Assim, quando morreres,
Desejo que veja saboreado
O aroma doce azulado
Da mais bela sensação.

Desejo ainda assim,
Que tateei o doce engraçado,
Que de mais sagrado tino
Se exalou dum fino quadro.

A moça do bom costume
Que ouça o colorido perfume
Do mais veludo prato de pão.
Teatro, fruto da imaginação.

Se perceberes tal moção,
Que o olfato veja macio.
Vem e brota da escuridão
Uma sinfonia de cereja anil.

E que no derradeiro instante
Uma trombeta verde gigante
Te acolha pelos sentidos
Mais sincero que tenha vivido

E que no céu infinito adentre
Tal qual acredite, crede
Seja triunfante, constante, sem fim.
Seu derradeiro e belo instante. Amém.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Ouvi o celular

o som era do meu

só ouvi

nitidamente ouvi

agora parou

ouvi docemente por alguns segundos

musicalmente se encaixa melhor

toca, não toca

é só imaginação

o som dos carros ao fundo

o resto é quase silêncio

mas minha imaginação

teima em trabalhar

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

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Passamos com frequência por situações que mexem com os mais diversos tipos de emoção, mas aprendemos desde bebês a ‘fingir naturalidade’. Aja como se aquela situação fosse a coisa mais natural do mundo… e às vezes até é, mas por estarmos vivenciando nós pela primeira vez, temos um turbilhão de sentimentos nos enlouquecendo, às vezes.

Primeiro dia de escola. Claro que é natural, todos vão pra escola!! Mas para aquela mãe e aquele filho essa separação não é natural! É o nosso bebê deixando de ser bebê e começando a vida adulta. Estamos com o coração apertado e muitas vezes aquela criança está insegura, com medo do desconhecido, sente nossa falta. Mas… finja naturalidade, faz parte do desenvolvimento daquelas pessoas.

Primeiro bailinho, festinha, baladinha… nada mais aterrorizante!!! Não sabemos como é, se seremos chamadas pra dançar, se ‘aquele’ menino vai estar lá, e se estiver vai prestar atenção em mim? Mas, por via das dúvidas, finja naturalidade, aja como se fosse a sua rotina! Claro que é divertido! Bem, quase sempre… mas aqueles momentos de incerteza são cruéis!!

Primeiro beijo… mil borboletas no estômago, a cabeça girando… mas finja naturalidade, não saia pulando e gritando de euforia, afinal isso daria na cara a inexperiência, além de deixar o autor do beijo muito seguro… não, não podemos… mas provavelmente ele também está tão eufórico quanto você e adoraria um sinal de que agradou. Mas como fingimos naturalidade, ele finge também… simples assim! E aquele primeiro beijo perde metade da graça por termos que fingir naturalidade!

Primeira entrevista de emprego. Ah, as mãos tremendo, o coração aos pulos, a insegurança da avaliação, da competição, da ‘autoridade’ representada pelos recrutadores. Mas… finja naturalidade! Finja que aquela vaga nem é tão importante pra você, que essa aprovação não vai fazer toda a diferença no seu futuro, que é só mais um processo seletivo qualquer.

E assim, segue… casamento, filhos, carreira, promoções, demissões, perdas… passamos pelas mais variadas experiências, grande parte delas fazendo de conta que está tudo bem, que é tudo natural, quando na verdade estamos eufóricas ou quebradas por dentro. Fingimos uma naturalidade que beira o absurdo em determinadas situações.

Porque a vida segue o seu curso, porque no fim as coisas se ajeitam, porque no fim as coisas são mesmo naturais e acontecem todos os dias… com os outros! Com os nossos pais! Com os nossos amigos! E por isso, quando é a nossa vez, fingimos naturalidade… Embora nossos corações estejam aos pulos! Embora tenhamos mil perguntas ao mesmo tempo em nossas mentes!

E ao ler esse texto, por favor, finja naturalidade… afinal é mais um texto qualquer que alguém qualquer escreveu!

Foto TOVE

Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.