Eu estive presa a rótulos que me fizeram engolir à seco.
Eu estive à deriva demais, vulnerável demais. Me olhando no espelho e não me vendo.
Perdi as contas de quantas vezes achei que não seria capaz, as vezes que me calei.
Estive enclausurada este tempo todo ansiando por liberdade.
Agarrada a estereótipos que me colocavam, dando certeza a todos.
Mas eu mudei.
Não há mais nada que se possa fazer no fundo do poço à não ser tomar impulso para voar mais alto.
Estou aqui e agora já não há mais o que dizer pra mim.
Aquela menina que se calava e cedia, deu lugar pra essa mulher decidida ficar.
E há quem diga que no final do dia, sem maquiagem, roupa surrada e com o prato na mão não somos tudo isso e nem adianta negar.
Pra opinião desnecessária eu digo que o que basta é no final do dia, depois de toda correria eu ainda me achar gostosa e linda sem precisar me importar.

Eu não preciso que me digam.
Eu sei e isso basta.

 

 

 

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

E não é que guerreiras também desabam?

Desabar na frente dos amigos pode ser algo corriqueiro, principalmente quando falamos de amor ou falta de dinheiro. Mas o tema hoje não é esse, aqui o assunto foi: mostrar-se humana pra um ser “humaninho” de apenas 6 anos de idade.

Mães são humanas?

Muitas coisas nos assombram à noite antes de dormir. Aquele momento em que temos de esvaziar a mente é justamente o momento em  que o pequeno incorpora super-heróis mirabolantes, que não param de se mover e criar estórias e ações.

Mas voltando, à questão: – Mães são humanas?

Fomos educadas e orientadas ao longo de nossos primeiros anos de vida a pensar num ciclo: crescer, namorar, noivar, casar e ter filhos. Pronto! Linda família feliz se formou! Mas de repente a família feliz “Família Margarina” aquela dos comercias perfeitos, se dissolve. O que restou? Para a sociedade: uma mãe e um filho. E isso é tudo. Nada sobre o que significa a união destes dois seres que são o argumento de muitas outras visões não vistas e não sentidas pela sociedade.

Restou apenas isso? E a vida cotidiana? E a vida particular? Os duelos? Aquela mãe é também mulher e também o chefe da família. Deve ser provedora, dócil, enérgica, responsável, assertiva e sobretudo: eficiente. Competentíssima!

Nos intervalos do dia a dia às vezes ouvimos: – Você está linda! Nossa como você está diferente depois da separação! Está realizada como mulher!? E logo pensamos: como mulher, no sentido mulher bonita e independente, sim! Mas e quando essa mulher independente e “guerreira” também pede colo? Também chora. Temos esse direito?

Dia desses, depois de uma jornada tripla, entre sair da sala de aula e pegar meu filhote para encerrar mais um dia, coloco a cabeça pra fora da janela do carro e vejo uma Lua cheia! A observo por alguns segundos…pare!

Tarefas me chamam! Dar banho, escovar os dentes, conferir o caderno da escolinha, separar roupas sujas… As mães são assim… Ágeis como formigas em busca de comida. Como conseguem ser tão rápidas? Não tenho ideia! Não consigo pensar nisso agora, porque depois que dei banho no meu filho vejo um ser “humaninho” de pijama com as duas mãos semiabertas dizendo: – Mãe, mãe! Olha o que trouxe hoje!

Vejo duas mãozinhas firmes segurando carapaças de cigarras. Desta vez ele pegou muitas, mais de cinco! – Hora de dormir filho, amanhã vemos isso! Exausta, e quando achava que já estava liberada para espiar mais uma vez a Lua cheia na janela, meu filho me pede para explicar por que as cigarras cantam. Mãe, mãe, porque elas ficam assim? Meu pequeno quer encantar sua mãe, quer a presença dela para lhe levar ao sono. Sim! Ele tem apenas 6 anos, ele precisa de mim!

São 23h30. Quando deitei ao lado dele, vieram as lágrimas. Desabei! Segurei ao máximo, mas essa “maldita” arte de ser intensa não me deixa e para não chorar em frente ao meu “super-herói” mixei o choro frustrado com o sorriso triste, gesto típico de uma mulher que (cresceu, aprendeu e amou)  e teve de aprender a “cicatrizar” rápido (como me disse uma amiga), ao ter de lidar com sentimentos fortes, com a emoção de amar e ser amada, mas também de experimentar o gosto do não-amor. Existe isso?!

– Mamãe você está chorando? Por que? Fala pra mim. Dizia ele acariciando meu rosto.

Desabei…e aos prantos:

– Filho, sim estou chorando! Por muitos motivos. Porque sua mãe hoje é também uma mulher que sofre de amor, que erra, que sofre por não conseguir melhores condições financeiras, por não conseguir ser “competentíssima” como mãe, por não ter lhe dado a melhor escola que desejava, que sentiu muitas pressões e opressões do mercado de trabalho, mas que acima de tudo é a sua mãe guerreira que acorda todos os dias em busca de apenas três letras: PAZ.

Somos também as mulheres que desabam, que choram e que desejam proteção, amor e sonhos para os nossos filhos.

Que todas as mães possam simplesmente serem verdadeiras consigo mesmas. Somos mães, mulheres e acima de tudo, humanas.

Cris Saad – Bela Urbana, professora universitária, publicitária, fã do vento, da lua e do acaso. Apaixonada por música e dança, enfim apaixonada pela liberdade, pela loucura do movimento e o gozo do encontro.

Aos 10 eu achava a Sandy um mulherão. Meiga, delicada e independente.

Aos 15 meu ícone era Jennifer Lopes. Corpão, bundão, silhueta enxuta e independente.

Aos 20 eu queria ser Madonna. Atrevida, sem papas na língua e desprendida de tudo e de todos.

Aos 25 meu padrão era Beyoncé. Linda, poderosa, corpo pra botar qualquer fitness no chinelo, sonho dos homens e admiração das mulheres. Era a própria Miss Independent.

Aos 30 eu descobri que o mulherão que eu sempre quis ser era eu mesma. Levando porrada da vida e levantando de novo.

Pegando no tranco, sem dar moral pra otário.

Batendo de frente e enfrentando os leões com uma vida nos braços.

Aos 30 eu decidi que o Mulherão que a gente sempre idealiza mora lá no fundo da alma, muitas vezes gritando pra sair e se calando por medo de outros.

Aos 30 eu não conquistei nem metade do que eu sonhei, mas já estou realizada em todos os âmbitos porque eu sei que isso só depende de mim.

Independência é o nome da liberdade que quis pra mim. Eu sei que sou o tipo de mulher que 98% das pessoas não gostam ou não sabem gostar. Bato de frente e não tenho medo de me machucar.

Se cair levanto, se ferir saro.

Não tenho medo, não me calo.

Não tenho vocação pra ser vítima, porque eu aprendi que meu lugar é no pódio.

Eu sou o mulherão que eu idealizei e não preciso que me digam.

Eu sei e isso basta.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Sou daquele tipo de chata que se importa com os outros. Aquele tipo de pessoa que está passando por algum problema mas não demonstra porque um amigo está precisando dela, sabe?

Aquele tipo de pessoa que tem como lema “o que não me mata me deixa mais forte” e que está cansada de ser sempre forte mas se mantém forte pelos outros. Aquela que sempre tem os melhores conselhos e nem sabe de onde tirou, e pior: que serviria muito bem para própria vida mas não os usa.

Aquela que está bem quando o outro está bem. Aquela que vê simplicidade em tudo, abomina materialidade mas que guarda a pedrinha que ganhou do sobrinho – aquela pedra que ele achou na rua mas te deu com um sorrisão no rosto. Sou mais do que esse tipo de pessoa.  Sou esse tipo de mulher.

Aquela que urra contra o destino, que muda o futuro, que quebra barreiras de egos exagerados, que dá tapas em olhares preconceituosos, que amamenta o filho no meio da rua e que se mantém firme quando o mesmo faz um escândalo no mercado.

Aquela que usa mini saia e se sente bem e se defende das cantadas maliciosas no meio da rua. Aquela tem a coragem de ser uma das poucas mulheres a pilotar um avião ou entrar para o exército.

Sou aquela que decidiu ser mãe e aquela que preferiu não ser. Aquela que sonha em casar de vestido branco e aquela que “solteira sim, sozinha nunca”. Aquela que não se importa em usar 48 e aquela que faz academia 7 vezes por semana.

Sou aquela que trabalha fora o dia todo e sou “a dona de casa”. Sou aquela que cuida dos netos e dos sobrinhos se precisar.

Aquela que você pode se apoiar nas horas difíceis e aquela que você pode chamar para um bar. Aquela que você vai lembrar e agradecer por ter por perto.

Sou aquela forte que nem sempre gostaria de ser.

Sou tudo isso e sou muito mais que tudo isso.

Eu sou ela.

 

Natália Frizoni – Bela urbana, viveu nas nuvens durante anos e agora em terra firme. Adora livros. O Cabernet Sauvignon é sempre o escolhido. Aprecia a sua própria companhia e sai sozinha sempre que tem vontade. Tecido acrobático e escalada como esportes. Liberdade como lema.

 

Comemora-se o Dia Internacional da Mulher em 8 de março por causa de um episódio histórico. Nesse mesmo dia em 1911 as funcionárias de uma fábrica da Triangle Shirtwaist Company em Nova York, nos Estados Unidos, entraram em greve reivindicando melhores condições de trabalho. Elas pediam uma jornada de trabalho menor (de 16 para 10 horas diárias), que seus salários fossem iguais aos dos homens e melhor tratamento no ambiente de trabalho.

E o que aconteceu?

Ainda que não exista consenso sobre o que de fato ocorreu, sabe-se que no dia 25 de março houve um incêndio na fábrica, do qual nem todos os operários escaparam. A maioria dos 600 trabalhadores conseguiu sair da fábrica, mas 146, sendo 125 mulheres, morreram.

Quando esse dia passou a ser o Dia da Mulher?

Só em 1977, quando a ONU declarou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, para homenagear as lutas feministas por igualdade, justiça e respeito. Desde o começo do século XX, no entanto, movimentos sociais já vinham promovendo datas internacionais de debate sobre os direitos das mulheres. Um dos mais conhecidos aconteceu em 1911 em Copenhague, na Dinamarca, quando um encontro realizado no dia 19 de março discutiu igualdade de gêneros, sufrágio feminino e outras questões envolvendo direitos das mulheres.

Isso já faz muito tempo. Ainda precisamos desse dia?

Sim. Segundo a Organização das Nações Unidas, o salário das mulheres ainda é 27% menor dos que o dos homens que ocupam a mesma função. Isso vale para o mundo de maneira geral. A proporção de mulheres que ficam e casa e cuidam de afazeres domésticos não remunerados é duas vezes e meia maior do que a de homens.

Celebrado pelo 40º ano consecutivo, o Dia Internacional da Mulher é uma data para comemorar os feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher e fazer uma reflexão dos avanços que ainda são necessários. Em 1975, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.

A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na virada do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão econômica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.

Muitos outros protestos se seguiram nos anos seguintes ao episódio de 8 de Março, destacando-se em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução de horário, melhores salários e o direito ao voto. Assim, o primeiro Dia Internacional da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América após uma declaração do Partido Socialista da América.

Conferência estabelece data.

Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido. No ano seguinte, esse dia foi celebrado por mais de um milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, no dia 19 de Março. No entanto, logo depois, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 140 costureiras; o número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Além disto, ocorreram também manifestações pela Paz em toda a Europa nas vésperas da Primeira Guerra Mundial.

No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas esmoreceu. Foi revitalizado pelo feminismo na década de 1960. (Fonte: Wikipédia)

Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

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Gloss, RG, chicletes, um troco e você.

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Gloss, batons de todas as cores, lápis delineador, rímel, protetor solar, RG, documentos, óculos de sol e óculos de grau, celular, cartão do plano de saúde, cartões de créditos, pílula, absorventes, remédios para dores em geral, lixa de unha, pinças, vitaminas, lenços umedecidos, água termal, chicletes, chocolates, perfume, dinheiro, moedas, agenda, bloco de notas, 13 canetas, elásticos de cabelo, piranhas, bijuterias, papeizinhos, amostra de perfume, talão de cheque, notas fiscais, agulha e linha, pendrive, poesia solta, desenhos dos filhos, pocket books, creme para as mãos e você.

A Bolsa da mulher é viva, orgânica e descontrolada. Conforme crescemos a bolsa também ganha”hormônios” e vai se transformando num pequeno monstrinho adorável que orbita no nosso eixo.

Pequena, média ou maxi, ela parece ser uma extensão de nós mesmas, como pequenos jabutis e caramujos e encontramos nela (quase) tudo que precisamos. “Mãe, me da uma caneta?” “Desceu pra mim…” “Tem o telefone daquele medico?” “Acho que deixei na outra bolsa…”

Verdade incontestável: Toda mulher adora uma bolsa nova.

Se um dia, você escapar da morte e desembocar numa ilha primitiva e deserta, não reze pelos aviões e sim para que venha boiando uma bolsa feminina na sua direção. Certeza que vai se der bem (pelo menos até os nativos não te acharem).

Todo esse texto é pra dizer que sim, a bolsa tem uma importância absoluta para nós que desde fase tenra vamos escolher a mochila do ano letivo, mas, bom mesmo é depois de adulta, largar toda a parafernália e sair sem lenço e sem documento.

Só você.

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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

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É tarde

dizem que não

mas que é

Depois das onze

falta pouco para meia noite

Meia hora?

O que é meia hora agora?

É tarde

bem tarde

não da mais tempo

Meia noite

as carruagens viram abóboras

os morcegos estão a solta

e você que ficou lavando as janelas

guarda agora o sabão em pó

e dorme só

Mas é melhor que perder os sapatos

cortar os pés (de tanto correr)

ou parar presa dentro da abóbora (a meia noite)

em uma festa qualquer de halloween (rodeada de monstros)

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

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Acho que não sou exceção nesse universo feminino, não sou diferente de ninguém, não sou especial a ponto de ser caso único. Mas, às vezes, acho que colocar no papel (ou na atmosfera digital) faz bem.

Sou como tantas outras da minha geração… A chamada geração Y. Optei (será?) por não casar, não ter filhos (sonho que ainda tenho recorrentemente) e focar no trabalho. Fiz essas escolhas de maneira quase automática. Ou melhor, costumo querer acreditar que as fiz. Pois, assim como muitos da minha geração, tenho o desejo e a falsa sensação de que tenho algum controle sobre coisas que me acontecem. Mas juro que chego a ter certeza em momentos, que não escolhi nada, que a vida me levou a isso e eu acatei e convivo com isso no meu melhor.

Sou extremamente realizada na minha vida de jornalista. Trabalho com dois extremos, política e assessoria de imprensa coorportativa, vivo em cada uma dessas pontas sensações divergentes. O mundo coorporativo ainda me intriga com algumas regras, que às vezes me passam desapercebidas. O mundo da política me lembra, que apesar dos mais de 10 anos nele, ainda sou um bebê.

São tão diferentes entre si. Distâncias gigantescas e outras tão sutis. A roupa que vou usar, a seriedade que tenho que passar, os gritos que tenho que dar, porque, apesar de estarmos em 2016, eu ainda sou vista como uma menina e o que uma menina poderia acrescentar num mundo de “macacos velhos”? Daí, o grito. Absurdo, mas assim eu fui galgando espaço num mundo tão masculino. Hoje grito menos, mas me lembro diariamente do quanto já fiquei rouca.

Fora isso, ainda quero ser a melhor amiga, a melhor irmã, a melhor filha, a melhor tia, a melhor namorada. Mas às vezes não consigo nem me organizar para dizer um “alô” para quem eu amo. Coloco a culpa no trabalho, mas não aceito de coração quando essa desculpa vem pelo outro lado, pelo “sumiço” dos outros.

Sofro com crises de sincericídio, de ciúme, de consciência. Mas que mulher não é assim? Me pergunto isso todos os dias. Sou geminiana e brinco comigo mesma: quem está aqui hoje é a gêmea má ou a boa? Surto… às vezes internamente, às vezes para o mundo ouvir.

Choro em propagandas de margarina, mas escolhi minha profissão ao ver uma matéria na TV de uma guerra. Queria estar ali no meio do bombardeio. Loucura? Não sei. Nunca fui para a guerra. Não a da TV. Mas tenho a sensação de viver em uma constantemente. Guerra para ser aceita (quem precisa disso? Eu juro que eu), para ser ouvida, para manter o respeito que conquistei, para não faltar no pilates, para amar em paz… Talvez guerra seja uma palavra forte. Troquemos por desafios. As palavras insistem em me ludibriar, por mais que eu trabalhe com elas.

Fico imaginando nos desafios que a geração das minhas avós teve que passar, nos da minha mãe, nos que virão para a minha sobrinha (quem sabe minha filha…) O mundo está girando e não dá para querer pará-lo com as mãos. Só não sei se corro a favor ou contra. E você, corre como? Ou simplesmente acompanha o movimento?

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Marina Prado – Bela Urbana recém chegada. Jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

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Escolhi não ir ontem a nenhuma passeata. Sim, é bonito ver as ruas tomadas, cheias de pessoas que protestam, sim é bonito ver, mas… mas como aprendi que temos que questionar tudo, faço cada vez mais perguntas e se não encontro às respostas que me convençam a fazer algo, opto por não fazer e por isso optei por não ir.

Meus motivos? Acho muita ingenuidade não ver que existem grupos que financiam a divulgação desse movimento. A estratégia de comunicação foi muito bem feita, posso falar com propriedade disso, pois esse é o meu negócio, trabalho com estratégias de comunicação. Ainda nessa questão, tudo custa, nada é de graça, criar vídeos custam, colocar carros de som nas passeatas custam, bonecos infláveis gigantes custam. Então, eu penso aqui com meus botões, não acredito que “ninguém” faça isso sem nenhum interesse. Pois é, eu que sempre fui tão idealista, não acredito mais, é uma pena, mas foi isso mesmo que esses políticos e partidos me roubaram, a ingenuidade de crer que isso vai mudar.

Outro ponto que embasou minha decisão é porque não preciso provar nada para ninguém. Faço meu trabalho no dia a dia, pago minhas contas honestamente, sempre trabalhei e tudo na minha vida veio do resultado dele. Então, não preciso provar nada para ninguém e nem sair bem na foto do facebook dizendo que sou engajada e estive lá.

Sim , eu sou engajada em várias questões, hoje em especial, me interesso muito em divulgar e trazer questionamentos do universo feminino. Feminista? Sim sou, apesar de que muitos, ainda hoje, não sabem e não entendem o que é ser isso, mas se tem uma causa hoje que abraço em primeiro plano é essa e o blog Belas Urbanas veio para isso.

Deixo claro aqui que não sou a favor do PT, mas também não sou do PSDB e dos outros. Se a campanha para irmos para as ruas fosse algo para mudarmos todos os nossos políticos e sistemas de governança que hoje imperam, eu estaria disposta a participar e talvez fosse algo que me motivasse como um fio de esperança nesse mar de lama, mas como de fato o único objetivo é tirar a Dilma da Presidência da República sem propostas concretas, com um claro entendimento do cronograma de ações, isso não me convence.

Ontem no facebook vi que alguns amigos foram agredidos porque se posicionaram dizendo que não iriam e explicando seus motivos. Até de bundão vi um ser xingado. Lamentável.

Pense que se posicionar contra a maioria não é fácil, é um ato de coragem e honestidade perante suas crenças. Não alardear notícias falsas é pensar sobre o que estamos fazendo. Saber sobre o que estamos protestando e para onde vai isso é sinal de maturidade e responsabilidade.

Eu não preciso de fotos na passeata para dizer que faço a coisa certa, porque eu sei que faço. Porque eu sei o que é estar à frente de um negócio há mais de 20 anos e pagar suas contas em dia e não entrar em empréstimos, já tendo passado por diversos planos econômicos. Eu sei o quanto dói ver empresas que crescem porque corrompem e são corrompidas e ver a sua perder concorrências porque aquilo ali já estava comprado. E triste meu caro, dói muito. Sigo em frente mesmo assim e o meu caminho escolho viver o que aprendi ser o certo. A minha parte eu faço, mas me enoja ver pessoas “tão corretas” gritando contra a corrupção, mas que no seu dia a dia, corrompem, fazem parte de esquemas, dão aquele medonho “jeitinho brasileiro” para resolver seus problemas. Ah, por favor, quer mudança? Comece no seu dia a dia, no seu micro universo. De o exemplo que cobra dos governantes. Menos hipocrisia.

Não quero ser injusta, não foram todos que participaram que agem assim, claro que não, tem muitas pessoas que foram e que de fato acreditam que esse movimento pode trazer mudanças e que no dia a dia fazem seu trabalho corretamente, pessoas do bem. Só coloco a questão de estarmos atentos para não sermos manipulados. Ir por ir não leva para lugar nenhum.

Estou cansada daquela velha máxima “não fiz por mal”. Não fez?  Mas fez mal. Qual é o impacto de não saber e fazer mal? Não fez porque não pensou? Minha reflexão: se esforce para saber o que faz para que um dia não venha com essa “não fiz por mal”. Pense antes de agir.

Está cansado e quer saber como mudar? Estude como funciona os mecanismos de votos, essa é a forma democrática que temos para mudar algo. Não concorda? Comece um movimento para mudar isso? Como? Entenda como dentro da lei isso pode ser mudado e faça dentro da lei. Cobre que a lei seja cumprida. Você terá trabalho, se engajar de fato e buscar soluções demanda tempo e da trabalho, mas se é algo que acredita e acha que vale a pena, vá fundo.

Chega de sermos tão emocionais, chega de tanto carnaval sem carnaval. É lindo ver as ruas cheias, mas é triste saber que muito de tudo isso é para sair bem na foto, para fazer parte. Sim, nós precisamos fazer PARTE, mas de uma parte mais justa e honesta com direitos e deveres para todos.

Chega de sermos uma sociedade de coitadinhos. Chega de sermos o pais do futuro. Tancredo morreu, era a salvação? Ulisses também. Collor caiu e já voltou. A salvação de uma nação não está em ninguém sozinho essa é a questão. Cai um rei de paus, entra outro e não muda nada. Isso sim é que tem que ser mudado, essa estrutura.

Agora volto ao meu trabalho é o que melhor posso fazer pelo Brasil e por mesma nesse momento.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

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“A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.”

Leon Tolstoi

Essa afirmação existe há tempos não é mesmo? Não tanto como a luta pelos Direitos de Gêneros, mas não vou falar sobre isso, quero somente falar de uma mulher qualquer nesse dia qualquer de um hoje qualquer.

Eu.

Acordo já pensando nas mil pequenas tarefas diárias, aquelas que esgotam nosso tempo e também parte do humor, mas alguém terá que fazer o trabalho, no caso eu mesma, pois bem, sigo em frente, igual a milhões de pessoas, atarefada e cronometrada pelas 24 horas, parecendo competir comigo mesma num campeonato onde o troféu é o meu cúmplice travesseiro. No elevador com compras, malas, bolsas e mochilas, sigo para levar as crianças para a escola e verifico se meu I pod está carregado porque terei um ensaio importante. Esqueci de mencionar que trabalho com Dança.

E entre todas as prioridades apareceu mais uma, achar um argumento para explicar para o filho mais novo porque ele não pode ter seu próprio jabuti. Isso mesmo. Ele ainda não pode. Nem eu posso. Talvez nem você possa, mas é necessário dar uma resposta condizente ao pequeno quando o elevador abre e “ufa”, todos saem correndo; inclusive eu. Dai chego ao trabalho. E lá vem ela.

A Dança.

Sim, a Dança que me obriga e despir-me de mim mesma como numa ordem. E assim, eu faço, obedecendo e tentando agradá la de todas as formas. O tempo todo. Naqueles momentos junto aos amigos, alunos, parceiros, música, dor, suor e concentração acontece uma tríade. Mente, corpo e alma, onde seu corpo vira uma espécie de pensão de emoções tentando comunicar se com você mesmo e com o outro.

A Dança é uma arte que te escolhe e ponto. Não tem outra opção, não há acordo, não discuta com ela. Ela é tirana e tão feminina como uma leoa no cio. Caça e caçadora se alimenta de você e te alimenta de volta, devolvendo a energia que faz você respirar. Claro, que muitas pessoas encontram isso em igual força e semelhança em outras artes, mas posso falar desta. Soberana ela dita e você obedece. Mas muitas valentes teimosas não escolhidas também chegam lá. E como!

Em meio a idas e vindas, versos e reversos lá estamos em busca do aplauso. Um aplauso interno, pessoal que complete uma existência. A mulher da dança estará sempre insatisfeita como todas as outras, será sempre crítica, como muitas outras, lutará contra o tempo até aceitá lo e também será interrompida de sua última valsa como todas as outras.

Mas se ao raiar do novo dia, você estiver lá com suas demandas e agradecer por logo menos poder encontrá la novamente, terá outra chance diante do indizível. Comunicar-se através do corpo e do ritmo em busca de seu aplauso interno. Aplauso que todas merecem. Parabéns para nós em todos os 364 dias, mas por hoje vale lembrar que o significado de ser mulher é a gente que dá e não o cupom de supermercado ou a flor doada no banco.

Bravo!
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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.Meg Lovato-