As famosas frases “Gravidez não é doença”  e “Ser mãe é a melhor coisa do mundo” são ditas há muito tempo. Nós mulheres crescemos – principalmente quem foi criada sob conceitos de um machismo estrutural – acreditando que para ser mulher é preciso ser mãe. Isso não é verdade, e fica aqui o meu respeito a todas as mulheres que não tiveram filhos, ou por opção ou por contingências da vida.

O ponto a ser tocado é sobre a desmistificação de que tudo que envolve esse processo – desde a intenção de ser mãe até a concepção, a gravidez, o parto, uma nova vida chegando – é maravilhoso. Pode ser para algumas, mas não vale generalização, pois de verdade, cada experiência é única e cada mulher sente diferente.

Eu sempre quis ser mãe!

Quando decidimos (eu e meu marido) que era chegada a hora de termos um(a) filho(a), não imaginávamos que algo pudesse acontecer. Depois de um tempo sem que eu conseguisse engravidar (foi um susto constatar que precisaríamos de algum tipo de ajuda para realizar nosso sonho), meu médico iniciou um tratamento relativamente simples, mas que exigiu bastante cuidado e dedicação.

Logo fiquei grávida! Certamente um dos momentos mais felizes já vividos.

Minha segunda gravidez aconteceu sem nenhum procedimento médico. E novamente uma alegria inexplicável!

Nas duas gestações não quis saber o sexo dos bebês. A descoberta na hora do parto foi emocionante, uma menina e, depois de dois anos e meio, um menino.

O que gostaria de ressaltar é que em meio à realização de ser mãe, muitos outros sentimentos também afloraram. Foram processos difíceis. Na primeira gestação precisei tirar licença do trabalho e fazer repouso absoluto do sétimo mês até o parto, e na segunda, desde o início até meados do quinto mês, o repouso foi intenso, pois tive sangramento. Encarei tudo da maneira que tinha que ser. Cuidei de mim e dos meus bebês, e as dores (inclusive as contrações, que foram intensas) fizeram parte dessa etapa tão importante e especial.

Após o nascimento, insegurança, angústia, cansaço e  medo também afloraram em mim, “nem tudo são flores”! E reforço a minha intenção de acarinhar as mães que sofrem com depressão pós-parto, que não conseguem “curtir” tanto esse momento e que se culpam por acreditarem que são menos mães que as outras.

Cada uma de nós merece que seu tempo seja respeitado. É importante que quem estiver por perto apoie e dê suporte necessário para que a “mulher-mãe” se recupere e tenha força para seguir cuidando do seu bebê. Lembrando que a responsabilidade do cuidado deve ser de ambos os envolvidos em trazer uma criança ao mundo.

Vale ressaltar que desde a concepção até o nascimento de uma nova vida, um misto de sentimentos transbordam. Os desafios são muitos, mas são inúmeras as alegrias.

O importante é o entendimento de que os ciclos se dão através de experiências, algumas boas, outras nem tanto… Tristezas e incertezas caminham lado a lado com momentos de sorrisos e realizações. E esse é o ritmo da vida!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Eu gostaria de começar este texto com uma pergunta, mas como a gente ainda não se conhece, considero que essa não é a melhor maneira para começar este texto. Melhor eu me apresentar primeiro: Olá! Eu sou a Geovana Pavanelli, mãe do Vicente, de três anos e meio, esposa do Daniel, Relações Públicas por formação (e paixão) e atualmente atuo como Gerente de Pessoas de uma empresa de tecnologia. Muito Prazer!

Agora que você me conhece um pouco vou direto para a pergunta: O que você estava fazendo em 25 de fevereiro de 2020?

Se você não estava em algum bloquinho (ou qualquer evento em grupo) por aí, curtindo a terça-feira de carnaval, talvez esteja, assim como eu, arrependida por não aproveitar a última oportunidade que tivemos de aglomerar sem medo. Parece que foi ontem, mas há quase um ano, em 26 de fevereiro, estávamos recebendo a notícia do primeiro caso de Coronavírus no Brasil.

E agora eu te convido a uma reflexão… Além do kit básico (distanciamento, máscaras e álcool em gel), o que mais mudou na sua vida de lá para cá? Nós tivemos que nos adaptar a um mundo novo. Profissionalmente falando, as mudanças foram ainda mais intensas, e o trabalho remoto passou a fazer parte (se é que ainda não fazia, como é o meu caso) da realidade de muita gente.

Atuando na área de pessoas, posso garantir que a cultura do trabalho remoto (que é diferente do home office) é o futuro das organizações, principalmente na área de tecnologia. Mesmo muita gente voltando ao trabalho presencial com a flexibilização das medidas de proteção da pandemia, mais de 86% das pessoas preferiram continuar no modelo remoto e 52%  mudariam de trabalho se recebessem uma oferta full remote (pesquisa da Robert Half realizada em 2020). As empresas terão que aceitar esse “novo” modelo de trabalho, principalmente porque, sem ele, em um futuro próximo poderão perder talentos e desmotivar equipes.  

Nesse cenário de pandemia muito se ouviu falar de como as pessoas precisaram se adaptar ao trabalho remoto, mas pouco sobre como as empresas precisam se posicionar e orientar a sua liderança sobre esse novo modelo. Tornar uma empresa remota ou híbrida não é fácil e muito menos automático, exige maturidade do empregador, confiança no time e preparação da liderança.

Se aquele modelo de “chefe” que faz microgerenciamento já estava ultrapassado, e as empresas que viam os seus colaboradores apenas como recursos já estão ficando cada vez menos atraentes, no modelo de trabalho remoto esses posicionamentos simplesmente não funcionam. É responsabilidade das empresas entender esse novo cenário, preparar os seus times para o trabalho remoto ou híbrido, motivar e alinhar todos os colaboradores na busca do mesmo propósito e, principalmente, investir na gestão do trabalho remoto, afinal, ele é completamente diferente do presencial.

E me conta, como foi essa experiência do trabalho remoto para você? A sua empresa estava preparada?

Eu posso responder pela empresa em que eu trabalho: por lá o trabalho remoto foi um processo normal e até que relativamente simples, até porque já fazia parte da nossa cultura, mas vi muitos absurdos sendo relatados por colegas que atuam nos mais diversos segmentos, tais como: empresas que não respeitam horários e acreditam que o trabalho remoto é sinônimo de exaustão obrigatória; que cobram por ambientes 100% silenciosos, quando na verdade é impossível controlar a reforma do vizinho; que não respeitam que você vive em uma casa com outras pessoas (por mais que você zele para evitar interrupções) e dão advertência quando seu filho aparece para pedir para fazer cocô; ou que obrigam mulheres grávidas a trabalhar em ambientes fechados, mesmo quando a atividade é totalmente compatível com a atuação remota.

Há um longo caminho pela frente para que as empresas estejam preparadas para o trabalho remoto ou híbrido, mas a meu ver, elas terão que se adaptar, pelo amor ou pela dor, esse será o futuro.

Já como mãe de uma criança de três anos e meio, nada foi mais desafiador do que exercer o lado maternal e profissional ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. É maravilhoso poder estar perto do meu filho por mais tempo; no modelo presencial era impossível almoçar com ele todos os dias. Mas também é doloroso vê-lo mais tempo na televisão do que eu gostaria (e do que é indicado), ouvir ele pedindo minha atenção, quando é impossível parar uma tarefa.

É uma balança difícil de equilibrar: culpa materna x profissionalismo. Eu sigo tentando fazer o meu melhor nos dois lados, mas confesso que dificilmente o dia termina com a balança equilibrada e, na maioria das vezes, um dos lados pesa mais. Como profissional também há um longo caminho pela frente, e eu também tenho que me adaptar (pelo amor ou pela dor), afinal, esse é o meu futuro.

Geovana Capovilla Pavanelli – Bela Urbana. Relações Públicas, especialista em comunicação e recentemente apaixonada pelo universo de gestão de pessoas. Mãe do Vicente, de três anos, que é a minha razão de viver. Sou uma pessoa intensa que ama trabalhar, ama o filho, ama a família, ama os amigos e, principalmente, amo a mim mesma.  

Atualmente, o que se fala em estupro, agressão física e feminicídio é uma enormidade e uma triste verdade.

Quando vejo as notícias e as imagens das mulheres que escaparam com vida, fico muito indignado. Rostos e corpos mutilados!

Acho inacreditável um homem (qualquer adjetivo que tente usar vou manchar a classe utilizada), mas utilizando, esses vermes se consideram donos de suas companheiras.

Eles não poupam nem seus próprios filhos de presenciarem essas atrocidades.

Houve um caso que o marginal atirou na esposa com o nenê no colo.

Agora analiso o comportamento das mulheres: todas têm o direito de tentar ser felizes.

Mas a maioria não procura checar a “capivara”  – ficha corrida do aspirante a companheiro.

As redes sociais são um facilitador para que isso comece a acontecer; digamos, o pontapé inicial da relação infernal.

Levam esses malditos para dentro de casa, aí a máscara começa a cair…

Aí não trabalha, bebe, usa drogas e o sustento da casa fica por conta dela.

E no extremo, abusam sexualmente de seus enteados.

As agressões começam e também os perdões.

Perdoa uma, duas, três e por aí vai.

Quando não aguenta mais, coloca o marginal para fora.

Não adianta! A perseguição por não aceitar é constante.

A vítima faz inúmeros boletins de ocorrência, consegue a medida protetiva, que não vale nada! O agressor usa esse seguinte bordão: “Se não for minha, não será de mais ninguém”.

Medida ignorada, ameaça cumprida: mais um feminicídio executado.

A dependência econômica, o medo são fatores que levam as mulheres a aceitarem essa condição degradante. E do outro lado, a total impunidade deixa os agressores e assassinos numa situação muito cômoda e tranquila.

A minha opinião é que, na primeira agressão, se separe desse verme, pois o cenário nunca mudará.

Mas para que as vítimas tenham coragem de denunciar é preciso ter leis mais duras e severas, caso contrário, os agressores se sentirão donos da situação, deitando e rolando na impunidade.

E o que se vê, na maioria dos casos, são as relações acabando e os vários filhos dos diversos relacionamentos ficando com a mãe.

Eu, como homem, repudio totalmente esses comportamentos.

Não se pode perder sua dignidade e sua vida em troca de uma relação amorosa.

Mulher não é objeto e muito menos propriedade de ninguém.

É a criação mais bela de DEUS!

Eduardo Gonzalez Domingo – Belo Urbano. Formado em Educação Física. Atuou com voleibol em todas faixas etárias, recreativamente e competitivamente. Há 14 anos atua como Corretor de Imóveis em construção, ama o que faz, pois ente que é facilitador para as pessoas realizarem o sonho da casa própria. É fiel as amizades, de bom coração e fanático por esportes e música.

Como você é linda!
Foi assim que o relacionamento começou.
Já se passaram meses, e como ele é carinhoso!
Mig estava nas nuvens. Que homem incrível havia encontrado. Fiel, trabalhador, um eterno
romântico, sempre a elogiando, presenteando com chocolates e buquês de rosas vermelhas.
“A verdade é que ele a amava. Era intenso.”
Não demorou para as promessas de casamento começarem a lhe cobrir de esperanças, afinal,
Mig realizaria o sonho de constituir uma linda família, pois filhos também já tinham sido
cogitados.
Combinaram de sair, e Mig comprou um belo vestido, arrumando-se toda para agradar seu
amado. Pena ele não ter gostado tanto assim da sua produção, pedindo-lhe com todo carinho
que colocasse algo mais apropriado. “Que mal faria ela trocar sua roupa?” Jamais iria
contrariar seu agora quase noivo com uma bobagem dessa.
O tempo passou, e como ele se recusava a usar métodos contraceptivos (Mig entendia as
razões dele), não custou para que o primeiro filho chegasse.
“O casamento podia esperar”, disse ele.
Foram morar juntos.
Uma pena ele ser tão ocupado! Chegava todos os dias tarde, cansado sempre, não cuidava do
bebê, nem tampouco da casa.
Mig se desdobrava entre os afazares, o trabalho e a faculdade à noite, quando contava com a
ajuda de sua mãe e algumas amigas.
Mas essa situação ficou insustentável e, segundo ele, a faculdade podia esperar. Mig viu que
ele tinha razão. Trancou sua matrícula.
Outro ponto foi manter sua mãe e as amigas mais distantes, pois “viviam dando palpites e eles
acabavam sempre discutindo por isso”. Mig ficou triste, mas entendia as razões dele.
Estranho que ele andava nervoso, mas Mig sabia que era por conta do cansaço.
Passados alguns dias, todo carinhoso, sugeriu então que Mig largasse o emprego, pois assim
teria mais tempo e condições de cuidar dele e do bebê. Ela entendeu que ele estava fazendo
isso para o bem da família. E assim, pediu demissão.
Mas parecia que nada o agradava.
Até que um dia, sem mais nem menos, deu-lhe um tapa na cara, alegando que a comida não
estava quente. Ela chorou muito, mas não quis brigar.
Na manhã seguinte, ele pediu desculpas, chorou, implorou para que ela esquecesse aquele
triste momento. “Ele a amava e não faria de novo”. Claro que ela o perdoou.
Os episódios passaram a ser constantes… Descaso, humilhação, cobranças absurdas e muita
agressão física.

O pedido de perdão, com lágrimas e lamentos, tornou-se recorrente.
Mig não estava mais dando conta. Mas não tinha coragem nem força para tomar uma atitude,
inclusive porque não sabia o que fazer.
Mas o tempo a fez perceber que precisava terminar com ele, pois temia por seu filho também.
Foi aí que a tragédia aconteceu.
Por conta de não aceitar o fim do relacionamento, ele planejou o pior.
Esperou Mig dormir, jogou álcool sobre ela e ateou fogo.
Ela acordou em chamas. Com seus gritos de dor, uma vizinha conseguiu arrombar a porta e
socorrê-la.
Ele havia fugido para sempre.
Mig teve 80% do corpo queimado, seu rosto desfigurado e marcas psicológicas para sempre.
Precisou lutar pela vida.
Sobreviveu com garra! Hoje luta pela causa, para ajudar outras mulheres a não passarem pelo
que passou.


*Dados do DeltaFolha afirmam que “o Brasil registra 1 caso de agressão à mulher a cada 4
minutos.”
*Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), “7 em cada 10 mulheres no planeta foram
ou serão violentadas em algum momento da vida”.
*Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, “a quantidade de
denúncias de violência contra as mulheres recebidas no canal 180 cresceu quase 40%
comparando o mês de abril de 2020 e 2019”. (saude.abril.com.br)

Disque 180. Denuncie. Vá até a Delegacia da Mulher (ou delegacia mais próxima) e preste
queixa.
Disque 190 – Polícia Militar para atuação emergencial.


Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Quando a Adriana perguntou sobre escrever um relato da minha história aqui no Belas Urbanas, sabia que seria um desafio e tanto, pois senti um frio na barriga em tornar público o que vivi e que pouquíssimas pessoas conhecem.

Para mim a palavra “abuso” estava associada somente ao sexual, mas hoje sei que há muitos e muitos tipos de abuso.

Hoje, com 53 anos me lembro de quando criança com uns dois anos em um canto da casa, amedrontado e fechado em meu mundo.

Meu pai, dedicado ao trabalho, provedor, tinha uma gráfica.  Minha mãe era trabalhadora também, da casa. Dedicada em viver em função da família.

Meu pai quando em casa, mostrava sua austeridade. De pouco sorriso no rosto, e quando tinha era de sarcasmo ou ironia, gostava de beber uma cerveja para relaxar, o clima pesava e a agressividade verbal e física corria solta. O nível de tensão era sempre alto. Não apanhei muito, mas minha mãe sim.

Meu pai em sua ausência, se fazia presente determinando e controlando a minha vida (imagino que dos meus irmãos também, somos em 04, todos homens). Ainda menino,  com mais coordenação motora, comecei a trabalhar na gráfica, independendo da vontade ou não. Já nasci com um trabalho e futuro determinado…..pelo meu pai.

Conforme fui crescendo, as coisas foram complicando. Fazia judô, não gostava, queria jogar basquete. Pedi para mudar de esporte, mas como meu pai era meu pai e diretor de judô no clube, fui obrigado a continuar no judô. Mas um belo dia, não aguentei e fui conversar com o professor de basquete, fiz o teste e passei, mudei de esporte. Joguei por quase 10 anos e ele nunca assistiu um jogo se quer.

Nunca levei um amigo para casa, não podia, tinha vergonha. Além do meu pai extremamente bravo e meus amigos terem medo dele (um amigo relatou isso mês passado), minha mãe vivia a realidade dela, via e escutava o que ninguém via e escutava. Ela tinha esquizofrenia.

Meu pai era bom para lidar com máquina, não com gente. Autoridade e autoritarismo são coisas distintas, um vai pelo respeito e outro pelo medo. E pelo medo abafei minhas emoções, me preservei me tornando submisso, fazia de tudo para pertencer e agradá-lo, mas a ferida emocional da rejeição e desvalorização já estavam abertas. Vesti a armadura do guerreiro solitário e fui pra vida.

O que trago aqui é somente alguns pontos macros, mas no dia a dia o negócio era punk, em qualquer momento do dia poderia acontecer algo de ruim e tinha que dormir com a porta do quarto trancada para não ter surpresas. A ameaça, a tensão era uma constante e convivi com o sentimento de medo e tensão no corpo até poucos anos atrás. Tive momentos de um frio congelante que me paralisava, o racional se desligava, perdia o chão ficando sem rumo, sensação de não existir, era desesperador. Tive vários dentes quebrados por bruxismo e muitas fronhas de travesseiro amareladas devido ao suor exalado pelos traumas vividos em forma de pesadelos.

Isso refletiu em todas as minhas relações na vida, não tem como. Mas com elas aprendi.

Aprendi que não nasci na família errada, aliás, acredito que ninguém nasça na família errada. Aprendi que os meus pais fizeram o que estava dentro de suas possibilidades, das suas suficiências. Aprendi que por pior que tenha sido uma situação, muito falava de mim e que poderia me melhorar como ser humano. Aprendi a perdoar e aceitar a vida, a me amar, respeitando mais os meus limites, capacidades e valores maiores e que eu sou o responsável pela minha vida e evolução e que ninguém pode tomar uma decisão por mim. Aprendi que a vida é mais como respondemos a ela do que acontece com a gente. 

Sou um buscador e através da observação de mim mesmo, dos meus pensamentos, das minhas atitudes, emoções, dos sonhos, praticando meditação e pedindo ajuda para terapeutas integrativos competentes, venho me transformando, evoluindo, vivendo mais a minha coerência e mais em paz, leve, mais disposto, com criatividade e propósito.  

A vida não tem chegada e fim, só ida e nessa ida, respeitando e honrando de onde vim, faço um caminho de escolhas mais conscientes, resgatando a minha inteireza no amor e respeito com a minha esposa, minhas duas filhas, as cachorrinhas e  todas as pessoas que me relaciono, que juntos, geramos o mundo que vivemos.   

Wlamir Stervid ou Boy, para aqueles que o conhecem pelo apelido. – Belo urbano, apaixonado pela sua família, por gente e natureza. Sua chácara é seu recanto. Devido ao seu processo de transformação, trabalha com desenvolvimento humano, é Coach Ontológico e idealizador do Homens de Propósito, um movimento entre homens para o autodesenvolvimento e transformação do masculino.





Ela é quem da à luz ao ser humano.
A energia feminina ganha espaço para que o novo ocupe seu lugar.
Privilégio do nosso corpo.
Privilégio que também vem com responsabilidade… Contribuir para os que chegam através de nós, evoluam, aconteçam no âmbito da terra e registrem essa transformação.
Me descobri mãe, gestora de uma Vida, ganhando outras perspectivas.
Então, me soltei com todos meus erros e acertos, convencida em fazer o meu melhor.
Agora vejo-me degustando da mentoria dos pequenos passos e me orgulho.
Contudo ver o desabrochar dos filhos trilhando seus caminhos tão particulares, por vezes, nos incomoda a ponto de tornar quase que insuportável dor a existência da separação ou distância.
Pois bem! Eles crescem.
No entanto precisamos compreender e incentivá-los, na força, na luz, na Vida.
Diante disso, vejo eles dando início a tudo que vivenciamos juntos intensamente.
Agora em silêncio reflito aos dias de hoje, enxergando o mundo através dos olhos deles, que, todo nosso tempo, envolvimento emocional e energia empregada na vida prática, elucida nosso projeto… (Ser Mãe)!

Simone Oliveira – Bela Urbana
Formada em marketing, mãe da Bia e do Junior, esposa e apaixonada por livros, Harley Davidson e Moda !

Dois anos atrás, quando começamos a planejar um sonhado período vivendo nos Estados Unidos, nunca poderíamos imaginar que isso ia acontecer juntamente com uma pandemia mundial. Se, na época, alguém tivesse previsto que o mundo inteiro iria parar, escolas e comércios iam permanecer fechados e as pessoas ficariam em isolamento social dentro de suas próprias casas, eu teria certeza que se trataria de um filme de ficção
científica. Mas não.

E foi um pouco antes disso tudo começar que cheguei em Berkeley, na Califórnia, junto com a minha família (marido, filho e meus pais), para passarmos 7 meses por aqui. Eu e um marido viemos para atuar como pesquisadores da University of California. Deu o maior trabalho conseguir conciliar nossos afastamentos nas universidades brasileiras que
trabalhamos, para que eles acontecessem no mesmo período, providenciar os documentos desse tipo de visto, planejar a mudança e deixar parte da família, os amigos, uma casa para trás. Mas, enfim, viemos. Com muitos planos.

Os dois primeiro meses foram ótimos. Pudemos conhecer a região, nos inserimos em diversas atividades da universidade. Eu e meus pais começamos a frequentar aula de inglês todas as manhãs. Meu filho ingressou na escola, no 2º ano do ensino fundamental. E a vida corria exatamente do jeito que havíamos imaginado. Mas, em março, tudo mudou. Fomos avisados de que tudo seria fechado e que deveríamos fazer o isolamento social. De repente, nos vimos sem acesso as todas as atividades da universidade (as mesmas atividades para as quais viemos até aqui), meu filho sem escola, tudo fechado. Estamos há mais de 1 mês nessa situação. E no país que tem mais casos de contaminação e de mortes no mundo!

Com o passar dos dias, fomos vendo a crise se instalar. Supermercados com
prateleiras vazias, produtos de limpeza esgotados, produtos de proteção (máscaras, luvas) sem previsão de estarem disponíveis em qualquer lugar, loja física ou online. Por sorte, a cidade em que estamos não tem apresentado crescimento dos casos. As pessoas têm se mostrado, em sua maior parte, bastante conscientes, permanecendo dentro de suas casas
ou saindo com todo o cuidado quando precisam.

E me vi questionando: puxa, mas justo agora? O que eu estou aprendendo com tudo isso? Que nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente quer. Todos os meus planos profissionais aqui provavelmente foram encerrados, ainda que a gente vá continuar na cidade até final de julho. Considerando-se que não há nenhuma previsão de encerramento do isolamento, todas as oportunidades que começamos a aproveitar, não
mais farão parte dessa experiência. Do mesmo modo, pensei que a oportunidade do meu filho frequentar uma escola aqui pudesse ampliar sua visão de mundo e seu domínio do inglês, mas isso só durou 2 meses. Ainda que parte das atividades tenham voltado a partir da segunda semana de abril, tanto as aulas de inglês quanto as aulas da escola do Miguel,
oferecidas por meio de plataformas online, não é a mesma coisa.

Por outro lado, estamos aprendendo muito sobre ficar juntos, nos aproximando mais da educação do Miguel, compartilhando sentimentos e percepções. Nesse momento agradeço por estarmos em cinco pessoas aqui e, principalmente, por estar com meus pais aqui junto comigo. Parece que fica mais fácil de enfrentar essa situação. Se eles estivessem no Brasil, e eu aqui, estaria medo por não saber se eles estariam se cuidando adequadamente, se estariam precisando de alguma coisa.

Junto a tudo isso, não posso esquecer que eu e meu marido somos psicólogos. Fica mais fácil por causa disso? Não! Nesse momento somos apenas mais duas pessoas com medo e em casa. Talvez a diferença que isso esteja fazendo envolve dois temas que trabalho: psicologia positiva e criatividade.

A psicologia positiva é um movimento que busca valorizar o que existe de melhor em cada indivíduo. Essas habilidades, como otimismo, esperança, felicidade, podem ajudar as pessoas a encontrarem qualidade de vida nesse momento tão difícil, entender e lidar com as suas emoções e se relacionar com as pessoas ao seu redor. Já a criatividade, pode funcionar como uma espécie de energia adicional que vai nos ajudar a olhar para a situação
por novos ângulos, na busca por soluções para os novos problemas do dia a dia, nos tornando mais abertos e flexíveis em relação ao futuro, nesse momento tão difícil que estamos vivendo. Penso que, mais do que nunca, uma atitude positiva em relação a vida e ao futuro poderá nos ajudar a superar essa fase e sairmos ainda mais fortalecidos. É nisso que acredito.

Tatiana de Cassia Nakano – Bela Urbana, psicóloga, mãe, apaixonada por fotografia, viagens e pela família. Professora do curso de
psicologia da PUC-Campinas.

A LEI Nº 12.318, DE 26 DE AGOSTO DE 2010 em seu Art. 2o , define a Alienação Parental como sendo a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

História de um Casamento, foi produzido pela Netflix, vem recebendo elogios rasgados, tanto pelo roteiro e direção quanto pela belíssima atuação de Scarlett Johansson (Nicole) e Adam Driver (Charlie).

Sob o ponto de vista da Alienação Parental, destaco a mudança de Nicole de Nova York para Los Angeles com o filho, com a menção que seria apenas por um período. O pai continua a trabalhar em Nova York e quando percebe, a criança já está familiarizada com sua escola nova provisória em outro estado e as visitas do pai se tornam apenas obrigação para o menino, que tem na família materna tudo que aparentemente precisa para ser feliz.

Apesar da mãe (Nicole), aparentemente não alienar o filho contra o pai, inconscientemente algumas permissividades e vínculos exagerados, acabam afastando a criança emocionalmente do pai, apesar do seu esforço sobre humano para manter o vínculo.

A situação se agrava durante o processo de divórcio manobrado por advogados ainda mais competitivos que o próprio casal.

Do ponto de vista da Alienação Parental, mesmo com alguns deslizes, Nicole se esforça para estimular o contato entre pai e filho, criticando os exageros de sua advogada na divisão da guarda da criança.

Apesar de suas melhores intenções no que toca ao bem estar do filho pequeno, Nicole e Charlie mais de uma vez vão usar o menino para frustrar e ferir um ao outro.

A cena onde a criança fica dividida no meio do casal sem saber com quem ir, é de “cortar o coração”.

No geral, a Alienação Parental no filme se mostra bem mais branda que a maioria da realidade dos divórcios e separações em todo o mundo, onde os maiores prejudicados são os próprios filhos.

A SAP (Síndrome da Alienação Parental) deixa traumas que se perpetuam para o resto das vidas se não houver consciência, responsabilidade e flexibilidade.

Angela Carolina PaceBela Urbana, publicitária, mãe, tem como hobby estudar Leis. Possui preferência por filmes de tribunais de todas as áreas jurídicas.

TERCEIRO CAPÍTULO

Entre minutos e outros a senhora pequena ao meu lado falava sem parar e eu sabia que aquele discurso iria nos acompanhar. Então me livrei de meus argumentos filosóficos sobre Respeito e Coragem, e dei atenção única para ela, que falou sobre sua vida sem constrangimento. Falou de sua doença, dos filhos e de sua trajetória pela vida. O seu filho mais velho bêbado em potencial, alcoólatra, e pasmem era aquele que eu mesma havia observado colocando-a no ônibus. A senhora tinha alguns hematomas nos braços e pasmem eles foram providenciados pelo espancamento deste filho de apenas 58 aninhos! Quase um idoso? Penso eu! Difícil de acreditar que aquele senhor que a colocou dentro do ônibus com tanto carinho, dando conotações ao motorista, para que ele cuidasse de sua mamãe durante a viagem! Por favor, não a perca de vista de forma alguma! Sabem que eu não percebi nenhuma rudeza nesse comportamento! Mas… seriam devaneios? Devaneios Maternos?

QUARTO CAPÍTULO

Ah! E a filha mais velha que gritou com ela e muito alto os seus berros que ela ficou tão rouca, e sem voz! Ao que a senhora profetizou: Tomara que seja para sempre! OPA! Praga de mãe pega?? Ah! Continuando, ela precisou vender o sítio, lá no PARANÁ, um lindo Estado Brasileiro, isto porque nenhum dos filhos quis semear e plantar, produzir após o falecimento do bêbado marido! (Via-se que o alcoolismo era característica de família.) Conversa vai… conversa vem… Estávamos na Rodovia dos Bandeirantes, o sol maravilhoso após muitíssimos dias de chuva, temporais, acidentes e isso estava acontecendo com horários prescritos pela NATUREZA, nos mostrando com esse forte barulho, a sua CORAGEM em defender os seus direitos adquiridos. Observação: A NATUREZA É BELA! E a senhora encantada com a mata ao redor, ela comentava dos bichos, das flores que deveriam ser encontrados bem ali ao lado da estrada, que beleza que era a natureza, a senhora vibrava! Ela me confessou que nunca havia viajado por aquela Rodovia, a estrada realmente era muito boa, agora ela poderia dizer aos amigos eu viajei pela BANDEIRANTES!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

E não é que guerreiras também desabam?

Desabar na frente dos amigos pode ser algo corriqueiro, principalmente quando falamos de amor ou falta de dinheiro. Mas o tema hoje não é esse, aqui o assunto foi: mostrar-se humana pra um ser “humaninho” de apenas 6 anos de idade.

Mães são humanas?

Muitas coisas nos assombram à noite antes de dormir. Aquele momento em que temos de esvaziar a mente é justamente o momento em  que o pequeno incorpora super-heróis mirabolantes, que não param de se mover e criar estórias e ações.

Mas voltando, à questão: – Mães são humanas?

Fomos educadas e orientadas ao longo de nossos primeiros anos de vida a pensar num ciclo: crescer, namorar, noivar, casar e ter filhos. Pronto! Linda família feliz se formou! Mas de repente a família feliz “Família Margarina” aquela dos comercias perfeitos, se dissolve. O que restou? Para a sociedade: uma mãe e um filho. E isso é tudo. Nada sobre o que significa a união destes dois seres que são o argumento de muitas outras visões não vistas e não sentidas pela sociedade.

Restou apenas isso? E a vida cotidiana? E a vida particular? Os duelos? Aquela mãe é também mulher e também o chefe da família. Deve ser provedora, dócil, enérgica, responsável, assertiva e sobretudo: eficiente. Competentíssima!

Nos intervalos do dia a dia às vezes ouvimos: – Você está linda! Nossa como você está diferente depois da separação! Está realizada como mulher!? E logo pensamos: como mulher, no sentido mulher bonita e independente, sim! Mas e quando essa mulher independente e “guerreira” também pede colo? Também chora. Temos esse direito?

Dia desses, depois de uma jornada tripla, entre sair da sala de aula e pegar meu filhote para encerrar mais um dia, coloco a cabeça pra fora da janela do carro e vejo uma Lua cheia! A observo por alguns segundos…pare!

Tarefas me chamam! Dar banho, escovar os dentes, conferir o caderno da escolinha, separar roupas sujas… As mães são assim… Ágeis como formigas em busca de comida. Como conseguem ser tão rápidas? Não tenho ideia! Não consigo pensar nisso agora, porque depois que dei banho no meu filho vejo um ser “humaninho” de pijama com as duas mãos semiabertas dizendo: – Mãe, mãe! Olha o que trouxe hoje!

Vejo duas mãozinhas firmes segurando carapaças de cigarras. Desta vez ele pegou muitas, mais de cinco! – Hora de dormir filho, amanhã vemos isso! Exausta, e quando achava que já estava liberada para espiar mais uma vez a Lua cheia na janela, meu filho me pede para explicar por que as cigarras cantam. Mãe, mãe, porque elas ficam assim? Meu pequeno quer encantar sua mãe, quer a presença dela para lhe levar ao sono. Sim! Ele tem apenas 6 anos, ele precisa de mim!

São 23h30. Quando deitei ao lado dele, vieram as lágrimas. Desabei! Segurei ao máximo, mas essa “maldita” arte de ser intensa não me deixa e para não chorar em frente ao meu “super-herói” mixei o choro frustrado com o sorriso triste, gesto típico de uma mulher que (cresceu, aprendeu e amou)  e teve de aprender a “cicatrizar” rápido (como me disse uma amiga), ao ter de lidar com sentimentos fortes, com a emoção de amar e ser amada, mas também de experimentar o gosto do não-amor. Existe isso?!

– Mamãe você está chorando? Por que? Fala pra mim. Dizia ele acariciando meu rosto.

Desabei…e aos prantos:

– Filho, sim estou chorando! Por muitos motivos. Porque sua mãe hoje é também uma mulher que sofre de amor, que erra, que sofre por não conseguir melhores condições financeiras, por não conseguir ser “competentíssima” como mãe, por não ter lhe dado a melhor escola que desejava, que sentiu muitas pressões e opressões do mercado de trabalho, mas que acima de tudo é a sua mãe guerreira que acorda todos os dias em busca de apenas três letras: PAZ.

Somos também as mulheres que desabam, que choram e que desejam proteção, amor e sonhos para os nossos filhos.

Que todas as mães possam simplesmente serem verdadeiras consigo mesmas. Somos mães, mulheres e acima de tudo, humanas.

Cris Saad – Bela Urbana, professora universitária, publicitária, fã do vento, da lua e do acaso. Apaixonada por música e dança, enfim apaixonada pela liberdade, pela loucura do movimento e o gozo do encontro.