Irão tentar convencer você de certas coisas. Por exemplo que uma árvore não tem alma, mesmo que ela prove do amor em forma de fruta saborosa.

Irão desconfiar de suas verdades, mesmo sabendo que você viu o crime da rua sem saída.

Irão desconfiar de suas lembranças, mesmo sabendo que tudo está no arquivo vivo de sua massa cinzenta.

Irão desconfiar de sua inquietude mesmo sabendo das suas sutilezas.

Irão desconfiar da sua sanidade, mesmo aplaudindo a reverence das borboletas.

Irão desconfiar da sua alegria, mesmo quando a sorte numa manhã sorriu em abundância.

E quando se der por vencido, não esqueça de lembrar que você é a substância viva do universo e é dele todas as verdades.


Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

Em tempos de tanta incerteza política, econômica e principalmente social parece difícil acreditar em espírito natalino, mas aí está. Ele vem chegando e com ele todo aquele frenesi que uns acreditam e outros lamentam.

Outro Natal. Outro balanço.

Outro ano que entra de fininho junto às receitas trocadas.

Natal pressupõe perdas e ganhos de ambos lados de taças. A vida é isso. Um Brinde!

Lembranças que revivem sabores e texturas. A ceia farta de comida, mas que não esconde a falta alguém. A toalha manchada daquele tinto que seu tio contando a mesma piada deixou derramar. Aquele encontro respeitoso ou aquele abraço caloroso. Orações. Cheiros. Afetos. Choro. Riso.  Significante ou não aqui estamos de novo e ele chegou. É Natal mesmo. Acenda as luzes, porque a graça é um pouco essa. Fiat Lux!

Natal não tem a ver com magia ou o presente dado e recebido, trocas e filas. O Natal tem a ver com você mesmo e é por isso, talvez, que o balanço é difícil. Às vezes dá e as vezes não dá.

É fácil gostar do Natal. O difícil é estar realmente nele porque acho que somos uma louca mistura de emoções e porque resultamos cada qual de uma longínqua caminhada até aqui.

Que nesse Natal a gente possa desfrutar de uma paz. Paz que chega delicada, vem pequena e tímida, às vezes aparece quando ninguém esta olhando, no conforto do seu fim de dia ou na música que embala futuros sonhos.

Que a gente se redima de erros velhos e babacas e que a taça de todos esteja cheia para brindar junto ao peru grande ou pequeno, porque sim, estar junto também faz parte. É Natal.

Que a paz esteja conosco. E que ela Cresça.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

 

Quando os irmãos lumière apresentaram ao mundo o cinema em 1895 muitos apostaram que seria uma brisa passageira, porém, os quadros em movimento povoaram o imaginário das pessoas. E aí está!

As pessoas: esse universo no qual a psicanálise embarca há tempos tentando entender você, eu, tu e eles. Com a chegada da televisão não foi diferente, o que mudou foi somente a forma e a linguagem, ainda que, pessoalmente, eu prefira a tela de projeção, tudo bem dinâmico e associado fizeram de novelas e hoje séries um verdadeiro vício pelo próximo capítulo ou episódio. Tudo por uma história bem contada, um enredo, uma trama, um roteiro adaptado para a vida.

As pipocas só aumentaram seu consumo e o consumo só aumentou mais fãs. Hoje com as mídias sociais, podemos ser mais belos, mais magros, inteligentes e interessantes, quase sem defeitos, orbitando uns aos olhos do outro.

Contatos, relações, profundas ou não, é bom lembrar que tudo fica fascinante quando você acha que domina seu perfil, mas aí está de novo. Por que? Porque todos só querem mesmo ser amados e aceitos ainda que de forma virtual ou “cinematográfica”. Fazendo uma ponte com um dos musicais mais lindos que vi por essa tempos, “la la land”, acho que na trama deliciosamente bem dirigida você mergulha em universos paralelos onde afetos e horizontes ainda que divergentes contam sobre um amor e um encontro quase juvenil que desabrocham em música, dança e interpretação das boas, é bom que se diga, e emoções projetadas. E aí está novamente! É delicioso!

Os dois lados da mesma moeda: um mundo dinâmico, fantasioso e colorido mas que acompanham os indivíduos e sua trajetória pessoal onde um não existe sem o outro. Um verdadeiro encontro entre a tela e o espectador que também dançam juntos mas que terminam sozinhos quando as luzes acendem.

Vivamos com sabedoria esses tempos líquidos e que acima de tudo a gente se divirta pelo preço do ingresso, da pipoca e da companhia.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

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Gloss, RG, chicletes, um troco e você.

Gloss, batom, rímel, RG, chicletes, um troco e você.

Gloss, batom claro e escuro, rímel, RG, celular, documento do carro, óculos de sol, absorventes, chicletes, dinheiro e você.

Gloss, batom claro e escuro, rímel, protetor solar, RG, celular, documento do carro, óculos de sol, cartão do plano de saúde, cartão de crédito, chaves, chicletes, absorventes, agenda, dinheiro, moedas e você.

Gloss, batons de todas as cores, lápis delineador, rímel, protetor solar, RG, documentos gerais, óculos de sol e óculos de grau, celular, cartão do plano de saúde, cartões de créditos em vencimentos diferentes, pílula, absorventes, amostra de perfume, chicletes, dinheiro, moedas, agenda, lixa de unha, pinça e você.

Gloss, batons de todas as cores, lápis delineador, rímel, protetor solar, RG, documentos, óculos de sol e óculos de grau, celular, cartão do plano de saúde, cartões de créditos, pílula, absorventes, remédios para dores em geral, principalmente cólicas, lixa de unha, pinças, vitaminas, chicletes, chocolates, dinheiro, moedas, agenda e lenços umedecidos e você.

Gloss, batons de todas as cores, lápis delineador, rímel, protetor solar, RG, documentos, óculos de sol e óculos de grau, celular, cartão do plano de saúde, cartões de créditos, pílula, absorventes, remédios para dores em geral, lixa de unha, pinças, vitaminas, lenços umedecidos, água termal, chicletes, chocolates, perfume, dinheiro, moedas, agenda, bloco de notas, 13 canetas, elásticos de cabelo, piranhas, bijuterias, papeizinhos, amostra de perfume, talão de cheque, notas fiscais, agulha e linha, pendrive, poesia solta, desenhos dos filhos, pocket books, creme para as mãos e você.

A Bolsa da mulher é viva, orgânica e descontrolada. Conforme crescemos a bolsa também ganha”hormônios” e vai se transformando num pequeno monstrinho adorável que orbita no nosso eixo.

Pequena, média ou maxi, ela parece ser uma extensão de nós mesmas, como pequenos jabutis e caramujos e encontramos nela (quase) tudo que precisamos. “Mãe, me da uma caneta?” “Desceu pra mim…” “Tem o telefone daquele medico?” “Acho que deixei na outra bolsa…”

Verdade incontestável: Toda mulher adora uma bolsa nova.

Se um dia, você escapar da morte e desembocar numa ilha primitiva e deserta, não reze pelos aviões e sim para que venha boiando uma bolsa feminina na sua direção. Certeza que vai se der bem (pelo menos até os nativos não te acharem).

Todo esse texto é pra dizer que sim, a bolsa tem uma importância absoluta para nós que desde fase tenra vamos escolher a mochila do ano letivo, mas, bom mesmo é depois de adulta, largar toda a parafernália e sair sem lenço e sem documento.

Só você.

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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

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Curta, falhada, perfeitinha, pontiaguda como um cactus, messiânica, patética, grande e emblemática, terrorista, pueril, tracejada, lenhador, ruivinha, grisalha, preta, loira, branca Noel, grossa, rala, sistematicamente cortada ou mal ajambrada como um naúfrago.

Não importa.

Um dia todo homem quer deixar a barba crescer e ver o que a genética guardou para seu rostinho.

Pra saber como é. Ou não é.

Minha relação com a barba (dos outros) começou cedo quando pedia para passar o creme Bozzano no rosto do meu pai, pincelando tudo, menos o bigode. Ele fazia religiosamente a barba, mas deixava o bigode intacto aparando e medindo como num momento sacro.

Gostava de olhar.

Meu avô também assim fazia. Do mesmo jeito.

Depois vi meu irmão brigar, conversar e renegar sua barba por anos a fio, já que dividíamos o mesmo banheiro.

Depois alguns namorados.

E daí o marido, que também teve várias facetas desde a mais lisinha até a mais áspera. E hoje sei muito bem o que vai acontecer com meus filhos um dia. E acho incrível!

 

Nós mulheres, não sabemos o que é isso. Deixar os pelos crescerem, aflorarem e dominarem, mas deve ser ótimo isso poder acontecer quando se quer.

A barba é uma verdade. Ela existe pra quem quiser. Os homens têm um privilégio em usufruir dessa condição social que boa parte das mulheres, verdade seja dita, gosta e muito.

 

Tive um tio que pouco falava, mas quando passava a mão na barba parecia ter todos os argumentos do mundo. Ele tinha um ar “fodão”, meio Sean Connery e uma reputação de namorador, um dia tirou a barba porque perdeu uma aposta. Acabou-se a magia.

“O que aconteceu com o Arnaldo?”

“Ele tirou a Barba?”

” Por que?”

Indagavam as moçoilas inconformadas da rua Maria Monteiro.

Era criança, mas atenta.

Acredito que como as mulheres usam seus cabelos, os homens usam a barba para criar pontos fortes e ocultar algumas fraquezas.

 

Acho incrível o número de barbearias que estão tomando conta da cidade dando aos homens formatos e texturas. Mas também acredito que como muitas mulheres, os homens devam atentar- se a realidade. Ou seja, não adianta querer ter a barba cheia do Ben Affleck se você só tem três pelinhos lindos. Melhor investir em outros aspectos e não sofrer com isso. Disso entendemos bem.

Novamente o difícil equilíbrio entre desejo e realidade.

Dentro desse mar de pelos não custa lembrar que atrás de toda essa barba que dia a dia brota dos poros dos novos homens a grande tendência é mesmo entender esse novo homem plural e contemporâneo convidado diariamente a discursar não somente sobre sua barba, mas também sobre si mesmo.

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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

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“A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.”

Leon Tolstoi

Essa afirmação existe há tempos não é mesmo? Não tanto como a luta pelos Direitos de Gêneros, mas não vou falar sobre isso, quero somente falar de uma mulher qualquer nesse dia qualquer de um hoje qualquer.

Eu.

Acordo já pensando nas mil pequenas tarefas diárias, aquelas que esgotam nosso tempo e também parte do humor, mas alguém terá que fazer o trabalho, no caso eu mesma, pois bem, sigo em frente, igual a milhões de pessoas, atarefada e cronometrada pelas 24 horas, parecendo competir comigo mesma num campeonato onde o troféu é o meu cúmplice travesseiro. No elevador com compras, malas, bolsas e mochilas, sigo para levar as crianças para a escola e verifico se meu I pod está carregado porque terei um ensaio importante. Esqueci de mencionar que trabalho com Dança.

E entre todas as prioridades apareceu mais uma, achar um argumento para explicar para o filho mais novo porque ele não pode ter seu próprio jabuti. Isso mesmo. Ele ainda não pode. Nem eu posso. Talvez nem você possa, mas é necessário dar uma resposta condizente ao pequeno quando o elevador abre e “ufa”, todos saem correndo; inclusive eu. Dai chego ao trabalho. E lá vem ela.

A Dança.

Sim, a Dança que me obriga e despir-me de mim mesma como numa ordem. E assim, eu faço, obedecendo e tentando agradá la de todas as formas. O tempo todo. Naqueles momentos junto aos amigos, alunos, parceiros, música, dor, suor e concentração acontece uma tríade. Mente, corpo e alma, onde seu corpo vira uma espécie de pensão de emoções tentando comunicar se com você mesmo e com o outro.

A Dança é uma arte que te escolhe e ponto. Não tem outra opção, não há acordo, não discuta com ela. Ela é tirana e tão feminina como uma leoa no cio. Caça e caçadora se alimenta de você e te alimenta de volta, devolvendo a energia que faz você respirar. Claro, que muitas pessoas encontram isso em igual força e semelhança em outras artes, mas posso falar desta. Soberana ela dita e você obedece. Mas muitas valentes teimosas não escolhidas também chegam lá. E como!

Em meio a idas e vindas, versos e reversos lá estamos em busca do aplauso. Um aplauso interno, pessoal que complete uma existência. A mulher da dança estará sempre insatisfeita como todas as outras, será sempre crítica, como muitas outras, lutará contra o tempo até aceitá lo e também será interrompida de sua última valsa como todas as outras.

Mas se ao raiar do novo dia, você estiver lá com suas demandas e agradecer por logo menos poder encontrá la novamente, terá outra chance diante do indizível. Comunicar-se através do corpo e do ritmo em busca de seu aplauso interno. Aplauso que todas merecem. Parabéns para nós em todos os 364 dias, mas por hoje vale lembrar que o significado de ser mulher é a gente que dá e não o cupom de supermercado ou a flor doada no banco.

Bravo!
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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.Meg Lovato-

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Os relatos de várias mulheres com  #primeiroassédio e agora com #meuamigosecreto me encantou acima de tudo como o bom uso de uma ferramenta de comunicação pode sim ser coletivamente positivo para moldar um muralzinho de histórias sobre um assunto tão comum entre as mulheres, mas tão notoriamente pouco compreendido entre os homens: O abuso sexual.

Hoje, após ler algumas experiências me senti totalmente motivada a relembrar um episódio entre outros que definitivamente me fez sentir medo e raiva.

Vamos lá:

Uma vez, bem menina, estava pedalando próximo a uma praça no bairro no qual morava em Campinas curtindo e dominando bem o ritmo da bicicleta, lembro que gostava até de arriscar uns pulinhos modestos embalada pelo som do meu walkman que religiosamente tocava titãs e plebe rude. Pois bem, de supetão fui abordada por um Chevette vinho, meu bairro era perto de uma de vila militar e pensei que o distinto gostaria de alguma informação sobre aquelas bandas, mas não.

Bem pensado ele saiu do carro e colocou seu membro para fora ordenando que eu o pegasse e me chamando de vagabundinha várias vezes. Eu morri de pavor, tinha apenas uns 13 anos.

Sai tremendo e chorando e ele rindo.

Não contei o ocorrido para meu pai com medo dele me proibir de andar de bike e definitivamente ele iria fazer isso.

Passei a noite sem dormir com um medo que oscilava para a raiva. Raiva daquele sujeito que nunca havia visto na vida toda. Quem era ele? Porque fez aquilo? Fará de novo?

Dias depois voltei a pedalar, ato sagrado para colocar algumas idéias no lugar em plena adolescência, mas quando passava perto da praça era tomada por sua horrível lembrança.

Hoje sou mãe e mulher adulta mas, aquela pequena adolescente que fui; ainda guardada dentro de mim bem que gostaria que esse senhor, se vivo, seja um brocha de merda, porque eu não tenho mais medo do Chevette vinho mas, todo homem tem medo de ser brocha.

Desculpa o rancor “amigão”, você deve ter feito isso com muitas meninas mas, hoje a gente pode falar abertamente sem culpas e temores e não escondida no banheiro. E isso, isso é demais!

Cada história dessas serve acima de tudo como exemplo do que NÃO fazer com meninas e mulheres.

É pedir muito? Que seja, afinal respeito é bom e todo mundo gosta.

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Meg Lovato – formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.