Acredito que esteja relacionado a forma como você olha;

Um certo ar de coração, profundo, de quem carrega a dor do mundo;

Este jeito meio moleca, meio menina, traz ainda mais empatia a este olhar;

Acredito que seja isso que cause nas pessoas está gigantesca vontade de estar ao seu lado;

Ou será que não é em todos e eu talvez sinta alguma coisa igual a você?;

Não dá, não tenho o seu coração, mas sou também carregado de emoção;

Hoje olhei os seus olhos e vi um certo ar de pureza nesta linda sexualidade pulsante;

Antagónico este olhar, mas completamente pertinente a quem te observa;

Significa dar sentido aos pensamentos mais profundo e depois se arrepender;

Não porque você não vale a pena, pois seria mentira, mais sim porque você parece tão frágil a ponto de quebrar;

Mas, se te quebro, junto a você, despedaço-me, fico só um caco, para depois você me montar;

Mas talvez eu já esteja em frangalhos e aí você já não parece mais tão frágil, e isso seja só uma desculpa para me aproximar;

Dentre todas as formas ou pensamentos que eu possa ter isso sempre termina do mesmo jeito;

Cacos, frangalhos, sentimentos e emoções, tudo destemperado, sentido, rasgado, apaixonado por querer-te;

Este sentido que vem de nos, de dentro de nós, meio como um trem desgovernado;

Causa o maior estrago no nosso ser, isso é quem somos, nervos expostos a sentir tudo que se possa ter;

Sentimos tanto que o nosso calor queima mais forte;

O nosso beijo beija mais profundo;

O nosso resumo conta uma longa história;

A nossa história abre espaçado para muitos vários resumos;

Então ao pegar o meu barco e navegar neste vasto oceano por mais de anos, só;

Dentre muitas tempestades, ventos, ondas, mares e saudades;

Talvez o que o marinheiro realmente queira e ancorar numa bela Marina;

Se perder neste profundo olhar, beijar até quase desmaiar e quase desmaiando só pensar em amar-te;

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Mãe a mais de 15 anos, passei minha primeira experiência, nesse universo mágico, tentando explicar e convencer minha filha que ela não teria irmã.

A correria, a dedicação ao trabalho e a preocupação com o futuro dela num mundo tão problemático, usurparam o sonho de ter outros filhos.

A medida que ela crescia, igualmente crescia minha determinação e satisfação pela escolha de tê-la como única filha.

Mas ela não compartilhava do mesmo desejo que o meu e cada dia mais me pedia uma irmã, companheira, seus pedidos eram incansáveis.

Empenhada em escrever as páginas da vida da melhor forma para minha filha viver, nem percebi que o “controle remoto” fora tirado das minhas mãos sem consulta prévia.

Comecei a ter problemas hormonais e procurei ajuda médica muito preocupada com minha saúde.

Organizei minha agenda pra encaixar os exames solicitados e na ocasião a enfermeira me convidou a ouvir as batidas de um coraçãozinho que já fazia morada dentro de mim.

Como isso pôde acontecer? Eu não acreditei!

O que eu fiz?

Desmaiei na maca. Sim, desmaiei duas vezes.

Levantei atordoada da maca tentando procurar o controle da vida, outrora roubado.

Mas, aos 42 anos da minha história foi colada uma página que mudaria minha jornada pra sempre.

Assim como a primeira, minha segunda gestação ocorreu sem nenhuma intercorrência, até meu oitavo mês de gestação ainda jogava tênis, dançava zumba, fazia aulas de Pole Dance, concluía um MBA, trabalhava freneticamente, cuidava da casa dos familiares e da minha primeira filha que havia recebido a realização do maior sonho da vida dela e Eu….. Sendo coroada como a melhor mãe do mundo.

Nos 3 últimos dias de gestação descobriram que minha bebê não estava recebendo os nutrientes suficientes para crescer saudável na barriga e a decisão do corpo médico foi adiantar o nascimento.

No momento mágico e inigualável com qualquer experiência na vida…. o parto…, recebi a notícia de que minha filha havia nascido com síndrome de down.

Meu chão desabou, o momento mágico acabou e meu cérebro não conseguia assimilar a informação no meio de um turbilhão de incertezas e preocupações.

Quem era minha filha e o que esperar dela? Como planejar o futuro pra ela?

O tempo foi passando e em todos os dias que ela permaneceu na NEO Natal e todos os demais dias após a liberação da UTI eu dormia e acordava em cima de literaturas e estudos para aprender tudo sobre ela e a síndrome de down que a acompanharia pela vida toda.

O que eu descobri? Teorias e mais teorias que me ajudaram e me atrapalharam muito.

Nas minhas buscas incessantes eu acabei descobrindo uma escola, a melhor escola de todas, para aprender tudo o que eu queria saber sobre a síndrome de down.

O nome dessa escola é Luana, minha Pitica.

Com ela eu aprendi e tenho aprendido tudo o que eu preciso saber sobre a síndrome de down.

Aprendi que ela sabe melhor do que eu a planejar o próprio futuro.

Aprendi que ela vai ser o que ela quiser ser.

Aprendi que ela ama as pessoas incondicionalmente, sem interesses.

Aprendi que ela perdoa de verdade e não guarda rancor.

Aprendi que ela chora com quem chora e se alegra com quem se alegra.

Aprendi que ela quer ajudar e não espera nada em troca.

E o que eu mais aprendo com ela é ser humano.

Minha história de mãe ainda não acabou, na verdade tenho muito ainda pra viver aprendendo a ser mãe, mas agora vivo feliz porque tenho a melhor professora do mundo pra me ensinar.

Obrigada pela oportunidade de aprender a ser mãe com você!

Juliana Guarnieri – Bela Urbana. Graduada em Pedagogia com especialização em Administração e Supervisão Escolar. Pós–Graduada em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV. Gosto de jogar tênis, tocar violão, cantar, dançar e principalmente fazer bagunça com as filhas.


Juliana

Se por ventura o tudo bem precisa ser negociado a cada instante, que lemos uma notícia, está havendo a necessidade de nos reconhcermos como habitantes de um mesmo tempo, em uma mesma história e também num memso planeta, alguém dúvida?

#Canceleacovid

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Lembro de muitas histórias de carnaval. Na infância, esperava ansiosa minha tia Marta e minha prima Gi chegarem do Rio de Janeiro, com a fantasia que minha tia trazia pra mim igual ao da minha prima. Sempre tão lindas! Lembro de nós duas na matinê, no salão do clube à espera para desfilarmos no concurso de fantasias… já fomos baianas, bruxinhas, ciganas etc.

Na adolescência, a primeira vez que fui a um baile à noite estava de melindrosa, tinha 12 anos e fui uma única noite. Queria porque queria ir, já que minha prima ia, mas não gostei. Não me senti pertencendo, ainda gostava da luz da matinê e de ficar jogando confetes e serpentinas… A noite ainda não era para mim!

Com 13 anos, passei as cinco noites com um grupo de uns 40 adolescentes como eu, fantasiados de egípcios e gritando: “Alalaooooo, mas que calor”. Aquilo para mim foi o máximo! Passei as cinco noites junto com o grupo, correndo pelo salão, cantando sem parar aquele refrão e sem olhar para nenhum garoto. Eu era mais criança que adolescente ainda.

Já no ano seguinte, 14 anos, começaram a ser mais divertidos os bailes de carnaval. Nesse ano, lembro que junto com minha amiga Alexandrina, ficamos “apaixonadas” platonicamente por um mocinho no salão, que nunca nem sequer dançou uma música com nenhuma de nós. Acho que nem nos via, era “gatinho”, como dizia a gíria da época dos anos 80 quando era para fazer referência a alguém bonito. Ali eu descobri que gostei do colorido que a paixão nos traz, mesmo quando não é correspondida. Ainda era uma menina que nunca tinha beijado na boca.

Com 15 anos, já era mais encorpada, bem morena, e novamente com minha prima e amigas fizemos fantasias iguais para algumas noites. Éramos piratas com meia arrastão preta, top vermelho com lantejoulas e um pano de cetim vermelho que servia de saia, biquine por baixo, porque tudo era bem curto, era moda. Ano que comecei a ser vista pelos mocinhos. Dançava com um, depois com outro e com outro pelo salão. Funcionava assim: Tinha uma grande roda e quando parávamos de dançar com o par, ficávamos no entorno dessa roda dançando até outro convidar para dançar. Sempre nós, as meninas, esperando passivamente sermos convidadas. Eu nunca convidava ninguém, poderia justificar com minha timidez – de fato era tímida demais para chegar em algum moço –, mas não era só isso, era algo que no fundo estava enraizado em mim. “Isso não é papel de moça, os homens é que devem tomar a iniciativa”.

Os homens podiam escolher e nos tirar para dançar, mas nós, moças mais recatadas, jamais faríamos isso. Isso nunca passou pela minha cabeça como algo a ser questionado, nunca nem pensei, e se quisesse dançar com alguém, por que não ir tirá-lo também? Nesse ano, me lembro de dois mocinhos que ficavam “me disputando”… Uma vez, dançando com um deles, um amigo o chamou para brigar, e ele, como ‘bom macho e fortão’, falou pra mim: “– Tenho que brigar agora, depois eu volto, me espera”. Eu sei lá qual o motivo da tal briga, na hora o achei muito valente. “Nossa, uau, ele vai brigar, como é forte! Como é valente!”, esses eram meus pensamentos.

Bom, os dois que me “disputavam”, o valentão e o outro, eram amigos, esse outro tinha uma namorada… mas passava por mim quando não estava dançando comigo e me media de cima a baixo, jogava charme, fazia comentários, mesmo dançando com ela, sem nenhum respeito por ela. Eu, na verdade, também não percebia que isso não era respeitoso nem com ela e nem comigo.

Na última noite, a banda tocava até quase o raiar do sol, e nas repetições do mais um, eu estava dançando com outro mocinho. A música parou e ele veio todo para cima de mim tentar me beijar, quando o tal que me “disputava” com o amigo fortão, o que tinha namorada, disse em alto e bom som: “Não mexe com essa moreninha que eu vi primeiro!”. Como se eu pertencesse a ele, como se eu fosse um mero objeto.

Como me senti? Sinceramente, naquele dia, me senti desejada, importante, e estava gostando das investidas do garoto que levou um sinal amarelo do outro. Eu fiquei passiva, esperando que os meninos decidissem de quem eu era. Como assim de quem eu era? Eu que deveria escolher! Afinal, eram dois pretendentes, mas eu não tinha essa percepção e talvez até achasse interessante ser “disputada como um prêmio”. Hoje consigo enxergar o quanto eu era machista e não tinha consciência de nada disso. Sou uma desconstrução dessa machista.

Enfim, me despedi, fui embora com minha prima e amigas. Já com saudades daquele carnaval, que me traz lindas lembranças, mas com água na boca de um beijo que não aconteceu, mas… a vida é um caixa de surpresa e o primeiro beijo veio no carnaval do ano seguinte… Mas essa história é outra…

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

O amor por cachorros me acompanha desde sempre. SÓ NÃO SEI se foi por influência paterna ou por minha própria natureza.

Inesquecível a história do cão que após ser levado para morar em uma chácara, voltou sozinho após dias andando e raspou a porta do apartamento de meu pai para reencontrá-lo.

Quanto desafio para um ser que costumamos chamar de irracional.

Mas o que será que é ser racional? Sinto na irracionalidade de um cão uma profunda razão.

SÓ SEI que na racionalidade do ser humano, muitas vezes existe uma falta de noção.

Cachorro gosta de amor e carinho. Não entende nada essas coisas de tendência em tentar humanizá-lo com nomes de gente e produtos similares aos dos seres racionais. A linha é imensa pois cada dia o mercado pet lança um produto diferente: cerveja, gelatina, bolo de caneca, brownie, sorvete, bolos e velas de aniversário, fantasias…e por aí vai.

NÃO SEI se essa crítica mais filosófica do que construtiva nos leva a algum lugar, mas SEI que para o cão, o que interessa é a troca de carinho. No mais ele não entende nada de toda essa humanização.

Parando para refletir sobre os relaciomentos de… não tão antigamente… e toda essa modernidade tecnológica como app’s para tudo com direito aos relacionamentos virtuais e imaginários, é fácil dizer o que SEI:

Todo esse mercado pet, que também sou consumista, é simplesmente o espelho da carência da humanidade por calor humano e contato presencial, sincero, simples e puro.

É na tentativa de humanização de seus novos “filhos” que muitos afagam sua carência por afeto e liberam a ocitocina*, que traz bem estar e aconchego.

Somos racionais e os pets irracionais? Há quem hoje em dia já discorde dessa afirmação. NÃO SEI se isso pode ser considerado agora liberdade de expressão. Talvez, contudo, entretanto…

“SÓ SEI QUE NADA SEI” **

  • Algumas formas de aumentar a ocitocina naturalmente:
    Contato físico. O contato físico na forma de abraços, massagem, cafuné e carinhos estimulam a produção de ocitocina, e é uma das causas do bem estar quando é realizado.
    Adotar um animal de estimação.

** Frase que Sócrates nunca disse segundo a História da Filosofia.

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.

A vida é uma dádiva e a existência um fenômeno extraordinário. A existência em nosso planeta obedece regras da natureza, confirmadas e imutáveis por milhares de anos.

Já a existência humana representa uma aventura igualmente extraordinária, dinâmica, complexa, dialética, ainda assim submete-se a regras da natureza, mas sobretudo, da natureza humana.

O avanço de nossa espécie sobre este planeta exigiu de nós esforços seculares que, um dia após outro nos trouxeram a este momento e patamar civilizatório e evolucional fundado em nossa capacidade de criar, superar e trilhar novos e inovadores caminhos.

Conseguimos ao longo de milhares de anos, por nossa capacidade intelectiva e de iniciativa, o relativo domínio da natureza em favor de nosso desenvolvimento e bem estar. Vencemos as adversidades do clima, as doenças, a fome, tudo resultado de nosso progresso civilizacional alcançado pelo esforço de todos e de cada um dos que participam deste avanço da condição humana.

Ainda que marcada pela imprevisão e incerteza, a aventura humana no planeta atingiu níveis outrora impensáveis algumas décadas atrás. Tudo construído por nós, pela nossa perseverança e imaginação.

O momento atual é marcado por avanços tecnológicos atingidos em velocidade nunca antes alcançados em nossa trajetória. As inovações se sucedem em ritmo quase indescritível e diário, servindo de base para outras que igualmente alicerçam outras que nos trazem novas percepções sobre o conceito de futuro. Vivemos uma época em que o futuro é hoje.

Na esteira de tais inovações temos hoje, absolutamente incorporadas a nossas vidas cotidianas várias novas formas de comunicação e contato entre as pessoas, notabilizando-se dentre estas as nossas já inseparáveis redes sociais.

Difícil nos dias de hoje encontrarmos pessoas que não mantenham diária relação e atuação com quatro ou mais ambientes virtuais de convivência social. Uma moderna e agora essencial relação de comportamento social.

A velocidade das informações e nossa interação não somente como receptores mas sobretudo como reprodutores delas nos inserem na condição de condutores, de agentes ativos do diário turbilhão de assuntos. A um só tempo somos agentes passivos e ativos desse fluxo frenético de informações.

Mas a despeito desta modernidade prosseguimos sendo humanos e, nesta condição, trazemos para nosso momento de modernidade quem somos, quase que reproduzindo e validando aquelas regras da natureza, contudo da natureza humana.

O complexo caminhar de nossa civilização resulta de comportamento social individual que, enfeixado ao comportamento dos demais se unifica em comportamentos coletivos.

Uma das indisfarçáveis características de nossa natureza humana presente em nosso comportamento coletivo, e agora, relevada pela dinâmica das redes sociais (notadamente) é nossa tendência ao julgamento.

Participamos todos, todos os dias de julgamentos instantâneos, recebendo e emitindo juízos de valor sobre temas dos mais variados, pessoas, situações, integrando-nos a maiorias ou minorias dependendo do tema. Mas estamos sempre julgando.

 A “opinião” e repercussão das redes sociais compõe hoje quase uma entidade imaterial de indiscutível importância para tomada de decisões que influirão em nossos caminhos. São quase uma terceira pessoa coletiva, uma posição de suma importância que paira sobre todos nós. Mas quais seriam a utilidade e benefício disso?

Difícil supor quais os efeitos desse fenômeno, mas ele já velho conhecido.  

Praticamos nossa tendência humana de julgar não é de hoje. Nos jogos romanos a era pré cristã a indulgência do imperador para quem iria viver ou morrer era decidida após ouvir as galerias das arenas. Os cidadãos decidiam instantaneamente pela vida e pela morte.

Um pouco adiante na história tivemos outro exemplo clássico do nosso julgamento popular quando decidimos entre dois sujeitos, um chamado Barrabás, e outro chamado Jesus. Sabemos bem o resultado.

Assim, ainda que entendamos o advento de inimagináveis formas de comunicação de que dispomos atualmente, inescusável também constatarmos que toda essa modernidade está a nosso serviço, a serviço de quem somos e da forma como vivemos e agimos, em suma, de nossa natureza humana.

É ai que toda essa modernidade por vezes parece muito velha para mim, pois apesar de todo o avanço ela somente consegue nos trazer muito mais de nós mesmos.         

André Guimarães – Belo Urbano, advogado, é um materialista histórico dialetico

 

Muitas pessoas tem a idéia equivocada de que em países desenvolvidos o abuso praticamente não existe; como se ele fosse fruto exclusivo da falta de acesso à educação e cultura.

Aproveitei o convite da Adriana Chebabi para escrever no Belas Urbanas e da minha experiência como brasileira que mora na Alemanha para ir atrás de dados e história, na tentativa de traçar o perfil da mulher alemã contemporânea e sua relação com o abuso.

De fato na Alemanha o abuso, seja ele psicológico, físico, moral, sexual acontece com menor frequência mas ainda assim ele acontece. Em 2019 uma mulher foi morta a cada 3 dias vítima de feminicídio na Alemanha (não considerando os abusos que antecedem à morte). No Brasil uma mulher é morta vítima de feminicidio a cada 2 horas.

Olhando para o passado descobri na mitologia referências às deusas germânicas, que lutavam lado a lado com homens e que eram associadas à valores guerreiros e de autossuficiência. Lenda ou não as mulheres guerreiras aparecem em diversos relatos encontrados sobre o Sacro Império Romano-Germânico na época da antiguidade.

Lembrando que os povos germânicos na época estavam espalhados pela atual Áustria, Suíça, França, Bélgica, Norte da Itália, Península Ibérica e Norte da África. As mulheres germânicas de fato influenciaram grande parte da cultura feminina européia.

É importante ressaltar que mais para frente, na Idade Média, a sociedade germânica era patriarcal, cabendo às mulheres o papel de cuidar da casa, dos filhos,  alimentar a família, prover e utilizar os medicamentos.

Passados os séculos e chegando aos dias atuais sinto que a mulher alemã é altiva, forte e se orgulha disso, entretanto essa atitude sozinha não vem sendo suficiente para evitar os casos de abusos contra elas.

Uma realidade a ser considerada nesta análise, e que passa pela cabeça de muitos é o fato da Alemanha ter sempre recebido, em maior ou menor quantidade, um grande número de imigrantes, que trazem consigo diferentes costumes. Esse caldeirão de culturas obviamente traz choques que podem nos levar a pensar que a sociedade multicultural abre brechas para tal violência e que o abusador simplesmente é o outro,  o que veio de fora. Mas muito do que fui pesquisar sobre relações abusivas me fez acreditar que não é este o caso. Explico melhor a seguir.

A construção de uma personalidade abusiva, pelo que pude perceber, não depende apenas de fatores como, país de origem e classe social. Isso pode interferir quando o abusador vem de países em que a cultura do estrupro e da inferioridade feminina ainda existem, como a Somália, India, Afeganistão, Nigéria, para citar alguns; mas ainda assim seria simplista afirmar. O que venho constatando em minhas leituras sobre o tema é que a violência depende de algo maior e mais complexo, e que na grande maioria das vezes ela acontece em relacionamentos inicialmente consensuais, ou seja, sem barreiras, sem choques ou atritos.

Fica claro que existe um período de encantamento e que conforme a relação se desenrola os primeiros sinais aparecem. Desencorajamento, controle, tortura psicológica, agressão física, estupro entre outros. Neste período a vulnerabilidade entra em jogo e ela simplesmente desconhece área geográfica.

Claramente os tempos mudaram, os “gatilhos” mudaram e o sofrimento se mantém, no mundo todo.

Hoje em dia acredita-se que os abusos ligados à violência doméstica aumentaram, e de fato os dados mostram que sim.

A pandemia da Covid-19 vem expondo às pessoas à experiências de confinamento que não estão sendo saudáveis por diversas razões. Na Alemanha logo após o término do “lockdown” as denúncias de mulheres vítimas aumentaram em 30%,  somente na capital Berlim.

Contudo, o evento mais importante está acontecendo; as vítimas estão parando de se esconder e é exatamente por isso que os números de casos subiram.

O acesso à informação, os debates e o encorajamento de mulheres é um movimento sem volta e os casos emergem, o que nunca aconteceu com tamanha força.

E tanto você, que se interessou em ler este texto, quanto eu, que fui estudar sobre o tema, estamos colocando este assunto em pauta, debatendo, denunciando, reconhecendo e divulgando canais competentes de auxílio à mulher em situação de abuso.

Sim, o abuso é mundial, assim como a luta contra ele!

Vamos seguir lutando “miteinander”,  palavra alemã que eu adoro e que quer dizer “juntos”.

Silvia Lima – Bela Urbana, publicitária, leonina, mãe do Gabriel e Lucas. Mora em Stuttgart, adora uma viagem, só ou bem acompanhada, regada a muito vinho. É responsável pela área de Marketing Digital
da Push Rio Activewear. www.pushrio.com

“Empreender é uma forma de amadurecer. ”

Isso foi o que eu ouvi de um terapeuta com quem na época fazia sessões de acupuntura, há 15 anos atrás, quando decidi largar o emprego e iniciar essa nova fase na vida.

Acredito que vários são os caminhos que podem nos trazer crescimento e conquistas. Mas certamente iniciar um empreendimento é um deles.

Temos que aprender a estipular metas.

Aprender a avaliar riscos. E ter a coragem de arriscar.

Chorar desesperadamente nos momentos em que o mundo parece conspirar contra você.

E se reinventar a cada dia.

Entrar em conflito com seus valores, princípios de vida. Até onde eu posso? Isso tá certo?

Saber dividir seu tempo, reavaliar prioridades.

E principalmente, SABER O QUE QUER, SABER ONDE QUER CHEGAR.

Algo em comum com o que temos que fazer com as nossas vidas?

Sim, empreender é uma forma clara de amadurecer.

Uma forma quase bruta de ter que conquistar a auto estima.

Porque entre erros e acertos, tropeços e recomeços, a vida se mostra plena e o universo coloca aos nossos pés todas as oportunidades que necessitamos para crescer, amadurecer e se auto conhecer.

Para aqueles que pensam em começar a empreender, o SEBRAE é uma ótima opção para encontrar orientações sobre abertura empresas, em qualquer ramo de negócio.

Aos que pensam em iniciar empresas de base tecnológica, sugiro procurar também, as incubadoras de empresas. Além do suporte administrativo, empresarial e jurídico, a interação com os demais empreendedores é sempre muito enriquecedora.

Relações abusivas podem acontecer em todos os âmbitos da nossa vida. Seja pessoal, familiar ou profissional.

Portanto, vamos nos fortalecer, encontrar nossos valores e nossa identidade.

Sejamos nós, os autores da nossa própria história.

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

Sempre faço um agradecimento quando acordo por estar respirando…

Sempre me preocupo com pessoas que acordam infelizes, e tendo contato digo para elas que se estamos respirando, estamos vivos e, devemos agradecer!

Sempre soube pela História e Geografia estudada de que a AMAZÔNIA, sempre foi considerada o:

“PULMÃO do MUNDO”

Sempre quis me mover como o grande pêndulo do tempo (leia-se relógio) Terra, durante as orgias atemporais que nos sufocam com cruéis ponteiros sempre imprecisos e, aparentemente inadequados durante visitas inesperadas.

Esse momento em que o mundo precisa ter uma nova logística de atuação me sinto corroída por esse mesmo tempo, em que crer no balanço do AR respirável, nem na AMAZÔNIA posso contar mais.

O foco dessa semana enquanto estamos com um CO (n)…VID… ado sem ter sido convidado, que entra sorrateiramente e fica em exposição do lado de fora de nossa casa, devemos nos privar para continuar a respirar.

E tomar tento de que nem o PULMÃO do MUNDO, que fica aqui mesmo em nosso País, chamado Brasil não consegue nem colaborar mais com seus habitantes.

O CORONAVÍRUS/CODIV-19

Determina que a Pandemia nesse momento não é causada pela poda ilegal de árvores, por egos de  garimpeiros e ou fazendeiros que acabará com o AR mais precioso que nós necessitamos para continuar vivos, e sim, os políticos vãos que estão sendo abertos por escavadeiras e tatuando covas, afim de perpetuar buracos precisos para o enterro de “sujeitos” viventes nessa TERRA chamada BRASIL.

Uma ironia tétrica diante de algumas fotografias, vídeos, filmes que necessitamos ter que olhar e observar, mesmo NÃO atuando na Profissão de COVEIRO, e sim por termos aprendido em algum lugar do passado, de que deveríamos crer que a AMAZÔNIA- CORAÇÃO do MUNDO!

Estamos vivenciando uma necrose sócio/política em um isolamento pessoal dolorido e solitário, para continuarmos o trabalho de nosso pêndulo pessoal corroído pelo CORONAVIRUS-CODIV-19, e quanto ao nosso sepultamento, não tenho mais nada a declarar, mesmo sendo colocada em uma solitária que é respirável.

Endosso #fiquemecasa e pense nem o PULMÃO da AMAZÔNIA está bem no foco!

Vejam pelo menos uma foto do escárnio de uma escavadeira corrompendo a TERRA, na vasta ignorância do que estamos e estaremos vivenciando no MUNDO! E por favor não se pergunte que País é esse?

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Foto de abertura de 22 ABRIL 2020 FOTOGRAFIA UOL NATHAN LOPES

Ele morreu ontem. Não chegou aos 60. Morreu com 55 anos. Era jovem na sua essência. Cheio de planos. Cheio de sonhos. É certo que, como qualquer artista, sentia o mundo mais colorido e também mais dolorido. Se existia uma pessoa que tinha borogodó, essa pessoa era ele. Dividia opiniões, mas isso não foi motivo para impedi-lo de chegar a todos os lugares que quis ir. E foi, e onde foi conseguiu aplausos. Seu talento não era só nato, era também fruto de um esforço de quem sempre quis fazer o melhor.

Foi ator, foi cantor, foi produtor, foi diretor, foi autor de músicas lindas e de textos sensacionais. Alguém plural, mas, ao mesmo tempo, tão singular que se tornou raro.

Na vida pessoal era o que podemos chamar de gente; aquela expressão que diz “gente como a gente” era bem ele. Real. Tinha medos, tomava remédio, cuidava da família, que incluía o gato Mica, as filhas, a mulher e até a ex-mulher. Gostava de ter amigos em volta de uma boa mesa, principalmente no seu sítio. A vida era vivida em festa, e quando a festa acabava, ficava quieto, fugindo dos medos das perguntas que não sabia responder.

Foi-se de repente, bestamente. Morte besta para morrer. Um susto. Mas como poderia ser diferente para alguém que sempre foi fora da curva da estrada convencional. Muitas homenagens, muito choro, muito inconformismo até de seus desafetos como Antônio, ou Tony, como era conhecido.

Amigo de velhos tempos, amigo de muitos anos, amigo que tentava sempre estar onde ele estava, mas era só mais um que tentava e não emplacava. Mais um invejoso. Mais um sanguessuga. Mais um que não suportava ver seu olhar brilhar. Tony até tentou se conter, não transparecer, mas inveja legítima não se aguenta e um dia explode. Jogou a amizade para o fundo do poço com palavras perversas, mostrando toda sua raiva e
inveja latente, à flor da pele. Foi tão feio que foi assim até o fim.

Quando soube da notícia se fez de chocado. Chorou. Bebeu. Vomitou e escreveu publicamente sobre a dor da falta daquela amizade. Pareceu sincero. Recebeu muitos pêsames. Apareceu como nunca nas redes sociais. Afinal, a dor comove. Ele conseguiu os aplausos que sempre quis, nunca nenhum de seus posts alcançou e foi curtido por tantos.

Conseguiu ser o seu melhor, um grande oportunista.

A família, que sabia de tudo, calou-se. Nem uma palavra, nada.

Afinal, vampiro de morto, morto está.


Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico