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Há cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil.

Um em cada 3 brasileiros acredita que a mulher é culpada por ter sido estuprada e normaliza a violência sexual contra a mulher.

Poderia eu aqui questionar os resultados das pesquisas ou a metodologia de estudo estatístico, afinal não há nenhum dado que deva ser considerado exato e imutável numa sociedade dinâmica e em constante transformação. Mas hoje não. Hoje quero falar de nossos medos, nossa luta, nossa obrigação de ensinar as futuras gerações a respeitarem e também lutarem pela liberdade das mulheres.

Desde criança fomos educadas para termos medo do nosso próprio corpo e da nossa própria condição de sermos mulheres.

Menina não senta de pernas abertas porque é feio!

Menina não fala palavrão porque isso é coisa de menino!

Menina de família não sai na rua essa hora!

Menina decente se dá ao respeito e não bebe, não fuma!

E tantas outras afirmativas que lutamos para desconstruir e ensinar às gerações seguintes que é possível ser o que queremos desde que não violemos o direito do outro.

Mas por que algumas reações ficam enraizadas no inconsciente (ou consciente) da condição de ser mulher dominada por uma sociedade patriarcal?

A mulher quando é assediada na rua, por exemplo, abaixa a cabeça, acelera o passo e só quer sumir daquele lugar o mais rápido possível. Afinal, nos sentimos culpadas por termos provocado o instinto sexual do sexo oposto e convivemos com a conivência do machismo arraigado nas entranhas da sociedade dominada pelo homem.

Ouvir um grito de “gostosa” pode ser considerado para alguns como o reflexo da aceitação da fêmea- padrão na sociedade. Não é difícil os machistas afirmarem que “nem o peão da obra achou ela gostosa”, como se esse um sinal de selvageria fosse o aval necessário para a mulher se considerar aprovada ao macho alfa.

A objetificação do corpo feminino é utilizado como meio de venda e divulgação de produtos e convivemos com isso com a mesma naturalidade que baixamos a cabeça, aceleramos o passo e nos calamos perante os assédios, abusos e estupros.

Não! Não pode ser assim! Temos que gritar, lutar, enfrentar!

Recentemente fui assediada na rua e enfrentei o assediador. Parei de andar, me virei para a direção dele, olhei bem nos olhos dele e perguntei se ele não se envergonhava de me tratar daquela maneira, de falar aquelas obscenidades a uma desconhecida. A reação dele? Pediu desculpas. Justificou que estava um pouco bêbado e pediu desculpas. Foi para o outro lado da rua, de cabeça baixa e não cruzou mais meu caminho.

Por conta disso eu continuo acreditando que ensinar quem não sabe é a melhor forma de luta. Se não pode me respeitar espontaneamente eu exijo respeito, se não pode me considerar igual porque sou mulher eu exijo igualdade, se não pode bater suas próprias asas eu alçarei voos altíssimos para exigir que todos sejam livres e responsáveis por suas escolhas.

Enquanto houver uma mulher tendo sua liberdade e seus direitos arrancados eu estarei lutando e gritando por todas nós, pois é minha obrigação me fazer entender e explicar que ser mulher é ser livre para estar aonde quiser, fazer o que quiser, com quem quiser, quando quiser.

E como disse o jornalista e escritor Xico Sá: “Por mais que você, homem sensível, diga que sente na pele, jamais sentirá o pavor de vislumbrar no beco a ameaça do estupro que ronda as mulheres no Brasil.”

Portanto, continuemos na luta, pois para nós mulheres chegarmos até aqui, muitas de nós ficaram pelo caminho.

Nossa obrigação é gritar para o mundo que exigimos respeito e igualdade para sermos verdadeiramente LIVRES.

Dedico esse texto às Simones, Marias, Fridas, Cecílias, Lygias, Clarices, Márcias, Vivianes, Luisas, Lauras, Rosas, Terezinhas e tantas outras anônimas que constroem a nossa história com coragem, ternura, lágrimas e sorrisos.

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Denise Alcântara – Bela Urbanas, socióloga e professora, pessoa livre nas ideias, no pensamento e nas atitudes. Minhas inquietações me mobilizam e motivam o meu aprendizado constante.

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Vou começar contando um flagrante da vida real. Há alguns anos, um belo sábado, depois de ter trabalhado a semana inteira, e acordando com a casa suja e desarrumada de uma semana sem cuidados, olhei para o companheiro de jornada, que na época estava desocupado, dei uma resmungada e comecei a faxinar. Reclamei sim, porque não acho justo. E ouço a pérola:

– Não tenho culpa se desde que o mundo é mundo, as mulheres cuidam disso…

Respiro fundo… (Senhor, dai me paciência, porque se der força, eu bato!!).

– Amigo, desde que o mundo é mundo, os MAIS APTOS saem pra caçar e colocar comida na mesa, e os MENOS APTOS, ficam na caverna, mantendo-a limpa, livre de pragas e aquecida!! Não tenho culpa se as aptidões necessárias hoje são diferentes e quem sai pra caçar sou eu. Portanto, ajude a manter essa caverna em ordem, por favor!!!!

Essa história me leva aos rótulos, que são tantos que encaramos no nosso dia a dia, e nesse caso especificamente, o que é ‘de menina’ e o que ‘é de menino’. E como isso vira feminismo e machismo. E como precisamos nos apegar a grupos de códigos préestabelecidos, ou melhor, preconceitos!

E quantas vezes me peguei pensando: E SE TODOS NÓS NOS TRATÁSSEMOS SIMPLESMENTE COMO PESSOAS??? E se a regra fosse o PESSOALISMO?

Nem mulher, nem homem, nem jovem, adulto ou velho, nem chefe ou subordinado, nem alto ou baixo, nem gordo ou magro, nem branco ou negro, nem budista, católico, umbandista ou qualquer outra das milhares de religiões que existem no mundo. E a história das gerações então? Baby boomers, X, Y, millenials… dos rótulos criados pelos serumaninhos, esse só não é pior que o de gêneros.

Porque temos tanta dificuldade em ver simplesmente uma pessoa, em sua individualidade, com suas características tão singulares, quando nos encontramos com alguém?

A resposta vem das cavernas… o mais apto é o mais forte, e consegue impor suas vontades, suas regras. Nem que seja à força… E algumas pessoas sentem certo conforto em serem vítimas! Afinal, algumas pessoas preferem responsabilizar os outros por suas mazelas, do que assumir as rédeas da própria vida.

Na religião, se não houver o domínio dos sacerdotes, como domar o rebanho? A resposta está em acreditar e incentivar o bem dentro de cada pessoa!

Na família, se o mais velho não impuser as regras e os limites, como fazer a família andar na linha? A resposta está na missão de criar pessoas boas!

No trabalho, se não houver chefe e subordinado, como fazer com que cada um cumpra suas tarefas e atinjam os objetivos da organização? A resposta está em como motivar as pessoas!

Mas ainda assim, mesmo que a hierarquia seja em algum momento necessária, e de modo geral as pessoas precisem de uma liderança, a opressão, a imposição, o domínio, ou mesmo a doutrinação, não deveriam acontecer. Acontecem quando os interesses não estão nas pessoas, e sim na ganância, nos bens, e no próprio sentimento de domínio.

Mas certamente não aconteceriam se em nossas interações com os outros, em qualquer meio, víssemos o que elas são em sua essência. Pessoas… como eu e como você!

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

 

 

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Além das tradicionais características dos homens brasileiros, como o samba, a cerveja e o futebol, “cantadas”, muitas vezes causam estresse e aborrecimentos, no lugar de satisfação ou alegria. Na verdade, quase sempre, a maioria das mulheres não aprova a abordagem. A maioria não gosta de ouvir cantadas, algumas mulheres já deixaram de passar por algum lugar por medo de serem abordadas, e outras já trocaram de roupa antes de sair de casa para evitar alguma provocação. As precauções revelam-se incipientes, diante da paixão com que os marmanjos se entregam “ao esporte nacional da cantada”. Eles, aliás, costumam se esconder atrás de eufemismos, como chamar de “galanteio” a palavrinha cheia de veneno para a moça bonita que vem e que passa. Elas se ofendem e, no império do politicamente correto, enxergam um jogo de dominação pelo sexo oposto. Nem tudo é baixaria, e alguns gracejos acabam consagrados. Um caso foi protagonizado por Fred, um jogador de futebol do Fluminense que, ao encontrar uma morena exuberante numa avenida de Belo Horizonte, caprichou na finalização:  “O que você faz, além de sucesso?”, mandou, como prova o vídeo que se transformou num hit instantâneo da internet. Acredito que o resultado serve para demonstrar que, por trás de uma cantada na rua, mesmo que aparentemente inocente, sempre há o risco de assédio. Em alguns casos, mulheres adultas e adolescentes narraram diversos casos de cantadas obscenas e até agressões físicas.

As cantadas quando é um desconhecido no meio da rua, em uma via pública, de uma pessoa que não deu abertura para isso, podem ser uma agressão, sim, por mais que seja só um “fiu fiu”. Quando a mulher responde, a maioria dos homens chama de vagabunda para baixo. Então não é algo inofensivo. Alguns homens começam a xingar. Eles acham que a mulher está querendo tolher a liberdade deles, sendo que é o oposto, eles é que cortam a da mulher quando fazem isso (cantadas na rua). Esse tipo de campanha reflete uma mudança profunda em curso na sociedade brasileira. Tradicionalmente, as brasileiras estão acostumadas a receber elogios em relação a sua beleza desde muito jovens, e esses elogios costumam representar uma espécie de reconhecimento. O momento que a gente vive, é de uma certa transição de uma lógica em que o valor e a visibilidade da mulher estavam atrelados ao corpo, para uma lógica em que os valores femininos estão ligados a outros capitais: a personalidade, a inteligência, a atitude. Uma coisa que a mulher brasileira gosta é de se sentir única. A cantada te padroniza, te torna igual a todas as mulheres. O “fiu fiu” faz você se sentir igual a todas as outras.

Conhecendo um pouco o universo feminino, acredito que o tema chega em boa hora. Existe uma peça teatral que depois virou comédia, denominada: “E aí, comeu?”, onde mostra que o assédio nas ruas é um problema enfrentado diariamente pela maioria das mulheres, brasileiras ou não.

Em algumas cidades brasileiras as mulheres conquistaram um vagão de Metrô separado. Isso já mostra o quanto essa é uma questão importante. A brasileira está encurralada o tempo todo. Concordo com aquelas que reclamam. Você está na sua, aí vem um motoboy e buzina, um caminhoneiro faz uma grosseria… Deve ser insuportável esse tipo de abordagem, só surte efeitos negativos. Uma troca de olhares ainda é a cantada mais eficiente que existe.

Apesar de concordar que um elogio dito na hora e no local errados pode ser incômodo ou até ameaçador, existe diferença entre uma cantada ingênua e um assédio como o elogio é dito.

No quesito eficácia, homens e mulheres concordam: as cantadas de rua raramente surtem efeito positivo. São, na verdade, uma simples expressão de masculinidade, geralmente na frente de outros homens,  e de poder sobre o sexo oposto. Esse homem que canta de forma agressiva é um frustrado que desconta na mulher por saber que é mais forte, que não vai haver reação. É um amostramento de homem para homem. Indo mais longe podemos até  dizer que a cantada é o “sintoma de um mal profundo”. O mal, no caso, é a objetificação da mulher. O que faz com que homens se sintam impelidos a chamar uma mulher de gostosa no meio da rua é uma noção de abuso em relação ao feminino. Se isso é OK por um lado másculo, talvez seja um problema de ordem cultural. Vejo a insegurança como principal fator por trás de investidas agressivas. Há uma característica predominantemente machista, mas não podemos dizer que toda cantada é uma agressão, senão começaremos a cercear toda e qualquer iniciativa. O ideal não seria uma proibição que nos levaria a uma cultura saxã, em que não existe essa troca de afeto. Proibir a cantada seria uma contenção artificial. Precisamos da afirmação do respeito mútuo. Está bem deselegante ultimamente. Já foi melhor. Antes tinha mais sutileza, era mais uma piada. Hoje está muito vulgar.
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Wilson Santiago – Belo Urbano, brasileiro, natural de Potunduva SP, união estável, engenheiro de produção, pesquisador, corintiano, espiritualista, musico, poeta, produtor musical e do signo de áries.

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Quando pensamos em reunião de família, àquele almoço gostoso de domingo ou as festas de final de ano o que nos vêm à cabeça é a vó, a mãe ou qualquer mulher que cozinhe bem…Porque, mesmo que inconscientemente, o universo da cozinha caseira é algo ligado ao feminino. Já quando pensamos no nosso restaurante predileto ou em alta gastronomia lembramos do Chef ( quase sempre no masculino) ….um ser quase mítico que transforma “comida” em experiência, sabor em prazer…Rsrs.
Você se lembra do nome de uma Chef mulher? E homem? Mesmo que não lembre do nome, tenho certeza que vem muitas imagens de grandes mestres ( homens) na cozinha.
Será que eles realmente cozinham melhor? Fico aqui me questionando…Ou o mundo realmente é 100% machista como querem me fazer acreditar as feministas de plantão?  Eu tenho minha cozinha profissional para comandar, muitos me chamam de Chef de cozinha e pensando essa questão acho que o que ocorre de verdade é que cozinhamos tão bem ou tão mal quanto eles…
O que ocorre , no meu ponto de vista, é que temos objetivos e posturas diferentes quando entramos no mundo da cozinha profissional. O homem tem um espírito competitivo e um foco no marketing pessoal muito maior do que a mulher e isso o faz buscar muito mais os holofotes.
Não posso falar por todas as mulheres, mas o que sinto e o que busco quando entro na minha cozinha não é a auto promoção, pouco me importa se sou Chef ou cozinheira (aliás, Chef é cargo. Todo Chef é um cozinheiro em primeiro lugar) o que busco é a excelência dos ingredientes, o melhor preparo, os sabores e a satisfação do meu cliente.
Não preciso ser a primeira do mundo, sair em capa de revista…e acho, que como eu, a maioria das mulheres quando entra no mundo da cozinha está muito mais focada na comida em si do que na imagem e talvez por isso não sejamos tão reconhecidas publicamente…
Machismo ou foco?! Não sei…
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Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante chama EnRaizAr e fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

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Escolhi não ir ontem a nenhuma passeata. Sim, é bonito ver as ruas tomadas, cheias de pessoas que protestam, sim é bonito ver, mas… mas como aprendi que temos que questionar tudo, faço cada vez mais perguntas e se não encontro às respostas que me convençam a fazer algo, opto por não fazer e por isso optei por não ir.

Meus motivos? Acho muita ingenuidade não ver que existem grupos que financiam a divulgação desse movimento. A estratégia de comunicação foi muito bem feita, posso falar com propriedade disso, pois esse é o meu negócio, trabalho com estratégias de comunicação. Ainda nessa questão, tudo custa, nada é de graça, criar vídeos custam, colocar carros de som nas passeatas custam, bonecos infláveis gigantes custam. Então, eu penso aqui com meus botões, não acredito que “ninguém” faça isso sem nenhum interesse. Pois é, eu que sempre fui tão idealista, não acredito mais, é uma pena, mas foi isso mesmo que esses políticos e partidos me roubaram, a ingenuidade de crer que isso vai mudar.

Outro ponto que embasou minha decisão é porque não preciso provar nada para ninguém. Faço meu trabalho no dia a dia, pago minhas contas honestamente, sempre trabalhei e tudo na minha vida veio do resultado dele. Então, não preciso provar nada para ninguém e nem sair bem na foto do facebook dizendo que sou engajada e estive lá.

Sim , eu sou engajada em várias questões, hoje em especial, me interesso muito em divulgar e trazer questionamentos do universo feminino. Feminista? Sim sou, apesar de que muitos, ainda hoje, não sabem e não entendem o que é ser isso, mas se tem uma causa hoje que abraço em primeiro plano é essa e o blog Belas Urbanas veio para isso.

Deixo claro aqui que não sou a favor do PT, mas também não sou do PSDB e dos outros. Se a campanha para irmos para as ruas fosse algo para mudarmos todos os nossos políticos e sistemas de governança que hoje imperam, eu estaria disposta a participar e talvez fosse algo que me motivasse como um fio de esperança nesse mar de lama, mas como de fato o único objetivo é tirar a Dilma da Presidência da República sem propostas concretas, com um claro entendimento do cronograma de ações, isso não me convence.

Ontem no facebook vi que alguns amigos foram agredidos porque se posicionaram dizendo que não iriam e explicando seus motivos. Até de bundão vi um ser xingado. Lamentável.

Pense que se posicionar contra a maioria não é fácil, é um ato de coragem e honestidade perante suas crenças. Não alardear notícias falsas é pensar sobre o que estamos fazendo. Saber sobre o que estamos protestando e para onde vai isso é sinal de maturidade e responsabilidade.

Eu não preciso de fotos na passeata para dizer que faço a coisa certa, porque eu sei que faço. Porque eu sei o que é estar à frente de um negócio há mais de 20 anos e pagar suas contas em dia e não entrar em empréstimos, já tendo passado por diversos planos econômicos. Eu sei o quanto dói ver empresas que crescem porque corrompem e são corrompidas e ver a sua perder concorrências porque aquilo ali já estava comprado. E triste meu caro, dói muito. Sigo em frente mesmo assim e o meu caminho escolho viver o que aprendi ser o certo. A minha parte eu faço, mas me enoja ver pessoas “tão corretas” gritando contra a corrupção, mas que no seu dia a dia, corrompem, fazem parte de esquemas, dão aquele medonho “jeitinho brasileiro” para resolver seus problemas. Ah, por favor, quer mudança? Comece no seu dia a dia, no seu micro universo. De o exemplo que cobra dos governantes. Menos hipocrisia.

Não quero ser injusta, não foram todos que participaram que agem assim, claro que não, tem muitas pessoas que foram e que de fato acreditam que esse movimento pode trazer mudanças e que no dia a dia fazem seu trabalho corretamente, pessoas do bem. Só coloco a questão de estarmos atentos para não sermos manipulados. Ir por ir não leva para lugar nenhum.

Estou cansada daquela velha máxima “não fiz por mal”. Não fez?  Mas fez mal. Qual é o impacto de não saber e fazer mal? Não fez porque não pensou? Minha reflexão: se esforce para saber o que faz para que um dia não venha com essa “não fiz por mal”. Pense antes de agir.

Está cansado e quer saber como mudar? Estude como funciona os mecanismos de votos, essa é a forma democrática que temos para mudar algo. Não concorda? Comece um movimento para mudar isso? Como? Entenda como dentro da lei isso pode ser mudado e faça dentro da lei. Cobre que a lei seja cumprida. Você terá trabalho, se engajar de fato e buscar soluções demanda tempo e da trabalho, mas se é algo que acredita e acha que vale a pena, vá fundo.

Chega de sermos tão emocionais, chega de tanto carnaval sem carnaval. É lindo ver as ruas cheias, mas é triste saber que muito de tudo isso é para sair bem na foto, para fazer parte. Sim, nós precisamos fazer PARTE, mas de uma parte mais justa e honesta com direitos e deveres para todos.

Chega de sermos uma sociedade de coitadinhos. Chega de sermos o pais do futuro. Tancredo morreu, era a salvação? Ulisses também. Collor caiu e já voltou. A salvação de uma nação não está em ninguém sozinho essa é a questão. Cai um rei de paus, entra outro e não muda nada. Isso sim é que tem que ser mudado, essa estrutura.

Agora volto ao meu trabalho é o que melhor posso fazer pelo Brasil e por mesma nesse momento.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

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“A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.”

Leon Tolstoi

Essa afirmação existe há tempos não é mesmo? Não tanto como a luta pelos Direitos de Gêneros, mas não vou falar sobre isso, quero somente falar de uma mulher qualquer nesse dia qualquer de um hoje qualquer.

Eu.

Acordo já pensando nas mil pequenas tarefas diárias, aquelas que esgotam nosso tempo e também parte do humor, mas alguém terá que fazer o trabalho, no caso eu mesma, pois bem, sigo em frente, igual a milhões de pessoas, atarefada e cronometrada pelas 24 horas, parecendo competir comigo mesma num campeonato onde o troféu é o meu cúmplice travesseiro. No elevador com compras, malas, bolsas e mochilas, sigo para levar as crianças para a escola e verifico se meu I pod está carregado porque terei um ensaio importante. Esqueci de mencionar que trabalho com Dança.

E entre todas as prioridades apareceu mais uma, achar um argumento para explicar para o filho mais novo porque ele não pode ter seu próprio jabuti. Isso mesmo. Ele ainda não pode. Nem eu posso. Talvez nem você possa, mas é necessário dar uma resposta condizente ao pequeno quando o elevador abre e “ufa”, todos saem correndo; inclusive eu. Dai chego ao trabalho. E lá vem ela.

A Dança.

Sim, a Dança que me obriga e despir-me de mim mesma como numa ordem. E assim, eu faço, obedecendo e tentando agradá la de todas as formas. O tempo todo. Naqueles momentos junto aos amigos, alunos, parceiros, música, dor, suor e concentração acontece uma tríade. Mente, corpo e alma, onde seu corpo vira uma espécie de pensão de emoções tentando comunicar se com você mesmo e com o outro.

A Dança é uma arte que te escolhe e ponto. Não tem outra opção, não há acordo, não discuta com ela. Ela é tirana e tão feminina como uma leoa no cio. Caça e caçadora se alimenta de você e te alimenta de volta, devolvendo a energia que faz você respirar. Claro, que muitas pessoas encontram isso em igual força e semelhança em outras artes, mas posso falar desta. Soberana ela dita e você obedece. Mas muitas valentes teimosas não escolhidas também chegam lá. E como!

Em meio a idas e vindas, versos e reversos lá estamos em busca do aplauso. Um aplauso interno, pessoal que complete uma existência. A mulher da dança estará sempre insatisfeita como todas as outras, será sempre crítica, como muitas outras, lutará contra o tempo até aceitá lo e também será interrompida de sua última valsa como todas as outras.

Mas se ao raiar do novo dia, você estiver lá com suas demandas e agradecer por logo menos poder encontrá la novamente, terá outra chance diante do indizível. Comunicar-se através do corpo e do ritmo em busca de seu aplauso interno. Aplauso que todas merecem. Parabéns para nós em todos os 364 dias, mas por hoje vale lembrar que o significado de ser mulher é a gente que dá e não o cupom de supermercado ou a flor doada no banco.

Bravo!
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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.Meg Lovato-

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Hoje eu não preciso ganhar flores, eu preciso de apoio para lutar por uma sociedade melhor, mais igualitária, mais justa!

Vários fatos históricos, a maioria datando do começo dos anos 1900 deram origem ao Dia Internacional da Mulher.

Em 1911 as funcionárias de uma fábrica têxtil em Nova York, nos Estados Unidos, entraram em greve reivindicando melhores condições de trabalho. Elas pediam uma jornada de trabalho menor, de 16 para 10 horas diárias, salários iguais aos dos homens e melhor tratamento no ambiente de trabalho. No dia 25 de março houve um incêndio nessa fábrica onde morreram 146 funcionários, sendo 125 mulheres, as portas da fábrica estavam trancadas para que ninguém se ausentasse durante o expediente.

Além disso, movimentos na Europa já pediam igualdade de gêneros, direito de voto para as mulheres e apoio às únicas três parlamentares mulheres da Europa, que haviam sido eleitas na Finlândia.

Seguiram-se manifestações pela paz em toda a Europa, organizados por mulheres, durante a Primeira Guerra Mundial.

Nas décadas seguintes, o Dia deixou de ser lembrado até que, em 1975, a ONU decretou o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março, o Dia.

Segundo a Organização das Nações Unidas, o salário das mulheres ainda é 27% menor dos que o dos homens que ocupam a mesma função. Isso vale para o mundo de maneira geral. A proporção de mulheres que ficam e casa e cuidam de afazeres domesticou s não remunerados é duas vezes e meia maior do que a de homens.

Portanto, ainda temos um longo caminho. Feminismo não é gritar palavras de ordem e queimar sutiãs em praças, é muito mais, é acreditar que cada um de nós pode tornar o mundo um lugar mais justo e equilibrado.

Parabéns a você pelo Dia Internacional da Mulher!!!

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

 

 

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Mulher de fases, sim senhor!

Pois é… muito se fala da mulher de fases, de como as mulheres são inconstantes, que é impossível entende-las!

Pessoal, a notícia ruim: é verdade, somos de fases! A notícia boa: não é assim porque a gente quer, porque somos mimadas, ou porque queremos atenção, é assim porque fomos feitas assim! O processo é químico!!! Chamem de ‘erro de projeto’ do ‘cara lá de cima’ se quiserem, mas o fato é que não temos culpa do turbilhão de hormônios que circulam pelo nosso corpo a cada dia em quantidades diferentes, com funções diferentes, mas todos com um objetivo em comum: a reprodução. Ou seja, tudo isso que nós passamos e vocês aguentam, tem a função de eventualmente gerar filhos!!

As mulheres tem sim humores, caras, pele, cabelos diferentes a cada fase do ciclo menstrual.

É isso, as mulheres sofrem quimicamente mudanças no organismo… diariamente! Muito diferente dos homens que tem os mesmos níveis, dos mesmos hormônios, todos os dias, tudo igual… chega a ser entediante. Boys will be boys… always!

Já nós, mulheres, temos essas mudanças todas o mês inteiro. Na semana que estamos menstruadas estamos cansadinhas, desanimadas. Aí passa, e nos sentimos melhor, uma semana depois começamos a nos sentir poderosas. Na fase fértil, sentimos que podemos dominar o mundo!!!! Mas isso também passa, e começamos a nos fechar… e aí vem a temida TPM, ficamos insuportáveis. E acreditem, queremos sair de perto de nós mesmas, às vezes!!

Mas já repararam o quanto os sentimentos dos homens para com as suas parceiras mudam de acordo com as semanas? Passem a reparar na frequencia com que isso acontece, verão que há um padrão, esse mesmo padrão! Durante alguns dias no mês os homens se sentem inexplicavelmente mais atraídos pelas suas parceiras? Em outros dias, essa atração não é assim tão importante? E na TPM eles também não ficam mais reativos? Parte disso também é quimíco, amigos! Os homens reagem quimicamente aos nossos hormônios, porque eles agem através do nosso cheiro, da nossa pele, do nosso suor. Percebem?

Mas agora vem a parte boa! Do mesmo jeito que é difícil aguentar a TPM, aproveitem ao máximo a fase em que sua parceira está mais bela e feliz! Aqueles dias no meio do cliclo, em que ela parece estar com um brilho diferente. Ela está mesmo, o cabelo fica mais macio, a pele e os olhos tem mais brilho, a boca parece mais apetitosa, o corpo se movimenta diferente.

Nessa fase ela também estará muito mais receptiva aos seus carinhos, estará disposta a novidades e terá mais facilidade para ter prazer! Aproveitem e caprichem!!

Na TPM? Carinho, paciência e chocolate… santos remédios!

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

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Março é o mês da mulher!

Não bastasse ter o Dia Internacional da Mulher no dia 8, o mês inteiro acabou virando uma homenagem a ela.

Mas o que estamos comemorando exatamente?

Pois bem, vivemos numa sociedade de extremos, onde o radicalismo é necessário embora tire a paciência de muitos. O politicamente correto faz com que se pise em ovos em muitas situações e, dizem muitos, não se pode mais brincar.

Na verdade, para uma nova geração, criada por mães e pais com uma visão mais esclarecida, pode parecer besteira que mulheres ainda gritem por direitos iguais, mas vivemos em uma sociedade machista, onde ainda é comum referir-se a uma mulher como má condutora, incapaz em várias situações ou, até mesmo com assombro, quando ela se destaca em alguma área. Embora ela divida a manutenção da economia doméstica, é dela que se cobra a criação dos filhos e o cuidado com o lar. Ela se cobra! Se um filho tiver dor de ouvido, ela falta do trabalho para levá-lo ao médico, na maioria dos casos.

Ela vai à luta, mesmo tendo que contar com um salário menor, estando em uma mesma posição de trabalho que seu colega homem. Ela se sujeita a um ambiente de trabalho ou  transporte público onde, muitas vezes, é assediada, por ser gostosa ou por ser baranga. Ela caminha pelas ruas de antena ligada, sempre atenta ao que pode aparecer. Em alguns países, a mulher ainda é submetida à mutilação vaginal, em outros, ela é proibida de estudar. Parece que a mulher esclarecida e que sente prazer oferece grande ameaça ao Status Quo machista.

Antes de nós, nossas ancestrais começaram uma luta. Já queimaram sutiãs e praça pública, já saíram às ruas sem roupa ou com roupas que chamassem a atenção… Mas a grande maioria de nós trava uma luta silenciosa e diária.

A nossa homenagem é para essa luta de um mundo mais justo e uma vida digna, algo que beneficiará a todos!

Em março, Belas trará relatos, artigos, textos sobre o universo feminino e feminista, até para desmistificar o tal feminismo. Falaremos sobre hormônios e eventos. Discutiremos opiniões e fiu-fius.

Convidamos você a ler, participar e opinar sobre as postagens!

E esperamos que você goste!

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

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Os relatos de várias mulheres com  #primeiroassédio e agora com #meuamigosecreto me encantou acima de tudo como o bom uso de uma ferramenta de comunicação pode sim ser coletivamente positivo para moldar um muralzinho de histórias sobre um assunto tão comum entre as mulheres, mas tão notoriamente pouco compreendido entre os homens: O abuso sexual.

Hoje, após ler algumas experiências me senti totalmente motivada a relembrar um episódio entre outros que definitivamente me fez sentir medo e raiva.

Vamos lá:

Uma vez, bem menina, estava pedalando próximo a uma praça no bairro no qual morava em Campinas curtindo e dominando bem o ritmo da bicicleta, lembro que gostava até de arriscar uns pulinhos modestos embalada pelo som do meu walkman que religiosamente tocava titãs e plebe rude. Pois bem, de supetão fui abordada por um Chevette vinho, meu bairro era perto de uma de vila militar e pensei que o distinto gostaria de alguma informação sobre aquelas bandas, mas não.

Bem pensado ele saiu do carro e colocou seu membro para fora ordenando que eu o pegasse e me chamando de vagabundinha várias vezes. Eu morri de pavor, tinha apenas uns 13 anos.

Sai tremendo e chorando e ele rindo.

Não contei o ocorrido para meu pai com medo dele me proibir de andar de bike e definitivamente ele iria fazer isso.

Passei a noite sem dormir com um medo que oscilava para a raiva. Raiva daquele sujeito que nunca havia visto na vida toda. Quem era ele? Porque fez aquilo? Fará de novo?

Dias depois voltei a pedalar, ato sagrado para colocar algumas idéias no lugar em plena adolescência, mas quando passava perto da praça era tomada por sua horrível lembrança.

Hoje sou mãe e mulher adulta mas, aquela pequena adolescente que fui; ainda guardada dentro de mim bem que gostaria que esse senhor, se vivo, seja um brocha de merda, porque eu não tenho mais medo do Chevette vinho mas, todo homem tem medo de ser brocha.

Desculpa o rancor “amigão”, você deve ter feito isso com muitas meninas mas, hoje a gente pode falar abertamente sem culpas e temores e não escondida no banheiro. E isso, isso é demais!

Cada história dessas serve acima de tudo como exemplo do que NÃO fazer com meninas e mulheres.

É pedir muito? Que seja, afinal respeito é bom e todo mundo gosta.

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Meg Lovato – formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.