Eu sou sua mãe. 

Desde que me entendo por gente. Ninando, dando banho, fazendo comida, vestindo, penteando,  ensinando, proseando, dando bronca, brincando, amando, amando e amando!

Eu sou mãe.  

Das bonecas que tive, dos cachorrinhos que tive e tenho, dos pacientes que cuidei, das amigas que acudi e prozeei,  nos olhares tranquilos e felizes que de forma cúmplice troquei, dos filhos que sonhei.

Eu sou mãe.

De mim mesma, quando me cuido, me paparico, me enfeito, me permito ter defeito, me deixo sonhar, chorar, refletir, decidir.

Eu sou sua mãe. 

No exato momento em que seus sonhos superam meus desejos ainda não realizados. 

Eu sou sua mãe. 

Quando todas as noites, antes de dormir, peço a Deus (essa energia pura carregada de amor) um mundo em paz, empatia entre os humanos, saúde para todos.

Eu sou sua mãe, se neste momento, lendo meu texto, você me entendeu. 

Me acolheu como minha mãe. 

E então, finalmente, teremos um momento de paz. 

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena.

Mãe fala cada uma, enquanto filhos respondem cada coisa!

O Amor declarado, o Comércio bombando e, esses mistérios flopados?

Haja vista que não, pois ontem pré do pré dia das Mães, a minha filha foi até o centro da cidade, eeeeeee… Chegou assustada e incomodada com o que visualizou, sobre a população interina desse central universo que é Campinas/SP neste virtual Século XXI.

Pois bem, eu tenho tantas histórias sobre o Estado Mãe, que precisei buscar baus e mais baus ativando a minha Inteligência Mental, abrindo-os e regozijando com a minha Inteligência Memorativa plena e a Emocional!

Anos 70, Juliana a filha mais velha, recebeu o irmãozinho Oliver com uma gula de ensiná-lo a viver intensamente! E, o primeiro passo foi estimular o menino a ser um SERVIÇAL… Dela claro!

Então, ela mamava “deitadona” no sofá e quando terminava, se levantava e dizia com voz de comando: Nê (apelido que ela deu, diminutivo de Nenê) leva na cozinha pra mim? E, o menininho a obedecia imediatamente…

Podem dizer, normal… Ela pedia e ele fazia.

Nãooooooooooo meus leitores!

Ela mandava, ele fazia o que ela man da va. Mas, se puderem responder a minha pergunta, vamos lá:

E por quê, ela ia JUNTO para a cozinha e andando em sua frente, com uma postura de GENERAL? Ora essa é muito boa! Já se via uma Ativista… ANGELA DAVIS?

Homens nos devem obediência, chega de preconceitos estruturais. 

Anos 70!

Histórias de Família… Todos as temos, é só abrir os baus! FILHOS DA MÃE!

E o menino Oliver cresceu, e se deu e se dá bem com a amizade fraterna. E também aprontou cada uma!Abrindo um dos baus, eis que nos anos 70 após começar a trabalhar como Educadora na Escola Infantil Pica Pau, fui me integrando com os funcionários e, logo depois a amizade fermentou e polvilhou sobre nossas famílias, e fomos nos apresentando a vida pessoal!

E quando fui até a residência de minha nova amiga Dodô e seu marido Dilson, pela primeira vez e levando a criançada… Juliana 05 anos e Oliver 03 anos, com toda a pompa de Mãe que educa seus Filhos para a Vivência Social! E lá fomos nós quatro, para a casa da Titia e do Titio!

E, claro que fiz aquela ORAÇÃO DE MÃE DIRETA E RETA sobre o evento presencial, na casa d’outro! E, claro que vestidos com elegância. Oliver de Kichute… o Bummmm da época/um tênis na cor preta, em borracha pura, que por onde passava deixava rastros.  Coqueluche divinal e apoteótico! Detalhe: Ele escalou as paredes do quintal na cor branca e, a cozinha da Titia tinha o chão na cor branca. Ave Maria! Bem, a cada visita muito aconteceu! Que até hoje está em nossos baus, sendo o tesouro de nossas Vidas.

Nessa primeira vez, jamais esquecida, quando Oliver veio até a mim e disse: Mamãe, a gente quer “bananas” (estavam na fruteira) pode comer? E, a Titia respondeu: Pode. E eu retruquei: Mas, jogue a casca no lixo! Claro, PRIMEIRA VEZ… PRIMEIRA VISITA!

E a educação dos FILHOS DA MÃE, onde fica? Continuamos na conversa e eles foram para a cozinha, seguindo a vivência! Oliver já estava sem o famigerado KICHUTE! Até que chegou a hora do café, o tão esperado lanche! RESPIREM… Ao chegar na cozinha de piso branco todo riscado, olhei para a fruteira e pasmem…nenhuma BANANA. E a Titia e eu ficamos em estado de choque, perguntei na maior finesse: VOCÊS COMERAM TODAS AS BANANAS? E o menino Oliver, no alto de sua EDUCAÇÃO e OBEDIÊNCIA respondeu ao lado de sua irmã Juliana, a ATIVISTA numa potência jamais vista:

“SIMMMMM MAMÃE, MAS JOGAMOS TODAS AS CASCAS NO LIXO. “Por hora, nem preciso contar mais uma história de FAMÍLIA que está em meu BAU FILHOS DA MÃE!

(e não é loucura da joaninha).

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Oito meses…levantei para ir ao banheiro e senti a bolsa rompendo. Gelei…Tinha receio que
algo acontecesse, ainda me recuperava de um câncer. Medo de te perder, mas ao mesmo
tempo uma certeza absurda de te encontrar, pois nos meus sonhos você já estava lá.

Avisei a médica e segui para o hospital. Quando entrei, as pernas bambearam, me colocaram
numa maca e vi muito sangue escorrer. Um enfermeiro gritou: “ ruptura de placenta, cirurgia
de emergência!” Olhou para mim e ordenou: “fique de lado, não se mexa, por nada”.
Falei com você: “logo eu vou te ver, meu anjo”.

A médica chegou e avisou que você precisaria nascer chorando, isso demonstraria que os
pulmões estariam preservados. Dentro do meu interior me comuniquei com você e pedi:
“Grita, filha!”E você nasceu gritando.

E a partir daquele momento iniciei minha jornada como mãe canguru, por quarenta dias na uti
neonatal.

Ficávamos em silêncio, junto às outras mães e seus bebês na mesma situação, por doze horas
seguidas, ao som de músicas tranquilas que o hospital disponibilizava para nos relaxar.

Cada manhã, bem cedo, todas as mães já estavam a espera para se higienizar e iniciar a
jornada, mas cada atraso em nos chamar era motivo de angústia…pois sempre que um bebê
prematuro morria, demoravam para permitir a entrada. Nos fitávamos apreensivas, e uma dor
horrível, de gelar os ossos, quando uma mãe era chamada em particular. Ao mesmo tempo,
um alívio no peito, quando não era o nosso nome.

E assim seguimos…Até aquela música tocar, a nossa música, certeza que era nossa!
“Eu não sei parar de te olhar, não vou parar de te olhar”( é isso aí, Seu Jorge).

Passei a cantar para você, todos os dias, até o instante em que te vi abrir os olhinhos pela
primeira vez, após 15 dias do seu nascimento. Nossa! Meu Deus, que emoção! Ver teus olhos
me fitando, me acalmando, me encantando.

Mais 25 dias de UTI, até o momento em que ouvi que podíamos ir para casa.

Ouvi isso no dia em que percebi que minhas forças tinham acabado, pois eu não suportava
mais dormir longe de você, queria dormir com você nos meus braços.

Íamos para casa…

Lembra o que eu te disse naquele dia?

“ Meu amor, nós vamos para casa. E essa história é nossa, uma história de duas mulheres
fortes e é uma honra estar ao teu lado”.

Siomara Carlson – Bela Urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si

Tinha tantas histórias pra relatar aqui sobre mãe e filho. Sobre Bel e Gui. E se tem algo que gosto é ouvir e contar histórias. Brinco que nasci mulher, normalmente com um dom para a oratória, e ainda escolhi o jornalismo como profissão. Portanto, sentem que lá vem história! Brincadeira. Essa é curtinha, gostosa, ilustra a ingenuidade das crianças que a cada nova descoberta, frase, comentário deixam nós mães ainda mais apaixonadas.

Bom, estava uma tarde sentada na sala escrevendo algo no computador, concentrada no que estava fazendo, ele com seus 7 pra 8 anos, no quarto brincando, televisão ligada em algum desenho animado, aliás, daqueles bem animados, podia ouvir a barulheira da sala. Ele chegou abruptamente, atenção ao gesto, isso faz toda a diferença no drama, com as mãos na cintura, semblante tenso, e me perguntou: “Por quê você e o papai não transaram mais que uma vez? “

Gente do céu! Não tive tempo sequer de responder, de processar em tempo rápido aquela pergunta tão inesperada e totalmente fora de contexto, chegou a explicação.
Mais inusitada ainda.
“Porque queria tanto um irmão!”

Meu Deus! Precisei só de alguns segundos para cair em uma das minhas gargalhadas mais gostosas da vida e entender tamanha indignação. Ele ficou em pé ao meu lado sem entender nada, procurando a graça da situação. Levantei correndo, dei um abraço ainda morrendo de rir.

Bom, os anos passaram, a ingenuidade deu lugar a descobertas maravilhosas. Tento não esquecer que já tive essa idade. A tal temida adolescência chegou. E as perguntas continuam aos 15 anos. Cada uma que nem ouso publicar aqui. Tenho muitos erros como mãe, que a cada semana procuro melhorar, mas tem um ponto que me deixa orgulhosa, o diálogo que mantemos desde sempre. Por aqui nunca houve pergunta sem resposta. Qualquer que fosse. Claro, tudo de acordo com a idade. Assim mantemos até hoje. E assim espero pra todo sempre. Que quando estiver casado, com problemas no trabalho, venha compartilhar os medos, tristezas, alegrias com a mamãe. Será que estou sonhando acordada? Acho que não. Só mais um desejo doido de mãe.

Isabel Oberg – Bela Urbana. É jornalista, Jornalista. Apresentadora, repórter, mestre de cerimônias e locutora. É muito alegre, de família isso. Tirando graça das situações mais difíceis, mas muito chorona. E ficando cada vez mais. Tem uma frase que a define: “Vivo com o chora na porta, mas com o riso na janela”

São três. Foram muito desejados. Por instinto, sabia já na barriga o sexo de cada um. Coincidência? Nao creio.

Duas meninas, um menino.

Casamentos desfeitos, mudanças de casas, cidades, eles a tiracolo.

Mãe daquelas de levantar cedo, fazer o café da manhã ao gosto de cada um, cuidar do material de escola, da roupa, levar pra escola, festinhas, fazer festinhas, dar conselhos, vivê-los intensamente.

Primeiro veio uma doce menina, forte, inteligente. A seguir outra menina que digo sempre ser o meu prêmio de originalidade; meio doidinha no seu mundo particular, sonhadora, intensa, brigona. Por último para completar nossa felicidade, anos depois, veio aquele que chamamos de príncipe: lindo, carinhoso, sensível, hiperativo. Fomos assim vivendo em quatro!

Na casa, apesar das regras flexíveis, algumas tinham que ser respeitadas: sem refrigerante, banhos rápidos, sem restos nos pratos e o uso obrigatório de palavrinhas magicas: Bom dia! Com licença! Por favor! Obrigado!

A noite criamos um jeito peculiar de ligação: oito da noite, cama da mãe, sem tv, sem celular.

Ali era o nosso momento de ler, cantar, contar e ouvir histórias e como tínhamos o nosso príncipe com grande diferença de idade, quase todos os dias, cantávamos as mesmas músicas, lia-mos as mesmas histórias.

Fomos vivendo, crianças se tornaram adultos muito rápido. Um a um foram seguindo seu rumo. Cidades diferentes, países diferentes.

Casa vazia, solidão, depressão.

Resolvi alugar a casa, me desfazer de quase tudo e viajar.

Me reinventei. Passei por testes de rejeição, aprendi outra língua. Me virei muito bem para orgulho dos filhos. Eu, em poucos momentos me surpreendi comigo, acostumada que era aos desafios que a vida me impôs.

Perdas irreparáveis pelo caminho, me tiraram o rumo que hoje tento reencontrar.

Nao guardei roupas de bebês, só muitas lembranças em fotos e em inúmeras histórias que vivemos.

Hoje nos damos bom dia e boa noite, todos os dias. Contamos como foi o dia, contamos nossos planos. Nos apoiamos em todos os momentos.

Esse nosso elo é eterno. Nossos encontros foram e sempre serão os maiores encontros de nossas vidas.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.