Recentemente tivemos mega empresários lançando suas naves em direção ao espaço. A acumulação de capital foi capaz de tirar do estado o protagonismo no investimento em áreas de fronteira tecnológicas e, a título de explorar negócios tanto no turismo espacial quanto às patentes tecnológicas derivadas dos desenvolvimentos técnicos desse intento, enchem os bolsos desses magnatas.

Em paralelo, jovens garotos crescem unindo técnicas da psicologia social ao campo da TI, inventando redes de contato social que transferem dados comportamentais à conglomerados empresariais que, sabendo o que somos e gostamos, oferecem produtos nas redes sociais. Ambos os exemplos mostram a revolução que estamos passando na atualidade, semelhante ao que ocorreu no início do século XX, quando a eletricidade mudou o mundo.

E naquele tempo, mega empresários disputavam as fronteiras tecnológicas, econômicas, sociais e culturais para emplacar tecnologias tão distópicas para aquele tempo quando dar um rolê à gravidade zero, enquanto vê a terra (redonda) lá de cima, muito de cima. Homens super capazes, tornando-se mitos da história e enriquecendo.

Cadê as mulheres? No início do século XX, lutavam para votar. No início do século XXI, lutam para serem votadas.

Antes de ser um texto que critique o já combalido capitalismo que vivemos, esse texto evoca não a ausência das mulheres no topo do mundo, mas o lugar que colocamos ela em nosso dia a dia. Onde elas se escondem e como nós, homens a escondemos.

A ausência de mulheres na mesma proporção que homens nos postos históricos não ocorre porque nós homens, aqui embaixo, travamos seu potencial a cada momento que, empoderados da chave do carro e do cartão de crédito, os cedemos a elas como conquistas corriqueiras. Coisas que são delas por natureza passam pela nossa benção no dia a dia da casa. Quem pensa em mudar o mundo se precisa da bênção do pai ou do marido?

Toda vez que uma mulher precisa esperar um homem ser promovido para ter seu talento (bem maior na maioria dos casos) reconhecido, vai se ocupar de gastar sua energia provando que merece aquele posto. Essa energia deveria ser gasta em cálculos complexos (que ela domina bem mais inclusive) que matem a fome do mundo e lhe garantam um Nobel da paz.

Três ou quatro rodadas de Whisky e nós homens fechamos contratos milionários. Para ganhar o pão, a mulher precisa se esquivar de sofás nojentos (sejam físicos ou subjetivos…). Essa energia desperdiçada em fugir do patriarcado é, sem dúvida, um desperdício para a humanidade.  E faço um exercício de pura lógica física: Energia que se perde num circuito é energia perdida no trabalho. Pense a metáfora em escala Joule (J) e vai entender (e vá para o Google se precisar).

Então vamos criar uma lei que ordene esse comportamento e coloque essa energia toda à disposição da sociedade! Já existe, nós homens distorcemos. Então vamos prender quem o faça: os juízes homens soltam….

Você, homem que lê esse texto, observe se você não age fazendo com que a energia das mulheres ao seu redor fique represada ou desviada para exercícios hercúleos (vide 12 trabalhos de Hércules, uma bela metáfora) para provar quem são. Veja se sua postura, conservadora de privilégios sob a forma de gentilezas, não torna a mulher alguém sutilmente submissa. Começa por aí: dentro de casa, na fila do pão, no trabalho.

E mais: todas as vezes que nós, homem, lembrarmos dos romances e relacionamentos que terminaram meio que sem entendermos, saibamos que, muito provavelmente, a mulher que estava ao nosso, lado (ou pessoas de outros gêneros, diga-se de passagem), cansou de gastar energia em tentar provar quem são, não colocando nenhum Joule a mais que for nem para explicar sua decisão para nós.

E antes de julgá-la pensemos: o que será que devo mudar em mim para acolher uma igual sem roubá-la a energia que deveria ser usada para mudar o mundo? Porque se, depois de milênios de patriarcado, ainda nos deparamos com mazelas sem precedentes, é porque fracassamos com nosso falo. É hora de confiar a elas para liderar um novo mundo possível.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.