(AVISO DE GATILHO: Eu escrevi, li, reli e chorei então prepare o lencinho por que hoje vamos falar sobre amor de mãe e filho)

A pessoa que eu era antes de ser mãe, sabia exatamente como ser uma mãe disciplinada e regrada.
Ao olhar uma criança sem limites na rua ou no mercado, sabia exatamente o que fazer – Isso é birra, nada que uma ou duas palmadas não resolvam. Pensava.
O cabelo cheiroso e a roupa intacta montavam uma adolescente completa que sabia o que queria e com certeza tinha convicção de como lidar com um ser humano sendo ele seu filho.
A pessoa que eu era não sabia nada sobre elefantes ou mamutes, pouco interessava o que comiam ou o som que reproduziam. Não era importante decorar quantas saias a barata diz que tem, nem quantas vezes o elefante incomoda muita gente.
Mas sem problemas, eu sabia exatamente como deveria agir sendo mãe.
Eu sabia perfeitamente até o primeiro chute dentro de mim.
Alguém lá dentro se mexia com movimentos aleatórios e de início eu já tinha me tocado que eu não estava tendo controle nem mesmo sob meu corpo, o que me faria pensar que eu teria controle sobre o que estava invadindo cada parte do meu ser sem pedir licença?
Noah me desconstruiu como ser humano desde a primeira batida do seu coração dentro de mim. A luta constante de procura por identidade, a maternidade me sugou a alma sem ao menos me dar a chance de querer desistir.
Eu me fiz novamente uma nova pessoa. A maternidade me moldou e me deu a chance de experimentar o lugar de Deus.
Não é somente sobre cuidar, dar colo e amamentar.
É sobre ter perdões extras e gratuitos.
A luta gratificante de esculpir espírito e psicologicamente um ser humano para a vida. É uma tarefa árdua, sem muitos recursos, é preciso trabalhar com matéria prima, um trabalho sobre pressão, sem folga, sem descanso, sem paradinha, nem férias.
As vezes da vontade de sair correndo, chorando e pedindo socorro mas levando o filho no colo por que alguém precisa dar o jantar e dar banho e esse alguém é a gente. Tem horas que a gente acha que não vai dar conta, o cansaço vem e com ele o questionamento. Será que eu sou uma boa mãe mesmo?
Por querer sempre o melhor para os nossos filhos achamos que não. Tudo nunca é o suficiente e o filho da outra parece que sempre aprende sempre mais e melhor que o nosso.
Todos os dias, eu me reconstruo como humano, mulher, pessoa e mãe e assim entendo que o sorriso estampado no rosto do meu filho reflete como está sendo meu trabalho como mãe.
Noah é de longe o parceiro mais fiel e dedicado. A companhia perfeita. Nossa sincronia e sintonia de mãe e filho ultrapassa qualquer ligacao amorosa mais direta que possa nos comparar.
O encontro de almas foi selado muito antes de chegarmos aqui. Eu sinto.
E como sinto.
Na pele e na alma, todos os dias quando eu sinto o ar quente da sua respiração sobre a minha face me chamando de Mãe.

De: Sua Princesa
Para: Pitoco da Mamãe.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

Aos 10 eu achava a Sandy um mulherão. Meiga, delicada e independente.

Aos 15 meu ícone era Jennifer Lopes. Corpão, bundão, silhueta enxuta e independente.

Aos 20 eu queria ser Madonna. Atrevida, sem papas na língua e desprendida de tudo e de todos.

Aos 25 meu padrão era Beyoncé. Linda, poderosa, corpo pra botar qualquer fitness no chinelo, sonho dos homens e admiração das mulheres. Era a própria Miss Independent.

Aos 30 eu descobri que o mulherão que eu sempre quis ser era eu mesma. Levando porrada da vida e levantando de novo.

Pegando no tranco, sem dar moral pra otário.

Batendo de frente e enfrentando os leões com uma vida nos braços.

Aos 30 eu decidi que o Mulherão que a gente sempre idealiza mora lá no fundo da alma, muitas vezes gritando pra sair e se calando por medo de outros.

Aos 30 eu não conquistei nem metade do que eu sonhei, mas já estou realizada em todos os âmbitos porque eu sei que isso só depende de mim.

Independência é o nome da liberdade que quis pra mim. Eu sei que sou o tipo de mulher que 98% das pessoas não gostam ou não sabem gostar. Bato de frente e não tenho medo de me machucar.

Se cair levanto, se ferir saro.

Não tenho medo, não me calo.

Não tenho vocação pra ser vítima, porque eu aprendi que meu lugar é no pódio.

Eu sou o mulherão que eu idealizei e não preciso que me digam.

Eu sei e isso basta.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Ah tô eu aqui 40 anos, solteira novamente… pós separação de um ano de namoro… e de quem será o próximo beijo? Ah… ainda não sei…. mas vai pra aquele que me oferecer um universo diferente que eu possa desfrutar e me encantar… pra ser um beijo gostoso onde a gente tenta descobrir mais ainda sobre o outro e onde a gente se entrega um pouquinho também…

Tomara que seja aquele beijo gostoso em que a gente fica sem chão, nem que seja por um segundo, aquele beijo em que os dois navegam no mesmo ritmo tentando desvendar com a língua o universo do outro.  Aquele beijo em que o corpo todo amolece e faz a gente ter vontade de não parar mais de beijar.

Tô ansiosa por esse próximo beijo… rs… e olha,  não sei mesmo de quem será porque tem alguns pretendentes em vista rs …  hoje, eu solteira.. .com 40 anos! Feliz!

Que venha o próximo beijo e com ele todo um universo!

Luciana Spina – Bela Urbana, formada em publicidade. Trabalhou em agências mas a vontade de ter a própria marca de roupas falou mais alto, deixou a propaganda e virou estilista e criou a marca Lucybravinha. Atualmente faz as próprias roupas com modelagem e estampas exclusivas. Expõe na feira do Centro de Convivência de Campinas aos sábados e domingos e também atende no ateliê no bairro Guanabara. Solteira, mãe de uma menina de 7 anos. Campineira, escorpiana , rock’n roll, romântica e sonhadora. 

2017 foi um ano de MUITAS mudanças na minha vida! Entre as diversas mudanças, a que as pessoas mais comentam são os vários quilos que eu emagreci!! Estou impressionada e confesso, bastante surpresa e até mesmo chocada sobre como isso impacta a forma como algumas pessoas me vêem!! Ouvi diversos comentários sobre a “minha nova aparência” (será que mudei tanto assim?). Todos comentários “positivos”! No começo, ficava até feliz: quem não gosta de se sentir magra e “bonita”, de caber em qualquer roupa e ter o armário quadruplicado de opções? rs… mas, com o tempo, a alegria foi se tornando surpresa e ultimamente se transformou em espanto! E na última semana virou indignação total ao ouvir, de pessoas diferentes, em situações diferentes, comentários como:

1. Nossa! Você é uma outra pessoa! muito melhor!

2. Agora você pode até voltar a trabalhar no mundo corporativo!

3. “Agora” você vai “até” arrumar um namorado! E a máxima dessa semana: “você “merece” até um marido novo!”

Oi? Como assim? Será que as pessoas achavam mesmo que estavam me elogiando ou me dando um reforço positivo ao fazerem esses comentários? Uma mulher se torna uma “pessoa melhor” porque emagreceu? Porque a aparência atual está mais de acordo com o padrão estético socialmente aceitável?

Meu QI melhorou ou minhas habilidades profissionais aumentaram porque eu emagreci? Isso acontece com as pessoas que emagrecem? Elas se tornam mais capazes profissionalmente?

E só quem é magrinha merece namorado e marido novo? Desde quando a capacidade de amar e ser amado tem a ver com o peso da pessoa?

Então…. apesar dos quilos a menos (12, no espaço de 9 meses) informo que continuo a mesmíssima pessoa: mãe babona, cozinheira apaixonada (logo eu, que adorava dizer que cozinheiras magras não são de confiança! rs), ainda perco a chave do carro e o celular todos os dias, adoro viajar, amo vinho, odeio injustiça, coentro e pimentão, etc, etc, etc… tudo igualzinho como era antes! Continuo solteira (porque ser magra não faz aparecer nenhum príncipe encantado!! rs) e morando e trabalhando no meio do mato!

Nada mudou! Simplesmente porque minha essência, que não é medida em gramas ou quilos, continua exatamente a mesma!

Katia Reis – Bela Urbana, arquiteta, empresária, cozinheira, mãe babona, adora viajar, ama vinho, escrever e receber amigos

Boceta, vulva, xota,margarida, flor, xana, aranha, babaca, barata bichochota, bixoxota, bombril, buceta, buça, caranguejeira, chana, chavasca, chibiu, chincha, chochota, chota, crica, greta-garbo, gruta-do-amor, inhanha, lacraia, lasca, manteigueira, nhanha, nica, pachacha, pachoucho, pachucha, parte, parte central, passarinha, perereca, periquita, perseguida, pixana, pomba, pombinha, precheca, quirica, racha, tabaca, xereca, xibiu, xinxa, xoxota, xuxa, pepeca, bainha, rata, febra, ostra, patareca, conaça…VAGINA, SIMPLESMENTE VAGINA.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos https://www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

 

Com tanto vídeo, fotos e poema sobre o dia da mulher fica impossível não estar com o coração inchado de orgulho…

Na verdade, só me resta falar de como desejo que seja meu dia internacional da mulher!

Quero acordar mais cedo, me olhar no espelho e dizer: Tenho orgulho de você, do que se tornou, do que já realizou e pode realizar ainda hoje.

Depois, abrir a porta da minha sala e dar de cara com minha jaboticabeira, com minhas plantas, temperos e meu sol, sim, meu sol… tenho um sol adesivado no meu muro…ele ilumina minha alma!

Depois, sentada, faço minha meditação (com certeza pensarei em todas as mulheres e claro…você estará neste pensamento comigo), olho para o céu e vejo mais algumas horas que eu tenho a chance de me melhorar, de perdoar,  ter paciência e de ajudar alguém.

Mas passa 20 minutos e começa a correria.

Fazer café do marido, lanche das crianças, cuidar da casa, marcar médicos, pegar resultados de exames, ir no mercado, fazer bolos pra fora…. e assim o dia já passou e a noite, se eu não forçar para ficarmos juntos, cada um vai pro seu lado….mas eu não deixo!

Pelo menos uma horinha junto tem que ter….e o dia termina…você enfim toma banho, pensa em tudo do dia seguinte e dorme!

Mas reparem….tudo o que foi bom no meu dia dependeu exclusivamente de mim. Então, faça o seu Dia das Mulheres melhor do que todos, tirando um tempinho pra fazer o que gosta, isso, faz muita diferença!

Se quiser tomar um café comigo me liga que eu topo!

Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

 

Nestes últimos dias tive um papo com um cara que me fez refletir bastante sobre um assunto tabu. Na conversa ele me disse que apesar de ser muito bonita e atraente dificilmente eu engataria um namoro pois tenho filho e essa questão diminui bastante as minhas chances.
Ok! Até certo ponto concordo pois o que mais se vê por aí é cara com medo de relacionamento serio, imagine então assumir uma família que ele não formou. Mas a partir deste pré-conceito resolvi enumerar alguns tópicos esclarecendo porque deve ser muito mega-master-bom me namorar sendo eu uma mulher com filho.
Então vamos la!

1. Sou muito mais madura e tenho menos mimimi.
Já vivi um relacionamento, enfrentei a separação e agora cuido do meu filho sozinha. O foco e a importância maior da minha vida está nele, não em você. Tenho pouco tempo para picuinhas ou infantilidades como algumas mulheres que saíram da adolescência e sufocam seus namorados. Namorar comigo é mais tempo para fazer as suas coisas sem alguém no pé para cobrar tua atenção a cada minuto.

2. Sou mais franca e com menos joguinhos.
Já vivi um relacionamento e já passei pela experiência de maternidade o que me tornou mais franca na parte sexual. Aqueles joguinhos do tipo “O que ele vai pensar de mim se eu tomar a iniciativa?”, ficou muito mais escasso pra mim. Somos adultos, se quisermos fazer algo prazeroso juntos, por que passar vontade?

3. Mais independente.
Resolvi cuidar do meu filho sozinha, preciso arcar com custos e responsabilidades para isso. Não preciso me escorar em você e você não precisa se responsabilizar pela minha vida financeira. Se estivermos juntos, é porque nos gostamos. E ponto.

4.Muito mais resolvida com meu corpo.
Depois que meu filho veio ao mundo, fiquei bem mais resolvida com meu corpo. Aquelas neuras com estrias, celulites ou quilinhos a mais são mais amenas para mim que já convivi com um turbilhão de mudanças muito mais drásticas. Aceito melhor meu corpo sou muito menos encanada e mais suscetível a me dar e proporcionar prazer.

5. Sem pressa pra decisões serias.
Ao contrário de algumas mulheres que são loucas pra casar, eu já passei por isso e sei bem o ônus e bônus deste passo. Eu posso até querer casar de novo, mas serei muito mais cautelosa para tomar esta decisão já que tenho uma vivência maior tanto em relacionamento quanto na maternidade. A coisa vai fluir naturalmente se tiver que ser. A pressão será muito menor e a tendência é que os passos aconteçam no momento certo, sem precipitação.

6. Sou uma mulher de atitude!
Ser mãe solteira não é fácil. Cuido sozinha do meu filho todos os dias, trabalho, cuido da casa, tenho responsabilidades com ele e ainda reservo um espaço para me arriscar na vida emocional… Namorar comigo é encontrar uma mulher forte e decidida! Ao contrario daquelas menininhas na balada.

7. A gente vai se curtir muito! (E é isso que importa!)
Meu filho não precisa de um pai, ele já tem um! Não precisamos de ninguém nos completando ou preenchendo o lugar de alguém. Tudo aqui já esta muito completo e resolvido. Então só o sentimento, respeito e atitude bastam.
De resto é só correr pro abraço!

Agora o recado vai para o cara que me fez refletir por horas sobre essa questão e me disse que dificilmente namoraria já tendo um filho.
Deixa o preconceito de lado! A vida não é uma equação matemática com resposta única. Você, provavelmente, já foi a tampa de outra panela e a tua ex a metade da laranja de outro cara. Por que me penitenciar por ter vivido algo que não deu certo? Por que me julgar por ter tentado? O importante não é se eu tenho um filho, se tenho outro status social, ou melhor ou pior resolvida financeiramente do que o cara que estou, o importante é que eu estou pronta para fazer alguém feliz e deixar alguém me fazer feliz! Se isso acontecer, todo o resto é balela.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

(Só leia esse texto se você for vítima da sociedade padronizada ou já tiverem te mandado sentar como Mocinha)

Estou farta, arrotando pelos cantos. Vítima da sociedade. 
Por quanto tempo mais terei que aguentar o dedo do jovem branco apontando pro meu cabelo afro? Quantas vezes vou ter que ouvir que eu ”não sou tão negra assim”? Quantas lojas eu vou ter que entrar para ser tratada como cliente e não como funcionária?
Estou farta! E não é pouco. Arrotando pelos cantos.
Cansada de ouvir que eu tenho que me desdobrar ao quintos pois sou mãe solteira. Tendo que conviver com a opinião de quem não me sustenta, dizendo que a responsabilidade da mãe é maior do que a do pai (oi?).
Por quantas vezes mais vou ter que me calar pra não ofender o outro? Quantas vezes vou ter que engolir seco a cantada de quem esta ali só para comer sexualmente o outro como um predador?
Quantas vezes vou ter que ouvir da mídia, do homem e da sociedade que meu quadril largo é ótimo pra procriar mas não constituir família?
Quantas vezes mais vou ter que ouvir do policial e do confidente qual era roupa que eu estava usando quando fui estuprada?
Até quando vou ter que aguentar ouvir que apanhei do namorado por que ele perdeu o controle e se exaltou, mas não foi por querer?
Por quanto tempo vou ter que levar meu filho no colo em pé no transporte pra não ser hostilizada por quem trabalhou o dia inteiro e está sentado no banco prioritário?
Quantas vezes vão me mandar sentar igual mocinha e ter a força de um bruto?
Quantos ‘Nãos’ eu vou ter que ouvir nas entrevistas de emprego por ter tatuagem, por ter filho, por ser solteira, por ser gorda, por ser mulher?
Tá doendo?
Em mim não dói nada. Não mais!
A sociedade me deixou assim, o soco na face me deixou assim. Aquele grupo de brancos me chamando de macaca, aqueles homens que eu atendia no restaurante insinuando sexo oral, aquele cara que me forçou pra ir além, aquela mulher que me olhou da cabeça aos pés e disse que eu não tinha o perfil, aquela empresa que preferiu um homem ou uma mulher sem filhos, aquela revista que disse que o manequim tinha que ser 38, aquele fora da família do namorado branco, aquela pessoa que eu achei que estava tendo um papo legal e logo já me mandou fotos obscenas, me deixaram assim.
Eu sou a Gi, eu sou a Mãe do Noah, eu sou aquela que escreve legal e os amigos gostam.
Eu sou a estatística, eu sou o vácuo, o grito abafado da dor, o sorriso amarelo, o “está tudo bem” disfarçado.
Eu sou mulher, eu sou filha, sou mãe, sou preta, sou gorda, sou tatuada, sou gente e não me calo.
Porque estou farta.
Farta e arrotando pelos cantos.
Digerindo o teu ódio e vomitando poder pra quem quiser ver.
Mandando nudes da alma pra quem pedir.
Essa sou eu.
Só mais um número na multidão.
Farta de toda pressão que aos poucos está me mutilando.
Farta e arrotando pelos cantos.

 

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Todas as manhãs tem café naquela casa. Muitas vezes toma sozinha. Algumas vezes acompanhada.

Café quente, pão na chapa. As vezes café com leite.

Feito na cafeteira elétrica. Uma quantidade generosa. Toma sempre três xícaras ou mais.

Café forte. Forte como devemos ser.

Nem doce, nem amargo.

Só que naquela manhã, o café, acabou.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Entre uma fruta e um doce, escolhe a fruta. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

 

Tem dias em que o ‘dia’ na escola não é muito simples…

Não dá pra dizer que o dia é pesado porque dentro desse mesmo dia coexistem situações de ‘desespero’ e esperança… então é desnecessário rotular assim.

Estar entre as crianças é uma das coisas que mais fazem sentido pra mim. Com e apesar de todas as questões que enfrentamos. Com e por todos os momentos especiais que vivenciamos.

Muitas profissões são difíceis, complicadas, dolorosas, talvez seja aquela velha história do ônus e do bônus de todas as situações. Que fique claro que respeito e admiro todas elas.

Mas hoje, eu queria deixar mais claro ainda o quando eu admiro as minhas colegas professoras (‘os’ também, mas somos a maioria garotas!). O quanto eu admiro e o quanto estar lá também faz sentido por elas existirem, por estar lá também com elas. O quanto eu admiro a maneira como a gente pode olhar uma pra outra com respeito e compreensão… o quanto eu admiro a maneira como a gente pode perceber a dor, ou o desespero, ou a angústia, ou que seja um simples nó e de alguma maneira ‘tornar’ aquele nó também nosso.

Porque nesse momento, em que essa angústia é partilhada, de alguma forma a esperança se refaz, ainda que por vezes, nem se vislumbre solução. Nesse momento, em que a gente divide o que está pesado, de alguma forma talvez a gente se lembre dos outros momentos que fazem tanto sentido, dos outros momentos que sustentam o nosso fazer diário, a nossa crença diante de condições tão delicadas e muitas vezes desfavoráveis.

E aí que a gente talvez perceba a nossa humanidade da forma mais concreta, junto com toda limitação, mas também com toda a nossa força.

Michelle Felippe – Bela Urbana, professora por convicção e teimosa. Apaixonada por doces, cinema, poesia urbana e astrologia. Acredita que ainda vai aprender a levar a vida com a mesma leveza e impetuosidade das crianças.