Eu quase me matei essa noite. E na noite antes dessa. E na anterior. E na anterior. E na anterior. E na anterior… Toda noite a muitas noites eu quase me matei. Mesmo que não saiba o por quê. Mesmo que não exista razão. Mesmo que ela exista. Eu quase me matei essa noite. Não espere de mim uma grande lógica ou razão. Não espere de mim uma mínima motivação. O que importa é que eu quase me matei essa noite. Foi na sacada de um prédio no qual eu não pulei. Foi na garrafa de veneno que por pouco eu não tomei. Foi no sorriso de quem odeio que eu mesmo quase me odiei. Mas eu não me matei essa noite. Mesmo querendo muito. Mesmo desejando e implorando. Mesmo com um certo alguém, as vezes eu mesmo, me incentivando. Ainda assim eu não me matei essa noite. Procurei é claro uma razão. Procurei no mais íntimo uma chance de ter redenção. Procurei um motivo pra dizer não. E eu quase me matei essa noite. Mas não o fiz. Não posso dizer se por medo ou vergonha. Não saberia se foi porquê achei uma razão íntima que me fez tomar uma rara e inocente sanidade. O amor. Talvez? Mas o fato permanece o mesmo. Eu quase me matei essa noite. EU QUASE ME MATEI ESSA NOITE! A vontade de gritar é insana! Mesmo que idiota, inumana. Mas eu não me matei essa noite. Não sei se irei mesmo fazer isso um dia. Não sei se é de meu desejo. Mas eu não me matei essa noite. E não acho que vá fazer isso. Eu não quero fazer isso. Mesmo que as vezes eu queira. Mesmo que me digam que sim ou que não. Devo eu seguir meu coração? Um dia talvez. Mas o fato de hoje ainda é o mesmo. E não mudará. Ao menos por hoje. Eu não me matei nessa noite.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Esta tudo errado, não há nada bem
Como poderia ser, sendo você este alguém?

Me pergunte logo o que está em você
Me desafie, venha me dizer

Seu idiota, sabe nem que é insano
O estúpido, pobre, pensa que é humano

Háháháháháháha

Risos soltos por aquele que não vê
VOCÊ!

Olhe em volte e talvez consiga perceber

Não enxerga aquilo que não te mostram?
Não escuta o reverberar daqueles que choram?

Eles choram por você

Não por sofrer, mas por pena
E você ainda ai, sem entender o motivo dessa cena

Ignorante, pobre e idiota
Olhe em volta!

Eles não te ignoram, e muito menos eu
Mas continuas ai sem saber o que sou perdeu

Nunca soube, nunca viu
Idiota desalmado, servo varonil

Procure em sua mente e um dia talvez ainda vá a ver
O diabo e a inocência
Aquilo que não consegue mais saber

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).