Dei um tempo,

Para todas as homenagens,

Pelo dia MAIOR,

Daquela que é a MELHOR,

Ontem,

Hoje,

E será no amanhã,

Cujo primeiro som,

Que o humano emana,

É MAMÃE.

No entanto,

Sem esse encanto,

E com crescente e diferença,

De atividade, tempo e idade,

Com toda ternura e bondade,

Mas, com “castralidade”,

Que vem crescendo,

E, tornando realidade,

Algo humano que mistura:

Maternidade e paternidade,

Cuidando de criança,

Adolescente ou outras idades,

O PÃE.

Tem cara de homem,

Corpo de atleta,

E coração de mãe,

Trata os filhos com muito,

Com todo carinho,

Passando menos “paninho”

Naquele (a) filhinho (a).

Bom orador e castrador,

Entendendo que os filhos,

Podem e devem sentir dor,

E o faz sem arrependimentos,

Para que no futuro,

Seja um sábio e não

Um (a) ju……………

Calma mães!

Jubilado na escola,

No trabalho,

A todo momento.

L.C. Bocatto– Belo Urbano. Diretor do Instituto IFEM – Instituto da Família Empresária. Criador da Ferramenta de Análise Científica Individual e Familiar. Formações – Mestre em Comunicação e Mercado, MBA em Controladoria, Contador, Psicanalista Terapeuta com foco em famílias e indivíduo com problemas Econômicos (perda de riquezas) e Financeiros (saldos negativos de caixa)
Related posts:

Tinha uma mãe braba. Não é brava de brincadeirinha, dessas que a gente fica entre a chinelada e o xingo engraçado clichê. Ela era BRABA mesmo. Arrumava encrenca com vizinhos, gritava com todos que a contrariasse, perdia amigos e intimidade com parentes. Não se preocupava em entender, se fazia entender por qualquer método, até quando não havia como.

Até meus 14 anos, tudo que queria fazer deveria ser escondido. Até brincar na rua era proibido e coibido. Não tinha privacidade, tudo que tinha era vasculhado. O que eu pensava era errado e melhor eu ficar quieto. Ela era imperativa e se algo saísse do controle, alguém pagaria. Meu pai não era flor que se cheirasse, mas tinha que abaixar a cabeça, se não quisesse perdê-la.

Ela não era só essa brabeza, tinha uma ternura ali. Mas uma ternura cega e surda, que não percebia os sentimentos ao redor. Ela abraçava, mas como seu eu fosse um boneco, e não gente. Ela cuidava, como seu eu estivesse para morrer, e não com os olhares dialogais de atenção aberta e sensível ao que os filhos realmente precisavam. Me sentia, de certa forma, só em cada abraço e desamparado em cada cuidado.

Por mais que muita gente possa se identificar com esse relato, ele é triste, pois esse tipo de atitude priva os filhos de uma amizade pródiga e uma confidencialidade saudável. Sentia-me muito solitário, com baixa autoestima e com uma necessidade de autossuficiência que me prejudicaria por décadas.

E por esses arroubos de intemperança, desenvolvi um comportamento defensivo muito arraigado, principalmente com ela. Até hoje posso dizer que não abro certas coisas com ela, pois se que ela não sabe lidar e não me ajudará de fato, podendo até prejudicar.

Mas deixo claro que não são atos deliberados dela. Ela é inocente. Uma inocência infantil, delicada que não vê maldade do que faz. E faz porque acha que o que faz é o bem. É um excesso de tudo: amor, carinho, cuidado, defesa… como se ela fosse nos perder a qualquer instante.

Não vamos fugir, mas é como se estivéssemos fugindo dela. Não vamos morrer, mas é como se qualquer descuido dela, morrêssemos. Não estamos sob perigo, mas é como se o mundo fosse uma ameaça letal, que precisa ser combatido com gritos e violência. É um exagero de boas intenções, com ações inocentemente desastrosas.

Aos poucos, ano após ano, fui descobrindo minha mãe. Descobrindo em meus traumas, meus traços, nos traços da minha irmã e no meu pai. Fui descobrindo essa mulher castrada moralmente por uma geração conservadora, por um marido puritano, por uma sociedade opressora e por uma série de medos e inseguranças que, ao redor dela, não recebia a devida atenção. E por não ter tido atenção, como ela iria aprender a ter atenção com os outros?

Viver uma adolescência nos anos de chumbo dos 70, uma juventude na década perdida na década de 80 e uma menopausa nos 90 pode ter impactado. A frustração de um casamento falido, de uma carreira interrompida, de não ter sonhos de consumo e experiência realizados também. Minha mãe é uma mulher que sofre, que é apagada. E que grita para existir.

Me incomoda ver ela agindo dessa forma hoje? Sim. Me dói e me faz falta a mãe que sempre projetei. Mas quem gosta de projeto é arquiteto, engenheiro (que sabem bem o que fazer com eles) eu não sei o que fazer com projeções.

Minha mãe é essa e rio quando consigo, para lidar com aquela mãe que grita por pouco, que dá vexame e que é a mãe mais particularmente amorosa do mundo. E esse amor particular, por mais que me fez sofrer a vida toda, me fez enxergar as formas de amor mais estranha e fora do padrão hollywoodianos possível. E a isso sou grato. Grato por ver amor onde ele se esconde.

Me dói essa descoberta tardia dos excessos dela. Me alegra que ainda tenho algum tempo para descobrir e amar em excesso. Assim espero.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Eu sou sua mãe. 

Desde que me entendo por gente. Ninando, dando banho, fazendo comida, vestindo, penteando,  ensinando, proseando, dando bronca, brincando, amando, amando e amando!

Eu sou mãe.  

Das bonecas que tive, dos cachorrinhos que tive e tenho, dos pacientes que cuidei, das amigas que acudi e prozeei,  nos olhares tranquilos e felizes que de forma cúmplice troquei, dos filhos que sonhei.

Eu sou mãe.

De mim mesma, quando me cuido, me paparico, me enfeito, me permito ter defeito, me deixo sonhar, chorar, refletir, decidir.

Eu sou sua mãe. 

No exato momento em que seus sonhos superam meus desejos ainda não realizados. 

Eu sou sua mãe. 

Quando todas as noites, antes de dormir, peço a Deus (essa energia pura carregada de amor) um mundo em paz, empatia entre os humanos, saúde para todos.

Eu sou sua mãe, se neste momento, lendo meu texto, você me entendeu. 

Me acolheu como minha mãe. 

E então, finalmente, teremos um momento de paz. 

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena.

Mãe fala cada uma, enquanto filhos respondem cada coisa!

O Amor declarado, o Comércio bombando e, esses mistérios flopados?

Haja vista que não, pois ontem pré do pré dia das Mães, a minha filha foi até o centro da cidade, eeeeeee… Chegou assustada e incomodada com o que visualizou, sobre a população interina desse central universo que é Campinas/SP neste virtual Século XXI.

Pois bem, eu tenho tantas histórias sobre o Estado Mãe, que precisei buscar baus e mais baus ativando a minha Inteligência Mental, abrindo-os e regozijando com a minha Inteligência Memorativa plena e a Emocional!

Anos 70, Juliana a filha mais velha, recebeu o irmãozinho Oliver com uma gula de ensiná-lo a viver intensamente! E, o primeiro passo foi estimular o menino a ser um SERVIÇAL… Dela claro!

Então, ela mamava “deitadona” no sofá e quando terminava, se levantava e dizia com voz de comando: Nê (apelido que ela deu, diminutivo de Nenê) leva na cozinha pra mim? E, o menininho a obedecia imediatamente…

Podem dizer, normal… Ela pedia e ele fazia.

Nãooooooooooo meus leitores!

Ela mandava, ele fazia o que ela man da va. Mas, se puderem responder a minha pergunta, vamos lá:

E por quê, ela ia JUNTO para a cozinha e andando em sua frente, com uma postura de GENERAL? Ora essa é muito boa! Já se via uma Ativista… ANGELA DAVIS?

Homens nos devem obediência, chega de preconceitos estruturais. 

Anos 70!

Histórias de Família… Todos as temos, é só abrir os baus! FILHOS DA MÃE!

E o menino Oliver cresceu, e se deu e se dá bem com a amizade fraterna. E também aprontou cada uma!Abrindo um dos baus, eis que nos anos 70 após começar a trabalhar como Educadora na Escola Infantil Pica Pau, fui me integrando com os funcionários e, logo depois a amizade fermentou e polvilhou sobre nossas famílias, e fomos nos apresentando a vida pessoal!

E quando fui até a residência de minha nova amiga Dodô e seu marido Dilson, pela primeira vez e levando a criançada… Juliana 05 anos e Oliver 03 anos, com toda a pompa de Mãe que educa seus Filhos para a Vivência Social! E lá fomos nós quatro, para a casa da Titia e do Titio!

E, claro que fiz aquela ORAÇÃO DE MÃE DIRETA E RETA sobre o evento presencial, na casa d’outro! E, claro que vestidos com elegância. Oliver de Kichute… o Bummmm da época/um tênis na cor preta, em borracha pura, que por onde passava deixava rastros.  Coqueluche divinal e apoteótico! Detalhe: Ele escalou as paredes do quintal na cor branca e, a cozinha da Titia tinha o chão na cor branca. Ave Maria! Bem, a cada visita muito aconteceu! Que até hoje está em nossos baus, sendo o tesouro de nossas Vidas.

Nessa primeira vez, jamais esquecida, quando Oliver veio até a mim e disse: Mamãe, a gente quer “bananas” (estavam na fruteira) pode comer? E, a Titia respondeu: Pode. E eu retruquei: Mas, jogue a casca no lixo! Claro, PRIMEIRA VEZ… PRIMEIRA VISITA!

E a educação dos FILHOS DA MÃE, onde fica? Continuamos na conversa e eles foram para a cozinha, seguindo a vivência! Oliver já estava sem o famigerado KICHUTE! Até que chegou a hora do café, o tão esperado lanche! RESPIREM… Ao chegar na cozinha de piso branco todo riscado, olhei para a fruteira e pasmem…nenhuma BANANA. E a Titia e eu ficamos em estado de choque, perguntei na maior finesse: VOCÊS COMERAM TODAS AS BANANAS? E o menino Oliver, no alto de sua EDUCAÇÃO e OBEDIÊNCIA respondeu ao lado de sua irmã Juliana, a ATIVISTA numa potência jamais vista:

“SIMMMMM MAMÃE, MAS JOGAMOS TODAS AS CASCAS NO LIXO. “Por hora, nem preciso contar mais uma história de FAMÍLIA que está em meu BAU FILHOS DA MÃE!

(e não é loucura da joaninha).

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Tinha tantas histórias pra relatar aqui sobre mãe e filho. Sobre Bel e Gui. E se tem algo que gosto é ouvir e contar histórias. Brinco que nasci mulher, normalmente com um dom para a oratória, e ainda escolhi o jornalismo como profissão. Portanto, sentem que lá vem história! Brincadeira. Essa é curtinha, gostosa, ilustra a ingenuidade das crianças que a cada nova descoberta, frase, comentário deixam nós mães ainda mais apaixonadas.

Bom, estava uma tarde sentada na sala escrevendo algo no computador, concentrada no que estava fazendo, ele com seus 7 pra 8 anos, no quarto brincando, televisão ligada em algum desenho animado, aliás, daqueles bem animados, podia ouvir a barulheira da sala. Ele chegou abruptamente, atenção ao gesto, isso faz toda a diferença no drama, com as mãos na cintura, semblante tenso, e me perguntou: “Por quê você e o papai não transaram mais que uma vez? “

Gente do céu! Não tive tempo sequer de responder, de processar em tempo rápido aquela pergunta tão inesperada e totalmente fora de contexto, chegou a explicação.
Mais inusitada ainda.
“Porque queria tanto um irmão!”

Meu Deus! Precisei só de alguns segundos para cair em uma das minhas gargalhadas mais gostosas da vida e entender tamanha indignação. Ele ficou em pé ao meu lado sem entender nada, procurando a graça da situação. Levantei correndo, dei um abraço ainda morrendo de rir.

Bom, os anos passaram, a ingenuidade deu lugar a descobertas maravilhosas. Tento não esquecer que já tive essa idade. A tal temida adolescência chegou. E as perguntas continuam aos 15 anos. Cada uma que nem ouso publicar aqui. Tenho muitos erros como mãe, que a cada semana procuro melhorar, mas tem um ponto que me deixa orgulhosa, o diálogo que mantemos desde sempre. Por aqui nunca houve pergunta sem resposta. Qualquer que fosse. Claro, tudo de acordo com a idade. Assim mantemos até hoje. E assim espero pra todo sempre. Que quando estiver casado, com problemas no trabalho, venha compartilhar os medos, tristezas, alegrias com a mamãe. Será que estou sonhando acordada? Acho que não. Só mais um desejo doido de mãe.

Isabel Oberg – Bela Urbana. É jornalista, Jornalista. Apresentadora, repórter, mestre de cerimônias e locutora. É muito alegre, de família isso. Tirando graça das situações mais difíceis, mas muito chorona. E ficando cada vez mais. Tem uma frase que a define: “Vivo com o chora na porta, mas com o riso na janela”

Eu já passara dos cinquenta e me via empenhada em organizar a vida monetária da filha que iria se mudar para a Europa.

Eu a primeira na fila da empolgação por essa mudança. Pai pouco presente e zero comprometido com as escolhas da filha. Eu sonhava alto, minha filha não era daqui, precisava conquistar o mundo.

Formada em moda ia pra Londres fazer um curso de especialização. Aqui no Brasil já fazia trabalhos de customização de roupas e acessórios em uma época em que poucos faziam. Eu era sua fã, participava com ela de feiras na Lapa no Rio de Janeiro, ajudava como podia: montava barraca, passava o dia em sobrados com calor e barulho ensurdecedor. Ia feliz, tinha ela ao meu lado.

Nesse caminho em busca de dinheiro, nos deparamos com uma situação dúbia; ela tinha feira em um sábado e uma festa rave, na sexta. Pensei, faço a festa e vou dormir. Ela trabalha no sábado inteiro.

E lá fui eu, o trabalho era vender tickets em uma bilheteria improvisada com mais três pessoas. Comecei a me dar conta na roubada que vinha pela frente. Me assustava a quantidade de bebida, bebados, dinheiro, sujeira, loucuras juvenis. Demais para os olhos? Não, tristeza talvez.

Não tinha tempo de beber, comer, xixi… o cansaço, o barulho, a fumaça era tudo demais para ver e sentir, mas sabia que dali iria sair com o dinheiro, pouco talvez, mas era para ela. Faria de novo e de novo.

Noite foi virando madrugada que virou manhã e chegou a hora de ir. Peguei um ônibus que me deixou uns vinte minutos de casa. Fui caminhando morta de cansada e ainda atordoada com o barulho. Mal me dei conta de um carro passando com bêbados gritando e para fechar a noite, me atiraram uma lata de cerveja nas costas.

Como mãe, fiz tudo pelo seu sonho. Foi, não volta mais. Saudade e todo dia lembranças, as melhores.

Voou pra longe do ninho como deve ser.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

As vezes parto dos jardins de Rosa, minha bisavó de vó e mãe, e de um amor que a gente hoje teima em ver apenas em livro bom… Ela, em sua forçosa pena de freira, cumpria a tradição sem vocação, vendo o mundo revezar da janela do convento. Mas era feita de flor e força, e reagiu no dia em que lhe brotou o amor, quando o velho jardineiro de sempre deu ao sobrinho, jardineiro de nunca, a missão de “educar” os jardins… E através da moldura de pedra, a Rosa viva e o jovem jardineiro substituto viram nascer o amor à primeira vista, e vencer a deserdação, as incertezas e o próprio tempo. Vó Delfina nasceu dessa luta… Gosto muito dessa parte do caminho que chega até aqui… Orgulho-me dessa coragem, sorrindo ao imaginar que um pouco dela ainda corre, quase nada diluída, nas minhas veias de admiração pela minha avó e por minha mãe.

As vezes tropeço na fila de pretendentes de meu bisavô de vô e mãe, no tempo em que se ia aos tabloides do Porto atrás de nova chance de matrimônio. Mas que tipo de amor pode nascer daí? – você se pergunta… O mais puro de toda a minha certeza. Na fileira de candidatas a bisavó, minha futura avó Delfina, única e ímpar, tentava a sorte. Muitas vidas a levaram até ali, algumas que os segredos já não contam mais, mas que muitos fados saberiam cantar em sua própria voz (e como eu gostaria de ouvir!). Esperava sua vez… Na outra ponta do acaso, um dos filhos de meu bisavô Cardoso resolveu ser mais. Pugilista desconstruído à mágoas, basquetebolista de rala-coco, nadador d’ouro e ourives de prata, jamais soube que era a minha pessoa favorita nesse mundo, mas encontrou ali, naquela fila de mãe postiça, a dona de seu coração e do que mais pudesse querer. Seu Cardoso, como o tempo tratou de cunhar, foi de Dona Delfina até o fim. E eu sempre acho esse um começo muito lindo de compartilhar. Portugal ficou no mar quando veio o Brasil, e o amor absolvido deu alguns filhos incontestáveis. E há, ainda, nessas vírgulas de conto de fadas, um bocado de começos e amores viscerais…

As vezes entro um pouco mais à frente no tempo, quando “o sol” ainda era rua e mãe do último, primeiro e eterno Milheiro brasileiro. Reza a lenda que ela, “o sol” da rua do sol, irmã de meu avô de mãe, e mãe de meu Dindinho-vô, era a personificação da beleza. E entra aqui, nesse outro começo, como primeira musa do meu belo Dindinho, sopro de amor em seu lar de tantas privações. Cresceu (ele) fugindo da fome nas macieiras dos vizinhos, onde também se escondia da falta de amor de seu pai. Aprendeu a machucar, mas o que soube mesmo fazer, desse esconderijo em diante, foi ensinar o valor da luta e do cuidar. A falta de comida e de amor o levou a ter sempre maçãs em casa, e a amar demais… E como amou!.. A segunda musa, essa proibida, já apareceu em outro começo.. Em outra de suas escapadas do pai, encontrou no lar de seu tio (meu avô Cardoso, irmão de sua mãe), refúgio, sem imaginar que acharia mais do que procurava. A terceira paixão da família irrompe aí.. Avassaladora, instintiva, recíproca, desenfreada, incontrolável, corroendo limites, diluindo diferenças de idade, e acontecendo à flor da pele em outros novos esconderijos. Uma Tia, que é também minha avó Delfina, e seu sobrinho, meu Dindinho também, impulsionados a amantes de uma forma que eu jamais conseguiria julgar. Nem preciso. Primeiro nos segredos de Portugal.. E depois, ante a saudade de alguns poucos anos de afastados, veio ao Brasil ter com seus tios, o sobrinho que era mais.. Minha mãe nasce por aí, nesses tempos de glória e mais luta, para ser mais uma de suas musas descendentes, e meus tios, poucos anos depois, completam o ninho. No mesmo lar uma mãe, dois pais, dois tios, filhos, primos e irmãos, e um segredo que jamais poderia superar o amor. Não superou.

As vezes acabo começando pelo fim, que é também começo, quando eu já estava aqui de prova, de feto e de fato, de afeto e artefato, neto de meus avós de mãe, e crescendo nessa deliciosa família sem par. E eu fui neto mesmo de verdade, até quando de mentira, indo pra lá e pra cá entre Santa Teresa e Ipanema, céu e céu, entre amores e elos que nenhuma desconfiança poderia alcançar. Me esbaldei! Até meus 16 anos foi desse jeito: o vô era o Cardoso, e eu tinha algo que ninguém mais tinha – um Dindinho que era tipo segundo vô. Aí o primeiro se foi, e o segundo virou primeiro, até que deixou de ser, também, depois, nesse balé de cuca-maluca. O teste pra desenrolar terminou de confundir, e a verdade da vez é que minha mãe não é mais filha do Dindinho de novo, que é pai dos meus tios realmente, que não são filhos do Cardoso por enquanto, que pode ser o pai da minha mãe com certeza.. E é, também, meu avô, novamente, e pai, também, dos meus tios, sem duvida, e avô dos meus primos além, e eternas saudades enfim, enquanto o Dindinho, que então se apaga, foi e é, também, tudo isso, e muito isso, e muito mais, e de novo, e em dobro, e pra sempre, sempre. Foi mesmo filho do sol.. E hoje somos todos saudades raiadas.

O fato é que nunca sei mesmo onde tudo começa na história da gente, mas me aplaca pensar que posso ir por aí, por qualquer desses muitos começos, que terei sempre um grande amor pra contar e explicar a nossa familia. Nasceu e cresceu em amores reais, que de tão ternos e eternos, seguem vivos na gente, entre a gente e da gente, com cada um que partiu sendo, pra sempre, parte de nós. A missão agora é seguir, começando, todo dia de novo, e juntos.

Obrigado por tudo, Dindinho-vô.

Bernardo Fernandes – Belo Urbano. Um gêmio canceriano, e um ingênuo de 35 anos, nesse contínuo processo insano de se descobrir. Achou na Comunicação uma paixão e uma labuta, e vive nessa luta de existir além do resistir, fazendo diferente e diferença… Ser feliz de propósito, sabe? Sem se distrair desse propósito. E vai assim, escrevendo o que a alma escolhe dizer, tocando o que a viola resolve contar, fazendo festas com cachorros e amigos perdidos, e brincando de volei, de pique, e de ser feliz na aventura da sua viagem. Vai uma carona?

Ninho remete na minha concepção, aquela imagem”fofa” da mamãe pássaro voando para buscar o alimento dos seus filhotinhos que a esperam no abrigo (ninho) protegido e feito por ela com muito amor.

Eu no ninho vazio, me fez refletir que este ninho foi criado e é diferente do vivenciado.

O criado serve para alimentar e encorajar os seus para a VIDA, o vazio é sentido, dolorido, solitário.

É neste momento que você se depara que o que criou, alimentou, voou.

Cabe então sentir,chorar e sorrir ao mesmo tempo pois uma parte da sua Vida e de Meta foi cumprida.

Agora o ninho criado, vazio, terá que ser vivido só por você pois o filhote virou pássaro grande com belas asas fortes e sonhadoras.

Viva o ninho vazio mas olhe para o alto e admire esse belo vôo.

Daniella De Sá Andreoli – Bela Urbana, virginiana, mãe, proprietária da D&E Corretora de Seguros, adorar viver a vida intensamente, adora gastronomia, teatro, estudou exatas, mas se pudesse viveria de SOM, MAR e LUZ.

Segue abaixo trecho extraído do Livro “Pombagira, A deusa – Mulher Igual a Você”. do autor Alexandre Cumino.

Em uma sociedade Machista, não basta não ser machista, é preciso ser AntiMachista”
(Frase adapitada da frase de Angela Davis, segue frase original
‘Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista’).

Hoje não damos conta do que é o machismo, pelo fato de que já estamos muito acostumados com a visão distorcida sobre a Mulher. A mulher não é frágil, a sociedade a torna assim para ela não ter força diante do homem, cozinha e lavanderia são lugares de homens e mulheres; cuidar dos filhos é responsabilidade do pai e da mãe, se uma mulher é livre afetivamente, ela tem o mesmo valor de outra que escolhe a castidade; virgindade não é sinônimo de caráter, muito menos de dignidade ou qualquer outro valor. O rito do casamento é um ritual de posse em que, no modelo tradicional católico, o pai, proprietario, da filha, a entrega para o noivo, seu novo proprietario, e a partir daí a sociedade considera que ambos têm obrigações um para com o outro, de casal.

Na memória da sociedade, a mulher continua tendo a carga maior de obrigações, e pesa sobre ela o olhar do falso moralismo e hipocresia social. Se essa mulher escolhe uma vida de solteira, é dito “ficou para titia”.

Todos já ouviram as frases e expressões: loira burra, mulher é falsa, mulher não tem amiga, tem mulher que dá motivo para apanhar, se acabou depois dos filhos, já sabe cozinhar já pode casar, trocou uma de 40 por duas de 20, mulher que bebe não presta, só engravida quem quer. E também adjetivos do mundo animal: ESSA MULHER É UMA VACA, GALINHA, POTRANCA, CAVALA, CADELA ETC.

Precisa dizer mais? Feminismo é a consciência de todos esses machismos, de origem patriarcal, chamados de sexismo. Quando não temos a percepção somos machistas, mesmo passivos.

Agredir fisicamente é um extremo, há sutilezas perversas na sociedade, que passam despercebidas principalmente para quem não é mulher, gay, lesbica, trans, negro, indio ou nordestino na região Sul do Pais.


Meus comentários: Entender o universo feminino é entender a si mesmo, indiferente o Gênero, não observar as pequenas sutilezas de maldade já inseridas no contexto social é também fazer parte desta maldade.
Precisamos mudar os pequenos hábitos para ter grandes resultados, nenhum tipo de segregação, seja por qual motivo for pode ser considerada positiva, nossa obrigação social é educar nosso filho e reaprender veementemente os membros de nossa sociedade que praticam tais atos.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Meu primeiro amor tinha o cabelo castanho lisinho, olhos castanhos e era um pouquinho maior que eu. Provavelmente devia ser alguns meses mais velho, já que eu era uma das mais novas daquela classe. Eu amava! Sentia uma emoção que nem sei descrever, mas lembro sim que a sentia.

Uma vez ouvi algum adulto, uma mulher, que falou para mim: – Criança não ama! – eu fiquei muito brava e me lembro de protestar: – EU AMO! – disse em alto e bom som. – Amo sim, e amo o Rogério!

Não me lembro quem era a adulta, talvez minha mãe, talvez minha tia Marta… Eu era bem pequena, tinha só quatro anos. Sim, você entendeu bem, tinha quatro aninhos! Estudava no jardim da infância e minha professora, que eu achava linda, se chamava Regina. Para seus alunos, Tia Regina.

Tia Regina me deu uma grande alegria. Os pares da festa junina para a dança da quadrilha eram escolhidos por ela. Quem vocês acham que ela escolheu para ser o meu par? Ninguém menos que o Rogério. Meu coração pulou de alegria, e me lembro da emoção e também de querer disfarçar que estava tão feliz. Fico hoje me perguntando, por que algumas vezes temos vergonha e queremos disfarçar nossa felicidade?

Como eu me lembro de tudo isso? Eu simplesmente me lembro… E, mesmo hoje (melhor nem contar quantos anos já se passaram daquele junho, algumas décadas), ao lembrar, consigo recordar da emoção sentida.

Dançamos aquela quadrilha e foi lindo! Aliás, essa foi até hoje a quadrilha que mais gostei de dançar na minha vida.

Dizem que somos feitos de emoção. Eu acredito nisso. Acho que emoção nos molda. As boas nos moldam para sermos mais doces, para algo interno que nos resgata e conforta nos momentos difíceis da vida. Até hoje eu discordo da adulta que me disse que criança não ama. Eu sei hoje que ela se referia a um amor romântico, mas mesmo assim, eu discordo mesmo, porque eu amava o Rogério, do meu jeitinho, de uma menininha de quatro aninhos, da forma mais pura e autêntica que é o amor. Simplesmente o querer bem, o encantamento e a vontade de estar do lado.

Saí da escola no ano seguinte, como eu disse, era das mais novas e a lei tinha mudado. No outro ano, quando voltei, nunca mais o vi. Acho que mudou de escola.

Se sofri por que amava? Não. Se fiquei pensando no Rogério? Não. Eu brincava, e brincava muito, e isso também era feito de amor.

Brinco com essa história a vida inteira. Outro dia peguei as fotos da quadrilha e mostrei para meus filhos. Eles riram, e ficamos perguntando na mesa: – Cadê o Rogério? Inventamos mil destinos para ele e jantamos dando boas risadas.

Desejo do fundo do meu coração que o Rogério tenha sido um menino feliz, assim como eu fui, e desejo que onde quer que esteja, que esteja bem.

Como disse Drummond: “Amar se aprende amando”.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.