Quem foi que disse que homem não chora?

Muitos vão afirmar que homens não podem expor suas emoções em qualquer lugar, a qualquer hora. Estritamente reservadas para momentos de intimidade, as emoções masculinas devem ser moduladas em tom muito especial lá onde as normas sociais não alcançam nem censuram.

Eu sempre ouvi que homem não deveria chorar. Chorar é coisa de mulherzinha. Quando nós homens sentimos que lágrimas vão rolar ainda é indicado engolir o choro, respirar e fingir que somos fortes. Nada de exposição nem manifestações públicas de fragilidade.

Essa interdição ao choro masculino é só mais uma imposição ao comportamento para a autoafirmação masculina. Além disso, uma longa lista de estereótipos que, mesmo com o passar do tempo, continua fazendo parte de um manual de etiqueta dos que se entendem homens. Aí vão alguns exemplos:

– homem deve interessar-se por mulheres;

– provedor do sustento da família;

– homem detesta cor-de-rosa;

– lugar de homem é na churrasqueira;

– homem gosta de carro;

– abre vidro de azeitona;

– homem entende de economia;

– política é coisa de homem;

– homem se reúne com outros homens uma vez por semana;

– homem não vai ao ballet;

– homem quando vai pra cozinha é pra ser chef gourmet

Etecetera, etecetera. Uma parafernália de asserções imperativas numa lógica de “dever ser” que pauta a formação do caráter das criaturas concebidas com cromossomos XY, para o exercício da virilidade e que inclui gerações e gerações nascidas ao longo dos séculos. O homem é, também, o principal herdeiro da cultura patriarcal que oprime mulheres, tem benefícios, liberdades e privilégios que vão desde a circulação urbana até vantagens salariais na grande maioria dos cargos que ocupam – que chega, no Brasil, a 53%.

Tudo isso já deveria ter sido superado. Pelo menos nessa reflexão sobre o assunto eu gostaria que já estivesse resolvido, assim como isso de homem não chorar já deveria ser uma construção ultrapassada. Hoje quando leio a frase “homem não chora”, fico pensando que ouvia isso quando era criança e que acho que não tem mais sentido pensar desse jeito.

Dá pra pensar: homem chora. Nem que seja internamente, nem que seja demonstrando uma agressividade derivada do medo de não satisfazer suas expectativas. Nos dias que correm é mais do que permitido aos homens expressar emoções por meio do choro. Independentemente de ser homem ou mulher, forte ou fraco.

Eu chorei quando nasci. eu sempre chorei, às vezes no canto do quarto trancado. Às vezes no trânsito. Outras vezes, em público. Recentemente fiquei sabendo que meu avô era um chorão também. Chorava em casamento; chorava quando encontrava a parentela ou quando passava por dificuldades financeiras, também. Não lembro de ter visto meu pai chorar. Suas afeições se manifestavam de outros modos.

Todas as emoções estão em nossa inteligência, mas, cuidado!  A caretice está sempre à espreita. Uma sensação reprimida na cabeça é um veneno que pode entoxicar mentalidades. Unir o útil e o indispensável: fazer afeto virar dia a dia. A solidão, o sexo, a morte são temas eternos; são jogos de espelhos. É um caminho sem volta. Chorar nos curar, nos abre os olhos, liga os nossos ouvidos. Mas, além de tudo isso é dever do homem desconstruir-se.

João André Brito Garboggini – Belo Urbano. É publicitário, ator e diretor teatral e tem três filhos.

O homem é apenas o perpetrador voluntário de inúmeros abusos e estupros, mas a nossa sociedade como um todo, é estupradora!

Com o mais recente caso de estupro de repercussão nacional, o do ex-anestesista que dopava e estuprava mulheres no momento do parto, não pude deixar de pensar nessa rede de proteção que os homens tem, para se sentirem a vontade para cometer esse tipo de atrocidade.

O criminoso contava com a leniência de seus pares, suposta falta de provas, o acobertamento por parte do hospital e a intimidação a quem ameaçasse denunciá-lo, e após a repercussão, com um sistema judiciário que protege os homens quando se trata de crimes contra as mulheres.

Não fosse um grupo de enfermeiras (que a sociedade chamaria de histéricas!) ele seguiria cometendo seus crimes como se aquele comportamento fosse natural.

E assim, está provado mais uma vez que as mulheres nunca estão a salvo, nem mesmo em ambientes em que deveriam estar seguras, rodeadas de profissionais que estão ali para garantir sua saúde. Porque em pleno 2022, vivemos numa sociedade estupradora!

Estamos falando de uma sociedade que ainda enxerga o homem como superior pela força física (claro, ainda estamos nos tempos das cavernas, isso é muito importante) e que assim pode subjugar os ‘inferiores’, entre eles as mulheres. E ainda o enxerga assim, porque vivemos um cenário político advindo de um cenário religioso que está há milênios confirmando essa superioridade.

A mulher é um ser inferior, sujeita a ser posse do homem, ou seja, o homem estupra porque ele tem ‘direito’ a que essa mulher satisfaça seus desejos. Um homem que abusa, estupra, mantém em cárcere privado e mata, muitas vezes nem tem noção de que está errado, de que está cometendo um crime. Estamos falando de homens que não tiveram qualquer acesso à educação familiar, muito menos formal.

Mas quando nos deparamos com um estuprador com nível superior da área da saúde, que tem por profissão o cuidado com seu semelhante, a revolta é muito maior. Não tem a justificativa da ignorância! 

Mas voltando ao título, quem são afinal os estupradores dessa nossa sociedade? Obviamente os homens! Mas por todos os motivos citados acima, as mulheres são estupradas diariamente por:

  • Juízes e advogados, que fazem de tudo para denegrir a imagem da vítima culpando-a (ela pediu, ela mereceu), para acobertar e obter o perdão aos seus clientes.
  • Policiais e delegacias totalmente despreparados para lidar com casos de violência contra a mulher de modo geral, desestimulando que ela denuncie e dê andamento às denúncias, porque elas serão achincalhadas no processo.
  • Médicos, além dos que cometem o ato em si, que tratam as mulheres como seres ‘histéricos’, cheias de problemas pelo simples fato de serem mulheres, que não as orientam em relação ao seu corpo, e quando se deparam com casos de estupro minimizam e a culpabilizam. Exceto quando resulta em gravidez, aí elas entram na categoria da santidade da maternidade e são obrigadas a amar aquela consequência (mas isso é assunto de outro artigo).
  • Administrações hospitalares que abafam os casos (acredite, tem muito assédio sexual e estupros dentro dos hospitais) para defender a boa imagem de suas instituições, às custas de enfermeiras e pacientes abusadas e trabalhando no seu limite.
  • Escolas que não educam para a igualdade, que não orientam meninas (e meninos também, porque não?) a não se calarem diante de abusos, que acobertam os abusadores para proteger o bom nome de suas instituições.
  • Empresas, que também acobertam casos de assédio, abuso e até de estupros, para proteger seus executivos, pois o principal é o resultado que ele gera, não importa quantas vítimas deixe pelo caminho. Também vimos um caso recentemente. Cada assédio não punido é um estupro potencial.

Preciso falar da igreja? Acho que esse assunto já se esgotou, mas houve (talvez ainda haja) uma cultura de estupro de crianças por décadas, também devidamente acobertada pela santa instituição.

Igreja essa, significativamente responsável pela sociedade ocidental cristã como a conhecemos, e infelizmente entremeada às instituições políticas, criando uma rede poderosa de proteção ao ser superior, o homem. Doutrinando inclusive mulheres para serem submissas e criarem seus filhos para serem superiores, e suas filhas para serem servientes. Quantas mulheres não acobertam seus filhos estupradores, quantas irmãs não protegem seus irmãos estupradores?

Muitos estudos já foram feitos, mas ter que conviver com esses comportamentos pré-históricos em pleno 2022 é que coloca em dúvida a evolução da humanidade e sua real capacidade de raciocínio, que afinal é o que nos diferencia das outras espécies.

Resumindo, não evoluímos em nada, e ainda institucionalizamos os piores comportamentos pré-históricos.

Quando iremos evoluir de fato?

Tove Dahlström – Bela Urbana, mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

 

Sou uma acumuladora de livros, não tenho coragem de descartá-los. Enquanto tenho espaço suficiente vou juntando. Impossível me separar dos romances, biografias e livros sobre viagens. São eternos.

Coleções povoam minha casa, moram comigo Jorge Amado, José de Alencar, Machado, Zélia Gatai, Érico Veríssimo e muitos estrangeiros, Eça de Queiroz, Milan Kundera, Susanna Tamaro, e muito mais gente vivendo em cada obra. Alguns foram emprestados ou doados a parentes, alunos e amigos, não sei se os terei de volta. Não importa. Eles estão lá com alguém que eu gosto e cuida bem deles (assim espero).

O maior consumidor de meus livros é “O menino que rouba livros”, meu irmão, ratão de sebo. Ele adora vir aqui mexer nas estantes e levar alguns de quando em vez. Eu sempre lhe digo: – são nossos, pode levar. Gostamos de ler e sentir o livro. Nosso pai foi o culpado por esse ótimo vício.

Agora, confesso, foi difícil escolher o mais marcante da minha vida. Todos, na verdade, indicaram algum percurso, mostraram exemplos a seguir ou a evitar. Eu tenho em mim um pouco de cada obra.

Custou decidir, mas escolhi: “O tempo e o vento”.

Não quero me alongar, comento apenas a primeira parte, minha preferida, o início da saga da família Terra-Cambará. História tão forte e impressionante que já se tornou minissérie e filme.

As descrições de Bibiana, além do filme “A Missão”, despertaram o desejo de conhecer aquelas paragens. Efetivamente, conduziu-me a viagens imaginárias e, depois, a conhecer o território das Missões.

As personagens femininas: Ana e Bibiana Terra são mulheres exemplares. Talvez algumas das que me levaram a analisar personagens femininos na minha carreira de pesquisadora e motivação para eu ser uma “feminista feminina”. Sempre me identifiquei com mulheres corajosas e arrojadas em seu tempo. Muito cedo questionava sobre como seria minha vida, tendo visto, com desagrado, exemplos familiares de mulheres submissas. Eu rompi com o padrão “mulher margarina”.

Justamente, “O Continente” mostra a coragem e a determinação dessas duas mulheres muito importantes na construção da cultura sulista do Brasil. São heroínas, sobretudo, porque não se entregaram às adversidades de seu tempo rude e machista.

Acho estupenda a forma da obra. Veríssimo intercala períodos sem obviedade cronológica. Como num quebra cabeça literário, desafia o leitor a um exercício mental, criando o clima e transportando numa viagem à região do Minuano, o vento gelado. Cria tensão em lugares e situações tenebrosas, sempre ligando os personagens com o tempo e a dureza dos extremos climáticos dos pampas dos Terra.

Flailda Brito Garboggini – Bela Urbana aquariana. Formação e magistério em marketing e publicidade na PUC-Campinas. Doutora em comunicação e semiótica. Dois filhos e quatro netos. Hobbies: música, leitura e cinema. Paulistana por nascimento, campineira de coração.

Muitas guerras começam por erros de comunicação. Fala-se uma coisa, mas o interlocutor entende outra e a guerra começa, mas em muitos casos por não saber o real significado das palavras.

A palavra feminismo causa isso, já senti muita vergonha alheia por várias pessoas aparentemente informadas e com boa cultura se posicionarem falando as maiores besteiras em relação ao significado.

Também já fui aconselhada a não me posicionar como feminista porque isso poderia atrapalhar meus projetos com boicote de clientes e anunciantes. Seria engraçado se fosse uma piada, mas isso é real, é o reflexo da falta de saber o sentido da palavra e por isso de uma mediocridade gigante. Toda vez que acontece isso, eu respiro fundo e explico, a maioria entende, se liberta do preconceito e muitos dizem “sou feminista”.

Então, vou fazer o mesmo aqui e explicar. Deixo claro que sou feminista sim e espero que você leitor(a) também seja, ou pelo menos passe a ser após entender a definição correta caso ainda não saiba. Homens podem ser feministas? Sim, porque ser feminista é algo independente do seu gênero, é uma causa que você abraça.

Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos  e condições entre mulheres e homens, e luta contra a violência de gênero. Surgiu após a Revolução Francesa  que tinha como lema a “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”, se fortaleceu na Inglaterra, durante o século XIX, e depois nos Estados Unidos, no começo do século XX.

Já a definição de machismo no dicionário é: opinião ou atitudes que discriminam ou recusam a ideia de igualdade dos direitos entre homens e mulheres. Característica, comportamento ou particularidade de macho; macheza. Demonstração exagerada de valentia. Excesso de orgulho do masculino; expressão intensa de virilidade; macheza.

A realidade é que uma pessoa machista (uma mulher também pode ser machista), é uma opressora que acredita que a mulher não deve ter os mesmos direitos de um homem ou ainda enxerga a mulher de forma inferior em diversos aspectos, ou seja, é um preconceito. O homem domina e a mulher é dominada.

Existe também o femismo, que poucos conhecem e por isso a confusão com a palavra feminismo. O femismo nada mais é do que o contrário do machismo. O femismo prega a superioridade da mulher sobre os homem. Pessoas femistas tem geralmente atitudes agressivas em relação aos homens, com constantes comentários que os desavorizam ou humilham. É preconceito também.

Bom, meu caro leitor, eu luto contra o machismo no meu dia a dia, não sou femista, sou feminista e acredito no lema da Revolução Francesa, Igualdade, Liberdade e Fraternidade como o único caminho que podemos trilhar para uma verdadeira revolução e evolução em nossas sociedades.

Faz sentido para você? Se sim, me de sua mão e vem comigo nessa jornada.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, fundadora do Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

A história da humanidade não é algo único, cada região do planeta tem sua própria, e com isso seus próprios costumes e cultura, e essa diversidade cultural também vem com uma diversidade de o que é correto, bonito e aceitável socialmente. Com a evolução da história humana, vieram as mudanças nesses comportamentos morais de cada sociedade, assim, o que antes poderia ser aceito agora não é mais e vice-versa. A definição do que é belo e agradável aos olhos também mudou ao longo dos séculos, como o padrão de beleza feminina, que já sofreu muitas alterações desde a antiguidade com suas esculturas do corpo robusto com curvas, até a contemporaneidade, em que a magreza tomou conta dos discursos de beleza.

Mas quem define o belo? Pelos milhares de anos da história, o que sempre se manteve constante foi o conceito de apropriação do corpo feminino, de modo que qualquer pessoa se sente no direito de opinar e decidir o que a mulher deve fazer com o próprio corpo. Por isso que as mulheres são as que mais sofrem com o padrão de beleza, sendo mais cobradas de como seu corpo deveria ser para agradar outros ao seu redor. Assim, tem-se mais um exemplo de como a mulher ainda é vista como algo que serve para ser bonito, um objeto para a satisfação dos outros e que deve seguir os padrões impostos pelos homens, que hoje em dia focam em querer mulheres mais submissas, menores, e, como consequência, mais magras.

Esse glamour da magreza governou em revistas, filmes e nos últimos anos nas redes sociais, essas que são acessíveis por praticamente todo o planeta. Com o crescimento dessas mídias, veio o surgimento dos influenciadores, que são pessoas que utilizam de sua fama nas redes como um instrumento de persuasão das milhões de pessoas. Diversos influenciadores utilizam essa influência para alimentar mais os padrões de beleza sociais, muitos fazendo até propagandas diretas de cirurgias plásticas para encontrar o corpo perfeito. Essas ideias infectam a mente de muitas adolescentes e crianças que agora serão obcecadas para serem aceitas nos padrões de corpo, podendo levar à depressão, distúrbios alimentares e até suicídio.

Mesmo com a concepção de um corpo feminino perfeito hoje em dia sendo algo extremamente absurdo e inalcançável, a procura de se encaixar socialmente é mais forte e o desespero acaba por tomar a mente de quem não consegue esse feito. Nessa angústia, as cirurgias plásticas radicais e a depressão entre jovens estão cada vez mais fortes. As mulheres ainda têm um longo caminho para viver em uma sociedade livre de preconceito, mas precisa-se de uma união de todas e todos para continuar essa transformação.

Karen Rosas – Bela Urbana, garota estudante do ensino médio, 15 anos, simpática e curiosa, que adora uma boa discussão, expressar suas ideias e se envolver com o mundo e sua sociedade. Ama uma boa competição e jogar videogame, mas além de tudo cuidar de quem ama.

A importância da sexualidade e do erotismo na civilização humana tem registros milenares. A sala secreta com os achados de Pompéia no museu arqueológico de Nápoles guarda obras eróticas da época de Cristo que a igreja do século XVIII tentou esconder. Mas essas obras em nada se assemelham aos conteúdos pornográficos contemporâneos.

A milionária indústria pornográfica contemporânea é centrada e feita para os homens.

É absolutamente válido quando o casal, consensualmente deseja fazer um sexo pornográfico. Existem momentos para tudo. Mas há que se dizer que a mulher também quer gozar olhando nos olhos. A mulher gosta de aconchego, de carinho e de suavidade.

Será que os homens já se viram engasgados com um pênis, tossindo, lacrimejando e quase vomitando? Será que se sentiriam excitados com essa cena?

A idade média em que o jovem começa a ter contato com a pornografia na internet é de 11 anos (Dr. Gail Dines, “How Porn has hijacked our sexuality”. Boston. Beacon Press, 2010). É quando a idéia da submissão do feminino começa a ser implantada e quando o futuro machista começa a ser criado.

E esse prejuízo é vasto. Criam-se mulheres oprimidas e homens apavorados com a possibilidade de brochar. Mulheres lutando para achar seu lugar na sociedade e homens frustrados por nunca encontrar a mulher ideal, aquela que se subjuga e realiza todos os seus desejos, como as encantadoras e exuberantes mulheres dos filmes pornográficos. Tão felizes em ser subjugadas, violentadas e humilhadas.

Quem ganha com isso?

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

Uma vez eu li sobre atrizes pornô que relataram uma série de cenas lamentáveis que passavam por de trás das câmeras nos filmes que atuavam. Não estou falando de clichê Emanuelle, estou falando desses filmes que você vê até o que não precisa. A indústria pornô tem crescido em  disparada pós pandemia. As pessoas buscam os sites de forma ativa e por isso eles têm crescido de forma gritante ao ponto de mudarem a forma de um ser humano se relacionar com o outro.

Ao longo de anos a busca por mulheres submissas é algo que predomina nas plataformas. A galera da ala masculina se interessa muito em saber o quanto você mulher aguenta para satisfazer ele, macho. Não é a toa que a maioria dos jovens transam e se decepcionam pois acham que vão encontrar a Mia Khalifa e se deparam com a Sandy. (brincadeiras à parte), atrizes como essa que citei no começo, são só algumas que tem tido a coragem de se expor e escancarar os bastidores. 

Não há tesão. Há dinheiro, há muitos hematomas e nada, nada mesmo de glamour. Mesmo assim o público sádico e masculino que alimenta essas empresas são os mesmos que riem de uma atriz quando ela está vestida e relatando algo sério. 

Lembram da vez em que a própria Mia disse ter gravado cenas em que precisava de muito preparo físico pois antes da transa fake já havia sentido muita dor para conseguir levar o take até o fim? Isso já foi o suficiente para ela ser alvo de chacota entre homens, porém para uma mulher isso é assustador pois se assemelha ao estupro. Isso é real e muito sério.

Mas vejo uma ponta de luz em um futuro melhor ao saber que essas mesmas mulheres inspiram e dão forças para que outras se levantem e se mostrem mulheres comuns e normais também. É preciso força, apoio e paciência. O movimento é lento mas nunca ineficaz. Parece que estamos no caminho.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Acho que todos nós enfrentamos o machismo em alguma época de nossas vidas.

Às vezes em casa, com truculências machistas de pais e irmãos…

Mas vamos falar aqui de machismo entre namorado e namorada, entre marido e mulher, que vem recrudescendo mais e mais nesta época de pandemia, com o isolamento social e o desemprego. O feminicídio tem sido tema de reportagens policiais, em volume nunca visto!

O machismo é um sentimento pegajoso, que impregna uma relação perigosamente, demonstrando baixa autoestima e medo.

O homem, nesta situação, com medo de perder a namorada/esposa, estabelece regras, fiscalizando as roupas que vestem, determinando que se aumente o comprimento, proibindo calças compridas coladas, roupas justas. Também remove o blush, o batom, proíbe a pintura de olhos, coisas que são muito caras às mulheres, que são vaidosas. Elas se arrumam para eles. Mas o ciúme e a covardia falam mais alto, o medo e a falta de segurança criam os nós quase impossíveis de se desatar.

A maioria de nós, mulheres, teve namorados doces, agradáveis, boas praças, que pouco a pouco modificaram seus comportamentos e se tornaram ácidos, descontrolados, perigosos. Muitas mulheres começaram a apanhar, a partir daí, machismo perigoso, descontrolado. Muitas mulheres observaram pouco esta transformação, que não ocorre da noite para o dia, mas o que ocorre é o sentimento de posse, de propriedade, que não combina com o amor e com a plenitude da relação conjugal…

E ela passa a ser vítima, tanto de agressões físicas, como de receber ordens absurdas de não trabalhar, de não sair de casa, sem nada para comer em casa, com crianças pequenas dependendo do casal. Também o homem se sente acuado, desempregado, sem projetos  de vida, avolumando o seu ódio contra si mesmo, que não tem como reverter a situação, e passando necessidades.

Qualquer coisa, por menor que seja, acende a fogueira do desamor, do desamparo, e culpar a mulher é o menor caminho a percorrer. Bebedeiras são acompanhadas de surras violentas, contra a mulher, que tem medo de denunciar, pois o machismo é brutal e a retaliação é uma sentença de morte.

É o fundo do poço, não respeita classes sociais, não respeita religião, não respeita nada à sua frente.

Este é um retrato muito rápido da sociedade doente, não só da pandemia, mas da  proximidade maior do casal e filhos, que só se viam à noite ou em fins de semana, obrigados a conviverem muitas vezes a família toda, com resultados dolorosos para todos os atores da relação humana, nessa difícil fase que passamos.

Assim, mulher, tome as rédeas de sua vida, evite ser mais uma vitima fatal!

Bem por isso, DENUNCIE!

Marilda Izique Chebabi – Bela Urbana. Desembargadora Federal do Trabalho, aposentada, e há 20 anos advogando. Ministrou aulas de Direito e Processo do Trabalho, na Unip, e na pós graduação em Direito Empresarial,  da Unisal. Foi docente da Escola Superior da Magistratura do Trabalho. Participou de dezenas de Congressos de Direito do Trabalho, como palestrante e mediadora. Participou de várias bancas de concurso público para a Magistratura do Trabalho e ainda mãe de 04 filhos homens.

Brancos, heterossexuais e machistas, sorrateiros e tão contentes,
vêm e vão disseminando seus preconceitos.
Alheios a todos e a tudo, são os reis do mundo!

Vivemos num pais que culpa mulheres pelos estupros?
Pedófilos virtuais sequestram crianças reais e postam nas redes sociais,
como vocês dormem em paz?
Pequenas meninas se exibindo e rebolando a mando dos próprios pais.
Cada like vale a pena? Ao menos separe uma grana para a psicóloga (você vai precisar)
Eu me distancio disso tudo, não me culpem por querer fugir da realidade, pode dizer que é uma crise de bipolaridade.

Aqui tem pra todos os desgostos, encontramos também homofóbicos, transfóbicos e racistas!
Eu não consigo lidar, não dá pra mensurar a maldade nem a insanidade dessa raça de víboras como já diria João Batista.
Me ajuda, João! Eu sou reflexo do machismo antigo, filho do patriarcado ou é simplesmente a minha falta de tato? (talvez os 3 de uma só vez).

Eles falam e eu me entedio, ouço e observo, mas não absorvo.
Talvez por isso, facilmente me irrite, pode ser, até porque, parece um rito.
Idiotas reunidos, bebendo o próprio mijo, exalando masculinidade, sem deixar de se preocupar com a vaidade. Passam a noite vomitando constantemente seus conceitos inconstantes de egoísmos reprimidos. Eu me sinto perdido, procurando abrigo, longe do seu machismo, distante dos seus preconceitos eleitos por antepassados tão antiquados quanto aquele quadro que pede intervenção militar já! É hora de mudar, de acordar, vamos recordar a história ou esquecer tudo que já conquistamos até agora?

Vocês são piadas para a minha assepsia, eu não me lavo com o lodo que escorre da pia.
A cada dia que passa, passo o dia em lentos passos, procurando espaço pra respirar neste crepúsculo de aço! Sou um filósofo raso, buscando novidades em velhos ditados, me contradigo e repito, transito entre o medo de morrer e a eterna vontade de começar a viver.
Nunca tivemos boas referências para admirar, mas isso não é desculpa!
A culpa é só minha e eu coloco em quem quiser, provavelmente será em uma mulher.
É mais fácil de acreditarem, é mais fácil de me deixarem em paz.
Eu já não tenho mais esperanças, talvez você que me lê possa nos ajudar.

Eu vejo no futuro o mundo colapsar
mas, não acredito que algo vá mudar.
Desculpe o pessimismo, não me culpem por fugir da realidade,
eu sou reflexo do machismo antigo,
filho do patriarcado ou é simplesmente a minha falta de tato, já sei
pode dizer que é uma crise de bipolaridade.

Lucas Alberti Amaral – Belo urbanonascido em 08/11/87. Publicitário, tem uma página onde espalha pensamentos materializados em textos curtos e tentativas de poesias  www.facebook.com/quaseinedito  (curte lá!). Não acredita em horóscopo, mas é de Escorpião, lua em Gêmeos com ascendente em Peixes e Netuno na casa 10. Por fim odeia falar de si mesmo na terceira pessoa.

Dezembro de 1980, com uma ordem judicial em mãos, me despedi da casa e da vida que eu tinha até então. Estava com 14 anos de idade quando pedi essa ordem para me proteger do lar abusivo que eu vivenciava, da parte da minha mãe, que era uma pessoa muito severa, tinha muita violência psicológica e física desde os 5 anos de idade e de abuso do meu pai, dos 8 anos e meio até os 13. Hoje, com 55 anos, eu olho para tudo isso e penso que o machismo, todo tipo de machismo, vem com uma sequência de abuso e o abuso vem com uma sequência de machismo. Se tratando de homem eu não vejo uma maneira de separar uma coisa da outra, porque o machista quer impor e a partir do momento que você quer impor algo, você já está abusando. Agradeço muito essa oportunidade que BELAS URBANAS abriu para a minha fala e gostaria, não de falar desse passado necessariamente, mas sim partilhar como essas experiências desafiadoras tornaram quem eu sou hoje.

Aos 14 anos, eu disse para mim mesma: eu não quero essa vida, eu não mereço, vou fazer minhas escolhas e para fazer isso, eu tenho que me afastar de tudo e de toda essa realidade, mesmo sendo o meu lar, minha família e meus pais.

Foi o que eu tive que fazer, parar os estudos, mudar de cidade e trabalhar para o meu sustento. Casei muito cedo porque eu queria a emancipação, foi a maneira que eu encontrei de me sentir segura tendo a certidão de casamento e também sendo mãe. Fui mãe aos 17 anos da minha primeira filha, eu desde lá, sempre mantive a determinação de trabalhar, ter a minha renda, a minha independência financeira. Trabalhei em várias áreas, se contasse daria um livro (pretendo escrever um dia, minha biografia sobre essa história que é muito, muito longa).

Quando meu primeiro casamento chegou ao final, por abuso e por machismo, não dava mais pra continuar, foi ele quem saiu de casa e eu, com minha independência financeira, mantive a minha vida. Ter a facilidade de me adaptar a equipes de trabalho e à grupos contribui para enfrentar meus medos, acreditando que eu podia seguir em frente.

Tive o segundo relacionamento, esse um pouco diferente, ele morava com a mãe na semana e no final de semana comigo. Tive meu segundo filho e depois de um tempo, por machismo e infidelidade, esse relacionamento também acabou. Eu estava com meus dois filhos, na nossa casa, tinha as minhas coisas, meus empregos e até voltei a estudar!

De todos os desafios que foram vários e muitos sérios, mantendo minha dignidade, eu fiz minhas escolhas, estando e sendo quem eu quisesse ser. Criei meus filhos (hoje adultos, formados e casados), priorizando a igualdade, sempre fizeram de tudo em casa. Aos finais de semana todo mundo trabalhava, colaborava com os afazeres do dia a dia e aprendiam também a cuidar de suas coisas e isso foi naturalmente, eu achava que era muito importante seguir meu coração. Hoje vejo meu filho dividir todo o trabalho de casa com a esposa, que no meu olhar é a prática daquilo que ensinei: a igualdade. Assim como percebo essa qualidade na relação da minha filha com seu companheiro.

Busquei transmitir tanto para o menino quanto para menina que somos iguais, que devemos ter respeito a todos independente de gênero, que somos responsáveis pelos nossos atos e que a nossa felicidade está em nossas mãos, não está nas mãos do outro.

Hoje me sinto em um relacionamento saudável buscando equilíbrio e igualdade em todos os sentidos, me aposentei, continuo trabalhando, mas agora trabalho naquilo que me libertou, que tanto me ensinou, que tanto me abriu os olhos para o meu caminhar: as terapias integrativas e a constelação familiar. Quero levar para todos, principalmente para as mulheres, como profissão e como voluntariado (já iniciei atuando no grupo de mulheres pela justiça) minhas experiências e saberes. O mais grandioso e mais plausível disso tudo é que eu sou uma mulher preta aprendendo, desaprendendo, para reaprender… ressignificando.

Elizabeth de Farias– Bela Urbana. Facilitadora de Constelação Familiar e terapias integrativas. Os saberes da sistêmica e das integrativas me transformaram para o melhor que eu posso ser e estar. Contribuir na vida das pessoas , com meu melhor e facilitar em seus processos no caminho da expansão da consciência, se fortalecendo resolvendo seus conflitos e traumas. Amo astrologia e tudo o que se revela no dia do nosso nascimento, sou geminiana…rsrs Dando um bom lugar aos aprendizados e aberta aos ensinamentos que estão por vir…A serviço da vida!

Amor e carinho a minha companheira que registrou essa foto em nosso jardim e contribuiu com o texto acima, gratidão Carolina Teixeira Martins por estamos juntas nessa existência.