Este ano, vou eleger o pé de umbu como minha árvore de natal. Não que não goste do pinheiro, mas frente às suas histórias, o pé de umbu me cativa.

No sul do Brasil, reza a lenda que quando Deus criou o mundo, havia uma fila de árvores rogando, cada qual um fruto mais frondoso que a outra. A amoreira, pedia o fruto mais doce e saboroso. A laranjeira um fruto grande, belo e suculento. A parreira uma fruta inebriante e mística.

Enquanto isso o umbuzeiro, sábio e humildemente, pedia apenas folhas largas para uma confortável sombra e um tronco frágil, para que nunca sua madeira fosse usada como arma ou madeira de Cruz. Ganhou sim um tronco seco, porém caudaloso de água para os que passam com sede e frutos redondos e adocicados. Tornou-se refúgio dos que mais precisam de alimento para a jornada.

No nordeste não é lenda, é fato: Euclides da Cunha, em Os Sertões registrou, admirado com a resistência do sertanejo diante da adversidades, que o pé de umbu era “Árvore Sagrada do Sertão”, pois no inverno, é desfolhada e seca, fica praticamente morta, ressurgindo logo na primavera, altiva, cheia de flores, mostrando sua força e grandeza.

Por essas e outras o pinheiro, esse ano, abre espaço ao umbuzeiro. E sabendo que não consigo trazer um exemplar para minha sala, farei do país o meu quintal, com firme desejo de que esse natal traga a mesma força, resistência, altivez, sabedoria e humildade do pé de umbu, e que tais valores se estendam não apenas ao novo ano, mas sempre em nossas vidas!

Segue um poema que fiz anos atrás sobre nosso protagonista.

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O imenso pé de umbu nos mostra, ensina
Como ser e agir, ter perseverança
Pois mesmo com a ação do tempo
Do desastre, do mal ou da vingança
Mesmo preta de queimada, alagada
Cortada assim, renasce fé, amor, esperança
Sem mesmo mostrar um mero verde
Sem ter chance enfim, viravolta, criança
Frondosa lição de vida, superação, pujança

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Tem dias em que o ‘dia’ na escola não é muito simples…

Não dá pra dizer que o dia é pesado porque dentro desse mesmo dia coexistem situações de ‘desespero’ e esperança… então é desnecessário rotular assim.

Estar entre as crianças é uma das coisas que mais fazem sentido pra mim. Com e apesar de todas as questões que enfrentamos. Com e por todos os momentos especiais que vivenciamos.

Muitas profissões são difíceis, complicadas, dolorosas, talvez seja aquela velha história do ônus e do bônus de todas as situações. Que fique claro que respeito e admiro todas elas.

Mas hoje, eu queria deixar mais claro ainda o quando eu admiro as minhas colegas professoras (‘os’ também, mas somos a maioria garotas!). O quanto eu admiro e o quanto estar lá também faz sentido por elas existirem, por estar lá também com elas. O quanto eu admiro a maneira como a gente pode olhar uma pra outra com respeito e compreensão… o quanto eu admiro a maneira como a gente pode perceber a dor, ou o desespero, ou a angústia, ou que seja um simples nó e de alguma maneira ‘tornar’ aquele nó também nosso.

Porque nesse momento, em que essa angústia é partilhada, de alguma forma a esperança se refaz, ainda que por vezes, nem se vislumbre solução. Nesse momento, em que a gente divide o que está pesado, de alguma forma talvez a gente se lembre dos outros momentos que fazem tanto sentido, dos outros momentos que sustentam o nosso fazer diário, a nossa crença diante de condições tão delicadas e muitas vezes desfavoráveis.

E aí que a gente talvez perceba a nossa humanidade da forma mais concreta, junto com toda limitação, mas também com toda a nossa força.

Michelle Felippe – Bela Urbana, professora por convicção e teimosa. Apaixonada por doces, cinema, poesia urbana e astrologia. Acredita que ainda vai aprender a levar a vida com a mesma leveza e impetuosidade das crianças.

A morte dói. Dói para quem fica. Dói quando vem inesperada. Dói quando é esperada também. Dói em qualquer idade.

A morte é um soco na alma de quem fica. É ruína. É um presta atenção, uma reflexão de quem fica sobre quem vai. Não importa mais para quem vai quando já foi.

O tal do “nunca mais” é tempo demais. A certeza da eternidade da alma que vai, não temos. Podemos ter fé, crença, certeza não.

Certeza temos do que fica por aqui. A alma que vai, deixa. Deixa sua história, seus pensamentos, legados. Deixa saudades, alegrias, tristezas, ensinamentos, lamentos, raiva, amor, amizade. Continua viva na lembrança de quem a conheceu.

Quando pensamos na morte, pensamos na vida, na nossa vida e aí vem todos esses questionamentos. Quem é você para cada vida que convive? Para algumas vidas está entre os personagens principais. Para outros pode ser um personagem menor. Em outros casos pode ainda ter aquela participação especial. Para bilhões de vidas, um nada.

Vem a tona a questão: Será que exerço o meu melhor papel em cada vida que convivo? Não importa o tamanho, a questão é: exerço esse papel com a minha coerência ou sou um blefe de mim mesmo?

Não escolhemos o papel, mas escolhemos como vivê-lo. Como aqui estamos falando da vida de verdade, estamos falando de nós mesmos. Vivo como quero? Faço o que acredito?

Muitas pessoas passam pela nossa vida das mais diversas formas. Nunca seremos iguais para todos, e acredite, tem que ser assim.

Alguns vão te amar, te admirar, vão querer ser como você, alguns vão gostar da sua companhia, outros vão estar loucos para te ver longe, te chamarão de pedante, te acharão engraçado, falso, depressivo, coração mole, firme, trabalhador, sonhador, chato, alegre.

A única coisa que importa é ser quem se quer ser. A tal da coerência com você mesmo. Se o outro vai entender não é certeza, mas as chances para isso são muito maiores e consequentemente as relações são verdadeiras e intensas.

Pessoas blefe não vivem bem e não sobrevivem por muito tempo na memória de ninguém.

Já que a vida é finita, como você escolhe viver os seus papéis?

Eu escolho as ruínas da minha memória. Eu escolho ser de verdade.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

FOTO – @gilguzzo do arcervo do O FOTOGRAFICO  www.ofotografico.com.br © Gil Guzzo – Proibida qualquer tipo de reprodução das imagens sem autorização. Imagens protegidas pela Lei do Direito Autoral Nº 9.610 de 19/02/19

 

 

Talvez o leitor possa me achar meio maluco, no final até ter certeza disso, mas como cantava Adriana Calcanhoto, “eu não gosto do bom gosto e eu não gosto do bom senso”.

Mas, eu tinha um hábito até uns 10 anos atrás: todo fim de ano eu listava em um gráfico meus anos de 1979 até aqui. 1979 era o início porque foi quando entrei pra quinta série e começou minha puberdade.

Depois eu dava notas para cada ano… e com muita paciência fazia um gráfico. Bom, nesse fim de 2016 resolvi fazer isso… de 79 à 2016. Para cada ano me perguntei o que ele tinha de diferente para ter sido tão bom, e os anos ruins o que tinha acontecido para terem sido ruins.

Então percebi um padrão…. Temos períodos bons na vida quando nos JOGAMOS em algum projeto ainda que o mesmo possa falhar, a questão não é se vai ou não dar certo, a questão é se jogar, parar de ficar na teoria.

Hoje existe uma “moda” em várias esferas onde as pessoas costumam dizer: “Deus está no controle” ou  “Deus está no comando”. Creio que devemos sim colocar a espiritualidade em nossas decisões, mas, não querendo ser religioso,  mas apenas um observador…. veja a tempestade no mar onde os discípulos de Jesus estão apavorados e Jesus aparece sem cerimônias andando sobre as águas e ainda manda não terem medo!!!

Mas só um deles teve a petulância de dizer que se ele fosse mesmo Jesus desse a ordem para ir até ele…!!! Vejam: SE JOGAR!!!! E Pedro foi… O único  a andar sobre as águas!!!! Bom, afundou na metade mas isso é outro assunto. A questão, querido  leitor, é analisar sua vida e lembrar que no fim do ano você fez planos, pensou em mudanças, mas,  está paradinho no barco ou resolveu pular?

Tome decisões, faça, tente, mesmo com cautela,  mas tente. Ficar parado não resolve nada. Existe um mau hoje em dia que é planejar demais.

Como vivemos com medo de tantas coisas acabamos analisando tudo. De sexta evitar shopping por causa do “rolezinho”, supermercado ficamos observando quantas coisas tem no carrinho da frente para saber que caixa escolher, ao chegar no semáforo tentamos observar qual carro tem alguém lerdo para pararmos atrás de outro que parece mais rápido…. e assim 2016 já passou e estamos quase no carnaval de 2017, olhando pra fora, tentando administrar o tempo, tentando ver se alguém está se saindo melhor e porque “cargas dágua”, como dizia minha avó, essas pessoas estão se saindo bem.

Se você for mais cauteloso use técnicas. Eu gosto das usadas no filme “Quarto de guerra”. Devemos ter estratégias para tomar decisões. Mas não fique muito tempo pois a hora é agora.

Se jogue, com segurança, com certeza, com fé, mas lembre-se que a primeira vez que andamos de bicicleta ou demos as primeiras braçadas na piscina não sabíamos se íamos conseguir. Apenas TENTAMOS. Claro que você deve analisar prós e contras, mas não fique tempo demais olhando a velocidade dos carros ou as filas no supermercado. Faça a sua vida acontecer, apenas se jogue… .

Aliás, com sua licença, preciso me jogar… depois te conto se deu certo!!!!

“O medo bateu na porta, a fé foi atender, e não havia ninguém” Martin Luther King.

Renato B Sampaio – Belo Urbano, publicitário, cristão e um questionador da vida, sempre em busca da verdade. Signo de áries, fã de Jazz, Blues e Música gospel.

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Fala a verdade, não dá pra ficar calmo com mais nada? Será? Outro dia ouvi que: “criança agitada precisa correr descalço na grama”. Eu também acho que precisamos disso. Já parou pra pensar quando foi a última vez que você andou descalço num gramado? Não pense em bobeiras, que o gramado é sujo… etc. Aposto que quando criança você fez isso várias vezes e está aí, firme e forte. Então faça isso, sempre dá pra encontrar um gramadinho aí perto par andar sem sapato. Se for correr pelo gramado, dá uma olhada quem tá por perto, afinal tem gente que pode não entender. Mas com certeza você vai se sentir bem melhor.

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Jeff Keese – Belo Urbano, é arquiteto, produtor de exposições de arte, e durante 7 anos foi consultor do mapa das artes de São Paulo. O Kiabo é um personagem que criou na adolescência para dar conselhos para as mulheres, por isso os conselhos do Kiabo estão sendo divulgados no Belas Urbanas.

11026092_10206405136552613_5275513080117341131_n - renata lavras

Não tive muito tempo pra pensar no meu dia de hoje. Agora nesse transito me sobram alguns minutos de silêncio comigo mesma e resolvi dedicá-los a isso.

A nossa vida é muito frágil. Por pouco o que nos prende na rotina é a fé.

Fé no sentido mais amplo… Não só a tônica religiosa, mas muito mais a psíquica.

Nos vemos vivos por acreditar em tantas coisas que os pequenos abalos se diluem entre as mais diversas crenças.

Hoje eu descobri que a minha fé é mais elástica que o meu tempo. Porque o tempo emoldura o que a fé transborda.

Talvez o meu tempo seja breve pro mundo do jeito que eu vejo. Mas a minha crença no mundo é maior que o tempo que ele me dará dentro dele.

Hoje vivi mais um dia, pelo tempo, pela fé e por tudo que eu diariamente guardo em mim.

10958210_10205888085426658_4684666609892689174_n - Renata Lavras Maruca

Renata Lavras Maruca – Mulher, mãe, publicitária e cronistas nas horas de desespero. Especialista em marketing de conteúdo digital. Observadora do universo humano e suas correlações” intermundos”(reais e virtuais). Viciada em doces, gordinha por opção e encantada pela sedução inteligente. Prefere sempre vestir em palavras escritas tudo aquilo que reflete ou carece de análise. Resumindo: Complicada e perfeitinha