O carnaval em Portugal começou como um período para aproveitar tudo, antes do início da Quaresma, momento de jejum e sacrifícios. Antigamente, a Igreja exercia enorme poder sobre as pessoas e, no período da Quaresma, era proibido música, dança, etc. Logo, foi a própria Igreja Católica que serviu de estímulo para a criação do carnaval em Portugal.

Na época do renascimento, iniciou-se a fase das máscaras e bailes.

Hoje em dia, as festividades carnavalescas são conhecidas por “entrudo”, ou seja, entrada. Preparação para a entrada da Quaresma.

Nunca houve plumas ou mulheres sem roupa no carnaval antigo. Muito pelo contrário, nas aldeias, as pessoas trocavam as roupas. Por exemplo, homens com roupas de mulher e vice-versa.

As ruas ficavam enfeitadas com luzes como no período do Natal.

Em algumas localidades, não passava de brincadeiras e gozações. Em outras freguesias, chegavam a ter carros enfeitados e muita alegria.

Em algumas cidades, há o desfile dos cabeçudos e gigantones. Em Estarreja, temos escolas de samba. Também há freguesias que optam pelo carnaval luso-brasileiro, com participação de brasileiros e desfiles inspirados nos sambódromos. Em Torres Vedras, a farra fica por conta das Matrafonas, homens vestidos de mulher e carros alegóricos. Em vários lugares há sátira à política. Varia muito de um lugar para o outro.

No entanto, não se parece muito com o carnaval brasileiro.

Nas escolas, apenas as crianças mais novas podem usar fantasias. Aos estudantes maiores cabe a tarefa de observar e recordar. Muitas pessoas aproveitam a época para viajar e descansar. Há uma comida típica muito forte apreciada pelos portugueses no dia do carnaval (terça-feira). Trata-se de um cozido com muitas carnes, legumes e verduras.

Apesar de ser diferente, acho que vale a pena conhecer e conferir a diversidade que existe em cada canto do país! Há um calendário próprio com a programação de cada região.

Espero por vocês em carnavais futuros.

Eliane Pacheco Engler – Bela Urbana, luso brasileira, vive em Portugal a quase 7 anos. Fonoaudióloga de formação de coração, mas atualmente o seu maior amor é pela família. Dedicação quase que exclusiva. Tem se aventurado pelo YouTube e pela área imobiliária.

Carnaval de 1997. Era uma viagem de uma turma de amigos recém-formados. Éramos em doze no total, enfiados em um apartamento de um quarto em Caraguatatuba. Havia gente dormindo até na cozinha.

Na terceira noite eu fiquei com um dos colegas. Romance improvável, não fosse o clima de carnaval. Graças a Deus na manhã seguinte já era dia de eu ir embora. Precisava voltar mais cedo pois havia levado uma prima minha, que não era da turma da faculdade e já trabalhava e tinha que retornar a São Paulo. Hoje em dia ninguém se importa mais. Mas na época era estranho ficar com colega de faculdade, depois de tantos anos sendo apenas colega de faculdade.

Algumas semanas depois, como de costume, a turma se reencontrou em mais uma baladinha. O constrangimento inicial não durou muito. Ficamos novamente. Nesse dia, já fomos embora de mãos dadas.

Depois da nossa segunda “ficada”, combinamos de sair para jantar e pela primeira vez após tantos anos, estaríamos somente nós dois. E nesse dia, ele me disse que precisava falar algo muito importante, que seria melhor falar antes que eu soubesse por terceiros. Diga-se terceiros, todos os demais colegas da turma.

Pois ele me revelou que no carnaval ficou comigo porque havia feito uma aposta com os amigos. O choque foi tão grande que francamente eu não sabia se ria ou chorava. Ele se desculpou, disse que não queria que tivesse começado dessa forma e eu meio desconcertada dei um sorriso amarelo e fingi ter achado engraçado.

Isso passou. Às vezes durante algumas brigas eu ainda escavava essa história, mas com o tempo isso deixou de ser importante. Após cinco anos esse romance gerou um casamento, que após mais dois anos gerou uma filha e um ano depois, gerou a nossa empresa. Foi um relacionamento de 17 anos. Hoje já estamos separados há 6 anos.      

O casamento acabou, mas a filha ficou, a empresa ficou e a amizade ficou.

O que teríamos feito das nossas vidas se não fosse o carnaval de 1997?

Impossível saber.

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

Ah, fevereiro! O mês mais esperado do ano na áurea época da minha juventude! As cinco noites com bailes de Carnaval nos clubes sociais da minha cidade, no interior de São Paulo, são algumas das minhas melhores lembranças daqueles tempos.

Atualmente, depois de quase 20 anos morando na Dinamarca, já quase nem me lembro que fevereiro é mês de Carnaval. Primeiro, porque aqui não existe a tradição carnavalesca como no Brasil – a comemoração dos dinamarqueses, chamada Fastelavn, é só para crianças, e consiste basicamente em fantasiar-se e bater num barril de madeira até quebrá-lo para pegar as guloseimas escondidas dentro dele. Segundo, porque não há clima para Carnaval aqui em fevereiro, nem literal nem metaforicamente. Os dias são frios e escuros, não combinam com o Carnaval que conhecemos e apreciamos. E terceiro, neste ano de pandemia, Carnaval parece coisa de um passado muito distante.

Em tempos normais, pode-se, sim, participar de uma folia carnavalesca ao estilo brasileiro por essas latitudes, mas em outra época do ano. Existem organizações que promovem festas em algumas cidades da Dinamarca no mês de maio, quando o clima está mais apropriado. Trata-se de festivais que incluem música, dança, desfiles de escolas de samba e outras atividades. Participei várias vezes desse Carnaval fora de temporada em Copenhague para sentir-me um pouco mais perto de casa.

O que me parece mais interessante desses eventos é que geralmente são organizados por dinamarqueses que se identificam e abraçam esse aspecto da cultura brasileira, às vezes até com mais paixão que os próprios brasileiros.

O Carnaval celebrado no Brasil sempre foi muito promovido internacionalmente e, de fato, fascina muitos estrangeiros. É algo que quase qualquer pessoa no mundo pensa quando se fala do Brasil, além do futebol, é claro! Isso é muito bacana, mas eu gostaria que o Brasil se destacasse por outras capacidades também; que outras ideias viessem à mente das pessoas quando pensassem sobre o nosso país.

Em várias ocasiões, ouvi o comentário: Você é brasileira? Sabe sambar? Samba um pouquinho para a gente ver… Eu nunca fiquei ofendida com isso, porque achava legal que as pessoas tinham interesse pela nossa cultura. Mas hoje, pensando bem, acho que é muito pouco. O Brasil tem tanto mais para mostrar, mas ainda insiste em promover apenas uma pequena fração de suas muitas facetas.

É certo que crise política, escândalos de corrupção e outros problemas socioeconômicos que nos assolam há bastante tempo não favorecem a imagem do Brasil no exterior, mas acho que, mesmo assim, ainda temos muitas coisas boas de que nos orgulharmos.

A tradição carnavalesca, a música e os aspectos culturais do Brasil devem ser preservados e difundidos, mas precisamos mostrar para o mundo que podemos oferecer mais do que isso. Gostaria que o país do futebol e do Carnaval também fosse reconhecido por seus avanços científicos e tecnológicos, por seus valores democráticos, por sua criatividade, seu respeito à vida e ao meio ambiente e por encontrar soluções sustentáveis para o desenvolvimento do nosso país.

Como já dizia um velho samba-enredo da Mocidade: “Sonhar não custa nada…”

Miriam Moraes Bengtsson – Bela Urbana, formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCCAMP e possui mestrado em Comunicação e Inglês pela Universidade de Roskilde, na Dinamarca. Desde 92, atua nas áreas de mkt e comunicação. Natural de Garca, SP, vive atualmente em Copenhague, Dinamarca, com marido e dois filhos. Trabalha com comunicação digital e branding em empresa da área farmacêutica. Em seu tempo livre, gosta de praticar esportes, viajar e estar com família e amigos.

A indústria sexualiza o corpo da mulher desde que ele começa a se desenvolver. Talvez o carnaval seja um dos momentos em que isso mais fique visível para todo mundo ver, e que mesmo assim ainda existem muitas pessoas que não notam. Nós mulheres passamos nossa vida inteira tentando nos encaixar em um padrão de beleza que é cruel, desafiador e que na maioria das vezes não se molda aos nossos corpos. Nós estamos constantemente encarando o espelho e procurando por defeitos que nem ao menos existem.

Vivemos muitas vezes com pessoas que acreditam que o corpo de uma mulher diz mais sobre ela do que quem ela realmente é. Vivemos em um mundo onde uma mulher não consegue andar na rua com a roupa que quiser sem ser assediada, comentada ou observada. Vivemos em uma sociedade patriarcal e machista que nos ensina desde cedo a entrar nos moldes e nos portar “do jeito que deve ser”.

Mas o que o carnaval tem a ver com tudo isso? Bom, pode ser que muitas mulheres usem essa data para dar seu grito de liberdade e sair na avenida com a roupa que quiser, do jeito que quiser sem que ninguém ache nada sobre isso. Pode ser também que para muitas a sexualização dos seus corpos fique ainda pior no momento em que a sociedade julga o tipo de roupa usada ou o comportamento das mulheres que saem na avenida.

A verdade é que o problema está nas pessoas que se veem no direito de julgar e sexualizar os corpos femininos. Nas crianças que desde sempre se veem encurraladas por conta disso. Nas adolescentes que antes mesmo de entenderem o que o corpo significa já são taxadas como objeto. Nas adultas que lidam diariamente com a monstruosidade que é se espremer nos padrões, muitas vezes gerando transtornos e compulsões alimentares.

O problema está na nossa sociedade doente. Porque as mulheres só querem ser elas mesmas, se portar como quiserem, se vestir como der vontade e, mesmo assim, continuar sendo respeitadas!

Juliana Manfrinatti Bittar – Bela Urbana. Bióloga. Gestora empresarial em formação. Apaixonada por livros, se arrisca às vezes na escrita. Tem como um dos objetivos de vida conhecer todas as maiores e mais bonitas bibliotecas e livrarias do mundo.

Como não pensar em propaganda com a chegada do carnaval? O brasileiro, mesmo não sendo adepto do pagode, do frevo e dos ritmos das escolas de samba, gosta de carnaval por muitos motivos: descanso, viagem, festas, bebedeira e reunião com os amigos, agarros e beijos, muitos beijos, roubados não importa de quem. É um período de liberação total dos costumes.

Tenho um primo de Salvador que contou, certa vez, que havia beijado mais de 200 mulheres, pelas ladeiras, no carnaval da Bahia. A “pegação” indiscriminada é o que muitos fazem nessa época e saem contando como vantagem.

As empresas sempre aproveitaram o Carnaval para apresentar propostas de produtos. Diversas marcas, ao longo de séculos, não se esquecem dessa época, porque parece que as pessoas desligam sua autocensura e se liberam para ampliar alguns limites impostos pela sociedade. O Carnaval tem sido visto como um período de relaxamento em todos os sentidos.

A festa do prazer. A festa da carne.

Muitas coisas foram mudando, hoje, não vemos mais os bailes de carnaval como em outros tempos e o carnaval de rua deixou de existir no século XXI. Restam os grandes desfiles de escolas de samba das grandes cidades e alguns desfiles de blocos em outras capitais do país.

Pesquisando sobre o tema, foquei um pouco no início do século XX e descobri que as mulheres, daquela época, encontravam nos três dias oficiais de reinado de Momo, momentos para se liberarem das regras familiares e se permitiam um pouco de descontrole. O carnaval sempre foi uma justificativa para sair do sério e a mulher assumir um pouco do poder que não lhes era permitido normalmente.

Num site de publicidades antigas, encontrei uma, bem intrigante, do lança perfume Alice. Assim, acabei descobrindo mais algumas curiosidades.

Essa propaganda afasta a sensação de um brinquedo de carnaval. Mostra uma mulher sendo submetida por seu companheiro, tendo os seios nus. Esse anúncio, do início do século XX, surpreendeu-me por ser muito ousado, literalmente, de “pegação”.

 Apesar de afirmarem em muitas publicações a inocência do uso do produto, usado até por crianças nas matinês de antes da proibição em 1961, essa publicidade contradiz a intenção ingênua do uso do Lança Perfume. O anúncio revela, em primeiro plano, o efeito produzido pelo produto, com o personagem do Pierrot, parecendo dominar a companheira entorpecida e submetida, como um tipo de “boa noite cinderela”.

A apresentação da mulher, já em topless, sugere algo considerado indecente naqueles tempos. Tenta aí, fazer certa concessão sem censura, já que é carnaval, tudo pode.

No texto, o anúncio trata de forma muito normal, mais do que se possa pensar hoje, dizendo que o lança perfume: “é sempre o preferido e pode ser pedido em toda a parte”, mencionando as revendedoras, sem qualquer restrição. Ainda menciona as vendas por atacado junto a brinquedos e artigos de carnaval.

No visual, em primeiro plano, o Pierrot parece aplicar o produto diretamente no nariz de sua parceira de dança. A moça que se entrega toda lânguida aos efeitos, parece se deixar dominar pelo rapaz num momento de êxtase provocado pelo produto. Ao fundo, como num baile, veem-se outros casais dançando, assim como uma bailarina, músicos de orquestra e um anjo cupido, com seu arco, apontando sua flecha bem na direção do casal principal, sugerindo a conquista que o rapaz está conseguindo em relação à moça contando com os efeitos do lança perfume. Tudo muito sugestivo e nada moralista.

Basta uma olhadela nas propagandas em geral, para concluir que, há muito mais de um século, a mulher é exibida em anúncios de maneira não muito edificante, sobretudo no verão e nas campanhas da época de Carnaval. Há evoluções recentes, claro, com propagandas celebrando a chamada “mulher moderna”, que presenteia o marido com um carro zero, que toma iniciativa de conquistar um parceiro, que dispensa o namorado para beber com as amigas, mas, ainda assim, são recorrentes os estereótipos de “mulher-margarina” e “boazuda-de-cerveja”. A propaganda, do Alice, seria totalmente condenada pela sociedade atual, sobretudo pelos movimentos feministas.

Os efeitos dos protestos das mulheres já se refletiram, ultimamente, nas mudanças ocorridas nas campanhas das cervejas Itaipava e Skol de modo a terem sido totalmente revistas suas propostas de posicionamento e linha de criação.

Como hoje elas têm poder aquisitivo comparável ao dos homens, formando um robusto nicho de mercado, é natural que a publicidade evite representações de mulheres submissas.

O que precisa ficar claro é que a publicidade é o espelho da sociedade em que ela está. Ela não cria hábitos, ela os reflete. Seu papel não é mudar tendências, condutas ou costumes, mas sim reproduzí-los para que as consumidoras se identifiquem com a marca e não a rejeitem.

Flailda Brito Garboggini – Bela Urbana. Pós graduada em marketing, Doutora em comunicação e semiótica. Dois filhos e quatro netos. Formada em piano clássico. Hobbies música, cinema, fotografia e vídeo. Nascida em São Paulo. 4 anos como aluna, 35 anos como professora de Publicidade na PUC Campinas. É aquariana (ao pé da letra).

É o tempo de se vestir com uma fantasia engraçada.
Que cobre o corpo todo. Ou não.
É tempo de se divertir.
Tempo de ir pra rua, de fazer farra.
De passar tempo com quem se ama.
De viajar.
De dançar até o chão sem julgamento.
De vestir o que quiser.
De festa.
De celebrar a diversidade.
O exótico. O país. A beleza.
De enlouquecer.

Das mulheres se sentirem empoderadas.
Bonitas, sexys, confiantes.
Glamurosas, brilhantes.
Pra que elas dancem sem medo.
Mulher alguma vez fica sem medo?

Tempo de as pessoas serem quem quiserem.
Tempo de não julgar.
De brilhar e de vestir a roupa que teve medo de vestir o ano todo.
Tempo de a comunidade LGBTQIA+ se expressar. Sem medo.
Eles também alguma vez não sentem medo?

Ou de ficar em casa.
Vendo o desfile na TV.
Ou vendo um filme qualquer e fingindo que o Carnaval nem está aí.
De olhar a rua da janela.
De torcer pela sua escola.
Ou não.
De por o sono em dia.
Ou os estudos.
Do que for mais confortável.
Mais alegre.
Ou prioridade?
Mais seguro?

Porque é isso que o Carnaval é.
Tempo de escolher ser e fazer o que quiser.

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU.

Atualmente, o que se fala em estupro, agressão física e feminicídio é uma enormidade e uma triste verdade.

Quando vejo as notícias e as imagens das mulheres que escaparam com vida, fico muito indignado. Rostos e corpos mutilados!

Acho inacreditável um homem (qualquer adjetivo que tente usar vou manchar a classe utilizada), mas utilizando, esses vermes se consideram donos de suas companheiras.

Eles não poupam nem seus próprios filhos de presenciarem essas atrocidades.

Houve um caso que o marginal atirou na esposa com o nenê no colo.

Agora analiso o comportamento das mulheres: todas têm o direito de tentar ser felizes.

Mas a maioria não procura checar a “capivara”  – ficha corrida do aspirante a companheiro.

As redes sociais são um facilitador para que isso comece a acontecer; digamos, o pontapé inicial da relação infernal.

Levam esses malditos para dentro de casa, aí a máscara começa a cair…

Aí não trabalha, bebe, usa drogas e o sustento da casa fica por conta dela.

E no extremo, abusam sexualmente de seus enteados.

As agressões começam e também os perdões.

Perdoa uma, duas, três e por aí vai.

Quando não aguenta mais, coloca o marginal para fora.

Não adianta! A perseguição por não aceitar é constante.

A vítima faz inúmeros boletins de ocorrência, consegue a medida protetiva, que não vale nada! O agressor usa esse seguinte bordão: “Se não for minha, não será de mais ninguém”.

Medida ignorada, ameaça cumprida: mais um feminicídio executado.

A dependência econômica, o medo são fatores que levam as mulheres a aceitarem essa condição degradante. E do outro lado, a total impunidade deixa os agressores e assassinos numa situação muito cômoda e tranquila.

A minha opinião é que, na primeira agressão, se separe desse verme, pois o cenário nunca mudará.

Mas para que as vítimas tenham coragem de denunciar é preciso ter leis mais duras e severas, caso contrário, os agressores se sentirão donos da situação, deitando e rolando na impunidade.

E o que se vê, na maioria dos casos, são as relações acabando e os vários filhos dos diversos relacionamentos ficando com a mãe.

Eu, como homem, repudio totalmente esses comportamentos.

Não se pode perder sua dignidade e sua vida em troca de uma relação amorosa.

Mulher não é objeto e muito menos propriedade de ninguém.

É a criação mais bela de DEUS!

Eduardo Gonzalez Domingo – Belo Urbano. Formado em Educação Física. Atuou com voleibol em todas faixas etárias, recreativamente e competitivamente. Há 14 anos atua como Corretor de Imóveis em construção, ama o que faz, pois ente que é facilitador para as pessoas realizarem o sonho da casa própria. É fiel as amizades, de bom coração e fanático por esportes e música.

Um dia acordei e percebi que a cidade, o estado e o país que vivia estava diferente. Era um estado esquisito, mas melhor. Achava estranho por ser novo, diferente, até incomodo perto do que vivia, mas era bom, estranhamente bom, funcional e justo.

O estado era mais bem organizado, respeitava as pessoas. Todas elas. Por mais diferentes que fosse. Respeitava o tempo do corpo, da alma, da emoção. O trabalho, a economia não eram totens do sucesso individual, mas sim, expressão da união das pessoas em prol do seu próprio cuidado. Estavam limitados ao que era necessário, sem exigir dos indivíduos mais que o esforço necessário para atender ao necessário.

Havia um afeto coletivo genuíno. Não era sexual ou piegas, mas genuíno ao ponto de eu não saber explicar. Onde eu ia, me sentia acolhido como no útero de uma mãe. Pessoas educadas, calmas e colaborativas. As crianças eram livres, inteligentes e ouvidas. Os adultos eram sábios e ponderados, reconheciam seus erros e aprendiam. A justiça era feita na conversa, não no martelo, ou na balança cega por quem tem mais.

As ruas eram limpas, para que nenhum bicho, por mais selvagem que fosse, se contaminasse. Todos habitávamos em harmonia com as plantas que permeavam a cidade. Tudo era vida e tudo bem. Não havia concreto, mas o solo, a terra que sempre existiu, abraçando nossos pés. Esse mundo, parecido com um desenho bíblico havia se tornado real porque as pessoas simplesmente buscaram construí-lo.

Um exercício de imaginação é o princípio de um mundo novo. Convido você a imaginar esse dia, assim como imaginei para escrever essas linhas. Vem, pensa num mundo governado pelas mulheres!

Entendo se você estranhar esse depoimento, esse exercício imaginativo. Talvez nunca tenha imaginado nada sobre matriarcado ou sociedades governadas (ou mesmo geridas) a partir do etos feminino. Nem eu sou expert nisso. Mas a mulher tem outro tempo, outro espaço e outras demandas, necessidades e prioridades muito mais humanas. Homens como eu, como você talvez, temos que entender que há um mundo possível, bem diferente do que aquilo que chamamos de normal. Há algo que nunca tentamos, e não é porque o patriarcado está aí a um bom tempo que temos que conservá-lo. Às vezes, está errado a um bom tempo, temos que ter culhão para mudar urgentemente.

Uma mulher na política vai sim pensar na vida em gestação, aquela que só ela sabe como carregar em seu corpo. Vai pensar nas dificuldades que são, uma vez por mês, sangrar pela humanidade e na necessidade de pausa para sentir e refletir o momento. Vai pensar no tempo necessário para cimentar o sorriso em uma criança, até quando ela puder sorrir por si só e fazer o mundo ao redor sorrir junto. E a cada criança que sorri, a partir de políticas públicas baseadas em dilemas femininos, é um pedaço de uma sociedade mais humana e equilibrada que surge, buscando longe do trabalho ou da economia os totens de sucesso, mas sim na felicidade e na união dos povos.

Mulher no poder é necessário, assim como todas as outras identidades. Os homens precisam dar espaço e tentar o novo, por mais romântico que o texto pareça, pensar nisso é realmente necessário se quisermos superar as demandas econômicas, ecológicas, sociais e de paz do mundo. Pense nisso. 

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Um dia desses, após uma caminhada com meu amigo no bairro, coloquei a mão no bolso e percebi que meu celular não estava, assim que isso ocorreu voltamos imediatamente todo o trajeto que tínhamos feito, olhando para o chão, ligando para o celular e nada! O celular havia sumido, não estava no bolso, na rua e nem no terreno que havíamos entrado, ligávamos para o número e ninguém atendia.

Assim que minha mãe chegou em casa, fizemos o mesmo trajeto novamente, olhando para o chão, ligando para o celular etc., o celular tocava mas nada acontecia. Após isso, já tinha desistido e achava que nunca mais o veria de novo, fiquei muito triste pois ali estavam, muitas fotos e arquivos importantes, porém…

Quando voltamos para casa, recebi uma foto no meu e-mail com a cara de uma estranha que estava com meu celular e sua localização, por conta de um aplicativo, toda vez que alguém tentava desbloqueá-lo e não conseguia, eu recebia um e-mail com a foto da pessoa e a localização do telefone, em questão de minutos eu já sabia quem tinha achado meu celular, qual era a casa da pessoa e quem era o filho dela, ao longo da noite recebi mais de vinte e-mails com fotos da cara dela e sua localização.

Nós ligávamos e ligávamos mas ela não atendia, percebemos que ela estava agindo de má fé, eu queria ir logo na casa dela e pegar meu celular de volta mas minha mãe resolveu fazer um boletim de ocorrência, estávamos prestes a enviar uma viatura na casa da mulher. Quando ela finalmente percebeu que não ia conseguir desbloquear o celular, resolveu atendê-lo, era meu amigo ligando, conversou com ela e ela decidiu devolver o celular no dia seguinte, a mulher trabalhava no condomínio que fica na frente ao meu. Por isso, pense bem antes de fazer algo errado, você está sendo observado em todo canto.

Pedro de Andrade Nogueira -Belo Urbano. Filho do meio. Estudante do ensino médio. Gosta de assistir séries, sair com seus amigos, viajar e ir para o clube.

Cansada, à beira da exaustão mental, ela olhou para seu santuário na cabeceira da cama. Imagens de Santo Antônio com o Menino Jesus no colo, Nossa Senhora de Aparecida, São Jorge, São Longuinho, Nossa Senhora Fátima, Cosme e Damião, o Cristo Redentor de braços abertos, Ganesha e Ibeji! Sincretismo puro!

Nada acalmou seu coração. Tempos difíceis esses. Tempo complicado de se entender os porquês. Como Deus leva uma criança acometida por uma doença cruel? Como Ele vê as mazelas desse mundo e não faz nada? Ahhhh faz! Mulher de pouca fé!

Independentemente da sua crença, saiba que tem gente no comando da nave. Por mais que você não entenda naquele exato momento o caminho que ela está percorrendo, saiba é o melhor.

O mesmo comandante que te fez duvidar de Sua bondade, colocou em sua vida, dias depois, pessoas que vieram ensinar a perseverança, o amor e a restauração da fé na humanidade. Porque sim, em meio a tantas coisas e notícias desfavoráveis é possível se acalentar com uma história de vida, contada com lágrimas nos olhos e uma reconfortante xícara de café!

Ah, mulher de pouca fé! As imagens na cabeceira da cama estão para te lembrar o tempo todo que HÁ comando, há perdas e há vitórias! E principalmente, há porquês, por mais que você ainda não esteja pronta para entender. Então, faça sua oração, agradeça e viva, mesmo sem ter todas as respostas.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!