Bateu a desconfiança.

Pensava: – Esse homem, quem é? – Será que é mais um daqueles papos de restaurante? Quantas e inúmeras vezes ele já deve ter tido essa atitude?

Eu era mais uma dessas passarinhas… uma canarinha, não! Uma fênix, já sai da gaiola. Sou dona de mim. Pensando bem, vou viver o agora, como senão tivesse o ontem e nem o amanhã.

Acreditar? O que importa? Se for mais um daqueles, bem… não irei me fechar para uma possível possibilidade do amor. Na verdade, o amor é quase inventado na nossa mente no coração ele apenas pulsa.

O que vai dar? Um pouco de mel ou de fel?

VEJA AMANHÃ NO ÚLTIMO CAPÍTULO

A história AQUELA ESTRADA é uma história escrita por 07 autores – Liliane Messias, Macarena Lobos, André Araújo, Crido Santos, Gil Guzzo, Maria Nazareth Dias Coelho e Adriana Chebabi. O capítulo de hoje foi escrito por Macarena Lobos.

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social, fotógrafa há mais de 25 anos, já clicou muitas personalidades, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. Trabalha com marketing digital e gerencia o coworking Redes. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frente. Uma grande paixão é sua filha

Preferi pegar seu telefone, dar uma desculpa e não fazer nada aquele dia. Por mais que meu corpo gritasse por aquele homem, não queria apenas corpos, queria dele alma, vida, tudo!

Dei uma desculpa, dessas que convencem, mas nem tanto. Disse que teria um compromisso logo cedo e teria que voltar ao meu quarto. Ele indagou, queria saber mais, mostrou-se curioso com minha agenda repentina, mas fui firme ao despistar. Fiquei pensando o quão adolescente poderia parecer essa atitude. 

Era sim uma aposta. Ele poderia não mais querer nada. Resposta em si, não seria mais que ilusão. Mas se ainda quisesse, poderíamos iniciar algo interessante até o próximo desafio.

Agora senti que a atitude, a responsabilidade em relação ao que sentia era só minha. Aquele telefone, anotado em guardanapo estava comigo. Quando ligo? O que falo? Como contínuo nossa história?

O medo me bateu também: eu menti para interromper aquele clima, aquele momento. Mas foi em prol de uma história mais longa com ele. Mas estou tão enferrujada em relação a esse jogo do amor que não sei ao certo como agir. Minha preocupação toda agora era: e se ele perguntar sobre meu compromisso, como vou agir?

VEJA AMANHÃ NO CAPÍTULO 5

A história AQUELA ESTRADA é uma história escrita por 07 autores – Liliane Messias, Macarena Lobos, André Araújo, Crido Santos, Gil Guzzo, Maria Nazareth Dias Coelho e Adriana Chebabi. O capítulo de hoje foi escrito por Crido Santos.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

O escuro da estrada lhe trazia medo, os faróis contrários, a realidade. A vida foi passando como num filme, suspirava se enchendo de AR e de coragem.

Vieram lágrimas, palavras desconexas foram ditas em voz alta… assim como músicas cantadas aos berros.

Horas de estrada lhe trouxeram o cansaço e a realidade lhe bateu forte. Agora dona dos seus passos, se sentia livre e indecisa. Escolher um lugar para dormir, escolher o que comer, para onde ir, agora em suas mãos.

Um hotelzinho de beira de estrada com jeito simples de casa do interior, foi sua escolha.

Luz fraca, cheiro de mato. Cama limpa, água fresca. Era tudo o que precisava, amanhã pensaria o que fazer.

Acordou no susto, era real.

Sentia agora o cheiro pouco familiar de um quarto estranho, barulhos lá fora traziam algo que não queria lidar. Neste momento, nem bom dia queria dar.

Era isso então, banho gelado, roupas limpas e seguir caminho.

Resolveu no café traçar um plano, assustada que estava com suas últimas atitudes.

Teria que olhar com cuidado as novas possibilidades e o mais sensato, seria alugar um quarto e se estabelecer, talvez.

A outra possibilidade hotel em hotel, nada lhe agradava.

A busca foi cansativa, mais uma vez o medo, mas também veio junto a ousadia.

Resolvido, quarto na praia. Traçou a rota, chegou a noite.

Foi recebida pela dona da casa, senhora arrastando chinelos.

Manhã seguinte, tentou logo se inteirar do que se fazia naquela Vila.

Arriscou e perguntou a senhora dona da casa, se seria fácil arranjar algum trabalho.

Resolveu contar quase nada de sua vida.

De pronto a resposta, o restaurante da esquina precisava de gente pra trabalhar.

Então é isso que lhe espera?

VEJA AMANHÃ NO CAPÍTULO 3

A história AQUELA ESTRADA é uma história escrita por 07 autores – Liliane Messias, Macarena Lobos, André Araújo, Crido Santos, Gil Guzzo, Maria Nazareth Dias Coelho e Adriana Chebabi. O capítulo de hoje foi escrito por Maria Nazareth Dias Coelho.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

Naquele dia ela tirou o anel. Olhou no espelho, respirou fundo e puxou o anel com força do dedo. Não precisou de água nem sabão, saiu de uma vez só em uma puxada forte, mas deixou uma marca ali… uma hora essa marca sai, pensou.

Se fez bonita, bem bonita, como há muito não ousava. Tem uma música do Chico que fala isso… ” então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar…”. A música vinha na sua mente. Resolveu colocar também um vestido que estava guardado fazia tempo, lhe caia muito bem, fez isso, se sentiu bonita.

Cabelo solto, maquiagem no rosto, pele clara, sentiu falta do banho de sol que também há muito não tomava, mas mesmo assim estava bonita. Regou suas plantas, conversou com elas, falou que estava ansiosa… ela sempre fazia isso de conversar com as plantas, deu boa noite para todas, trancou a porta da sala e desceu o elevador, que antes de descer, subiu até o décimo primeiro, só porque estava ansiosa o tempo estava em descompasso com o seu tempo e sua ansiedade aumentava.

A chamada do décimo primeiro foi em vão, ninguém desceu junto, ufa, não precisava de ninguém naquele momento com ela, apesar de ser sempre simpática e receptiva com as pessoas, naquele momento, não estava dando conta dos macaquinhos no seu sótão, é assim que a expressão diz, não é?

Ufa, novamente, térreo. Acelerou o passo antes que desistisse. Nunca tinha feito aquilo. Em outros momentos chegou a julgar e condenar, mas a lição dos últimos 14 meses era justamente essa, não julgue, não condene, não seja a rainha da verdade absoluta. Essa lição já tinha vindo em sua vida em outros tempos, em vários outros tempos… mas ela, até agora, não tinha ainda aprendido, apesar de tentar todas as vezes.

Lições são assim quando não são aprendidas, voltam e voltam em um grau maior para ver se desta vez entram na alma.

E por falar em alma, naquele momento a sua flutuava, mas os pés firmes seguiram para seu carro, dirigir era uma liberdade, gostava de dirigir sozinha, gostava de dirigir a noite, gostava de dirigir em estradas e foi o que fez, pegou aquela estrada de novo.

Pra onde ía?

VEJA AMANHÃ NO CAPÍTULO 2

A história AQUELA ESTRADA é uma história escrita por 07 autores – Liliane Messias, Macarena Lobos, André Araújo, Crido Santos, Gil Guzzo, Maria Nazareth Dias Coelho e Adriana Chebabi. O capítulo de hoje foi escrito por Adriana Chebabi.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Foi em um carnaval que o conheci, passei os quatro dias no sofá com ele. No sofá da sala, sofá cama por sinal. Não é o que deve estar pensando caro leitor. Eu explico. Na véspera, em uma festinha de carvanal na casa de amigos da escola do meu filho Pedro, ele com seus três aninhos, torci meu pé na hora de ir embora em cima do salto alto. A casa era longe da minha e ainda tinha que buscar os outros dois filhos, cada um em um local. Fui firme segurando o choro de tanta dor. Minha noite foi um horror e no dia seguinte, o médico me imobilizou, além de ter que tomar todos anti-inflamátorios necessários.

Bom, meus filhos tiveram um carnaval com o pai e eu fiquei bem acompanhada com O CAÇADOR DE PIPAS.

Que livro é esse? Senti tantas emoções! Conheci Cabul dos anos 70, os dois meninos Amir e Hassan, a força do amor desses amigos, que também eram meio-irmãos… mas isso só soube no decorrer da história. Das diferenças das classes sociais, da decadência do Afeganistão e todas as violências… e das competições de pipas, que me levaram também para a minha infância…. eu nunca consegui empinar uma pipa, nunca soube colocá-la no alto, já meu irmão era ótimo nisso.

Senti tantas emoções com aquele livro, com aquela história tão redonda, tão bem escrita, tão profunda. Chorei profundamente em alguns momentos, me encantei com belezas em outros. Devorei o livro nos quatro dias que fiquei naquele sofá com o pé imobilizado.

Quando terminei, minha sensação era de plenitude. Sentia uma tristeza por me despedir, a história estava tão impressa em mim que foi difícil me desligar, mas ao mesmo tempo, tinha a consciência que tinha chegado ao fim como deveria ser, sem ter que tirar e nem colocar nada a mais. Que história!

Tenho vários livros que gostei muito, alguns me marcaram profundamente, mas O Caçador de Pipas me despertou algo além da história. Primeiro pelo impacto que senti. Segundo, porque quis saber mais sobre o autor, Khaled Hosseini, tive e ainda tenho vontade de conversar com ele sobre seu processo criativo. Terceiro, me despertou o desejo de escrever uma história e publicar um livro, mas naquele momento não me vi capaz, porém uma semente foi plantada em mim.

De lá para cá, voltei a escrever mais, me atrevi nos contos, quem sabe uma hora venha a escrever uma bela história que vire um livro. Quem sabe alguma de um carnaval no sofá? E quem sabe ainda, alguém, um dia, se inspire pela minha história…

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, fundadora do Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Acredito que esteja relacionado a forma como você olha;

Um certo ar de coração, profundo, de quem carrega a dor do mundo;

Este jeito meio moleca, meio menina, traz ainda mais empatia a este olhar;

Acredito que seja isso que cause nas pessoas está gigantesca vontade de estar ao seu lado;

Ou será que não é em todos e eu talvez sinta alguma coisa igual a você?;

Não dá, não tenho o seu coração, mas sou também carregado de emoção;

Hoje olhei os seus olhos e vi um certo ar de pureza nesta linda sexualidade pulsante;

Antagónico este olhar, mas completamente pertinente a quem te observa;

Significa dar sentido aos pensamentos mais profundo e depois se arrepender;

Não porque você não vale a pena, pois seria mentira, mais sim porque você parece tão frágil a ponto de quebrar;

Mas, se te quebro, junto a você, despedaço-me, fico só um caco, para depois você me montar;

Mas talvez eu já esteja em frangalhos e aí você já não parece mais tão frágil, e isso seja só uma desculpa para me aproximar;

Dentre todas as formas ou pensamentos que eu possa ter isso sempre termina do mesmo jeito;

Cacos, frangalhos, sentimentos e emoções, tudo destemperado, sentido, rasgado, apaixonado por querer-te;

Este sentido que vem de nos, de dentro de nós, meio como um trem desgovernado;

Causa o maior estrago no nosso ser, isso é quem somos, nervos expostos a sentir tudo que se possa ter;

Sentimos tanto que o nosso calor queima mais forte;

O nosso beijo beija mais profundo;

O nosso resumo conta uma longa história;

A nossa história abre espaçado para muitos vários resumos;

Então ao pegar o meu barco e navegar neste vasto oceano por mais de anos, só;

Dentre muitas tempestades, ventos, ondas, mares e saudades;

Talvez o que o marinheiro realmente queira e ancorar numa bela Marina;

Se perder neste profundo olhar, beijar até quase desmaiar e quase desmaiando só pensar em amar-te;

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Mãe a mais de 15 anos, passei minha primeira experiência, nesse universo mágico, tentando explicar e convencer minha filha que ela não teria irmã.

A correria, a dedicação ao trabalho e a preocupação com o futuro dela num mundo tão problemático, usurparam o sonho de ter outros filhos.

A medida que ela crescia, igualmente crescia minha determinação e satisfação pela escolha de tê-la como única filha.

Mas ela não compartilhava do mesmo desejo que o meu e cada dia mais me pedia uma irmã, companheira, seus pedidos eram incansáveis.

Empenhada em escrever as páginas da vida da melhor forma para minha filha viver, nem percebi que o “controle remoto” fora tirado das minhas mãos sem consulta prévia.

Comecei a ter problemas hormonais e procurei ajuda médica muito preocupada com minha saúde.

Organizei minha agenda pra encaixar os exames solicitados e na ocasião a enfermeira me convidou a ouvir as batidas de um coraçãozinho que já fazia morada dentro de mim.

Como isso pôde acontecer? Eu não acreditei!

O que eu fiz?

Desmaiei na maca. Sim, desmaiei duas vezes.

Levantei atordoada da maca tentando procurar o controle da vida, outrora roubado.

Mas, aos 42 anos da minha história foi colada uma página que mudaria minha jornada pra sempre.

Assim como a primeira, minha segunda gestação ocorreu sem nenhuma intercorrência, até meu oitavo mês de gestação ainda jogava tênis, dançava zumba, fazia aulas de Pole Dance, concluía um MBA, trabalhava freneticamente, cuidava da casa dos familiares e da minha primeira filha que havia recebido a realização do maior sonho da vida dela e Eu….. Sendo coroada como a melhor mãe do mundo.

Nos 3 últimos dias de gestação descobriram que minha bebê não estava recebendo os nutrientes suficientes para crescer saudável na barriga e a decisão do corpo médico foi adiantar o nascimento.

No momento mágico e inigualável com qualquer experiência na vida…. o parto…, recebi a notícia de que minha filha havia nascido com síndrome de down.

Meu chão desabou, o momento mágico acabou e meu cérebro não conseguia assimilar a informação no meio de um turbilhão de incertezas e preocupações.

Quem era minha filha e o que esperar dela? Como planejar o futuro pra ela?

O tempo foi passando e em todos os dias que ela permaneceu na NEO Natal e todos os demais dias após a liberação da UTI eu dormia e acordava em cima de literaturas e estudos para aprender tudo sobre ela e a síndrome de down que a acompanharia pela vida toda.

O que eu descobri? Teorias e mais teorias que me ajudaram e me atrapalharam muito.

Nas minhas buscas incessantes eu acabei descobrindo uma escola, a melhor escola de todas, para aprender tudo o que eu queria saber sobre a síndrome de down.

O nome dessa escola é Luana, minha Pitica.

Com ela eu aprendi e tenho aprendido tudo o que eu preciso saber sobre a síndrome de down.

Aprendi que ela sabe melhor do que eu a planejar o próprio futuro.

Aprendi que ela vai ser o que ela quiser ser.

Aprendi que ela ama as pessoas incondicionalmente, sem interesses.

Aprendi que ela perdoa de verdade e não guarda rancor.

Aprendi que ela chora com quem chora e se alegra com quem se alegra.

Aprendi que ela quer ajudar e não espera nada em troca.

E o que eu mais aprendo com ela é ser humano.

Minha história de mãe ainda não acabou, na verdade tenho muito ainda pra viver aprendendo a ser mãe, mas agora vivo feliz porque tenho a melhor professora do mundo pra me ensinar.

Obrigada pela oportunidade de aprender a ser mãe com você!

Juliana Guarnieri – Bela Urbana. Graduada em Pedagogia com especialização em Administração e Supervisão Escolar. Pós–Graduada em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV. Gosto de jogar tênis, tocar violão, cantar, dançar e principalmente fazer bagunça com as filhas.


Juliana

Se por ventura o tudo bem precisa ser negociado a cada instante, que lemos uma notícia, está havendo a necessidade de nos reconhcermos como habitantes de um mesmo tempo, em uma mesma história e também num memso planeta, alguém dúvida?

#Canceleacovid

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Lembro de muitas histórias de carnaval. Na infância, esperava ansiosa minha tia Marta e minha prima Gi chegarem do Rio de Janeiro, com a fantasia que minha tia trazia pra mim igual ao da minha prima. Sempre tão lindas! Lembro de nós duas na matinê, no salão do clube à espera para desfilarmos no concurso de fantasias… já fomos baianas, bruxinhas, ciganas etc.

Na adolescência, a primeira vez que fui a um baile à noite estava de melindrosa, tinha 12 anos e fui uma única noite. Queria porque queria ir, já que minha prima ia, mas não gostei. Não me senti pertencendo, ainda gostava da luz da matinê e de ficar jogando confetes e serpentinas… A noite ainda não era para mim!

Com 13 anos, passei as cinco noites com um grupo de uns 40 adolescentes como eu, fantasiados de egípcios e gritando: “Alalaooooo, mas que calor”. Aquilo para mim foi o máximo! Passei as cinco noites junto com o grupo, correndo pelo salão, cantando sem parar aquele refrão e sem olhar para nenhum garoto. Eu era mais criança que adolescente ainda.

Já no ano seguinte, 14 anos, começaram a ser mais divertidos os bailes de carnaval. Nesse ano, lembro que junto com minha amiga Alexandrina, ficamos “apaixonadas” platonicamente por um mocinho no salão, que nunca nem sequer dançou uma música com nenhuma de nós. Acho que nem nos via, era “gatinho”, como dizia a gíria da época dos anos 80 quando era para fazer referência a alguém bonito. Ali eu descobri que gostei do colorido que a paixão nos traz, mesmo quando não é correspondida. Ainda era uma menina que nunca tinha beijado na boca.

Com 15 anos, já era mais encorpada, bem morena, e novamente com minha prima e amigas fizemos fantasias iguais para algumas noites. Éramos piratas com meia arrastão preta, top vermelho com lantejoulas e um pano de cetim vermelho que servia de saia, biquine por baixo, porque tudo era bem curto, era moda. Ano que comecei a ser vista pelos mocinhos. Dançava com um, depois com outro e com outro pelo salão. Funcionava assim: Tinha uma grande roda e quando parávamos de dançar com o par, ficávamos no entorno dessa roda dançando até outro convidar para dançar. Sempre nós, as meninas, esperando passivamente sermos convidadas. Eu nunca convidava ninguém, poderia justificar com minha timidez – de fato era tímida demais para chegar em algum moço –, mas não era só isso, era algo que no fundo estava enraizado em mim. “Isso não é papel de moça, os homens é que devem tomar a iniciativa”.

Os homens podiam escolher e nos tirar para dançar, mas nós, moças mais recatadas, jamais faríamos isso. Isso nunca passou pela minha cabeça como algo a ser questionado, nunca nem pensei, e se quisesse dançar com alguém, por que não ir tirá-lo também? Nesse ano, me lembro de dois mocinhos que ficavam “me disputando”… Uma vez, dançando com um deles, um amigo o chamou para brigar, e ele, como ‘bom macho e fortão’, falou pra mim: “– Tenho que brigar agora, depois eu volto, me espera”. Eu sei lá qual o motivo da tal briga, na hora o achei muito valente. “Nossa, uau, ele vai brigar, como é forte! Como é valente!”, esses eram meus pensamentos.

Bom, os dois que me “disputavam”, o valentão e o outro, eram amigos, esse outro tinha uma namorada… mas passava por mim quando não estava dançando comigo e me media de cima a baixo, jogava charme, fazia comentários, mesmo dançando com ela, sem nenhum respeito por ela. Eu, na verdade, também não percebia que isso não era respeitoso nem com ela e nem comigo.

Na última noite, a banda tocava até quase o raiar do sol, e nas repetições do mais um, eu estava dançando com outro mocinho. A música parou e ele veio todo para cima de mim tentar me beijar, quando o tal que me “disputava” com o amigo fortão, o que tinha namorada, disse em alto e bom som: “Não mexe com essa moreninha que eu vi primeiro!”. Como se eu pertencesse a ele, como se eu fosse um mero objeto.

Como me senti? Sinceramente, naquele dia, me senti desejada, importante, e estava gostando das investidas do garoto que levou um sinal amarelo do outro. Eu fiquei passiva, esperando que os meninos decidissem de quem eu era. Como assim de quem eu era? Eu que deveria escolher! Afinal, eram dois pretendentes, mas eu não tinha essa percepção e talvez até achasse interessante ser “disputada como um prêmio”. Hoje consigo enxergar o quanto eu era machista e não tinha consciência de nada disso. Sou uma desconstrução dessa machista.

Enfim, me despedi, fui embora com minha prima e amigas. Já com saudades daquele carnaval, que me traz lindas lembranças, mas com água na boca de um beijo que não aconteceu, mas… a vida é um caixa de surpresa e o primeiro beijo veio no carnaval do ano seguinte… Mas essa história é outra…

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

O amor por cachorros me acompanha desde sempre. SÓ NÃO SEI se foi por influência paterna ou por minha própria natureza.

Inesquecível a história do cão que após ser levado para morar em uma chácara, voltou sozinho após dias andando e raspou a porta do apartamento de meu pai para reencontrá-lo.

Quanto desafio para um ser que costumamos chamar de irracional.

Mas o que será que é ser racional? Sinto na irracionalidade de um cão uma profunda razão.

SÓ SEI que na racionalidade do ser humano, muitas vezes existe uma falta de noção.

Cachorro gosta de amor e carinho. Não entende nada essas coisas de tendência em tentar humanizá-lo com nomes de gente e produtos similares aos dos seres racionais. A linha é imensa pois cada dia o mercado pet lança um produto diferente: cerveja, gelatina, bolo de caneca, brownie, sorvete, bolos e velas de aniversário, fantasias…e por aí vai.

NÃO SEI se essa crítica mais filosófica do que construtiva nos leva a algum lugar, mas SEI que para o cão, o que interessa é a troca de carinho. No mais ele não entende nada de toda essa humanização.

Parando para refletir sobre os relaciomentos de… não tão antigamente… e toda essa modernidade tecnológica como app’s para tudo com direito aos relacionamentos virtuais e imaginários, é fácil dizer o que SEI:

Todo esse mercado pet, que também sou consumista, é simplesmente o espelho da carência da humanidade por calor humano e contato presencial, sincero, simples e puro.

É na tentativa de humanização de seus novos “filhos” que muitos afagam sua carência por afeto e liberam a ocitocina*, que traz bem estar e aconchego.

Somos racionais e os pets irracionais? Há quem hoje em dia já discorde dessa afirmação. NÃO SEI se isso pode ser considerado agora liberdade de expressão. Talvez, contudo, entretanto…

“SÓ SEI QUE NADA SEI” **

  • Algumas formas de aumentar a ocitocina naturalmente:
    Contato físico. O contato físico na forma de abraços, massagem, cafuné e carinhos estimulam a produção de ocitocina, e é uma das causas do bem estar quando é realizado.
    Adotar um animal de estimação.

** Frase que Sócrates nunca disse segundo a História da Filosofia.

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.