Ele era de virgem e ela de peixes. Não poderia dar certo…Ele, muito racional, crítico e muito pé no chão. Ela, sonhadora, romântica sem cura e viva na alma. Foi um amor de verão. Ela, quatro anos mais nova que ele. Ela tinha apenas 16 aninhos e ele nem deu confiança, já achava que era um homem bem resolvido em suas questões amorosas. Ela? Apenas uma sonhadora… incurável! E a primeira vista ele não quis saber daquela menina cheia de fantasias. Porém, o tempo passou e aquela menina pela segunda vista arrebatou o coração do menino tão racional que beirava à uma certa soberba. Quatro pneus arreadissímos! Se apaixonou pelos olhos e sorriso dessa menina que nem era tão menina assim.

Esse amor atravessou fronteiras, uma cordilheira, namoraram com todos os direitos e loucuras da juventude. Cartas, sim! Existiam cartas de amor! E assim sobreviveram e viveram uma intensa e linda história de amor.

Ele moveu montanhas para que ela deixasse o seu país e viesse morar perto dele. Ela como uma boa romântica e sonhadora, não conseguiu se desfazer de seus sonhos. Seu romance tinha que continuar no coração dela como apenas um sonho. Não encarou a realidade e desistiu… ele disse a ela, que se apaixonou pelo amor e não por ela. Hoje, ela agradece por esse amor tão grande e tão intenso que chegava doer o coração e ao mesmo tempo enchê-lo de esperança por todos esses anos que o amor sempre prevaleceu em seus caminhos, independente em que corpo e alma ela escolheu como habitar.

Ele ficou e sempre ficará como seu eterno namorado… eles se amavam de qualquer maneira…

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social, fotógrafa há 20 anos, já clicou muitos globais, assim como grandes eventos, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas, hoje seu foco está voltado para a arquitetura. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frete. Uma grande paixão é sua filha. 

Tem dias que não queremos que acabem. Dias que sorrimos à toa, a tudo. Dias assim são especiais.  Ah, se as pessoas soubessem o que torna um dia especial estariam mais abertas para as pequenas coisas que nos atropelam na rotina. No bom senso da razão achariam piegas, mas querem saber? Que se dane, é piegas, sim, e ela, a moça chamada Juli, sabia e adorou.

O dia já começou com alterações, ela não gostava, metódica, qualquer mudança na agenda a incomodava. É óbvio que se irritou primeiro, ficou mal-humorada, mas foi só abrir seu e-mail que foi atropelada por uma surpresa, lá estava o motivo do seu sorriso do dia inteiro.

Sabe aquela sensação de flutuar, em que os olhos brilham muito? Sabe aquela vontade de continuar a conversa, mas com calma, sem pressa, saboreando? Então… mas ali, naquele momento, não dava, então preferiu só curtir aquela sensação de quero mais, bem devagarinho, como aquele doce que você tanto deseja, como o mais gostoso dos pastéis – aquele que vende na feira.

Juli perdeu a hora do almoço, não sentiu fome, aquela sensação a libertava e preenchia. Lidou com os afazeres do trabalho, como sempre fazia. Não foi definitivamente o dia mais produtivo, não foi rápida, nem queria. Guardou só para ela aquela sensação de uma forma pensadamente egoísta, apesar de nada ser egoísta, ela era de dividir tudo, comida, dinheiro, roupas, joias, bolsas, sapatos, palavras, mas nesse dia não, guardou aquilo só para si, a sete chaves no seu coração.

Coração que pulava e pulsava cheio de vida e de vontades. Aquela sensação era só dela, não queria compartilhar e ser julgada, talvez condenada. Chega, a vida já é dura na rotina, nas asperezas das dificuldades e problemas. Receber e sentir aquilo àquela altura era um presente maravilhoso.

Mesmo sabendo que ia passar porque é efêmera essa sensação, naquele momento, fazia a vida ser claramente entendida, aquilo era o verdadeiro sentido de tudo e estava ali, naquele sentimento, sem palavras para explicar.

Piegas? Não importa, ela estava feliz.

Comeu bem mais tarde, um lanchinho no jantar, ouviu sua música do momento preferida, mandou – sem culpa e “numa boa” – um que se dane para um cliente chato do seu trabalho e no mais desejou amor para todos, até para os desafetos.

Com todo seu coração, desejou só amor para todos, porque nesse dia de sorrisos ela amava, a sensação, apesar de conhecida, era novamente nova e era tão grande e boa que podia acolher e abraçar o mundo.

Foi dormir com esse sorriso e pensou: “Ainda sou uma garotinha”, como diz a música, mesmo faltando só um mês para sua aposentadoria.

Não fez planos, dormiu feliz, dormiu bem.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)