Uma São Paulo apaixonada é ainda mais surreal.

Dia desses, na Av. Paulista, tava despedindo do gatinho carioca – ali na entrada do metrô Consolação. Um dia de sol bem gostoso. Com sorvete e calorzinho favorável. A despedida já tinha virado um amasso-espetacular-de-dar-inveja e eu já tinha perdido um pouco da noção do tempo e do bom senso.

Mas eis que, então, somos interrompidos:

– Ei, oi…

De primeira, de segunda, de terceira, ignoramos – um monte de gente ali, oai. Pense na força de um sonho corinthiano e na sinceridade de um desejo flamenguista de que – PORFAVORDEUS – não fosse com a gente. Afinal, naquele dia já tinha parado pra ouvir ONG pedindo o dinheiro que não tenho e descolado uma moeda pra um artesão que queria me vender um chaveiro gigante de fita cassete. Mas o “eioioi” foi chegando perto e ficando insistente. Virou “EI, VOCÊS”. Então, só sobrava nóis memo.

Aí já era. Abre o olho, desmancha o abraço, enxuga a boca, volta pra Terra – contrariada – e tenta achar da onde vem. Ao nosso lado, uma jovem senhora, toda desconsertada, diz:

– Então, sabe, é… será que cêis podiam descer e falar com o funcionário do metrô pra ele inverter o sentido da escada rolante? Porque eu preciso. Porque eu não consigo, sabe? Porque eles fazem, se pedir. Porque o elevador tá com cheiro de xixi.

Ainda sob efeito daqueles beijo que minha nossa, faço pausa de dois segundos só pra entender a situação, sem deixar de pensar MANO, SÉRIÃO? Já o boy, aposto ter sentido algo como um PORRÃ inconsolável.

Claro que a gente foi. Se pegar bonito, em público, não isenta ninguém de ser prestativo e solidário. Pedimos. E ouvimos do funcionário que tinha elevador. E explicamos que ela não queria pegar o elevador porque tava fedido. E contamos pra ela que o funcionário não quis inverter, mas que na outra entrada – logo à frente -, a escada tava descendo. E ficamos observando até ter certeza de que ela achou e entrou. E rimos tentando entender POR QUE CARALEOS – naquele lugar mega movimentado, de uma das maiores avenidas de sp -, ela foi pedir justo pra gente.

A senhorinha deve ter sacado que, em terra de autômatos, ser humano que beija na boca pode ser um bicho um pouco mais generoso.

– Mas bom, agora deixa pra lá. Acho que ajudamos alguém. Onde a gente tava mesmo?

Segue o amasso.

Camila Santos – Bela Urbana, formada em Psicologia, já foi cantora e professora de inglês. Já morou por três meses na Inglaterra e por três anos em Ilhabela. Entre uma ilha e outra, também passou um tempo como tripulante de um navio. De volta a São Paulo, escreve e dança forró para viver.

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Revirando os meus guardados, achei esse texto. Tão antigo e tão atual…

“Não espere retorno.” Ouvi isso várias vezes, de tantas pessoas e em situações tão diferentes. Fazer as coisas, por menores que sejam, sem esperar nada em troca.

Hein?  Como? Será mesmo possível?

Fazer um bom trabalho sem lá no fundo esperar um “muito bem”?

Entendo fazer uma boa ação sem esperar retorno,  mas pelo muito obrigado, sim eu espero… e às vezes sentada.

Reciprocidade…. a tal reciprocidade. Difícil né?  Às vezes a gente só precisa de um sorriso para nos fazer seguir fazendo o que achamos certo.

Ainda não aprendi a ser tão desprendida. Às vezes me falta coragem. Às vezes a falta da  tal reciprocidade machuca, faz soar o tom da indiferença e até traz o sentimento de me sentir usada.

Mas a carruagem passa, os cães ladram… a gente acorda no dia seguinte pensando em novamente ajudar,  fazer o que acha correto, amar sem fim. Mesmo que o sorriso e o muito obrigado não venham…

E a gente faz tudo de novo. E segue esperando. Sou boba. Só pode ser. Mas acho que prefiro essa “bobeira” ingênua a sentir que apenas assisti a vida…

Não que espere gratidão eterna das pessoas, pois acho que esse tipo de sentimento aprisiona. Mas um obrigado sincero não mata ninguém. Mas tem que ser sincero e não protocolar. Será que isso é pedir demais num mundo onde as pessoas se olham cada vez menos nos olhos?

Fico pensando se esse desapego realmente existe. Conheço pessoas que dizem que conseguem não depositar expectativas em nada ou ninguém… e pior, que não ligam. Será?  Acho que em algum momento, nem que por uma fração de segundo, essas pessoas se sentem assim… desestimuladas… não é possível. Ou é?

Dizem que se aprende esse desprendimento todo com o tempo… uns por filosofia, outros pela religião e outros ainda pelas “lambadas” da vida. E você? Já está praticando ou conseguindo não esperar nada de ninguém?

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Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

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Previdente…. até onde é normal, e qual o limite da loucura?

Acho que cada um se previne com o que mais pode sentir falta, mas papel higiênico é coisa que tá no número um da lista né!?

Depois eu penso em alimento. Não posso imaginar faltar leite pela manhã, e se não tem leite integral, qual a loucura de previdência? É ter leite em pó!!! Afinal dura muito tempo e resolve uma emergência.

Enfim nada como uma loucura pra gente ver que não existe o “normal”.

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Jeff Keese – Belo Urbano, é arquiteto, produtor de exposições de arte, e durante 7 anos foi consultor do mapa das artes de São Paulo. O Kiabo é um personagem que criou na adolescência para dar conselhos para as mulheres, por isso os conselhos do Kiabo estão sendo divulgados no Belas Urbanas.

 

 

 

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Tem gente que traz alegria

Uma paz

Uma conversa que não quer acabar

Tem gente que é gente

Parecida com a gente

Essa gente que dá bom dia musical

Me despe a alma

Tem conexão no olhar

A gente sabe sem precisar dizer

Essa gente é gente especial

Coisa estranha essa gente

Por ser tão gente como a gente

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa 🙂

 

 

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“… Tem um pedaço da gente que formado, ou melhor é um resto de tudo e todos que vieram antes da gente, esse lado definitivamente é o pior e o mais difícil de ser mudado… ”

26 de novembro – Gisa Luiza – 21 anos

Observação: Giza Luiza sempre leu O Pequeno Princípe e indica a leitura aqui.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas os contos e poesias. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza.

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O grande amor existe.

É feito de silêncio.

Vive calado, pensado, sonhado, atordoado, atormentado, feliz.

Incrivelmente feliz.

Apaixonado, inigualável.

Indeciso, impossível.

Na mente, na frente.

No olhar que se sente,

no olhar da gente.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas os contos do projeto. Publicitária, empresária, poeta e autora de contos. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. 

 

 

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Na novela a trama é fictícia

Na panela a comida cozinha

A comida está cara, cada vez mais

Na novela quem vencerá? O bom?

É isso que queremos ver, o bom, na novela e na panela (na vida real)

Novelaço? Nem tanto, mas garante diversão

Que falta, quando a comida é cara, quando a saúde é paga, quando a educação de boa qualidade é paga e é muito cara.

As panelas deveriam ser fartas

Os sabores deveriam ser diversos

O tempero deveria ser saudável

Mas nessa panela “rola”

Pouca comida, tempero artificial e

a falta de novos sabores que nunca serão comidos

Porque comida vai sendo a panela que vai ficando velha, oca e sem brilho

A novela consola, a esperança que o bem vencerá no final, é real nesse fictício.

Citando os Titãs “a gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro, diversão e arte”

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos.  Gosta de novelas e panelas fartas. 🙂