Menino veste azul e menina veste rosa… e quem veste humanidade? Respeito? Educação? Carinho? Ternura? Que cores determinam o cuidado que podemos e devemos ter com o outro?

Esse papo me fez pensar em duas questões pra mim muito caras. Primeiro me lembrou “bandeiras antigas”, que no caso eram (ainda são e é preciso que continuem) sendo levantadas por minorias, como as mulheres por exemplo, buscando voz, o voto, o direito de escrever, de se expressar… Depois me fez pensar em masculinidades “construídas” permeadas por violência, força, disputa… As duas questões determinadas por questões de gênero.

Falando especificamente sobre a diferença entre meninos e meninas, o gênero talvez seja umas das primeiras diferenciações sociais que as crianças percebem, afinal são expostas a modelos, a papéis sociais desenvolvidos pelas pessoas com as quais convivem. É e nesse momento em que começam as limitações do que “é de menino” e o que “é de menina”. Uma limitação construída e incentivada socialmente. Que fique claro que estamos falando de crianças, sendo assim, não falamos sobre opção sexual, afetiva ou algo do tipo e sim de sonhos, de brinquedos, de brincadeiras, de profissões, de lugares, que eles aprendem desde cedo que podem ou não ocupar…

Quando eu penso em um grupo de crianças vivendo os seus processos educativos, a escola/educação, ainda que com todas as suas questões (estruturais, valorização dos profissionais, adaptação de currículos…) ainda me vem à cabeça como um espaço de convivência ímpar. Lá, meninas e meninos, crianças, encontram seus pares, seus diferentes e iguais ao mesmo tempo. E a dinâmica de se relacionar nesse espaço, apesar de muitas vezes trabalhosa, é extremamente potente no que diz respeito ao olhar para a igualdade.

Tem uma frase do Boaventura de Souza que diz que “…temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades”. E pra mim, isso quer dizer que temos o dever de mostrar para as crianças que a singularidade delas as torna especiais e que ainda que sejamos todos diferentes, podemos ser iguais nos nossos sonhos, desejos e planos – meninos ou meninas, ou como se sentirem. Meninos e meninas… crianças vestem sonhos!


Michelle Felippe – Bela Urbana, professora por convicção e teimosa. Apaixonada por doces, cinema, poesia urbana e astrologia. Acredita que ainda vai aprender a levar a vida com a mesma leveza e impetuosidade das crianças.

Sempre convivi com o imaginário infantil, minha vida profissional foi sempre junto às crianças.

Hoje trabalho numa creche com 100 crianças.

Fora isso tive irmã e primas bem mais novas e fui mãe aos 22 anos.

Nada deu errado na vida dessas crianças porque acreditaram em Papai Noel, Coelho da Páscoa, fada do dente e super heróis. Nada!

Foram todas crianças normais e hoje muitas são excelentes profissionais, pais e mães.

O que há de errado com o Papai Noel? Por que querem acabar com ele?

Há uma perseguição à infância. Querem destruir imaginários e fantasias das crianças substituindo tudo isso por excesso de presentes, cuidados e zelo.

Os pais de hoje tem medo de que a criança vire isso ou aquilo….. Tem medo que se machuquem, que se frustrem… Se perguntam: – E quando meu filhinho descobrir que não tem Papai Noel? Está sendo iludido! Oh Meu Deus!

Coitadinho do meu filho!

Ora bolas senhores pais: A passagem da infância para adolescência vai gerar frustração. Nascer, frustra. Tirar chupeta frustra. Não dar tudo o que querem, frustra… a vida frustra….

E frustrar é necessário!

Não sou psicóloga não sou psicanalista mas estou na pedagogia desde os 15 anos de idade, há mais de 30.

Posso afirmar que a fantasia faz parte do desenvolvimento da criança. Da formação afetiva e intelectual. Tudo que vive na imaginação ajuda elaborar cognitivamente pensamentos e construir valores.

Nada há nada de errado com o Papai Noel.

Toda criança tem o seu mundo imaginário e fantasioso.

A criança  não vive o capitalismo do Natal, ela não se preocupa com o dinheiro. O que vale realmente é o PAPAI NOEL. O presente faz parte de toda essa fantasia. Mas se ela não for influenciada pelos adultos e mídia, Papai Noel pode vir sem presente que fará a alegria das crianças. E alimentará sua fantasia positivamente.

Pelo amor de Deus…..

Vamos deixar a criança viver sonhos, fantasias, querer presentes…. querer carinho. Querer sonhos…

O que nós adultos precisamos é ensiná-las a dar valor nas coisas que conquista. Comprar para elas somente o que precisam, sem exageros. Dar presentes somente no aniversário. Doar o que não usam mais para alguém. Ensiná-las a gentileza. Ir junto com elas dar um presente pra quem não pode comprar.

Vamos ensinar as nossas crianças o que é generosidade, Vamos usar a fantasia e magia do Natal pra ensiná-las.

A criança aprende o que ensinamos e o que ela vivencia.

Vamos deixar o Papai Noel quieto. Fazendo a parte dele que é criar o mundo da fantasia e representar o amor, a solidariedade e a alegria.

Que a magia do Natal fortaleça a família e colabore com o desenvolvimento das crianças.

FELIZ NATAL!!

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria“

Lembro de minha tia Ada dizendo sobre minha infância, basicamente quando eu nem andava e já trazia traços da arte comigo.

Dizia ela que me colocava no chão, bem em cima de um pequeno tapete onde pudesse me olhar enquanto costurava, e com um lápis nas mãos eu passava horas desenhando pelo chão, em volta do tal tapete. Na verdade na volta toda…

Hoje ainda misturo tintas ajoelhado em cima de uma pequena almofada que fica guardada embaixo da bancada feita com cadeiras respingadas e com muitos potes coloridos em cima.

Quase um oratório, onde se concentrar, pensar e misturar tintas vira quase uma reza, uma oração ao Deus da criação eterna.

E sigo meu caminho pelos chãos dessa vida, sempre ligado neles e em minha criação, meus pensamentos e ideias, sempre focado num futuro que não chega e nunca deverá chegar pois o que importa e sempre importou pra mim é percorrer e nunca chegar.

“Quem chega para, e parar não tem a menor graça”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Gostaria de começar minha participação neste blog convidando as leitoras a deixarem de lado seus conceitos e pré-conceitos sobre atividade física e se lançarem em uma nova abordagem sobre o tema. Não falaremos simplesmente sobre os benefícios de sua prática na prevenção de inúmeras doenças, na melhora da autoestima e mobilidade de seus praticantes. Desnecessário, ainda, seria enaltecer a influência direta, que as atividades físicas exercem nas mais variadas formas, sobre os assuntos “Estética” e “Corpo Ideal”.

Tenho a firme convicção de que se exercitar faz parte da natureza humana. Desde o útero de nossas mães, já ensaiamos nossos primeiros chutes e reviravoltas! Ao sairmos de lá, iniciamos a complexa e genial orquestração de variados músculos para atenderem nossas mais prementes necessidades – que vão desde o ato de se alimentar até a fazer aquele escândalo quando somos contrariados, esperneando, chorando, batendo o pé firmemente no chão. Passamos nossos primeiros tenros anos tomando consciência de nossos corpos e de tudo que podemos fazer com ele. O mundo ao nosso redor fornece estímulos tão desconhecidos e intrigantes que nossa motivação para correr, pular, agachar, lançar, dançar, lutar e brincar é imensa. Nem nos damos conta de todo o volume, intensidade e esforço empregados em nossas ações! Já um pouco mais crescidos, somos engajados em atividades físicas estruturadas, enquadradas dentro de regras e formatos pré-definidos. Aprendemos os movimentos básicos de alguns esportes, danças e diversas brincadeiras universais, como o “pega-pega” e o “esconde-esconde”. Às vezes, já nos sentimos capazes para participarmos de competições e iniciarmos um período de especialização motora dentro de alguma atividade esportiva.

Quando chegamos à vida adulta, “perdemos” a memória de como era divertido e estimulante nos mexermos. Estamos com nossas energias e preocupações voltadas completamente para nosso desenvolvimento profissional ou familiar. Deixamos de lado nosso corpo que agora, praticamente, mais nos atrapalha que nos ajuda. É aquela calça que não serve mais, a blusa que deixa o braço gordo ou aquela distância enorme entre a vaga do estacionamento e a entrada do shopping. Por que ficou tão difícil usarmos mais do que nossa mente? Tornamo-nos dependentes de máquinas e comodidades, as quais em um primeiro olhar nos trazem mais facilidade e rapidez, mas que, no fundo e guardada a devida proporção, fazem-nos esquecer de como é revigorante e prazeroso usarmos nossos músculos e impor-nos desafios!

Convido as leitoras a voltarem a suas infâncias e juventudes e fazerem um exercício de memória cinestésica, recordando “fisicamente” alguns de seus momentos bem alegres, onde brincavam, corriam ou descobriam sensações novas através de rodopios, cambalhotas, saltos ou travessuras!

É totalmente possível e factível – mesmo em nossa fase adulta – sentirmos alegria na prática de atividades físicas e, assim, desfrutarmos dos mais variados benefícios delas advindos. Sejamos felizes nos movimentado!!

 

 paula
Paula Regina Cerdá Soares – Bacharel em Educação (Unicamp/SP). Especialização em Treinamento Esportivo e Personal Training. Atuo na área de treinamento e atividade física há mais de 15 anos, sempre objetivando a melhora da saúde e inteligência corporal de meus alunos. Adoro os esportes e a interação com o meio-ambiente que eles nos proporcionam. Música, línguas e cinema fazem parte das atividades que me divertem.