Foi no caixa do banco que o vi pela primeira vez. Eu bancária, ele cliente. Bem vestido, muito bonito e sorridente.

Sempre com elogios e brincadeiras. Eu apenas sorria mas desconfiava do assédio, até porque ele movimentava muito dinheiro e eu caixa de banco.

Um dia me deu um cheque para depósito e o preenchimento do valor era um convite para um chopp após o expediente. Fiquei muito surpresa e aceitei de pronto…

Poucos restaurantes próximos e ele escolheu o mais sofisticado e me levou para a parte de cima, mais reservada. Ali teve início uma torta história de amor.

Eram sempre almoços intermináveis ou happy hours, esquecíamos de tudo. Ele um cara culto, falando poesia, cantando bossa nova. Era pura diversão.

Dele sabia que morava no Rio e trabalhava em Niterói, sócio de uma Empresa de seguranca. Eu, morava com uma colega de trabalho e tinha uma vida bem animada. Todos os finais de semana ia pra Búzios onde alugava casa com amigos.

Os nossos encontros eram em motéis e eu não estava muito interessada em mudar nada.

Em um final de semana eu em Búzios, na praia, recebo sua visita inesperada. Sábado de manhã, ele de roupa social, sapatos em plena geriba me procurando, detalhe, não lhe dei endereçoo. Entendi como uma prova de paixão. Fomos pra casa, nos misturamos entre areia, sal, suor e tesão. Almoçamos e ele foi embora. Simples assim. Eu apaixonada, me sentindo especial.

O tempo foi mostrando o quanto era sedutor. Rosas, livros, discos. Me enchia de mimos e de paixão. Até que um dia ele me comunica que vivia uma história verdadeira e por força das circunstâncias, estava prestes a se casar. Sábado seguinte.

Me senti rejeitada, tola, ingênua. Passei o dia inteiro chorando. Ele se casou com namorada da vida toda, filha do dono da empresa. Ele manteria a sua posição social e seguia a vida.

Como pouco tínhamos, pouco ficou. Levei bastante tempo para me reerguer, mas tinha Búzios , era só agito, foi mais fácil seguir o caminho.

Estranhei quando se passaram um, dois, três meses e nunca mais o vi. A conta permanecia lá e eu achava que ele sempre iria entrar pela porta com aquele lindo sorriso que já tanto me fazia falta.

O reencontro se deu em uma rua próxima ao banco e veio junto um grande susto. Ele com o rosto deformado. Me contou que sofrera um grave acidente e ficara um mês em coma. E tinha mais uma novidade, iria ser papai. A vida seguiu, ele não fazia mais parte de mim.

Casei, tive filhos, me separei, casei de novo, filho de novo. Divórcio de novo. Agora sozinha vida reconstruída, bela casa em um lindo lugar um pouco distante do centro urbano. Em algum momento entrei no Facebook para acompanhar a vida da filha que se mudara para a Europa. E assim foi.

Em uma noite recebi uma solicitação de amizade e lá estava ele. JP, trinta anos depois. Morava na França e estava vindo ao Brasil em breve, queria me ver. Comecamos a trocar e-mails infinitos, divertidos. Toda noite era a hora de ficar no computador e esquecer da vida. Meus filhos desconfiaram dessa mudanca, mas ficaram felizes em me ver mantendo amizade com alguém, já que vivia exclusivamente para eles.

JP me chamava atenção para minha escrita, falou que eu escrevia bem e que deveria me empenhar nisso. Eu estava satisfeita, escrevia pra mim. Procurei saber mais de sua vida e soube que já se casara nove vezes, sim, nove vezes. Fazia doutorado na França, já morava há quase dez anos e se aposentara por invalidez após um acidente doméstico. Tinha pouco e vivia bem, diferente do menino rico que conheci.

Fomos nos contactando até o nosso possível encontro que se deu três meses após nosso primeiro contato. Veio a minha casa. Rosto envelhecido e ainda muito bonito. Chegou me chamou no portão e quando entrou eu fui rápido para abraçá-lo, ele estranho, frio, sem jeito não correspondeu. Essa atitude me colocou os pés no chão, era o que tinha.

Saímos para almocar na praia e retornamos a casa. Ali a seu lado não sabia mais quem ele era. Meus filhos tinham saído e ofereci que ficasse, tinha quarto sobrando. E assim foi. Eu realmente esperava uma explosão no reencontro: beijos calientes, transas saudosas. Nada disso. Estranho, foi dormir. Cada um no seu quarto e mais tarde ele bate a minha porta, diz não ter sono, se pode ficar. Puxou uma cadeira, colocou ao lado da cama e ficou fazendo carinho em meus cabelos e eu dormi.

Já não sabia mais quem ele era. Foi embora, disse que voltaria. Eu realmente achava que tinha algo a mais. Depois percebi que talvez estivesse velha na visão dele. Ele acabara de se separar de uma mulher da idade de minha filha. Era isso. Já não interessava mais.

Continuamos nos falando até uns dias antes do seu retorno a França. Eu Andava as voltas com crises de pânico, ansiedade que me assolavam em plena menopausa. Mesmo assim enfrentei ônibus, barca, ônibus de novo e fui ao Rio encontrá-lo.

Casa bonita, bela cozinha e ele fazendo um ótimo Jantar para me receber. Tarde da noite e a cena se repetiu; eu deitada no sofá, ele puxou uma cadeira e fez carinho nos meus cabelos. Dormimos lado a lado, eu com vontade de socar ele… o que era aquilo?

Pela manhã, outro cenário, nos deitamos lado a Lldo num quarto escritório e ali o seduzi. Foi intenso, inesquecivel enquanto era ali. Resolvi voltar pra casa, ele se ofereceu para me levar e ficou, um, dois, três dias. No terceiro dia eu me preparando para dormir pedi um beijo de boa noite, apaixonada que estava, meio carente. Ele se levantou, surtou, disse tinha feito tudo por mim e ia embora porque eu estava cobrando algo a ele.

Foi a minha hora de surtar. Ele havia comentado a respeito de sequelas do acidente. Tomava remédios, não bebia.
Eu presenciei o descompasso e aceitei. É isso. Vá, boa noite, boa viagem. Antes de ir ele me disse que não se via morando ali naquela casa, naquele lugar, com aquela vida. Talvez tivesse lido os meus pensamentos.

JP voltou e era o mesmo de trinta anos atrás, agora com sequelas. E a vida seguiu.

Viajei, conheci outros paises, morei em outros lugares, mas nunca perdemos contato. Numa dessas viagens, me chamou para conhecer Toulouse onde morava e passar uma semana com ele. Gostei do convite pois nada conhecia da França. Lá fui eu. Ele morava num quarto e sala num ótimo lugar. Foi me buscar no aeroporto e foi muito afetuoso. Preparou o jantar, comprou cerveja para mim, me deu seu quarto para dormir.

Passeamos bastante, me levou a lugares incriveis. Nossa relação agora era de amigos. Não mais romances. Em um desses passeios, na volta deixamos o carro longe e eu reclamei que iríamos andar muito. Ele surtou de novo, começou a falar alto dizendo que tinha me levado a ótimos lugares e eu só reclamava. Eu tentava entender aonde tinha errado e me desculpava o tempo todo. Me dei conta que estava pelas belas ruas de uma linda cidade francesa discutindo nem sabia por que. Estava triste. Nada entendi.

Quis ir embora na hora, faltavam dois dias ainda. Ele pegou a bike e seguiu caminho de casa, eu resolvi sentar em uma linda praça e olhar a vida. Nada me importava, ninguém iria tirar a minha paz. Ali fiquei, comprei uma cerveja sentei num banco e só. Pensei, tenho apenas a mala no apartamento. Na bolsa dinheiro e documentos, dane-se vou dormir em qualquer lugar.

Vinte minutos depois, volta ele de bike: – Senta aqui mulher. Não, obrigada. Vamos embora! Me esforçei para ser adulta, sentei na bike e fui. Voltei para o apartamento que tinha arrumado, cuidado para nós e dormi.

No dia seguinte resolvi andar sozinha pela cidade enfrentar o medo de não falar francês e consegui, comprar presente para a neta, trocar dinheiro, livre. Voltei para o apartamento e nada tinha acontecido. O meu louco, amado e velho amigo ali estava de camiseta velha e cueca velha, detalhe, comprei uma cueca nova e lhe dei de presente.

Dia seguinte me levou ao aeroporto nos despedimos em um forte abraço. Hoje falamos pouco, mas temos muito amor um pelo outro. Ele se tornou um velho príncipe solitário e eu continuo aquela menina do caixa do banco esperando receber outro convite em um cheque!

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

Apontar um livro que tenha causado certo efeito em mim é algo difícil, pois sou uma leitora assídua desde muito nova, o que transforma o livro em minha energia vital, então, todos de alguma forma têm seu valor.

Mas vamos lá…

Richard Bach foi um autor importante na minha infância/adolescência, pois abriu um caminho diferente que me possibilitou um olhar questionador sobre a vida. Apaixonei-me por conceitos filosóficos! “Fernão Capelo Gaivota” e “Ilusões” são obras consagradas deste autor, e me tocaram profundamente.

“O Pequeno Príncipe”, “Capitães da Areia” e  “Feliz Ano Velho” foram obras que me fizeram entender como, através da literatura, podemos absorver conteúdos, viajar por universos distintos e inimagináveis e ainda aprender a questionar e pensar possibilidades diversas.

Caminhando por trilhas impensáveis, “A Psicanálise dos Contos de Fada” trouxe-me uma visão aprofundada sobre a linguagem simbólica e motivações psicológicas inconscientes, o que também aprofundou ainda mais meu interesse por universos subjetivos e complexos, e daí por diante viajei no mundo de mistérios e suspenses com Agatha Christie, Edgar Allan Poe, Sidney Sheldon e, em outro gênero, Jane Austen (em especial “A Abadia de Northanger” publicado postumamente, que é uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil).

Autores contemporâneos como Harlan Coben (meu preferido, tenho todos os livros dele!), ou como o italiano Giorgio Faletti (já falecido, uma pena!)  em “Eu Mato”, entre outros do gênero thriller psicológico/suspense são meus livros de lazer, onde aguço minha capacidade de decifrar tramas e desvendar mistérios.

Mas não posso deixar de citar também livros que educam, tiram-nos da zona de conforto, possibilitam um crescer humano, pois abrem a mente para temas de imensa relevância, como “As mulheres que correm com Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, que mostra a força da mulher e a necessidade de quebra das imposições que aniquilaram sua autonomia e capacidade por décadas. E “Na minha pele”, de Lázaro Ramos, onde fica claro o desejo de um mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista não como uma ameaça, mas sim como algo positivo.

A dica mais preciosa é: Aventurem-se no universo literário…  Vale muito a pena!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Olá Consulentes!

Hoje não vim com meus conselhos, fui convidada para escrever na série do Belas Urbanas, UM LIVRO QUE TE MARCOU, gostei muito do convite e vou ser bem direta aqui.

O livro que me marcou conheci através do meu avô J. que era também um alquimista, foi o livro NUMEROLOGIA – o poder secreto dos números de Mary Anderson.

Li o livro diversas vezes, sei tudo, é meu livro de consultas.

Mas como eu não resisto, vou dar um conselho, um básico e direto conselho. Leia para uma criança, conte histórias, desperte a sua curiosidade. Eu não seria a MADAME ZORAIDE que sabe tudo se não lesse.

Gratidão Vô!

PS.: Consulente, se não entendeu é porque não leu. Leia e abra a mente.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é: ” Madame Zoraide sabe tudo”. Atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 

Entardecia em São Carlos na década de setenta, eu entretido com um desenho para a faculdade numa prancheta enquanto a avó da Teresa costurava ao lado. Habilidosa, há décadas se dedicava a fazer de um tudo com panos e linhas, trabalho que exige muito da visão.

Incomodada me disse precisar dos óculos ao entardecer e se pôs a esfregar polegar e indicador sobre as lentes na esperança de limpá-los, sem nenhum sucesso. Ofereci-me então para lavá-los. Suspirou aliviada, agradeceu carinhosamente e continuou na lida noturna.

Abandonei o hábito da juventude de lavar meus próprios óculos. Quem sabe foi a piora evidente da minha visão ou fui eu que desisti de enxergar os detalhes da realidade? Há um pouco de tudo, mas a idade nos impele a entender a vida para além dos sentidos físicos apurados.

Quantas vezes me deparo com alguma situação e percebo compreendê-la, vislumbra-la instintivamente. “Mas como você sabe disso?”, pergunta-me Teresa com seu sábio rigor científico. Sinceramente não sei, o tempo dirá se faz algum sentido.

Algumas vezes faz sim, mas nem sempre, nem sempre. Recordo-me do belo e devastador romance “Dom Casmurro”, magistral obra de Machado de Assis. Há pouco assisti novamente a adaptação “Capitu“ feita em 2008 para a TV na qual brilhou a linguagem teatral e foram utilizadas lentes distorcendo as imagens.

Assim, Bentinho envelhecido conta sua vida através das memórias desfocadas resgatando, com exageros, tanto a beleza e alegria de sua juventude assim como o abismo da sua certeza no qual foi lançado pelas próprias dúvidas quando adulto.

A traição deixou de ser uma hipótese para ele, passou a ser fato justificando seu cruel desprezo pela morte da esposa e do filho. A amargura destruiu qualquer amar.

Vejo, com preocupação, muitos assumindo papéis semelhantes em relação ao que enxergam na própria vida, na sociedade e no mundo. Após décadas de trabalho sentem-se traídos pelos outros, pelas instituições ou ideologias; imputando-lhes toda culpa pelo que vivem agora.

Argumentações racionais dificilmente os demovem. Infelizmente “Bentinho” não quer mais limpar suas lentes, doentiamente obcecado prefere se colocar como vítima e atribuir sua adolescência de plena felicidade, assim como a tristeza da sua maturidade apenas e tão somente aos olhos oblíquos e dissimulados de “Capitu”. É…, Machado de Assis era grande mesmo, se fosse medíocre teria nos oferecido certezas.

Carlos Lopes – Belo Urbano, engenheiro pela USP, fez carreira em multinacional do ramo automotivo. Foi professor da Unicamp e da UniMetrocamp. Atualmente é diretor voluntário de Creche beneficente. Cronista, ator de teatro, diretor e produtor cultural em multi me

Refletir sobre um livro que tenha trazido um impacto mais profundo em minha vida me fez voltar no passado para resgatar um que li entre a infância e a adolescência e que me marcou já naquele momento, mas que a cada dia vem ganhando mais significado.

Um cenário de intolerância e insensatez me foi apresentado por Joaquim Manuel de Macedo em A Luneta Mágica, cuja história tem como protagonista o personagem de nome Simplício, que se auto define como míope física e moralmente.

Seu desejo é enxergar melhor e, para isso, consegue por meio de um armênio uma luneta com a qual pode ver perfeitamente. Porém, Simplício é orientado a não fixá-la por mais de três minutos, após o que passará a ver além da aparência e apenas o Mal dentro das pessoas.

Claro que Simplício não resiste a fixar sua luneta por um tempo maior, e começa a ver mais do que gostaria, o que o leva quase à loucura. Acaba, sem intenção, quebrando a luneta, e pede ao armênio que lhe forneça outra. O homem concorda, mas alerta que desta vez ele veria apenas o Bem, se fixasse a luneta por mais de três minutos. Como novamente não seguiu a orientação, acabou por ser envolvido e enganado. Por fim, e após muitas confusões, ele acaba ganhando a luneta do bom senso, e assim encontra uma maneira de viver bem com a sociedade.

Hoje testemunhamos posicionamentos radicais, com antagonismos criados entre grupos da sociedade, em que só se enxerga a bondade do lado que se defende e a maldade do lado oposto.

Parece que ponderação e bom senso estão muito distantes, porque nossa tendência é usar a Luneta do Bem ou a Luneta do Mal, sem relativizar a própria noção de certo e errado.

Espero que, assim como acontece no livro, possamos evoluir a ponto de enxergarmos o outro e a nós mesmos com bom senso, entendendo que a essência de cada um é muito mais complexa do que uma visão superficial pode provocar com a dualidade entre o bem e o mal.

Maria José da Costa Oliveira – Bela Urbana, pesquisadora, autora de livros e artigos, além de docente e profissional da área de Comunicação. Mãe de três filhas e valoriza cada um dos papéis que exerce, incluindo o de esposa, filha, irmã e amiga.

Despertando para somar lembranças… nessa página de meninas “arretadas”… por natureza. Eis que, vibro minha leituras de mulher para mulher.

Pergunta básica: Estarmos BELAS hoje, nos faz melhor do que estiveram outras mulheres ontem?

Resposta básica: Vasculhando minha estante, qual para muitos jovens seres possa ser (cringe)… É preciso usar a inteligência mental usando a visada inteligência artificial… ela possui vantagens sobre conhecimentos necessários, a respeito de belas mulheres que nos antecederam.

É  vibrante.

É estimulante.

É essa senhora Marina Colasanti… hoje com 84 primaveras, foi uma das belas dos anos 80. Tendo em conta que sempre… a sua autoestima nos foi presenteada… desde 1968, carregada de nosso tempo vivendis… para o novo modus vivendis, que o “BELAS URBANAS” como outras BELAS, até hoje continuam jogando no campo… saindo da arquibancada que sempre ficou atrás das grades…. das telas de arames (farpados) ora essa!

O sumário desse meu livro 1° EDIÇÃO 1981 –  Livro “MULHER DAQUI PRA FRENTE”, ao ler, vocês ficarão emocioandos… e tem um que nos fala com palavras gritantes…  página 81 – MEU MARIDO NÃO DEIXA!

BELAS URBANAS… e tem outro na página 55 –  que nos mostram o revezamento estrutural que grafita sobre: MULHERES ASSASSINADAS!

Pesquisem sobre essa ardente escritora… que com argumentos fatais (expressão) nos faz pensar que… o tão espevitado e sarcástico cringe da energia, que nos ofertam hoje os roteiros midiáticos sobre palavras…

No fundo do baú, tem muito mais do que grafitam muitas vãs filosofias.

Boa leitura para todos vocês! E também reafirmo com as palavras do meu pai…  Joaninha, um barco só chega no cais, se cuidarmos do remos e não propriamente das remadas. Até (e não é loucura da Joaninha!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza a redor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Vindo de uma família de leitores, cresci com livros em qualquer espaço onde eles coubessem.

Estantes e prateleiras cheias de livros para aumentar e saciar curiosidades.

Mas foi um dia, revirando uma estante na casa da minha avó que eu encontrei o primeiro livro que eu iria ler mais de uma vez.

Nesse dia, jovenzinha eu, apenas 12 ou 13 anos, achei um livro atrás  da coleção de discos de vinil do Beethoven, meu avô amava música clássica.

Meu avô já havia nos deixado, então, nunca tive a chance de perguntar de onde esse livro veio.

O livro se chama Désirée e a escritora se chama Annemarie Selinko. Tinha rabiscos de criança do lado de dentro da capa, um desenho de um gatinho, mas nem minha mãe ou meus tios lembravam de ter visto ou rabiscado esse livro. O livro era uma edição dos anos 50, todo amarelado, cheirava velho e poeira. 

Eu lembro minha avó dizendo que esse livro não era para mim, eu era muito jovem para apreciar o conteúdo. Na verdade, acho que ela disse isso só para fazer meu lado turrão aflorar e teimar em ler o livro. 

Eu já era apaixonada por histórias, sempre fui, desde aquela primeira aula na escola primária.

O livro é grande, centenas de páginas, comecei a ler e me encantei. Me apaixonei pela história, demorou para eu ler. Quando passei da metade do livro, descobri que haviam duas páginas em branco, erro de impressão. 

E agora? Desastre?  Bom, continuei lendo, encantada com a história de amor entrelaçadas com guerras, tristezas e reviravoltas… terminei o livro e aquelas páginas em branco não saíram da minha cabeça, mas como a gente cresce, eu acabei colocando as páginas lá no fundo do baú.

Até que um dia minha mãe me comprou uma versão nova do livro, um presente, eu já tinha mais de 25 anos, as páginas estavam lá…

Não havia como só ler duas páginas, então resolvi ler o livro todo novamente e dessa vez a história foi por inteira.

O livro que eu achei na casa dos meus avós eu acabei perdendo, mas o que minha mãe me deu tem um gatinho na capa do lado de dentro desenhado pelo meu filho.

Ana Carolina Beresford – Bela Urbana, trabalha numa caridade que ajuda pessoas com deficiências físicas e mentais a locomoverem-se, sente muito orgulho do seu trabalho. Adora animais e viajar sempre que pode.

Um livro que me marcou muito, foi o livro Crer ou não crer de Leandro Karnal e Padre Fábio de Melo.

É uma lição de vida, de democracia, de respeito à opinião do próximo. De uma inteligência e sabedoria ímpar, esses dois homens debatem sobre religião, e com suas ideias e pensamentos se entrelaçam numa harmonia que muitos de nós deveríamos, nesta sociedade intransigente e intolerante aprender, refletir e botar em prática.

São nas diferenças que somos todos iguais. Heligare é a palavra de ordem.

Indico a leitura, que te toque como me tocou.

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social, fotógrafa há mais de 25 anos, já clicou muitas personalidades, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. Trabalha com marketing digital e gerencia o coworking Redes. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frente. Uma grande paixão é sua filha

Fiquei alguns dias pensando em qual livro sugerir e resgatar minhas mais profundas lembranças. Depois entendi que, o que quero compartilhar, não é apenas um livro marcante, mas um livro de cabeceira. Foi um presente de uma amiga muito amada, que tem um olhar muito amplo e afetuoso para a vida e amigos. Muitos anos se passaram desde que o li pela primeira vez. Depois foram mais quatro vezes.

Antes de apagar o abajur, se minha mente está tentando apressar meus planos, sempre o resgato, abro em qualquer página, folheio e dali meu coração inquieto se acalma.

Para vivenciar e ampliar a experiência pessoal e as dificuldades em outros âmbitos da vida, a autora usa da Gestalt-terapia, do estilo de vida Zen e índios americanos. Explana com maestria a questão do tempo, do quão somos escravos de nossas mentes apressadas e quantas coisas colocamos à frente de nossos maiores prazeres.

No mundo atual, o mais difícil é ganharmos do tempo que achamos que não temos. Do tempo que fazemos e do que perdemos ao não sabê-lo administrar. Por muitas vezes, colocamos nossos desejos à frente e, ao querer fazer valer somente a nossa vontade e não entender ou compartilhar a do outro, acabamos criando conflitos. Porque acabamos vivendo aquilo que nos ensinaram. É como levar velhos costumes e padrões de nossos pais aos filhos e netos e por aí vai. Parece que virou um costume generalizado os conflitos gerados pelo ego. O ego determina as vivencias diárias do ser humano. Ou seja, te toma O tempo. O ego levanta muros e distâncias.  Não tem como equilibra-lo sem praticar a humildade onde reconhecemos que o outro não tem o mesmo tempo que o seu. E vice-versa. Temos que praticar a nobreza de espírito para o respeito adentrar e o amor também. Mas o que é o amor? Daí fica para outro assunto. Quero isso, aquilo. Tem que ser assim, senão não rola.

A vida real é assim. Mas será que basta conceitos e coisas que nos falaram como a vida deve ser? Claro que não! Não rola mesmo! Somos feitos de saberes, aprendizados e de muitas vivências. Mas não podemos achar que o que temos pra nós são as certezas para o outro de um caminho melhor. Daí a expectativa morre na praia. Ou melhor, no rio!

Reside aqui, nessa pluralidade de vozes, as problematizações conceituais que envolvem presente, passado e futuro. E aí, volto à questão do tempo.

Somos engolidos por ele. Você tem pouco tempo ou a sua vida escorre pelas águas de um rio sem menos aproveitar a paisagem? Em épocas de águas turbulentas, o tempo corre. Porém, se apenas soubermos remar no compasso certo, encontraremos a calmaria em águas cristalinas.

O texto abaixo é um pequeno trecho dessa obra. Tire uns minutos para refletir. É preciso conhecer sua vida. Mas dialogar com ela é essencial. Boa leitura.

Não apresse o Rio, ele corre sozinho, por Barry Stevens.

O rio corre sozinho, vai seguindo seu caminho. 
Não necessita ser empurrado. 
Para um pouquinho no remanso. 
Apressa-se nas cachoeiras.
Desliza de mansinho nas baixadas. 
Precipita-se nas cascatas.
Mas, no meio de tudo isso vai seguindo seu caminho. 
Sabe que há um ponto de chegada. 
Sabe que seu destino é para a frente.
O rio não sabe recuar. 
Seu caminho é seguir em frente.
É vitorioso, abraçando outros rios, vai chegando no mar.
O mar é sua realização.
É chegar ao ponto final.
É ter feito a caminhada.
É ter realizado totalmente seu destino.
A vida da gente deve ser levada do jeito do rio.
Deixar que corra como deve correr.
Sem apressar e sem represar.
Sem ter medo da calmaria e sem evitar as cachoeiras.
Correr do jeito do rio, na liberdade do leito da vida, sabendo que há um ponto de
chegada. 
A vida é como o rio. 
Por que apressar? 
Por que correr se não há necessidade? 
Por que empurrar a vida? 
Por que chegar antes de se partir? 
Toda natureza não tem pressa.
Vai seguindo seu caminho. 
Assim também é a árvore, assim são os animais.
Tudo o que é apressado perde o gosto e o sentido.
A fruta forçada a amadurecer antes do tempo perde o gosto. 
Tudo tem seu ritmo. 
Tudo tem seu tempo. 
E então, por que apressar a vida da gente? 
Desejo ser um rio. 
Livre dos empurrões dos outros e dos meus próprios. 
Livre da poluição alheias e das minhas. 
Rio original, limpo e livre. 
Rio que escolheu seu próprio caminho.
Rio que sabe que tem um ponto de chegada.
Sabe que o tempo não interessa. 
Não interessa ter nascido a mil ou a um quilômetro do mar.
Importante é chegar ao mar.
Importante é dizer “cheguei”.
E porque cheguei, estou realizado. 
A gente deveria dizer: não apresse o rio, ele anda sozinho.
Assim deve-se dizer a si mesmo e aos outros: não apresse a vida, ela anda sozinha
Deixe-a seguir seu caminho normal.
Interessa saber que há um ponto de chegada e saber que se vai chegar lá. 

Barry Stevens

Dani Fantini – Bela Urbana, Relações Públicas de formação. Se jogando na escrita de coração!
Mãe da Marina, filha super companheira! Cuida da casa, trabalha com gente, ama animais, plantas, é cercada de bons amigos e leva a vida com humor! Pode-se dizer que é completa, mesmo faltando algumas peças nesse enorme quebra-cabeças que é viver!


Foto Dani: @solange.portes

Livros… imagine que você está em frente a um lugar desconhecido, a porta se abre lentamente e você vai entrando, com alguma cerimônia, apreciando as primeiras pistas sobre o que virá depois do próximo passo. Esta é a minha sensação ao iniciar uma leitura. É como se eu fosse recebida pelo autor em sua casa, no seu universo e, por um tempo é também a minha casa, o meu pouso…

Assim, a leitura é para mim um lazer e um direito. É por ela que eu me valho das melhores aventuras e viagens internas e distantes e profundas.

Eu poderia falar de muitos livros e de várias guinadas na vida, no pensamento, no meu próprio despertar… mas, tendo que escolher um, vou ser fiel à minha profunda paixão, que fez mudar a maneira de entender a minha humanidade.

Minha professora de Língua Portuguesa do colegial (atual ensino médio) costumava começar suas aulas com um poema ou trecho de livro escrito a giz no canto da lousa. Como era bom saber que a cada aula, haveria também um presente que eu anotava, atentamente, num caderno de poesias, músicas e pensamentos.

Foi desse modo que, pela primeira vez, eu li algo de Clarice Lispector:

“É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo a isto de estado agudo de felicidade. Estou terrivelmente lúcida e parece que alcanço um plano mais alto de humanidade. Ou da desumanidade – o it.”

Eu fui tocada e passei a perseguir a autora. Devorava seus livros, ficava atenta às entrevistas dela nos jornais, me encantava com tudo, mas, esse trecho continuava solto, eu não o encontrava nas leituras e era tão forte em mim – Até hoje, eu o digo, sílaba por sílaba, sem precisar ler.

Um dia, numa visita inusitada à biblioteca da casa da amiga de uma amiga, peguei na estante um livro aleatório. Era de Clarice e eu comecei a ler ali mesmo. Pedi emprestado com a maior cara de pau, pois era a primeira vez que nos víamos; ela, generosamente, concordou que eu levasse o livro, desde que o devolvesse, óbvio.

Me deliciei com cada palavra de Água Viva. Até que na página 55, no meio do parágrafo, encontro aquele trecho que ecoava em mim havia quase três anos. Irretocável. Ainda me emociono e me recordo daquela madrugada.

Lia e relia. Fazia ainda mais sentido e melhor, fazia de mim muito mais próxima de Clarice, porque este livro é uma mistura dela própria com uma história que traz toda dualidade humana, em circulação, pela arte, pela palavra, pela intensidade.

Para mim, o livro mais Clarice de todos é Água Viva.

Não muito tempo depois, eu cheguei à página 97, que é o ponto final dessa obra. Mas, ao amanhecer, fiquei profundamente triste. Eu precisava devolver o livro e não sabia como me separar dele. Tanto tempo para encontrá-lo e tão pouco tempo juntos.

Eu tinha necessidade de reler e grifar e interagir com aquela história para me sentir viva, inteira e lúcida, como a protagonista.

Resolvi esse impasse passional com uma ligação. Encomendei um exemplar para mim e entreguei aquele à dona, sem remorsos.

Reli Água Viva muitas vezes. Há muitos outros trechos lindos e significativos que transformam o olhar e ensinam sobre a beleza submersa em cada um de nós.

“Aquilo que ainda vai ser depois – é agora. Agora é o domínio de agora. E enquanto dura a imprevisão eu nasço.”

Quando Clarice Lispector abre a porta, eu me sinto em casa, de verdade.

(Leiam: Água Viva – Clarice Lispector – minha edição é 9ª. da Editora Nova Fronteira).

Dany Cais – Bela Urbana, fonoaudióloga por formação, comunicóloga por vocação e gentóloga por paixão. Colecionadora de histórias, experimenta a vida cultivando hábitos simples, flores e amigos. Iinstagram @daniela.cais