Esperam de nós grandes atos, passeatas
Para lançarem seus cães de aluguel
Mas estaremos nas casas, falando, debatendo
Apoiando e resistindo, à espera da hora certa.

Esperam de nós como nos tempos passados,
Mas sabemos: hoje é diferente, somos novos!
Se aproveitam que tudo está nas redes, virtual e publica.
Estaremos no particular de cada um, de um em um, coordenados.

Novas atitudes teremos, sem que possam controlar.

Esperam de nós raiva, fúria e caras pintadas, fechadas.
Não seremos alvos de tiros, da borracha no olho, ódio no coração.
Ninguém soltará a mão de ninguém, e todos dançaremos
A mais bela canção da liberdade. Nisso hino.

Somos todos necessários, do mais brando ao mais radical.
Inspirados e inspirando, honrando cada qual sua função.

Seremos o melhor da alma humana, no Mundo, no Brasil.
Seremos para além de resistentes, motores inspiradores.

Pois inspirar arrasta mais que convencer.

Inspirar é ser o que a nação precisa, anseia.
E não apenas discurso, curtida e postagem.
Inspirar é luta ganha. Inspire, transpire.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

 

 

Na ladeira, lá no morro
a lavadeira carrega o balde.
E, na descida ou subida, que não falte
mão de obra a servir.

Que importa se à porta
há tanto serviço assim?

Só não pode construir um futuro de verdade.

O sol que arde,
queimando a pele.
O ferro esquenta
e o suor desce
Mas em pé, ela luta
e, na labuta, não esmorece.

Faz uma prece,
pedindo aos anjos
que a protejam
nesse trabalho sem fim.

E sobe morro…
E desce morro…
Carrega o fardo
que é tão árduo

Para a mulher que não se entrega,
Para ela, não há regra
nem mistério que a desacate.
E o cão que late,
tentando detê-la,
quando desce a ladeira.

Mas lá está ela,
acendendo a vela,
rezando para os santos,
pedindo forças,
acalentando seus filhos,
mantendo-se firme.

Ela…um ser de fibra
que, talvez, viva todos os seus dias,
fazendo o mesmo até o fim.

O importante é que crê
em um novo alvorecer
de outra vida
de outra forma
de outro tempo
de outra magia,
mas de compreensão…
um outro mundo
longe da dor, com certeza,
um mundo de amor!

Solange Cristina Marchioni – Bela Urbana, especialista em língua portuguesa, neurolinguista, revisora, musicista e poetisa. Entende que a vida é desafiadora e surpreendente… que a dor vem de cenas urbanas tristes, como moradores de rua, crianças e animais abandonados. Acredita que a esperança e o amor vêm junto para resgatar tanta dor. A poesia fala por ela e fica muito feliz se, com os poemas, puder tocar os corações endurecidos.

Poesia do livro: Prosas, Sonhos e Rosas

Eu estou tentando, eu juro que estou. Não tentando ser feliz ou rico. Isso é bobagem, nunca dará certo, e se der, não é da forma que achamos que deveria ter sido. Felicidade não é algo que se procura, pois quem a procura nunca acha. Pois ao procurar muito e com tanto afinco, acabamos por nos esquecer como sermos simplesmente felizes. O dinheiro por outro lado é só uma questão de tentar ao máximo e ter as oportunidades certas. Mas quem dirá que é assim tão fácil ter essas ditas oportunidades? E quem será esse que conseguirá impor tanto esforço e dedicação em algo que muito colocam imenso esforço e dedicação e mesmo assim não conseguem.
Não podemos nos sentir lindos e especiais, pois somos todos a nossos modos, iguais! Quem sois vós para conseguir aquilo que todos buscam tão desesperadamente ter? Dinheiro e felicidade, por certo. Todos querem, todos tentam e falham. Então por quê tentar? Tentar pois queremos? Non-sense! Tentamos pois devemos. Tentamos, pois se falharmos sabemos o que vêm. E a sombra de nosso sono continua a nos perseguir…

Pra que lutar? Lutar pelo medo sonso de se errar. Não é a vitória que você almeja. É a derrota que você evita.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

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Março é o mês da mulher!

Não bastasse ter o Dia Internacional da Mulher no dia 8, o mês inteiro acabou virando uma homenagem a ela.

Mas o que estamos comemorando exatamente?

Pois bem, vivemos numa sociedade de extremos, onde o radicalismo é necessário embora tire a paciência de muitos. O politicamente correto faz com que se pise em ovos em muitas situações e, dizem muitos, não se pode mais brincar.

Na verdade, para uma nova geração, criada por mães e pais com uma visão mais esclarecida, pode parecer besteira que mulheres ainda gritem por direitos iguais, mas vivemos em uma sociedade machista, onde ainda é comum referir-se a uma mulher como má condutora, incapaz em várias situações ou, até mesmo com assombro, quando ela se destaca em alguma área. Embora ela divida a manutenção da economia doméstica, é dela que se cobra a criação dos filhos e o cuidado com o lar. Ela se cobra! Se um filho tiver dor de ouvido, ela falta do trabalho para levá-lo ao médico, na maioria dos casos.

Ela vai à luta, mesmo tendo que contar com um salário menor, estando em uma mesma posição de trabalho que seu colega homem. Ela se sujeita a um ambiente de trabalho ou  transporte público onde, muitas vezes, é assediada, por ser gostosa ou por ser baranga. Ela caminha pelas ruas de antena ligada, sempre atenta ao que pode aparecer. Em alguns países, a mulher ainda é submetida à mutilação vaginal, em outros, ela é proibida de estudar. Parece que a mulher esclarecida e que sente prazer oferece grande ameaça ao Status Quo machista.

Antes de nós, nossas ancestrais começaram uma luta. Já queimaram sutiãs e praça pública, já saíram às ruas sem roupa ou com roupas que chamassem a atenção… Mas a grande maioria de nós trava uma luta silenciosa e diária.

A nossa homenagem é para essa luta de um mundo mais justo e uma vida digna, algo que beneficiará a todos!

Em março, Belas trará relatos, artigos, textos sobre o universo feminino e feminista, até para desmistificar o tal feminismo. Falaremos sobre hormônios e eventos. Discutiremos opiniões e fiu-fius.

Convidamos você a ler, participar e opinar sobre as postagens!

E esperamos que você goste!

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

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As palavras não são antagônicas. São, uma e outra, qualidades de gênero, tão em moda nos dias de hoje.

A  Constituição Federal anterior à de 1988, dispunha, em seu artigo 5º, que “Todos são iguais perante a lei.” Mas isto não foi suficiente para que as mulheres tivessem identidade de tratamento com relação aos homens. O legislador constituinte de 1988, reconhecendo a falha, consertou e dispôs, no artigo 5º, que: “homens e mulheres são iguais perante a lei”.

Mudou muita coisa, mas não tudo.  Até hoje vemos discriminação ao gênero feminino, pois continuam as mulheres a receber salários inferiores aos dos homens, embora com a mesma capacitação técnica e cultural, além de outras coisas, tão desgastantes, como por exemplo, a constatação de que realizam poucos cargos de chefia, pouca participação em partidos políticos, pouca participação nas assembleias legislativas, no congresso nacional, na sociedade como um todo…

Tudo isso gerou, como era de se esperar, a formação de grupos de mulheres, especialmente nos Estados Unidos, e logo mais no mundo todo, pretendendo a igualdade de tratamento e a exacerbação destes movimentos é conhecido como movimento  feminista. Não precisamos voltar à história, para lembrarmo-nos das grandes mobilizações da década de 1960, quando eclodiu o movimento. Mas a diferença de tratamento no estrato social é mundial, e nos lembramos até de uma das atrizes ganhadoras do Oscar, que no momento dos agradecimentos, pontuou pela igualdade de salários entre atrizes e atores. Até estrelas de cinema, como se viu, sentem a discriminação.

Continua, então, a luta pela igualdade.

Estas constatações levam a outra reflexão, que encaminharam as mulheres discriminadas, a buscar seus espaços no ambiente social e do trabalho, aguerridamente, a posturas mais agressivas, que as reconhecessem melhores que os homens  no mesmo local de trabalho. Até sem se darem conta, assumiram posturas mais radicais, que diminuíram a feminilidade, a doçura e a meiguice, próprias do gênero. Foram buscar, por melhores salários, profissões que antes eram exclusivamente masculinas, como medicina, engenharia, magistratura, e outras profissões, geralmente no serviço público, exceto a do magistério, que é desdenhada pelas autoridades, sempre com baixíssimos salários.

Hoje vemos mulheres como taxistas,  motoristas de ônibus, pilotos de aeronaves, astronautas, com idênticas condições de trabalho dos homens.

Na indústria, principalmente as que se dedicam à aplicação da nanotecnologia, as mãos femininas, por serem mais   e precisas, têm a preferência na contratação. Na publicidade e marketing, a sensibilidade feminina tem dado excelentes frutos e bem assim, na pesquisa em biomedicina, no jornalismo.   No comércio estão elas dando show, no poder  de persuasão, como vendedoras, chefes de vendas, proprietárias de lojas, e já sem perderem a feminilidade.

Já há luz no fundo do túnel, mas a luta continua e a peleja não está ganha. A busca constante pela competência, expertise, dedicação e talento vão fazer a diferença!

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Marilda Izique Chebabi – Desembargadora Federal do Trabalho, aposentada, e há 15 anos advogando. Ministrou aulas de Direito e Processo do Trabalho,   na Unip, e na pós graduação em Direito Empresarial,  da Unisal. Foi docente da Escola Superior da Magistratura do Trabalho. Participou de dezenas de Congressos de Direito do Trabalho, como palestrante e mediadora. Participou de várias bancas de concurso público para a Magistratura do Trabalho e ainda mãe de 04 filhos homens.