Quando eu tinha uns 7, 8 anos, muito feliz nas férias, num dia de piscina com parentes… um deles muito querido e muito mais velho do que eu, começou no meio das brincadeiras passar as mãos em mim! Sem cerimônia, com naturalidade na frente de todos… me enganchava na cintura e forçava minha genital nele! Eu sem entender, mas me sentindo muito mal, fiquei confusa e no fim das contas, lembro de ter pensado ser coisa da minha cabeça! Já que ele era tão legal e tão amado!

Aos 10 fui estuprada por outro parente. Quando contei para um adulto, eu apanhei.

No mesmo ano teve uma feira de livros na minha escola! Eu era louca por livros! Todos os dias eu saia da aula correndo para ver e escolher os livros que eu compraria. Num desses dias, sentada folheando um livro, o “tio” que estava responsável pela feira, sentou ao meu lado e enfiou a mão por dentro do meu shorts. Eu paralisei, perdi o ar e saí correndo. Contei para uma amiga, que não entendeu nada! Óbvio!

Com meus 13, 14 anos aquele parente da piscina foi dormir em casa. Eu e minha irmã muito felizes pedimos para ele dormir no nosso quarto. Deitamos todos juntos, e quando minha irmã dormiu ele colocou as mãos dentro da minha calcinha. Eu saí correndo, me tranquei no banheiro e chorei por horas.

Tempos depois voltando pra casa, percebi que estava sendo seguida na rua, me enfiei dentro de um orelhão, e o cara tentou me agarrar. Comecei a gritar e ele saiu correndo. Eu quase desmaiei de tanto pavor.

Mais tarde já, fiz um curso de massagem ayurvédica, comecei a trabalhar num espaço e deixei claro que não atenderia homens. Um dia a dona do local praticamente me obrigou a atender um cliente. Fui extremamente profissional, fria. Pedi pra que ele ficasse de cueca e colocar o lençol por cima. Em certo momento ele tirou o lençol, estava sem a cueca e pediu para que eu massageasse o pau dele.

Levantei e saí! Eu tinha pesadelos com ele correndo atrás de mim. Procurei um psiquiatra porque já não conseguia mais dormir em paz. Ele queria me medicar, eu disse que não poderia pois tinha filho pequeno e precisava estar atenta. Então, ele propôs sessões de terapia. O psiquiatra devia ter uns 80 anos. A cada sessão eu deitava num tipo de divã e ele sentava numa poltrona atrás, onde eu não conseguia ver. Numa das sessões percebi algo estranho, mas teimava em não acreditar. Até que na próxima eu ouvi ele abrindo o cinto e fazendo barulhos estranhos. Dei um pulo, e quando vi ele estava com a calça aberta com o pau de fora, tentou me agarrar. Eu saí correndo desesperada! Ele ligou na minha casa algumas vezes, eu atendia fingindo não ser eu.

Depois fui morar com um namorado. Um dia não queria ter relações, ele me obrigou. Mesmo eu estando imóvel, ele fez o que queria, depois virou para o lado e dormiu, bem tranquilo.

Fui assediada inúmeras vezes no trabalho. Tive um chefe que me pedia para buscar coisas o dia todo para poder ver a minha bunda. Um dia falou isso rindo para mim. Trabalhei num restaurante como auxiliar de cozinha. Um dos profissionais me trancava na câmera fria vez ou outra para me agarrar. Eu entrava em pânico, tinha luta corporal e algumas vezes ele falava que não adiantava gritar, porque ninguém iria me ouvir. Me pressionava na porta e enfiava a língua na minha boca. Um outro auxiliar vivia passando a mão na minha bunda. Um dia com raiva peguei ele pela gola e quase dei um soco no nariz. Mas tive medo. Eu era a única mulher dentro da cozinha.

Aguentei anos o pai de uma colega do meu filho descaradamente me assediando. Me ligando, me chamando para sair. Um dia indo para um aniversário de uma criança da escola, quando cheguei ele estava no estacionamento, tentou me beijar à força na frente do meu filho, que obviamente estava sem entender nada. Fiquei anos querendo contar para um casal de amigos da mesma escola, mas tive medo e vergonha.

Minha filha nasceu e eu já estava separada do genitor, ao ir no médico para ver os pontos da cesárea, o médico nem olhou para minha cara, mas disse para o genitor que eu já estava boa para uso! Dias depois o genitor tentou me forçar ter relação com ele. Eu tive uma crise de pânico. E ele acabou comigo!

Amigos, homens do meu círculo social, já me encoxaram com a desculpa de estarem bêbados, homens do meu convívio que até hoje quando cumprimentam vem beijar no canto da boca! E muitas das vezes mesmo eu sendo quem sou hoje, não consigo falar, nem agir na hora. Fico tremula e paralisada.

Amigos do meu marido que se emputessem com meu posicionamento e me chamam de feminista escrota, idiota e por aí vai!

É a primeira vez que escrevi num relato só quase todos os abusos que sofri na vida!
Mesmo depois de tantos anos e mesmo num processo de cura constante, muitos deles eu não tinha coragem de contar! Agora eu tenho, eu preciso!

Passei anos da minha vida achando que o problema estava em mim. Hoje entendo que não!
Não conheço infelizmente NEMHUMA mulher que não tenha sofrido abusos! Umas mais outras menos!

Hoje eu vivo em alerta! QUALQUER homem é sinal de perigo! Quando estou dirigindo estou SEMPRE ATENTA às mulheres que estão a pé.

Ano passado quase bati meu carro, por ver um homem batendo na mulher no meio da rua, uns dez homens olhando sem fazer nada! Parei o carro e comecei a berrar enquanto chamava a polícia. Dias depois ao lado da portaria do meu prédio, vi um homem indo para cima de uma mulher, pressionando ela na porta de uma loja fechada, ela estava no ponto de ônibus. Fingi que conhecia ela, abracei e joguei pra dentro de prédio. Ela quase desmaiou e tivemos uma crise de choro!

Anos atrás, fui pedir ajuda para um conhecido para como proceder para auxiliar uma amiga que tinha sido estuprada. Primeira coisa que ele me perguntou, foi se ela era bonita! Ele me perguntou sorrindo!
Eu vomitei dias, não conseguia trabalhar, meu corpo doía.

Alguns anos atrás uma amiga foi jogar o lixo na lixeira da rua, e o vizinho idoso a agarrou! Eu lembro do desespero dela!

Passei por inúmeras sessões de terapia chorando copiosamente de desespero em pensar que tenho filhas, nesse mundo de homens tão escrotos e de uma sociedade tão machista! Que nos tratam como nada, como pedaço de carne a ser consumido!

Eu sei que dói ler tudo isso! E sei que muitos virão aqui solidários a toda essa dor!
Mas a dor é de todas nós.
Precisamos estar atentas sempre, dentro das escolas, nos parques, nas ruas, no ponto de ônibus, dentro das nossas casas e por aí vai!

Todos os minutos, todas as horas, todos os dias têm crianças, adolescentes, jovens, adultas sendo abusadas, estupradas!

Precisamos estar atentos!

Carol Oliveira – Bela Urbana, chef de cozinha, mãe de 3 filhos. Adoro escrever sobre o dia dia real. Inspirada pelas fotos do meu marido… Sigo tentando ver poesia e arte nesse momento de tanta angustia e medos!

Foto Ricardo Lima

“Empreender é uma forma de amadurecer. ”

Isso foi o que eu ouvi de um terapeuta com quem na época fazia sessões de acupuntura, há 15 anos atrás, quando decidi largar o emprego e iniciar essa nova fase na vida.

Acredito que vários são os caminhos que podem nos trazer crescimento e conquistas. Mas certamente iniciar um empreendimento é um deles.

Temos que aprender a estipular metas.

Aprender a avaliar riscos. E ter a coragem de arriscar.

Chorar desesperadamente nos momentos em que o mundo parece conspirar contra você.

E se reinventar a cada dia.

Entrar em conflito com seus valores, princípios de vida. Até onde eu posso? Isso tá certo?

Saber dividir seu tempo, reavaliar prioridades.

E principalmente, SABER O QUE QUER, SABER ONDE QUER CHEGAR.

Algo em comum com o que temos que fazer com as nossas vidas?

Sim, empreender é uma forma clara de amadurecer.

Uma forma quase bruta de ter que conquistar a auto estima.

Por que entre erros e acertos, tropeços e recomeços, a vida se mostra plena e o universo coloca aos nossos pés todas as oportunidades que necessitamos para crescer, amadurecer e se auto conhecer.

Para aqueles que pensam em começar a empreender, o SEBRAE é uma ótima opção para encontrar orientações sobre abertura empresas, em qualquer ramo de negócio.

Aos que pensam em iniciar empresas de base tecnológica, sugiro procurar também, as incubadoras de empresas. Além do suporte administrativo, empresarial e jurídico, a interação com os demais empreendedores é sempre muito enriquecedora.

Relações abusivas podem acontecer em todos os âmbitos da nossa vida. Seja pessoal, familiar ou profissional.

Portanto, vamos nos fortalecer, encontrar nossos valores e nossa identidade.

Sejamos nós, os autores da nossa própria história.

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

Como você é linda!
Foi assim que o relacionamento começou.
Já se passaram meses, e como ele é carinhoso!
Mig estava nas nuvens. Que homem incrível havia encontrado. Fiel, trabalhador, um eterno
romântico, sempre a elogiando, presenteando com chocolates e buquês de rosas vermelhas.
“A verdade é que ele a amava. Era intenso.”
Não demorou para as promessas de casamento começarem a lhe cobrir de esperanças, afinal,
Mig realizaria o sonho de constituir uma linda família, pois filhos também já tinham sido
cogitados.
Combinaram de sair, e Mig comprou um belo vestido, arrumando-se toda para agradar seu
amado. Pena ele não ter gostado tanto assim da sua produção, pedindo-lhe com todo carinho
que colocasse algo mais apropriado. “Que mal faria ela trocar sua roupa?” Jamais iria
contrariar seu agora quase noivo com uma bobagem dessa.
O tempo passou, e como ele se recusava a usar métodos contraceptivos (Mig entendia as
razões dele), não custou para que o primeiro filho chegasse.
“O casamento podia esperar”, disse ele.
Foram morar juntos.
Uma pena ele ser tão ocupado! Chegava todos os dias tarde, cansado sempre, não cuidava do
bebê, nem tampouco da casa.
Mig se desdobrava entre os afazares, o trabalho e a faculdade à noite, quando contava com a
ajuda de sua mãe e algumas amigas.
Mas essa situação ficou insustentável e, segundo ele, a faculdade podia esperar. Mig viu que
ele tinha razão. Trancou sua matrícula.
Outro ponto foi manter sua mãe e as amigas mais distantes, pois “viviam dando palpites e eles
acabavam sempre discutindo por isso”. Mig ficou triste, mas entendia as razões dele.
Estranho que ele andava nervoso, mas Mig sabia que era por conta do cansaço.
Passados alguns dias, todo carinhoso, sugeriu então que Mig largasse o emprego, pois assim
teria mais tempo e condições de cuidar dele e do bebê. Ela entendeu que ele estava fazendo
isso para o bem da família. E assim, pediu demissão.
Mas parecia que nada o agradava.
Até que um dia, sem mais nem menos, deu-lhe um tapa na cara, alegando que a comida não
estava quente. Ela chorou muito, mas não quis brigar.
Na manhã seguinte, ele pediu desculpas, chorou, implorou para que ela esquecesse aquele
triste momento. “Ele a amava e não faria de novo”. Claro que ela o perdoou.
Os episódios passaram a ser constantes… Descaso, humilhação, cobranças absurdas e muita
agressão física.

O pedido de perdão, com lágrimas e lamentos, tornou-se recorrente.
Mig não estava mais dando conta. Mas não tinha coragem nem força para tomar uma atitude,
inclusive porque não sabia o que fazer.
Mas o tempo a fez perceber que precisava terminar com ele, pois temia por seu filho também.
Foi aí que a tragédia aconteceu.
Por conta de não aceitar o fim do relacionamento, ele planejou o pior.
Esperou Mig dormir, jogou álcool sobre ela e ateou fogo.
Ela acordou em chamas. Com seus gritos de dor, uma vizinha conseguiu arrombar a porta e
socorrê-la.
Ele havia fugido para sempre.
Mig teve 80% do corpo queimado, seu rosto desfigurado e marcas psicológicas para sempre.
Precisou lutar pela vida.
Sobreviveu com garra! Hoje luta pela causa, para ajudar outras mulheres a não passarem pelo
que passou.


*Dados do DeltaFolha afirmam que “o Brasil registra 1 caso de agressão à mulher a cada 4
minutos.”
*Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), “7 em cada 10 mulheres no planeta foram
ou serão violentadas em algum momento da vida”.
*Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, “a quantidade de
denúncias de violência contra as mulheres recebidas no canal 180 cresceu quase 40%
comparando o mês de abril de 2020 e 2019”. (saude.abril.com.br)

Disque 180. Denuncie. Vá até a Delegacia da Mulher (ou delegacia mais próxima) e preste
queixa.
Disque 190 – Polícia Militar para atuação emergencial.


Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Dou voz à uma amiga querida que quis se manter anônima.

Aos seus vinte e cinco anos, nos anos 90 passava por um período de grandes decisões, se preocupava com a mãe que beirava o divórcio, queria sumir, queria viajar para a Europa, se tratava de uma depressão, chorava todos os dias no trabalho, vivia uma vida dupla: trabalhava, chorava, estudava, se fazia de forte para que a mãe não percebesse seu real estado “fundo do poço” e saía com as amigas, bebia (muito) e buscava alguém para suavizar suas carências, nessa época seu amor próprio estava escondido em algum lugar impossível de ser encontrado, aliás era tão escondido que ela não conhecia essa palavra, não existia em seu vocabulário, sentia tanta angústia, tristeza e sentimentos de vazio, de desconexão que não conseguia traduzir nada disso, não conseguia elaborar, era o caos que a habitava.

O sexo era uma forma de buscar afeto, esse que sempre faltou na figura do pai, afeto que não conseguiu sentir do pai para a mãe, do pai para ela, afeto esse que a mãe desesperadamente buscava em seu marido e que também não sobrou para ela, ela se misturava com a mãe, ela sofria pela mãe, em
alguns momentos não sabia quem era ela, se filha da mãe ou ela mesma a mãe da mãe, queria proteger, tinha pena de si e da mãe. Assim nesse emaranhado ela se entregava a relações vazias e buscava com tanta ênfase o amor que era nítida a carência e tudo que conseguia era só sexo mesmo, como se os homens farejassem a falta, o buraco, o vazio que ela carregava consigo e tivessem medo de tal violência do sentir, era muita pressão emocional, como suprir isso em alguém? Como compartilhar uma relação,
como amar alguém assim tão carente, tão pela metade? Ela se envolveu sexualmente com vários rapazes da mesma turma, não namorou nenhum, uma noite pegou carona com um amigo da turma, esse ela nunca nem tinha beijado, não tinha nenhuma atração por ele, no portão de sua casa ao se
despedir ele tentou beijá-la e ela disse não, ele se ofendeu e retribuiu: “Se com os outros sim porque comigo não?” “Vai ter que ficar comigo também” e tentou forçá-la puxando-a com violência para si, ela saiu do carro rapidamente, nunca tinha sido tão humilhada e se sentido uma mercadoria, um corpo sem vontade assim na vida e nesse momento enxergou muitas coisas e como doeu, no entanto valeu por anos de terapia. Começou a se dar conta do machismo estrutural e seus efeitos, se fosse com um homem isso não teria acontecido, seria normal ficar com várias mulheres mas para uma mulher ter relações sexuais com vários homens não era, a desvalorizaram como ser humano, os chamados “amigos” falavam dela entre si e a “indicavam” para sexo fácil e quando ela não aceitou, um simples “não” se transformou em uma ofensa.

Aprendeu com esse evento, viu que se magoou demais também por estar vivendo uma fase difícil, estava fragilizada, entendeu que não era através de vários parceiros sexuais que iria resolver seus problemas emocionais, suas carências, compreendeu que de uma certa maneira não se respeitava
quando buscava afeto fora de si mas não se amava, entendeu que sofreu abuso primeiro de si mesma. A mulher por viver em uma sociedade machista, além de ter que passar por seus próprios conflitos internos inerentes ao existir, ainda tem que lidar com os homens que acreditam que elas são sua propriedade e isso não é justo. Vinte e cinco anos depois ela percebe mudanças, hoje em dia as mulheres são mais livres para viverem sua vida sexual plenamente, sem justificativas, não precisam mais buscar amor e sexo, podem buscar apenas sexo se assim o desejarem, sem sofrer por isso, esse conflito interno diminuiu, atribuo isso ao feminismo ter ampliado a visão das mulheres nos novos tempos. Por isso hoje ela acredita que uma das maneiras de evitar, interromper e se retirar de um abuso emocional de qualquer forma é amar-se, conhecer-se, respeitar a si e ao outro, saber dizer “não” essa é a blindagem contra qualquer abuso. Alguém disse: quando digo sim para alguém estou dizendo não para mim. Frase que ela leva para a vida. Hoje presta atenção ao que aceita, quando se aceita algo que não deveria é aí que o abuso é semeado.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Tínhamos planejado a nossa viagem,  aqui pertinho mesmo, não iamos demorar, afinal de contas ele tem tantos compromissos na segunda. Temos pouco tempo para nós dois, vida corrida, filhos e ainda as suas viagens.

Sexta já estava sonhando com a viagem, já fomos umas duas vezes, nesses seis anos de casamento. Seria a nossa terceira vez de irmos para as montanhas. Quarentena, vontade imensa de sair um pouco de casa, e desse turbilhão. Claro, já apreensiva que talvez algo daria errado, um compromisso de última hora…

Na própria sexta, ele recebe um telefonema, e só escuto: tudo bem, combinado, vamos almoçar e falar de negócios. Bom, ele tinha chegado de viagem depois de 20 dias fora e precisava fazer contatos de trabalho, o mercado não estava dos melhores e sabe como é, ele precisava fazer dinheiro. Desligou o telefone e nem se deu conta que tínhamos combinado a tão sonhada viagem. Perguntei depois de algum tempo, ensaiando antes como eu falaria sobre o ocorrido. Tomei coragem e perguntei: mas e a nossa viagem? Ele respondeu que a tarde de sábado ele estaria livre e iríamos viajar. Pensei… é… ele precisa trabalhar. Logo depois ligou a irmã, pedindo que a ajudasse na obra que ela estava fazendo em sua casa pela parte da manhã de sábado. Meu coração apertou, uma agonia familiar se instalou, um frio na barriga e uma tristeza velada no meu olhar. Me segurei para não chorar, não explodir, não começar tudo de novo. O controle tinha que estar em mim de uma vez por todas. Ele estava do meu lado, não percebeu nada, ainda bem… sentimentos apenas meus.

Depois de algumas horas, não segurei, uma raiva sem controle explodiu e falei, falei, gritei com ódio, e aquela raiva de mim mesmo de não ter falado Não! O sábado já estava perdido e eu me vi assim, desolada, frágil, sem força… perdida em mim. Enfim o sábado passou, não queria saber mais desse dia, acordamos no domingo e demos uma volta de moto, percorremos a Lagoa, fomos ao Rio. Lugar que eu nunca deveria ter saído, sensação de pertencimento finalmente. Foi bom, em paz… esqueci de dizer que ele já tinha marcado no domingo com seu sócio de ver as finanças, mas no meio dessa paz, vinha aqueles pensamentos, ele vai me deixar em pleno domingo, nem me perguntou nada. Mas domingo não é dia de família, de estar em casa, pelo menos é o de praxe, mas nem sei porque me apego a isso, na minha família, meu pai sempre foi ausente, viajava muito e era compulsivo por trabalho, assim como vivo hoje, ao lado de alguém que não tem hora, nem data…

Voltamos do Rio, fomos para casa, cheguei a pedir para ele desmarcar essa reunião, mas ele me disse que era importante que fosse hoje. Nesse momento, uma dor, aquela dor mais que familiar veio no meu corpo, na minha alma. Eu queria muito que eu ficasse bem, tranquila, que ele fosse para o seu compromisso e eu poderia ficar estudando, adiantando algum trabalho, poderia ler um livro, meditar, descansar, ouvir música, ver um filme… não fiz nada disso. Ele me chamou para ir com ele, fui… e ali fiquei esperando, olhando o tempo passar e lá se foram duas horas, cansada, pensando que eu poderia ter feito algo por mim… paralisei total. O que estou fazendo aqui? Nem alívio senti, senti um arrependimento, uma vergonha de não ter tido coragem de fazer por mim. Ele, tão seguro, tão autosuficiente, tão dono da sua vida. Ali fiquei esperando o tempo dele passar…

MULHER – Bela urbana, 40 anos mais, não quis ser identificada
SOS – ligue 180

Pensei muito antes de escrever aqui… mas preciso por pra fora… pra eu ficar em paz.

Esses dias fiquei sabendo por um amigo em comum, que o pai dos meus filhos irá se casar de novo. Até aí tudo bem, que seja feliz nessa nova etapa de vida… é um direito dele, como é meu também…

Desejo do fundo do meu coração, que ele não faça com a sua nova esposa e família o que que fez com a antiga família.

Só estou escrevendo, porque tive essa conversa com um dos meus filhos, que tem o mesmo desejo que eu… mas que lembra com tristeza do pai que teve… um pai ausente de amor, de carinho de amizade… um pai que pisou em seu primeiro vídeo game por puro prazer, um pai que só porque ele e seu irmão mais velho estavam rindo ao ver um programa na TV, foi motivo dos dois apanharem… um pai onde um filho pede um sorvete e isso vira motivo para levar bronca, um pai onde foi ver seu filho jogar futebol (e para quem conhece esse meu filho, sabe como ele ama futebol), fala que ele jogou mal, sendo que nesse dia ele foi o melhor em campo, (palavras do treinador)…. do pai que não levava seus filhos para passear porque o mesmo, chamava seus filhos de rabo… e se não fosse esse meu filho, me salvar…hoje não estaria aqui escrevendo, pois, ele viu o pai traiçoeiramente me dar um murro na nuca.

Tenho o filho mais velho, que nunca teve um pai… pois me lembro como fosse hoje, quando liguei para esse cidadão, dando a notícia que estava grávida ele me xingou e quando chegou em casa me bateu. Apanhei outras vezes durante a gravidez… esse filho, ficou sem conversar mais de dez anos com esse pai… o pai sempre falava que ele seria um vagabundo… não seria ninguém na vida… graças a Deus, a praga não pegou.

Com meu filho do meio, ele quase não falava nada, pois o mesmo batia de frente…

Vivi com essa pessoa por vinte e sete anos, e de verdade, eu me pergunto o porquê de tanto tempo.

Vivi aprisionada, pois não podia ter minha opinião própria, não podia trabalhar, depois de muitos anos de casa, consegui um emprego onde eu morava, gostava e muito… só que aí, ele falou para eu ficar em casa que ele me pagava.

Quando estava grávida do meu filho mais novo, ele saiu do apartamento onde morávamos, para agarrar uma vizinha…todo mundo sabia da história, menos eu… até o marido da mulher me chamar pra conversar.

Passear? (risos irônicos), passeávamos muito aos domingos… me colocava no carro, e me levava para dar volta no castelo. Detalhe, sem descer do carro e porquê os filhos eram rabos.

Sempre colocava seu órgão genital pra fora e me obrigava ficar segurando…

Ir em almoço de família? Não podia pois, falava que minha família não gostava de mim…me aturavam por obrigação…

Me obrigou a andar de carro com ele, sem blusa…

Bem… sei que muitos, não tem nada com a minha vida e minha história… mas precisava por pra fora…pois hoje, o cidadão, viaja, come fora, hoje ele não tem os rabos…. a vida ficou mais fácil… fazem seis anos que sou divorciada, e desde então, ele nunca mais teve contato com os filhos.

Na conversa que eu tive com meu filho mais novo, chegamos a conclusão que, por mais que doa pra eles, filhos, (me dói por ver o lado dos meninos, porque fui eu que não quis mais o casamento ). Vamos seguir em frente, porque o estrago emocional, psicológico que ele nos causou é grande sim,.(por mais que eu seja uma pessoa alegre, só eu sei os FANTASMAS que eu carrego ainda), decidimos não sofrer mais com isso, porque enquanto a gente sofre, ele não tá nem aí…

Desculpem pelo texto, pelos erros de português… mas precisava vomitar…

LIGAÇÃO #180 – URGENT’EDECENT’ECOERENTE

Paula Roberta Caparoz – Bela Urbana, escorpiana irrequieta, nada a comove mais do que atitudes. Amante de qualquer arma que desafie seus próprios desejos. Aprendendo a discernir o fato e o relato interno, independente da avalanche externa.

1978. O início da faculdade, de inauguração da vida futura.

1978. O início do fim do merecimento do amor. O início do autoboicote.

Tinha um dog alemão preto, obediente. Foi usado como ameaça velada.

Uma festa de república.  Uma saída com o cara lindo e bom papo para comprar cigarros.  Uma parada na casa dele para pegar um agasalho.  

O dog alemão vigiando e atento aos comandos.

Foi assim.  Como máquina obedecendo aos comandos. 

Sobrevivência.  Pura e simplesmente. 

1978. Nunca mais sonhos perfeitos. Nunca mais entrega total. 

Até hoje, silêncio. Vergonha. 

MULHER – Bela urbana, 50 anos mais, não quis ser identificada
SOS – ligue 180

Quando decidi trazer o tema Relacionamentos Abusivos para o Belas Urbanas, não tinha noção real da complexidade do tema.

Nesse período de seleção dos textos, conversei com muitas mulheres, mas quero deixar claro que não são só mulheres que são vítimas, assim como não são só relacionamentos “amorosos” héteros que são abusivos, está também nos relacionamentos homoafetivos e em todos os tipos de relações, entre amigos, no trabalho, entre pais e filhos.

As histórias dos casais héteros se destacam porque muitas vezes terminam em feminicídio. Palavra que se tornou recorrente nos últimos anos e mais ainda, nesse período de isolamento que a pandemia nos trouxe.

Toda relação que inferioriza, destruindo a autoestima e a autoconfiança é abusiva.

Palavras podem destruir. Não podemos aceitar violências veladas que estão estruturadas na nossa sociedade e disfarçadas de piadas que rebaixem o outro. Não é mimimi, é respeito. São vidas.

Pode ser a sua, a minha, a de quem amamos.

Ser consciente é o primeiro passo para uma transformação individual e coletiva.

Acreditamos que palavras também salvam e, por isso, iremos começar aqui no Belas Urbanas a publicar uma série de textos com depoimentos pessoais, dados, poesias, contos, tudo relacionado a esse assunto, para que mais e mais pessoas tenham consciência da gravidade e de como podem se salvar e ajudar outras pessoas.

Te convido a acompanhar, ler, dar sua opinião e compartilhar.

Se tiver alguma história que queira compartilhar, nos encaminhe um e-mail: comercial@belasurbanas.com.br

Juntas somos mais fortes. Somos Belas Urbanas!

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Olá Consulentes tudo bem com vocês?

Já sei que estão olhando muitas telas, mas devem olhar mais pelas janelas. A paisagem muda todo dia. Reparem nos detalhes. Reparem nas calçadas. Reparem no vai e vem das pessoas e da natureza. Beleza pura.

Seja você além das telas virtuais, além dos filtros digitais.

Perfeição é só um conceito cruel. O que é perfeito é imperfeito. Por isso, olhe além das telas, abra as janelas.

Seja mais Branca de Neve, cante com os passarinhos, e menos Madrastra que perde tempo se olhando tanto no espelho em busca da resposta do outro para a pergunta: – Serei eu a mulher mais bela?

Seja a MAIS BELA para você mesmo. Assim, quando olhar no espelho, terá orgulho da BELA URBANA que ali reflete.

Até a próxima e com as janela bem abertas.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida
por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica,
é sabida e é loira. Seu slogan é:
” Madame Zoraide sabe tudo”. Atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉





A cada capítulo dessa Série Documental, quando a Inteligência Mental de um João prof’EUtizado de DEUS, corrompe a sua Inteligência Espiritual afim de sequelar sua história, e inflamar a Inteligência Emocional de suas seguidoras, usando o toque sexual em viés Santificado na Inteligência Física por vez em cada uma delas, e se servindo ao canto da Oração da Vida, a chamada “AVE MARIA”, durante a farra do boi mental que se fazia, dentro de um labirinto feudal!

A cada capítulo dessa Série, quando o fio da meada no tom vocal de cada seguidora, nos leva de forma pura para uma região perdida entre as mãos e a braguilha aberta de um enganador, dentro de suas calças sempre de linho branco, quando as faz se sentirem à Serviço do “deus” que não existe.

A cada capítulo dessa Série, quando a fala de cada uma dessas mulheres se junta, em asco e medo, em revolta e culpa, em sofrimento e depressão, em repúdio e alívio, em atuação e comprometimento, para que possam voltar a crer que aquele homem chamado de DEUS que reza em tons demoníacos dentro de sua sala pessoal, está hoje entre as grades, provocada por um “EU’inimigo” cruel e obcecado por mulheres ao seu serviço em nome de Maria Imaculada, chamado em seu batismo de João!

A dor é concreta ao assistirmos este Documentário, o olhar de cada uma delas nos consente gritar pela exclusão do planeta, desses homens que continuam de braguilha aberta e descaradamente de plantão.

180 – SOS

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.