A importância da sexualidade e do erotismo na civilização humana tem registros milenares. A sala secreta com os achados de Pompéia no museu arqueológico de Nápoles guarda obras eróticas da época de Cristo que a igreja do século XVIII tentou esconder. Mas essas obras em nada se assemelham aos conteúdos pornográficos contemporâneos.

A milionária indústria pornográfica contemporânea é centrada e feita para os homens.

É absolutamente válido quando o casal, consensualmente deseja fazer um sexo pornográfico. Existem momentos para tudo. Mas há que se dizer que a mulher também quer gozar olhando nos olhos. A mulher gosta de aconchego, de carinho e de suavidade.

Será que os homens já se viram engasgados com um pênis, tossindo, lacrimejando e quase vomitando? Será que se sentiriam excitados com essa cena?

A idade média em que o jovem começa a ter contato com a pornografia na internet é de 11 anos (Dr. Gail Dines, “How Porn has hijacked our sexuality”. Boston. Beacon Press, 2010). É quando a idéia da submissão do feminino começa a ser implantada e quando o futuro machista começa a ser criado.

E esse prejuízo é vasto. Criam-se mulheres oprimidas e homens apavorados com a possibilidade de brochar. Mulheres lutando para achar seu lugar na sociedade e homens frustrados por nunca encontrar a mulher ideal, aquela que se subjuga e realiza todos os seus desejos, como as encantadoras e exuberantes mulheres dos filmes pornográficos. Tão felizes em ser subjugadas, violentadas e humilhadas.

Quem ganha com isso?

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

Uma vez eu li sobre atrizes pornô que relataram uma série de cenas lamentáveis que passavam por de trás das câmeras nos filmes que atuavam. Não estou falando de clichê Emanuelle, estou falando desses filmes que você vê até o que não precisa. A indústria pornô tem crescido em  disparada pós pandemia. As pessoas buscam os sites de forma ativa e por isso eles têm crescido de forma gritante ao ponto de mudarem a forma de um ser humano se relacionar com o outro.

Ao longo de anos a busca por mulheres submissas é algo que predomina nas plataformas. A galera da ala masculina se interessa muito em saber o quanto você mulher aguenta para satisfazer ele, macho. Não é a toa que a maioria dos jovens transam e se decepcionam pois acham que vão encontrar a Mia Khalifa e se deparam com a Sandy. (brincadeiras à parte), atrizes como essa que citei no começo, são só algumas que tem tido a coragem de se expor e escancarar os bastidores. 

Não há tesão. Há dinheiro, há muitos hematomas e nada, nada mesmo de glamour. Mesmo assim o público sádico e masculino que alimenta essas empresas são os mesmos que riem de uma atriz quando ela está vestida e relatando algo sério. 

Lembram da vez em que a própria Mia disse ter gravado cenas em que precisava de muito preparo físico pois antes da transa fake já havia sentido muita dor para conseguir levar o take até o fim? Isso já foi o suficiente para ela ser alvo de chacota entre homens, porém para uma mulher isso é assustador pois se assemelha ao estupro. Isso é real e muito sério.

Mas vejo uma ponta de luz em um futuro melhor ao saber que essas mesmas mulheres inspiram e dão forças para que outras se levantem e se mostrem mulheres comuns e normais também. É preciso força, apoio e paciência. O movimento é lento mas nunca ineficaz. Parece que estamos no caminho.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Acho que todos nós enfrentamos o machismo em alguma época de nossas vidas.

Às vezes em casa, com truculências machistas de pais e irmãos…

Mas vamos falar aqui de machismo entre namorado e namorada, entre marido e mulher, que vem recrudescendo mais e mais nesta época de pandemia, com o isolamento social e o desemprego. O feminicídio tem sido tema de reportagens policiais, em volume nunca visto!

O machismo é um sentimento pegajoso, que impregna uma relação perigosamente, demonstrando baixa autoestima e medo.

O homem, nesta situação, com medo de perder a namorada/esposa, estabelece regras, fiscalizando as roupas que vestem, determinando que se aumente o comprimento, proibindo calças compridas coladas, roupas justas. Também remove o blush, o batom, proíbe a pintura de olhos, coisas que são muito caras às mulheres, que são vaidosas. Elas se arrumam para eles. Mas o ciúme e a covardia falam mais alto, o medo e a falta de segurança criam os nós quase impossíveis de se desatar.

A maioria de nós, mulheres, teve namorados doces, agradáveis, boas praças, que pouco a pouco modificaram seus comportamentos e se tornaram ácidos, descontrolados, perigosos. Muitas mulheres começaram a apanhar, a partir daí, machismo perigoso, descontrolado. Muitas mulheres observaram pouco esta transformação, que não ocorre da noite para o dia, mas o que ocorre é o sentimento de posse, de propriedade, que não combina com o amor e com a plenitude da relação conjugal…

E ela passa a ser vítima, tanto de agressões físicas, como de receber ordens absurdas de não trabalhar, de não sair de casa, sem nada para comer em casa, com crianças pequenas dependendo do casal. Também o homem se sente acuado, desempregado, sem projetos  de vida, avolumando o seu ódio contra si mesmo, que não tem como reverter a situação, e passando necessidades.

Qualquer coisa, por menor que seja, acende a fogueira do desamor, do desamparo, e culpar a mulher é o menor caminho a percorrer. Bebedeiras são acompanhadas de surras violentas, contra a mulher, que tem medo de denunciar, pois o machismo é brutal e a retaliação é uma sentença de morte.

É o fundo do poço, não respeita classes sociais, não respeita religião, não respeita nada à sua frente.

Este é um retrato muito rápido da sociedade doente, não só da pandemia, mas da  proximidade maior do casal e filhos, que só se viam à noite ou em fins de semana, obrigados a conviverem muitas vezes a família toda, com resultados dolorosos para todos os atores da relação humana, nessa difícil fase que passamos.

Assim, mulher, tome as rédeas de sua vida, evite ser mais uma vitima fatal!

Bem por isso, DENUNCIE!

Marilda Izique Chebabi – Bela Urbana. Desembargadora Federal do Trabalho, aposentada, e há 20 anos advogando. Ministrou aulas de Direito e Processo do Trabalho, na Unip, e na pós graduação em Direito Empresarial,  da Unisal. Foi docente da Escola Superior da Magistratura do Trabalho. Participou de dezenas de Congressos de Direito do Trabalho, como palestrante e mediadora. Participou de várias bancas de concurso público para a Magistratura do Trabalho e ainda mãe de 04 filhos homens.

Lavar roupa, fazer almoço, pensar na comida do dia seguinte, lavar banheiro, trocar a cama, acordar cedo para preparar o café, deixar tudo em ordem para as aulas online, arrumar a casa o tempo todo, levar na escola e nas atividades extras… Essas e outras tarefas foram incorporadas ao meu cotidiano nos últimos anos. Preciso admitir que não estou dando conta, esqueço umas, atraso outras, erro em várias, levo bronca das filhas. Sigo aprendendo em um processo gratificante. Diminui a vergonha que sinto por ter replicado uma lógica machista no meu relacionamento, no cuidado de minhas duas filhas, na minha vida profissional. É pouco ainda. Sinto uma dívida muito grande, construída ao longo dos anos, baseada em vantagens que eu não pedi mas das quais me benificiei para chegar onde cheguei.

O término do meu casamento durante a pandemia, a própria pandemia e outras situações doloridas recentes geraram muitas reflexões e mudanças no meu comportamento. Tão intenso quanto sentir-me empoderado sobre todo milímetro quadrado da minha casa, com autonomia pra fazer o prato que me der vontade — e agradar uma filha carnívora e outra vegetariana —, é o grau de exaustão que estou sentindo. A louça acumulada, a roupa pendurada no varal que implora pra ser guardada, a câmera do computador que para de  funcionar, a criança com fome, os clientes ansiosos pelos seus projetos finalizados e o doutorado que aparece quando abre uma rara brecha. Parece impossível dar conta. Precisei disso para entender e me sensibilizar com a exaustão das mulheres que assumem a maior parte destas tarefas no cotidiano. É inadmissível esse desequilíbrio. Lamento não ter chegado neste ponto antes. Desculpem-me.

É duro ver um homem dizer que não é machista. Auto-estima delirante! Como pode? É muito cruel se contentar com o discurso —a ideia da igualdade— em detrimento da prática. Quem abre mão dos benefícios quando chega a sua vez? Eu mudei. Eu precisei mudar. Tornei-me um machista em desconstrução. Mais que necessário. Sigo atrelado a esta herança cultural tão forte que moldou e continua moldando a sociedade. Sigo errando. É uma batalha diária na qual preciso me concentrar e colocar energia o tempo todo. Sem arredar o pé, sem esmorecer, sem reclamar. E não é uma atitude temporária. A luta pelo declínio do machismo passa por enxergar em si essa bizarrice, envergonhar-se, abdicar o quanto for possível destes previlégios que o homem possui e retribuir a quem já se doou. Pra sempre, sem data para acabar!

Faço um alerta para os homens, caso você não seja uma mulher maravilha. Vai rolar uma exaustão, vamos sentir falta dos benefícios e vão acumular fracassos. Um problema nosso. Não está fácil e não há outro caminho a seguir.

Renato de Almeida Prado – Belo Urbano. Machista em desconstrução, buscando ser uma pessoa melhor. Pai de duas meninas, é homem, branco e pansexual. Formado em arquitetura, trabalha com espaço digital em museus e exposições.

Belas e urbanas

Urbanas aquarelas

Feitas de mulheres por mulheres e para mulheres

Que finalmente despontam

Como seres mitológicos 

Femininas e selvagens

Mulheres transformadas

E até mesmo eles, el@s i elxs

As rurais e as naturais

As terrestres e lunáticas

Blogueiras incansáveis

Idealistas implacáveis

Todas elas muito belas

Todas são Belas Urbanas

A mais bela: A Adriana!

Gisela Chebabi Abramides – Bela Urbana. Vive no bairro de ”La Floresta” (Barcelona) – Catalunha – Espanha. De todas as artes amante. Das ciências experimentais docente. Do Brasil, saudade permanente.

Há um ano atrás eu estava lá.  Na casa da Dora. Os cachorros brincavam, nós conversávamos muito, falávamos do jardim, tão lindo. Somos amigas há 42 anos. Lá eu cozinho, sento na varanda, sou acolhida de uma forma deliciosa.

A CNN entrou no ar,  logo trazendo a notícia de um vírus com alta taxa de letalidade  chegando abruptamente no Brasil, medidas de contenção sendo discutidas, lockdown na Itália…… isso assustou,  provocou silêncio na mente, no coração e no olhar.

Ficamos perdidos.

Será que minha cachorrinha e eu conseguiríamos voltar para casa sem problemas?

A Dora e eu gostamos de costura.  Então fizemos nossas primeiras máscaras. O marido dela  – Edison – acompanhando as notícias todos os dias.

Voltei. Assustada, passei quarenta dias isolada, quieta, um misto de medo e incredubilidade.

Nesse meio tempo minha cachorrinha morreu. Toda dor ficou acentuada como se fosse um espinho no peito,  um espasmo sem fim na garganta. Meus vizinhos Simone e Rodrigo trouxeram um jantar para mim.

Ir à horta a cada dez, dias virou o melhor programa do mundo!

A TV pifou. E fui acudida pelo Rafael, que me trouxe uma extra. Que delícia falar com alguém, ver alguém querido!

É assim foram seguindo os dias,  o sentimento de orfandade sendo acentuado.

No dia das mães fui adotada. Cinco mulheres incríveis me incluíram no café da manhã surpresa para a mãe delas (minha prima querida).  Fui surpreendida com flores, doce com velinha e um inesquecível coro de vozes no meu “parabéns a você, nesta data querida…”.

Esse ano não está sendo fácil para ninguém.  São tantas idas e vindas politicas,  tantas mortes,  tantas pessoas irresponsáveis,  mas…. EU FUI ADOTADA.  E ADOTEI. Um cachorrinho que estava quase morto e, pesando 300g, e hoje está incrivelmente sadio.

Penso que a pandemia ficará para sempre em mim como o melhor e um dos mais difíceis períodos da minha vida.

Periodo de muitas reflexões,  adaptações. 

Desejo profundamente uma adoção para todos.

Porque quero voltar para a casa da Dora.

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena.

Sim, essa de várias facetas!

Que muitas vezes se transforma em duas e em “dois”, de pai e mãe.

Que suporta as dores da vida com solidez de algo másculo e que mesmo assim, é capaz de sorrir para a vida, sem deixar as amarguras vividas abater o teu semblante de esperança constante.

Viva a essa mulher artista!

Nós homens, somos conquistados pelo seu carinho, seu jeito e não conseguiríamos viver sem você no mundo inteiro, como mãe, namorada, esposa, amiga e guerreira de um mundo pandêmico, se inventando e reinventando aos mares da vida econômica, a dois ou a sós, mas sempre com verdade estampada no peito.

Sim, é preciso ter peito!

É preciso ter voz!

É preciso ter coragem para ser MULHER!

Mulher não é somente geradora, é energia da vida, é raça, é sangue e é coração!

E que coração!

Aquele que guarda de tudo e mais um pouco nos refazeres e desprazeres da vida.

Que se monta de beleza e por dentro é fortaleza, embora não saibam algumas, que a luz do sol faz-se brilhar muito mais diante de tanta grandeza.

A humanidade sem a mulher eu não sei, mas mulher na humanidade é tudo!

Sim, essa humana de tantos papeis de uma só.

Ela existe para uma humanidade sã de coração e razão, para nos encantar com seu olhar de aconchego, num mundo que anda cada vez mais complicado, desarticulando todo o medo.

Mulher é música, pintura, cheiro, café e fé!

Fernando Dassi Bonin – Belo Urbano. Professor de música e de artes. Músico. Cantor. Ator. Diretor. Sua graduação é Música Licenciatura, Arte-Educação e tem como hobby viajar, cozinhar e ama a natureza. É um verdadeiro aprendiz da Vida.

Seu perfil, majoritariamente feminino, provavelmente atrairia histórias e reflexões desse público. Mas como o prêmio era um ensaio fotográfico, arrisquei enviar minha participação, para dar de presente a minha esposa. Não ganhei. Havia textos bem melhores. Mas a influencer e seus parceiros julgadores consideraram a iniciativa e o relato, presenteando minha amada com uma sessão, que fez muito bem a ela!

Hoje, dedico esse texto a todas as mulheres. Mulheres múltiplas em personalidade, em força e em alegrias. Mulheres que, de fato, carregam o mundo nas costas. Hoje é só um ano novo, de 365 dias que são delas.

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Mulher Bordada e com Crochê

Uma boneca de pano, chamada Ana, bordada e com crochê, é designer, mas sonha com moda. Sorri como criança, luta como uma adulta, sofre como uma sábia anciã. Sonha como quem está no chão, conquista como quem está nas nuvens de algodão-doce.

Para quem nasceu em São José e mora em São Paulo, o que já é o suficiente para uma anja bela e caída. Eu a amo assim, incongruente e incoerente em uma vida de impermanências, inconsequências e alegria. Afinal, apesar de tudo, vivemos em um mundo bonito.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

No início deste texto, pensei em colocar as mudanças que fazemos no decorrer das nossas carreiras, sejam profissionais ou pessoais. Sim, o fato de darmos conta dos nossos lares é sim uma profissão, talvez a mais digna delas.

Quando escolhemos nossas profissões, muitas vezes ainda jovens, vamos na intuição e no impulso das nossas paixões. Muitos prevalecem nelas, outros percebem que adequações ou até mesmo mudanças radicais redirecionam nosso olhar sobre o que queremos de fato, o que podemos fazer por nós mesmos, para os outros e para a sociedade em geral.

Por muitos anos me dediquei à carreira de Relações Públicas. Era muito feliz fazendo o que fazia. Entendia, me destacava, ganhava espaço, promoções e dinheiro. Foram anos de longas jornadas diárias e um certo dia, minha filha fez 15 anos e aquilo me assustou:

_ Caramba, não vi a minha filha crescer!

Nesse momento, comecei a pensar em como poderia mudar esse contexto. Trabalhava numa boa agência em São Paulo. Um certo dia, me chamaram para uma viagem ao Nordeste para conhecer o espaço onde seria construído um enorme empreendimento imobiliário de luxo. Lindo!!! Conhecendo locais, percebi que estavam inseguros, que aquela natureza exuberante seria derrubada, que muitas pessoas teriam suas casas “compradas” e começariam uma vida distante e sem a estrutura que passaram a vida toda construindo. Ali era uma comunidade rica de pessoas, de trabalhadores, de talentos natos e pouca coisa seria aproveitada. Minha função era fazer o Planejamento Estratégico de Comunicação e orientação criativa para que a propaganda de lançamento resultasse em muitos compradores, principalmente, europeus. Sinceramente, passei dias sem escrever. Não conseguia colocar no papel como aquilo poderia ser benéfico.

Foi então que, aproveitando um frágil momento financeiro da agência, resolvi voltar ao Rio de Janeiro, onde morava antes de me separar.

O objetivo era diminuir meu tempo, me dedicar a casa, à família, a minha filha… e à reconciliação do casamento.

Mas a questão humana daquele trabalho não saia da minha cabeça, até que fui apresentada para uma fundação sem fins lucrativos no Rio de Janeiro. BrazilFoundation. Pensei:

_ É isso! Terceiro Setor! Sustentabilidade! Responsabilidade Social!!

Sempre fui muito engajada no social, mas trabalhar diretamente seria maravilhoso. E lá fui eu, como voluntária, três vezes por semana, como parte da Comunicação. Aos poucos, fui fazendo meu trabalho e acabei sendo contratada. Foram 5 anos. Dois diretos na Fundação e outros três dando capacitações para gestores de organizações pelo Brasil afora. Experiência maravilhosa. Em outros textos, virão histórias que terei muito prazer em contar.

Só sei que escolher o Terceiro Setor e o engajamento em questões sociais foi a coisa mais rica que pude fazer na minha vida.

Porém, aquela questão da família acabou ficando pra trás, porque eram tantos trabalhos, horas de dedicação que mal via a família também.

Tive problemas pessoais, pois gostava mesmo era de subir morro: Vidigal, Rocinha, Maré, Cantagalo, Macaco, entre tantos outros em vários Estados diferentes e até eventos internacionais. Claro que isso tudo teve um impacto financeiro muito grande, pois aquela que ganhava bem, passou a ganhar pouco, bem pouco. Mas a realização era enorme. Mas não bastava. Aí surgiram os problemas no relacionamento, as cobranças, todo aquele trabalho lindo que tinha prazer em fazer era diminuído pelo contraste financeiro. Me tornei uma mulher dependente. E a dependência traz correntes, amarrações, conversas cruéis e discussões que enfraquecem qualquer relacionamento. Foi aí que me vi numa completa depressão e fui me afundando cada vez mais. A verdade é que essa depressão já existia, mas estava escondida, preparando o momento certo de aflorar. Isso também contarei num outro momento.

A crise de 2018 veio forte e com ela a ajuda financeira aos projetos diminuíram, assim como a violência nas comunidades cariocas aumentaram e acabei me afastando. Mas a depressão ainda estava ali, forte, corroendo. Me via trancada num lindo castelo, cercada de tudo que uma “rainha” poderia ter. Porém, nada daquilo era suficiente. Tudo estava a beira do caos. Bebidas, remédios e um bom quarto escuro era o que segurava a minha onda. Certo dia, numa séria discussão com meu marido, tomei a decisão de me afastar, separar, tentar recomeçar. Saí vazia, com muito menos do que deveria. Fiz a escolha e, acredite, acertei.

Não recomecei. Comecei do zero, pois fui para um lugar menor, sozinha, três cachorros, com dinheiro que teria que fazer escolhas do que comprar para sustentar a casa, os animais, minha saúde etc. Troquei novamente a profissão. Reencontrei a antiga dona de casa, lavando, passando, cozinhando, fazendo faxina, cuidando dos cães e de suas enormes “montanhas” espalhadas pelo jardim.

Descobri uma força enorme dentro de mim e sim, a “Força Enorme de Ser Duas”, ser três, quatro…

Hoje, estou na linha de frente da minha vida. Com tantas experiências vividas nesses últimos 20 anos, desde meu casamento até seu término, me sinto mais completa, mais feliz. A liberdade de escolha sem críticas, sem opressões, me fez uma mulher mais forte, mais segura, mais bonita e muito mais profissional. Carrego o meu dia a dia no colo, cuido de tudo do jeito que posso, que quero, que sou. Comecei a escrever um livro, estou roteirizando um documentário. Fiz muitas amizades, acordo cedo e faço meus esportes. Não tenho que justificar cada passo. Me responsabilizo por eles. E, acredite, sou feliz assim. Claro que tem horas que quero entrar num quarto escuro novamente, choro, me sinto frágil. Mas isso é a vida. Como tem que ser. A outra opção seria uma vida sem problemas, sem medo, sem angustia. Completa ilusão. Nada real.

O cuidado e o carinho com si mesma te levam de um lugar para o outro. Tudo bem, dá pra aguentar!

A minha compreensão hoje é que minhas antigas atitudes foram substituídas por pontos de vista novos, renovados acerca de quase tudo. E pela primeira vez na minha vida, tive a chance de parar de me chocar com muros que eu mesma criei e, em vez disse, aprender a atravessá-los.

Tudo isso não quer dizer que estar sozinha é ter força, é poder. Temos força quando nos juntamos a outras pessoas. Quando estamos juntos, não podemos ser quebrados, divididos, não estaremos cansados!

Junte-se àqueles que dão ferramentas para te construir emocionalmente, pessoalmente, profissionalmente. Junte-se àqueles que se deparam perante a vida com humor. Porque sem humor, a vida não tem graça e é preciso sorrir de dentro pra fora, sempre!

A Força está em sermos muitos e sermos inteiros!

Dani Fantini -Bela Urbana, mãe de uma menina moça, que a acompanhou em toda a sua jornada, que não viu crescer, mas acompanha seu presente e seu futuro. É dona de casa, escritora, que trabalha com gente, que ama animais, a vida e que venceu a morte no auge de uma depressão. Podemos dizer que sim, é completa, mesmo faltando algumas peças desse enorme quebra-cabeça que é a vida!
 

Foto: @camilasvenson

Mãe
Era meia noite quando chorei a primeira vez.
Me senti seguro quando você me acolheu.
Você me deu amor e me ensinou a ser.
Você me protegeu até na rua e mostrou verdades com exemplos de uma vida digna.
Você virou estrela, mas antes sempre me disse “siga em frente, a vida vale cada segundo”.

Irmã
Não consigo falar de ti sem lacrimejar meus olhos.
Sua bondade é tanta que lembro que Deus existe.
As músicas que veem dos seus dedos me recordam da alegria da nossa infância até hoje.
Até na viagem à terra de CABRAL você estava lá me apoiando como fez em toda minha vida.
Obrigado.

Esposa
Você apareceu na primavera florida.
Eu esperava uma flor, mas ganhei um coração, um furacão e uma inteligência ímpar, capaz de me levar aos sonhos.
Você me deu tanta felicidade que se passaram 30 anos e nem percebi.
Nós construímos uma família e demos a luz mais brilhante de nossas vidas.
Eu pensava que seria pra sempre, mas vivemos juntos intensamente cada segundo.

Filha
Você é o maior dos meus sonhos.
Você mudou meu sentimento pelo mundo e pela vida.
Você é um amor que não cabe dentro de mim, incondicional.
Me realizo com o que te deixa feliz, gosto até do seu namorado.
Tenho a minha vida, mas tenho você.

Mulheres: parabéns e obrigado, cada respiração minha, cada movimento meu e cada decisão minha foram vocês que me ensinaram.

Antônio Pompílio Junior – Belo Urbano. Graduado em Análise de sistemas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas . Pós-graduado em Gestão de Empresas pela UNICAMP e MBA Gerenciamento de Projetos E-Business pela FGV-RJ . Adora esportes, viagens e luta pela liberdade da vida e pelo amor das pessoas.