Não entendia o que estava errado, mas sentia que algo em alguns momentos não ia bem.

Digo alguns momentos, porque em outros tudo ia muito bem. Começou a debochar de amigos meus que não conhecia. Comecei a me afastar sem eu mesma perceber.

Certa vez, uma grande amiga minha que não mora na minha cidade, combinou que queria me ver. Marcamos um almoço, ela foi com seu marido e eu com ele. Depois que nos despedimos começou a dizer que já a conhecia de outros tempos, dando a entender que rolou algo com ela no passado. Nitidamente querendo me deixar insegura, mas eu não caí na armadilha, porque conhecia muito essa amiga e seus namorados desde a adolescencia.

Porém, caí em outras ciladas que me desestabilizavam, com outras histórias de mulheres, comecei a desejar até mal para essas pessoas que fizeram parte da vida dele no passado que eu nem conhecia. Uma loucura? Totalmente.

Um dia estava na recepção de um consultório e peguei uma revista, comecei a ler uma matéria sobre Relacionamentos Tóxicos, eram cinco depoimentos de pessoas que viveram isso em situações diferentes, lembro de um caso de uma mãe e filha que achei muito triste, mas todos traziam situações e sensações parecidas com o que eu estava vivendo.

Como a revista era um pouco antiga…. levei a revista embora… não sou de fazer isso, mas eu precisava ficar com aquilo perto de mim, para reler e pensar sobre tudo aquilo. Consegui fazer tudo mudar, mas não foi imediato. Nem sempre conseguimos ser tão racionais e rápidos quanto deveríamos.

Coloquei limites. Seguimos…

MULHER – Bela urbana, 40 anos mais, não quis ser identificada
SOS – ligue 180

Segui tentando ser boa o suficiente pra ele! Perdi o emprego, neguei outra proposta! Nesse momento eu acreditava fixamente que o que eu conquistei até ali, não prestava! Ele tinha planos incríveis de vida! Falava em vivermos com menos, com bem menos! Mesmo ele usando do meu dinheiro para ter do bom e do melhor! Mas o tempo inteiro me fazia acreditar que não percebia suas próprias ações! Afinal ele um ser de luz, não tinha apego ao dinheiro! Não tinha conta em banco!

Finalmente me chamou para estar entre os amigos dele, um chá de panela! Fomos juntos comprar o presente! Chegando na loja ele escolheu o presente e inclusive alguns itens para minha casa! E adivinha quem pagou a conta? Eu! Aquilo me deixava péssima, porém não foram poucas as vezes que eu lutei comigo mesma e com o coração dilacerado o questionei! E obviamente o fim era sempre eu implorando desculpa por pensar qualquer coisa ruim dele! Um homem tão iluminado, espiritualizado! Sim! Ele se dizia médium, espiritualizado! E muitas das vezes que eu confrontava as ações dele comigo, ele dizia ter uma mulher em espírito, de outras vidas, que por relações mal resolvidas, atrapalhava as relações dele!

Parece mentira! Parece loucura!
Mas era ele manipulando mesmo! Com maestria! Fazia cenas e cenas, me induzindo a acreditar que atos dela(?) o deixava mal! E que era ela que agia para que nossa relação fosse do céu ao inferno!

Falava de suas ex namoradas, tentando de todas as formas me deixar insegura em relação a elas! Provocava situações onde ele entrava em contato com elas, e ao obter resposta, agia como se elas estivessem atrás dele!

Nesse momento eu já estava tão absurdamente vulnerável, e me sentindo tão absurdamente pequena, que não conseguir lidar com as minhas dúvidas! A única certeza que eu tinha é que ele era muito bom, e eu muito péssima!

Comecei a acreditar que a minha vida não valia praticamente nada!
Então, por várias vezes pensei em dar um fim! Ele quando percebeu toda essa minha vulnerabilidade teve a incrível ideia de colocar um documentário para eu assistir, sobre suicídios! Sim, ele sabia o que estava fazendo!
Fiquei mal por dias!

Nesse meio tempo por vezes ele terminava, e quando percebia que eu estava conseguindo seguir em frente, vinha e puxava o tapete novamente!

Era um ciclo sem fim! E quando numa dessas vezes eu estava quase aceitando uma proposta de emprego na minha cidade, então ele veio com muito amor e muitos planos! Me pediu em casamento! Emocionado me disse que queria seguir juntos e construir uma vida! Eu não consegui recusar! Quando poucas pessoas me falavam que era melhor não, ele fazia coisas e me deixava contra todos que davam essa negativa!

Então fui e embarquei nesse pesadelo!

Carol Oliveira – Bela Urbana, chef de cozinha, mãe de 3 filhos. Adoro escrever sobre o dia dia real. Inspirada pelas fotos do meu marido… Sigo tentando ver poesia e arte nesse momento de tanta angustia e medos!

Foto Ricardo Lima

Dizem que sou a deusa da beleza, pois tenho garra e firmeza!

Dizem que sou  musa inspiradora, pois também sou conquistadora e co-criadora!

Dizem que sou Rainha, porque tenho qualidades que são só minhas!

Meu nome é MULHER! Sou ousada e atrevida;

 me abro para as infinitas possibilidades. E trago à terra- Vida!

Gero em meu ventre a semente masculina que pode originar: João ou Valentina.

Uso minha criatividade para solucionar problemas ou criar maiores e melhores oportunidades!

Para alguns sou uma bruxa, para outros: fada!

Uns me pintam como santa, outros me chamam de safada.

E sou tudo isto e muito mais

Meu universo é pleno, ilimitado e revela que eu sou capaz!

Sou feita de Amor, Bravura, Coragem , Sagacidade, Ternura;

Força, Vontade, Criatividade e cumplicidade e  por que não também

Um pouco de loucura.

Meu nome é MULHER e não lhe dou permissão para fazer comigo o que bem quer.

Minha alma feminina lhe fascina!  Por que?

SOU DONA DA MINHA PRÓPRIA SINA!

Luciani Brazolim – Bela Urbana, Assistente Social, Contadora de Histórias – Pós graduada pela UNIVIDA, terapeuta de Barras de Access, Facelift, Reiki, MTVSS, com certificado Internacional. Ama a natureza, curte sua beleza e  vive na certeza de que cada ser que vive e respira na terra merece  apreço, respeito e consideração. Escritora por vocação /intuição e o que mais é possível?

Sempre é para ela. E creio que será assim “até que a morte nos separe” e cá entre nós, espero que esse dia demore muito. Sabe paixão? Pois é, dizem que a paixão acaba logo e depois, aí sim, vem o verdadeiro amor, mas no meu caso, sinto que essa paixão vai longe. Não é que já não haja amor – sim, existe muito amor há tempos, mas com ela, eu vivo as loucuras de um eterno apaixonado. Seja pelo jeito cativante dela, seja pela sua alegria, sua espontaneidade e porque não, pelos seus beijos carinhosos.  Por ela, eu literalmente perco a razão, abro mão de dormir mais cedo, faço coisas que não gosto e outras tantas que adoro fazer só ao lado dela. Ela rouba o meu estoque de beijos. Ela me faz ter vontade de beijar, até porque, as amarguras da vida, vão lentamente, nos fazendo beijar cada vez menos – ainda bem que ela está aqui pra me ajudar a trazer à tona o melhor de mim. Obrigado filha. O próximo beijo sempre é, e sempre será pra você. “Beija eu.”

Vinícius Eugenio – Belo Urbano46 anos, publicitário, redator, atua com criação há mais de 25 anos, mas sem dúvida, a sua melhor criação, feita em dupla com a Leila, foi a Valentina. Espirituoso, prático e pragmático, gosta tudo de preto no branco, até por isso, é corintiano razoavelmente apaixonado. Saudosista confesso, colecionador de objetos antigos e admirador nato de Fuscas antigos. 

Não, este texto nada tem a ver com a história original de Lewis Carroll ou com o filme que ela originou. Neste caso, Alice sou eu, é você, somos todas nós, mulheres modernas e sonhadoras que tentam enlouquecidamente sair do País das Maravilhas e voltar para a tão almejada liberdade.

Liberdade? Cortem a cabeça de quem sonhou… De quem deu uma de chapeleiro maluco e que em um delírio alucinante ousou quebrar os padrões durante um chá das cinco…

Como Alice pensa em desafiar a Rainha Vermelha, suas ordens e seu reino? Como tenta fugir da estética perfeita, do amor de conto de fadas, do sucesso profissional? Cortem-lhe a cabeça!

E no tique taque alucinado do relógio do coelho branco, que teima em estar atrasado, a Alice moderna corre, sofre de crise de ansiedade, stress e perde a calma. Opa, alguém chama a lagarta que com sua sapiência e seu narguilê tranquilizante pode ter a resposta mais astuta por meio de suas charadas… ou não… eita paisinho confuso esse.

Alice dorme menina, acorda mulher… Seguindo as maluquices de um mundo moderno, que não começa com o cair na toca do coelho, comer bolos mágicos para aumentar ou diminuir de tamanho. Por mais que a vida às vezes careça dessa magia para nos adaptarmos na sociedade e nas loucuras do dia-a-dia.

Quem nunca se sentiu fora dos padrões da “normalidade”, como se tivesse crescido exageradamente de tamanho ou precisasse diminuir radicalmente para passar pela porta e seguir o curso da vida? Só não pode errar na medida, senão… Cortem-lhe a cabeça…. A insanidade desse meu país, dessa minha visão através do espelho, é tanta que busco insistentemente o sorriso do gato sem corpo que aparece do nada para me fazer graça, rodopiando a cabeça no ar.

Alice quer tanto a liberdade, a leveza da borboleta, a risada desmantelada do Chapeleiro, a graça das flores que falam, que pinta a si mesma e a esse País das Maravilhas como se fosse um retrato. Uma mistura frenética de tintas e sua imagem assim se reflete: em uma projeção de história infantil que em que por um breve momento a mágica se faz e em que se é feliz completamente… por um breve momento… como num sonho… como numa viagem…

De repente, a efemeridade do conto aparece e a tinta do quadro vira um borrão no espelho… esse é o reflexo da alma de Alice… uma mistura densa, complexa de cores e texturas… de repente… antes do grito final de “cortem-lhe a cabeça”, Alice perdeu o chão, perdeu a mão, perdeu o traço, perdeu os laços e o caminho de volta para casa.

Alice quer voar nesse mundo entre o real e o fantástico. Mas como sair da gaiola mesmo que a porta esteja aberta? Alice quer voltar para casa, mas sua casa se tornou aquele País das Maravilhas que ela criou para se satisfazer, momentaneamente. É tudo urgente, tudo para ontem, está sempre tarde. Tique taque, corre o coelho atrasado… Tique taque, Alice o segue. Tique e taque, marcham apressados os guardas cartas de baralho… É tanta insanidade, que tudo roda, nauseia, dá vertigem. Viva o complexo de Alice que eu inventei, viva o País das Maravilhas que eu criei e desejei.

Como diria uma grande amiga e voz da consciência: “Menos, menina. Bem menos. Limpe o espelho e encare-se. Quando você não intervir mais na imagem e na paisagem refletidas, você saberá o real significado de ser livre”. Seria a lagarta falando comigo?

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Uma vez eu vomitei um mundo. O mundo era meu e de mais ninguém. Eu que o fiz e não tinha vergonha. Do fundo de meu amago, a minha garganta, minha boca e então posto para fora. E que sujeira esse mundo fez. Ele fedia. Ele era estranho. Ele era feito de mim e por mim, a minha imagem e semelhança. Assim como eu era feito dele. Olhei para baixo e vi meu mundo se espalhando pelo azulejo do chão do banheiro. Era tão lindo e tão meu. Quantos podem dizer o mesmo de seus mundos? Eu o olhava e o invejava pois meu mundo era o que eu não conseguia ser. Livre. Pois enquanto meu mundo estava ali, se espalhando e se misturando ao pano de chão e as frestas entre o chão, eu estava preso ao que eu era e a o que eu havia feito para minha vida. Eu que construí essa prisão particular em que estava preso. Mas quantos de nós não fazem ou não fizeram o mesmo em suas vidas? Eu olhei para meu mundo e imaginei o que eles pensavam sobre mim. Será que no meu mundo haviam “Eles” há quem pudessem pensar? Ou meu mundo era vazio? Será que no meu mundo eles pensavam em mim? Será que sabiam da onde vinham? As vezes podiam não fazer ideia de que o mundo deles iria acabar em instantes indo pelo ralo. Eu não tapei o ralo. Será que sequer chegaram a pensar que toda sua existência nada mais era do que o resto que meu corpo não quis mais? Ou seriam como nós, arrogantes como somos de que tudo o que existe é por nós e para nós? Senti raiva de meu mundo. Quem eram eles para se achar tão bons ao ponto de se achar melhor que eu!? Desgraçados! Eu gritei e joguei água e limpei tudo! O mundo deles acabou. Se não era mais meu mundo ao sair de mim, não seria de mais ninguém! Mas será que eu havia sido injusto com eles? Será que eles não mereciam uma segunda chance? Talvez. Melhor pensar melhor na próxima. Irei vomitar outro mundo amanhã e colocarei eles em um balde dessa vez. E se o mundo for pelo ralo dessa vez, será culpa deles e não minha.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

 

 

As vezes é melhor calar. Calar quando se quer gritar. Gritar só pra fazer barulho. Barulho que não sai da cabeça. Cabeça cheia de pensamentos. Pensamentos sobre tudo. Tudo que existe. Existe hoje no mundo real e no imaginário. Imaginário que cutuca e você não sabe se tem sentido ou não. Não, por favor, não. Não, isso enlouquece. Calar, gritar, barulho, cabeça, pensamentos, tudo, existe, imaginário, não. NÃO.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

FOTO – @gilguzzo

 

shutterstock_101007865

Previdente…. até onde é normal, e qual o limite da loucura?

Acho que cada um se previne com o que mais pode sentir falta, mas papel higiênico é coisa que tá no número um da lista né!?

Depois eu penso em alimento. Não posso imaginar faltar leite pela manhã, e se não tem leite integral, qual a loucura de previdência? É ter leite em pó!!! Afinal dura muito tempo e resolve uma emergência.

Enfim nada como uma loucura pra gente ver que não existe o “normal”.

jeff

Jeff Keese – Belo Urbano, é arquiteto, produtor de exposições de arte, e durante 7 anos foi consultor do mapa das artes de São Paulo. O Kiabo é um personagem que criou na adolescência para dar conselhos para as mulheres, por isso os conselhos do Kiabo estão sendo divulgados no Belas Urbanas.