SÉTIMO CAPÍTULO

Então ela me perguntou: Você é viúva? Respondi: Não, eu sou casada, tenho dois filhos, uma netinha com 05 aninhos, blá blá blá… Ela ainda disse: Quantos anos você tem? Respondi: 62 anos estarei completando em Abril Continuou:

Ah!! Quantos anos você acha que eu tenho? Respondi: olhando fixamente para ela, tão pequena, franzina, pele bem machucada pelo sol porque trabalhou muito, tinha tudo aquilo, que para mim ENOBRECE o velho, e não o DESMERECE, então eu tentei acertar, 70,72 anos? E aquela franzina mulher respondeu com invejado orgulho:

AH! VOCÊ ERROU! EU TENHO 82 ANINHOS, OU MELHOR… VOU COMPLETAR EM JULHO!

E argumentou: Não parece, não é?

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Velho é aquele que tem o privilégio de viver uma longa vida. Idoso é aquele que perdeu a jovialidade. Os velhos ainda sonham, criam, inventam, se divertem, fazem bagunça, curtem as traquinagens da criançada (muitas vezes até as incentivam a fazê-las). O idoso em geral dorme muito; diria até que dorme mais do que “vive”. O idoso gosta de ensinar; já sabe tudo não precisa aprender mais nada. O velho quer ainda aprender, de fazer planos, de pensar pra frente. O idoso tem mesmo é saudades, só pensa no passado: “ah! No meu tempo… “ Eu sou velho. Gosto de aprender (vivendo e aprendendo…). Tenho planos (de viajar, de expor minhas pinturas, de redecorar minha sala, de fazer outro curso de culinária e vai por aí vai…). Para o velho a vida se renova a cada dia. Bem, pensando melhor, a cada semana já que as coisas correm um pouco mais lentamente agora do que quando era-se mais jovem. Para um idoso, coitado, a vida termina a cada noite. Ele é mais lento, mais pachorrento, gosta de dizer “nos meus tempos não tinha essas coisa não; era tudo bem diferente e melhor”. E passa as suas horas como se fossem as últimas de sua existência. Já o velho procura passar suas horas como se fossem as primeiras de sua vida. O Idoso tem locais específicos, demarcados e definidos e já não dá conta de pegar um carro e fazer uma longa viagem dirigindo. Tem fala mansa, bebe pouco e come cheio de cuidados. O velho pega a estrada e vai longe dirigindo; sobe escadas pra cima e pra baixo; bebe seu bom vinho e algumas birras. E ainda aprecia um bom e bem preparado prato. Aos 78 anos não sou um idoso. Sou um velho. Com muito orgulho e satisfação. O velho pai, o velho avó, o velho tio, o amigo velho. Sou um velho vivo, um velho ativo, um velho safo. Epa! Não me entenda mal, por favor -. eu disse safo! Não sou, nem quero ser, um avô idoso, um amigo idoso ou um idoso lerdo e pachorrento. Certamente, ser velho tem lá seus inconvenientes: a tal “fadiga do material” que vai desgastando a gente: dói ali, espeta lá, enguiça aqui, emperra acolá. São as ditas mazelas naturais da velhice. Algo que ânimo, alegria e vontade de viver ajudam bem a superar. Não sou um idoso, nem muito menos um de “ melhor idade”, esta imbecilidade que algum babaca sem noção inventou! Abaixo pois o politicamente correto. Seja velho e curta a sua velhice ( ou seria a sua “idosidade”?). Portanto, seja você uma bela e charmosa velha: glamourosa, cheia de vida e feliz. E, seja você, um belo e garboso velho: esperto, safo, exuberante e feliz.
A propósito: um cão com 15 anos é um cão idoso? Ou é um cão velho. Um carro de 1957, é um carro velho ou um carro idoso. E o seu vestido de casamento está velho ou está idoso?

E.T.- Tudo que foi dito aí aplica-se tanto à mulher quanto ao homem, acima dos seus 60 anos.

Carlos Pougy – Belo Urbano, um “pauliroca” (meio paulista meio carioca, mais este do que aquele) pai de 5 filhos e avô de 9. E que gosta de desenhar, pintar e escrevinhar.

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Quando criança pensava em tudo que eu ia fazer ‘quando eu for grande’… cresci, fiquei grande, e pensava no que ia fazer quando fosse adulta. Fiquei adulta, um pouco antes da hora talvez… mas isso é assunto para outro post… Aí, adulta, pensava… quando as crianças crescerem, quando eu tiver mais dinheiro, quando tiver mais tempo, quando… quando… quando…

E aí dobro a esquina dos 50… e penso ‘cadê tudo aquilo que eu ia fazer quando isso e quando aquilo?’. No fim, fiz algumas, mas não todas, e fiz outras que nem pensava…E entendi que a única coisa que não volta é o tempo…

Nunca poderei dizer ‘quando eu for jovem de novo’ ou ‘quando eu for criança de novo’!

Mas se a gente inverte o tempo e fica adulta cedo demais, podemos inverter na volta também, certo?

Aos 40 fiz minha primeira tatuagem, três na verdade… hoje são sete e já penso na próxima.

Aos 50 estou tirando carta de moto porque decido que se não posso dizer ‘quando eu for jovem de novo’ eu ainda posso fazer as coisas que não fiz nessa época. E sem saudosismos e nem por rebeldia! Apenas porque chegou a hora em que dá, tenho vontade, recursos e motivação para isso!

E porque aos 50 a noção de idade e juventude e maturidade se confundem, e na verdade se tornam quase que irrelevantes. Idade certa para fazer, sentir, agir? Não tem! A oportunidade certa, a ocasião certa, esses sim é que contam… a idade pouco importa e na verdade, idade certa é uma noção burra e limitante!

Quem sabe qual será a minha próxima empreitada? Nem eu sei, mas com certeza não pensarei se estou ou não na idade de fazer, mas se é a ocasião, a oportunidade e se me fará feliz!

Foto TOVE
Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

 

AS 3 IDADES DA MULHER -KLIMT (2)

Era uma manhã de sábado! No caminho para a feira encontro uma conhecida que me diz: “De shorts??? Moderninha, hein?”

Como de costume, parei para pensar no que eu estava errando… Mas claro que o erro não era meu!

Na hora do almoço, a tia, no auge de seus 80 me diz: “Não queira ficar velha… É muito ruim!” e eu, horrorizada, respondo: “Se der tudo certo, ficarei velha sim, pois a única outra opção não me atrai muito…”

Então parei para refletir sobre idade, especialmente a idade da mulher!

Ainda tenho idade para andar de shorts? Calça jeans, saia curta?

Mantenho cabelo comprido, corto seguindo tendência ou acredito que cabelo curto rejuvenesce? Pinto? Estico? Assumo os grisalhos e ondulados? Plástica, botox, preenchimento, dietas?

Muitas dúvidas na vida de uma jovem de quase 52…

E como encarar o desafio no país líder de lipoaspiração e plástica? Onde silicone virou tão banal quanto colocar um brinco e é possível aplicar hidrogel logo ali na esquina?

Na verdade, simplicidade é a palavra-chave, pelo menos para mim.

Quero esclarecer que sou extremamente vaidosa e não tenho por hábito sair sem uma boa maquiagem e um cabelo arrumado.

Desde a mais tenra idade aprendi a investir em qualidade de vida para investir no visual… Investir em uma boa alimentação, equilibrada, com direito a excessos, para não deixar de ser divertido. Investir em protetor solar e cremes, não os mais caros, nem os últimos lançamentos, apenas manter a pele hidratada e bem cuidada. Investir em água – recentemente comprei um filtro de barro, daqueles de antigamente, bem baratinho, e descobri que a água fica com gosto e frescor divinos. Investir em exercícios físicos, não ficar parada… Investir em sonhos!

Mudar de ideia e opinião! Mudar até de carreira, se for o caso! Quantas vezes for necessário! Parafraseando Raul: Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter opinião formada sobre tudo!

Ter bom humor é fundamental! Assim como se adaptar fisicamente aos desafios que surgem…

Quando ouço “Mas você não parece ter a idade que tem!” é claro que fico envaidecida, mas me pergunto, qual é a minha idade?

Vivi a experiência dolorosa e doce de me tornar madura, criei filhos maravilhosos, perdi entes queridos, arregacei as mangas quando a situação exigia, e agora, quando a vida está me dando a oportunidade de curtir marido e arte, posso dizer que “na minha época…” ainda é um tempo presente…

Pretendo continuar vestindo shorts e calça jeans enquanto eu e meu espelho gostarmos, não para me sentir mais jovem, apenas para ser eu mesma, sem idade definida, Forever Young!

FOTO PERFIL Synnove

Synnöve Dahlström Hilkner É artista visual, cartunista e ilustradora. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCCAMP. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês, com ênfase em Negócios. Nascida na Finlândia, mora no Brasil desde os 7 anos e vive atualmente em Campinas com o marido, com quem tem uma empresa de construção civil. Tem 3 filhos e 2 netas. Desde 2011 dedica-se às artes e afins em tempo quase integral – pois é preciso trabalhar para pagar as custas de ser artista – participando de exposições individuais e coletivas, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros.É do signo de Touro e no horóscopo chinês é do signo do Coelho. Contribui para o Belas Urbanas com suas experiências de vida.
 
OBS.: O quadro acima: As 3 idades da mulher/ de Klimt.

Fazer academia e dieta me pareceu uma boa ideia, mas para isso eu deveria superar a barreira da acomodação e deixar o “estilo gordo de ser” para trás.

Meus exames mostram, na atual e tenra idade de 42 anos, um colesterol um pouco alto e a possibilidade de convencer os outros índices do meu corpo a acompanhar sua viagem rumo ao topo. Sinal de alerta, bronca do médico e a principal preocupação: Sou jovem, ainda não me casei e nem tenho filhos. Preciso mudar.

Fiz minha inscrição em uma academia e, apesar de já ter sido muita coisa – faixa preta de karatê, nadador, atleta, sarado, bonitão, etc – eu sou o próprio tio sedentário e em forma de coxinha recheada de queijo com frango..huumm..e acompanhada de uma cerveja gelada, uma pimenta e……não, calma, foco..vamos voltar a academia. Bom, feita a matrícula era hora de passar pela humilhante avaliação.

Aqui cabe uma observação. Se você está, assim como eu, há muito tempo sem praticar qualquer atividade física que não seja abrir a geladeira, jogar bolinha para o cão correr, e não você, usar as pernas para sentar e levantar do sofá e para ir pagar e receber o entregador de pizza na porta de casa, então você vai ser massacrado sem piedade e nem dó na avaliação.

Bom, descobri que o peso na balança é pura mentira. O que vale é a tal “taxa de gordura” e a minha está em 32%, ou seja, 32% dos meus quilos são de pura pururuca e panceta, e por falar em panceta, a minha barriga já foi promovida a pança há muito tempo.

O resultado da avaliação foi que eu sou obeso classe II,  que flexibilidade já não me pertence mais e que se eu tiver que correr atrás de uma criança de 2 anos por mais de 20 metros posso ter um infarto. Começo a treinar semana que vem e contarei para vocês o meu progresso.

foto Daniel

Daniel Ribeiro – tem 42 anos é publicitário há 22 anos, trabalha na Modo Comunicação e Marketing,  é  faixa preta de Karatê, ex-nadador e ex-magro. Escritor nas horas vagas, empreendedor e focado em seu maior projeto, voltar a ser magro.