E como é você nas redes sociais? Sorrisos, baladas, algumas lamúrias… Pelo meu trabalho sou obrigada a conviver com elas 24 horas por dia… e assim, como muitas pessoas acabei me viciando. Postava tudo que pensava, sentia… Tempos atrás comecei uma reflexão muito séria sobre isso. Sobre os perfis que a gente vê no Facebook e no Instagram. Gente feliz demais, viagens perfeitas, vidas tão redondinhas? Por que será que é assim? A gente até se pega pensando de vez em quando: “por que não pode ser assim comigo?”

Porque na verdade, não é assim com ninguém. Viagens dão errado, famílias brigam, casais se desentendem, nem sempre a foto linda da balada reflete seu estado de espírito. As pessoas se pegaram numa necessidade irreal de postar o que a vida deveria ser em sonho. Mas não o que é na realidade. Porque também é muito mais fácil eu curtir a suposta felicidade dos outros do que pensar nos problemas deles, e principalmente nos meus.

Não que nada seja real. Muita coisa é. Ouvi muita gente me dizer por várias vezes: Marina, você se expõe demais e isso traz inveja. Quer saber? A tal “inveja” não me pega mais. Se eu filtro tudo mentalmente, no meu dia-a-dia, por que não fazê-lo nas redes sociais? Hoje estou mais restrita. Não porque tenha algo a esconder. Mas porque sei que a vida não são aqueles mais de mil amigos que tenho nas redes (e olha que dei uma faxina bem grande). Quem quer saber como realmente estou, o que estou sentindo e o que estou fazendo, sabe como me achar. Na realidade. Me chama para tomar a caipirinha de picolé que amo, para ver um filme, para ir tomar Chay na Starbucks, para tomar sol… ou simplesmente me liga ou manda um whats… rs

Essa necessidade de ser perfeita e de ser midiática preenche um vazio por um segundo ou dois. E depois? Depois é a vida real, meu bem, com as sensações felizes e tristes…

Mas você, que me segue em alguma rede vai dizer: “mas você ainda posta”. Sim, posto, até porque não vou me alienar do mundo digital. Preciso dele no meu trabalho (foco das maiores postagens), posto as minhas conquistas no pilates (porque já tive relatos lindos de gente que se empolgou e porque quero dar valor à profissional maravilhosa que me atende), divulgo o Belas Urbanas, porque acredito nesse site e faço parte com orgulho, e faço uma ou outra homenagem em dia de aniversários de pessoas que me são queridas. Por enquanto é isso e será isso.

O futuro? Não sei, assim como não sabemos como serão as novas tecnologias… Vai que me apaixono por uma nova e vicio de novo? Ninguém está livre.

Respeito por demais as pessoas que vivem disso, meus amigos e amigas blogueiras e influenciadores digitais. Mas eu não sou uma delas. Então… menos é mais…

Não faço apologia contra algo que uso. Reencontrei pessoas queridas, converso com amigos de longe. As redes sociais realmente são facilitadoras nesse caso. Elas estão aí e vieram para ficar. Mas estava na minha hora de repensar como isso pode consumir nossa vida e nos afastar da realidade. Esse texto é um convite à reflexão. Nada além disso. O que você vê realmente é o que é? Jamais saberemos. O quanto vale a curtida de uma pessoa ou os views de uma foto, se eu não trabalho com isso?

Hoje me seduzo mais com mensagens de carinho, telefonemas, abraços apertados e olho no olho.

Deixei – e não sei até quando, porque sou humana – a vaidade cibernética de lado. E você? Como deixa os likes afetarem sua vida real? Pense, repense e, se fizer algum sentido, filtre. De carteirinha, posso dizer, que as coisas ficam mais leves.

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Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Talvez o leitor possa me achar meio maluco, no final até ter certeza disso, mas como cantava Adriana Calcanhoto, “eu não gosto do bom gosto e eu não gosto do bom senso”.

Mas, eu tinha um hábito até uns 10 anos atrás: todo fim de ano eu listava em um gráfico meus anos de 1979 até aqui. 1979 era o início porque foi quando entrei pra quinta série e começou minha puberdade.

Depois eu dava notas para cada ano… e com muita paciência fazia um gráfico. Bom, nesse fim de 2016 resolvi fazer isso… de 79 à 2016. Para cada ano me perguntei o que ele tinha de diferente para ter sido tão bom, e os anos ruins o que tinha acontecido para terem sido ruins.

Então percebi um padrão…. Temos períodos bons na vida quando nos JOGAMOS em algum projeto ainda que o mesmo possa falhar, a questão não é se vai ou não dar certo, a questão é se jogar, parar de ficar na teoria.

Hoje existe uma “moda” em várias esferas onde as pessoas costumam dizer: “Deus está no controle” ou  “Deus está no comando”. Creio que devemos sim colocar a espiritualidade em nossas decisões, mas, não querendo ser religioso,  mas apenas um observador…. veja a tempestade no mar onde os discípulos de Jesus estão apavorados e Jesus aparece sem cerimônias andando sobre as águas e ainda manda não terem medo!!!

Mas só um deles teve a petulância de dizer que se ele fosse mesmo Jesus desse a ordem para ir até ele…!!! Vejam: SE JOGAR!!!! E Pedro foi… O único  a andar sobre as águas!!!! Bom, afundou na metade mas isso é outro assunto. A questão, querido  leitor, é analisar sua vida e lembrar que no fim do ano você fez planos, pensou em mudanças, mas,  está paradinho no barco ou resolveu pular?

Tome decisões, faça, tente, mesmo com cautela,  mas tente. Ficar parado não resolve nada. Existe um mau hoje em dia que é planejar demais.

Como vivemos com medo de tantas coisas acabamos analisando tudo. De sexta evitar shopping por causa do “rolezinho”, supermercado ficamos observando quantas coisas tem no carrinho da frente para saber que caixa escolher, ao chegar no semáforo tentamos observar qual carro tem alguém lerdo para pararmos atrás de outro que parece mais rápido…. e assim 2016 já passou e estamos quase no carnaval de 2017, olhando pra fora, tentando administrar o tempo, tentando ver se alguém está se saindo melhor e porque “cargas dágua”, como dizia minha avó, essas pessoas estão se saindo bem.

Se você for mais cauteloso use técnicas. Eu gosto das usadas no filme “Quarto de guerra”. Devemos ter estratégias para tomar decisões. Mas não fique muito tempo pois a hora é agora.

Se jogue, com segurança, com certeza, com fé, mas lembre-se que a primeira vez que andamos de bicicleta ou demos as primeiras braçadas na piscina não sabíamos se íamos conseguir. Apenas TENTAMOS. Claro que você deve analisar prós e contras, mas não fique tempo demais olhando a velocidade dos carros ou as filas no supermercado. Faça a sua vida acontecer, apenas se jogue… .

Aliás, com sua licença, preciso me jogar… depois te conto se deu certo!!!!

“O medo bateu na porta, a fé foi atender, e não havia ninguém” Martin Luther King.

Renato B Sampaio – Belo Urbano, publicitário, cristão e um questionador da vida, sempre em busca da verdade. Signo de áries, fã de Jazz, Blues e Música gospel.

O mais difícil dos perdões é aquele que temos que dar a nós mesmos.

Temos a inglória capacidade de saber a profundidade da maior parte dos nossos erros. São imperdoáveis os muros que erguemos quando tudo devia ser liberdade, igualmente imperdoáveis são os silêncios que calam as nossas verdades, nossos sonhos jogados ao chão.

É imperdoável não querer ser feliz.

E é terrivelmente imperdoável deixar que nossos medos nos tranquem o coração. Ainda assim, mesmo julgando-nos imperdoáveis, nós merecemos nosso próprio perdão.

Perdoar, recomeçar, deixar a vida e o amor se darem as mãos. Perdoando-nos, nos damos uma nova chance e reabraçamos nossa imensidão.

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

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Acordei com sono ou era um sonho? Meio da madrugada, pelada, quarto escuro, meus olhos não abriam, uma confusão, que sensação horrível essa de querer abrir os olhos e não conseguir.

Só tive forças pra empurrar o braço até o criado mudo e pegar o copo com água. Não estava gelada, mas mesmo assim, a garganta seca pedia água. Sentei, bebi aquele copo inteiro em um único gole. De madrugada faz frio, me enrolei com o edredom.

– Chuchu cadê você? Eu falei baixinho? Chuchu…

Que horas são? Porque tenho essa confusão mental, sempre quando acordo no meio da noite? O que era mesmo que estava sonhando…. Ah lembro, eu voava, voava sobre os carros. Delícia! Adoro sonhar que estou voando, mas tinham pessoas que achavam que eu era um pássaro. Eu um pássaro? Que estranho isso. Começaram a me jogar pedras, várias pessoas jogando pedras. Estilingues… Adultos jogando estilingues, em um pássaro… Que coisa feia! E o pássaro em questão era eu. Uma andorinha. Querem acabar com as andorinhas, esse era o plano. Não vão, pensava eu no corpo da andorinha. Lá embaixo, aquelas pessoas com seus estilingues, rindo, barulhentas, jogando pedras nas andorinhas que agora estavam do meu lado. Voamos. Voamos. Voamos. Que delícia! Que sensação boa! Os estilingues para trás… e nós as andorinhas, juntas, ao som do vento, no calor do sol, nas alturas, brincando, voando, dando rasantes.

Ufa!! Eita sonho bom! Meu lado caipira com esse “eita” não me deixa. Meus olhos conseguiram por fim, abrir de vez.

– Chuchu cadê você? Desta vez falei mais forte, a voz saiu.

– Fome…

– Sei, foi atacar a geladeira de novo.

Ele sempre dava dessas. Eu cúmplice, sabia de tudo.

– Ainda é bem cedo, só 2 horas da manhã… vamos dormir mais um pouco, amanhã levantamos cedo.

Nos abraçamos. Abraço quente. Pele com pele. De conchinha não temos frio e deixamos o edredom de lado. Boa noite!

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br , 3bis Promoções e Eventos www.3bis.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

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O que dizer de uma rotina maluca, com diversas atribulações e responsabilidades profissionais, filho, marido, casa pra cuidar e some-se a tudo isto, dores na cervical  mais precisamente com uma Hérnia de disco que atingia diariamente minha musculatura, causando dores no pescoço, na base do crânio e dores de cabeça absurdas!

Contar essa experiência parece uma coisa meio catastrófica, mas quando o você encontra algo que te faça parar bruscamente é  que você pensa porque que não percebi ou tratei com mais seriedade os sinais que meu corpo vinha dando! Pois bem, até que um dia, daqueles corridos na marginal Tietê de São Paulo, guiando o meu carro sozinha o meu corpo e meu cérebro resolvem que não queriam mais “brincar” deste jeito. Uma crise de pânico me acometeu…. queria sair correndo e largar o carro no meio da avenida, os olhos já  não enxergavam a marginal, o coração em total aceleração, uma tremedeira que você não comanda mais os seus movimentos, enfim a tal sensação de morte. Podemos falar em coincidência, mas prefiro acreditar que nossos protetores nunca nos abandonam e de repente a CET estava rebocando um carro e interditou a “marginalzinha” e foi neste instante como último fôlego que consegui atravessar o carro em direção a um posto de gasolina. E ali fiquei!

Eu queria que chamassem os bombeiros, mas o posto não podia ficar com o meu carro. Foi então que consegui relatar para o meu marido, que imediatamente saiu de Campinas para me buscar em um posto na marginal, pois eu não conseguia dizer em que altura estava. O Meu Amado foi a SP o tempo inteiro conversando e me acalmando e me dizendo o que estava acontecendo. Até que ele chegasse,  tratou de acionar minha mãe…. e só mães fazem isto…. ela veio ao meu encontro entrando em todos os postos Shell que encontrou na marginal (pois o nome do posto foi a única informação que conseguia enxergar) e fez com que o posto ficasse com meu carro! Ela levou para casa dela e esperamos marido chegar com já com o Rivotril e me tirar da crise!

Posso dizer que tudo foi muito forte e intenso, nunca havia tomado uma medicação desta, mas a situação exigia. Hoje, com uma mudança radical no meu estilo de vida, exercícios físicos terapia e ainda uma pequena dose de medicação específica posso dizer que estou bem e longe de passar por algo semelhante a esta experiência.

Portanto, se posso dar um toque em vocês meninas, é fiquem atentas aos sinais dos seu corpo…. cansaço excessivo, tonturas constantes, dores de toda ordem, estresse, falta de paciência, agitação… enfim…. tratem-se, cuidem-se, nada melhor do que nos sentirmos equilibradas e com saúde!!! Tenho percebido com algumas pessoas que converso que muitas já passaram por isto, mas não contam…. Acho que devemos falar sobre o assunto pois os alertas nos deixam atentas. Eu confesso que não tinha a menor ideia o que meu corpo estava dizendo e que a crise de pânico poderia ser uma consequência. Hoje refeita, com muito amor e apoio da minha família, com minhas orações, posso olhar e dizer que tudo passou, mas que acima de tudo, a cura está em nós mesmas, nas mudanças de atitudes, prioridades e claro focar em NOSSO bem-estar, em nossa saúde física e mental …. em nossa real felicidade!

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Lucia – Bela Urbana, mais de 40, aqui somente Lucia, só seu nome, sem sobrenome, mas poderia ser Maria, Ana, Clara, Fabiana, Renata, Camila, Tatiana, Juliana, Alessandra, Sonia, Sandra, Raquel, Regina, enfim…tantas. O depoimento é real e serve de alerta para os sinais que antecedem uma crise e para percebermos que a vida deve ser mais leve no dia a dia.  

Fiz a mamografia e já senti que a médica ficou encafifada. Uma semana depois, recebo o laudo sugerindo uma mamotomia (que é um exame que parece uma punção). Fiz este também, com muito medo e ainda ouvindo da enfermeira insensível que seria muito difícil fazê-lo em mim porque eu tinha uma mama muito pequena. Até hoje sinto orgulho de mim por ter conseguido, naquele momento tão adverso responder ironicamente: “Sinto muito por ter mamas tão pequenas, eu te garanto que eu também adoraria que elas fossem maiores!!”
Quando recebi o laudo, mais um baque: “CARCINOMA DUCTAL IN SITU”.

Achei que aquilo era meu atestado de morte!! Senti muito medo, chorei muito, mas também fui valente o quanto pude. Tive todo apoio e amor que eu precisei. Ao levar o exame para a mastologista, ouvi que eu tinha dado uma sorte imensa, que era só retirar aquele pedaço da minha mama e que, caso não descobrissem mais nada no pós-operatório, eu “só” teria que fazer radioterapia e tomar um medicamento por 5 anos.

Naquela hora, tudo era assustador! Como assim retirar um pedaço da mama? Como assim radioterapia?? Como assim um remédio com mil efeitos colaterais por 5 anos? Hoje, consigo pensar que passei por tudo isso de uma forma tranquila. Operei na quinta e na segunda estava trabalhando como se nada tivesse acontecido. Fiz as 30 sessões de radioterapia e há 6 meses estou tomando o remédio que não me trouxe quase nenhum dos muitos efeitos colaterais ameaçados na bula. Agora estou em acompanhamento, fazendo os exames de rotina pra garantir que continuo bem!! O que eu consigo pensar de tudo isso é o seguinte: Não achei justo eu ter esta doença, mas seria justo com alguém?? Claro que não!! Agradeço todos os dias por ter descoberto tudo em momento tão precoce. É muito assustador passar por isso, mas hoje as possibilidades de cura são muito, muito grandes!!

O amor recebido nesta hora também faz toda a diferença!!

Por isso, meninas de 40, façam o exame, ele pode sim salvar sua vida!!

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Nadia Vilela – Bela Urbana, fonoaudióloga que fala pelos cotovelos, mas aprendeu também a ouvir!!! Mãe de dois adolescentes lindos por dentro e por fora. Tem sempre um sorriso sobrando no rosto e a certeza de que não veio pro mundo a passeio!

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Há cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil.

Um em cada 3 brasileiros acredita que a mulher é culpada por ter sido estuprada e normaliza a violência sexual contra a mulher.

Poderia eu aqui questionar os resultados das pesquisas ou a metodologia de estudo estatístico, afinal não há nenhum dado que deva ser considerado exato e imutável numa sociedade dinâmica e em constante transformação. Mas hoje não. Hoje quero falar de nossos medos, nossa luta, nossa obrigação de ensinar as futuras gerações a respeitarem e também lutarem pela liberdade das mulheres.

Desde criança fomos educadas para termos medo do nosso próprio corpo e da nossa própria condição de sermos mulheres.

Menina não senta de pernas abertas porque é feio!

Menina não fala palavrão porque isso é coisa de menino!

Menina de família não sai na rua essa hora!

Menina decente se dá ao respeito e não bebe, não fuma!

E tantas outras afirmativas que lutamos para desconstruir e ensinar às gerações seguintes que é possível ser o que queremos desde que não violemos o direito do outro.

Mas por que algumas reações ficam enraizadas no inconsciente (ou consciente) da condição de ser mulher dominada por uma sociedade patriarcal?

A mulher quando é assediada na rua, por exemplo, abaixa a cabeça, acelera o passo e só quer sumir daquele lugar o mais rápido possível. Afinal, nos sentimos culpadas por termos provocado o instinto sexual do sexo oposto e convivemos com a conivência do machismo arraigado nas entranhas da sociedade dominada pelo homem.

Ouvir um grito de “gostosa” pode ser considerado para alguns como o reflexo da aceitação da fêmea- padrão na sociedade. Não é difícil os machistas afirmarem que “nem o peão da obra achou ela gostosa”, como se esse um sinal de selvageria fosse o aval necessário para a mulher se considerar aprovada ao macho alfa.

A objetificação do corpo feminino é utilizado como meio de venda e divulgação de produtos e convivemos com isso com a mesma naturalidade que baixamos a cabeça, aceleramos o passo e nos calamos perante os assédios, abusos e estupros.

Não! Não pode ser assim! Temos que gritar, lutar, enfrentar!

Recentemente fui assediada na rua e enfrentei o assediador. Parei de andar, me virei para a direção dele, olhei bem nos olhos dele e perguntei se ele não se envergonhava de me tratar daquela maneira, de falar aquelas obscenidades a uma desconhecida. A reação dele? Pediu desculpas. Justificou que estava um pouco bêbado e pediu desculpas. Foi para o outro lado da rua, de cabeça baixa e não cruzou mais meu caminho.

Por conta disso eu continuo acreditando que ensinar quem não sabe é a melhor forma de luta. Se não pode me respeitar espontaneamente eu exijo respeito, se não pode me considerar igual porque sou mulher eu exijo igualdade, se não pode bater suas próprias asas eu alçarei voos altíssimos para exigir que todos sejam livres e responsáveis por suas escolhas.

Enquanto houver uma mulher tendo sua liberdade e seus direitos arrancados eu estarei lutando e gritando por todas nós, pois é minha obrigação me fazer entender e explicar que ser mulher é ser livre para estar aonde quiser, fazer o que quiser, com quem quiser, quando quiser.

E como disse o jornalista e escritor Xico Sá: “Por mais que você, homem sensível, diga que sente na pele, jamais sentirá o pavor de vislumbrar no beco a ameaça do estupro que ronda as mulheres no Brasil.”

Portanto, continuemos na luta, pois para nós mulheres chegarmos até aqui, muitas de nós ficaram pelo caminho.

Nossa obrigação é gritar para o mundo que exigimos respeito e igualdade para sermos verdadeiramente LIVRES.

Dedico esse texto às Simones, Marias, Fridas, Cecílias, Lygias, Clarices, Márcias, Vivianes, Luisas, Lauras, Rosas, Terezinhas e tantas outras anônimas que constroem a nossa história com coragem, ternura, lágrimas e sorrisos.

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Denise Alcântara – Bela Urbanas, socióloga e professora, pessoa livre nas ideias, no pensamento e nas atitudes. Minhas inquietações me mobilizam e motivam o meu aprendizado constante.

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Houve um período na história ocidental, mais precisamente, Europa, em que hordas de bárbaros invadiam cidades para tomar terras, matavam os homens, escravizavam jovens e crianças e estupravam as mulheres…

Quando os russos “libertaram” Berlim sitiada na II Grande Guerra mundial, foram recebidos pela população que lá sobrara, velhos, crianças muito novas, homens feridos e mulheres, de braços abertos, para logo em seguida partir para o estupro coletivo mais aberrante do século XX. Somente décadas depois esse crime foi reconhecido como crime.

Japoneses fizeram o mesmo na China, aliás, parece prática comum para oprimir e humilhar o povo vencido.

Ainda no século XX, nos porões da KGB e também do Doi codi, o estupro, coletivo, era prática de tortura comum, ora para quebrar a mulher, ora para quebrar o pai ou companheiro que era obrigado a assistir.

Parece que os traficantes e criminosos usam da mesma estratégia…

A questão toda é, usou-se de força física para violar um corpo, vários corpos.

Hoje, numa sociedade livre e civilizada, quero perguntar a você, mulher, mas a pergunta vale para qualquer um: Você se sente seguro quando anda por aí?

Posso afirmar, com convicção, que TODA mulher sofre ou tem medo de assédio. É um medo diário, da mais nova até a mais idosa.

É um olhar, um comentário, um assobio… É um toque, uma piadinha qualquer…

Isso é a cultura do machismo que leva a considerar a vítima culpada pelo crime.

Vale às famílias criarem gente menos preconceituosa, mais educada e respeitável.

Ou ainda vivemos na Era das Trevas.

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

 

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Passamos com frequência por situações que mexem com os mais diversos tipos de emoção, mas aprendemos desde bebês a ‘fingir naturalidade’. Aja como se aquela situação fosse a coisa mais natural do mundo… e às vezes até é, mas por estarmos vivenciando nós pela primeira vez, temos um turbilhão de sentimentos nos enlouquecendo, às vezes.

Primeiro dia de escola. Claro que é natural, todos vão pra escola!! Mas para aquela mãe e aquele filho essa separação não é natural! É o nosso bebê deixando de ser bebê e começando a vida adulta. Estamos com o coração apertado e muitas vezes aquela criança está insegura, com medo do desconhecido, sente nossa falta. Mas… finja naturalidade, faz parte do desenvolvimento daquelas pessoas.

Primeiro bailinho, festinha, baladinha… nada mais aterrorizante!!! Não sabemos como é, se seremos chamadas pra dançar, se ‘aquele’ menino vai estar lá, e se estiver vai prestar atenção em mim? Mas, por via das dúvidas, finja naturalidade, aja como se fosse a sua rotina! Claro que é divertido! Bem, quase sempre… mas aqueles momentos de incerteza são cruéis!!

Primeiro beijo… mil borboletas no estômago, a cabeça girando… mas finja naturalidade, não saia pulando e gritando de euforia, afinal isso daria na cara a inexperiência, além de deixar o autor do beijo muito seguro… não, não podemos… mas provavelmente ele também está tão eufórico quanto você e adoraria um sinal de que agradou. Mas como fingimos naturalidade, ele finge também… simples assim! E aquele primeiro beijo perde metade da graça por termos que fingir naturalidade!

Primeira entrevista de emprego. Ah, as mãos tremendo, o coração aos pulos, a insegurança da avaliação, da competição, da ‘autoridade’ representada pelos recrutadores. Mas… finja naturalidade! Finja que aquela vaga nem é tão importante pra você, que essa aprovação não vai fazer toda a diferença no seu futuro, que é só mais um processo seletivo qualquer.

E assim, segue… casamento, filhos, carreira, promoções, demissões, perdas… passamos pelas mais variadas experiências, grande parte delas fazendo de conta que está tudo bem, que é tudo natural, quando na verdade estamos eufóricas ou quebradas por dentro. Fingimos uma naturalidade que beira o absurdo em determinadas situações.

Porque a vida segue o seu curso, porque no fim as coisas se ajeitam, porque no fim as coisas são mesmo naturais e acontecem todos os dias… com os outros! Com os nossos pais! Com os nossos amigos! E por isso, quando é a nossa vez, fingimos naturalidade… Embora nossos corações estejam aos pulos! Embora tenhamos mil perguntas ao mesmo tempo em nossas mentes!

E ao ler esse texto, por favor, finja naturalidade… afinal é mais um texto qualquer que alguém qualquer escreveu!

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

 

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Hora de mudar

Renovar

Outro ciclo que inicia

Da alma sempre inquieta

Da vida que se delicia

Sempre uma nova meta

Do pavor que isso propicia

 

Da vida de hoje o que se leva

As amizades gostosas

Isso tudo fica

Dos amores conquistados

As lembranças

Os anseios

A coragem

 

Seguir em frente

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.