Parabéns, Minha Filha, por ter chegado ao dia de hoje com tanta desenvoltura.

Parabéns por ter superado seus medos e aprendido com seus erros, sempre se metamorfoseando.

Parabéns por trazer consigo o gosto pela liberdade, o respeito e empatia pelos seus semelhantes e por toda a natureza.

Três Vivas!!! por ser tão acessível e amável;

zilhões de beijos cheios de gratidão, por ter trazido luz à minha vida, antes tão sem graça.

Que você continue rindo sem pudor; que encare tudo como aprendizado;

que faça o que lhe der “na telha”, sem, jamais, prejudicar quem quer que seja;

viva solta e levemente, e só dê importância ao que realmente é relevante;

que você encontre pessoas de todos os matizes ideológicos e com todo tipo de personalidade, para exercitar a tolerância, a percepção e a arte de bem viver; 

que não retroceda diante dos obstáculos, para se fortalecer mais e mais;

que tenha muitos amigx, muitos amores, muitos colegx, muitos afetos;

que você transcenda a matéria no seu período nesta Terra;

e que tenha o suficiente para continuar sendo VITORIOSA.

Maria Claudionora Amâncio Vieira –  Belas Urbana, formada em Direito pela Universidade Estadual Paulista – UNESP e é especialista em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela Universidade de Franca. Amante incondicional da Natureza Selvagem, grande apreciadora dos prazeres da vida, leitora contumaz e cinéfila por excelência

Há um ano atrás eu estava lá.  Na casa da Dora. Os cachorros brincavam, nós conversávamos muito, falávamos do jardim, tão lindo. Somos amigas há 42 anos. Lá eu cozinho, sento na varanda, sou acolhida de uma forma deliciosa.

A CNN entrou no ar,  logo trazendo a notícia de um vírus com alta taxa de letalidade  chegando abruptamente no Brasil, medidas de contenção sendo discutidas, lockdown na Itália…… isso assustou,  provocou silêncio na mente, no coração e no olhar.

Ficamos perdidos.

Será que minha cachorrinha e eu conseguiríamos voltar para casa sem problemas?

A Dora e eu gostamos de costura.  Então fizemos nossas primeiras máscaras. O marido dela  – Edison – acompanhando as notícias todos os dias.

Voltei. Assustada, passei quarenta dias isolada, quieta, um misto de medo e incredubilidade.

Nesse meio tempo minha cachorrinha morreu. Toda dor ficou acentuada como se fosse um espinho no peito,  um espasmo sem fim na garganta. Meus vizinhos Simone e Rodrigo trouxeram um jantar para mim.

Ir à horta a cada dez, dias virou o melhor programa do mundo!

A TV pifou. E fui acudida pelo Rafael, que me trouxe uma extra. Que delícia falar com alguém, ver alguém querido!

É assim foram seguindo os dias,  o sentimento de orfandade sendo acentuado.

No dia das mães fui adotada. Cinco mulheres incríveis me incluíram no café da manhã surpresa para a mãe delas (minha prima querida).  Fui surpreendida com flores, doce com velinha e um inesquecível coro de vozes no meu “parabéns a você, nesta data querida…”.

Esse ano não está sendo fácil para ninguém.  São tantas idas e vindas politicas,  tantas mortes,  tantas pessoas irresponsáveis,  mas…. EU FUI ADOTADA.  E ADOTEI. Um cachorrinho que estava quase morto e, pesando 300g, e hoje está incrivelmente sadio.

Penso que a pandemia ficará para sempre em mim como o melhor e um dos mais difíceis períodos da minha vida.

Periodo de muitas reflexões,  adaptações. 

Desejo profundamente uma adoção para todos.

Porque quero voltar para a casa da Dora.

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena.

Antes de ler esse texto, saiba que ele expressa a minha opinião. Você pode não concordar, posso não concordar com a sua, mas defenderei sempre o direito de expressá-la, ok?

Desde que mundo é mundo a humanidade vive de saco cheio. Faz guerras, conquista terras, monta exércitos, mata, deixa viver, ama, odeia, liberta, prende, educa, encarcera e por aí vai. Tudo porque o saco sempre esteve cheio. Cheio de amor, de ódio, de coragem, de medo, de ganância, de compaixão, de sonhos, de desilusões. De força, fraqueza. Inquietude. Paz.

Vamos comparar nosso corpo como um saco. Você coloca a medida. 1000lt, 100lt, 50lt, 30lt… saquinho de pia, de lavabo… mas é um saco. Imagine-se como um saco. De tecido forte, de plástico, de ráfia, de estopa… você decide. Porque o seu corpo tem uma pele que vai carregar esse saco e ele pode rasgar ou pode aguentar a carga.

Esse texto, a princípio, era para falar sobre a minha experiência na pandemia nesse um ano. Mas resolvi que mudaria um pouco esse foco porque são tantas análises sobre o tema, tantas notícias, tantos textões, um monte de opinião e resolvi fazer esse comparativo porque, simplesmente, também estou de saco cheio. Fiz uma autoanálise e talvez possa te ajudar a fazer também. Embarca comigo nesse devaneio.

Meu saco está cheio, já faz tempo. Nesses últimos anos decidia como encher esse saco, esse corpo, essa mente. Fiz tantas maluquices que fiquei de saco cheio de porcaria. Mas no fundo do saco, deixei o melhor de mim. Foi preciso, nesse último ano, passar por muitas, boas e ruins, para conseguir esvaziar o lixo e encontrar sentimentos que poderiam me transformar. Transformar o meu caminho, a minha vida e me dar a liberdade que eu tanto precisava e não sabia como chegar ao topo, já que me soterrei em entulho. Nesse último ano, essa pandemia me questionou a chance de cavar até o topo. Tive medo de perder minha vida, minha filha, minha mãe, minha família, amigos… tive medo do futuro incerto. Meu medo ficou maior porque estava muito perdida na depressão. Mas consegui encontrar um rumo. Vendo a tristeza que assolava a vida de muitas pessoas, como eu poderia me privilegiar da minha, como poderia ajudar e construir um entorno melhor, cavei, cavei, cavei… até chegar lá na boca do saco e jogar o lixo fora. Ainda está no processo de lixo seletivo, descartável, reutilizável, mas estou tentando fazer um bom trabalho.

Achei que com toda essa situação no mundo as pessoas seriam melhores, mais solidárias, teriam mais compaixão. Menos egoísmo, egocentrismo. Mais parceria, menos individualismo.

Atualmente, podemos ver de tudo. Pessoas, empresas e projetos incríveis foram descobertos, destacados. Exceções importantes, impactantes e de grandes iniciativas pessoais ou em grupo. Muitos disseram que sairíamos dessa como pessoas melhores. Algumas sim. Mas a humanidade parece ainda “não ter dado certo.” Acho que continuamos devendo como seres humanos.

O umbigo continua sendo o centro das atenções, pessoas preocupadas com sua própria liberdade e irritadas com suas privações. Desgoverno que nos dá uma baita insegurança, pessoas erradas, movimentos errados, tardios.

Sim, as pessoas precisam trabalhar, ganhar seu sustento, as famílias precisam comer. O país não pode parar. Mas acredito que existem formas seguras de fazer essa máquina Brasil andar. Escolas abertas, comércio, academias… enquanto hospitais estão cheios e pessoas morrem nos corredores sem ar. SEM AR!

Respira fundo antes de dar a sua opinião. Respirou? Pois é. Você, assim como eu, somos privilegiados por termos ar. Por termos pulmões. Pulmões que nos fazem acordar pra vida!

Não estamos vivendo só o negacionismo. Estamos vivendo uma tremenda burrice e barbárie.

Você aprendeu a escolher o que tirar, reciclar e deixar no seu saco? Se sente parte de uma sociedade complexa, se tornou mais atento e solidário ou não tem nenhuma conexão coletiva? Fica se enchendo de política e discurso ou tenta olhar para si e para o próximo?

Nesse ponto de vista, seu saco está cheio de que?

Dani Fantini – Bela Urbana, Relações Públicas de formação. Se jogando na escrita de coração!
Mãe da Marina, filha super companheira! Cuida da casa, trabalha com gente, ama animais, plantas, é cercada de bons amigos e leva a vida com humor! Pode-se dizer que é completa, mesmo faltando algumas peças nesse enorme quebra-cabeças que é viver!


Foto Dani: @solange.portes

Combinei com minha amiga que escreverá a história da minha vida como artista, mas como começar?

 Qual trecho seria interessante pra esse começo além do nascimento?

 Começar é igual uma tela em branco, sempre difícil e assustadora para muitos, ou uma fantástica aventura, um desafio, uma nova possibilidade para tantos outros. Pra mim por exemplo…

 Adoro essas novas possibilidades e desafios, elas me aguardam na minha intensa vontade de começar algo novo, diferente sempre, repleto de incertezas, tensões, frio na espinha, pensamentos, criação, …e aqui vamos nós nesse mais novo desafio, contar a história da minha vida enquanto vivo, ao menos por aqui.

 “Pinceladas de uma vida”

 Auto biografia de Mauro Soares, apenas um simples artista.

 Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares