Outro dia fui à feira comprar algumas coisas para fazer um creme de abóbora. Eu tinha até levando uma lista: abóbora, alho poró, gengibre e salsinha…de repente, um vendedor me abordou e me ofereceu tomates. Sim, tomates maduros, saborosos, recém colhidos, foi o que ele me apregoou.

Pensei: não preciso de tomates, mas estão tão bonitos e o vendedor me parece tão certo das qualidades do produto…quer saber? Vou levar os tomates!

Cheguei em casa já cheia de expectativas sobre o molho maravilhoso que faria e lá fui eu para a cozinha.

Abri o primeiro tomate e… podre! O segundo, a mesma coisa. O terceiro, o quarto…o lote quase inteiro sem condições de uso. Comecei a me questionar: nossa, mas estavam tão bonitos e o vendedor tão certo sobre suas qualidades. E dinheiro que gastei? O que vou fazer?

Me apeguei a ideia do tal molho, naquilo que ia perder é quase esqueci dos ingredientes que tinha comprado para a sopa.

Mas não tinha o que fazer, eu tinha sido enganada pelo bom papo do vendedor e pela aparência do produto. Num momento de frustração pensei: nunca mais compro tomates!

Me desapeguei da ideia do molho, me lembrei dos outros ingredientes que eu tinha na geladeira e fiz uma deliciosa sopa que apreciei imensamente.

E o tomate? Na semana seguinte voltei a comprá-los e fiz um belo molho. Porque não seria um vendedor enganador ou um lote podre que me fariam deixar de acreditar nas possibilidades desse ingrediente maravilhoso.

Assim como na cozinha, é na vida…

Quantas vezes a gente não foi enganada por pessoas ou situações que se apresentaram promissoras, mas no fim eram apenas “tomates podres”? Tenho certeza que todos nós já passamos por isso…mas é preciso acreditar que são situações isoladas e que valerá a pena abrir mão dos apegos, das mágoas e seguir em frente acreditando que existem outras pessoas, outras situações possíveis e que, se você não desistir, você poderá experimentar o melhor “molho” da sua vida!

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr que fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

 

A 1ª vez que recebi os Parabéns pelo Dia da Mulher foi em 1980 e eu, com 16 anos, perguntei por que haveria um dia da mulher. Com o tempo, é claro que fui estou descobrindo, mas aquela pergunta me instigou quando eu ainda me questionava o que era ser feminista.

Recentemente, fui buscar nas redes sociais, os motivos que levam algumas pessoas, homens e mulheres a lutar contra o feminismo e deparei-me com uma ala radical, cujos comentários de teor violento, precisei engolir, assustada, para tentar entender o que pensam: feminista é mulher feia, frustrada, gorda, com pelo no sovaco e falta de rola, que não merece nem ser estuprada! Normalmente saio da conversa quando a palavra “feminazi” entra na discussão. Mas digo que foi uma pesquisa interessante. É uma sociedade machista que não está aberta ao diálogo.

Essa era a ala radical, existe também o machismo velado, tipo “mulher deve lutar pelos seus direitos, desde que não interfira com os afazeres do lar”, ou “para que tanto mimimi?”

Estamos em março de 2017 e as pessoas ainda se espantam quando falo sobre a luta das mulheres para coisas tão simples como ter direito a votar, trabalhar, receber salário, o direito de estudar, de viver, não ser morta ou limitada pelo companheiro que se julga dono. Mulheres qualificadas ainda perdem a vaga por serem “mães”, ganham menos que seus colegas homens e justifica-se que faltam mais, produzem menos e não são boas no que fazem. Elas sofrem assédio! No emprego, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé…   Moral ou sexual. Levante a mão a mulher que não passou por isso, incluindo sua mãe, avó e filha.

Hoje me defino como Feminista sim! E quem não é, está mal informado! Homens e mulheres feministas são nada mais que pessoas que respeitam o outro ser como seu igual. Feminismo é entender que todos tem os mesmos direitos e deveres, capacidades e limites. É respeito pela pessoa, independente do gênero, cor ou credo.

Feminismo não é oposto de machismo, visto que machismo visa a opressão, enquanto o feminismo visa igualdade.

Ainda causa estranheza quando uma mulher está em um cargo de liderança ou quando desempenha uma função considerada masculina, como no mundo corporativo, na publicidade, na política, no taxi, caminhão, construção, no desenho, ou tantas outras áreas.

Eu, hoje, estou entre as “Mulheres Cartunistas”, “Mulheres desenhistas” mais conceituadas no Brasil. Muito feliz! Mas fico me perguntando quando eu e minhas colegas de traço seremos “cartunistas”, “desenhistas”, “quadrinistas” do seleto mundo do cartum, sem referência a gênero.

Como diz minha irmã Åsa: “Torço para que um dia não haja mais necessidade de existir um dia para lembrar as pessoas que mulheres são gente.”

Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

Desenho menina Synnove

Nada é tão simples

Nada é tão complicado também

 

Se for para escolher

Eu escolho você

De mente aberta

De braços abertos

De coração apertado

Um coração calejado

 

Palavras… Ah! Palavras

Tão doces ficaram amargas

Cuspidas com dedos em riste

Palavras de escárnio num dia triste

Jogadas no ar e na rede social

Tão julgadoras da moral

 

Palavras… Eu as quero doces novamente

A amizade de quem convive livremente

Sem ideologias e donas da verdade doente

 

Ambos queremos o mesmo e pronto

Não é  preciso provar o seu, o meu ponto

Disso, a história se encarrega

 

Eu… Eu escolho você

A política que vá se… danar

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.