Tu não me tens

Para mais nada?

Pensas apenas

Na sua conquista desvairada

Desvairada, no desespero

Você se perde em mim

Te mostrei tantas vezes

Que não precisa ser assim…

Tu me tens ao seu lado

A todo momento

E quando menos esperar

Sinto o seu tormento

Pois estou mais uma vez

Com toda minha calma

Corres, te apressas

Para encontrar a sua alma

Te dou as horas

Os instantes mais preciosos

Minha bela! Acalenta seu coração

Com palavras cálidas

E ouça o seu destino

Com mais atenção

Contemple a natureza,

a lua, o sol, que aguardam

com toda sua beleza

Abraçe as ávores, sinta o vento

Fale com as flores

Escute uma música

Para diluir suas dores

Aprecie o mar

As ondas vem as ondas vão

E te dou a certeza

Que sua jornada

Não será em vão

E terá algum momento

Que você irá despertar

E perceber que tudo faz sentido

No maior contento

E nessas idas e vindas…

Quem sou?

Sou o tempo!

Te estendo a mão

com todo meu amor,

minha amada vida,

sou o seu senhor


Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social, fotógrafa há mais de 20 anos, já clicou muitas personalidades, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. Trabalha com marketing digital e gerencia o coworking Redes. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frete. Uma grande paixão é sua filha.

Ela era dessas pessoas confusas. Confusas e centradas. Coisas dúbias em uma só pessoa e talvez isso fosse o que a tornava mais interessante.

André era apaixonado por ela, dizia isso. Ela gostava dele, já foi também apaixonada, mas hoje já não mais. A paixão secou, como a água da torneira da sua cozinha por culpa do encanamento do vizinho. A pia ficou com as coisas para lavar, sujas, mas não tem o que fazer, até a água voltar.

Jantou o macarrão de ontem, frio, nunca gostou de comer comida requentada. Hoje só queria ficar só, e estava… André, estava por aí e ela nem aí, não ligou, apesar do dia merecer uma comemoração especial.  Dia dos namorados. Ela hoje não liga para datas, na adolescência sim, mas hoje, tantos anos depois da adolescência não mais.

Depois do jantar, mais um prato, copo, garfo e faca para a pia suja, ela olhou tudo aquilo com desgosto e sem ao certo saber o que fazer para resolver. Terá que resolver com o tal vizinho.

E por falar em vizinho se não fosse tão esquisito seria interessante. Era interessante, mas era esquisito. Quantos anos tinha? Acho que era um pouco mais novo que ela e sempre a olhava quando estavam no elevador.

Resolveu tomar banho, colocar seu perfume favorito. Usava seu perfume até para dormir sozinha. Era para ela. Amava aquele cheiro. Tentou dormir cedo, mas seu relógio biológico não ajudava para isso. Foi para a sala, ligou a TV, a TV sempre dava sono, mas nada. Foi para internet e ali despertou de vez, com ele, aquele que agora fazia ela sorrir, gargalhar. Ela só observava o que ele postava e quantas eram as que respondiam para ele. Muitas…

Ele era história antiga. História dela com ele. Dele com ela. Cada um pelo seu olhar. Seguiam suas vidas separadamente. Ela lembrou da música da adolescência “no balanço das horas tudo pode mudar”, cantava com a amiga da escola em um dia 12 de junho de muitos anos atrás. Ela lembrou e confusa que era pediu para o “Papai do Céu”, sim, ela ainda se referia a ELE como “Papai do céu”, pediu com fervor, pedir com amor e com um certa dose de dor.

Pediu que tudo fosse para o lugar certo. Que a água voltasse. Que a comida nunca faltasse. E que a alma dela encontrasse a dele frente a frente. Cara a cara. Corpo a corpo. Olhos nos olhos. Que pudesse ser seu nAMORado. Que esse tempo, esse das horas da música,  que enfim, chegasse para eles. Coragem.

Pegou no sono. Sonhou com merda. Sim, merda. Não estranhem, isso é um sonho que traz sorte. Presságio bom. É o que dizem…

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

O relógio quebrou

e lá ficou

parado

na parede da cozinha

quebrado

eu olho pra ele

ele olha para mim

ponteiros parados

nada mexe

morto

morto como quem me deu

O que faço eu?

Me desfaço?

isso me entristece

mas deixá-lo ali também

O vidro quebrou

ficou sem os números

Parou às oito e trinta e cinco

Da manhã?

Da noite?

De que dia?

Não sei

Definitivamente não sei

Só sei que hoje ele sai da parede e vai para o lixo.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

Velho é aquele que tem o privilégio de viver uma longa vida. Idoso é aquele que perdeu a jovialidade. Os velhos ainda sonham, criam, inventam, se divertem, fazem bagunça, curtem as traquinagens da criançada (muitas vezes até as incentivam a fazê-las). O idoso em geral dorme muito; diria até que dorme mais do que “vive”. O idoso gosta de ensinar; já sabe tudo não precisa aprender mais nada. O velho quer ainda aprender, de fazer planos, de pensar pra frente. O idoso tem mesmo é saudades, só pensa no passado: “ah! No meu tempo… “ Eu sou velho. Gosto de aprender (vivendo e aprendendo…). Tenho planos (de viajar, de expor minhas pinturas, de redecorar minha sala, de fazer outro curso de culinária e vai por aí vai…). Para o velho a vida se renova a cada dia. Bem, pensando melhor, a cada semana já que as coisas correm um pouco mais lentamente agora do que quando era-se mais jovem. Para um idoso, coitado, a vida termina a cada noite. Ele é mais lento, mais pachorrento, gosta de dizer “nos meus tempos não tinha essas coisa não; era tudo bem diferente e melhor”. E passa as suas horas como se fossem as últimas de sua existência. Já o velho procura passar suas horas como se fossem as primeiras de sua vida. O Idoso tem locais específicos, demarcados e definidos e já não dá conta de pegar um carro e fazer uma longa viagem dirigindo. Tem fala mansa, bebe pouco e come cheio de cuidados. O velho pega a estrada e vai longe dirigindo; sobe escadas pra cima e pra baixo; bebe seu bom vinho e algumas birras. E ainda aprecia um bom e bem preparado prato. Aos 78 anos não sou um idoso. Sou um velho. Com muito orgulho e satisfação. O velho pai, o velho avó, o velho tio, o amigo velho. Sou um velho vivo, um velho ativo, um velho safo. Epa! Não me entenda mal, por favor -. eu disse safo! Não sou, nem quero ser, um avô idoso, um amigo idoso ou um idoso lerdo e pachorrento. Certamente, ser velho tem lá seus inconvenientes: a tal “fadiga do material” que vai desgastando a gente: dói ali, espeta lá, enguiça aqui, emperra acolá. São as ditas mazelas naturais da velhice. Algo que ânimo, alegria e vontade de viver ajudam bem a superar. Não sou um idoso, nem muito menos um de “ melhor idade”, esta imbecilidade que algum babaca sem noção inventou! Abaixo pois o politicamente correto. Seja velho e curta a sua velhice ( ou seria a sua “idosidade”?). Portanto, seja você uma bela e charmosa velha: glamourosa, cheia de vida e feliz. E, seja você, um belo e garboso velho: esperto, safo, exuberante e feliz.
A propósito: um cão com 15 anos é um cão idoso? Ou é um cão velho. Um carro de 1957, é um carro velho ou um carro idoso. E o seu vestido de casamento está velho ou está idoso?

E.T.- Tudo que foi dito aí aplica-se tanto à mulher quanto ao homem, acima dos seus 60 anos.

Carlos Pougy – Belo Urbano, um “pauliroca” (meio paulista meio carioca, mais este do que aquele) pai de 5 filhos e avô de 9. E que gosta de desenhar, pintar e escrevinhar.