O verso livre me deixou ausente

De manifestos de pessoas

Estou sozinho e tão completamente

Que afundo a faca no meu peito

E numa rima decadente suspiro

Ensanguentado

O que escorre de mim não é sangue

É aguardente

O óbvio torna-se complexo

O que sinto não é amor

É ódio e sexo

O futuro me comete

Viajo mas não morro

Habito o outro lado da montanha

Pra subir nem Ícaro num cavalo alado

Pra descer tem que ser a pé e sozinho

Lá não existe bondinho

É a sombra do meu Cristo

Se é redentor não sei

Mas tem um Cristo no topo da montanha

Ao subir verá as luzes da cidade “anoitescente”

Gritará bem alto e estridente:

O verso livre me deixou ausente

Estou sozinho e tão completamente

Que numa rima decadente

Embriago de sangue e aguardente

Fernando Farah – Belo Urbano, graduado em Direito e Antropologia. Advogado apaixonado por todas as artes!

Eu queria ser capaz de entender tudo

Aquilo que cabe nesse momento

Quanto mais tempo estudando o espaço, melhor

O fato é que sabia do percurso entre nós

Que São Paulo é bem mais perto que a tua ilha

Noções de espaço eu tenho

E o fuso, todavia, menos concreto que o tempo de vida

É só pular da janela para encurtar todo esse tempo, entre nós

Para diminuir a estrada, tentei te ligar

Não consegui

O interurbano não é caro.

A crise ta feia…

Além de não poder falar. Nem sentir. Nem tocar.

Fernando Farah – Belo Urbano, graduado em Direito e Antropologia. Advogado apaixonado por todas as artes!