O mês de agosto chegou anunciando mudanças. Trouxe para mim, além do vento, uma carga de energia pulsante sobre minha cabeça e meu corpo. Tudo era muito denso e ao mesmo tempo ecos de pedidos de socorro soavam em meus ouvidos. Logo eu, que me vejo assim em fragmentos e tantas vezes recorro ao escudo da coragem, sou agora destinatária de alguém que pede a mim um alívio, um refúgio.

Uma missão.

Pois bem, como nada é por acaso nesta vida, estava agora diante do apelo de alguém especial. Sabe o que é não ter e ter que ter pra dar? Eu achava que não tinha nada e quando vi, eu era um tudo que faria um bem. Eu era colo, eu era escuta, eu era um leito suave e cheiroso.

O que posso fazer? Por que eu? Não cabe respostas, apenas gratidão por esse momento ímpar que vivi naquele dia. Difícil explicar a sensação mágica que tomou conta de mim.

Mas minha missão não terminaria ali. Outros alguéns, cada um ocupando um lugar na minha régua de afetos, cruzaram meu caminho. Mais uma vez eu pude entregar e receber sem nada pedir.

Quando imaginei que tivesse terminado, doado de mim todo o esperado e  desprendido minha energia mais pura, eis que aparece Pedro (nome fictício), trazido pelo vento de uma fria noite de agosto. Um cuidador de carros com uma história nada simples.

Pedro, um cara jovem, negro, trinta e poucos anos se aproxima e pede 10 reais como recompensa por ter olhado o carro, enquanto eu me divertia tentando me livrar da carga de uma pesada semana. Como não tinha um centavo, começamos a bater um papo. E foi ali que novamente aquela energia retornou e me vi diante de um novo apelo.

Pedro começou sua história, nada simples, dizendo ter 5 filhos. – Todos homens! (falou isso com um certo orgulho!) e de três mulheres diferentes! Com um ar de indignação ele logo soltou: – Duas dessas mulheres estão na justiça brigando por pensão. Como eu faço? Você precisa ver como o mais novo é “parrudinho”!, disse Pedro com um sorriso entre os dentes.

Pedro não tinha emprego. Pedro não terminou o segundo grau. Pedro, além de pai de 5 filhos ficou 15 anos preso na Penitenciária de Presidente Venceslau. Motivo: tráfico e assalto a banco. Não posso negar que nesse momento me bateu uma vontade louca de sair correndo. Medo! Estava conversando com alguém que oferecia riscos?

Mas Pedro tinha uma necessidade enorme em contar sua vida e esperava desesperadamente por conselhos positivos. Dava pra sentir em seus olhos. Ele ouvia cada palavra minha com atenção… respirava, pensava, concordava, às vezes desistia logo em seguida dizendo que não daria certo e que seu fim era voltar pra aquele lugar obscuro e sem perspectiva de vida.

Pedro dizia: – Sabe esse negócio de celular com whatsApp? Eu não sei o que é isso!!! Eu usava o celular para arrumar mulher quando tava trancado! Por isso tenho 5 filhos hoje!

A conversa com Pedro durou uns 15 minutos. Um tempo incompreensível.

E quando terminou, sem me cobrar os 10 reais, Pedro, o cara jovem, negro, de trinta e poucos anos, que passou 15 anos trancado, olha nos meus olhos e diz:

– Olha aí, obrigado pela conversa viu! Eu nunca tive um papo assim com ninguém. Nem com meus “parças” lá do bairro.

E foi assim que os 15 anos trancados de Pedro me soaram como 15 longos minutos de gratidão.

E gratidão pelo quê?

Pelo encontro com alguém que o vento frio de Agosto me trouxe.

Cris Saad – Bela Urbana, professora universitária, publicitária, fã do vento, da lua e do acaso. Apaixonada por música e dança, enfim apaixonada pela liberdade, pela loucura do movimento e o gozo do encontro.

 

O inverno chegou e veio em todo seu esplendor, não é? Que tal aproveitar esse friozinho ( puro eufemismo, claro) e reunir os amigos, juntar uns cobertores e preparar uns caldinhos para se aquecer e jogar um pouco de conversa fora?

Estamos vivendo em um tempo de muita informação, correrias sem fim, relacionamentos líquidos e virtuais, mas muito pouca interação verdadeira. É claro que o dia a dia acaba nos levando a escolhas cada vez mais práticas e rápidas, mas que tal tirar um tempinho para resgatar as relações ao redor da mesa e levar de brinde mais saúde física e mental?

Minha proposta? Invista nas sopas, caldos ou cremes (os nomes são apenas variações gastronômicas para as texturas, ok?); eles aquecem, dão uma sensação de conforto e, com os ingredientes certos, ainda podem proporcionar uma melhoria no sistema imunológico, reduzindo a incidência de doenças associadas ao inverno. Ah! E se você convidar os amigos para dividir essa experiência, ainda tem o conforto emocional, a alegria da partilha…que também ajuda a prevenir muitas doenças. ”Pessoas felizes são mais saudáveis”!

Sem ideias do que fazer? Abuse das especiarias! Cardamomo, gengibre, anis estrelado, canela, páprica, açafrão… Todas têm propriedades anti-inflamatórias e são termogênicas, o que vai ajudar a te aquecer…

Não conhece algumas delas? Vá a uma casa de produtos naturais ou na sessão de temperos do supermercado e se divirta. Experimente, ouse, saia da caixinha!

Sabores são muitos! Mandioquinha com açafrão, abóbora com gengibre, beterraba com cenoura e cardamomo, feijão com páprica…e mais um monte de combinações a sua escolha. Todos deliciosos, quentinhos e, com as companhias certas, uma experiência única e renovadora.

E aí? Que tal tentar esse encontro no aconchego de casa? Eu garanto que é demais!

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr que fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

Olá consulentes, como estamos em junho, mês dos namorados, mês das festas juninas e mês do Santo Antônio, santo casamenteiro, vamos falar desse assunto.

Primeiro, por favor, parem de fazer promessas para Santo Antônio te dar um amor. O santo não aguenta mais, está com a agenda de pedidos lotada para os próximos 88 anos, ou seja, nem que ele queira terá tempo para resolver o seu problema. Esquece o santo e vai por por conta própria.

Vou contar um segredinho aqui, se você quer encontrar a solução, siga em frente porque atrás tem gente. Gente que já passou. Então, siga em frente, escolha um caminho, tire os óculos escuros e abra o coração.

Vá a uma dessas festas juninas e procure a fogueira, sim fique perto da fogueira, está frio e lá você se sentirá mais quente. O fogo aquece a pele e a alma, mas não se empolgue tanto a ponto de querer ficar pulando a fogueira, isso é bobagem, letra de música, afinal quem brinca com fogo se queima e queimaduras ardem, incomodam e deixam marcas.

Então, vamos lá, lição de hoje: Esqueça o santo, abra os olhos e coração e se aqueça com o fogo, mas tenha juízo.

Depois você me conta se deu certo.

Até a próxima. Logo, logo tem mais.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉