Fui com o R namorado no shopping, na casa da C e depois na sorveteria, onde soubemos que é proibido dar um beijo na boca, onde o garçom veio até nós e se nos proíbe dizendo que não pode “gestos amorosos” no local.

Eu odeio essa conduta moralista que na verdade é só cínica.

Um beijo, o que tem demais?

19 de dezembro – Gisa Luiza – 19 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

QUINTO CAPÍTULO

Que respeito tinha essa senhora pelo mundo ao seu redor! Porque será que os seus filhos a tratavam tão severamente, e tão desrespeitosamente? Ela possuía um olhar escuro, mas muito doce, as mãos senis, mas a sua gesticulação atrevidamente italiana, as pernas finas com a doença Erisipela, mas estava com suaves meias finas, de nylon! Ela tinha classe! Como ter diante de mim, uma senhora que apesar de chorosa, era muito direta e franca. Em nenhum momento ela se aquietou, e a cada pedágio ou cidade transposta era para ela um delírio! Ah! E quando chegamos a Campinas/SP/Brasil, a cidade em que viveu e teve que vender a casa construída a duras penas com o marido, já falecido e depois de sua partida, e é claro que foi o alcoolismo também, que deixou de herança na família, ela teve que dividir a casa com os filhos briguentos e insanos. Que dor em suas palavras, mas que CORAGEM ao contar o seu RESPEITO pela vida! E após tudo isso ela foi morar em Indaiatuba/SP/Brasil, cidade pequena vizinha de Campinas, onde a bicicleta contou-me ela é ainda o transporte que mais a favorece em seu crescimento. A senhora viúva ao meu lado ainda teria que pegar um outro ônibus, para chegar em sua casa.

SEXTO CAPÍTULO

Perguntei então: Quem iria apanhá-la na Estação Rodoviária quando chegarmos lá? Ela respondeu: Será o meu filho, o mais novinho, ele também bebe bastante, também é alcoólatra, dele o que é bom é mesmo a sua mulher, um amor de pessoa e ela nem é minha parente!Eu gosto muito dela, ela me respeita e me defende, nela eu posso confiar, sempre! Em seguida disso, lá estava CAMPINAS estampada em nossos olhos, nos dizendo… Sejam bem vindos! Para mim comentei: O IMPORTANTE É CHEGAR!

E ela rindo completou: CHEGAR E BEM VIVOS!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

foto: Adriana Chebabi

Convido-os para uma viagem comigo…

Tenham absoluta certeza de que alem de divertida, os fará pensar em Respeito e Coragem e neste contextual empoderamento!!

PRIMEIRO CAPÍTULO

Respeito e Coragem, duas linhas simétricas e com consequências ativistas. Pois, o ENCANTO em ser respeitador e também a predisposição em não se argumentar sobre o assunto, faz de nós os “GUERREIROS DA CORAGEM”. Nos dias de hoje, ao vislumbrarmos algo em que acreditamos ser o primeiro prenúncio de “algo” com desvantagens, isto é, sem RESPEITO, sem limites, sem regras e também sem concordância social nenhuma, pois podemos nos envolver ou não. Em uma recente viagem de ônibus, conversando com uma senhora da poltrona ao lado, e sendo o assunto filhos, e eu estava justamente anotando os meus pensamentos filosóficos, quando o assunto abriu-se sobre RESPEITO e CORAGEM.

SEGUNDO CAPÍTULO

Venham comigo… Que coisa encantadora observá-la dizendo mal das situações vividas, ou melhor, vivenciadas com a família. Era ela muito CORAJOSA e muito DESTEMIDA. Tinha um corpo franzino, enferrujado, mas aparentemente muito forte! Os cabelos já embranquecidos com um tingido na cor preta, e que já estava esmaecido pelo tempo. Os olhos eram pequenos e escuros, e ela não tinha óculos para defender-se do longe ou do perto!! Aquela senhora tão franzina possuía uma fala forte e nada cansativa, e ela elogiava a estrada durante todo o percurso, ela achava tudo belo, maravilhoso!E repetia: DEUS é BOM!!! Falou com sabedoria das religiões, e sem preconceito admoestou os filhos pela ruptura com os ensinamentos do berço, aqueles tão bem conservados pelos ensinamentos da família.

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Ela era dessas pessoas confusas. Confusas e centradas. Coisas dúbias em uma só pessoa e talvez isso fosse o que a tornava mais interessante.

André era apaixonado por ela, dizia isso. Ela gostava dele, já foi também apaixonada, mas hoje já não mais. A paixão secou, como água da torneira da sua cozinha por culpa do encanamento do vizinho. A pia ficou com as coisas para lavar, sujas, mas não tem o que fazer, até a água voltar.

Jantou o macarrão de ontem, frio, nunca gostou de comer comida requentada. Hoje só queria ficar só, e estava… André, estava por ai e ela nem ai, não ligou, apesar do dia merecer uma comemoração especial.  Dia dos namorados. Ela hoje não liga para datas, na adolescência sim, mas hoje, tantos anos depois da adolescência não mais.

Depois do jantar, mais um prato, copo, garfo e faca para a pia suja, ela olhou tudo aquilo com desgosto e sem ao certo saber o que fazer para resolver. Terá que resolver com o tal vizinho.

E por falar em vizinho se não fosse tão esquisito seria interessante. Era interessante, mas era esquisito. Quantos anos tinha? Acho que era um pouco mais novo que ela e sempre a olhava quando estavam no elevador.

Resolveu tomar banho, colocar seu perfume favorito. Usava seu perfume até para dormir sozinha. Era para ela. Amava aquele cheiro. Tentou dormir cedo, mas seu relógio biológico não ajudava para isso. Foi para a sala, ligou a TV, a TV sempre dava sono, mas nada. Foi para internet e ali despertou de vez, com ele, aquele que agora fazia ela sorrir, gargalhar. Ela só observava o que ele postava e quantas eram as que respondiam para ele. Muitas…

Ele era história antiga. História dela com ele. Dele com ela. Cada um pelo seu olhar. Seguiam suas vidas separadamente. Ela lembrou da música da adolescência “no balanço das horas tudo pode mudar”, cantava com a amiga da escola em um dia 12 de junho de muitos anos atrás. Ela lembrou e confusa que era pediu para o “Papai do Céu”, sim, ela ainda se referia a ELE como “Papai do céu”, pediu com fervor, pedir com amor e com um certa dose de dor.

Pediu que tudo fosse para o lugar certo. Que a água voltasse. Que a comida nunca faltasse. E que a alma dela encontrasse a dele frente a frente. Cara a cara. Corpo a corpo. Olhos nos olhos. Que pudesse ser seu nAMORado. Que esse tempo, esse das horas da música,  que enfim, chegasse para eles. Coragem.

Pegou no sono. Sonhou com merda. Sim, merda. Não estranhem, isso é um sonho que trás sorte. Presságio bom. É o que dizem…

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

Preciso ler minha poesias vazias, notícias de jornal, revista de fofocas, livros de suspense e ver novelas na TV.

Preciso fazer as unhas do pé, tirar fora o esmalte velho e deixar aparecer a cor que se é.

Não dar importância para os ruídos nas portas, pingos do chuveiros que teimam em não parar e carros que correm na avenida.

Jogar fora tudo que não me deixa DEIXAR e RELAXAR.

14 de novembro – Gisa Luiza – 32 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

Olhinhos grandes. Ela tinha. Os olhos bem grandes mesmo sendo pequenininha. Era arteira. Os olhos grandes brilhavam quando viam brigadeiros, pudim, sorvete, chocolate. A boca salivava, as mãos escondidas escorregavam para perto dos doces. A casa era pequena, mas aos olhos dela era grande, chique e cheirava doce.

A mãe e a vó eram doceiras, tiravam o sustento do dia a dia dos doces. Ela tinha razão, a casa cheirava baunilha misturada com açúcar. Não era só uma sensação, era real.

Se pudesse teria sentido só o doce da vida, mas sabemos que isso é sonho, e não o que vende na padaria.

Sentiu sabores amargos, outros salgados como mar, que brotavam dos olhos grandes com a lágrima que caia. Gostava desse sabor, que a acalmava quando se dirigia para boca e ia virando brincadeira.

Simples como todos os melhores sabores, assim que ela sempre foi e assim como tinha sido sua Vó e sua mãe, talvez a sua filha também seguisse nessa linha, mas o que ela hoje sabia, é que a filha tinha a mesma mão. Mão para doce.

Seus olhos continuam grandes. Grandes para doces, mas a balança implora que se controle, assim como seu médico quando leva os exames de sangue. Ela, continua arteira e sua resposta vem com uma bomba. De chocolate. Não é o esperado, ela sabe, mas com a frase feita que uma amiga sempre dizia “de amarga já basta a vida”, ela não se continha e comia.

Memórias afetivas e coração quente, é assim que ela vai enfrentando os dissabores da vida e assim, seus olhos continuam grandes e brilhantes.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza. Entre uma fruta e um doce, prefere a fruta. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

 

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Escrever sobre o que se quer não é tarefa fácil, faz pensar nos meus sonhos e trazê-los para um lugar mais concreto, faz pensar também no meu dia a dia,  o que me incomoda e quero mudar, o que preciso consertar, onde preciso estar mais. Me faz pensar também nas minhas relações, com quem preciso estar mais, ser mais presente, saber falar com os amigos, mas saber ouvir também, compartilhar a vida com quem nos ama, nos faz feliz, nos impulsiona pra frente. Tudo isso é a grande reflexão desse ano, onde pensei em janeiro e tentarei trazer isso tudo para o concreto.

29 de janeiro – Gisa Luiza – 43 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

 

Todas as manhãs tem café naquela casa. Muitas vezes toma sozinha. Algumas vezes acompanhada.

Café quente, pão na chapa. As vezes café com leite.

Feito na cafeteira elétrica. Uma quantidade generosa. Toma sempre três xícaras ou mais.

Café forte. Forte como devemos ser.

Nem doce, nem amargo.

Só que naquela manhã, o café, acabou.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Entre uma fruta e um doce, escolhe a fruta. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

 

Na faculdade, na saída, L fez cara de coitada e disse que queria conversar comigo, mas quem falou tudo fui eu. Ela ficou com cara de tonta olhando para mim. O problema pra ela é o social, como é que ia ficar? Pode? Ficou fazendo gênero de sofrimento, detesto pessoa assim, sinceramente essa menina não merece a mínima, não merece de jeito nenhum minha amizade. To com raiva de toda essa falsidade. Passa, porque eu não sou de ficar com raiva de ninguém por muito tempo. “Chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia”.

….

Fomos para a festa. Lá, muitas pessoas da classe e de fora, ignorei os ignorados, alguns paqueras, inclusive o M que conheci ontem, ele pegou meu telefone. Alguns correios-elegantes, gostei! Expliquei, ou melhor, respondi o correio para o Z, falando que eu gosto dele, mas que ele é só meu amigo. Fomos para outra festa, muita gente conhecida, festa na rua e dentro… vinho, não deu para resistir, bom, já foi o dia que eu tinha direito de beber, tava engraçado eu e  o F bebendo vinho de graça, numa festa esquisita, demos muitas risadas. Fiquei altamente tonta, levei  a G e fui pra casa, bateu bode, chorei. Cheguei em casa, guardei o carro, me tranquei no banheiro e chorei, me veio algumas pessoas na cabeça, fui dormir, chorei, altamente neném.

Ah, na primeira festa o A me deu um abraço e disse que tá com saudades de mim, deu saudades de mim também, de verdade.

8 de julho – Gisa Luiza – 20 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

 

Que chuva é essa? Esqueci esses óculos, ah, minha mãe vai me dar a maior bronca. Sim, ela sempre me dá essa bronca, mesmo com essa minha idade nada infantil. Eu sei, isso é coisa infantil e irresponsável esquecer os óculos para dirigir, ainda mais sendo míope, mas está tudo sob controle, eu juro, juro, mas Deus por favor, me proteja e me faça chegar logo. Podia ao menos ter um posto por aqui, um posto e paro.

Ah, quero chorar, mas se chorar a vista embaça mais. Vista embaçada só gosto quando tomo vinho. Sim, vinho com você, isso sim é uma delícia. Mas vinho e depois dirigir não. Vinho, dirigir sem óculos e com chuva, nunca. Hoje, só a chuva e sem óculos, isso aqui ta perigoso. Meu Deus, não me deixa na mão. Eu sei que você sempre olha com carinho para mim, sei que me da esses sustos, esses “presta atenção”, mas sei que me olha com doçura que cuida bem de mim. É,  sei que somos parceiros, somos amigos.

Desligo a música, não consigo dirigir com música e chuva, ainda mais essa chuva. E você onde está agora? Se eu te contar que to nessa fria, vai brigar comigo, mais bronca não. Não quero bronca, quero outra coisa.

Talvez isso seja a liberdade do caminho? Só eu para pensar nisso agora, me lembrei de uma outra estrada, me lembrei de um outro óculos que tinha, aros pretos e eu com cara de professora, cara de inteligente, servia bem para algumas reuniões que eu queria me esconder atrás daqueles óculos para aquele chato do Luizão não me incomodar com suas cantadas baratas, como era chato aquele cara. Mas onde estará Luizão? Só rindo pra eu pensar nisso, Deus me livre sempre do Luizão, o sem noção, aquele que só olhava para meus peitos em todas as reuniões. Cada vez eu aparecia mais feia e me escondia nessas reuniões, literalmente me enfeiava. Isso não é liberdade do caminho? Graças a Deus ele foi mandado embora e mudou para bem longe, ufa. É Deus, por essas e por outras sei que somos parceiros.

Agora a chuva, chove, chega, chove, chega. Preciso mesmo achar meus óculos e essa meu Deus, fica só entre eu e você.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)