Segue abaixo trecho extraído do Livro “Pombagira, A deusa – Mulher Igual a Você”. do autor Alexandre Cumino.

Em uma sociedade Machista, não basta não ser machista, é preciso ser AntiMachista”
(Frase adapitada da frase de Angela Davis, segue frase original
‘Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista’).

Hoje não damos conta do que é o machismo, pelo fato de que já estamos muito acostumados com a visão distorcida sobre a Mulher. A mulher não é frágil, a sociedade a torna assim para ela não ter força diante do homem, cozinha e lavanderia são lugares de homens e mulheres; cuidar dos filhos é responsabilidade do pai e da mãe, se uma mulher é livre afetivamente, ela tem o mesmo valor de outra que escolhe a castidade; virgindade não é sinônimo de caráter, muito menos de dignidade ou qualquer outro valor. O rito do casamento é um ritual de posse em que, no modelo tradicional católico, o pai, proprietario, da filha, a entrega para o noivo, seu novo proprietario, e a partir daí a sociedade considera que ambos têm obrigações um para com o outro, de casal.

Na memória da sociedade, a mulher continua tendo a carga maior de obrigações, e pesa sobre ela o olhar do falso moralismo e hipocresia social. Se essa mulher escolhe uma vida de solteira, é dito “ficou para titia”.

Todos já ouviram as frases e expressões: loira burra, mulher é falsa, mulher não tem amiga, tem mulher que dá motivo para apanhar, se acabou depois dos filhos, já sabe cozinhar já pode casar, trocou uma de 40 por duas de 20, mulher que bebe não presta, só engravida quem quer. E também adjetivos do mundo animal: ESSA MULHER É UMA VACA, GALINHA, POTRANCA, CAVALA, CADELA ETC.

Precisa dizer mais? Feminismo é a consciência de todos esses machismos, de origem patriarcal, chamados de sexismo. Quando não temos a percepção somos machistas, mesmo passivos.

Agredir fisicamente é um extremo, há sutilezas perversas na sociedade, que passam despercebidas principalmente para quem não é mulher, gay, lesbica, trans, negro, indio ou nordestino na região Sul do Pais.


Meus comentários: Entender o universo feminino é entender a si mesmo, indiferente o Gênero, não observar as pequenas sutilezas de maldade já inseridas no contexto social é também fazer parte desta maldade.
Precisamos mudar os pequenos hábitos para ter grandes resultados, nenhum tipo de segregação, seja por qual motivo for pode ser considerada positiva, nossa obrigação social é educar nosso filho e reaprender veementemente os membros de nossa sociedade que praticam tais atos.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Meu primeiro amor tinha o cabelo castanho lisinho, olhos castanhos e era um pouquinho maior que eu. Provavelmente devia ser alguns meses mais velho, já que eu era uma das mais novas daquela classe. Eu amava! Sentia uma emoção que nem sei descrever, mas lembro sim que a sentia.

Uma vez ouvi algum adulto, uma mulher, que falou para mim: – Criança não ama! – eu fiquei muito brava e me lembro de protestar: – EU AMO! – disse em alto e bom som. – Amo sim, e amo o Rogério!

Não me lembro quem era a adulta, talvez minha mãe, talvez minha tia Marta… Eu era bem pequena, tinha só quatro anos. Sim, você entendeu bem, tinha quatro aninhos! Estudava no jardim da infância e minha professora, que eu achava linda, se chamava Regina. Para seus alunos, Tia Regina.

Tia Regina me deu uma grande alegria. Os pares da festa junina para a dança da quadrilha eram escolhidos por ela. Quem vocês acham que ela escolheu para ser o meu par? Ninguém menos que o Rogério. Meu coração pulou de alegria, e me lembro da emoção e também de querer disfarçar que estava tão feliz. Fico hoje me perguntando, por que algumas vezes temos vergonha e queremos disfarçar nossa felicidade?

Como eu me lembro de tudo isso? Eu simplesmente me lembro… E, mesmo hoje (melhor nem contar quantos anos já se passaram daquele junho, algumas décadas), ao lembrar, consigo recordar da emoção sentida.

Dançamos aquela quadrilha e foi lindo! Aliás, essa foi até hoje a quadrilha que mais gostei de dançar na minha vida.

Dizem que somos feitos de emoção. Eu acredito nisso. Acho que emoção nos molda. As boas nos moldam para sermos mais doces, para algo interno que nos resgata e conforta nos momentos difíceis da vida. Até hoje eu discordo da adulta que me disse que criança não ama. Eu sei hoje que ela se referia a um amor romântico, mas mesmo assim, eu discordo mesmo, porque eu amava o Rogério, do meu jeitinho, de uma menininha de quatro aninhos, da forma mais pura e autêntica que é o amor. Simplesmente o querer bem, o encantamento e a vontade de estar do lado.

Saí da escola no ano seguinte, como eu disse, era das mais novas e a lei tinha mudado. No outro ano, quando voltei, nunca mais o vi. Acho que mudou de escola.

Se sofri por que amava? Não. Se fiquei pensando no Rogério? Não. Eu brincava, e brincava muito, e isso também era feito de amor.

Brinco com essa história a vida inteira. Outro dia peguei as fotos da quadrilha e mostrei para meus filhos. Eles riram, e ficamos perguntando na mesa: – Cadê o Rogério? Inventamos mil destinos para ele e jantamos dando boas risadas.

Desejo do fundo do meu coração que o Rogério tenha sido um menino feliz, assim como eu fui, e desejo que onde quer que esteja, que esteja bem.

Como disse Drummond: “Amar se aprende amando”.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Alfredo Lopes – Belo Urbano. Médico pediatra com 40 anos de experiência formado pela UNICAMP. Defendo o Amor genuíno, principalmente dos pais para com seus filhos , assim criaremos pessoas especiais. Apaixonado por Bike e Mar

Mãe, feita de carne, mas com a força de uma rocha. Seu filho, será sempre a maior preciosidade que há no mundo.

Mãe se transforma. Mãe não descansa. Mãe não desiste. Não perde suas forças, por nada. Mãe é quem realmente conduz a verdadeira família.

Ser Mãe é algo que muda completamente a vida de uma mulher. Ser Mãe é a maior aventura que já vivi. Ser Mãe me fez rejuvenescer.

Tive o privilégio de Ser Mãe aos 46 anos de uma menina muito especial. Foi o maior presente que eu poderia receber nessa vida. Me senti completa. Por ela ser evoluída, aos 6 anos, me incentiva, me acalma, me dá força para seguir todos os dias. Ela se chama Giovanna, que significa Presente de Deus.

Agradeço, compartilho e estimulo outras mulheres a vivenciarem essa experiência maravilhosa.

Marianne Kachan – Bela Urbana. Formada em artes, apaixonada pela sua filha, sua família, paisagismo, animais, novas culturas, poesias e gastronomia.

Quando a gente tem filhos, passamos por situações que nunca imaginamos, não vc é?

Algumas tiramos de letra, outras levamos pra vida… mas o certo é que essa coisa de ser mãe não vem com manual ( que pena…).

A gente tenta fazer o melhor sempre, lutamos para dar uma boa educação, formar pessoas melhores para esse mundão, mas como saber se eles nos escutam, se estamos no caminho?

Difícil…

Um dia, há alguns anos atrás, estávamos eu e meu filho mais velho numa sala de espera de um pediatra. Na época morávamos em Manaus e ele estava com uns quatro anos de idade mais ou menos e o atendimento era no esquema de plantão e por ordem de chegada mesmo a gente tendo convênio…dito isso, sala cheia, nem me lembro o por que de estarmos lá, mas…

Meu filho sentadinho ao meu lado, a gente conversando, brincando de para ou ímpar em meio ao caos de crianças gritando, correndo e subindo e descendo de cadeiras…

De repente vem uma pergunta: – Mãe, pode jogar papel no chão?

Eu nem pensei e já respondi que não, que era feio e que para isso existiam lixos ou caso não achasse um lixo que leva-se o papel para ser jogado em casa…sempre ensinei isso.

Aí ele olha para o lado e diz em alto e bom som: – Então porque ele (aponta para um menino mais ou menos da mesma idade) acabou de jogar aquele papel ali ?

Olhei para o menino , olhei para um papel todo melado de sorvete jogado no chão…pensei em dar uma desculpa qualquer para não constranger a mãe…mas pensei: – … sempre ensinei isso e nunca tive certeza se ele estava me escutando… não vou “passar pano” pra ninguém e confundir a cabeça do meu filho com algo que ele não está errado em questionar. Em um átimo de segundos, resolvi, mesmo correndo o risco de um bate boca, confirmar o que achava certo. Olhei para mãe, meio que pedi desculpas com o olhar e soltei: – Talvez a mamãe dele não tenha ensinado ou talvez ele ainda não tenha aprendido.

Levantei, peguei o papel e joguei no lixo sabendo que essa lição meu filho tinha aprendido e até hoje sei que ele continua procurando um lixo ou trazendo para jogar em casa respeitando os espaços públicos ou não.

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr em São José do Campos – SP.

Fotos Taine Cardoso Fotografia


Eu me formava na faculdade naquele final de ano. Precisava participar de algumas reuniões no campus da PUCC e minha única alternativa era levar duas crianças comigo, já que não era hora da escola delas.

Os dois meninos eram meus filhos. Fui mãe, pela primeira vez, aos 18 e nunca parei de estudar. Tudo foi aos tropeços, mas sempre contei com muita ajuda e estímulo, para poder me formar. A essa altura, meus filhos já estavam com 9 e 7 anos e adoravam aquela viagem até o campus. Era uma aventura! Estrada, mãe nervosa, “vai mãe, você consegue”, era a frase que eu mais ouvia. Dirigindo um escort vermelho, já velho naquele ano de 1991, chegava eu e eles na reunião de “projeto experimental”, espécie de tcc para os formandos em comunicação social. Enquanto eu discutia com colegas e professores os pormenores da nossa agência fictícia de propaganda, ficava de ouvido nos meninos que corriam e riam do lado de fora. A estrutura de concreto do campus 1, cheio de escadas e corrimãos, era um parque de diversões para eles. Algumas vezes, é claro, as risadas davam lugar ao choro e eu precisava sair às pressas da reunião para providenciar curativos.

O escort vermelho, funcionava bem depois que pegava. Até chegar em uma esquina qualquer e morrer por afogamento ou só por morrer mesmo. Os carros de trás buzinavam, os meninos riam e o mais velho sempre dizia coisas do tipo “vai mãe, ele espera”. O carro me deixava na mão nas horas mais improprias. Certa vez, na estrada, eu na faixa da esquerda, ele engasga, o carro, eu apavorada. Os meninos pararam de se bater e rir, pressentindo o risco e, por milagre, o carro volta a funcionar e conseguimos chegar em casa, sãos e salvos. Consegui me formar publicitária no final de 91.

Foram anos com aquele escort velho, eu e duas crianças, indo para a escola, voltando. Eu, trabalhando, criando (peças de comunicação e crianças), vai no cliente, vai na gráfica, pega orçamento, leva para aprovar. Anos de hiperinflação, tensão. O marido trabalhava e estudava também, então os meninos ficavam a maior parte do tempo comigo, fora do horário da escola.

Alguns anos depois, passei a sentir uma queimação na boca do estômago, a tensão de correr atrás de orçamento, cliente, aprovação, pagamento, antes que a inflação da semana seguinte abocanhasse o pequeno lucro que poderia haver. Não tinha lucro e minha correria parecia em vão. A dor no estômago, era, na verdade, mais que tensão, era outra vida sendo gerada.

Ao descobrir que estava grávida, eu e meu marido paramos para avaliar as nossas possibilidades. A empresa dele valia o investimento de tempo de nós dois e eu teria mais tempo com os filhos.

Em 1995, uma semana antes do temporãozinho nascer, o escort velho deu lugar a um corsa zero, vermelho.

Quanta alegria. Provas de morro eram fichinha, a torcida do banco de trás não precisava mais me falar as frases de incentivo, nada de perrengue nas estradas, motoristas vizinho me tratavam com a indiferença que eu sempre sonhei.

Aquelas lindezas de crianças preenchiam todos os espaços, físicos e sonoros. Os olhos sempre brilhando quando saíamos no carro. Sim, pelas minhas regras, a gente podia cantar, a altos brados, as músicas que tocavam no rádio e no toca-fitas. Aquele corsinha também teve suas histórias.

E meus bunitinhos sempre me incentivaram a ser a mãe, mulher, profissional, a melhor que eu pudesse ser.

O tempo passou, os carros mudaram, os meninos cresceram, estão formados. Os mais velhos hoje são pais de crianças maravilhosas, alegres e inteligentes.

E eu continuo me formando a cada dia, a cada ano, a cada nova experiência de vida. Só o que posso fazer é agradecer, todos os dias, por nós estarmos todos bem e com saúde, nesse ano 2 da pandemia.

Cuidem-se! Fiquem bem!

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

Tenho três filhos Bruno com 23 anos, Pedro com 17 e Carolina com 16 anos.

Ser mãe com toda certeza é o meu maior desafio.

Cheguei a falar para o pediatra que o meu lado profissional era o meu lado mais evoluído porque sabia lidar com os piores problemas com clareza e sem desespero. Já ser mãe é uma prova de fogo…

Nasce um filho, nasce uma mãe, e mesmo quando nasce o segundo e a terceira é uma nova mãe que nasce com cada um deles.

Sempre senti que cada filho é uma grande oportunidade de sermos seres humanos melhores.

Entre anseios, sustos, medos, alegrias, cumplicidades, vaias e aplausos, a vida segue… tenho aqui muitas histórias que posso contar de cada um deles, em várias fases… mas hoje escolhi uma do Bruno quando ele tinha 4 anos.

Preciso antes de mais nada colocar que o Bruno sempre foi uma criança muito curiosa e estava na fase que perguntava o tempo todo: ” o que que é aquilo?”. Para vocês terem uma ideia, uma vez fomos para Ubatuba e por todo o caminho a pergunta se fez presente. Uma enxurrada “do que que é aquilo?”

Mas a história é a seguinte: Certa vez a noite, eu estava saindo do trabalho tarde, por volta das 20h. Nesse dia estava sem carro e meu ex-marido foi me buscar com o Bruno, devidamente sentado no seu cadeirão no banco de trás.

No elevador tinham mais duas pessoas, entre eles um anão. Saímos juntos do prédio. O nosso carro estava bem na frente do prédio, na entrada. Só vi a cabecinha do Bruno grudar no vidro, e eu já sabendo o que me esperava e por receio de passar algum tipo de vergonha, fui diminuindo o passo e me distanciando do anão.

O anão seguia na minha frente e a cabecinha dele grudada no vidro se virando seguindo o anão que subiu a rua. Cheguei no carro, assim que entrei, a pergunta: – Mãe, o que que é aquilo?

-Um anão, Bruno.

Silêncio no carro. Partimos e após minutos de silêncio, o Bruno vem com essa:

-E cadê o gorrinho?

Risos e a explicação.

Crianças são puras. Não tem a maldade dos adultos. Constroem suas realidades e aprendem o mundo pelas suas referências. A partir daquele dia, o Bruno entendeu que os anões não são somente os sete mais famosos dos contos. E eu entendi que nem tudo é óbvio.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Aqui está mais um registro de amor.
Meu pequeno está na sala, para variar está construindo mais uma de suas maravilhosas invenções de Lego.
A vontade que me dá é abrir as portas e janelas e chamar todos para que vejam sua nova engenhoca. Eu queria mostrar ao mundo um ser humano tão puro e tão raro de se encontrar para que ao menos uma vez na vida sintam o amor leve e genuíno que eu sinto todas as manhãs quando ele abre os olhos.
(Pausa para algumas lágrimas que escorrem pele a fora…).
Eu não sei descrever o orgulho que sinto em mim por ter a oportunidade de trilhar esse caminho com você.
Gostaria ao menos que pudessem assistir comigo todas as vezes que você conta pela décima vez a mesma piada e ri como se nunca tivesse ouvido antes.
E o jeito como brilha os seus olhos toda vez que fala com tanta intimidade sobre o seu grande amigo Jesus.
Tão pequeno e valente.
Ah meu amor, você é tão especial que igual não há. E quem te conhece não pode discordar, é tão diferente de tudo que já se viu.
Gosto de te ver brincar.
Gosto de te observar.
É ali que me sinto nostálgica, muitas lembranças eu tenho de você.
Lembranças de dor, de medo, de perca. Te vejo tão forte e lutando tanto por uma chance.
Eu queria que para cada pessoa na terra, Deus separasse um de você.
Assim do jeitinho que é. Transforma um lar num parque de diversões.
Leva o nosso coração até o ponto mais alto no céu.
Domingo será mais um dia das mães, mas a data tão especial é posta à prova todos os dias do ano, e são nesses dias que me crio e me reinvento.
São todos esses dias que me faço mãe, irmã, amiga, ouvinte para te entender, te acalentar, ensinar, carregar no colo e curar tua ferida.
Desde a hora do banho até o cafuné na hora de dormir te guardo em pensamento e te peço proteção por onde quer que vá.
Oro por ti em silêncio e renovo a armadura, troco meu sono pelo teu.
Você é a melhor das minhas ações.
Você é o sonho mais intenso e milagroso que já vivi.
Você é meu filho e meu maior orgulho é ser tua mãe.

Feliz dia das mães para todo ser humano passível de sentir o amor incondicional e mais forte de todos dentro do coração.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Mãe a mais de 15 anos, passei minha primeira experiência, nesse universo mágico, tentando explicar e convencer minha filha que ela não teria irmã.

A correria, a dedicação ao trabalho e a preocupação com o futuro dela num mundo tão problemático, usurparam o sonho de ter outros filhos.

A medida que ela crescia, igualmente crescia minha determinação e satisfação pela escolha de tê-la como única filha.

Mas ela não compartilhava do mesmo desejo que o meu e cada dia mais me pedia uma irmã, companheira, seus pedidos eram incansáveis.

Empenhada em escrever as páginas da vida da melhor forma para minha filha viver, nem percebi que o “controle remoto” fora tirado das minhas mãos sem consulta prévia.

Comecei a ter problemas hormonais e procurei ajuda médica muito preocupada com minha saúde.

Organizei minha agenda pra encaixar os exames solicitados e na ocasião a enfermeira me convidou a ouvir as batidas de um coraçãozinho que já fazia morada dentro de mim.

Como isso pôde acontecer? Eu não acreditei!

O que eu fiz?

Desmaiei na maca. Sim, desmaiei duas vezes.

Levantei atordoada da maca tentando procurar o controle da vida, outrora roubado.

Mas, aos 42 anos da minha história foi colada uma página que mudaria minha jornada pra sempre.

Assim como a primeira, minha segunda gestação ocorreu sem nenhuma intercorrência, até meu oitavo mês de gestação ainda jogava tênis, dançava zumba, fazia aulas de Pole Dance, concluía um MBA, trabalhava freneticamente, cuidava da casa dos familiares e da minha primeira filha que havia recebido a realização do maior sonho da vida dela e Eu….. Sendo coroada como a melhor mãe do mundo.

Nos 3 últimos dias de gestação descobriram que minha bebê não estava recebendo os nutrientes suficientes para crescer saudável na barriga e a decisão do corpo médico foi adiantar o nascimento.

No momento mágico e inigualável com qualquer experiência na vida…. o parto…, recebi a notícia de que minha filha havia nascido com síndrome de down.

Meu chão desabou, o momento mágico acabou e meu cérebro não conseguia assimilar a informação no meio de um turbilhão de incertezas e preocupações.

Quem era minha filha e o que esperar dela? Como planejar o futuro pra ela?

O tempo foi passando e em todos os dias que ela permaneceu na NEO Natal e todos os demais dias após a liberação da UTI eu dormia e acordava em cima de literaturas e estudos para aprender tudo sobre ela e a síndrome de down que a acompanharia pela vida toda.

O que eu descobri? Teorias e mais teorias que me ajudaram e me atrapalharam muito.

Nas minhas buscas incessantes eu acabei descobrindo uma escola, a melhor escola de todas, para aprender tudo o que eu queria saber sobre a síndrome de down.

O nome dessa escola é Luana, minha Pitica.

Com ela eu aprendi e tenho aprendido tudo o que eu preciso saber sobre a síndrome de down.

Aprendi que ela sabe melhor do que eu a planejar o próprio futuro.

Aprendi que ela vai ser o que ela quiser ser.

Aprendi que ela ama as pessoas incondicionalmente, sem interesses.

Aprendi que ela perdoa de verdade e não guarda rancor.

Aprendi que ela chora com quem chora e se alegra com quem se alegra.

Aprendi que ela quer ajudar e não espera nada em troca.

E o que eu mais aprendo com ela é ser humano.

Minha história de mãe ainda não acabou, na verdade tenho muito ainda pra viver aprendendo a ser mãe, mas agora vivo feliz porque tenho a melhor professora do mundo pra me ensinar.

Obrigada pela oportunidade de aprender a ser mãe com você!

Juliana Guarnieri – Bela Urbana. Graduada em Pedagogia com especialização em Administração e Supervisão Escolar. Pós–Graduada em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV. Gosto de jogar tênis, tocar violão, cantar, dançar e principalmente fazer bagunça com as filhas.


Juliana

A começar pelo parto com escala, Luisa (ainda na barriga) e eu demos entrada no Hospital Vera Cruz, a bolsa rompida, aquela emoção agoniante, a barriga gigante e um medo ainda maior que só as mães sabem o tamanho dele, pensamentos cavalgando, volta pensamento, concentra na respiração, liga para a doula, conversa com o médico, aperta a mão do marido, vai no banheiro, daqui a pouco vou ver a carinha dela, fica feliz, fica louca, fica pensando que não vai dilatar, fica com medo da dor que sabe que virá, sente um cansaço absurdo, se preocupa com a outra filha de 2 anos que está com a avó, pensa: “será que comeu?” marido assina papelada da internação, almoçamos no hospital, nada de dilatação, médico chega e nos diz que se não dilatar vai ter que induzir com medicação, o único detalhe é que não tem a medicação no hospital, tudo o que não queria era essa tensão nesse momento, tenho que decidir: se não dilatar, sem medicação vou ter que ser submetida a um cesárea, falo com Deus, falo com o marido, choro, respiro, decido e no meio do trabalho de parto vou para o Centro Médico, lá posso ter a chance de um parto normal, Luisa fez escala no Vera Cruz e finalmente nasceu de parto normal induzido no Centro Médico.

Tenho duas filhas: Clara e Luisa, 14 e 12 anos respectivamente, como toda mãe também tenho uma coleção de histórias para contar nessa outra vida que começou após o nascimento delas, o velho chavão é verdadeiro na minha trajetória: “nasce uma criança, nasce uma mãe”, a experiência do “maternar”, efetivamente foi um divisor de águas em minha vida, ainda me lembro a cara de espanto do primeiro homeopata da primogênita quando contamos que tínhamos uma planilha para anotar os horários das mamadas, cocos e xixis, meu marido e eu queríamos ser tão eficientes nos cuidados que exageramos nos controles, depois quando achávamos que já estávamos experientes, veio a segunda e nos vimos às voltas com uma rotina desgastante e intensa de cuidados com duas, na primeira vez que ficaram doentes juntas voltamos a utilizar as famosas planilhas pois um dia ficamos tão exaustos que chegamos a dar o remédio trocado para elas, um dia prendi o dedo da Luisa na porta do carro, quase desmaiei pensando que tinha esmagado o dedinho dela, no outro prendi a fivela do cinto do cadeirão na coxinha fofinha dela, ela deu um berro, demorei alguns segundo para entender o que estava acontecendo, abri o cinto rapidamente, belisquei a menina sem querer, e o remorso… ah, e quando a Luisa com 3 anos teve que fazer uma cirurgia de catarata, eu desesperada com medo da anestesia geral, do tampão que teria que usar depois, meu coração apertado vendo aquele serzinho tão inocente que não enxergava de um olho, foi um daqueles momentos que o coração de mãe explode, parece que a gente não vai aguentar a grandeza do amor que sente, é uma mistura turbulenta do amor mais puro do mundo e do mais terrível medo de tudo: de que sinta dor, de que se machuque, de que o pior aconteça, no momento seguinte olho para a carinha dela e está feliz da vida se divertindo em cima da maca do hospital, acorda da anestesia e na sequência já pergunta se vai andar de maca de novo, que encanto essa leveza e essa pureza das crianças, quem convive com elas sabe o poder de nos transformar para melhor que elas têm.

Entre sustos, cuidados e novidades de cada fase das meninas, como dizer o “indizível”, sobre o amar tanto a outra pessoa que é impossível descrever, como dizer sobre a mãozinha de 3 anos fazendo carinho no seu rosto e esse gesto ter o poder de apagar todas as agruras de um dia difícil, e depois já na adolescência o precioso beijo e abraço espontâneo das filhas em público que é como um grande prêmio, como explicar que rir até doer a barriga com sua filha em alguns momentos pode gerar uma conexão tão profunda que você nem sabia que isso existia até sentir, como descrever que ao ouvir a palavra “mamãe” a gente se sente importante, ser mãe é o meu papel mais desafiador, não há garantias, semeamos e cuidamos com toneladas de paciência e não sabemos o que será a colheita, não é um caminho linear, há sentimentos conflitantes, há a rotina diária minando a paciência, há intrincadas interferências e temperamentos envolvidos nas dinâmicas familiares,  há o caminho pregresso que vivemos com nossos próprios pais que vem bisbilhotar e interferir no nosso caminho como pais mas é também  recompensador, ter o privilégio de educar uma criança e ver cada passo de seu desenvolvimento e amá-la mesmo quando ela exaure todas as suas forças e sua paciência ao ponto de você achar que não nasceu para a função e ao se defrontar todos os dias com esse jorro de sentimentos é quando o amor vai se lapidando, amo minhas filhas de todo coração e meu mundo é muito melhor por elas existirem nele.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.