Uma das perguntas que mais ouço ao longo da minha vida é: Tiago com h ou sem?

Várias vezes eu disse que meu nome não tem h pois sou Homem com H maiúsculo, portanto não preciso desta letra extra; demonstrando orgulho (no mau sentido). Por quê me orgulhar de algo que não foi obtido por escolha ou esforço?

Desde tenra idade percebi que minha vida seria moldada por ter encarnado em um corpo masculino desta vez, afinal o preconceito faz parte de toda sociedade. Durante décadas vi os preconceitos, não apenas os de gênero, diminuírem muito. As mulheres passaram a ocupar funções antes exclusivas dos homens, beneficiando não apenas elas, mas toda a sociedade.

Criado em uma família de cinco filhos, tivemos tratamentos diferentes, minhas duas irmãs, na adolescência, não podiam frequentar qualquer ambiente sozinhas; a preocupação, neste caso, era apenas a segurança.
Machistas ou não, pais de filhas adolescentes têm a obrigação de zelar por elas.

Acabei de escrever uma frase machista, pois poderia ter escrito filhos. Foi por uma questão gramatical, o português é um idioma com gênero, o que não ocorre no inglês, por exemplo. Os plurais devem ser no masculino, não importa a proporção. Idioma machista, não acham?

É evidente que o zelo deve se estender aos meninos, mas a natureza nos fez diferentes. A sociedade, apesar dos avanços, nos trata com diferença. Jamais vou passar pelo sofrimento que minhas semelhantes estão sujeitas e por mais que me esforce, minha empatia será sempre limitada.

Lendo as notícias, escandalizo-me, protesto nas redes sociais do meu jeito tosco e muitas vezes insensível e colérico. São todas minhas irmãs, como ficar insensível diante de tanta brutalidade?!

Não posso me comportar como um homem com h minúsculo. Tenho que ouví-las para crescer. Somente elas vão me ensinar a tornar nossos relacionamentos mais harmoniosos. Oro diariamente à Mãe Divina por todos nós, pois só a sintonia com o aspecto feminino de Deus vai completar meu entendimento nesta luta.

Ao amadurecer este entendimento, graças à ajuda feminina, principalmente das minhas Mães, a divina e a terrena, que até hoje me ensinam, vou procurar fortalecer as principais armas para lutar por elas: solidariedade, compaixão e amor.

Tiago Nogueira – Belo Urbano. Formado em publicidade pela PUC Campinas e jornalismo pela FACHA-RJ, atuou profissionalmente em audiovisual desde 1986, jamais escrevendo, é melhor com as imagens. Em raros momentos de inspiração e dedicação tenta produzir textos para contribuir para a sociedade, através deste fascinante e multifacetado mundo digital. Sem filhos, mas apaixonado por crianças e mágicas, descobriu no trabalho voluntário em pediatrias de hospitais públicos, como levar alegria a elas através da risoterapia através da Fundação Griots http://www.griots.org.br/2019/

Lendo vários posts do Dia dos Pais fiquei pensando…

Quantas recordações de quando eu era professora na educação infantil… isso no mínimo há 12 anos atrás.

Eram rodas de conversas, brincadeiras de faz de conta, onde as crianças relatavam o que faziam com seus pais! Sempre um momento muito especial e delicado e eu, claro, amava cada história ali compartilhada e respeitava aquele universo.

Entre as diversas histórias, tem uma muito especial e que nos instiga a pensar sobre a paternidade.

Eu tinha uma aluna de 03 anos, muito falante que contava tudo que fazia com seu pai, brincadeiras de casinha e boneca, passeios de bike, contação de histórias, etc.

Me lembro de uma manhã quando ela chegou na escola toda enfeitada de laços de fitas rosas e me falou: – Olha como estou linda Deni, hoje foi o meu o meu pai que me arrumou e eu arrumei ele, coloquei a gravata e o tic-tac no cabelo dele, ele está lindo também, não é Deni?

Nesse momento, levantei os olhos para ver o pai e me deparei com a cena relatada. O pai todo seguro com o tic-tac na cabeça e agindo com naturalidade, falou: – Oi Deni, tudo bem?

Claro, que embora a cena fosse muito divertida, naquele momento entrei na brincadeira, respondi ao pai e em seguida, olhei para a filha e falei: – Realmente, seu pai está muito bonito.

Eu e o pai nos olhamos, demos uma risada com os olhos e tudo seguiu normalmente.

Esse PAI era incrível! Participava, cuidava e brincava. Assumia suas obrigações e necessidades dentro de um sistema familiar, com funções estabelecidas e acordadas com sua esposa.

Hoje, observo o comportamento de muitos pais em relação aos filhos e percebo cada vez que assumem a paternidade responsável e eu, como professora de crianças (que fui) fico muito entusiasmada e esperançosa na construção de uma sociedade melhor. Afinal, com a paternidade responsiva toda a sociedade ganha, mas principalmente a criança, uma vez que impacta positivamente no seu desenvolvimento, deixando-a segura e feliz para explorar o mundo.

Deixo aqui o meu desejo, para que todos os pais vivam a experiência da paternidade de forma plena, não economize no afeto… abrace, beije, esteja presente, dê broncas, converse, demonstre o quanto você ama e quanto é parceiro de seu filho(a)!

Denilze Riciardelli – Bela Urbana, mãe da Lila e Duda, duas pets… ontem professora da infância, hoje empreendedora no ideal de uma sociedade melhor para todos, especialmente para as crianças.

Eu vou louvar a vida de meu pai,
Numa canção assim bonita,
E tenho certeza que ela vai,
Trazer ao mundo mais amor.

Quando teve terra, era roceiro.
Foi jardineiro, beato e pedreiro
Ele já foi gerente sábio, padeiro,
Balconista, caixa e cacheiro.

Já alugou casa, vendeu carro,
Vendia Dollar, se virou investidor.
Patrão ou empregado assalariado,
Sem passar, fome sempre trabalhou.

Foi Motorista, camelô
Faxineiro e doutor
E agora aos setenta
Aposenta, por favor!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Meu primeiro amor tinha o cabelo castanho lisinho, olhos castanhos e era um pouquinho maior que eu. Provavelmente devia ser alguns meses mais velho, já que eu era uma das mais novas daquela classe. Eu amava! Sentia uma emoção que nem sei descrever, mas lembro sim que a sentia.

Uma vez ouvi algum adulto, uma mulher, que falou para mim: – Criança não ama! – eu fiquei muito brava e me lembro de protestar: – EU AMO! – disse em alto e bom som. – Amo sim, e amo o Rogério!

Não me lembro quem era a adulta, talvez minha mãe, talvez minha tia Marta… Eu era bem pequena, tinha só quatro anos. Sim, você entendeu bem, tinha quatro aninhos! Estudava no jardim da infância e minha professora, que eu achava linda, se chamava Regina. Para seus alunos, Tia Regina.

Tia Regina me deu uma grande alegria. Os pares da festa junina para a dança da quadrilha eram escolhidos por ela. Quem vocês acham que ela escolheu para ser o meu par? Ninguém menos que o Rogério. Meu coração pulou de alegria, e me lembro da emoção e também de querer disfarçar que estava tão feliz. Fico hoje me perguntando, por que algumas vezes temos vergonha e queremos disfarçar nossa felicidade?

Como eu me lembro de tudo isso? Eu simplesmente me lembro… E, mesmo hoje (melhor nem contar quantos anos já se passaram daquele junho, algumas décadas), ao lembrar, consigo recordar da emoção sentida.

Dançamos aquela quadrilha e foi lindo! Aliás, essa foi até hoje a quadrilha que mais gostei de dançar na minha vida.

Dizem que somos feitos de emoção. Eu acredito nisso. Acho que emoção nos molda. As boas nos moldam para sermos mais doces, para algo interno que nos resgata e conforta nos momentos difíceis da vida. Até hoje eu discordo da adulta que me disse que criança não ama. Eu sei hoje que ela se referia a um amor romântico, mas mesmo assim, eu discordo mesmo, porque eu amava o Rogério, do meu jeitinho, de uma menininha de quatro aninhos, da forma mais pura e autêntica que é o amor. Simplesmente o querer bem, o encantamento e a vontade de estar do lado.

Saí da escola no ano seguinte, como eu disse, era das mais novas e a lei tinha mudado. No outro ano, quando voltei, nunca mais o vi. Acho que mudou de escola.

Se sofri por que amava? Não. Se fiquei pensando no Rogério? Não. Eu brincava, e brincava muito, e isso também era feito de amor.

Brinco com essa história a vida inteira. Outro dia peguei as fotos da quadrilha e mostrei para meus filhos. Eles riram, e ficamos perguntando na mesa: – Cadê o Rogério? Inventamos mil destinos para ele e jantamos dando boas risadas.

Desejo do fundo do meu coração que o Rogério tenha sido um menino feliz, assim como eu fui, e desejo que onde quer que esteja, que esteja bem.

Como disse Drummond: “Amar se aprende amando”.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Estes dias estava estudando com meu filho os temas de redação para vestibular. Um deles era a linguagem neutra. Eu nem sabia o que era e quando fui buscar no dicionário é basicamente a utilização de uma terceira letra (E) para se referir a todos, sem particularizar gênero com a letra A para feminino e O para masculino. No início achei absurdo, afinal, mais uma diferenciação? Este povo está maluco? Onde isso vai parar?

Foi aí que comecei a pensar no assunto e quando chega o dia dos namorados, reflito sobre o que leva as pessoas a se enamorar é o amor…ah, aí sim, cabe uma observação.

Quando queremos amar, será mesmo que queremos ter filhos? Será que amar só pode ser entre homem e mulher? Será que amar significa sexo? Sexo significa “penetração”? Nossa….tenho dois filhos adolescentes e nem sei o que vai ser nesta área da vida deles, mas muitas pessoas têm conceitos muito fechados para o AMOR.

Claro que temos vários tipos de amor… amor de mãe, de filho, de avó… mas o amor de namorado? Este também, no meu ponto de vista poderia ser mais livre…. já que acredito que amor para namorar é:

  • Estar junto
  • Trocar carícias
  • Ajudar um ao outro
  • Conviver bem
  • Construir coisas juntos
  • Sonhar juntos
  • Viver juntos…
    Para fazer tudo isso acima e curtir o dia dos namorados, só posso ser homem e mulher? Não pode existir AMOR de outra forma? É isso mesmo? O que vale a pena são os gêneros criados pelos homens? Acho que a palavra gênero, não deveria nem existir. Ela deveria ser trocada por “humanos”. Somos humanos, e como humanos devemos AMAR. Esta é a razão do porque estamos aqui. Amar, ser simples, gentil e evoluírmos.
    Sou casada à 25 anos, tenho uma família linda e escolhi um SER HUMANO maravilhoso para me acompanhar nessa caminhada. Qual o gênero que ele é? Hoje eu digo… isto não faz a menor diferença!

AME ACIMA DE TUDO! ENCONTRE ALGUÉM PARA DIVIDIR SUA VIDA, PRA SONHAR E SER FELIZ!

Roberta Corsi – Bela Urbana. Fundadora e coordenadora do Movimento Gentileza Sim, que tem por objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva. Mãe da Gabi e do Gui. Gosta muito de reunir a família ao redor de uma boa mesa.

Sou cartunista, mas não leio o futuro nas cartas. Desenho o presente com lápis e humor.

Minha formação acadêmica é em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda e já trabalhei na área. Depois, aliando o mundo business e o meu conhecimento fluente em alguns idiomas, passei a dar aulas. Também trabalho com construção civil, junto com a família.

Porém, a minha grande paixão é a arte! Já sofri muito pela falta de tempo de produzir o que minha mente criativa pedia. Cores, tintas, lápis, papéis, dá até água na boca de pensar.

Juntando a arte com a veia de humor, que sempre esteve presente em mim, nasceu a cartunista. Há alguns anos tomei coragem e inscrevi uma ou duas caricaturas em salões de humor, que foram selecionadas e eu passei a amar esse novo mundo que se abria. Com o passar do tempo, o vício foi dominando e, charges, cartuns, até tirinhas foram surgindo. O Brasil é uma terra rica em matéria-prima para essa arte, seja pela homenagem às nossas
grandes figuras ou pela crítica à política do momento. E tem o mundo.

Nunca pensei ser a ‘mulher cartunista’, mas, aos poucos, acabei me tornando uma ativista cultural também. Fui percebendo a pouca representatividade feminina na área e procurei entender os motivos para isso, visto que o mundo do cartum é uma bolha masculina. Os grandes chargistas são majoritariamente homens – procure “cartunistas do Brasil” no Google – e nem mesmo eles parecem perceber esse círculo fechado em que vivem.

Sabemos que, há muitos séculos, existe um trabalho por parte de sociedades, principalmente as religiosas, para destruir a relevância do papel da mulher. O sexo frágil, a bela, que deve ser também recatada e do lar. No seu papel de procriadora, ela acabou sendo dominada e o seu
conhecimento ancestral foi chamado de bruxaria e queimado nas fogueiras da inquisição e outras semelhantes.

Quando surgiu o movimento feminista, toda a luta foi desmerecida. O que se buscava era a igualdade de direitos, como poder votar, trabalhar, ter direito à herança, sair à rua desacompanhada e sem ouvir bobagens. Mas denunciar o machismo é coisa de “histérica”, ela é feia, tem sovaco cabeludo, não gosta de homem, mal-amada, não conseguiu segurar marido,
a lista é longa… O humor que ela desenha é, também, desmerecido como arte inferior.

Uma vez, em uma feira de quadrinho, na Alemanha, Maurício de Sousa foi indagado sobre a falta de mulheres quadrinistas em sua comitiva. Ele respondeu que, no Brasil, “Mulher ainda não tem essa liberdade sem vergonha que homem tem, de trabalhar até tarde, tem que cuidar
da casa, dos filhos, quadrinho exige muito tempo de dedicação”.

A mulher, como protagonista de seus próprios desenhos de humor precisava ser resgatada e furar a bolha.

Na procura por essas cartunistas, salões de humor, exclusivos para mulheres, surgiram, como é o caso do “Batom, Lápis & TPM”, que acontece todo mês de março, em Piracicaba e que reúne artistas, que, mesmo espalhadas pelo mundo, são muitas e seus desenhos e mensagens são
impressionantes. Sororidade passou a ser um lema. Esse ano, 2021, houve a tentativa da secretaria de cultura de Piracicaba de cancelar o Salão. Quando tomei conhecimento de que não haveria uma edição inédita, entendi que era a hora de mobilizar os cartunistas e passei a enviar mensagens e e-mails mundo afora e, assim, conseguimos reverter a situação. Preciso dizer que também recebi algumas reações estranhas, de negação, como se o salão fosse realmente algo inferior e que não merecia atenção, por parte de pessoas que eu admiro. Não guardo rancores, mas guardo nomes…

Trata-se de um precedente perigoso. O primeiro corte é nas mulheres. Era preciso agir para que não houvesse corte (ou censura) a outras exposições de humor. O Salão de Humor de Piracicaba tem uma longa tradição de resistência política. Nasceu no auge da ditadura militar no Brasil e está em sua 48ª edição, em 2021. Todos os anos o Salão Batom, Lápis & TPM, abre a temporada, em março. Em seguida, sai o regulamento e as inscrições para o salão principal, que acontece em março. Muitas atividades são levadas às escolas da cidade, e existe o salãozinho, para crianças. Quem sabe o que mais pode ser cortado, alegando custos e organização, mas sabe-se que é política. E parece que a atual política é tendenciosa à censura do humor questionador.

Há 3 anos, eu fiz a curadoria da exposição “Humorosas”, que reuniu 20 artistas. A ideia original foi do amigo artista, o Robinson, para expor as mulheres artistas que fazem humor. Foi um sucesso, a abertura foi no MACC, Museu de Arte Contemporânea de Campinas, depois passou
por mais 3 locais, antes de encerrar. Estamos programando uma nova edição de Humorosas para logo, pois temos um problema recorrente. Hoje, nas páginas das redes sociais, que anunciam festivais de humor, pouquíssimas mulheres são mencionadas. Quando uma de nós levanta a questão, denunciando o clube masculino, a recepção é sempre fria e negado o machismo. Acabo de ver um cartaz com “cartunistas do Brasil”, com umas 100 fotografias. Não cheguei a ver 3 mulheres entre os grandes.

O trabalho de charges, cartuns e caricaturas que realizo, estão muito ligados a essas situações, de sexismo e política, basicamente. Recebo prêmios e críticas pelo meu trabalho. Prêmios no Salão Internacional de Piracicaba e, ano passado, 2020, o “Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado”, junto com 110 cartunistas (6 mulheres), por uma charge continuada, em apoio a
um cartunista, ameaçado pela Lei de Segurança Nacional. Críticas vem nas formas mais variadas. Tem gente que acha que eu não devo criticar o governo, que acha que estou torcendo contra. Tem gente que pergunta se eu não tenho medo. Medo do quê, amigo?

Enquanto conto os números de mortos na pandemia, a cada charge ou texto que publico, nunca terei medo de expor as mazelas e irresponsabilidades de um governo genocida. Não é um prazer desenhar o terror que estamos vivendo e ainda tentar agregar humor. Para mim, é um dever. Estamos em março de 2021 e nadando a braçadas para os 300 mil mortos pela Covid-19.

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

Você, mulher de quarenta, contemporânea, mas muito à frente do seu tempo, chegou muito mais longe do que a sociedade previa. Saiu das sombras dos homens para um lugar de protagonismo na história, sem perder a sua doçura.

Você chegou exatamente aonde deveria estar. Linda, exuberante e independente, ainda um pouco frágil, pelo grande coração que tem, mas perfeita!

Um modelo para uma nova geração, ideais muito bem definidos, consciência política e visão. Nossa, você foi muito mais longe do que a maioria das mulheres de quarenta! É claro que a sociedade em si monta um modelo mentiroso, de mulher da propaganda de margarina, mas eu nem gosto de margarina mesmo, prefiro manteiga.

Pode ser que dentre todos esses moldes, você olhando as pessoas ao redor, venha sentir, eventualmente, que lhe falta algo. Mas, minha cara, pare e pense: você estagnada, esperando que homem a sustente? Ah, isso não! Risos… Você vai muito mais além.

Agora, não concordo que o príncipe encantado não exista. Ele existe e teve que se reinventar também, para poder acompanhar a mulher de quarenta. Esse príncipe de hoje faz comida e lava roupa, não depende da mulher. Até mesmo por que você, de quarenta, não iria querer. E pode até ser que esse príncipe encantado da mulher de quarenta seja também uma bela mulher… Mas tem que ser forte, você não aceitaria nada abaixo disso.

Esse príncipe de hoje, moldado para você, está menos interessado em futebol. Ele prefere entender o que você pensa e por que você pensa, compartilhar com você ideais. Você nunca iria caminhar atrás dele, no mínimo ao lado, e muitas vezes na frente dele.

Mas aí você irá me perguntar: Amigo, onde está este par perfeito? E minha resposta simples e óbvia será: Se preparando para poder encontrá-la! E quando encontrá-la, ele, este par, se tornará ‘um’ com você e seus mundos estarão completos.

Então, minha cara, parabéns por ser este exemplo de mulher de quarenta, parabéns por ser esta força a ser seguida, parabéns por mostrar para nós, estes homens ainda em construção, o tanto que falta para chegarmos aos seus pés.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

As famosas frases “Gravidez não é doença”  e “Ser mãe é a melhor coisa do mundo” são ditas há muito tempo. Nós mulheres crescemos – principalmente quem foi criada sob conceitos de um machismo estrutural – acreditando que para ser mulher é preciso ser mãe. Isso não é verdade, e fica aqui o meu respeito a todas as mulheres que não tiveram filhos, ou por opção ou por contingências da vida.

O ponto a ser tocado é sobre a desmistificação de que tudo que envolve esse processo – desde a intenção de ser mãe até a concepção, a gravidez, o parto, uma nova vida chegando – é maravilhoso. Pode ser para algumas, mas não vale generalização, pois de verdade, cada experiência é única e cada mulher sente diferente.

Eu sempre quis ser mãe!

Quando decidimos (eu e meu marido) que era chegada a hora de termos um(a) filho(a), não imaginávamos que algo pudesse acontecer. Depois de um tempo sem que eu conseguisse engravidar (foi um susto constatar que precisaríamos de algum tipo de ajuda para realizar nosso sonho), meu médico iniciou um tratamento relativamente simples, mas que exigiu bastante cuidado e dedicação.

Logo fiquei grávida! Certamente um dos momentos mais felizes já vividos.

Minha segunda gravidez aconteceu sem nenhum procedimento médico. E novamente uma alegria inexplicável!

Nas duas gestações não quis saber o sexo dos bebês. A descoberta na hora do parto foi emocionante, uma menina e, depois de dois anos e meio, um menino.

O que gostaria de ressaltar é que em meio à realização de ser mãe, muitos outros sentimentos também afloraram. Foram processos difíceis. Na primeira gestação precisei tirar licença do trabalho e fazer repouso absoluto do sétimo mês até o parto, e na segunda, desde o início até meados do quinto mês, o repouso foi intenso, pois tive sangramento. Encarei tudo da maneira que tinha que ser. Cuidei de mim e dos meus bebês, e as dores (inclusive as contrações, que foram intensas) fizeram parte dessa etapa tão importante e especial.

Após o nascimento, insegurança, angústia, cansaço e  medo também afloraram em mim, “nem tudo são flores”! E reforço a minha intenção de acarinhar as mães que sofrem com depressão pós-parto, que não conseguem “curtir” tanto esse momento e que se culpam por acreditarem que são menos mães que as outras.

Cada uma de nós merece que seu tempo seja respeitado. É importante que quem estiver por perto apoie e dê suporte necessário para que a “mulher-mãe” se recupere e tenha força para seguir cuidando do seu bebê. Lembrando que a responsabilidade do cuidado deve ser de ambos os envolvidos em trazer uma criança ao mundo.

Vale ressaltar que desde a concepção até o nascimento de uma nova vida, um misto de sentimentos transbordam. Os desafios são muitos, mas são inúmeras as alegrias.

O importante é o entendimento de que os ciclos se dão através de experiências, algumas boas, outras nem tanto… Tristezas e incertezas caminham lado a lado com momentos de sorrisos e realizações. E esse é o ritmo da vida!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Em pleno século 21, enfrentando o tão “tenebroso 40”.

Ele chegou meio à quarentena, sem  grandes comemorações e cheio de dúvidas.

E eu, que quando criança acreditava que ser 40 era ser velha, casada, estável, com filhos e em uma rotina praticamente da mulher da propaganda de margarina, vi meus conceitos desabarem.

Ah, como a vida muda!

Como as nossas certezas não são tão certas!

Como nossas crenças e a vida para que nos preparamos quando crianças podem ser tão equivocadas…

Mulher de 40…assim em pleno século 21…

Com tudo o que a sociedade nos cobra: trabalho, vida pessoal, saúde em dia, um ciclo de amigos fiéis, uma vida social tão intensa quanto a do trabalho.

Só um detalhe ou outro que fogem à regra! Não, eu não me casei. O Príncipe Encantado que me prometeram quando eu era criança no conto de fadas não existiu até o  momento…

E sabe o que eu tive a certeza nesses meus 40 anos? É que esse príncipe não existe e está tudo bem. Afinal de contas, eu também não sou uma princesa!

Sou nada mais nada menos que uma mulher em construção.

Rodeada de cobranças, foi difícil chegar até aqui, até o momento que eu olho para trás ou me vejo diante do espelho entendendo que está tudo bem não ter preenchido todos os requisitos da lista que me foi dada enquanto cresci.

Sou solteira sim, não tive filhos. E isso pouco a pouco deixa de ser um peso imposto pela sociedade e passa a ser apenas mais uma face minha, de tantas outras.

A cada dia fica mais fácil olhar para mim e me ver mais completa no que eu sou e não no que os outros esperam de mim.

Sem o sexismo, que nos foi imposto por gerações e gerações pela religião ou até mesmo sem nos vermos, mesmo que em um ato falho e imperceptível, como um molde, todas iguais, nascidas e criadas para gerar, como se qualquer coisa diferente disso fosse uma derrota.

Hoje entendo e aprecio a luta de cada mulher para ser o que é…para acordar todo dia sacudir a poeira e dar a volta por cima. Coisa que só os tão temidos 40 anos puderam me proporcionar.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

São só pensamentos ou são tendências suicidas? São só brincadeiras ou talvez você pense em se matar? Quem sabe quanto tempo faz que você não chora?

A realidade sufoca, o corpo implora e alma não consegue respirar. Mais um gole, mais um trago, mais uma foda, mais um remédio, mas nada faz o vazio fechar.

Você reza em silêncio, mas deseja que os céus te ouçam, em desespero estende a mão até ao diabo se ele puder te acalmar. Às vezes parece que nem o inferno pode te salvar.

Eu? Eu também não sou a solução, minhas palavras vão de encontro ao teu coração? Então, me leia com atenção.

Todos nós estamos sós, todos nós somos filhos de deuses e demônios, somos feitos de luz, água e decepção. mas acredite em mim, não desista agora, o amanhã nos espera e é certeza que talvez sejamos um pouco mais que meros mortais.

Talvez você sorria para uma foto, chore com uma série, se frustre comigo, vai ficar tudo bem, desde que estejamos vivos para ver o crepúsculo dos medos morrer e o jardim dos sonhos e das ilusões florescer no amanhecer.

Lucas Alberti Amaral – Belo urbanonascido em 08/11/87. Publicitário, tem uma página onde espalha pensamentos materializados em textos curtos e tentativas de poesias  www.facebook.com/quaseinedito  (curte lá!). Não acredita em horóscopo, mas é de Escorpião, lua em Gêmeos com ascendente em Peixes e Netuno na casa 10. Por fim odeia falar de si mesmo na terceira pessoa.