez.

Uau, dez eu acho muito, mas bebês são fáceis de cuidar, o trabalho basicamente é físico. A medida que os filhos crescem, outras e outras questões vão surgindo e nem sempre tudo é tranquilo, quase nunca é, mas como mãe, vamos descobrindo caminhos, nos informando, conversando com outras mães, buscando ajuda de profissionais. Enfim, toda mãe só quer mesmo ver ser filho bem e feliz.

É simples na verdade, mas chegar nessa simplicidade é que não é nada simples… ou talvez seja, nós mães que talvez sejamos mais complicadas do que deveríamos ser, talvez nossa lente de proteger os filhos seja de aumento.

Eu hoje só sei de fato uma coisa, que só sabemos o que fazer em uma determinada situação quando a vivemos. O resto é especulação. Então se alguém falar: “se fosse…”, “se tivesse…”, eu faria de tal jeito. Esqueça, isso não existe.

Com meus filhos o meu SER HUMANO é mais forte, é crítico, aprende, ensina, perde a paciência, chora, ri, aplaude, não desiste, luta, briga, incentiva, se diverte, ama, com todas as dores e as delícias.

Depois que me tornei mãe tenho a clara sensação que um filho é grande chance de sermos seres humanos melhores. Agradeço muito as minhas três grandes chances, espero estar fazendo certinho a lição de casa.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

 

 

Fiz a mamografia e já senti que a médica ficou encafifada. Uma semana depois, recebo o laudo sugerindo uma mamotomia (que é um exame que parece uma punção). Fiz este também, com muito medo e ainda ouvindo da enfermeira insensível que seria muito difícil fazê-lo em mim porque eu tinha uma mama muito pequena. Até hoje sinto orgulho de mim por ter conseguido, naquele momento tão adverso responder ironicamente: “Sinto muito por ter mamas tão pequenas, eu te garanto que eu também adoraria que elas fossem maiores!!”
Quando recebi o laudo, mais um baque: “CARCINOMA DUCTAL IN SITU”.

Achei que aquilo era meu atestado de morte!! Senti muito medo, chorei muito, mas também fui valente o quanto pude. Tive todo apoio e amor que eu precisei. Ao levar o exame para a mastologista, ouvi que eu tinha dado uma sorte imensa, que era só retirar aquele pedaço da minha mama e que, caso não descobrissem mais nada no pós-operatório, eu “só” teria que fazer radioterapia e tomar um medicamento por 5 anos.

Naquela hora, tudo era assustador! Como assim retirar um pedaço da mama? Como assim radioterapia?? Como assim um remédio com mil efeitos colaterais por 5 anos? Hoje, consigo pensar que passei por tudo isso de uma forma tranquila. Operei na quinta e na segunda estava trabalhando como se nada tivesse acontecido. Fiz as 30 sessões de radioterapia e há 6 meses estou tomando o remédio que não me trouxe quase nenhum dos muitos efeitos colaterais ameaçados na bula. Agora estou em acompanhamento, fazendo os exames de rotina pra garantir que continuo bem!! O que eu consigo pensar de tudo isso é o seguinte: Não achei justo eu ter esta doença, mas seria justo com alguém?? Claro que não!! Agradeço todos os dias por ter descoberto tudo em momento tão precoce. É muito assustador passar por isso, mas hoje as possibilidades de cura são muito, muito grandes!!

O amor recebido nesta hora também faz toda a diferença!!

Por isso, meninas de 40, façam o exame, ele pode sim salvar sua vida!!

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Nadia Vilela – Bela Urbana, fonoaudióloga que fala pelos cotovelos, mas aprendeu também a ouvir!!! Mãe de dois adolescentes lindos por dentro e por fora. Tem sempre um sorriso sobrando no rosto e a certeza de que não veio pro mundo a passeio!

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Ela tem 12 anos… mudou-se há pouco para a cidade junto com a família, mãe, duas irmãs e uma agregada, nos idos dos anos 70. Era a mais nova delas, e entrando na adolescência, já tinha seus sonhos bem infantis de romances, mas brincar era mais legal! As irmãs já estavam na idade de trazer amigos, e sempre algum lhe despertava a infantil atenção.

Um belo dia, um deles rouba-lhe um selinho no portão. Aquelas brincadeiras bobas de virar a cara na hora do beijinho no rosto de despedida… ela surpresa, pergunta: ‘O que é isso?!” E ele responde: ‘Um beijo’, faz carinha de inocente e vai embora com o amigo dando-lhe uma bronca: ‘Ela é uma criança!!!’.

Ela se casa, tem dois filhos lindos, dos quais se orgulha. Eles crescem, ela decide sonhar novos sonhos, estudar, buscar uma profissão e nela se realizar. Estranhamente foi duramente cobrada por isso, e acabou por custar-lhe o casamento.

Ele tem 17 anos. É convidado por amigos a conhecer umas meninas novas na cidade. Uma delas lhe agrada, mas justamente essa namora seu amigo. Ela tem uma irmã mais nova bem bonitinha. Mas é muito nova, uma criança!

Um dia, ao despedir-se, rouba-lhe um beijo no portão. E ao ver a surpresa dela perguntando ‘O que é isso?’, ele marotamente responde: ‘Um beijo!’. E vai embora, levando bronca do seu amigo: ‘Ela é uma criança!’.

Ele aparece tempos depois com uma namorada. Terminam… ele some, a namorada fica na ‘família’ por um bom tempo. Ela aparece com outro namorado. Que fica na ‘família’ por um bom tempo também. Aquela roda-viva da adolescência! E o contato se perde entre estudos, trabalhos e casamentos…

Ele se muda para a praia para estudar, junto com um amigo, depois de um tempo volta, se casa, tem duas filhas lindas. A trabalho, muda-se para outras cidades, conhece outras culturas, faz muitos amigos. O que ele mais tem, são amigos! E amigos são o que valem naquele momento, anos depois, em que se descobre que o casamento não está mais funcionando… e que vale a pena tentar ser feliz!

Ela tem 48 anos. Um dia, recém saída de um relacionamento, ela está no facebook, e uma foto chama a atenção na página de uma amiga, aquela que era namorada daquele menino do beijo roubado… rsrs. Naquela época do ano em que todo mundo põe foto com carinha de criança, ela vê uma e pensa ‘conheço esse menino!’. Adicionam-se e começam a descobrir que tem muito em comum, além da lembrança de um beijo roubado no portão.

Mas moram longe! Mas o que é longe em tempos de internet banda-larga, celular e vôos baratos que podem ser comprados com milhas? Encontram-se um dia m que ele visitava parentes na cidade, apenas para lembrar dos bons tempos e contar que rumos haviam tomado. Incrível como é possível resumir a vida em poucas horas de conversa… falaram de seus pais e de seus filhos, de suas carreiras, suas viagens e suas vidas. E descobrem muitas afinidades.

A vida segue em conversas por chat, como foi o seu dia, como está a sua vida. Até que um dia, em função daquela carreira que ela teimou em perseguir, foi convidada a palestrar na empresa dele. Ele, muito gentil, a ciceroneou pela cidade, e riram muito lembrando de um beijo roubado no portão, entre outras coisas, como fotos comprometedoras, amigos eternamente zoados, etc.. Dali saíram com a sensação de que nunca é tarde! Pra ser feliz, pra se apaixonar, pra se dar uma chance!

Passam um bom tempo em namoro por chat, vídeo, e ponte aérea. Passam por cirurgias, doenças, e outras pequenas crises. Mas permanecem firmes, com a certeza que a vida lhes sorriu com algo especial, quando por volta dos 50 anos, nenhum dos dois esperava mais por isso.

Enfim, ele consegue uma transferência de volta à cidade natal, onde tudo começou. E a vida os tem brindado continuamente com novas oportunidades de serem felizes juntos! E a sensação boa de que estão só começando…

Quem disse que nostalgia e tecnologia não são aliadas?

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

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Mulher, 44 anos, solteira, com um filho de 15 anos, estudou duas faculdades, investiu em uma especialização, atua em uma fundação do terceiro setor!

Namora… ou não! Ela não sabe dizer, pois não sabe se a relação que ela tem segue os protocolos para caracterizar o que “rola” como namoro, mas isso não diminui o encanto dessa história.

Simples no modo de agir, complexa no modo de pensar.

Se sente livre por não servir a partidos políticos, por não ter que responder a limites acadêmicos e ainda, por não ter que responder as expectativas duvidosas que encontra nos espaços.

Gosta de gente, bichos e plantas, especialmente as árvores. Gosta tanto, mas tanto, que respeita a relação destes com sue habitat! Vai entender essa mulher!

Ah, e tem mais, gostar de animais não a impede de comer carne! Embora passe muito tempo sem ter essa necessidade.

Acha zoológico e espaços de confinamento de bichos para apreciação do ser humano, esquizofrênicos! Mas não pensa em lutar por essa causa.

Gosta de ler, principalmente livros de filosofia, mas se delicia e sente prazer quando uma charge anuncia o seu pensamento, ou mesmo, ilumina-a em um posicionamento.

Acredita na política!

Entre as crenças que cultua, vejamos… pode-se afirmar que:

– a incompletude é o que dá sentido a vida;

– que se constitui nas relações que vive;

– que a dúvida é sábia e necessária;

– quem quer fazer o bem, deve primeiro fazer para quem está a sua volta;

– quem faz mal feito, faz várias vezes;

Algumas ela aprendeu com sua mãe. Admira muito a sua família!

Ter amigos irmãos e irmãos amigos, a deixa mais segura e confortável em sua trajetória. E ela faz questão de dizer isso a eles.

Sorriso largo, não economiza afeto… Mas não pensem que gosta de gente pegajosa e com afagos superficiais. Ela entende afeto, de um modo muito peculiar!

Acorda bem humorada!

Diz que gosta de beber!

Quando escuta música, sua alma dança delicia e maravilhosamente. Ninguém imagina o que ela faz e como ela faz.

Gosta de dirigir e fazer baliza! Sério mesmo!

Sarcástica, se diverte cotidianamente com o que vê.

De imaginação prodigiosa, sempre tem um texto e uma ação teatral no seu imaginário. Acha muito mais fácil viver assim!!!!

Já foi mais ou mesmo! Hoje é mais e de vez em quando é menos!

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Claudia Chebabi Andrade – Bela Urbana, pedagoga, bacharel em direito, especialista e psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre 🙂 

 

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Ela 16, ele 17.

Amor à primeira vista? Depende da vista…

Ela num momento deprê, sem ver sentido em continuar… Resolveu encontrar a irmã numa festa, mas com uma atitude foda-se a vida, que, por algum motivo, passou  por… Autoconfiante a menina! Ele adorou aquela menina super decidida, pena que ela não queria papo com ninguém…

A campainha da casa toca, a irmã pede para ela ver quem é. Ele estava no portão, junto com o primo, para fazer um trabalho com a irmã. Ela, num momento mais animado com a vida, viu-o pela primeira vez…

Meses se passaram, os dois adolescentes, ele finalmente a pediu em namoro… Ela: “até que enfim”

Casaram, criaram os filhos, vieram os netos…

Hoje ela olha para ele e sabe que o que eles tem é especial… Passaram por tanto nessa jornada, mas a vontade de estar junto e a capacidade de se re apaixonar foi definitivo naquele primeiro olhar, no amor à primeira vista, que nunca saberemos exatamente quando foi.

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.