Não sei se foi o tempo nublado, a chuva fina que caía, os armários brancos e a pedra preta na cozinha ou o vento fresquinho que soprava através da cortina…. O fato é que segunda passada fui fazer um café à tarde e, de repente, por um segundo, uma fração de segundo, eu não estava aqui. Eu estava lá, no apartamento de São Paulo, na João Julião.

O tempo parou e me ofereceu seu ombro. 

Finalmente pude descansar meu coração, meus olhos, no exato momento que repousei minha cabeça em seu ombro.

Finalmente as sensações de paz, de aconchego, segurança e felicidade há muito desconhecidos. Finalmente.

Apenas uma centelha divina que o tempo me ofertou. Apenas uma saudade matada de forma deliciosa.

E essa sensação ainda me acompanha, quase uma semana depois – não posso e não quero perdê-la. 

Que abraço mais amigo que o tempo me deu!

Naquele microssegundo, minha mãe e minha tia estavam na sala, fazendo os bordados de ponto cruz, falando amenidades e esperando o meu café…

Voltei para a sala, já neste tempo e neste lugar – meu lugar – e me deliciei com o amor imenso que se apoderou de mim.

A única testemunha foi a Nina. Quietinha, mas tenho certeza que seu coraçãozinho também entendeu aquela magia que aconteceu.

Nada deveria ser acrescentado ou tirado daquela centelha divina. Foi perfeito.

E, como num delicioso passe de mágica, à noite sonhei que estava na cozinha fazendo um bolo com a mamãe.

Talvez porque tenho sentido uma vontade grande de fazer o “bolo de aniversário” que, mesmo fora de datas específicas, às vezes fazíamos. Com camadas de recheio, leite condensado cozido, creme holandês com morangos, glacê de antigamente, chocolate branco.

O fato é que este ombro tão carinhosamente me ofertado, deixou saudades. Mas saudade da boa, daquela que provoca um leve sorriso e brilho nos olhos.

Saudade da boa! 

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena. Louca pela Nina  (na foto, já com 15 anos )

Ultimamente, li um post que dizia a diferença entre ser velha e ser idosa.
A primeira é triste e desanimada, já se coloca de chinelos e passa o maior tempo da vida fechada e quieta.
A segunda tem idade igual à outra, mas continua ativa, alegre e animada para a vida.
Eu não me sinto velha; eu sou mais do segundo tipo.
Ser avó pode fazer você ser considerada em uma das categorias que te faz ser considerada idosa. Mas pode-se ser avó com 40 anos, como foi o caso de minha mãe e tantas outras.
Certo dia, em 2013, no programa Saia Justa da GNT, as mulheres falavam sobre as diferenças entre as avós de um tempo e as de hoje. Coincidiu com o que eu já vinha pensando em escrever há muito tempo. Com isso, senti mais uma força para tratar desse tema. Assim, comecei a tomar coragem para enfrentar a parada, escrever as minhas impressões como “nova avó”. Nesse mesmo ano, com a gravidez da minha filha e a chegada do primeiro neto, caiu a ficha, e comecei a assumir o papel de avó, nova experiência na minha vida.
Na verdade, nunca senti nenhum medo de ser avó. Muitas mulheres temem assumir esse título pelo receio de serem consideradas ‘velhas’. Eu não.
Ser mais idosa, essa associação com o fato de ter netos, nunca me afligiu; sempre considerei ser melhor viver muito do que deixar de passar pelas etapas naturais que o tempo nos permite. Acho até que demorou muito para meus filhos resolverem ter filhos, mas, finalmente, chegou o dia em 2013. Minha mãe foi avó bem mais cedo do que eu. Ela já se tornou avó com 43 quando eu me tornei mãe de um menino, pela primeira vez, aos 23.
Diferente de nós, minha filha, nascida três anos depois do primeiro, vai ser mãe com 35. Portanto, só aos 61 me tornei avó pela primeira vez.
Como é a sensação de ser avó para muitas de vocês?
Quais são as impressões que as futuras vovós já têm?

Flailda Brito Garboggini – Bela Urbana, Pós graduada em marketing, Doutora em comunicação e semiótica. Dois filhos e quatro netos. Formada em piano clássico. Hobbies música, cinema, fotografia e vídeo. Nascida em São Paulo. 4 anos como aluna, 35 anos como professora de Publicidade na PUC Campinas. É aquariana (ao pé da letra).

A LEI Nº 12.318, DE 26 DE AGOSTO DE 2010 em seu Art. 2o , define a Alienação Parental como sendo a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

História de um Casamento, foi produzido pela Netflix, vem recebendo elogios rasgados, tanto pelo roteiro e direção quanto pela belíssima atuação de Scarlett Johansson (Nicole) e Adam Driver (Charlie).

Sob o ponto de vista da Alienação Parental, destaco a mudança de Nicole de Nova York para Los Angeles com o filho, com a menção que seria apenas por um período. O pai continua a trabalhar em Nova York e quando percebe, a criança já está familiarizada com sua escola nova provisória em outro estado e as visitas do pai se tornam apenas obrigação para o menino, que tem na família materna tudo que aparentemente precisa para ser feliz.

Apesar da mãe (Nicole), aparentemente não alienar o filho contra o pai, inconscientemente algumas permissividades e vínculos exagerados, acabam afastando a criança emocionalmente do pai, apesar do seu esforço sobre humano para manter o vínculo.

A situação se agrava durante o processo de divórcio manobrado por advogados ainda mais competitivos que o próprio casal.

Do ponto de vista da Alienação Parental, mesmo com alguns deslizes, Nicole se esforça para estimular o contato entre pai e filho, criticando os exageros de sua advogada na divisão da guarda da criança.

Apesar de suas melhores intenções no que toca ao bem estar do filho pequeno, Nicole e Charlie mais de uma vez vão usar o menino para frustrar e ferir um ao outro.

A cena onde a criança fica dividida no meio do casal sem saber com quem ir, é de “cortar o coração”.

No geral, a Alienação Parental no filme se mostra bem mais branda que a maioria da realidade dos divórcios e separações em todo o mundo, onde os maiores prejudicados são os próprios filhos.

A SAP (Síndrome da Alienação Parental) deixa traumas que se perpetuam para o resto das vidas se não houver consciência, responsabilidade e flexibilidade.

Angela Carolina PaceBela Urbana, publicitária, mãe, tem como hobby estudar Leis. Possui preferência por filmes de tribunais de todas as áreas jurídicas.

Sempre #naforma elas estão… E sempre #emforma estarão.                  

E nunca #seformatarão aos insensíveis olhos e mãos dos marceneiros e, dos temperos das cozinheiras de plantão!                                                               

Observar relatos sobre crianças é muito comum, mas, observar tratos para crianças não é curtido como um barato. Principalmente aquelas que são avaliadas como não sendo de fino trato, e essas precisam estar sendo observadas com mais afeto, com mais percepção, mais toque tateado, mais empatia e menos julgamento sem poesia.                                     Todos os movimentos teóricos para exercer a educação das crianças têm validade e, é bom pensar nisso. Porém, TUDO em nossa vida tem VALIDADE!                                                                                                 

Um conto vivenciado por mim e pela minha filha Juliana pré-adolescente há alguns anos: Estávamos eu e ela dentro de um ônibus e comodamente sentadas num banco alto e, ela na janela… Ao que olhando para fora, vimos dois meninos de mais ou menos 07 anos de idade, ao lado de um adolescente que fumava um cigarro. Eis que num repente, o adolescente oferece um cigarro para cada um dos meninos, que aceitaram sem pestanejar! E eu, como Educadora nem raciocinei dizendo para a minha filha:

– Que horror eles estão fumando!

Ao que Juliana minha filha respondeu:            

– Ah, Mãe… Eles são “MENINOS de RUA”   

Eu respondi para espanto dela: 

– São realmente MENINOS de RUA Juliana minha filha, mas, são ME… NI… NOS! Ora… Ora!                                                                                                       

Já se faz tempo que ouvir as crianças perdeu-se na MAJESTADE do canto, do SABIÁ!

É preciso prestar a devida atenção, nos intensos buraquinhos teclados…   No TOQUE SILENCIOSO das emoções!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Tenho minhas crenças e uma delas é que estamos aqui neste mundo para amadurecer e nos transformarmos em pessoas melhores.

Pra mim, isso é fato!

O mais magnífico é que precisamos do outro pra que isso aconteça.

Desde a nossa concepção até a  nossa morte há ” um outro” em nossa história.

Dependemos dos nossos pais  (para nascer) depois do mundo, cheio de ” outros.” para viver.

Isso é ciência!

Um bebê precisa de estímulos para se desenvolver. Precisa do toque, da voz, do seio.  Precisa do ” outro”. Precisa da Mãe.

Isso é mágico!

É  nessa relação que vamos Desenvolvendo,  amadurecendo/crescendo e envelhecendo.

O Eu e o outro. O outro e eu:  Nós.

Isso é Fantástico!!

Precisamos desse movimento que a vida nos oferece pra experienciar tristezas, alegrias, decepções. Para refletir, para mudar, para sofrer, para sorrir.

Aprender sobre a “vida ” só acontece vivendo e vivendo com o outro!

A simples atitude de alguém nos ensina: Um erro, um acerto. uma discussão, uma decepção , ler o livro do outro,  o poema do poeta…. a filosofia do pensador, a opinião que não é a nossa, a crítica… e uma  palavra.

O outro está a todo tempo mexendo com o nosso “eu”!

Isso é maravilhoso!

Acordar todos os dias nos faz vivos e aprendizes. Aprender amplia nossa mente e nos une mais ainda ao outro. 

É seguimos precisando uns dos outros.

E nem estou falando de amor. O tema Amor fica para um outro “eu e o outro”.

(E não sou mais a mesma …. Amadureci lendo textos do Belas Urbanas).

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “.

OITAVO CAPÍTULO

Eu pensei naquele momento! Como? Que desrespeito! Ou coragem que esses filhos possuem! E esta mulher? RESPEITOSAMENTE CORAJOSA? Que loucura! Esta vida é louca mesmo!

 

NONO CAPÍTULO

  1. (AGORA PRESTEM MUITA ATENÇÃO NA LEITURA, POR FAVOR) Quando o ônibus parou, esta mulher que conversou a viagem inteirinha, a viagem toda, me atrapalhando…. e se enfiando sem cerimônia em minhas anotações sobre RESPEITO e CORAGEM, se levantou, meio que trôpega (pelo tempo sentada), desceu apressada, correndo… quase voando para abraçar o seu filho mais novinho (como ela havia dito), ela estava roxa de saudades, e naquele momento ele seu filho NÃO ERA BÊBADO, AGRESSIVO, SEM JUÍZO, ERA UM …FILHO E MUITO AMADO!E para mim que a observei e a escutei, a ouvi a viagem toda, pensei ao vê-la nesse momento:

“E UMA MÃE CORAGEM”! (e não é loucura da joaninha).

Acreditem… eu e ela nem ao menos os nossos nomes trocamos! É a vida! Realmente a vida é bela!

(FIQUEI MAIS “RICA” APÓS ESSA VIAGEM DE RETORNO PARA A MINHA CIDADE).

BOA VIAGEM… APROVEITEM, NÃO SOMENTE AS JANELAS!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

 

QUINTO CAPÍTULO

Que respeito tinha essa senhora pelo mundo ao seu redor! Porque será que os seus filhos a tratavam tão severamente, e tão desrespeitosamente? Ela possuía um olhar escuro, mas muito doce, as mãos senis, mas a sua gesticulação atrevidamente italiana, as pernas finas com a doença Erisipela, mas estava com suaves meias finas, de nylon! Ela tinha classe! Como ter diante de mim, uma senhora que apesar de chorosa, era muito direta e franca. Em nenhum momento ela se aquietou, e a cada pedágio ou cidade transposta era para ela um delírio! Ah! E quando chegamos a Campinas/SP/Brasil, a cidade em que viveu e teve que vender a casa construída a duras penas com o marido, já falecido e depois de sua partida, e é claro que foi o alcoolismo também, que deixou de herança na família, ela teve que dividir a casa com os filhos briguentos e insanos. Que dor em suas palavras, mas que CORAGEM ao contar o seu RESPEITO pela vida! E após tudo isso ela foi morar em Indaiatuba/SP/Brasil, cidade pequena vizinha de Campinas, onde a bicicleta contou-me ela é ainda o transporte que mais a favorece em seu crescimento. A senhora viúva ao meu lado ainda teria que pegar um outro ônibus, para chegar em sua casa.

SEXTO CAPÍTULO

Perguntei então: Quem iria apanhá-la na Estação Rodoviária quando chegarmos lá? Ela respondeu: Será o meu filho, o mais novinho, ele também bebe bastante, também é alcoólatra, dele o que é bom é mesmo a sua mulher, um amor de pessoa e ela nem é minha parente!Eu gosto muito dela, ela me respeita e me defende, nela eu posso confiar, sempre! Em seguida disso, lá estava CAMPINAS estampada em nossos olhos, nos dizendo… Sejam bem vindos! Para mim comentei: O IMPORTANTE É CHEGAR!

E ela rindo completou: CHEGAR E BEM VIVOS!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

foto: Adriana Chebabi

TERCEIRO CAPÍTULO

Entre minutos e outros a senhora pequena ao meu lado falava sem parar e eu sabia que aquele discurso iria nos acompanhar. Então me livrei de meus argumentos filosóficos sobre Respeito e Coragem, e dei atenção única para ela, que falou sobre sua vida sem constrangimento. Falou de sua doença, dos filhos e de sua trajetória pela vida. O seu filho mais velho bêbado em potencial, alcoólatra, e pasmem era aquele que eu mesma havia observado colocando-a no ônibus. A senhora tinha alguns hematomas nos braços e pasmem eles foram providenciados pelo espancamento deste filho de apenas 58 aninhos! Quase um idoso? Penso eu! Difícil de acreditar que aquele senhor que a colocou dentro do ônibus com tanto carinho, dando conotações ao motorista, para que ele cuidasse de sua mamãe durante a viagem! Por favor, não a perca de vista de forma alguma! Sabem que eu não percebi nenhuma rudeza nesse comportamento! Mas… seriam devaneios? Devaneios Maternos?

QUARTO CAPÍTULO

Ah! E a filha mais velha que gritou com ela e muito alto os seus berros que ela ficou tão rouca, e sem voz! Ao que a senhora profetizou: Tomara que seja para sempre! OPA! Praga de mãe pega?? Ah! Continuando, ela precisou vender o sítio, lá no PARANÁ, um lindo Estado Brasileiro, isto porque nenhum dos filhos quis semear e plantar, produzir após o falecimento do bêbado marido! (Via-se que o alcoolismo era característica de família.) Conversa vai… conversa vem… Estávamos na Rodovia dos Bandeirantes, o sol maravilhoso após muitíssimos dias de chuva, temporais, acidentes e isso estava acontecendo com horários prescritos pela NATUREZA, nos mostrando com esse forte barulho, a sua CORAGEM em defender os seus direitos adquiridos. Observação: A NATUREZA É BELA! E a senhora encantada com a mata ao redor, ela comentava dos bichos, das flores que deveriam ser encontrados bem ali ao lado da estrada, que beleza que era a natureza, a senhora vibrava! Ela me confessou que nunca havia viajado por aquela Rodovia, a estrada realmente era muito boa, agora ela poderia dizer aos amigos eu viajei pela BANDEIRANTES!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Foi para a entrevista de emprego. Currículo simples na mão. A vaga não exigia muito. Achava que podia dar conta, mas a idade já começava a pesar, 38 anos, 02 filhos moços.  Ser mãe envelhece, ser mãe cedo, envelhece mais ainda.

Pobreza envelhece. O limite da falta de dinheiro envelhece. Sobreviver e não viver, envelhece.

A pele mostra os vincos muito aparentes, algumas rugas na testa, mais profundas do que sua idade poderia ter se tivesse uma vida mais leve.

Sem emprego, o medo, o choro e o pouco consolo dos que estão do seu lado.

Na entrevista, a escova feita no cabelo comprido, liso e pintado, até que não estavam mal, só as pontas, muito despontadas. A maquiagem carregada no rímel. A unha nitidamente feita em casa não era das mais bem acabadas. A roupa discreta, nem bonita, nem feia. Os dentes, também não eram bonitos, média 04.

A entrevistadora olhou tudo, a vaga exigia boa aparência, elegância, simpatia, pró-atividade, não exigia formação, então o segundo grau dela, estava dentro, só isso estava na média, todo o restante média baixa.

Foi tudo rápido e tudo percebido. Difícil para as duas. Dizer não, não é fácil, veio em dose homeopática, “amanhã dou a resposta”. Não, de novo o não, outro não, depois de outro, outro e outros.

Difícil manter o sorriso no rosto, a tal pró-atividade que pedem, a maquiagem para esconder as olheiras das noites sem sono e logo mais, nem o esmalte para as unhas feitas em casa serão possíveis.

Talvez aquele subemprego de 12 horas de pé por dia, sem registro na carteira, sem vale refeição e transporte, seja sim sua única saída ou então o abismo da ponte que se encontrava a sua frente.

Parou.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

(AVISO DE GATILHO: Eu escrevi, li, reli e chorei então prepare o lencinho por que hoje vamos falar sobre amor de mãe e filho)

A pessoa que eu era antes de ser mãe, sabia exatamente como ser uma mãe disciplinada e regrada.
Ao olhar uma criança sem limites na rua ou no mercado, sabia exatamente o que fazer – Isso é birra, nada que uma ou duas palmadas não resolvam. Pensava.
O cabelo cheiroso e a roupa intacta montavam uma adolescente completa que sabia o que queria e com certeza tinha convicção de como lidar com um ser humano sendo ele seu filho.
A pessoa que eu era não sabia nada sobre elefantes ou mamutes, pouco interessava o que comiam ou o som que reproduziam. Não era importante decorar quantas saias a barata diz que tem, nem quantas vezes o elefante incomoda muita gente.
Mas sem problemas, eu sabia exatamente como deveria agir sendo mãe.
Eu sabia perfeitamente até o primeiro chute dentro de mim.
Alguém lá dentro se mexia com movimentos aleatórios e de início eu já tinha me tocado que eu não estava tendo controle nem mesmo sob meu corpo, o que me faria pensar que eu teria controle sobre o que estava invadindo cada parte do meu ser sem pedir licença?
Noah me desconstruiu como ser humano desde a primeira batida do seu coração dentro de mim. A luta constante de procura por identidade, a maternidade me sugou a alma sem ao menos me dar a chance de querer desistir.
Eu me fiz novamente uma nova pessoa. A maternidade me moldou e me deu a chance de experimentar o lugar de Deus.
Não é somente sobre cuidar, dar colo e amamentar.
É sobre ter perdões extras e gratuitos.
A luta gratificante de esculpir espírito e psicologicamente um ser humano para a vida. É uma tarefa árdua, sem muitos recursos, é preciso trabalhar com matéria prima, um trabalho sobre pressão, sem folga, sem descanso, sem paradinha, nem férias.
As vezes da vontade de sair correndo, chorando e pedindo socorro mas levando o filho no colo por que alguém precisa dar o jantar e dar banho e esse alguém é a gente. Tem horas que a gente acha que não vai dar conta, o cansaço vem e com ele o questionamento. Será que eu sou uma boa mãe mesmo?
Por querer sempre o melhor para os nossos filhos achamos que não. Tudo nunca é o suficiente e o filho da outra parece que sempre aprende sempre mais e melhor que o nosso.
Todos os dias, eu me reconstruo como humano, mulher, pessoa e mãe e assim entendo que o sorriso estampado no rosto do meu filho reflete como está sendo meu trabalho como mãe.
Noah é de longe o parceiro mais fiel e dedicado. A companhia perfeita. Nossa sincronia e sintonia de mãe e filho ultrapassa qualquer ligacao amorosa mais direta que possa nos comparar.
O encontro de almas foi selado muito antes de chegarmos aqui. Eu sinto.
E como sinto.
Na pele e na alma, todos os dias quando eu sinto o ar quente da sua respiração sobre a minha face me chamando de Mãe.

De: Sua Princesa
Para: Pitoco da Mamãe.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor.