Quando recebi o convite da Adriana para escrever para a campanha de Novembro Azul do Belas Urbanas, primeira coisa que me veio foi o dilema que afeta muitos homens: A fragilidade de nossa masculinidade diante de qualquer ameaça simbólica que nos coloque em risco de nos aproximar do que é feminino.

A mulher se cuida. E vive estatisticamente mais porque se cuida. Ela cuida de si e de todos em busca de pistas sobre tudo que nos tira a qualidade e a plenitude da vida, ao ponto de esmagar seu seio numa mamografia em busca de vestígios de câncer de mama, ou se expor e ser invadida friamente num exame de Papanicolau ou num Ultrassom Intramarginal. Ela reclama? Não. Muitas dizem que é incômodo, mas não se esquivam, não se acovardam. Elas vivem!

Nós, másculos, fugimos de um dedo. Fugirmos em direção a nossa morte, preconizada por um sofrimento abissal, que não é só nosso, mas de filhos, pais, amigos, mulher e todos os que nos rodeiam. Preferimos fingir arminha com dedos em uma brincadeiras da infância, mas fugimos dos dedos que nos são ferramentas de vida na fase adulta.

Morremos por covardia de enfrentar uma situação que nos parece uma guerra do ego, da vergonha. E encampamos essa guerra sabendo que podemos perder de forma vergonhosa. Se mulheres fossem generais, talvez nosso plantel seria bem mais honroso, mais viril (câncer de próstata, se não mata, brocha). Elas sim sabem o que é a batalha de ser quem são, sangrando mensalmente uma batalha que gera, nutre e mantém a vida.  

O novembro é azul, não roxo de vergonha. E que fosse das cores do arco-íris, pouco importa. Cuide da sua vida e ria de si mesmo, sabendo que forte é aquele que luta contra si mesmo, seus medos, suas vergonhas, suas fragilidades. Forte é aquele que se mantém vivo. Forte é aquele que apoia outro homem a ter 20 segundos com um dedo apontado para as suas costas (ou regiões mais baixas) e sobrevive. 20 segundos ou menos.

Campeão, sendo direto contigo: antes um dedo apontado para seu cu que uma tampa de caixão para tua cara. Sei que não é fácil, também estou evoluindo nessa saga. Mas como homem, peço a você: Seja mais homem, mas homem de verdade, cuide-se. A distância entre a vida e a morte é de apenas um dedo de coragem. 

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


Tantas vidas são perdidas pelo preconceito masculino em relação ao exame de toque da próstata !

Isso acontece pois quando começam a ter sintomas que algo vai mal, e decidem ou são obrigados a ir ao médico; o tumor está muito grave e não tem como tratar.

A vida é o nosso bem mais precioso e devemos cuidar dela sob todos os aspectos! A correria do dia dia não pode ser usada como desculpa: depois eu vou!

Alguns se permitem somente o exame de sangue:
[O PSA, conhecido por Antígeno Prostático Específico, é uma enzima produzida pelas células da próstata cujo aumento da concentração pode indicar alterações na próstata, como prostatite, hipertrofia benigna da próstata ou câncer de próstata, por exemplo].
O limite para o PSA é de 5,0 ng/ml.
E o meu resultado desse ano foi 0,6 – muito, mas muito mais que excelente.
E com relação a próstata está tudo bem.

Quem tem caso de qualquer tipo de câncer na FAMÍLIA deve redobrar o cuidado.

Para estimular o exame de próstata são criados comerciais divertidos e não contentes os sarristas (zoadores) fazem paródias de músicas.

E aproveitando o gancho seguem duas piadas, mas sem esquecer que câncer de próstata pode matar!

Um amigo me contou que queria fazer o exame diariamente e o médico após muita negociação conseguiu alterar para uma vez por mês.
Sua reação foi dizer: -Ai que raiva!

E esta é clássica;
Durante o exame o urologista perguntou a outro amigo meu:
-Fulano de tal está sentindo alguma coisa?
-Sim. Sinto que te amo Doctor!

Eduardo Gozales Domingo – Belo Urbano. Formado em Educação Física. Atuou com voleibol em todas faixas etárias, recreativamente e competitivamente. Há 14 anos atua como Corretor de Imóveis em construção, ama o que faz, pois ente que é facilitador para as pessoas realizarem o sonho da casa própria. É fiel as amizades, de bom coração e fanático por esportes e música.

Gabriel tem 7 anos e pediu para falar comigo por chamada de vídeo.

O pai dele, Miro, enviou uma mensagem pedindo permissão e eu aceitei, claro.

O Gabriel foi meu paciente há alguns anos, quando eu ainda clinicava. Nós tínhamos um bom vínculo e no momento da alta, apesar do orgulho pelo êxito, foi difícil para nós dois.

Mas, crianças superam rápido e, em geral, nem se lembram do período de terapia. O que é muito compreensível, já que o processo terapêutico envolve a dor e a transformação.

Eu não os vi mais. Esporadicamente, recebia alguma mensagem da família, em datas especiais.

No ano passado, a mãe do Gabriel faleceu em um acidente de carro. Eu estava viajando. Enviei apenas uma mensagem solidária e nenhum novo contato foi feito.

Hoje à tarde o telefone tocou.

Era o Gabriel e eu atendi sem saber muito bem o que seria este reencontro (remoto).

Ele me olhou sorrindo. Meus cabelos, curtos e brancos, eram novidade para ele, assim como seu rostinho alongado e seu sorriso banguela eram para mim.

Depois de me contar sobre várias peripécias deste tempo de quarentena, ele mandou uma pergunta direta:

– Daniela, quantos anos você tem?

Eu sorri e respondi: – 49. Em silêncio eu vi os olhinhos dele crescerem e emendei a pergunta: Você acha muito?

Ele disse que não, o silêncio aumentou e ele tomou a palavra, sem interrupção:

– Um dia, eu pedi para mamãe para ir ao parquinho do condomínio e ela não deixou. Quis saber “Por que não?” e ela respondeu: – Você tem a idade de entender. Eu tinha 6 anos e ela 32. Ontem, eu perguntei para o papai o que era idade de entender e ele disse assim: – Sei lá, quando a gente entende, acaba!

Novo silêncio. Daqueles que atordoam.

Eu senti uma lágrima barraqueira querendo empurrar as outras. Congelei. Pela tela vi que Miro também abaixou a cabeça.

Ele não tinha como saber da conversa do Gabriel com a mãe…

Eu fiz menção de que iria falar, mas, vendo o clima tenso, o menino mesmo disse:

– Relaxa. A gente sempre tem a idade de entender, né?

– Né? – foi tudo que saiu da minha boca, numa síntese do momento que eu aprendi uma baita lição.

Essa frase não sai de mim nem por um segundo – “Idade de entender”.

Conversamos por mais vinte ou trinta minutos, sobre muitas coisas, rimos, matamos a saudade e nos despedimos.

Pai e filho são acompanhados por profissionais e eu digo isso apenas para que se poupem dos julgamentos. Não há nada no relato que mereça um apontamento porque diz respeito à vida deles e à relações humanas construídas dia após dia.

O que me motiva a compartilhar a história é a constatação de que a gente cresce mesmo é por dentro.

Dany Cais – Bela Urbana, fonoaudióloga por formação, comunicóloga por vocação e gentóloga por paixão. Colecionadora de histórias, experimenta a vida cultivando hábitos simples, flores e amigos. 

OBS.: Os nomes citados no texto são fictícios para preservar as identidades.

A realidade me fode, talvez por isso eu tenho evitado tanto sonhar. É difícil ter que acordar. Eu tenho me sentido inútil, desnecessário, como se o mundo me quisesse fora, antes ele só não se importava comigo, mas agora ele me nota e me deseja a morte. Mas como matar o que morto já está?

Dramático, né? Eu sei, mas é que tudo que não penso, sinto e eu sinto muito, sinto pra caralho, como um intelectual frustrado, como um escritor com o ego machucado, como profissionais da saúde constantemente ignorados!

Eu minto que tá tudo bem, pinto o quadro do sujeito isolado, mas eu queria alguém do meu lado para chorar, desabafar no ombro amigo, devidamente esterilizados, ambos mascarados, mas com isso eu já estou acostumado, como falei, eu minto, por que eu me sinto um otário quando ainda vejo bares lotados de retardados, alheios ao sofrimento alheio, bicho, eu to cansado…

De tudo e de nada, essa vida, esse dias mal dormidos, esse apocalipse que não chega, tudo é tão ínfimo e vazio, mas ainda assim me enche de medos, anseios, álcool com remédios, insônia e depressão, tesão reprimido, amores omitidos, tudo que eu não disse, tudo o que eu não fiz, tudo o que eu suportei, todos os sapos radioativos que engoli, todos os outros vírus que eu já matei, todas as vezes que eu morri!

Eu queria usar o humor como válvula de escape, mas até isso me escapou e foi pra puta que pariu! Volta aqui, me leva, qualquer coisa é melhor que morrer por conta da incompetência abissal do nosso líder nacional!

Quando tudo desmoronou que a gente não viu? Ou viu e preferiu não ver? É de foder, mas nem é de sexo que eu estou falando, é da agonia, da melancolia, da pandemia, da porra do presidente, da sua corja nazista, racista, machista, eu poderia continuar com muito mais “istas”, mas vamos falar de coisa boa? Vamos falar das lives no insta?

Eu sou hipócrita demais, quando você não entende a minha ironia, o burro é você ou sou eu? Talvez nós dois, de mãos dadas, dois burros alados, caminhando rumo ao precipício ou ao fundo do poço, mas relaxa, não seja pessimista, talvez a gente dê sorte, talvez a gente pule e já esteja transbordado com o gado afogado, eles servirão de ponte para atravessarmos até o outro lado…

Amigo, eu não quero ser um fardo, se eu começar a rir e delirar, me deixe aqui e siga sem olhar pra trás, siga até o próximo paradoxo, porque esse texto já tá muito extenso, eu lhe peço, por caridade, enxergue uma nova realidade, veja o nosso futuro utópico, num Brasil distópico, onde a loucura é a verdade, onde ciência é piada, onde homens grisalhos e de ternos amadeirados sugerem a morte aos menos afortunados, onde celebraremos e reviveremos todas as merdas do passado.

Não, não, não. Espera! Caralho, não era essa estrada, acho que a gente foi pro lado errado!

A verdade irmão, é que ninguém se importa, todos preocupados com o próprio rabo, mas é necessário, temos que sobreviver ao caos e se alguém me disser: “Vai ficar tudo bem”. Eu digo “você está bem? Ah que bom, eu também! :)”

Lucas Alberti Amaral – Belo urbanonascido em 08/11/87. Publicitário, tem uma página onde espalha pensamentos materializados em textos curtos e tentativas de poesias  www.facebook.com/quaseinedito  (curte lá!). Não acredita em horóscopo, mas é de Escorpião, lua em Gêmeos com ascendente em Peixes e Netuno na casa 10. Por fim odeia falar de si mesmo na terceira pessoa.

No meio de uma pandemia, um adeus. Dolorido, chorado, de coração quebrado.

Minha Nina. Minha doce cachorrinha de quase 17 anos, uma idosa, um serzinho do bem, da paz, dorminhoca, já com dificuldade de se levantar, um pouco de falta de equilíbrio, um olho já com catarata. Um amor incondicional.  Humilde em seus pedidos . Companheira. Precisava de ajuda e de cuidados. Me ensinou tanto!  Deixou tanto em mim e levou grande parte do meu coração. 

Sou enfermeira aposentada, durante toda minha vida profissional trabalhei em hospital. Cuidando.  Ajudando.

O que não costumo comentar,  é que incontáveis vezes sofri, chorei escondido, orei em silêncio por aqueles que de mim precisavam.

Estudei quando não sabia,  corri atrás dos médicos para me ajudar nas soluções. Ensinei o quanto pude tudo que aprendi.

Mas havia conhecimento. Ações. 

Hoje não. Hoje penso nos meus colegas de profissão e rezo para que se faça a luz. 

Não há conhecimento suficiente para se enfrentar essa batalha com um mínimo de segurança na tomada de decisões.  

Angústia. Esse sentimento tão difícil fazendo parte de cada minuto no dia a dia dos profissionais da saúde.  Não há como não dizer: “Meu Deus!”

Respirar, aliviar, como? 

Há tantas “Ninas” todos os dias nos hospitais.  Devem existir tantos corações quebrados!  Mas com voz suave, riso esboçado e mãos carinhosas.

Meu Deus!  

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena. Louca pela Nina  (na foto, já com 15 anos)

Pergunta… e eu respondo:

E temos outra coisa para pensar?

A palavra “viral” é séria não é?

E, se ela vem da palavra “vírus” qual a relação entre a a vida e a morte?

Pensando alto sobre essa onipotência humana, engolindo mentes relapsas, doentes e sem respeito algum pelo seu respirar, entre o respirar do outro.

Se o momento é teclar, e sem tocar o outro eu finalizo:

Esse não é o que está acontecendo em nossa vivência solitária?

Não podemos julgar, pois alguém se lembra do último abraço, toque que deu antes do vírus chegar?

Bem… então…

Respeite as teclas agora, tornando essa atitude viral!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.


Diário de uma pandemia
20/3/2020
8:30
É primavera.
Há uma semana declarou-se a crise COVID 19. Sentimentos e pensamentos poderiam ser resumidos nesta semana. Ação e o coração sofrendo. Ainda trabalhamos, damos serviços mínimos, porque o governo não nos colocou na lista de empresas que precisam fechar. Mas a pressão imposta pelo sistema de saúde é para fechar.

ficaemcasa.

Minha situação mental é estressante, ainda que ativa, adrenalina para administrar esse momento. Mas também muito sobrecarregada pelo de risco para nossa saúde, nossa economia necessária para nos dar suporte e os conflitos sofridos em nossas relações de trabalho.
É como ter sofrido um choque frontal entre dois trens: a equipe de direção e a de gestão decidimos o quê precisava ser feito e as necessidades individuais da maioria dos trabalhadores.
Esse confronto foi inevitável porque qualquer decisão tomada envolvia risco ou conflito em uma área ou outra.
Agora não sabemos se tomamos a decisão certa … Tudo será esclarecido em alguns meses e, honestamente, minha visão é de uma incerteza avassaladora.
Lidamos com muitos lutos de relance, aqueles que são realmente tristes pelas as pessoas que estão caindo com o COVID. De longe, este é o mais importante de todos e o que mais nos preocupa.
Mas há outros lutos que estamos vivendo e que devemos administrar em uma marcha forçada: o luto pela perda da normalidade, por não poder encontrar pessoas queridas, familiares, amigos, colegas que nos apreciam em vários campos. O luto por ter de interromper a atividade que, em alguns casos, é a nossa motivação e nos ativa todos os dias, o luto por sacrificar as férias para poder ter o meu tempo livre neste momento difícil.
Isolamento versus ter que trabalhar em tempos de isolamento.
E acima de tudo, o medo, a COVID, o sofrimento ou o sofrimento das pessoas que amamos, até o medo da morte.
E medo de fazer coisas erradas de um lado ou do outro.

E esperamos, todos os dias, as demonstrações de solidariedade, resiliência e respostas à emergência, ações de pessoas exemplares que aplaudimos desde nossas janelas todos os dias, e pessoas que não recebem esse aplauso explícito, mas que também nos dão suporte – muito obrigada! – reconhecimento a todas elas por favor.
Esta é uma reflexão resumida do que experimentamos atualmente. Existem muitas nuances, emoções opostas e o melhor e o pior de cada um de nós vieram à luz.
Proponho que nos reconheçamos nesse melhor e pior, que aceitemos diferenças em todas as áreas e que apostemos no exercício de nos colocar no lugar dos outros, agora é hora de nos encontrarmos novamente em espaços de solidariedade e cooperação que salve a todos nós com soluções coletivas que não deixem ninguém para trás.

Nati Yesares – Bela Urbana, vive em Barcelona, é formada em ciências ambientais e atualmente é chefe da área ambiental em Solidança, empresa dedicada a economia social. É motivada por tudo que ajude a construir uma sociedade sustentável e justa para todos.

Tradução Gisela Chebabi Abramides

Ele morreu ontem. Não chegou aos 60. Morreu com 55 anos. Era jovem na sua essência. Cheio de planos. Cheio de sonhos. É certo que, como qualquer artista, sentia o mundo mais colorido e também mais dolorido. Se existia uma pessoa que tinha borogodó, essa pessoa era ele. Dividia opiniões, mas isso não foi motivo para impedi-lo de chegar a todos os lugares que quis ir. E foi, e onde foi conseguiu aplausos. Seu talento não era só nato, era também fruto de um esforço de quem sempre quis fazer o melhor.

Foi ator, foi cantor, foi produtor, foi diretor, foi autor de músicas lindas e de textos sensacionais. Alguém plural, mas, ao mesmo tempo, tão singular que se tornou raro.

Na vida pessoal era o que podemos chamar de gente; aquela expressão que diz “gente como a gente” era bem ele. Real. Tinha medos, tomava remédio, cuidava da família, que incluía o gato Mica, as filhas, a mulher e até a ex-mulher. Gostava de ter amigos em volta de uma boa mesa, principalmente no seu sítio. A vida era vivida em festa, e quando a festa acabava, ficava quieto, fugindo dos medos das perguntas que não sabia responder.

Foi-se de repente, bestamente. Morte besta para morrer. Um susto. Mas como poderia ser diferente para alguém que sempre foi fora da curva da estrada convencional. Muitas homenagens, muito choro, muito inconformismo até de seus desafetos como Antônio, ou Tony, como era conhecido.

Amigo de velhos tempos, amigo de muitos anos, amigo que tentava sempre estar onde ele estava, mas era só mais um que tentava e não emplacava. Mais um invejoso. Mais um sanguessuga. Mais um que não suportava ver seu olhar brilhar. Tony até tentou se conter, não transparecer, mas inveja legítima não se aguenta e um dia explode. Jogou a amizade para o fundo do poço com palavras perversas, mostrando toda sua raiva e
inveja latente, à flor da pele. Foi tão feio que foi assim até o fim.

Quando soube da notícia se fez de chocado. Chorou. Bebeu. Vomitou e escreveu publicamente sobre a dor da falta daquela amizade. Pareceu sincero. Recebeu muitos pêsames. Apareceu como nunca nas redes sociais. Afinal, a dor comove. Ele conseguiu os aplausos que sempre quis, nunca nenhum de seus posts alcançou e foi curtido por tantos.

Conseguiu ser o seu melhor, um grande oportunista.

A família, que sabia de tudo, calou-se. Nem uma palavra, nada.

Afinal, vampiro de morto, morto está.


Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico
 

Como não falar sobre ontem?

Preciso falar. Falar sobre pessoas, ansiedade, humanidade, medo, morte, religião, sobre dezembro.

Talvez desta vez não saiba ao certo por onde começar, sei que penso em tudo junto e que as lágrimas não param de escorrer.

Ontem aconteceu essa tragédia na Catedral na cidade de Campinas, minha cidade. Eu questiono, você deve questionar também: Por quê?

Sem resposta, só podemos nos colocar no lugar das pessoas e sentir o medo e a dor que sentiram e que seus familiares sentem agora.  Dor que devia existir nesse homem que causou tudo. Dor na família dele agora e talvez até antes, porque talvez as pessoas deem sinais de que as coisas não andam bem, mas até que ponto esse não tudo bem é tão ruim assim?

Quanto mais penso, penso que as pessoas, muitas mesmo, estão enlouquecendo lentamente.  A ansiedade e a depressão são irmãs gêmeas, vivem grudadas. Primeiro vem a ansiedade e depois quando ela fica por um certo tempo, vem a depressão.

Dias desses, eu estava refletindo sobre dezembro e como esse mês me deixa ansiosa, me dei conta disso.  Tenho vontade de fazer tantas coisas, programas natalinos e nunca consigo. Faz anos que nunca consigo, acho que nunca consegui da forma que tenho em mente e que considero o ideal. Talvez seja porque o mês é tão corrido e sempre surgem trabalhos urgentes, que não sobra tempo para dar um tempo.

O tempo de apreciar coisas que só temos nessa época, como os corais natalinos, visitar a casa do Papai Noel com as crianças, estar com os amigos sem pressa e a obrigação de estar por ter que confraternizar o ano, viver mais o amor com calma no dia a dia etc. Falta tempo para fazer com calma as compras natalinas, sempre me vejo comprando os presentes na última hora, no stress, preocupada para não esquecer ninguém, sem relaxar e curtir esse momento.

O fato de ser o último mês do ano, automaticamente nos faz fazer um balanço do ano e da vida, e quanto mais velhos vamos ficando, mais esses balanços nos balançam, para cima e para baixo, mas alguns não aguentam e adoecem.

Esse ano, colocou os instintos mais baixos para fora do armário. Não vou discutir politica, mas as eleições foram o estopim para isso, quem passou e soube dialogar, passou brilhantemente essa etapa. Sinto uma tristeza de ter visto tantas pessoas tão intolerantes, tão cheias da verdade absoluta e querendo impor de forma tão radical seu ponto de vista. Ignorância que não leva nada de bom para lugar nenhum. Diálogo é o caminho. Diálogo quando as pessoas tem um objetivo em comum, mas muitos não perceberam isso e infelizmente se fecharam, excluindo, deletando, bloqueando.

Vejo um sociedade doente, que está contaminando todos. Precisamos de ajuda e precisamos ajudar. Precisa existir essa troca e isso é amor. O amor precisa sobressair e sair com força dos armários.

Não importa a religião, importa estender a mão, importa o abraço, o beijo, o carinho.

As vezes o grito de socorro não sai da garganta, as vezes o sorriso disfarça a dor. Difícil perceber o outro se estamos todos correndo. Difícil perceber o outro na sua tristeza, ansiedade, depressão e até na perda da sanidade mental.

Podemos ser melhores, podemos ser AMOR.

 

“Paz na terra e aos Homens”.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

 

 

 

 

 

Tenho minhas crenças e uma delas é que estamos aqui neste mundo para amadurecer e nos transformarmos em pessoas melhores.

Pra mim, isso é fato!

O mais magnífico é que precisamos do outro pra que isso aconteça.

Desde a nossa concepção até a  nossa morte há ” um outro” em nossa história.

Dependemos dos nossos pais  (para nascer) depois do mundo, cheio de ” outros.” para viver.

Isso é ciência!

Um bebê precisa de estímulos para se desenvolver. Precisa do toque, da voz, do seio.  Precisa do ” outro”. Precisa da Mãe.

Isso é mágico!

É  nessa relação que vamos Desenvolvendo,  amadurecendo/crescendo e envelhecendo.

O Eu e o outro. O outro e eu:  Nós.

Isso é Fantástico!!

Precisamos desse movimento que a vida nos oferece pra experienciar tristezas, alegrias, decepções. Para refletir, para mudar, para sofrer, para sorrir.

Aprender sobre a “vida ” só acontece vivendo e vivendo com o outro!

A simples atitude de alguém nos ensina: Um erro, um acerto. uma discussão, uma decepção , ler o livro do outro,  o poema do poeta…. a filosofia do pensador, a opinião que não é a nossa, a crítica… e uma  palavra.

O outro está a todo tempo mexendo com o nosso “eu”!

Isso é maravilhoso!

Acordar todos os dias nos faz vivos e aprendizes. Aprender amplia nossa mente e nos une mais ainda ao outro. 

É seguimos precisando uns dos outros.

E nem estou falando de amor. O tema Amor fica para um outro “eu e o outro”.

(E não sou mais a mesma …. Amadureci lendo textos do Belas Urbanas).

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “.