“Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez”; quem não conhece essa famosa canção que segue sendo hit até hoje? Um clássico atemporal frequentemente tocado em festas de final de ano, para muitos remete a um balanço do ano, a fechamento de ciclos a planos elaborados e conquistados, a outros postergados e aqueles que não se realizaram, ao mesmo tempo pode trazer um sentimento de urgência para o próximo ciclo, se não foi em 2020 então será em 2021, muitos questionamentos surgem: O que mudarei? O que eu quero de verdade? Vou tomar quais decisões? Certamente os finais de ciclo tradicionalmente são marcados pela dualidade do que foi e do que será, de tristezas e alegrias, independentemente das religiões e seus rituais e símbolos, as festas que encerram esse ano para muitos seguramente serão atípicas, desnecessário mencionar a razão.

Que seja esse o texto das saudades que sentimos de nos aglomerar sem máscara e sem receio, de sentir o cheirinho de nossos queridos bem de perto, de abraçá-los e beijá-los bem apertado como antes, de viajar para ver o mar em dezembro, de quando sentíamos medo de algumas coisas mas agora temos muito mais, de ter que controlar essa ansiedade desenfreada que as vezes sufoca o peito com pensamentos inconvenientes, que seja o texto também dos pequenos e grandes agradecimentos, em 2020 tantos tiveram perdas, muitas  irreparáveis e outras milhares de ínfimas perdas: pequenos confortos ,hábitos, agradáveis passatempos, em pouco tempo o mundo mudou e pouco se pôde fazer para conter essa cascata de desagradáveis novidades, conviver com a sensação de impotência, máscara, distanciamento e álcool gel viraram rotina obrigatória.

2020 têm sido um ano com muitos desafios, muitas perguntas sem respostas disponíveis e lógicas, muito sofrimento, ao mesmo tempo vimos generosidade, solidariedade, amor, esforço contínuo de profissionais de saúde extremamente dedicados, cientistas se superando em sua busca por conhecimento na luta contra o vírus, vimos o mundo lutando por um ideal comum e isso de alguma maneira faz com que apesar dos reveses tenha-se fé e esperança na humanidade e na vida, foi um ano de intensivo aprendizado.

Que nesse período que antecede o próximo ano, possamos escolher agradecer mais do que nos queixar, focar no que se tem e não na falta, agradecer cada minuto de vida com as nossas pessoas preferidas, respirar profundamente e seguir com fé independentemente da religião, buscar uma maneira mais tranquila de lidar com as incertezas e o caos ao redor, quer seja aromaterapia, meditação, yoga, leitura, cozinhar, terapia, ouvir música, voluntariar, escrita, observação de pássaros, flores, do mar, da lua e do sol, assistir séries e filmes favoritos, jardinagem e uma infinidade de opções, acima de tudo que possamos querer ter menos razão e mais ação, parar de achar que a esperança está apenas em uma vacina e abrir os olhos para a realidade e nosso comportamento do dia de hoje, da vida que acontece nesse minuto e fazer a nossa parte com responsabilidade, amar com intensidade, se possível doar, buscar a humildade em nossas interações com outros seres humanos, perdoar depressa, olhar mais nos olhos e menos nas telas e mais do que apenas querer ser feliz que possamos também querer que outros sejam felizes, que não nos esqueçamos que todos somos irmãos em nossas dores e falhas e que não importa quão diferente sejamos, estamos unidos em nossa humanidade, de acordo a pesquisadores da Universidade da Califórnia através da análise de DNA todos os seres humanos vivos na atualidade são descendentes da Eva mitocondrial que viveu na África a cerca de 200 mil anos, se tivermos essa consciência podemos assim tocar com delicadeza a vida do outro e assim quiçá o mundo se cure, se aprimore um pouquinho a cada dia no nosso microcosmo e assim reverbere no universo. Mais do que todos meus objetivos e planos para o próximo ano essa é a minha prece. Amém!

Um 2021 com muita vida e esperança para todos!

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Ter Fé é fazer parte de uma religião? Ter Fé é ir no culto ou na missa todo domingo? Ter Fé é doar o dízimo e obedecer a tudo o que a igreja pede? Se você concorda que sim, eu te digo que não! Ter Fé é acreditar na Força Suprema, ter Fé é acreditar em si próprio, acreditar que vai dar certo, porém muitas pessoas ainda confundem Fé com religião.

Eu tenho 23 anos, fui batizado e fiz primeira comunhão, fui criado como católico, mesmo minha família não tendo costume de frequentar muito a igreja. Porém, chegou um momento em minha vida, que percebi que não faço parte de nenhuma religião, por minha própria natureza. Sempre respeitei as pessoas que fazem parte de religiões, eu mesmo já estive presente em missas católicas, cultos evangélicos, centros espíritas e vejo que para algumas pessoas realmente isso é muito importante, como ex-dependentes químicos, pessoas em situação de extrema pobreza ou mesmo para pessoas que se sentem bem em frequentar esses ambientes.

Muitos vão me perguntar: Bruno, por que você prefere não frequentar igreja, você é ateu? Não, eu não sou ateu, eu acredito e sempre acreditei em Deus, em uma força superior, sempre tive a Fé presente em minha vida, creio na Força Suprema, mas não tenho Fé em igrejas, nem em religiões, mas por quê? Porque eu ainda vejo muita, muita hipocrisia e preconceito nessas religiões, ao mesmo tempo que o papel delas seria de unir as pessoas e pregar a paz, eu vejo pessoas de uma religião unidas, porém quem esta do lado de fora, ou pertence a outras religiões, tem o dedo apontado para elas, o que gera brigas, revoltas, intolerância e guerras.

Jesus pregava a paz e dizia “ame o próximo como a ti mesmo”, Maomé, Buda e tantos outros profetas de diversas religiões pregavam a paz e o amor, porém as religiões interpretam de outras formas, criando guerras e causando mortes.

Na história da humanidade o que mais gerou guerras foram as religiões, bilhões de pessoas já mataram e morreram em nome de religiões, e muitos vāo dizer: “mas isso foi no passado, hoje em dia já não vemos guerras de religiões” na América TALVEZ não (somente o preconceito…), mas no Oriente Médio essas guerras acontecem diariamente e nunca deixaram de existir. O ano é 2020 e diariamente muitas pessoas ainda sofrem com as guerras geradas pelas religiões.

Até hoje, temos tantas pessoas que usam a religião para enriquecer, se passando por profetas, acumulando dinheiro, comprando mansões fora do país, com o dinheiro de pessoas que ainda passam necessidades, que gastam metade ou mais do salário com a doação de dízimos, e pela falta de estudos muitas vezes não percebem este “roubo” que sofrem, a falta que esse dinheiro do dízimo vai fazer em casa, na mesa.

Estes são alguns dos motivos pelos quais eu prefiro ter Fé na Força Suprema, Fé na vida, do que ter Fé em religiões, e vocês o que pensam sobre esse assunto ?

Bruno de Andrade Nogueira – Belo Urbano. Estudante de jornalismo. Curte fazer acadêmia e tem como lema a frase “nós não somos iluminados, nós iluminamos”

Cansada, à beira da exaustão mental, ela olhou para seu santuário na cabeceira da cama. Imagens de Santo Antônio com o Menino Jesus no colo, Nossa Senhora de Aparecida, São Jorge, São Longuinho, Nossa Senhora Fátima, Cosme e Damião, o Cristo Redentor de braços abertos, Ganesha e Ibeji! Sincretismo puro!

Nada acalmou seu coração. Tempos difíceis esses. Tempo complicado de se entender os porquês. Como Deus leva uma criança acometida por uma doença cruel? Como Ele vê as mazelas desse mundo e não faz nada? Ahhhh faz! Mulher de pouca fé!

Independentemente da sua crença, saiba que tem gente no comando da nave. Por mais que você não entenda naquele exato momento o caminho que ela está percorrendo, saiba é o melhor.

O mesmo comandante que te fez duvidar de Sua bondade, colocou em sua vida, dias depois, pessoas que vieram ensinar a perseverança, o amor e a restauração da fé na humanidade. Porque sim, em meio a tantas coisas e notícias desfavoráveis é possível se acalentar com uma história de vida, contada com lágrimas nos olhos e uma reconfortante xícara de café!

Ah, mulher de pouca fé! As imagens na cabeceira da cama estão para te lembrar o tempo todo que HÁ comando, há perdas e há vitórias! E principalmente, há porquês, por mais que você ainda não esteja pronta para entender. Então, faça sua oração, agradeça e viva, mesmo sem ter todas as respostas.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Quando a epidemia do Covid-19 virou pandemia, uma de minhas filhas me perguntou o que era isso e eu como sempre fui ao dicionário buscar primeiro o significado da palavra para começar a explicar a ela, ao ler, fui me dando conta da amplitude de significados para nossa vida aqui no Brasil, com tantas notícias sobre o Corona vírus já sabíamos que outras nações estavam sofrendo seus efeitos de maneiras devastadoras porém era lá, não aqui, não ainda; os dias foram passando e as mudanças para nós aqui começaram, as escolas fecharam, todos os dias uma nova providência a ser tomada, o clube fechou, os parques públicos fecharam, os shoppings vão fechar, a instrução é o isolamento social, as crianças estão sem aula desde o dia 16/03 e ainda no fim de semana uma amiga da minha filha veio dormir aqui em casa e depois no domingo foi a vez da minha filha dormir na casa dela, na segunda-feira já começamos a entender melhor o quê significa isolamento social, portanto expliquei para minhas filhas que não estavam de férias e não era feriado forçado, que as amigas não poderiam mais vir em nossa casa e nem elas saírem para a casa das amigas, as coisas têm acontecido muito rápido, fui ao supermercado bem cedo ontem e encontro filas e filas quando antes no mesmo horário estava vazio, o álcool gel sumiu das prateleiras, apenas alguns dias antes comprei 500ml por R$ 13,00 e agora após muito procurar encontrei em uma farmácia 200ml por R$ 20,00, fui ao hortifruti e não tinha batata, e nem para repor, nunca vi isso em todos esses anos que frequento esse lugar, vi pessoas com máscara e pessoas se afastando das outras, obviamente seguindo as instruções para evitar o contágio, vi medo em meu olhar, vi medo do olhar dos outros.

Ao ouvir um áudio da irmã de uma amiga que vive na Itália, tive um momento de pânico, ela descrevia um cenário de guerra que só vi em filmes até hoje e não era uma notícia falsa, não era filme, o marido dela têm que preencher um formulário e entregar em um posto policial todos os dias quando sai para trabalhar pois todos estão isolados e precisam de autorização para sair de casa, o supermercado recebe apenas 5 pessoas por vez e os outros fazem filas do lado de fora, todos de máscaras e luvas, chegam a esperar duas horas para entrar, durante esses últimos três dias tenho tentado respirar conscientemente várias vezes ao dia para controlar os pensamentos em minha cabeça, sou duas o tempo todo: uma que faz suas atividades normalmente, cozinha, paga contas, limpa a casa, conversa com marido e filhas, cumpre sua rotina de isolamento imposto e a outra que percebe como um vírus parou o mundo e se desespera ao pensar nos desdobramentos, nos efeitos a curto e longo prazo na economia mundial,  as empresas que não resistirão ao impacto disso, as agências de viagem que vão falir, os pequenos empresários que demitem funcionários diariamente, os restaurantes que irão fechar, enfim, um efeito dominó que pela primeira vez em minha vida sou testemunha e tento manter minha sanidade mental para não transmitir esse sentimento às minhas filhas para fingir que apesar da nossa vida ter mudado tanto, tudo está bem quando sei que não, nada está bem, é um momento de pouco controle e por isso sei que é imprescindível manter a sanidade mental, buscar a qualquer custo a serenidade, cada um à sua maneira e fazer a minha parte, cumprir as regras de higiene e de isolamento social dentro do possível e ter esperança em dias melhores, ter fé que algo há a aprender em toda e qualquer situação e seguir adiante por mais um dia, tentar focar em tudo o que posso ser grata em cada dia e não sair como uma louca para buscar papel higiênico e álcool gel em todos os supermercados que encontrar.

Percebo quão frágil podemos nos tornar perante a um vírus, perante a tragédia, percebo como a falta de controle sobre uma situação nos desestabiliza e percebo também a força que temos quando nos agrupamos todos com o mesmo objetivo, outras nações provaram isso como Taiwan, que foram eficientes em controlar o vírus, cada um fazendo um esforço individual, nunca vi uma situação de isolamento se tornar o elo de união entre as pessoas, todos combatendo um vírus e essa lição é a que quero manter em minhas experiências, quero crer que o velho clichê funciona sim, que juntos somos mais fortes, o ser humano precisa de outro para viver, ser feliz e prosperar, isolados sim, sozinhos nunca. Tenho fé que sairemos fortalecidos dessa situação extrema, isso também é aceitar a dádiva de estarmos vivos, aceitar os altos e baixos e fortalecer nossa resiliência.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

O que me encanta em alguém…

Encanta-me o simples, os pequenos gestos, o olhar sem preconceitos, sem “dedos apontados”, sem críticas infundadas…

Encanta-me o jeito diferente de ser, o que agrega, o que ensina, mas também o que aprende, apreende e transforma.

Encanta-me o olhar que acalma, a mão que acaricia e ergue do chão.

Encanta-me a perseverança, a intuição, a convicção flexível, a possibilidade de diálogo, a busca.

Encanta-me a fé, que não precisa ter nome, religião ou dogma, mas sim a força que impulsiona e faz seguir.

Encanta-me a empatia, o se colocar no lugar do outro, o altruísmo, a gratidão, a afetividade, o bem-querer e, acima de tudo, o respeito!

Um dia desses fiquei pensando na minha idade e na tal “maturidade”. No dicionário ela é condição de plenitude em arte, saber ou habilidade adquirida. É também “termo último do desenvolvimento.”

Ela chega e é para ficar. Chega muito rápido! As pessoas culpam o tempo dizendo que ele é cruel, mas eu descobri muita coisa boa que essa maturidade nos dá. Muito mais prazeres do que pensamos! Lembranças das experiências vividas; histórias e mais histórias, para contar e relembrar; o prazer de ouvir o netinho te chamar de vovó; o prazer de ver os filhos seguindo sua vida e ter a amizade deles; um delicioso sentimento de leveza e sabedoria; segurança para enfrentar os medos; e muito mais fé.

Foi com a chegada da maturIDADE que pude desfrutar de muitas coisas boas. Me peguei outro dia pensando nem saber mais o que mais  desejar da vida…..O que ainda não fiz? O que mais posso querer? O que preciso?

Com ela dei mais valor as pessoas do que as coisas; mais valor a saúde do que a aparência; mais valor aos passeios do que ao dinheiro guardado;
Ah Maturidade! Você é muito boa para quem consegue te encontrar. E quem não consegue é porque já morreu ou não atingiu o “termo último do desenvolvimento. “Que venha 5.4!”


Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria“

Outro dia fui à feira comprar algumas coisas para fazer um creme de abóbora. Eu tinha até levando uma lista: abóbora, alho poró, gengibre e salsinha…de repente, um vendedor me abordou e me ofereceu tomates. Sim, tomates maduros, saborosos, recém colhidos, foi o que ele me apregoou.

Pensei: não preciso de tomates, mas estão tão bonitos e o vendedor me parece tão certo das qualidades do produto…quer saber? Vou levar os tomates!

Cheguei em casa já cheia de expectativas sobre o molho maravilhoso que faria e lá fui eu para a cozinha.

Abri o primeiro tomate e… podre! O segundo, a mesma coisa. O terceiro, o quarto…o lote quase inteiro sem condições de uso. Comecei a me questionar: nossa, mas estavam tão bonitos e o vendedor tão certo sobre suas qualidades. E dinheiro que gastei? O que vou fazer?

Me apeguei a ideia do tal molho, naquilo que ia perder é quase esqueci dos ingredientes que tinha comprado para a sopa.

Mas não tinha o que fazer, eu tinha sido enganada pelo bom papo do vendedor e pela aparência do produto. Num momento de frustração pensei: nunca mais compro tomates!

Me desapeguei da ideia do molho, me lembrei dos outros ingredientes que eu tinha na geladeira e fiz uma deliciosa sopa que apreciei imensamente.

E o tomate? Na semana seguinte voltei a comprá-los e fiz um belo molho. Porque não seria um vendedor enganador ou um lote podre que me fariam deixar de acreditar nas possibilidades desse ingrediente maravilhoso.

Assim como na cozinha, é na vida…

Quantas vezes a gente não foi enganada por pessoas ou situações que se apresentaram promissoras, mas no fim eram apenas “tomates podres”? Tenho certeza que todos nós já passamos por isso…mas é preciso acreditar que são situações isoladas e que valerá a pena abrir mão dos apegos, das mágoas e seguir em frente acreditando que existem outras pessoas, outras situações possíveis e que, se você não desistir, você poderá experimentar o melhor “molho” da sua vida!

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr que fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

 

Este ano, vou eleger o pé de umbu como minha árvore de natal. Não que não goste do pinheiro, mas frente às suas histórias, o pé de umbu me cativa.

No sul do Brasil, reza a lenda que quando Deus criou o mundo, havia uma fila de árvores rogando, cada qual um fruto mais frondoso que a outra. A amoreira, pedia o fruto mais doce e saboroso. A laranjeira um fruto grande, belo e suculento. A parreira uma fruta inebriante e mística.

Enquanto isso o umbuzeiro, sábio e humildemente, pedia apenas folhas largas para uma confortável sombra e um tronco frágil, para que nunca sua madeira fosse usada como arma ou madeira de Cruz. Ganhou sim um tronco seco, porém caudaloso de água para os que passam com sede e frutos redondos e adocicados. Tornou-se refúgio dos que mais precisam de alimento para a jornada.

No nordeste não é lenda, é fato: Euclides da Cunha, em Os Sertões registrou, admirado com a resistência do sertanejo diante da adversidades, que o pé de umbu era “Árvore Sagrada do Sertão”, pois no inverno, é desfolhada e seca, fica praticamente morta, ressurgindo logo na primavera, altiva, cheia de flores, mostrando sua força e grandeza.

Por essas e outras o pinheiro, esse ano, abre espaço ao umbuzeiro. E sabendo que não consigo trazer um exemplar para minha sala, farei do país o meu quintal, com firme desejo de que esse natal traga a mesma força, resistência, altivez, sabedoria e humildade do pé de umbu, e que tais valores se estendam não apenas ao novo ano, mas sempre em nossas vidas!

Segue um poema que fiz anos atrás sobre nosso protagonista.

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O imenso pé de umbu nos mostra, ensina
Como ser e agir, ter perseverança
Pois mesmo com a ação do tempo
Do desastre, do mal ou da vingança
Mesmo preta de queimada, alagada
Cortada assim, renasce fé, amor, esperança
Sem mesmo mostrar um mero verde
Sem ter chance enfim, viravolta, criança
Frondosa lição de vida, superação, pujança

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Tem dias em que o ‘dia’ na escola não é muito simples…

Não dá pra dizer que o dia é pesado porque dentro desse mesmo dia coexistem situações de ‘desespero’ e esperança… então é desnecessário rotular assim.

Estar entre as crianças é uma das coisas que mais fazem sentido pra mim. Com e apesar de todas as questões que enfrentamos. Com e por todos os momentos especiais que vivenciamos.

Muitas profissões são difíceis, complicadas, dolorosas, talvez seja aquela velha história do ônus e do bônus de todas as situações. Que fique claro que respeito e admiro todas elas.

Mas hoje, eu queria deixar mais claro ainda o quando eu admiro as minhas colegas professoras (‘os’ também, mas somos a maioria garotas!). O quanto eu admiro e o quanto estar lá também faz sentido por elas existirem, por estar lá também com elas. O quanto eu admiro a maneira como a gente pode olhar uma pra outra com respeito e compreensão… o quanto eu admiro a maneira como a gente pode perceber a dor, ou o desespero, ou a angústia, ou que seja um simples nó e de alguma maneira ‘tornar’ aquele nó também nosso.

Porque nesse momento, em que essa angústia é partilhada, de alguma forma a esperança se refaz, ainda que por vezes, nem se vislumbre solução. Nesse momento, em que a gente divide o que está pesado, de alguma forma talvez a gente se lembre dos outros momentos que fazem tanto sentido, dos outros momentos que sustentam o nosso fazer diário, a nossa crença diante de condições tão delicadas e muitas vezes desfavoráveis.

E aí que a gente talvez perceba a nossa humanidade da forma mais concreta, junto com toda limitação, mas também com toda a nossa força.

Michelle Felippe – Bela Urbana, professora por convicção e teimosa. Apaixonada por doces, cinema, poesia urbana e astrologia. Acredita que ainda vai aprender a levar a vida com a mesma leveza e impetuosidade das crianças.

A morte dói. Dói para quem fica. Dói quando vem inesperada. Dói quando é esperada também. Dói em qualquer idade.

A morte é um soco na alma de quem fica. É ruína. É um presta atenção, uma reflexão de quem fica sobre quem vai. Não importa mais para quem vai quando já foi.

O tal do “nunca mais” é tempo demais. A certeza da eternidade da alma que vai, não temos. Podemos ter fé, crença, certeza não.

Certeza temos do que fica por aqui. A alma que vai, deixa. Deixa sua história, seus pensamentos, legados. Deixa saudades, alegrias, tristezas, ensinamentos, lamentos, raiva, amor, amizade. Continua viva na lembrança de quem a conheceu.

Quando pensamos na morte, pensamos na vida, na nossa vida e aí vem todos esses questionamentos. Quem é você para cada vida que convive? Para algumas vidas está entre os personagens principais. Para outros pode ser um personagem menor. Em outros casos pode ainda ter aquela participação especial. Para bilhões de vidas, um nada.

Vem a tona a questão: Será que exerço o meu melhor papel em cada vida que convivo? Não importa o tamanho, a questão é: exerço esse papel com a minha coerência ou sou um blefe de mim mesmo?

Não escolhemos o papel, mas escolhemos como vivê-lo. Como aqui estamos falando da vida de verdade, estamos falando de nós mesmos. Vivo como quero? Faço o que acredito?

Muitas pessoas passam pela nossa vida das mais diversas formas. Nunca seremos iguais para todos, e acredite, tem que ser assim.

Alguns vão te amar, te admirar, vão querer ser como você, alguns vão gostar da sua companhia, outros vão estar loucos para te ver longe, te chamarão de pedante, te acharão engraçado, falso, depressivo, coração mole, firme, trabalhador, sonhador, chato, alegre.

A única coisa que importa é ser quem se quer ser. A tal da coerência com você mesmo. Se o outro vai entender não é certeza, mas as chances para isso são muito maiores e consequentemente as relações são verdadeiras e intensas.

Pessoas blefe não vivem bem e não sobrevivem por muito tempo na memória de ninguém.

Já que a vida é finita, como você escolhe viver os seus papéis?

Eu escolho as ruínas da minha memória. Eu escolho ser de verdade.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

FOTO – @gilguzzo do arcervo do O FOTOGRAFICO  www.ofotografico.com.br © Gil Guzzo – Proibida qualquer tipo de reprodução das imagens sem autorização. Imagens protegidas pela Lei do Direito Autoral Nº 9.610 de 19/02/19