Olá Consulentes, aqui estou eu novamente.

Hoje vou falar sobre verdades. O que é verdade para você?

Verdade é o que ouve ou vê? Nem sempre. Verdade é o que é correto? Sim é, mas o que é correto? A verdade é a ausência da mentira, mas e quando a mentira só é omitida, o resto é verdade?

Todo mundo tem a sua verdade sobre os fatos, mas a verdade tem variedades porque vive na outra esquina também e é vista por outro ângulo. Então, antes de julgar e condenar tudo do outro, pense que a verdade do outro pode ter outro ângulo.

A verdade absoluta ainda não foi encontrada, é uma busca, mas compreenda somos somente parte dessa verdade absoluta.

Lágrimas são lágrimas e deveriam por respeito serem todas verdadeiras. Entendeu? Só derrube lágrimas verdadeiras.

Hoje o meu conselho é que a única verdade que posso dar agora, é que certeza mesmo, são que lágrimas de cebola são verdadeiras. Dessas nunca duvide.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos https://www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

 

 

Olhinhos grandes. Ela tinha. Os olhos bem grandes mesmo sendo pequenininha. Era arteira. Os olhos grandes brilhavam quando viam brigadeiros, pudim, sorvete, chocolate. A boca salivava, as mãos escondidas escorregavam para perto dos doces. A casa era pequena, mas aos olhos dela era grande, chique e cheirava doce.

A mãe e a vó eram doceiras, tiravam o sustento do dia a dia dos doces. Ela tinha razão, a casa cheirava baunilha misturada com açúcar. Não era só uma sensação, era real.

Se pudesse teria sentido só o doce da vida, mas sabemos que isso é sonho, e não o que vende na padaria.

Sentiu sabores amargos, outros salgados como mar, que brotavam dos olhos grandes com a lágrima que caia. Gostava desse sabor, que a acalmava quando se dirigia para boca e ia virando brincadeira.

Simples como todos os melhores sabores, assim que ela sempre foi e assim como tinha sido sua Vó e sua mãe, talvez a sua filha também seguisse nessa linha, mas o que ela hoje sabia, é que a filha tinha a mesma mão. Mão para doce.

Seus olhos continuam grandes. Grandes para doces, mas a balança implora que se controle, assim como seu médico quando leva os exames de sangue. Ela, continua arteira e sua resposta vem com uma bomba. De chocolate. Não é o esperado, ela sabe, mas com a frase feita que uma amiga sempre dizia “de amarga já basta a vida”, ela não se continha e comia.

Memórias afetivas e coração quente, é assim que ela vai enfrentando os dissabores da vida e assim, seus olhos continuam grandes e brilhantes.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza. Entre uma fruta e um doce, prefere a fruta. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

 

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Atualmente temos visto crianças de primeiro ano chegando à escola e segundo alguns olhares e falas, parecem descumprir as normas que a sociedade impõe. Normalmente ao invés de encarar a situação, por não estarmos preparados para lidar com a diversidade acabamos por ignorância evitando o assunto ou procurando aos pais um pouco receosos de suas reações, para que eles fiquem a par do que está acontecendo com seu filho ou filha que beijou o amiguinho ou amiguinha.

Felizmente quem tem nos ensinado a lidar com essa diversidade são os próprios pequenos.

Toda vez que esse tema surge na escola me vem na lembrança uma passagem que ocorreu há alguns anos. Chegou à escola onde fui coordenadora, na classe de primeiro ano, o aluno que chamarei de Pequeno E. Pois o pequeno E chegou, pobre, negro, franzino, com cílios alongadissimos ornamentando os olhos negros grandes e brilhantes. Pezinhos sujos em suas sandálias encardidas; quarto filho de uma família de oito filhos que dividiam o mesmo colchão, casa que tinha como fogão tijolos no chão. Pequeno E apesar de toda adversidade mantinha sempre um olhar que sorria. Hipótese de escrita inicial era pré-silábica e em um mês escrita alfabética, em três meses lendo e escrevendo tudo. Passeava pelo intervalo e recreio com livrinhos de histórias evangélicos e lia para todos que passavam; merendeiras, inspetores, professores e direção.

Todos se encantavam com o progresso e desempenho do pequeno E. Em todas as áreas se destacava; era convidado para todas as peças de teatro e, sem surpresa alguma, era sempre o personagem principal. Decorava suas falas e a de seus amigos também e, por vezes, sussurrava as falas para seus colegas que houvessem esquecido o que dizer na tentativa de fazer com que recobrassem o texto. Brilhou no primeiro ano e era o melhor aluno da classe, sua professora K, o amava e se orgulhava de tê-lo em sua turma. Seus colegas de classe o respeitavam e era querido por todos. No recreio quando algum aluno de outra classe dizia que ele parecia menininha brincando, lá vinham seus colegas de classe; colocavam as mãos em seus ombros o apoiando e tiravam-no de perto do agressor, cuidando, protegendo-o. Mesmo não estando frio, eventualmente vinha com um cachecol rosa ou roxo que circundava seu pescoço e, de vez em quando, jogava as pontas por cima dos ombros.

No ano seguinte estaria no segundo ano, seria um sucesso!.. Será? Não, não foi! O pequeno E desapareceu! Não entrou mais em cena! Não tinha mais voz! A professora A.L, do segundo ano, após ser questionada sobre a causa do pequeno E, que era ótimo aluno, não ter mais o mesmo desempenho e ser solicitado a ela que deveria observar o que estava acontecendo, disse que sabia exatamente o motivo. Segundo ela, E era insuportável, só ele queria falar e fazer as coisas, que ela se irritava com o fato dele andar rebolando, falar e querer só brincar com as meninas; que ela o havia colocado no lugar dele. Tivemos uma conversa com a professora, que ao invés de fortalecer esse pequeno quase o destruiu. Mudamos o pequeno E de classe, pois ela não merecia aquela joia. No mesmo dia, fui informada que Pequeno E estava chorando na hora do recreio e que por mais que se perguntasse não queria contar. Chamei-o até minha sala e comecei a conversar com ele que em lágrimas me disse:

– Sabe o que é? As pessoas querem que eu fale e ande de outro jeito, que eu seja diferente, mas eu só sei ser assim!!

Tentei conter as lagrimas que brotaram em meus olhos, o nó que se formou em minha garganta e abracei-o. A partir daquele dia decidi nunca mais permitir que ninguém fosse insensível a ponto de esquecer que não podemos forçar alguém a ser o que não é e, obviamente, a respeitar a diversidade. Antes dele sair lhe disse:

– Seja você meu querido! Não se esforce para provar nada a ninguém. Todos nessa escola te amam e te ajudarão a ser forte para quando sair daqui! Quando precisar me procure. Maria Teresa Cruz de Moraes.

Maria Teresa Cruz de Moraes – Bela Urbana, negra, 52 anos, divorciada, mãe de duas filhas, uma de 25 e outra de 17, totalmente apaixonada por elas, seu maior orgulho. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e coordenação pedagógica. Ama estudar. Está sempre envolvida em algum grupo de estudo que discuta sobre práticas escolares e tudo que acontece no chão da escola. Ah, é ariana rs.

 

 

Ela estendeu o seu tapetinho de yoga cor de rosa no chão se sentou, ouviu o bater do metal. Três sinais… silêncio total. “Feche os olhos, se concentre na respiração”, era o que dizia uma voz suave que conduzia o trabalho naquela tarde. “Deixe a emoção fluir, não pense, não resista às emoções.”

E ela, em uma tentativa quase que desesperada, tentava se aquietar. Cabeça a milhão, pensamentos distintos. 1,2,3 inspira… tenho que fazer o material do trabalho de segunda… 1,2,3 expira… o que será que terá na janta? 1,2,3 faz a posição da cobra… 1,2,3 vai desligando, musiquinha ao fundo… 1,2,3 desligando… 1,2,3 desligou!

Ela escorregou por um túnel colorido e circular… Deu de cara com uma lagarta, que um dia iria morrer naquela forma e se transformar na borboleta mais linda, de preferência amarela… As amarelas sempre as fascinaram. Ouviu ao fundo o “cri cri” do grilo. Enquanto a descida acontecia, ela fechou os olhos novamente, sem medo de cair. Eram ela, a música e o movimento de seu corpo.

Até que aquela voz, mansa e suave, a colocou em cheque. “Vamos falar de amor, amor no seu sentido mais amplo. Se você pudesse voltar ao passado a quem pediria perdão e quem perdoaria? E hoje, seu perdão vai para quem e quem precisa te perdoar? E no futuro? Você terá se perdoado suficiente para reaprender a amar?” Uma, duas, três lágrimas escorreram pelo seu rosto. E o tal “autocontrole” que ela teima em fingir que tem, desapareceu… Movendo o corpo, no ritmo da música e da voz suave. “Hoje falar de amor virou banal. Todo mundo ama todo mundo, mas poucos sabem o que significa amar. Então, quando você estiver naquela euforia gostosa, achando que é amor, se faça quatro perguntas básicas: Eu quero conhecer o outro todo dia? Eu aceito as decisões do outro? Eu protejo o outro para ele não se ferir? Eu quero que ele seja feliz e cresça, independente da minha presença? E se você conseguir responder sim a todas as perguntas, você pode estar amando. Mas a relação com o outro é de amor? Refaça, então, as quatro perguntas, mas dessa vez coloque você no lugar do outro. Ele quer me conhecer diariamente? Ele aceita minhas decisões? Ele me protege para que eu não me machuque? Ele me quer feliz e crescendo, independente da sua presença? E se novamente as respostas forem sim, definitivamente é amor…”

Respira fundo, expira, cresce o pulmão, chora… posição do cachorro… Ela esquece a respiração de novo e se prende àquelas palavras… Teria amado plenamente, seus amigos, familiares, amantes? Será? Teria se disposto a tal libertação e liberdade? Posse, controle, autocontrole, mania de querer ser bruxa e prever o futuro e os sentimentos dos outros.

Mais lágrimas… era Semana Santa… semana da ressureição de Cristo, para quem acredita. Semana de ressureição dela. Esse era o propósito daquele tapete… 1, 2, 3… inspira…. 1, 2, 3 expira… Mais lágrimas… 1,2,3 posição da árvore… 1,2 ,3 meia lua… 1,2,3 deitada novamente de barriga para cima em seu tapete rosa… Ela abriu os olhos ao ouvir novamente as três batidas no metal… Foi voltando aos poucos, enxugou os olhos, sentou de coluna ereta, na posição do sup, fez seu mudra… ganhou um abraço apertado de uma total desconhecida, junto com um lenço de papel.

Naquela noite, ela não dormiu muito e o pouco que conseguiu, teve pesadelos. Acordada de madrugada, ouvindo apenas os grilos e o vento na janela, refletiu: “amei, amei sim… e fui amada. Isso não significa que não doa ver as pessoas que amo, crescerem longe de mim… Amigos, família, amantes…”

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!