Um soldado
só é soldado quando luta.
Antes disso,
ele é só um menino,
sem andar,
sem falar,
uma criança que brinca de adulto.
Quando batalha
as pessoas o veem como um homem.
Vejam lá!
Vejam como ele é belo em seu caminhar!
As mães ficam com medo por ele,
mas elas tem muito orgulho.
Elas veem seu bebê
agora como um homem.
O que elas não veem é seu olhar
terror durante a guerra.
Os sons estranhos e distantes.
Explosões, tiros e mortes.
Mortes dele,
só um menino.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

 

Havia uma criança, vestida em negro.
Ela era o cowboy,
O atirador do desapego.
Era uma criança, vestida em negro,
Senhora do puro ódio,
Da violência e desespero.
Caminhava pela rua totalmente sozinha. Sem um adulto por perto,
Uma alma,
Nadinha.
Sem mãos para segurar,
Sem pessoas para se apegar,
Sem carinho para guardar.
Só uma criança vestida em negro,
Totalmente sozinha e saída de um enterro.
Uma criança vestida em negro,
Saída de sua sina,
Sem nem mesmo vida
E perdida no próprio medo.
Onde que foi parar sua família?
Por que saiu pelas ruas,
Sozinha?
Onde foi parar,
Onde deve estar,
Onde irá ficar,
Pra onde irá levar…
Talvez
Para seu
Lar…
De onde ela veio,
Estará de saco cheio
Morro em seu anseio!
Qual é seu
Meio?
Havia uma criança vestida em negro,
Ela era o cowboy,
O atirador do desapego.
Era era uma criança, vestida em negro,
Senhora do puro ódio,
Da violência e desespero.
Onde está seu pai?
Onde estão seus irmãos?
Onde esta sua mãe!?

O choro em suas mãos…
Onde foi parar?
Onde deve estar?
Onde irá ficar?
Pra onde irá levar?
Terá você…
Um lar?
Pobre criança,
Por quê está a chorar?
Pobre menina, vestida em negro,
Caída no chão
Sozinha e sem emprego.
Pobre menino vestido em negro,
Seria ele o meu filho,
Gritando em desespero?
Havia uma criança vestida em negro…
Havia uma criança vestida em negro…
Havia uma criança perdida em seu medo. Havia ela e o puro desespero.
O sozinho atirador do desapego.
Veio de longe, fugindo de um enterro. Qual seria dela o seu anseio?
Qual o seu meio,
De onde ela veio?
Pobre criança vestida em negro…

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Dois homens morreram hoje. Pai e filho. Mas que lástima ser essa. Que tristeza
inominável isso é para seus parentes e amigos. Um pai nunca quer ter uma vida mais
longa que a de seu filho, e o filho não quer nem pensar de em perder o seu pai. Claro isso
serve apenas para verdadeiros pais e filhos, onde um soube cuidar de sua criação e ter
dado a ele amor e carinho. Pai é quem cria alguns chegam a dizer. E apenas assim que
se é um verdadeiro pai.
Mas pais não são criaturas perfeitas. Afinal, quem é? Os únicos homens perfeitos
que existem estão presentes nas histórias antigas que dizemos uns aos outros na
escuridão da noite, mas nunca nas histórias pessoais de nosso dia a dia. E mesmo na
morte, essa imperfeição não se vai. Pois é apenas na morte que somos obrigados a ver
aquilo que sempre negamos em nós mesmos e nos outros. E assim foi, para um pai e um
filho que se foram no mesmo momento.
O pai chegou as portas do mundo dos mortos alguns instantes antes de sua
descendência, como deve ser (segundo alguns). E chegando lá conversou por um tempo
que pareceram ser horas, com uma entidade que nunca vira e nunca ouvira falar. Falaram
sobre histórias de sua própria vida e talvez nesse ínterim, tenha tido até mesmo a sua
alma medida de cima a baixo. Pois a história do pai fora longa e sofrida. Em sua historia,
fora abandonado e largado. Lutara e se desesperará. Muito ele passou e diversas
cicatrizes ele acumulou em seu espírito. E apenas ali, no mundo dos não vivos que ele
havia sido capaz de enxergar isso.
Pois em um mundo que não é mundo, onde a carne não existe e o que sobra é o
espirito, apenas as almas podem ser vistas, mesmo que não da forma as quais as
pessoas pensem que as almas são. E o pai e a entidade viam que nele, em sua alma,
havia uma grande gama de cicatrizes. Cicatrizes que apenas os vivos sabiam fazer. E o
pai se entristeceu, se adoeceu e se redimiu. Pois é assim que as coisas são no mundo
dos não vivos. E o filho, após poucos segundos que foram a eternidade, chegou também.
E o pai ao ver o filho ficou horrorizado com o que via. Pois mesmo sem saber, viu
o filho de verdade pela primeira vez. E em seu coração soube que não havia sido o pai
que pensara ser. Pois ao olhar para seu filho pela primeira vez, viu que nele as cicatrizes
eram muito maiores e mais profundas do que o pai jamais havia tido em si mesmo.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Eu estou tentando, eu juro que estou. Não tentando ser feliz ou rico. Isso é bobagem, nunca dará certo, e se der, não é da forma que achamos que deveria ter sido. Felicidade não é algo que se procura, pois quem a procura nunca acha. Pois ao procurar muito e com tanto afinco, acabamos por nos esquecer como sermos simplesmente felizes. O dinheiro por outro lado é só uma questão de tentar ao máximo e ter as oportunidades certas. Mas quem dirá que é assim tão fácil ter essas ditas oportunidades? E quem será esse que conseguirá impor tanto esforço e dedicação em algo que muito colocam imenso esforço e dedicação e mesmo assim não conseguem.
Não podemos nos sentir lindos e especiais, pois somos todos a nossos modos, iguais! Quem sois vós para conseguir aquilo que todos buscam tão desesperadamente ter? Dinheiro e felicidade, por certo. Todos querem, todos tentam e falham. Então por quê tentar? Tentar pois queremos? Non-sense! Tentamos pois devemos. Tentamos, pois se falharmos sabemos o que vêm. E a sombra de nosso sono continua a nos perseguir…

Pra que lutar? Lutar pelo medo sonso de se errar. Não é a vitória que você almeja. É a derrota que você evita.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Esta tudo errado, não há nada bem
Como poderia ser, sendo você este alguém?

Me pergunte logo o que está em você
Me desafie, venha me dizer

Seu idiota, sabe nem que é insano
O estúpido, pobre, pensa que é humano

Háháháháháháha

Risos soltos por aquele que não vê
VOCÊ!

Olhe em volte e talvez consiga perceber

Não enxerga aquilo que não te mostram?
Não escuta o reverberar daqueles que choram?

Eles choram por você

Não por sofrer, mas por pena
E você ainda ai, sem entender o motivo dessa cena

Ignorante, pobre e idiota
Olhe em volta!

Eles não te ignoram, e muito menos eu
Mas continuas ai sem saber o que sou perdeu

Nunca soube, nunca viu
Idiota desalmado, servo varonil

Procure em sua mente e um dia talvez ainda vá a ver
O diabo e a inocência
Aquilo que não consegue mais saber

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Um poema de amor

É algo pelo qual não se da mais valor

Pois nele não há mais a emoção e a surpresa

Há apenas um amor sem calor

Os poemas não tem mais esse ardor

Não existe alegria ou emoção

Sumiu a felicidade e da vida o tesão

Coisas ditas são esquecidas em um instante

Coisas paradas e vazias

Que se esquecem

 

Essa é a morte da poesia…

 

A morte da vida e de sua alegria

Instantes que se passam e se esquecem

Pois ninguém mais deles quer lembrar

Emoções e decepções não são mais vividas

Onde esta a alegria e o amor?

Onde foi parar?

Em meio a essa escuridão e terror?

Não se pode mais acreditar em nada que se lê

Pois não existe força ou poder pelo qual se escrever

Nada mais durou

Nada mais o é

I

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

O amor não morreu

Só não se aguenta mais em pé

EU QUERO QUE SE FODA! Era o que eu já tive vontade de dizer. QUERO QUE TUDO SE EXPLODA! Era o que eu acreditava ser o melhor. EU QUERO MORRER! E hoje em dia, milhares dizem o mesmo sem nem saber o porquê. Sabe, as vezes eu me sinto profundamente triste. Mas não triste com o mundo, minha vida, ou meus amigos e família. Triste com tudo. Se tudo pode ser definido como algo possível, eu me sinto triste por isso. As vezes tudo o que desejamos é não estar, não ser quem somos e como somos. Não sermos aquele estudante do ensino médio, a dona de casa que cuida sozinha de seus filhos, o mendigo que mora na rua, o ricaço que vive no alto da colina. Isso não é bom o bastante. Não importa como ou a razão disso, mas ficamos insatisfeitos. Já a criança na rua, a senhorinha da igreja, o cachorro que late sem parar… Eles estão satisfeitos e felizes. Mas existe felicidade? Será possível um simples sorriso ou abraço nos darem aquilo que tanto queremos? Ser satisfeito, completo, iluminado, rico, casado, amado… Será que apenas isso dará o que queremos? Ou a vida é apenas seguir em frente, procurando novos problemas e soluções? Acho que nunca saberei. Mas no fundo, acho que ninguém sabe.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Manhã. Sol. Abro os olhos e vejo o teto acima de mim. Teto branco da mesma maneira que tetos brancos geralmente são. Brancos com leves imperfeições. Já reparou nas imperfeições do dia a dia? Nada, visualmente falando parece perfeito. A flor no vaso teve uma folha comida por um inseto. A pessoa mais linda do mundo que viu na rua, tem uma espinha na ponta do nariz. O gato que você tanta ama como bichinho de estimação tem um leve odor do peixe que ele comeu há pouco. Da mesma forma o meu teto. É um bom teto que cumpre seus afazeres de teto. Fica em cima da minha cabeça. Não deixa chuva entrar. É branco. O que mais posso esperar dele? Que seja liso perfeito e maravilhoso? Não o é. Mesmo as coisas mais lindas não são perfeitas. Tem pequenas falhas que estragam a sua perfeição. O que não é ruim de jeito nenhum. Olhe para o seu teto. Se ele for branco como o meu talvez consiga enxergar. Verá pequenas manchas nele. Sujeira. Talvez até mesmo uma teia de aranha em algum canto. Mas ele ainda assim será perfeito a seu modo. Pois mesmo imperfeito eu ainda vejo o teto sobre minha cabeça. Como posso eu exigir a perfeição dele sendo eu mesmo não perfeito? Ninguém o é de fato. Mas ai que esta a graça e a beleza disso tudo. Se tudo fosse perfeito, o mundo seria muito mais sem graça. O que seria da beleza, se nós não soubéssemos o que é a feiura? Nós saberíamos o que é belo? Entenderíamos e apreciaríamos a beleza das pequenas coisas? É o que pensei ao olhar para o meu teto essa manhã. Depois eu fiz é claro o obvio. Ainda tinha um tempo. Virei para o lado e voltei a dormir mais um pouco.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Uma vez eu vomitei um mundo. O mundo era meu e de mais ninguém. Eu que o fiz e não tinha vergonha. Do fundo de meu amago, a minha garganta, minha boca e então posto para fora. E que sujeira esse mundo fez. Ele fedia. Ele era estranho. Ele era feito de mim e por mim, a minha imagem e semelhança. Assim como eu era feito dele. Olhei para baixo e vi meu mundo se espalhando pelo azulejo do chão do banheiro. Era tão lindo e tão meu. Quantos podem dizer o mesmo de seus mundos? Eu o olhava e o invejava pois meu mundo era o que eu não conseguia ser. Livre. Pois enquanto meu mundo estava ali, se espalhando e se misturando ao pano de chão e as frestas entre o chão, eu estava preso ao que eu era e a o que eu havia feito para minha vida. Eu que construí essa prisão particular em que estava preso. Mas quantos de nós não fazem ou não fizeram o mesmo em suas vidas? Eu olhei para meu mundo e imaginei o que eles pensavam sobre mim. Será que no meu mundo haviam “Eles” há quem pudessem pensar? Ou meu mundo era vazio? Será que no meu mundo eles pensavam em mim? Será que sabiam da onde vinham? As vezes podiam não fazer ideia de que o mundo deles iria acabar em instantes indo pelo ralo. Eu não tapei o ralo. Será que sequer chegaram a pensar que toda sua existência nada mais era do que o resto que meu corpo não quis mais? Ou seriam como nós, arrogantes como somos de que tudo o que existe é por nós e para nós? Senti raiva de meu mundo. Quem eram eles para se achar tão bons ao ponto de se achar melhor que eu!? Desgraçados! Eu gritei e joguei água e limpei tudo! O mundo deles acabou. Se não era mais meu mundo ao sair de mim, não seria de mais ninguém! Mas será que eu havia sido injusto com eles? Será que eles não mereciam uma segunda chance? Talvez. Melhor pensar melhor na próxima. Irei vomitar outro mundo amanhã e colocarei eles em um balde dessa vez. E se o mundo for pelo ralo dessa vez, será culpa deles e não minha.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

 

 

Eu queria te agradecer a tudo o que Deus me deu

Eu queria implorar a você carinho que sempre foi meu

Pois na verdade eu adoro a minha vida

E na verdade eu tenho uma tristeza já desaparecida

 

Sinto toda uma mistura de êxtase com alegria
Sinto que minha vida é uma verdadeira fantasia

Por isso te peço não se emocione
Apenas venha e nunca me abandone

Sugiro a você que sempre se lembre
Do Agora, do Final e do Para Sempre

Então venha logo e junte-se a mim
Não seja idiota ou não terá um belo fim

A vida agora é bela como deveria sempre ser
Então arrume-se e venha logo me ver

Me abrace, me beije e diga que me adora
Seja você amiga ou inimiga não quero que vá embora

Pois houve um momento mesmo que seja muito distante
Em que eu e você já fomos dois belos amantes

Agradeço é claro por toda a sua ternura
Mas volte agora antes que eu volte pra Amargura

 

 

 

 

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).