A violência contra a mulher é um tema recorrente, infelizmente.

Dados apontam que a cada 4 minutos uma mulher é agredida.

As estatísticas tornam-se ainda mais cruéis quando o feminicídio vem a somar vítimas numa conta que só faz aumentar.

Quando pensamos que os abusos se dão logo na infância, com uma porcentagem crescente de casos, tudo se agrava ainda mais.

Cada vítima é um ser humano, que está sofrendo danos físicos e psicológicos cruéis, com cicatrizes para o resto da vida. Isso tem que parar!

A sociedade como um todo tem que avançar para que medidas  eficazes sejam tomadas, de modo a sanar os danos já existentes e evitar novos casos de abusos em seus diversos aspectos.

Muita coisa tem sido feita, mas ainda há o que fazer para que os índices passem de crescentes a descrescentes, e os direitos e deveres de cada um se façam válidos.

Vários fatores devem ser levados em conta.

A disparidade entre genêros, consequentemente acarretando uma desigualdade social, muitas vezes  torna a mulher vulnerável ao seu parceiro, onde a dependência financeira aprisiona e a impede de sair da relação abusiva.

Outro fator é o machismo estrutural, que reforça que o homem é quem manda e a mulher deve ser submissa às suas vontades.

Através da educação essa ideia deve ser mudada.

Políticas públicas devem lançar campanhas que reforcem a denúncia, assim como a fiscalização para que as leis sejam cumpridas.

Medidas de apoio devem estar à disposição das vítimas, abrigos para acolhê-las (e aos seus filhos), tratamento pscicológico para amparo emocional, médicos no caso de abuso físico, a justiça para que o abusador cumpra sua pena, enfim, uma equipe multidisciplinar prestando todo atendimento necessário.

As ações devem começar desde cedo, fazendo com que meninos e meninas entendam que as relações devem ser permeadas de respeito. Saber identificar um comportamento abusivo também é um passo importante, capaz de salvar vidas.

O olhar para a vítima de abuso deve ser empático e altruísta. Não condene, não julgue.

A luta deve ser de todos!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Novamente aqui me encontro para relatar uma situação que muitos indivíduos vivem, principalmente mulheres, e não sabem sequer o que fazer para se proteger e viver em paz!

Hoje escrevo como advogada, não especialista no assunto e na área, mas apaixonada por ler, estudar e sinceramente espero que este texto elucide e ajude aqueles que passam por alguma situação de violência doméstica.

Vamos lá;

Muito importante primeiro definir quais são os tipos de violência doméstica, ora, muitos acreditam que violência doméstica só ocorre quando existe alguma situação de agressão física, um tapa, um chute, um murro, ou até mesmo a agressão oriunda de um objeto: uma faca, uma arma, entre outras tantas coisas. Mas não, existe uma outra forma de agressão que muitas vezes pode ser pior e mais devastadora na vida de qualquer indivíduo e mais ainda na vida de uma mulher: a agressão verbal, os insultos verbais, os xingamentos, os maus tratos verbais muitas vezes podem causar transtornos incalculáveis na vida de um ser humano.

Vejamos, ao se deparar com qualquer destas situações muito importante termos ciência de que precisamos relatar as ocorrências e quanto mais cedo isso for feito sempre melhor! Ou seja, reagir imediatamente frente a qualquer caso de violência doméstica existente.

Para aquelas mulheres que tiverem condições de buscar a orientação de um advogado, uma advogada está é sempre a melhor opção para que proceda ao relato de suas ocorrências.

Para as que não tiverem condições de buscar orientação profissional existem muitos locais de apoio e orientação a elas.

Primeiro acredito ser muito importante nesta luta a questão da educação. Só através dela teremos uma possível solução, investir na educação dos jovens, meninos e meninas, será de fato a melhor maneira de combater este problema social ainda tão comum na sociedade que vivemos.

Depois, impossível falarmos deste assunto sem mencionar a Lei Maria da Penha, número 11.340/06, um marco na Luta pela igualdade e proteção dos direitos que visa coibir violência doméstica e familiar, independente da orientação sexual.

Imprescindível ainda buscarmos a origem e entender o contexto que a Lei Maria da Penha foi criada.

Criada aos 7 de agosto de 2006 a fim de combater com mais veemência a violência contra a mulher, foi inspirada em Maria da Penha Maia Fernandes, que se tornou paraplégica em razão de um tiro nas costas, levado durante o sono. O autor do disparo foi o marido, depois de já ter praticado por anos violência doméstica contra a mulher.[1]

A referida Lei se destina a proteger e respaldar mulheres de agressões e violências que acontecem no seio de seu lar. Neste ponto, cumpre observar que não necessariamente a violência contra a mulher precisa acontecer dentro de casa, o que mais importa para a lei criada em 2006 é a proximidade de vínculo afetivo com o agressor.

Hoje, a pena para agressores que se enquadram na Lei Maria da Penha é de três meses a três anos e aumentou a criação de delegacias especiais para mulheres.

Neste aspecto, a função da Delegacia da Mulher é a de prestar o melhor atendimento às vítimas de agressão moral ou física, aqui incluída a sexual, assegurando proteção à população vítima de violência doméstica.

A lei trouxe ainda diversas medidas protetivas para as vítimas que podem ser aplicadas antes mesmo do julgamento, ou seja, quanto antes toda esta situação for relatada e enfrentada melhor.

Importante destacar que as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher faz atendimento para qualquer pessoa e aceite ser encaminhada para os devidos procedimentos legais.

O que é e como funciona a medida protetiva:

1) Ao sofrer algum tipo de agressão do companheiro(a), a vítima deve registrar boletim de ocorrência e acionar a Lei Maria da Penha;

2) Atualmente por conta da pandemia, foi liberado o BO eletrônico também para casos de violência doméstica e isso facilita muito para as vítimas: o boletim eletrônico poder ser realizado através do https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/home;

3) Em 24 horas a juíza (juiz) emite decisão sobre a medida protetiva de urgência.

4) Entre as medidas constam: afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; proibição de determinadas condutas, entre as quais: aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; delimitação de perímetro a fim de preservar a integridade física e psicológica da vítima.

5) Em alguns casos o juiz (juíza) pode solicitar também o uso de tornozeleira eletrônica para o acusado e botão do pânico para a vítima.

A proteção pode ser solicitada em qualquer delegacia mais próxima, mas o ideal é que ela seja feita diretamente na Delegacia da Mulher.

A Central de Atendimento à Mulher – tel 180 – presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência.

O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgão competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento. O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher.

O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros 16 países.

Infelizmente, durante esta pandemia, no ano de 2020 situações relacionadas à violência doméstica aumentaram e toda e qualquer publicação e textos informativos são sempre importantes para que todos possam se orientar na tentativa de vencermos e não permitirmos tamanhos absurdos!

Ninguém merece sofrer violência doméstica, seja ela qual for!

Espero sinceramente ter ajudado, até qualquer outro texto!

[1]BRASIL. Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006. Lei Maria da Penha. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 07 de ago. 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm>;

Ana Carolina Roge Ferreira Grieco – Bela Urbana, advogada formada pela Pucc Campinas em 2000, atualmente atua no corpo de advogados do escritório Izique Chebabi Advogados Associados, site: chebabi.com.
e-mail: atendimento@chebabi.com . Empresária. Virginiana que ama jogar tênis e ficar com a família!

Ficamos cientes das atrocidades que um ser, dito humano, é capaz de cometer através de um caso mais chocante ou mais divulgado pela mídia do que muitos outros. Ao lado da divulgação, muitos números, percentuais, gráficos, implorando por leis que protejam seres que estejam submetidos, por diferentes razões, à tais violências e atrocidades. A alma ainda não compreendeu, então precisamos de Leis para ter boa conduta como a Lei dos Direitos Humanos e a Lei Maria da Penha. “Detalhe” facilmente esquecido por trás dos números, cada caso ou morte refere-se à um ser humano.

Feminicídio, violência doméstica, violência conjugal, temas que emergem novamente com o confinamento e com a aparição das fotos em preto e branco de mulheres nas redes sociais em solidariedade às mulheres assassinadas, à manutenção da “Convenção de Istambul”, tratado internacional do Conselho da Europa pela eliminação de toda forma de violência contra as mulheres, conjugal ou familiar.

Ultimamente, me perguntei várias vezes se estamos vivendo no ano de 2020 d.C. , sem esquecer que também houve um tempo a.C. O ser, dito humano, já não é tão jovem… Somos considerados os seres mais evoluídos do planeta Terra, e que decepção! A evolução da alma ficou esquecida. Já passou da hora de agir com menos instinto e mais humanidade, de responder mais com o cérebro frontal e menos com o reptiliano.

Esqueceram que o único modo de entrar neste planeta é através de uma mulher, que nutre, protege, acompanha, ensina, perdoa. Esqueceram que sua descendência se faz através de uma mulher. Parece tão difícil para ele ver a mulher como um ser humano, pois ele não o encontrou dentro de si mesmo.

Tudo na natureza toma forma à partir de polaridades, de seres que direi complementares e não opostos, da união do masculino com o feminino. Sendo assim, não deveria haver espaço para a ilusão de propriedade, superioridade ou mesmo a submissão, que geram a violência, seja ela física, verbal ou psicológica. A energia feminina é naturalmente diferente e assim é a natureza, isso não significa qualquer motivo para menosprezo ou violência de algum tipo.

Para os leitores curiosos em números, relembrando que cada caso se trata de um ser humano, uma vida, uma alma, pessoas envolvidas, sonhos e emoções: Na Suiça, 0,4 assassinatos por 100.000 mulheres, esta proporção é de 0,13 na Grécia, 0,27 na Espanha, 0,31 na Itália e 0,35 no Reino Unido. Mais feminicídios são registrados na França 0,50 e na Alemanha, 0,55. (“Le Matin”, 25/08/2019).

Se observarmos os outros planetas do nosso sistema solar, podemos dizer sim que aqui é o Paraíso, e vamos nutrindo a esperança de que “Adão e Eva” não sejam expulsos, sendo a espécie “mais evoluída” do planeta. Yin e Yang, Shiva e Shakti, Masculino e Feminino em harmonia complementar, gerando vidas ao invés de eliminar vidas.

Viviane Hilkner – Bela Urbana publicitária (PUCC) e Profissional de Marketing (INPG). Atuou na área, no Brasil, em agencias de publicidade e meios de comunicação, e, na Itália, em multinacionais no Trade Marketing e Brand Development & Licensing. Morando na Suiça, mudou seu estilo de vida e apaixonou-se pela prática de Hatha Yoga. Ansiando compartilhar esta prática e sabedoria milenares, forrnou-se professora.Atualmente, ensina no Centre Kaizen e no Club de Yoga da Associação de Esportes e Lazer da Nestlé.Organiza Workshops e Retiros de Yoga na Suíça e no exterior, principalmente, na Grécia.Sua profissão tornou-se hobby e seu hobby, sua profissão.

Diz a LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006, em seu

Art. 3º : “Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.”
Interessante refletir como as próprias mulheres responsáveis por registrarem os B.O.’s nas Delegacias das Mulheres e nas Delegacias comuns tratam as…mulheres. Em primeiro lugar, tentam se esquivar de fazerem o registro, afirmando que a denúncia poderia ser realizada em outro local. Depois não deixam as mulheres narrarem os fatos sem interrupção e, por fim, se recusam a escrever detalhes dos relatos. São grosseiras e secas. Não gostam de “mi mi mi’s”. Têm garantia de emprego e as mulheres carentes ou desprovidas de informações, sucumbem e aceitam nova humilhação.
Se conhecem seus direitos, dão uns “gritos” e a “coisa anda”.
Homens tendem a tratar as denunciantes com puro machismo. Poderia se afirmar que é uma generalização, contanto que esses fatos não tivessem se repetido e sido presenciados pelo menos uma dezena de vezes.
Lembrando que a Lei não denomina violência como sendo apenas as agressões físicas.
A impressão que dá é que se a vítima não aparecer com um “olho roxo” ou com “sangue no peito”, certamente sofrerá preconceito das próprias mulheres e serão tratadas como “loucas”.
E enquanto isso os feminicídios só crescem no país. Triste realidade de quem busca a proteção “garantida” por Lei.
Triste realidade que ninguém conta. A Lei está só no papel.

Angela Carolina PaceBela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.

Entro num aplicativo. Esse aplicativo me abre portas, conquistas, afetos, sentimentos. Consigo conversar com pessoas que ao vivo não tenho capacidade. Até tenho. Mas não gosto. Até gosto, mas não sei bem como fazer.

Confuso? Não sei. Na realidade, dizem que sou um cara legal, agradável, simpático. Mas tenho outro lado que ninguém sabe. Poucos sabem. E os que sabem, se arrependem de saber.

Os que sabem, quando descobrem tem medo. Elas se acovardam, sentem culpa, sentem vergonha, sentem nojo. Algumas até se interessam por essa sombra, esse fetiche. Mas sempre há desconforto, peso. Elas se calam, e por se calarem, fui vivendo. Não me controlei, não me controlo. 
Por isso o universo virtual me atrai. Esse mar anônimo de ilhas isoladas que se encontram. Muitas naus sem controle como eu. Mas naquele dia foi diferente…

Ela não se calou. Ela falou, denunciou, chamou a família, se expôs para além do medo, da culpa, da vergonha e do nojo. Para além de tudo que a freasse, ela pediu ajuda. Ela foi ajudada e eu naufraguei.

Minha sombra viu a luz nascer quadrada. Viu holofotes. Talvez senti medo, vergonha, culpa, nojo de minha covardia? Não sei. Mas dessa vez, minha sobra perdeu. Uma sombra a menos no mundo, por enquanto…

Obs.: Cara leitora, se por ventura tenha vivido algo parecido ou saiba de algum caso próximo, denuncie, encoraje a denuncia. Ilumine uma sombra com a luz da lei e ajude a combater esse comportamento nefasto que é a violência contra a mulher. Não é fácil, eu sei. Coragem e força!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Minha mãe sempre teve medo do pai dela, ele batia nela e em todos os irmãos, ela chegou a ser espancada algumas vezes, minha mãe viu também uma tia ser chutada na barriga, grávida, essa mesma tia viveu anos com esse homem e teve vários filhos dele, apanhou e foi muito humilhada, ele teve várias mulheres fora do casamento e finalmente quis se separar para ficar com outra, bem mais jovem, ela, mulher das antigas ficou com ele e nunca tentou se separar, aguentou tudo calada. Apesar do meu avô ter sido violento com minha mãe, ele nunca me bateu, acho que foi suavizando com o tempo mas eu percebia o quanto minha avó o temia, o quanto minha mãe se sentia tensa ainda adulta ao estar perto dele, ela carrega muitas feridas emocionais da infância que a afetam até hoje aos seus quase 65 anos; se casou aos 16 anos, no fundo acredito que quis fugir de casa; aos poucos na adolescência fui entendendo o ciclo de violência que as famílias vão perpetuando, e o poder que os homens exercem sobre as mulheres, ou querem exercer, vivemos ainda hoje na cultura do patriarcado, a cultura do machismo que ainda impera e apesar de tantos direitos adquiridos pelas mulheres ao longo dos anos, essa cultura segue impregnada nas atitudes de homens e por vezes até das próprias mulheres, na relações das crianças também, podemos ver os meninos ainda nos dias de hoje, passando a bola somente para os colegas meninos e ignorando as meninas, essas atitudes são ensinadas, observadas e copiadas, as famílias ainda perpetuam essa cultura sexista e misógina, ajudando a disseminar essa visão da mulher como um ser inferior, infelizmente ainda existe um preconceito muito grande em relação a mulher e tudo isso leva ao feminicídio, uma realidade horrenda no Brasil, com números alarmantes, em média 13 mulheres são assassinadas por dia, e o pior: uma grande parte dessas mulheres é morta por parentes, maridos ou parceiros.

Talvez por ouvir as histórias da minha mãe, me sentir muito tocada por seu sofrimento eu cresci muito atenta às relações entre mulheres e homens, me lembro que minha mãe não trabalhava fora e quando chegava próximo ao horário do meu pai chegar do trabalho ela me pedia para pôr o par de chinelos dele e a toalha de banho no banheiro, eu fazia isso sempre, aos quinze anos falei que não faria mais, achava um absurdo e pensava que se um dia me casasse eu jamais faria isso, claro que eu era apenas uma adolescente desenvolvendo minhas opiniões sobre o mundo porém me incomodava também aquelas piadinhas antigas: “mulher esquenta a barriga no fogão e esfria na geladeira”, eu nunca achei aquilo engraçado e ficava muito brava ao ouvi-las, e o pior: me deixava boquiaberta a naturalidade das meninas com respeito a isso, para mim nunca foi uma piada ou “brincadeira boba de homem” era algo muito sério,  o tempo passou e hoje eu vejo com alegria que apesar da cultura machista as mudanças chegaram para nós mulheres, a Constituição de 1988 assegura que os homens e as mulheres são iguais em direitos e obrigações, a Lei Maria da Penha já existe há 12 anos e essa lei trouxe apoio legal para milhões de vítimas de violência, a mulher conquistou o direito do voto, no nossos dias as mulheres trabalham, são independentes, chefes de família e as relações amorosas são igualitárias, porém a cultura machista segue ainda poderosa, e com ela o feminicídio segue frequente, o abuso, a falta de aceitação do homem de que ele não tem poder absoluto sobre as mulheres, felizmente com o advento da internet as notícias chegam muito rápido, as investigações também e assim pessoas como João de Deus, Sri Prem Baba e tantos outros são desmascarados e detidos, no entanto me entristece ver todos os dias uma notícia nova de uma mulher que foi morta, estuprada, atacada e tantas outras situações que a colocam em risco de vida ou que perdeu sua casa ou está foragida enquanto o homem segue sua vida normalmente, é tanta injustiça que me angustia pensar que minhas duas filhas vivem nesse mundo aonde não somente a rua mas a nossa própria casa pode se tornar um lugar perigoso; sei que leva anos para que as mudanças sejam efetivas, para que os culpados sejam punidos adequadamente, sonho com o dia em que as estatísticas sejam diferentes para nosso país e que as mortes diminuam, por ora eu acredito nos grãos de areia das nossas atitudes, em minha micro esfera tento plantar sementes de respeito e amor na minha casa com as minhas meninas e nossa relação de família, meu marido é um companheiro que respeita meu “não”, que divide as tarefas diárias, e faz sua função de pai assim como eu faço a minha de mãe, ele cuida delas, ensino minhas crianças a respeitar o “não” de qualquer outro ser humano, e também a dizerem não se necessário, a respeitar seu espaço pessoal, seu corpo, a duvidar de figuras de autoridade, que não batemos para conseguir respeito, com minha família espero ter quebrado o ciclo de violência que tantas vezes vi com meus avós e parentes próximos,  ensino que estudar e trabalhar é importante e necessário para todos, não sou uma “feminazi”, e estou longe de ter uma vida de foto de rede social,   radicalismos não são meu forte, gosto, pratico e busco o caminho do meio: as pessoas precisam uma das outras, as relações amorosas independente do gênero devem ser respeitosas e igualitárias, se alguém acha que está em desvantagem então é problema, acredito nos bons combinados entre os parceiros, no amor acima de tudo, quem ama não quer prender o outro consigo, quem ama aceita que as coisas nem sempre são como gostaríamos que fossem, quem ama quer a felicidade do outro e não a morte.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

(Só leia esse texto se você for vítima da sociedade padronizada ou já tiverem te mandado sentar como Mocinha)

Estou farta, arrotando pelos cantos. Vítima da sociedade. 
Por quanto tempo mais terei que aguentar o dedo do jovem branco apontando pro meu cabelo afro? Quantas vezes vou ter que ouvir que eu ”não sou tão negra assim”? Quantas lojas eu vou ter que entrar para ser tratada como cliente e não como funcionária?
Estou farta! E não é pouco. Arrotando pelos cantos.
Cansada de ouvir que eu tenho que me desdobrar ao quintos pois sou mãe solteira. Tendo que conviver com a opinião de quem não me sustenta, dizendo que a responsabilidade da mãe é maior do que a do pai (oi?).
Por quantas vezes mais vou ter que me calar pra não ofender o outro? Quantas vezes vou ter que engolir seco a cantada de quem esta ali só para comer sexualmente o outro como um predador?
Quantas vezes vou ter que ouvir da mídia, do homem e da sociedade que meu quadril largo é ótimo pra procriar mas não constituir família?
Quantas vezes mais vou ter que ouvir do policial e do confidente qual era roupa que eu estava usando quando fui estuprada?
Até quando vou ter que aguentar ouvir que apanhei do namorado por que ele perdeu o controle e se exaltou, mas não foi por querer?
Por quanto tempo vou ter que levar meu filho no colo em pé no transporte pra não ser hostilizada por quem trabalhou o dia inteiro e está sentado no banco prioritário?
Quantas vezes vão me mandar sentar igual mocinha e ter a força de um bruto?
Quantos ‘Nãos’ eu vou ter que ouvir nas entrevistas de emprego por ter tatuagem, por ter filho, por ser solteira, por ser gorda, por ser mulher?
Tá doendo?
Em mim não dói nada. Não mais!
A sociedade me deixou assim, o soco na face me deixou assim. Aquele grupo de brancos me chamando de macaca, aqueles homens que eu atendia no restaurante insinuando sexo oral, aquele cara que me forçou pra ir além, aquela mulher que me olhou da cabeça aos pés e disse que eu não tinha o perfil, aquela empresa que preferiu um homem ou uma mulher sem filhos, aquela revista que disse que o manequim tinha que ser 38, aquele fora da família do namorado branco, aquela pessoa que eu achei que estava tendo um papo legal e logo já me mandou fotos obscenas, me deixaram assim.
Eu sou a Gi, eu sou a Mãe do Noah, eu sou aquela que escreve legal e os amigos gostam.
Eu sou a estatística, eu sou o vácuo, o grito abafado da dor, o sorriso amarelo, o “está tudo bem” disfarçado.
Eu sou mulher, eu sou filha, sou mãe, sou preta, sou gorda, sou tatuada, sou gente e não me calo.
Porque estou farta.
Farta e arrotando pelos cantos.
Digerindo o teu ódio e vomitando poder pra quem quiser ver.
Mandando nudes da alma pra quem pedir.
Essa sou eu.
Só mais um número na multidão.
Farta de toda pressão que aos poucos está me mutilando.
Farta e arrotando pelos cantos.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Este texto, assim como vários outros, não é para te dar uma conclusão fechada. É simplesmente para expor um assunto tão em voga e que nesta semana fez parte da discussão com os amigos nesta semana. Somos todos bem instruídos (pelo menos é isso que se espera de uma faculdade), leitores ávidos, cheios de opinião… por natureza e por profissão (jornalista costuma querer saber de tudo, entender tudo e “pitacar” sobre tudo). Vamos lá: a palavra da vez é ASSÉDIO SEXUAL!!!

Nada muito inédito, mas sempre comentado, principalmente quando é escancarado pela mídia pelo assediador (a) e vítima serem “famosos”. Mas quantos não famosos sofrem isso diariamente em casa, na rua, no trabalho até mesmo em seus relacionamentos. A gente tem a falsa impressão de que o assédio ocorre apenas em casos de maior hierarquia e que o assediador é sempre um homem. ERRADO. Tudo bem que acredito que nós mulheres somos muito mais assediadas do que os homens, mas mulheres têm assediado cada vez mais (conheço pelo menos três casos e um deles foi cometido por uma subalterna).

Mas voltando à discussão com os amigos: como definir e caracterizar o que é ou não assédio. Eu sou muito brincalhona, cumprimento todos com beijos e abraços. Um beijo e um abraço podem ser assédio? A resposta veio com exatidão de um dos meninos: Depende de quem recebe. Se gostar, não é. Se não gostar, é. Mas como assim? Outra resposta básica: se o cara ou a mulher te cantam e você tem pré-disposição, você jamais veria isso como assédio, e sim como flerte. Agora, se você não tem interesse por qualquer motivo, você vê como assédio e denuncia (se tiver coragem).

Tenho certeza de que a linha de divisão entre um flerte, uma brincadeira e assédio é muito tênue e fácil de ultrapassar. E ainda estamos aqui, pensando, sem ter uma opinião clara de um código de condutas que defina o que é ou não assédio sexual. É claro que excluímos dessas dúvidas ações explícitas como toques inapropriados, em partes íntimas por exemplo, ou abuso de poder mesmo, com palavras, na lei do toma lá, dá cá. A dúvida é mesmo nas ações mais sutis: olhares, abraços mais demorados, carinhos no cabelo, brincadeiras…

Segundo o Aurélio, assédio é “pôr assédio, cerco a; perseguir com insistência, e/ou importunar com tentativas de contato ou relacionamento sexual”. Ok, nós aqui estamos no caminho certo… Mas por que é tão difícil discriminar as ações quando elas não são explícitas? Seria tudo uma questão de percepção?

Essa discussão é sem fim. A única certeza que tenho é que, mais uma vez, como quase todos os problemas do país, a solução está no respeito ao próximo e na educação social. Muitos de nós, enquanto sociedade, temos que parar cultuar assediadores. Não são raros os casos de famosos ou pseudos famosos nacionais e internacionais que são acusados de agredir suas companheiras e que continuam a ser admirados pelo público.

Sonhadora que sou, espero que não tenhamos mais que nos deparar com outras Su Tonanis e Zé Mayers num futuro bem próximo. Mas essa é a parte do sonho e dos meus eternos óculos cor de rosa.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

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Algumas histórias simplesmente acontecem e nunca são contadas, ou são contadas para poucos e se tornam segredos… O assédio sexual é particularmente torturante por colocar a vítima no papel de culpada, algumas histórias foram contadas a mim no decorrer de anos e eu coloco aqui alguns casos:

  1. Aos doze anos, corpo de moça formado, mas criança ainda, ela um dia acompanhou a mãe ao médico. Em um momento sozinha com o médico, este lhe pediu que se aproximasse e, não vendo maldade, ela se levantou e foi até ele. Para sua surpresa ele a abraçou de modo constrangedor e deu um beijo em seu seio pré-adolescente por sobre a blusa… Ela não soube o que fazer, sentiu vergonha, ficou imaginando se tinha entendido errado aquele gesto desconfortável e só queria sair de lá… Mais de trinta anos se passaram e um dia o médico foi preso por assediar uma paciente de 15 anos durante um exame, mas a testemunha, secretária do médico, foi desacreditada por ter trabalhado como recepcionista em uma casa noturna e a justiça determinou que o exame do médico exigia mesmo umas apalpadas sem-vergonha… Ela acompanhou tudo pelo jornal imaginando se era hora de se manifestar, mas nada fez.
  2. No dia de seu casamento, o dia mais feliz de sua vida, radiante, ela levou uma cantada desagradável de um sujeito que ela acreditava ser amigo, não havia nenhum engano e foi desumano… Ela não soube o que fazer e nada contou.
  3. Quando começou a trabalhar, um colega perguntou, do nada, se ela toparia ter um caso… Era seu segundo dia no trabalho. Ela não soube o que fazer, será que ela tinha provocado a situação sem perceber?
  4. O noivo da melhor amiga lhe lançava olhares desconcertantes… Ela não soube o que fazer e nada contou. Anos mais tarde, sua sobrinha lhe disse que o mesmo sujeito a olhava de maneira estranha e desconcertante, mas a sobrinha temia estar fazendo mal juízo dele. Então ela disse para a sobrinha o que fazer. Acredite sempre na sua intuição!
  5. No dia do vestibular, a amiga foi ao banheiro sozinha… Sabe-se que mulheres vão ao banheiro em bando, é piada, o que elas fazem? Fofocam? Mas a amiga foi sozinha, o banheiro do Campus estava vazio exceto por alguém… Nesse dia a amiga foi estuprada e morta antes de prestar vestibular. O assassino nunca foi preso.

Não, amiga, garanto, você não é responsável pelo assédio que sofre, o culpado é quem assedia. Você não está fazendo mal juízo de alguém. Se você tem motivo para desconfiar, tenha certeza! Uma pessoa de bom caráter saberá te conquistar, o mau caráter só quer te agredir para dar prazer a si mesmo.

Um último conselho: Continue indo para o banheiro com as amigas, vocês colocam o papo em dia e se protegem, deve haver uma razão histórica para esse nosso ato.

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Synnöve Dahlström Hilkner É artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.  

 

shutterstock_260224184 (1) mulher em pose de luta

Outro dia, numa conversa sobre feminismo, me disseram que se eu não julgo que sou inferiorizada por ser mulher é porque fui programada por uma sociedade machista e sou uma vítima de minha própria história.

Desculpa, mas tenho que discordar. Não vou dizer que somos tratadas como iguais em muitas circunstâncias, mas jamais vou me considerar ou agir como vítima. Já passei por algumas situações constrangedoras por ser mulher e talvez alguns desavisados me considerarem frágil e se atreverem a um avanço não solicitado, mas acho que o que nos faz mais vítima de uma situação é a forma como lidamos com ela.

Sou uma pessoa muito expansiva e carinhosa com àqueles que conheço e muitas vezes isso foi confundido. Muitas vezes tive que “desenhar” para amigos ou colegas o tipo de relação que tínhamos… desagradável, sim, mas sempre fui muito clara com as pessoas e isso sempre deu certo.

Há alguns anos passei por uma situação um pouco mais delicada. Eu trabalhava com uma amiga e tinha uma ótima relação com a família dela. O marido e o pai dela sempre me davam carona ou me levavam o que comer quando ficava presa no trabalho. Um dia, como estávamos com os horários muito apertados, ela pediu para o pai me levar em casa para ser mais rápido. Pois bem, no meio do caminho ele simplesmente enfiou a mão com toda força nas minhas pernas. Levei um susto enorme e na hora falei um monte para ele. Deixei bem claro que ele não tinha o direito de fazer aquilo e confesso que nunca mais troquei uma palavra com ele. Não contei para minha amiga. Não por vergonha, mas por saber que àquilo machucaria mais a ela do que a mim.

Fui vítima?! Talvez da ignorância e do machismo dele,um homem bronco que talvez achasse que podia tornar para si tudo que queria. Mas não me considero vítima no sentido estrito da palavra, pois reagi na hora e disse para ele tudo o que eu achei que ele precisava escutar.

Não temos os mesmos direitos ainda. Trabalhamos muito mais para provar que somos competentes, mas antes de sermos vítimas, somos guerreiras! Não preciso que ninguém me diga o que posso ser ou não, como devo ou não me sentir, sejam machistas ou feministas.

Tenho direito de não me sentir oprimida e de ser responsável por cada vitória minha! Rótulos não me servem!

Que me desculpem as feministas.

11153459_418305808342065_1335618606_o - foto Adriana Rebouças

Adriana Rebouças – Formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante chama EnRaizAr e fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.