Oito meses…levantei para ir ao banheiro e senti a bolsa rompendo. Gelei…Tinha receio que
algo acontecesse, ainda me recuperava de um câncer. Medo de te perder, mas ao mesmo
tempo uma certeza absurda de te encontrar, pois nos meus sonhos você já estava lá.

Avisei a médica e segui para o hospital. Quando entrei, as pernas bambearam, me colocaram
numa maca e vi muito sangue escorrer. Um enfermeiro gritou: “ ruptura de placenta, cirurgia
de emergência!” Olhou para mim e ordenou: “fique de lado, não se mexa, por nada”.
Falei com você: “logo eu vou te ver, meu anjo”.

A médica chegou e avisou que você precisaria nascer chorando, isso demonstraria que os
pulmões estariam preservados. Dentro do meu interior me comuniquei com você e pedi:
“Grita, filha!”E você nasceu gritando.

E a partir daquele momento iniciei minha jornada como mãe canguru, por quarenta dias na uti
neonatal.

Ficávamos em silêncio, junto às outras mães e seus bebês na mesma situação, por doze horas
seguidas, ao som de músicas tranquilas que o hospital disponibilizava para nos relaxar.

Cada manhã, bem cedo, todas as mães já estavam a espera para se higienizar e iniciar a
jornada, mas cada atraso em nos chamar era motivo de angústia…pois sempre que um bebê
prematuro morria, demoravam para permitir a entrada. Nos fitávamos apreensivas, e uma dor
horrível, de gelar os ossos, quando uma mãe era chamada em particular. Ao mesmo tempo,
um alívio no peito, quando não era o nosso nome.

E assim seguimos…Até aquela música tocar, a nossa música, certeza que era nossa!
“Eu não sei parar de te olhar, não vou parar de te olhar”( é isso aí, Seu Jorge).

Passei a cantar para você, todos os dias, até o instante em que te vi abrir os olhinhos pela
primeira vez, após 15 dias do seu nascimento. Nossa! Meu Deus, que emoção! Ver teus olhos
me fitando, me acalmando, me encantando.

Mais 25 dias de UTI, até o momento em que ouvi que podíamos ir para casa.

Ouvi isso no dia em que percebi que minhas forças tinham acabado, pois eu não suportava
mais dormir longe de você, queria dormir com você nos meus braços.

Íamos para casa…

Lembra o que eu te disse naquele dia?

“ Meu amor, nós vamos para casa. E essa história é nossa, uma história de duas mulheres
fortes e é uma honra estar ao teu lado”.

Siomara Carlson – Bela Urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si

Tinha tantas histórias pra relatar aqui sobre mãe e filho. Sobre Bel e Gui. E se tem algo que gosto é ouvir e contar histórias. Brinco que nasci mulher, normalmente com um dom para a oratória, e ainda escolhi o jornalismo como profissão. Portanto, sentem que lá vem história! Brincadeira. Essa é curtinha, gostosa, ilustra a ingenuidade das crianças que a cada nova descoberta, frase, comentário deixam nós mães ainda mais apaixonadas.

Bom, estava uma tarde sentada na sala escrevendo algo no computador, concentrada no que estava fazendo, ele com seus 7 pra 8 anos, no quarto brincando, televisão ligada em algum desenho animado, aliás, daqueles bem animados, podia ouvir a barulheira da sala. Ele chegou abruptamente, atenção ao gesto, isso faz toda a diferença no drama, com as mãos na cintura, semblante tenso, e me perguntou: “Por quê você e o papai não transaram mais que uma vez? “

Gente do céu! Não tive tempo sequer de responder, de processar em tempo rápido aquela pergunta tão inesperada e totalmente fora de contexto, chegou a explicação.
Mais inusitada ainda.
“Porque queria tanto um irmão!”

Meu Deus! Precisei só de alguns segundos para cair em uma das minhas gargalhadas mais gostosas da vida e entender tamanha indignação. Ele ficou em pé ao meu lado sem entender nada, procurando a graça da situação. Levantei correndo, dei um abraço ainda morrendo de rir.

Bom, os anos passaram, a ingenuidade deu lugar a descobertas maravilhosas. Tento não esquecer que já tive essa idade. A tal temida adolescência chegou. E as perguntas continuam aos 15 anos. Cada uma que nem ouso publicar aqui. Tenho muitos erros como mãe, que a cada semana procuro melhorar, mas tem um ponto que me deixa orgulhosa, o diálogo que mantemos desde sempre. Por aqui nunca houve pergunta sem resposta. Qualquer que fosse. Claro, tudo de acordo com a idade. Assim mantemos até hoje. E assim espero pra todo sempre. Que quando estiver casado, com problemas no trabalho, venha compartilhar os medos, tristezas, alegrias com a mamãe. Será que estou sonhando acordada? Acho que não. Só mais um desejo doido de mãe.

Isabel Oberg – Bela Urbana. É jornalista, Jornalista. Apresentadora, repórter, mestre de cerimônias e locutora. É muito alegre, de família isso. Tirando graça das situações mais difíceis, mas muito chorona. E ficando cada vez mais. Tem uma frase que a define: “Vivo com o chora na porta, mas com o riso na janela”

Eu já passara dos cinquenta e me via empenhada em organizar a vida monetária da filha que iria se mudar para a Europa.

Eu a primeira na fila da empolgação por essa mudança. Pai pouco presente e zero comprometido com as escolhas da filha. Eu sonhava alto, minha filha não era daqui, precisava conquistar o mundo.

Formada em moda ia pra Londres fazer um curso de especialização. Aqui no Brasil já fazia trabalhos de customização de roupas e acessórios em uma época em que poucos faziam. Eu era sua fã, participava com ela de feiras na Lapa no Rio de Janeiro, ajudava como podia: montava barraca, passava o dia em sobrados com calor e barulho ensurdecedor. Ia feliz, tinha ela ao meu lado.

Nesse caminho em busca de dinheiro, nos deparamos com uma situação dúbia; ela tinha feira em um sábado e uma festa rave, na sexta. Pensei, faço a festa e vou dormir. Ela trabalha no sábado inteiro.

E lá fui eu, o trabalho era vender tickets em uma bilheteria improvisada com mais três pessoas. Comecei a me dar conta na roubada que vinha pela frente. Me assustava a quantidade de bebida, bebados, dinheiro, sujeira, loucuras juvenis. Demais para os olhos? Não, tristeza talvez.

Não tinha tempo de beber, comer, xixi… o cansaço, o barulho, a fumaça era tudo demais para ver e sentir, mas sabia que dali iria sair com o dinheiro, pouco talvez, mas era para ela. Faria de novo e de novo.

Noite foi virando madrugada que virou manhã e chegou a hora de ir. Peguei um ônibus que me deixou uns vinte minutos de casa. Fui caminhando morta de cansada e ainda atordoada com o barulho. Mal me dei conta de um carro passando com bêbados gritando e para fechar a noite, me atiraram uma lata de cerveja nas costas.

Como mãe, fiz tudo pelo seu sonho. Foi, não volta mais. Saudade e todo dia lembranças, as melhores.

Voou pra longe do ninho como deve ser.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

Mãe, feita de carne, mas com a força de uma rocha. Seu filho, será sempre a maior preciosidade que há no mundo.

Mãe se transforma. Mãe não descansa. Mãe não desiste. Não perde suas forças, por nada. Mãe é quem realmente conduz a verdadeira família.

Ser Mãe é algo que muda completamente a vida de uma mulher. Ser Mãe é a maior aventura que já vivi. Ser Mãe me fez rejuvenescer.

Tive o privilégio de Ser Mãe aos 46 anos de uma menina muito especial. Foi o maior presente que eu poderia receber nessa vida. Me senti completa. Por ela ser evoluída, aos 6 anos, me incentiva, me acalma, me dá força para seguir todos os dias. Ela se chama Giovanna, que significa Presente de Deus.

Agradeço, compartilho e estimulo outras mulheres a vivenciarem essa experiência maravilhosa.

Marianne Kachan – Bela Urbana. Formada em artes, apaixonada pela sua filha, sua família, paisagismo, animais, novas culturas, poesias e gastronomia.

A história da Bela e a Fera esteve presente na minha casa durante um jantar.

Todos aqui em casa gostam de sopa, sempre foi um prato divertido de se comer, às vezes era sopa do Hulk, outras era sopa de letrinha quando brincávamos de escrever nomes, sentimentos, era uma bagunça bem gostosa.

Numa noite de sopa, quando os ingredientes já tinham sumido da cumbuca e só restava caldo, a Bela aqui de casa estava com a cumbuca na mão virando o caldinho na sua boca.

E eu que fui condicionada a ser princesa, a repreendi e com reprovação lhe disse:

“Princesas não comem desse jeito!”

A Bela que sempre foi falante e com liberdade para se expressar, retrucou imediatamente:

“Mas a Bela do filme “A Bela e a Fera” toma sopa assim!”

E eu que estava engessada nos meus condicionamentos, insisti dizendo:

“A Bela estava se comportando como a Fera, mas princesas não se comportam desse jeito!”

No filme, a Bela vê a dificuldade da Fera em tomar sopa, e lhe mostra como fazer para não se sujar todo, age com tamanha gentileza, praticando a empatia e aceitação, mostrando à Fera que não há nada de errado com ela.

Mas naquele instante que eu a repreendi, ela internalizou que ser princesa era sinônimo de beleza, modelo de comportamento e perfeição.

De lá para cá, tomar sopa para ela nunca mais foi a mesma coisa, não teve mais o mesmo sabor e tão pouco o prazer da diversão.

Tomar sopa para essa Bela é momento de reforçar sua imperfeição.

Somente há pouco tempo, coisa de um ano, a Bela compartilhou comigo quanto essa lembrança refletia de forma negativa na vida dela.

O quanto ela se sente inadequada para algumas situações e ambientes.

O quanto ela sente a desaprovação dos olhares quando não parece ser perfeita. 

Hoje ela consegue se desvincular de padrões tidos como certos ou errados, pré-determinados e estruturados por mim, pela sociedade e até mesmo em alguns filmes infantis.

Trabalhamos juntas aceitação das imperfeições, vulnerabilidades e compreendendo que assim somos.

Quero com essa história mostrar que somente o amor incondicional é capaz de fortalecer laços, educar verdadeiramente, e fazer com que nossos filhos se sintam amados, adequados e prontos para viverem a vida realizando seus próprios sonhos.

A maior prova de amor que podemos dar aos nossos filhos é a autonomia para que eles possam viver suas próprias experiências, independente da idade.

Luana Carla – Bela urbana, analista corporal e comportamental. Sua paixão é poder contribuir para evolução da nossa espécie através do seu trabalho, sendo facilitadora do processo evolutivo interno, auxiliando pessoas a encontrarem soluções para seus conflitos de forma mais harmoniosa possível, respeitando seu funcionamento natural. E assim viverem em paz consigo e com o ambiente a sua volta.

Quando a gente tem filhos, passamos por situações que nunca imaginamos, não vc é?

Algumas tiramos de letra, outras levamos pra vida… mas o certo é que essa coisa de ser mãe não vem com manual ( que pena…).

A gente tenta fazer o melhor sempre, lutamos para dar uma boa educação, formar pessoas melhores para esse mundão, mas como saber se eles nos escutam, se estamos no caminho?

Difícil…

Um dia, há alguns anos atrás, estávamos eu e meu filho mais velho numa sala de espera de um pediatra. Na época morávamos em Manaus e ele estava com uns quatro anos de idade mais ou menos e o atendimento era no esquema de plantão e por ordem de chegada mesmo a gente tendo convênio…dito isso, sala cheia, nem me lembro o por que de estarmos lá, mas…

Meu filho sentadinho ao meu lado, a gente conversando, brincando de para ou ímpar em meio ao caos de crianças gritando, correndo e subindo e descendo de cadeiras…

De repente vem uma pergunta: – Mãe, pode jogar papel no chão?

Eu nem pensei e já respondi que não, que era feio e que para isso existiam lixos ou caso não achasse um lixo que leva-se o papel para ser jogado em casa…sempre ensinei isso.

Aí ele olha para o lado e diz em alto e bom som: – Então porque ele (aponta para um menino mais ou menos da mesma idade) acabou de jogar aquele papel ali ?

Olhei para o menino , olhei para um papel todo melado de sorvete jogado no chão…pensei em dar uma desculpa qualquer para não constranger a mãe…mas pensei: – … sempre ensinei isso e nunca tive certeza se ele estava me escutando… não vou “passar pano” pra ninguém e confundir a cabeça do meu filho com algo que ele não está errado em questionar. Em um átimo de segundos, resolvi, mesmo correndo o risco de um bate boca, confirmar o que achava certo. Olhei para mãe, meio que pedi desculpas com o olhar e soltei: – Talvez a mamãe dele não tenha ensinado ou talvez ele ainda não tenha aprendido.

Levantei, peguei o papel e joguei no lixo sabendo que essa lição meu filho tinha aprendido e até hoje sei que ele continua procurando um lixo ou trazendo para jogar em casa respeitando os espaços públicos ou não.

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr em São José do Campos – SP.

Fotos Taine Cardoso Fotografia


Eu me formava na faculdade naquele final de ano. Precisava participar de algumas reuniões no campus da PUCC e minha única alternativa era levar duas crianças comigo, já que não era hora da escola delas.

Os dois meninos eram meus filhos. Fui mãe, pela primeira vez, aos 18 e nunca parei de estudar. Tudo foi aos tropeços, mas sempre contei com muita ajuda e estímulo, para poder me formar. A essa altura, meus filhos já estavam com 9 e 7 anos e adoravam aquela viagem até o campus. Era uma aventura! Estrada, mãe nervosa, “vai mãe, você consegue”, era a frase que eu mais ouvia. Dirigindo um escort vermelho, já velho naquele ano de 1991, chegava eu e eles na reunião de “projeto experimental”, espécie de tcc para os formandos em comunicação social. Enquanto eu discutia com colegas e professores os pormenores da nossa agência fictícia de propaganda, ficava de ouvido nos meninos que corriam e riam do lado de fora. A estrutura de concreto do campus 1, cheio de escadas e corrimãos, era um parque de diversões para eles. Algumas vezes, é claro, as risadas davam lugar ao choro e eu precisava sair às pressas da reunião para providenciar curativos.

O escort vermelho, funcionava bem depois que pegava. Até chegar em uma esquina qualquer e morrer por afogamento ou só por morrer mesmo. Os carros de trás buzinavam, os meninos riam e o mais velho sempre dizia coisas do tipo “vai mãe, ele espera”. O carro me deixava na mão nas horas mais improprias. Certa vez, na estrada, eu na faixa da esquerda, ele engasga, o carro, eu apavorada. Os meninos pararam de se bater e rir, pressentindo o risco e, por milagre, o carro volta a funcionar e conseguimos chegar em casa, sãos e salvos. Consegui me formar publicitária no final de 91.

Foram anos com aquele escort velho, eu e duas crianças, indo para a escola, voltando. Eu, trabalhando, criando (peças de comunicação e crianças), vai no cliente, vai na gráfica, pega orçamento, leva para aprovar. Anos de hiperinflação, tensão. O marido trabalhava e estudava também, então os meninos ficavam a maior parte do tempo comigo, fora do horário da escola.

Alguns anos depois, passei a sentir uma queimação na boca do estômago, a tensão de correr atrás de orçamento, cliente, aprovação, pagamento, antes que a inflação da semana seguinte abocanhasse o pequeno lucro que poderia haver. Não tinha lucro e minha correria parecia em vão. A dor no estômago, era, na verdade, mais que tensão, era outra vida sendo gerada.

Ao descobrir que estava grávida, eu e meu marido paramos para avaliar as nossas possibilidades. A empresa dele valia o investimento de tempo de nós dois e eu teria mais tempo com os filhos.

Em 1995, uma semana antes do temporãozinho nascer, o escort velho deu lugar a um corsa zero, vermelho.

Quanta alegria. Provas de morro eram fichinha, a torcida do banco de trás não precisava mais me falar as frases de incentivo, nada de perrengue nas estradas, motoristas vizinho me tratavam com a indiferença que eu sempre sonhei.

Aquelas lindezas de crianças preenchiam todos os espaços, físicos e sonoros. Os olhos sempre brilhando quando saíamos no carro. Sim, pelas minhas regras, a gente podia cantar, a altos brados, as músicas que tocavam no rádio e no toca-fitas. Aquele corsinha também teve suas histórias.

E meus bunitinhos sempre me incentivaram a ser a mãe, mulher, profissional, a melhor que eu pudesse ser.

O tempo passou, os carros mudaram, os meninos cresceram, estão formados. Os mais velhos hoje são pais de crianças maravilhosas, alegres e inteligentes.

E eu continuo me formando a cada dia, a cada ano, a cada nova experiência de vida. Só o que posso fazer é agradecer, todos os dias, por nós estarmos todos bem e com saúde, nesse ano 2 da pandemia.

Cuidem-se! Fiquem bem!

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

Show do Justin Bieber, 2017… aglomeração, gritaria fanática juvenil, uma fila de quilômetros, camisetas estampadas com o astro adorado Justin. Era de tarde, um calor sufocante, mães, pais e filhos aguardando a porteira da esperança. Nesse caso eram duas mães brabas, corajosas e muito pacientes levando um bando de adolescentes histéricos e felizes para assistir o show do ano.

Para minha filha Martina já era o terceiro show que eu a acompanhava, mas desta vez era diferente… ela tinha 14 anos e na cabecinha dela, era quase uma adulta, quase emancipada. Sabíamos as músicas de trás pra frente. Uma semana antes eu as ouvi repetidamente.

Depois de horas esperando para o tão sonhado show, abriram os portões. Saíram igual uma cavalaria desesperada, todos eles e as nossas adolescentes! Nós, duas mães, não entendemos muito esse corre-corre, mas saímos também correndo como loucas desvairadas tentando seguir o coletivo. Até que teve um instante que consegui resgatar a minha lucidez e perguntei ainda correndo para minha amiga, mãe da Bruna, por que estávamos correndo. Afinal de contas, éramos apenas as acompanhantes das nossas filhas que já estavam lá na frente do palco.

Desaceleramos e tivemos um ataque de riso. Já tínhamos combinado com elas e suas amigas que nos encontraríamos na barraquinha do cachorro quente no final do show. Ali ficamos. Permacemos as duas mães, com outros tantos pais dançando, pulando e lembrando de todos os momentos que passamos estes anos com nossas filhas ao som de Justin Bieber.

Tanto amor, tanta entrega e alegria. Mãe, só tem uma…

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social, fotógrafa há mais de 25 anos, já clicou muitas personalidades, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. Trabalha com marketing digital e gerencia o coworking Redes. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frente. Uma grande paixão é sua filha.

Tenho três filhos Bruno com 23 anos, Pedro com 17 e Carolina com 16 anos.

Ser mãe com toda certeza é o meu maior desafio.

Cheguei a falar para o pediatra que o meu lado profissional era o meu lado mais evoluído porque sabia lidar com os piores problemas com clareza e sem desespero. Já ser mãe é uma prova de fogo…

Nasce um filho, nasce uma mãe, e mesmo quando nasce o segundo e a terceira é uma nova mãe que nasce com cada um deles.

Sempre senti que cada filho é uma grande oportunidade de sermos seres humanos melhores.

Entre anseios, sustos, medos, alegrias, cumplicidades, vaias e aplausos, a vida segue… tenho aqui muitas histórias que posso contar de cada um deles, em várias fases… mas hoje escolhi uma do Bruno quando ele tinha 4 anos.

Preciso antes de mais nada colocar que o Bruno sempre foi uma criança muito curiosa e estava na fase que perguntava o tempo todo: ” o que que é aquilo?”. Para vocês terem uma ideia, uma vez fomos para Ubatuba e por todo o caminho a pergunta se fez presente. Uma enxurrada “do que que é aquilo?”

Mas a história é a seguinte: Certa vez a noite, eu estava saindo do trabalho tarde, por volta das 20h. Nesse dia estava sem carro e meu ex-marido foi me buscar com o Bruno, devidamente sentado no seu cadeirão no banco de trás.

No elevador tinham mais duas pessoas, entre eles um anão. Saímos juntos do prédio. O nosso carro estava bem na frente do prédio, na entrada. Só vi a cabecinha do Bruno grudar no vidro, e eu já sabendo o que me esperava e por receio de passar algum tipo de vergonha, fui diminuindo o passo e me distanciando do anão.

O anão seguia na minha frente e a cabecinha dele grudada no vidro se virando seguindo o anão que subiu a rua. Cheguei no carro, assim que entrei, a pergunta: – Mãe, o que que é aquilo?

-Um anão, Bruno.

Silêncio no carro. Partimos e após minutos de silêncio, o Bruno vem com essa:

-E cadê o gorrinho?

Risos e a explicação.

Crianças são puras. Não tem a maldade dos adultos. Constroem suas realidades e aprendem o mundo pelas suas referências. A partir daquele dia, o Bruno entendeu que os anões não são somente os sete mais famosos dos contos. E eu entendi que nem tudo é óbvio.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Quando Eduardo perguntou como é que a sementinha ia parar na barriga da mulher grávida, expliquei da melhor maneira que pude. Ele achou tudo muito interessante e com o rostinho circunspeto, quis saber mais sobre os espermatozoides, o óvulo, e o tempo que demorava para se fazer gente. Já era um pequeno pesquisador.

Quando o irmão menor alguns anos depois, fez a mesma pergunta, a reação foi bem diferente, espantadíssimo, perguntou:

– Mas mamãe, você fez iiiiiiiiiisso com o papai?

Diante da afirmativa encabulada, ele acrescentou estupefacto:

– Aaaaaaave Maria!

Cristina Mattoso – Bela Urbana, pessoa comunicativa, mas nem sempre. Gosta de árvores, escrever, viajar, ler e comer bem. Considera as frutas, iguarias de Deus. Dança pouco, mas gosta muito. Sonhadora, voltou a se dedicar a um trabalho antigo de educação para cidadania e a resgatar o acervo de peças arquitetura do séc IXX, fundado por sua mãe em Araçariguama, SP. Seu sonho é fazer de lá um espaço para o desenvolvimento e divulgação de Arte, Cultura, Conhecimento e Educação Emocional.