Um soldado
só é soldado quando luta.
Antes disso,
ele é só um menino,
sem andar,
sem falar,
uma criança que brinca de adulto.
Quando batalha
as pessoas o veem como um homem.
Vejam lá!
Vejam como ele é belo em seu caminhar!
As mães ficam com medo por ele,
mas elas tem muito orgulho.
Elas veem seu bebê
agora como um homem.
O que elas não veem é seu olhar
terror durante a guerra.
Os sons estranhos e distantes.
Explosões, tiros e mortes.
Mortes dele,
só um menino.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Nada se constrói,  tudo se copia

Sete mil anos de vida tem o natal, sabia…

No solstício de inverno, o dia não amanhecia

E a noite prevalecia

Festas, fartura e alegria

Comemorando a luz, a benevolência e a sabedoria

Viva Mitra, um deus nascia

Mas, há pouco mais de dois mil anos, era Jesus quem nascia

Será que a história alguém de fato, no futuro, saberia

Então, na dúvida,  “se copia”

Da vida Jesus e dos homens nasce a história

Mas, são as mãos dos homens que a escrevem, segundo seus interesses e perspectivas

Mas, que mal teria

Se a data que o maior de todos os homens nasceu, ninguém sabia

Ter em sua história

A imperfeição das mãos do homem que ela escreveria

O pricipal da história é o pecado e o sacrifício que nos salvaria

Pois, sua honra e sua glória, ninguém mudaria

E sua linda história se perpetuaria

Faça então o seu o Natal com sabedoria

E comemore não aquele que seria

Não aquele que queria

Não aquele que morreria

Comemore aquele que RENASCE todo dia

E que nos mostra que sem ele,  cada um de nós, nada seria

FELIZ NATAL

Jorge Luis de Souza – Belo Urbano, artista plástico, pedagogo e empresário. Como todo bom leonino é muito dedicado a tudo que faz. Não resiste a um chocolate. Ama escrever e ama sua família.

Comecei a pensar nesse tema ao observar como os homens querem a atenção das mulheres para seus assuntos, mas não prestam atenção no que as mulheres querem dizer.

É comum ver piadinhas, memes, cartoons mostrando as mulheres falando sem parar e os homens entediados, sem prestar atenção ou batendo o carro, ou a mulher com a boca calada pelo cinto de segurança, enquanto o homem dirige tranquilo.

O que tenho observado é que há um conflito entre os assuntos de interesse do homem e da mulher. Muitos homens gostam de contar para a mulher seus novos projetos, seu dia no trabalho, sua discussão no trânsito. Enquanto outros, por considerarem seus assuntos somente interessantes para homens só conversam com os amigos do futebol, do trabalho, do bar. A mulher gosta de dividir seus assuntos com o parceiro, mas normalmente não encontra interesse da parte dele.

Mulheres gostam de falar sobre relacionamentos, comportamento. Quando comentam sobre o trabalho, geralmente falam sobre as atitudes do chefe ou dos colegas. Quando expõe seus projetos, levam em conta a parte humana da coisa. Para os homens, mais práticos, não interessa saber esses “detalhes”.

Os assuntos das mulheres que optaram por tomar conta do lar e das crianças, são ainda menos interessantes para eles. A nova receita de bolo, como as crianças se comportaram, tudo lhes parece tão chato!

A questão é que esse desinteresse gera uma distância tão triste entre um casal, uma falta de diálogo, que, acredito eu, tem causado muitas separações de casais.

Aquela pessoa que, um dia foi o centro dos seus interesses, de repente se torna alguém com quem você não quer conversar.

Para manter a chama do casamento ou do relacionamento acesa, não é preciso só sexo, mas é preciso saber ouvir, ter interesse no outro, compreender suas carências, suas necessidades e dificuldades. Temos dois ouvidos e só uma boca, por isso, temos que aprender a ouvir.

Filipa Mourato de Jesus –  Bela Urbana, 43 anos, a espera do terceiro filho, ex bancária concursada, atual mãe em tempo integral, larguei tudo em busca de fazer o que amo, quero ser confeiteira!

Que Deus cuide e proteja os pais. Todos. Sem exceção.

Proteja os pais que ajudam as mães a cuidar dos filhos uma ou duas vezes por semana, porque estes não entendem nada do papel de um pai.

Cuide daqueles que colocam os filhos no mundo e que às vezes aparecem anos depois sem nenhuma explicação, porque estes não podem reconhecer a si mesmos como homens, o que dirá como pais.

Cuide e proteja os pais separados que dão uma força pra mãe de vez em quando desde, que não atrapalhe o futebol ou a cerveja com os amigos. Que pagam a pensão de um salário mínimo em dia, mesmo que isso não dê conta das despesas dos filhos. Afinal, já estão fazendo mais do que a mãe das crianças merece. Estes meu Deus, não conseguem enxergar muito além ao redor dos seus umbigos. Logo, não sabem o que é ser homem, nem tão pouco o que é ser um pai de verdade.

Cuide e proteja todos esses pais e tantos outros que abandonam seus filhos de infinitas maneiras, estando perto ou longe.

Mas Deus, observa com cuidado aqueles outros pais que levantam antes das seis da manhã para preparar o lanche, acordar as crianças e deixar todos na escola antes do trabalho. Que levam os filhos ao médico, que preparam o almoço, o jantar, que fazem festa no banho, que jogam cinco ou seis partidas de futebol por dia com seu filho, mesmo que já não tenha mais idade pra isso. Que brinca de boneca com sua filha depois de um dia exaustivo de trabalho. Que anda de bicicleta num domingo de tarde, que arruma um cachorro grande pra seus filhos mesmo morando num apartamento pequeno. Que sai mais cedo do trabalho nos dias quentes só pra poder brincar com os filhos antes de escurecer. Que inventa histórias antes de dormir. Que orienta as tarefas da escola, que dá bronca, que repreende, que educa. Que viaja sozinho com os filhos e se diverte com isso. Que se emociona ao ver os filhos dormirem abraçados a ele. Que é capaz de olhar nos olhos da sua companheira ou companheiro e ver que são pais e mães, mães e mães, pais e pais, sabendo que as alegrias e as dores fazem parte da vida e que a construção de uma vida é mais leve quando se faz junta aparando um ao outro. Que é capaz de construir a mesma vida junta, mesmo quando são separados.  Pais e mães são para sempre. Esse pai sabe disso meu Deus. Esse pai sabe disso e de tantas coisas. Esse pai tem um sexto sentido, igual ao da mãe.

Ah Deus! Estes pais não precisam de cuidado nem proteção. Com eles você não precisa se preocupar. Sim, eu sei. Eles são incríveis. São homens. São pais de verdade. São pais felizes de ser pai. Mas Deus, eles não fazem nada além da sua obrigação.

Gil Guzzo – Belo Urbano, é ator e fotógrafo. É um flaneur que faz da rua, das pessoas e da vida nas grandes cidades sua maior inspiração. Trabalha com fotografia de arte, documental e fotojornalismo. É fundador do [O]FOTOGRÁFICO (Coletivo de arte contemporânea que desenvolve projetos autorais e documentais de fotografia). E o melhor de tudo: é pai da Bia e do Antônio.  

Velho é aquele que tem o privilégio de viver uma longa vida. Idoso é aquele que perdeu a jovialidade. Os velhos ainda sonham, criam, inventam, se divertem, fazem bagunça, curtem as traquinagens da criançada (muitas vezes até as incentivam a fazê-las). O idoso em geral dorme muito; diria até que dorme mais do que “vive”. O idoso gosta de ensinar; já sabe tudo não precisa aprender mais nada. O velho quer ainda aprender, de fazer planos, de pensar pra frente. O idoso tem mesmo é saudades, só pensa no passado: “ah! No meu tempo… “ Eu sou velho. Gosto de aprender (vivendo e aprendendo…). Tenho planos (de viajar, de expor minhas pinturas, de redecorar minha sala, de fazer outro curso de culinária e vai por aí vai…). Para o velho a vida se renova a cada dia. Bem, pensando melhor, a cada semana já que as coisas correm um pouco mais lentamente agora do que quando era-se mais jovem. Para um idoso, coitado, a vida termina a cada noite. Ele é mais lento, mais pachorrento, gosta de dizer “nos meus tempos não tinha essas coisa não; era tudo bem diferente e melhor”. E passa as suas horas como se fossem as últimas de sua existência. Já o velho procura passar suas horas como se fossem as primeiras de sua vida. O Idoso tem locais específicos, demarcados e definidos e já não dá conta de pegar um carro e fazer uma longa viagem dirigindo. Tem fala mansa, bebe pouco e come cheio de cuidados. O velho pega a estrada e vai longe dirigindo; sobe escadas pra cima e pra baixo; bebe seu bom vinho e algumas birras. E ainda aprecia um bom e bem preparado prato. Aos 78 anos não sou um idoso. Sou um velho. Com muito orgulho e satisfação. O velho pai, o velho avó, o velho tio, o amigo velho. Sou um velho vivo, um velho ativo, um velho safo. Epa! Não me entenda mal, por favor -. eu disse safo! Não sou, nem quero ser, um avô idoso, um amigo idoso ou um idoso lerdo e pachorrento. Certamente, ser velho tem lá seus inconvenientes: a tal “fadiga do material” que vai desgastando a gente: dói ali, espeta lá, enguiça aqui, emperra acolá. São as ditas mazelas naturais da velhice. Algo que ânimo, alegria e vontade de viver ajudam bem a superar. Não sou um idoso, nem muito menos um de “ melhor idade”, esta imbecilidade que algum babaca sem noção inventou! Abaixo pois o politicamente correto. Seja velho e curta a sua velhice ( ou seria a sua “idosidade”?). Portanto, seja você uma bela e charmosa velha: glamourosa, cheia de vida e feliz. E, seja você, um belo e garboso velho: esperto, safo, exuberante e feliz.
A propósito: um cão com 15 anos é um cão idoso? Ou é um cão velho. Um carro de 1957, é um carro velho ou um carro idoso. E o seu vestido de casamento está velho ou está idoso?

E.T.- Tudo que foi dito aí aplica-se tanto à mulher quanto ao homem, acima dos seus 60 anos.

Carlos Pougy – Belo Urbano, um “pauliroca” (meio paulista meio carioca, mais este do que aquele) pai de 5 filhos e avô de 9. E que gosta de desenhar, pintar e escrevinhar.

Fui convidado a escrever para o “Belas Urbanas” depois de uma troca de constatações e relatos que eu e um grupo de amigos compartilhamos pelo Whatszapp. Achamos o assunto pertinente e atual, portanto parto daqui este relato.

Escrevo aqui hoje sobre uma preocupação minha e de grande parcela da população e da sociedade urbana mundial – a obesidade e suas consequências.

Viajei com minha família para Orlando/EUA em julho/16 com objetivo de conhecer, em família, os parques temáticos e um pouco da cultura norte-americana. Já tinha viajado para o mesmo destino em 1995 e em 1997. Mas em relação a esta última viagem, muita coisa mudou, muita coisa me assustou. Falo isso sobre a questão “corporal”, objeto de estudo da minha profissão, que é o corpo e o movimento humano na perspectiva do Educador Físico (profissão esta que abraço com carinho há 27 anos).

Quando estive nas primeiras vezes nos EUA, já tinha ficado extremamente chocado com a quantidade de obesos que encontrei por lá. Não era a maioria, mas sim pessoas distintas, um ou outro membro de uma mesma família, que apresentava essa, digamos, diferença corporal. Mas já eram muitos.

Em todos os lugares por onde passei – parques, centros comerciais, dia a dia – me surpreendeu aqueles corpos bem acima do peso que consideramos como ideal (ainda que consideremos como “ideal” uns quilinhos a mais nesse parâmetro). Eram corpos, desculpem a expressão, monstruosos. Vi pessoas já demonstrando sérias dificuldades em realizar movimentos simples, como o caminhar. Percebi, em suas grossas pernas, marcas arroxeadas e algumas feridas provocadas por problemas circulatórios e, possivelmente, causado pelo entupimento de veias e também pelo diabetes. Percebi em suas posturas, cansaço fácil e dificuldade em respirar.

Mas voltemos para 2016. A propagação midiática agora, da busca de uma qualidade de vida, é toda baseada no “saudável” – alimentos light, diet, sem gordura trans, facilidade de acesso a programas de atividade física, nova geração de profissionais de saúde atentos à questão – enfim, parecia que eu iria observar mudanças ao chegar lá.

E o que encontrei nos EUA, mais especificamente em Orlando, nos mesmos parques, centros de comerciais e no dia a dia, após esse tempo? Uma nova e aterrorizante constatação: agora várias pessoas de uma mesma família estão acima do peso e extremamente obesas. Já não andam com dificuldade…porque não andam mais. Como assim? Andam de carrinhos elétricos, motorizados. Nos parques você tem que desviar dos carrinhos de bebês e dos carrinhos motorizados dos adultos. Até adolescentes utilizam esse meio de transporte. Comida? Continuam se alimentado aos montes. Atividades físicas cotidianas e exercícios? Faz-me rir…

Fiquei pensando naquele velho ditado: “em terra de cego quem tem um olho só é rei”. Permita-me modificá-lo para “em terra de caminhantes, quem der o primeiro passo será…SAUDÁVEL”.

Maurício Maia – Belo Urbano – educador fisíco, ama a família, gosta de uma boa caipirinha e um happy hour com os amigos, principalmente os da infância… 😉

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Já falei aqui da mulher de fases… sim, temos fases e o processo é químico!! O corpo feminino é uma bomba química que alterna DIARIAMENTE a quantidade e o tipo de hormônio que irá suportar algum objetivo do nosso ciclo reprodutivo. É assim e pronto!

Mas existe um outro processo químico, um pouco mais demorado e mais duradouro. Sim, chega uma hora que essa bomba química é desativada… a menopausa. E o nosso corpo que tanto mudou a vida inteira deixa de mudar tanto. E muda definitivamente!

O corpo vai deixando de produzir substâncias que mantinham determinados processos vivos! Processos dos quais teoricamente não precisamos mais. Porém, essas substâncias também serviam de suporte para outros processos, e é aí que a coisa pega. Num mundo em que se vive cada vez mais, é preciso que esse suporte químico seja mantido pelo tempo que for possível, mas o nosso corpo não foi projetado para isso.

Essas mudanças são perceptíveis fisicamente, como maior dificuldade para manter peso e emagrecer, os malditos calores, menor nível de energia, pele e cabelos vão perdendo vitalidade, e daí por diante. Mas a mudança não é só física. Há também um forte componente emocional. Na verdade, por mais que essas mudanças gerem um desgaste emocional, nesse caso há também um componente químico! Então, muitos casos de depressão e outras mudanças de humor, são devido a substâncias que deixamos de produzir ou produzimos menos!

E infelizmente, nesse caso não se comemora o famoso bordão ‘viva a diferença!’… para os homens é bem mais suave, são bem menos hormônios envolvidos e eles vão se suavizando calmamente. Novamente para as mulheres, embora aconteça razoavelmente devagar, há um momento ‘pico’ em que fica claro que a partir dali, não tem volta.

Como lidar com isso? Bem, o primeiro passo é aceitar! Lutar contra não vai ajudar. O segundo é avaliar o impacto real na sua vida. Eu, por exemplo, ainda tenho muito que trabalhar antes de poder pensar em ter uma vida mais sossegada (que na verdade nem sei se quero…), portanto, o meu nível de energia ainda tem que estar alto! Preciso dela.

E por fim, já que o processo é químico, vale avaliar com o seu médico (e se tiver, terapeuta) se vale a pena intervir com reposição, fito-terápicos, ajustar a alimentação e as atividades físicas.

Só não vale ficar sofrendo e se lamentando! Pelo contrário! Afinal, a ilusão de que temos ‘a vida toda pela frente’ (nunca tivemos!) está acabando, portanto é a hora de aproveitar a vida ao máximo!

Foto TOVE

Tove Dahlström – Bela Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

24-12-08-2-olho-dri

Dia de chuva em São Paulo é um verdadeiro caos. A cidade parece que vira do avesso e o trânsito simplesmente pára, não anda para um lado nem para o outro.

Com esse breve raciocínio Antonio resolveu optar pelo metrô no lugar de usar o seu carro naquela sexta-feira, o quinto dia consecutivo de uma chuva intermitente a encharcar os ânimos dos paulistanos. Toda sexta, das nove ao meio dia, dirigia um grupo de teatro amador na zona leste. Para evitar o trânsito surreal daquele dia chuvoso, empreendeu uma epopéia por debaixo da terra. Saiu cedo, por volta das 7h30 da casa de uma ex-namorada que visitava com freqüência. Uma atriz com tendências suicidas no palco e na vida. Começou a viagem pela estação Parada Inglesa, na zona norte. Desceu na Sé e pegou a linha vermelha no sentido Corinthians-Itaquera. De guarda-chuva na mão, saltou na estação Patriarca, andou uns 15 minutos a pé e chegou quase todo molhado. A cabeça e os ombros respingados aqui e ali pelos furos irregulares e assimétricos no tecido puído e amarelado do seu guarda-chuva. E dos joelhos pra baixo era uma molhadura só, incluindo sapatos e meias – Ele sempre usava dois pares de meia em dias de chuva. Não era superstição, era medo de ficar resfriado – Tudo correu bem como de costume, a não ser pelo certo nervosismo que tomava conta dos seus 13 filhos adolescentes, como ele assim os chamava. No dia seguinte, sábado, seria a estréia daquele grupo na sede da associação de moradores do bairro. Ele tinha um carinho especial por aquela turma de jovens cheios de vida e vontade de vencer as dificuldades de viver na periferia. Dificuldades que todos aqueles que, assim como ele, que viveram ou vivem à margem da zona central da cidade, sabem muito bem o seu tamanho. Era o primeiro diretor e o responsável direto pelos primeiros passos na formação desses promissores futuros artistas. Alguns, tinha certeza, seriam grandes atores e atrizes, outros tinha lá suas dúvidas, mas todos eram como se fossem seus filhos de verdade. Tudo estava pronto e o último ensaio foi ótimo, fato esse muito diferente do que se está acostumado a ver no teatro profissional. O ensaio antes da estréia é sempre uma catástrofe. Acertou os últimos detalhes com os atores, afinou a luz, deu retoques no figurino e repassou o som. Ao término do ensaio, que se estendeu um pouco além das três horas habituais, foi abordado pelo presidente da associação de moradores, que havia chegado pouco antes do fim dos ensaios.

– Professor, estamos todos muito felizes com o seu trabalho por aqui. Nunca poderemos pagar pelo que o senhor fez pelos nossos jovens. Seremos eternamente gratos por isso.

– Deixa de bobagem homem.

– O senhor está com pressa?

– Não. Por quê.

– É que preparamos uma pequena surpresa pro senhor, e como amanhã vai ser uma confusão por aqui, queremos fazer isso hoje. Vamos até a sede?

– Claro que sim.

Lá se foram os dois. Antonio tentando preservar o que ainda não tinha sido molhado pela chuva. Sebastião, o presidente da associação, foi andando pela chuva mesmo. Estava de camiseta, bermuda e chinelo de dedos. Não era costume dele, andar vestido assim, em pleno dia de semana, mas estava de folga do restaurante. Era um homem alto e um pouco gordo, cuja barriga se pronunciava para além da camiseta, pelo menos dois números menores.

– Não tá com frio não Sebastião? Eu tô gelado.

– Nada Antonio. Tenho gordura de sobra aqui e ela me protege. Disse isso batendo na pança enquanto desviava de uma poça enlameada.

Na sede da associação foi recebido por mães, tias, avós e primas, fãs incondicionais daqueles atores estreantes. Pra surpresa de Antonio, ele era esperado com uma suculenta feijoada. Não era quarta nem sábado, dias sagrados dessa iguaria tipicamente nacional, mas a feijoada estava lá, completa, com tudo que ele tinha direito. Antes mesmo de dizer qualquer coisa em agradecimento, sentiu sua boca se encher lentamente de água. Era a reação física e mais sincera que alguém poderia ter diante do seu prato preferido e que exalava um aroma inigualável. Abriu um largo sorriso.

– É o meu prato preferido.

– E nós não sabemos, seu Antonio. Foi a Juju quem contou, disse dona Chica.

Juju era uma das atrizes que ele apostava todas as fichas. Uma menina talentosa e que quando sorria, lembrava uma grande amiga sua, também atriz, que sempre sorria com os olhos. Ela, a amiga, que ele não via há anos, tinha deixado o Brasil em busca de aperfeiçoamento em suas pesquisas no trabalho do ator. Essa era a última notícia que teve dela uns cinco anos antes daquela data.

– Ela disse que o senhor comentou isso num dos ensaios.

– É verdade. Disse isso enquanto tentava se lembrar de quando foi que tinha falado que adorava feijoada. Antes mesmos de puxar a cadeira e sentar-se ao lado de Sebastião, a imagem do tal dia brotou cristalina da sua memória. Ele havia proposto aos seus atores que representassem em dez movimentos, por meio de uma ação, o ato de comer o prato preferido de cada um. Lógico que no final do ensaio todos queriam saber qual era o seu prato preferido.

– E o seu professor, qual o seu prato preferido?

– Feijoada, Juju. Feijoada.

Comeu e comungou com aquelas pessoas da comida e de conversas o aproximaram ainda mais daquela gente. Em muitos momentos, a sua história de vida se confundia com um pouco da vida de cada um ali. Neide, que era a cara de uma prima sua e que ajudara Dona Chica na preparação do prato, não deixava nada passar em branco.

– Professor, acho que se o senhor andar sem o seu guarda-chuva vai ficar menos molhado. Parece uma peneira.

O riso foi geral na mesa. Deixa comigo que dou uns pontos e resolve o problema, disse isso Dona Matilde, levantando da mesa indo buscar a sobremesa. Sim, o cardápio era completo. Tinha até sobremesa. Uma torta de chocolate como poucas que tinha comido até então. Depois do café, olhando bem nos olhos daquelas pessoas simples e cheias de amor no coração, sentiu seus olhos encherem de lágrimas. E antes que todos caíssem no choro, Neide emendou:

– Não vem que não tem professor. Já tem água demais por aqui. Engole esse choro.

Abraçou um por um com um abraço longo e silencioso. Antes de ir embora, abriu um sorriso e disse:

– Tô pensando em começar a ensaiar com eles todos os dias. O riso estrondoso de todos mais uma vez competiu com o barulho insistente da chuva lá fora. Despediu-se e tomou o rumo da estação do metrô. A chuva, que teimava em não dar tréguas, completou o seu serviço. Antonio, pelas suas contas, estava aproximadamente noventa e três por cento molhado. Alguns pedaços da camisa, da calça e a sua cueca ainda estavam secos. Apesar da situação aparentemente diversa daquela sexta-feira, tudo tinha saído bem. A chuva, a roupa molhada, o sapato empapado de água e barro e o seu pé congelado apesar dos dois pares de meia, tinham pouca ou quase nenhuma importância. Estava feliz, e isso era o que importava. Com as mãos molhadas e os dedos duros de frio, segurou com cuidado o bilhete, que mesmo dentro do bolso da camisa, foi incapaz de resistir à chuva. Estava umedecido em uma de suas pontas, bem próximo à fita magnética. O bilhete passou pela catraca e saiu quase ileso do outro lado, apenas um pouco borrado, com sua tinta azul e preta misturada uma na outra. Antonio olhou para ele e pensou que a água havia provocado um efeito de aquarela no bilhete ao diluir a tinta impressa. Guardou o bilhete. Um dia pensaria naquilo com mais calma. Quem sabe não poderia tentar vender um projeto pro metrô, intitulado talvez de Arte no bilhete. O nome ocorrido ali, naquele momento, lhe parecia bom e o artista já sabia quem seria, o seu amigo Tarifa. Desceu as escadas, era momento de focar em outra coisa: ir pra casa e tomar um banho quente.

Durante todo o caminho da volta pra casa, fez o caminho inverso em sua cabeça. De trás pra frente, repassou sua vida até aquele momento. Apesar das dificuldades do dia-a-dia, a arte e o teatro sempre lhe proporcionaram momentos únicos, como o trabalho com aqueles jovens da periferia e feijoadas como a de Dona Chica. É não tinha o que reclamar, talvez não lhe faltasse nada, a não ser aquele grande amor que um dia fugiu pelo vão dos seus dedos. Não estava pensando numa mulher, estava pensando em todas aquelas que, em maior ou menor grau, poderiam ter sido companheiras para a vida toda. Mas assim como um heterônimo de Fernando Pessoa, não sabia se sentia demais ou de menos. Na dúvida, na eterna incerteza não agiu. Deixou a vida passar. Distraído em seus pensamentos, quase não desceu na Sé. Só conseguiu, porque naquela hora o trem anda vazio sempre. Era como se o metrô, no início da tarde, vivesse um verdadeiro buraco negro de passageiros. Frequentado apenas por mães com seus filhos, donas de casa, aposentados, vendedores ambulantes e trabalhadores, que como ele, têm horários flexíveis. Resumindo. Entre duas e quatro da tarde, o metrô era frequentado por todo tipo de gente, excluindo, é claro, a população economicamente ativa com emprego formal. Pelo menos a grosso modo, concluía Antonio calado, enquanto esperava o outro trem com destino ao Paraíso. Dentro do trem, resolveu que desceria na Ana Rosa. Era sempre mais tranqüilo pegar o trem na Ana Rosa. Não havia aquela afobação costumeira da estação Paraíso, mesmo naquele horário. O vagão não estava cheio. Conseguiu um lugar pra sentar. Na Brigadeiro, o carro ficou quase vazio. Bem a sua frente, sentada no lado oposto do vagão, estava uma mulher jovem. Não dava pra ver o seu rosto – O seu cabelo preto e longo cobria o seu rosto, enfiado num jornal – mas certamente ela tinha menos de 30 anos, a julgar pelo que o seu corpo revelava. O caderno era o de classificados e ela carregava uma caneta vermelha na mão direita. Olhou-a de cima a baixo. Vestia-se como uma bailarina. Sim, ela deve ser bailarina. Contudo, seu jeito de cruzar as pernas revelava outra coisa. Antonio tinha uma teoria: só as atrizes são capazes de cruzar as pernas de um jeito enlouquecedor. Ela era uma atriz. Nenhuma outra mulher é capaz de cruzar as pernas daquele jeito, só uma atriz. Ficou olhando por mais um tempo. Viajou em seus pensamentos naquela tarde fria. Será ela a mulher da minha vida, aquele amor que ainda não vivi? Mas como. Nem a conhecia, sequer viu o seu rosto. Como ela poderia ser o seu grande amor? Tentou desviar o olhar e o pensamento. Impossível. Tudo o que queria naquele momento era arrumar um jeito de chegar até ela, descobrir o seu rosto e conhecer aquela mulher. Ao chegar à estação Sumaré, a luz do dia, apesar de nublado, iluminou o vagão. Ela, num instante mágico, levantou a cabeça para saber de onde vinha aquela luz. Ele, petrificado pela surpresa, só pode dizer: Elisa. Ela olhou na direção dele imediatamente.

– Não acredito! Antonio é você?

– Nem eu.

Com o coração quase saindo pela boca, não dissemos mais nada. Nos enlaçamos num longo abraço. O trem saiu e quase caímos. Sem se desgrudar sentou ao lado dela.

– O que você ta fazendo aqui? Você não estava….

– …..não tô mais. Cheguei faz um mês.

– Vai ficar?

Mostrou-me o jornal.

– Sim. Em São Paulo. Resolvi aceitar o conselho de um velho amigo que dizia que meu lugar era aqui, onde as coisas acontecem.

– Seja muito bem-vinda.

– Curti minha família esse mês que passou. Cheguei ontem e estou na casa de uma amiga lá na Praça da Árvore.

– Você tá indo pra onde agora?

– Ver apartamentos pra alugar. Disseram-me que a Vila Madalena é um lugar legal.

– Muito. Eu moro lá.

Riram como duas crianças. O trem chegou à estação final. Como dois adolescentes, subiram as escadas atropelando os degraus, quase correndo e de mãos dadas.

– Lembra daquela cena que tivemos que sair correndo feito dois loucos?

– Lembro sim, mas ando meio fora de forma.

Esbaforidos, estancaram na porta da estação. A chuva continuava forte lá fora. Se esconderam na marquise ao lado da porta. O espaço diminuto os obrigou a ficar bem próximos. Frente a frente, podiam sentir a respiração do outro e o hálito quente apaixonado que escapava dos lábios de ambos. Olharam-se em silêncio por quase um minuto. Eles sempre tinham o hábito de ficar olhando diretamente um no olho do outro. Isso desde quando se conheceram, anos atrás. Ela tremia. Um pouco de frio e um pouco talvez pelo nervoso sutil do encontro inesperado. Aquele não era um encontro qualquer. Era possível ser um desfecho ou o início de uma nova história. Seus olhos diziam isso e brilhavam como nunca.

– O que você vai fazer agora?

– Procurar apartamento com você.

Ela sorriu quase à toa e apertou a mão de Antonio.

– Você continua sorrindo com os olhos, disse Antonio.

– É você que sorri com os olhos. Olha aí.

Estavam tão próximos que um beijo seria inevitável. Sabiam que tinha chegado o momento. Sem dizer palavras concordaram em esperar. Queriam curtir um pouco mais o desejo incontrolável do real primeiro beijo. Antonio abriu o seu guarda-chuva, passou a mão pela cintura de Elisa e abraçados começaram a descer a rua desviando de algumas poças de água.

– Hoje tem a estréia de um amigo. Você quer ir comigo?

– Claro que eu quero.

– Onde é a rua do apartamento?

– Aspicuelta. É isso né?

– É sim. E eu moro na Girassol, que corta essa rua.

– Quem sabe não seremos vizinhos.

– Depois do teatro podemos jantar. O que você acha?

– Pode ser comida italiana? Tô com saudades de comer uma massa, beber um vinho.

– Ah! Amanhã tem a estréia de um grupo de adolescentes que eu dirijo lá na Zona Leste. Se você puder…..

– Puxa…. eu quero ir sim. Ai meus deus…já tô me convidando.

– Acho que tá na hora de eu trocar de guarda-chuva. Tô pensando em comprar um maior.

– Eu vou achar ótimo. Disse isso e aninhou sua cabeça no ombro de Antonio.

Viraram à direita. Estavam tão abraçados que pareciam ser um só.

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Gil Guzzo – Belo Urbano, é autor, ator, diretor e fotógrafo. Em teatro, participou de diversos festivais, entre eles, o Theater der Welt na Alemanha. Como diretor, foi premiado com o espetáculo Viandeiros, no 7º Fetacam. Vencedor do prêmio para produção de curta metragem do edital da Cinemateca Catarinense, por dois anos consecutivos (2011 e 2012), com os filmes Água Mornas e Taí…ó. Uma aventura na Lagoa, respectivamente. Em 15 anos como profissional, atuou em 16 peças, 3 longas-metragens, 6 novelas e mais de 70 filmes publicitários. Em 2014 finalizou seu quinto texto teatral e o primeiro livro de contos. É fundador e diretor artístico do Teatro do Desequilíbrio – Núcleo de Pesquisa e Produção Teatral Contemporânea. E o melhor de tudo: é o pai da Bia e do Antônio.

 

 

 

 

 

 

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Chegou a hora bravos guerreiros. Façamos o impeachment desse homem frouxo e absurdo que inventamos e deixamos nascer. Nosso poeta Gonzaguinha bem dizia que um HOMEM também chora. Sempre falamos de um homem com H maiúsculo, está na hora do homem com todas as letras maiúsculas. Fora homem moderno, que precisa de tons de cinza para marcar uma mulher. HOMEM marca o coração, a alma da mulher, e não com agressão, mas com atitudes e até mesmo com um olhar. HOMEM: abandona seu Peter Pan interior e enfrenta seu Capitão Gancho e permita-se ser adulto. Façamos o impeachment desse homem moderno e frouxo que atende seu desejo machista dos comerciais de cerveja. HOMEM não quer o “verão”, HOMEM quer a MULHER. Está na hora de fazermos como Hamlet, tão bem exposto pelo Professor Leandro Karnal, e escarnecermos da hipocrisia que tomou conta e, como Hamlet, pedir ao menos uma vez na vida que parem de fingir e sejam vocês mesmos!!! O resto, como diz Hamlet em uma cena, são palavras, palavras, palavras.

Por um mundo melhor, digo sim ao Impeachment desse homem moderno, que em pleno congresso carrega um cartaz escrito “Tchau querida”. Falta de respeito com a comandante em chefe. Em nome de Deus, da esposa e dos filhos e por fim em nome da amante. Fora homem calhorda, seja você recebido na CPI do caráter. Padre Fábio de Melo, um HOMEM com todas as letras nos expõe um contraponto em seu livro “Tempo de Esperas” entre um Filósofo e um Jardineiro, e nos mostra que o Jardineiro sai ganhando, pois usa sua força para arar a terra, mas também usa sua sensibilidade, se despoja de seu orgulho e prepotência e cultiva suas flores com doçura e masculinidade.

Um HOMEM decidido sabe dobrar seus joelhos, para seu Rei e Senhor, para orar, para pedir proteção, para proteger suas crianças, para trabalhar e para pedir perdão. O homem que precisa sofrer impeachment não entende o poder do joelho, nem o poder do seu amor. Hoje há os românticos que dizem que duas metades se completam, e os realistas que acreditam que pessoas precisam ser inteiras e dois inteiros se juntam. Creio na junção, creio em dois inteiros que se completam, mas o homem precisa ser HOMEM, senão teremos isso que aí está o homem safadão que infelizmente é aceito como algo legal. Impeachment no  homem que transforma seu carro em arma e ceifa vidas, um homem que acredita em ficção e tapas com tons, um homem que não se questiona, um homem Peter Pan que não cresce, que não enfrenta a si mesmo, que não se permite chorar, ser doce e que sente sua masculinidade abalada por seu lado feminino. Chega de homenzinhos heteros homofóbicos mal resolvidos que por medo de si agridem em força ou palavras quem tem opção diferente da sua. HOMEM hétero respeita, convive e ama. HOMENS: façamos logo o impeachment desse homenzinho moderno e vamos nos impor, na bravura de nossa imperfeição avante!

Não há outra saída ao HOMEM que não seja encarar a si mesmo. Papa Francisco, líder da Igreja Católica disse que felicidade não está em aplicativos.  Está na hora do homem acordar para si mesmo e para seu mundo. Que as mulheres possam receber seu novo HOMEM e o ajudem a serem conduzidos para uma nova fase, sim, HOMEM aceita de bom grado o auxílio de MULHERES que amadureceram e os ajudem a sair da caverna. Então está decretado sem caber recurso e sem ir para o Senado, Homem “moderninho”, você sofreu Impeachment. Agora vai, e procura sua MULHER e dê a ela seu maior presente, seu coração másculo e terno, mas lembre-se: Conduza-a no tango da vida porque é preciso, mas como no tango, seja gentil.

E caro homem, nunca se esqueça, carregue um lenço como no filme “Um Senhor Estagiário” pois toda mulher precisa de um homem que enxugue suas lágrimas, ou ao menos as faça secar com dignidade, e jamais as faça chorar, salvo, quando ela perceber que de homem você virou HOMEM, aí o choro é livre, elas esperam por esse dia querido HOMEM, VER VOCÊ CRESCER!

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Renato B Sampaio – Belo Urbano, publicitário, cristão e um questionador da vida, sempre em busca da verdade. Signo de áries, fã de Jazz, Blues e Música gospel.

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Os últimos acontecimentos na política nacional e na minha própria vida me levara a uma reflexão, que não me gerou conclusões (não aquelas as quais ansiamos), mas me suscitou dúvidas pertinentes.  Despertou máximas que estavam arraigadas em mim e que por um motivo qualquer (ou medo ou comodismo) eu sequer costumada a pronunciá-las, seja em voz alta ou mentalmente.

Eu me nego a acreditar que num país com tantos corruptos (em todas as esferas da sociedade e não só na política), a corrupção seja a única saída ou escolha;

Eu me nego a acreditar que as desilusões com as pessoas, em todos os níveis de relacionamento, são argumentos para se desistir de tentar e confiar;

Eu me nego a acordar todos os dias para viver uma rotina besta de trabalho ou vida só para me financiar, como muitos querem me fazer crer que é preciso;

Eu me nego a ler as notícias no jornal, os estereótipos na mídia e achar que o mundo é tão só e simplesmente isso;

Eu me nego a viver pensando que em quanto mulher só tenho dois caminhos me ensinados na infância: ou ser a princesa de contos de fadas, esperando o príncipe e o “felizes para sempre”, ou ser a profissional bem sucedida e emocionalmente frustrada;

Eu me nego a colocar o sapato de cristal, esquecer o sapo, servir ao outro, a não cantar em voz alta a música que estiver na minha cabeça (seja eu desafinada ou não), a não dormir o quanto o meu corpo pede, a não chorar por vergonha, a ter que ser forte porque assim alguém espera que eu seja.

Ando me negando tanta coisa, que já nem tenho mais certeza real do que ando me permitindo. Mas, saber o que não quero já é um bom começo para se chegar ao que anseio, mesmo que isso esteja meio nebuloso no momento, assim como a política e a vida…  Por enquanto, a certeza máxima é seguir tendo fé no ser humano (no outro e em mim) por mais que o mundo, as pessoas e as situações nos desencoragem!

12507504_864760573644811_8622203985550743298_n Marina Prado

Marina Prado – Bela Urbana, recém chegada ao time. Jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!