Eu gostaria de começar este texto com uma pergunta, mas como a gente ainda não se conhece, considero que essa não é a melhor maneira para começar este texto. Melhor eu me apresentar primeiro: Olá! Eu sou a Geovana Pavanelli, mãe do Vicente, de três anos e meio, esposa do Daniel, Relações Públicas por formação (e paixão) e atualmente atuo como Gerente de Pessoas de uma empresa de tecnologia. Muito Prazer!

Agora que você me conhece um pouco vou direto para a pergunta: O que você estava fazendo em 25 de fevereiro de 2020?

Se você não estava em algum bloquinho (ou qualquer evento em grupo) por aí, curtindo a terça-feira de carnaval, talvez esteja, assim como eu, arrependida por não aproveitar a última oportunidade que tivemos de aglomerar sem medo. Parece que foi ontem, mas há quase um ano, em 26 de fevereiro, estávamos recebendo a notícia do primeiro caso de Coronavírus no Brasil.

E agora eu te convido a uma reflexão… Além do kit básico (distanciamento, máscaras e álcool em gel), o que mais mudou na sua vida de lá para cá? Nós tivemos que nos adaptar a um mundo novo. Profissionalmente falando, as mudanças foram ainda mais intensas, e o trabalho remoto passou a fazer parte (se é que ainda não fazia, como é o meu caso) da realidade de muita gente.

Atuando na área de pessoas, posso garantir que a cultura do trabalho remoto (que é diferente do home office) é o futuro das organizações, principalmente na área de tecnologia. Mesmo muita gente voltando ao trabalho presencial com a flexibilização das medidas de proteção da pandemia, mais de 86% das pessoas preferiram continuar no modelo remoto e 52%  mudariam de trabalho se recebessem uma oferta full remote (pesquisa da Robert Half realizada em 2020). As empresas terão que aceitar esse “novo” modelo de trabalho, principalmente porque, sem ele, em um futuro próximo poderão perder talentos e desmotivar equipes.  

Nesse cenário de pandemia muito se ouviu falar de como as pessoas precisaram se adaptar ao trabalho remoto, mas pouco sobre como as empresas precisam se posicionar e orientar a sua liderança sobre esse novo modelo. Tornar uma empresa remota ou híbrida não é fácil e muito menos automático, exige maturidade do empregador, confiança no time e preparação da liderança.

Se aquele modelo de “chefe” que faz microgerenciamento já estava ultrapassado, e as empresas que viam os seus colaboradores apenas como recursos já estão ficando cada vez menos atraentes, no modelo de trabalho remoto esses posicionamentos simplesmente não funcionam. É responsabilidade das empresas entender esse novo cenário, preparar os seus times para o trabalho remoto ou híbrido, motivar e alinhar todos os colaboradores na busca do mesmo propósito e, principalmente, investir na gestão do trabalho remoto, afinal, ele é completamente diferente do presencial.

E me conta, como foi essa experiência do trabalho remoto para você? A sua empresa estava preparada?

Eu posso responder pela empresa em que eu trabalho: por lá o trabalho remoto foi um processo normal e até que relativamente simples, até porque já fazia parte da nossa cultura, mas vi muitos absurdos sendo relatados por colegas que atuam nos mais diversos segmentos, tais como: empresas que não respeitam horários e acreditam que o trabalho remoto é sinônimo de exaustão obrigatória; que cobram por ambientes 100% silenciosos, quando na verdade é impossível controlar a reforma do vizinho; que não respeitam que você vive em uma casa com outras pessoas (por mais que você zele para evitar interrupções) e dão advertência quando seu filho aparece para pedir para fazer cocô; ou que obrigam mulheres grávidas a trabalhar em ambientes fechados, mesmo quando a atividade é totalmente compatível com a atuação remota.

Há um longo caminho pela frente para que as empresas estejam preparadas para o trabalho remoto ou híbrido, mas a meu ver, elas terão que se adaptar, pelo amor ou pela dor, esse será o futuro.

Já como mãe de uma criança de três anos e meio, nada foi mais desafiador do que exercer o lado maternal e profissional ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. É maravilhoso poder estar perto do meu filho por mais tempo; no modelo presencial era impossível almoçar com ele todos os dias. Mas também é doloroso vê-lo mais tempo na televisão do que eu gostaria (e do que é indicado), ouvir ele pedindo minha atenção, quando é impossível parar uma tarefa.

É uma balança difícil de equilibrar: culpa materna x profissionalismo. Eu sigo tentando fazer o meu melhor nos dois lados, mas confesso que dificilmente o dia termina com a balança equilibrada e, na maioria das vezes, um dos lados pesa mais. Como profissional também há um longo caminho pela frente, e eu também tenho que me adaptar (pelo amor ou pela dor), afinal, esse é o meu futuro.

Geovana Capovilla Pavanelli – Bela Urbana. Relações Públicas, especialista em comunicação e recentemente apaixonada pelo universo de gestão de pessoas. Mãe do Vicente, de três anos, que é a minha razão de viver. Sou uma pessoa intensa que ama trabalhar, ama o filho, ama a família, ama os amigos e, principalmente, amo a mim mesma.  

Dois anos atrás, quando começamos a planejar um sonhado período vivendo nos Estados Unidos, nunca poderíamos imaginar que isso ia acontecer juntamente com uma pandemia mundial. Se, na época, alguém tivesse previsto que o mundo inteiro iria parar, escolas e comércios iam permanecer fechados e as pessoas ficariam em isolamento social dentro de suas próprias casas, eu teria certeza que se trataria de um filme de ficção
científica. Mas não.

E foi um pouco antes disso tudo começar que cheguei em Berkeley, na Califórnia, junto com a minha família (marido, filho e meus pais), para passarmos 7 meses por aqui. Eu e um marido viemos para atuar como pesquisadores da University of California. Deu o maior trabalho conseguir conciliar nossos afastamentos nas universidades brasileiras que
trabalhamos, para que eles acontecessem no mesmo período, providenciar os documentos desse tipo de visto, planejar a mudança e deixar parte da família, os amigos, uma casa para trás. Mas, enfim, viemos. Com muitos planos.

Os dois primeiro meses foram ótimos. Pudemos conhecer a região, nos inserimos em diversas atividades da universidade. Eu e meus pais começamos a frequentar aula de inglês todas as manhãs. Meu filho ingressou na escola, no 2º ano do ensino fundamental. E a vida corria exatamente do jeito que havíamos imaginado. Mas, em março, tudo mudou. Fomos avisados de que tudo seria fechado e que deveríamos fazer o isolamento social. De repente, nos vimos sem acesso as todas as atividades da universidade (as mesmas atividades para as quais viemos até aqui), meu filho sem escola, tudo fechado. Estamos há mais de 1 mês nessa situação. E no país que tem mais casos de contaminação e de mortes no mundo!

Com o passar dos dias, fomos vendo a crise se instalar. Supermercados com
prateleiras vazias, produtos de limpeza esgotados, produtos de proteção (máscaras, luvas) sem previsão de estarem disponíveis em qualquer lugar, loja física ou online. Por sorte, a cidade em que estamos não tem apresentado crescimento dos casos. As pessoas têm se mostrado, em sua maior parte, bastante conscientes, permanecendo dentro de suas casas
ou saindo com todo o cuidado quando precisam.

E me vi questionando: puxa, mas justo agora? O que eu estou aprendendo com tudo isso? Que nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente quer. Todos os meus planos profissionais aqui provavelmente foram encerrados, ainda que a gente vá continuar na cidade até final de julho. Considerando-se que não há nenhuma previsão de encerramento do isolamento, todas as oportunidades que começamos a aproveitar, não
mais farão parte dessa experiência. Do mesmo modo, pensei que a oportunidade do meu filho frequentar uma escola aqui pudesse ampliar sua visão de mundo e seu domínio do inglês, mas isso só durou 2 meses. Ainda que parte das atividades tenham voltado a partir da segunda semana de abril, tanto as aulas de inglês quanto as aulas da escola do Miguel,
oferecidas por meio de plataformas online, não é a mesma coisa.

Por outro lado, estamos aprendendo muito sobre ficar juntos, nos aproximando mais da educação do Miguel, compartilhando sentimentos e percepções. Nesse momento agradeço por estarmos em cinco pessoas aqui e, principalmente, por estar com meus pais aqui junto comigo. Parece que fica mais fácil de enfrentar essa situação. Se eles estivessem no Brasil, e eu aqui, estaria medo por não saber se eles estariam se cuidando adequadamente, se estariam precisando de alguma coisa.

Junto a tudo isso, não posso esquecer que eu e meu marido somos psicólogos. Fica mais fácil por causa disso? Não! Nesse momento somos apenas mais duas pessoas com medo e em casa. Talvez a diferença que isso esteja fazendo envolve dois temas que trabalho: psicologia positiva e criatividade.

A psicologia positiva é um movimento que busca valorizar o que existe de melhor em cada indivíduo. Essas habilidades, como otimismo, esperança, felicidade, podem ajudar as pessoas a encontrarem qualidade de vida nesse momento tão difícil, entender e lidar com as suas emoções e se relacionar com as pessoas ao seu redor. Já a criatividade, pode funcionar como uma espécie de energia adicional que vai nos ajudar a olhar para a situação
por novos ângulos, na busca por soluções para os novos problemas do dia a dia, nos tornando mais abertos e flexíveis em relação ao futuro, nesse momento tão difícil que estamos vivendo. Penso que, mais do que nunca, uma atitude positiva em relação a vida e ao futuro poderá nos ajudar a superar essa fase e sairmos ainda mais fortalecidos. É nisso que acredito.

Tatiana de Cassia Nakano – Bela Urbana, psicóloga, mãe, apaixonada por fotografia, viagens e pela família. Professora do curso de
psicologia da PUC-Campinas.

Hoje, 14 de Abril de 2020, faz um mês que não saímos de casa. Aqui na Suíça, não é proibido sair e também não é preciso autorização para tal, mas a situação lá fora faz com que fiquemos tranquilos e solidários com quem precisa sair para trabalhar e para com as pessoas mais vulneráveis. E assim é com a população em geral aqui, provavelmente, o resultado natural da responsabilidade e disciplina enraizadas neste país. 

Enquanto isso, muitos procuram quem são os culpados, outros fazem previsões para cenários futuros diversos, outros negam a realidade como uma forma de proteção e outros ainda tentam politizar ao máximo a situação, como é o caso no Brasil. Porém, todos estão tendo que, em algum momento, olhar para si mesmo. O olhar passa a ser mais interior que exterior. Antes, não havia muito tempo para isto.

Se o vírus surgiu no mundo animal, no laboratório, através da 5G, ou na própria Terra, aí está ele, com seu poder invisível, sem limites geográficos, étnicos, culturais, temporais ou espirituais. Porém, todos têm que colaborar segundo a coletividade, de um dia para o outro acabou a preponderância do individualismo. A solidariedade e o altruísmo passaram em primeiro plano.

Ele chegou sem pedir licença e exigiu que tudo fosse redimensionado: o tempo, o consumo, a economia, a alimentação, as viagens, as relações entre as pessoas, as famílias e as prioridades.

Analisando as suas consequências físicas no corpo humano, ele atinge principalmente os pulmões, órgão que, na medicina chinesa, está ligado à tristeza. Assim, podemos refletir, como estava a humanidade até então e a própria condição dos nossos recursos naturais.

Observando os centros de energia do corpo, conhecidos como Chakras, o pulmão é um dos órgãos ligados ao Chakra do Coração. Chakra ligado ao sistema respiratório, lembrando que a primeiro e a última coisa que fazemos, enquanto estamos visitando este planeta, é inspirar e expirar, respectivamente. Somos submetidos a pensar que não depende de nós a capacidade de inspirar e expirar e, por fim, nos perguntamos quantas vezes agradecemos o respiro que nos é dado e permitido para estarmos aqui e agora. 

Além disso, há outro órgão ligado à este Chakra, como o próprio nome diz, o coração, que representa o amor incondicional, o perdão, a compaixão. Mais uma vez refletimos, como andavam estes sentimentos na nossa sociedade, quanta escassez de tudo isso!

No nível dos sentidos, o Chakra do Coração está ligado aos braços e mãos, ou seja, o Tato e, de repente, não podemos abraçar…temos que manter dois metros de distância uns dos outros. Quando queremos bem e gostamos de alguém, naturalmente, queremos abraçar a pessoa, pois os corações se aproximam, acolhemos com o coração. Pensamos quantas oportunidades de nos abraçarmos que deixamos passar.

Quanto à seu nome e aparência, Corona, ou Coroa para nós. Mais uma vez, lembramos dos centros de energia do corpo e do Chakra Coronário, no topo da cabeça, ligado à nossa espiritualidade e transcendência. Nossa capacidade de despertarmos através do corpo fisico. Parece que é agora ou nunca…

Mais do que nunca, somos obrigados a aprender a estar no estado de consciência plena – conhecido como ‘mindfulness’ – estar no aqui e agora. O ser humano é escravo do seu sofrimento por estar nas lembranças do passado ou nas incertezas do futuro, esquecendo-se que a vida acontece no presente. Agora, sem muita opção de escolha, aprendemos a estar no momento presente, aqui e agora.

E é neste cenário que, virtualmente, eu e meus alunos, que em certos momentos passam a ser também meus professores, compreendemos o verdadeiro sentido da prática do Yoga. A palavra Yoga vem do sânscrito “Yuj” e quer dizer União, colocar junto, aproximar. Unir o corpo fisico e mental, o material e o espiritual, a energia masculina e feminina, em um equilíbrio perfeito. Mesmo através da distância, a lição continua sendo somos todos Um.

Viviane Hilkner – Bela Urbana, publicitária (PUCC) e Profissional de Marketing (INPG). Atuou na área, no Brasil, em agencias de publicidade e meios de comunicação, e, na Itália, em multinacionais no Trade Marketing e Brand Development & Licensing. Morando na Suiça, mudou seu estilo de vida e apaixonou-se pela prática de Hatha Yoga. Ansiando compartilhar esta prática e sabedoria milenares, forrnou-se professora.Atualmente, ensina no Centre Kaizen e no Club de Yoga da Associação de Esportes e Lazer da Nestlé.Organiza Workshops e Retiros de Yoga na Suíça e no exterior, principalmente, na Grécia.Sua profissão tornou-se hobby e seu hobby, sua profissão.




Hoje eu acordei sentindo que tudo está diferente e ao mesmo tempo fazem quase três semanas que estamos na mesma situação, entocados em casa.
Enquanto estou fazendo meu café, escuto pessoas gritando na rua. Achei que era briga de casal, uma mulher e um homem. Curiosa, abri a janela para descobrir de onde estava vindo essa comoção toda. Em uma casa na minha rua, uma mulher jovem na janela gritava para um homem jovem na rua. Os dois expressando um amor eterno e a saudade apertando o coração. Eles moram no mesmo bairro mas já fazem semanas que não se abraçam e para poder matar um pouquinho dessa saudade ele resolveu declarar um poema de amor para sua namorada, sem se importar com quem pudesse ouvir. Quando ele terminou a rua toda bateu palmas e ele agradeceu como se fosse um ator terminando a cena final de uma apresentação no teatro, depois de mais algumas promessas de amor para sua amada na janela, ele foi para casa, ela ficou na janela até ele virar a esquina e sumir de vista. 

Todos voltaram a fazer o que estavam fazendo. Imaginei o quanto deve ser difícil para uma paixão nova ter que esperar para poder se abraçar de novo. Não sou jovenzinha mas me lembro muito bem como é.
Moro na Inglaterra há 15 anos e tenho família aqui, na Itália e no Brasil. 
Converso por WhatsApp com várias pessoas quase todos os dias. Estranho pensar que antes do Covid-19 eu não falava nem com metade dessas pessoas, família e amigos, nem mesmo uma vez por ano. E agora faço e recebo chamadas de pessoas queridas que estavam perdidas no meu passado. 
Uma grande preocupação é com a família na Itália, minha tia-avó de 94 anos, a última de uma geração na minha família materna que passou por situações muito piores do que a que estamos passando agora. Ela sobreviveu guerras, a rua onde ela morava foi destruída por bombas, perdeu amigos nesse dia, passou fome, frio e terror, mas não perdeu seu coração e nem a vontade de viver. Ontem conversamos e ela me disse que ficar em casa com a família não parece ser esse horror que os jovens estão dizendo ser. Ela está aproveitando esse tempo, onde os netos não tem escolha mas ficar em casa com ela. Eu me senti tão pequena e boba, mas ela abriu meus olhos. Como eu admiro essa mulher! 
Fico imaginando como vai ser quando isso acabar. Será que todas as pessoas que conheço vão estar aqui? Será que meu trabalho vai estar lá? Quando saio para uma caminhada curta pelo bairro e cruzamos caminho com alguém pela calçada eu notei que se são adultos ou jovens as pessoas te olham feio. Aquela sensação que você desagradou alguém simplesmente por ter se atrevido a levar a cachorro para um rolezinho no quarteirão. Agora se são idosos, eles te olham e sorriem e perguntam se está tudo bem.
Não posso prever o futuro, mas posso imaginar que não vai ser como antes. Abraços apertados só para quem vive na mesma casa que você. Aperto de mão vai sair de moda. Sorriso amarelo e espaço pessoal de dois metros será a norma. A não ser que você use transporte público, daí não tem jeito. 
Adaptar e continuar como se tudo que mudou impactou para o bem. 
Bom, não sei, mas espero estar aqui para descobrir. 

Ana Carolina Beresford – Bela Urbana, trabalha numa caridade que ajuda pessoas com deficiências físicas e mentais a locomoverem-se, sente muito orgulho do seu trabalho. Adora animais e viajar sempre que pode.

Lembro de minha tia Ada dizendo sobre minha infância, basicamente quando eu nem andava e já trazia traços da arte comigo.

Dizia ela que me colocava no chão, bem em cima de um pequeno tapete onde pudesse me olhar enquanto costurava, e com um lápis nas mãos eu passava horas desenhando pelo chão, em volta do tal tapete. Na verdade na volta toda…

Hoje ainda misturo tintas ajoelhado em cima de uma pequena almofada que fica guardada embaixo da bancada feita com cadeiras respingadas e com muitos potes coloridos em cima.

Quase um oratório, onde se concentrar, pensar e misturar tintas vira quase uma reza, uma oração ao Deus da criação eterna.

E sigo meu caminho pelos chãos dessa vida, sempre ligado neles e em minha criação, meus pensamentos e ideias, sempre focado num futuro que não chega e nunca deverá chegar pois o que importa e sempre importou pra mim é percorrer e nunca chegar.

“Quem chega para, e parar não tem a menor graça”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Nesses últimos dias do ano fiz algo bem diferente, resolvi apostar na loteria. Estava no Shopping com meus filhos e fui pra lotérica, minha filha estranhou. Sim, é de estranhar mesmo, porque eu nunca aposto ou jogo em nada.

Enquanto estávamos na fila conversamos sobre o valor do prêmio, eu disse que se ganhasse iria gastar com compromissos, meu filho me interrompeu na hora e disse, não, se você ganhar nós vamos viajar todos juntos, você vai ficar com uma reserva e vai ficar mais tranquila.

Eu sorri e disse, você está certo, não posso achar que vim aqui só pra trabalhar. A vida não é só trabalho. Ela é trabalho sim, mas é diversão também. Ela é construir, mas é também descansar. A vida é hoje, não da pra deixar todos os sonhos para amanhã. Bom senso sempre, mas bom senso não quer dizer se privar de tudo que você gosta no presente, esperando um futuro que nunca chega.

Esse ano foi um ano conturbado, um ano em geral difícil em vários aspectos para a maioria das pessoas aqui no Brasil, eu estou nessa maioria. Mas por mais difícil que seja um ano, ele não se faz somente de problemas. Se faz de aprendizados, se faz de persistência, de faz de generosidade, se faz de mãos dadas. Você já pensou em quantas mãos você segurou esse ano? Já pensou em todos que abraçou durante o ano? Já pensou se você mais agradeceu ou se lamentou?

Estou pensando no que não fiz e queria ter feito. Estou pensando nos imprevistos que me tiraram o sono. Estou pensando nas pessoas que estiveram do meu lado, muitas dessas pessoas já estão por muito tempo. Estou pensando se fui generosa e ajudei como fui ajudada. Estou pensando o quanto cresci e quanto ainda tenho para crescer.

Estou pensando nos caminhos que andei, nas paisagens que apreciei, nas fotos que tirei, nas músicas que ouvi, nos pratos que comi, nos livros que li, filmes que assisti. Nos beijos que dei, nas risadas que dei e junto com quem, gargalhadas e nos choros também.

Penso que o tempo vai passando e vamos tendo cada vez mais claro e certo o que fato importa. Importa ter saúde antes de tudo.

Então, minha grande reflexão desse ano é viver um dia de cada vez, sem fazer planos para um futuro tão distante. VIVER sem radicalismos, um pouco da cigarra e um pouco da formiga.

Então, vamos em frente, de cara limpa e coração aberto para 2018.

PS.: Não ganhei na loteria…mas aprendi a lição do ano. E você qual foi sua lição desse ano?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

E como é você nas redes sociais? Sorrisos, baladas, algumas lamúrias… Pelo meu trabalho sou obrigada a conviver com elas 24 horas por dia… e assim, como muitas pessoas acabei me viciando. Postava tudo que pensava, sentia… Tempos atrás comecei uma reflexão muito séria sobre isso. Sobre os perfis que a gente vê no Facebook e no Instagram. Gente feliz demais, viagens perfeitas, vidas tão redondinhas? Por que será que é assim? A gente até se pega pensando de vez em quando: “por que não pode ser assim comigo?”

Porque na verdade, não é assim com ninguém. Viagens dão errado, famílias brigam, casais se desentendem, nem sempre a foto linda da balada reflete seu estado de espírito. As pessoas se pegaram numa necessidade irreal de postar o que a vida deveria ser em sonho. Mas não o que é na realidade. Porque também é muito mais fácil eu curtir a suposta felicidade dos outros do que pensar nos problemas deles, e principalmente nos meus.

Não que nada seja real. Muita coisa é. Ouvi muita gente me dizer por várias vezes: Marina, você se expõe demais e isso traz inveja. Quer saber? A tal “inveja” não me pega mais. Se eu filtro tudo mentalmente, no meu dia-a-dia, por que não fazê-lo nas redes sociais? Hoje estou mais restrita. Não porque tenha algo a esconder. Mas porque sei que a vida não são aqueles mais de mil amigos que tenho nas redes (e olha que dei uma faxina bem grande). Quem quer saber como realmente estou, o que estou sentindo e o que estou fazendo, sabe como me achar. Na realidade. Me chama para tomar a caipirinha de picolé que amo, para ver um filme, para ir tomar Chay na Starbucks, para tomar sol… ou simplesmente me liga ou manda um whats… rs

Essa necessidade de ser perfeita e de ser midiática preenche um vazio por um segundo ou dois. E depois? Depois é a vida real, meu bem, com as sensações felizes e tristes…

Mas você, que me segue em alguma rede vai dizer: “mas você ainda posta”. Sim, posto, até porque não vou me alienar do mundo digital. Preciso dele no meu trabalho (foco das maiores postagens), posto as minhas conquistas no pilates (porque já tive relatos lindos de gente que se empolgou e porque quero dar valor à profissional maravilhosa que me atende), divulgo o Belas Urbanas, porque acredito nesse site e faço parte com orgulho, e faço uma ou outra homenagem em dia de aniversários de pessoas que me são queridas. Por enquanto é isso e será isso.

O futuro? Não sei, assim como não sabemos como serão as novas tecnologias… Vai que me apaixono por uma nova e vicio de novo? Ninguém está livre.

Respeito por demais as pessoas que vivem disso, meus amigos e amigas blogueiras e influenciadores digitais. Mas eu não sou uma delas. Então… menos é mais…

Não faço apologia contra algo que uso. Reencontrei pessoas queridas, converso com amigos de longe. As redes sociais realmente são facilitadoras nesse caso. Elas estão aí e vieram para ficar. Mas estava na minha hora de repensar como isso pode consumir nossa vida e nos afastar da realidade. Esse texto é um convite à reflexão. Nada além disso. O que você vê realmente é o que é? Jamais saberemos. O quanto vale a curtida de uma pessoa ou os views de uma foto, se eu não trabalho com isso?

Hoje me seduzo mais com mensagens de carinho, telefonemas, abraços apertados e olho no olho.

Deixei – e não sei até quando, porque sou humana – a vaidade cibernética de lado. E você? Como deixa os likes afetarem sua vida real? Pense, repense e, se fizer algum sentido, filtre. De carteirinha, posso dizer, que as coisas ficam mais leves.

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Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

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O futuro é o passado detrás pra frente? Ou o passado é o futuro ao contrário?

Para o futuro, será que há um atalho?

Para o ontem, haverá uma ponte?

O tempo de Einstein não é o meu tempo. O relativo e o real se embaralham e me atrapalham o pensamento.

E se o tempo é só mesmo ilusão, o que faço das horas que me cansam o coração?

E o que faço da espera que me apressa a saudade, e me demora a solidão?

Se não há um tempo de verdade, quem me dá explicação?

Se ontem, o amanhã e o agora são uma coisa somente, então alguém me responda:

– É o meu relógio que mente?

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Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

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O dia foi corrido com muitas coisas para serem feitas, entre elas a telefonia que deu problema de novo e mais várias outras coisas que já me cansa só de lembrar. Algumas foram resolvidas, outras não.

Na cidade as ruas estão o caos depois da tempestade, nunca vi assim, assustador.

O meu dia hoje foi pesado, energia pesada, estou cansada, me olho no espelho e me vejo cansada, me olho no espelho e me acho envelhecida, me olho no espelho e me acho feia.

Eu sei que amanhã estarei melhor, eu espero que a energia esteja melhor, mas olho a cidade e hoje olho para meu mini universo e vejo muito trabalho a ser feito, muita reconstrução. Amanhã é outro dia.

Então, amanhã e outro dia e que venha com sol.

08 de junho – Gisa Luiza – 47 anos

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :) . A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

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Hora de mudar

Renovar

Outro ciclo que inicia

Da alma sempre inquieta

Da vida que se delicia

Sempre uma nova meta

Do pavor que isso propicia

 

Da vida de hoje o que se leva

As amizades gostosas

Isso tudo fica

Dos amores conquistados

As lembranças

Os anseios

A coragem

 

Seguir em frente

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.