Olá Consulentes!

Hoje minha conversa é com as mulheres, afinal, no mês de março comemoramos o Dia Internacional da Mulheres.

Vocês se lembram como era brincar de ciranda quando eram meninas?

Qual é o segredo de uma boa ciranda? Mãos dadas, entrelaçadas, mesmo ritmo, pés firmes, voz solta.

Quando acaba uma ciranda? Quando alguma solta a mão, quando alguma cai no chão.

Quando a ciranda perde força? Quando a voz de uma cala, quando uma tropeça.

O segredo é esse, a ciranda das mulheres é a vida que vivemos todos os dias.

Se uma não está bem, nenhuma estará cem por cento também. Você pode até achar que a dor da outra não te atinge… mero engano! Pense na ciranda.

Se uma do seu lado cai, ajude-a a se levantar… se você cair, aceite a ajuda. Jamais fechem os olhos. Somos todas uma unidade!

Cante agora em voz alta: “Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar… Vamos dar a meia-volta, Volta e meia vamos dar”.

Entenderam a brincadeira? Hora de brincar então.

Até a próxima.

PS.: Em tempo, FELIZ DIA DAS MULHERES!

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é: ” Madame Zoraide sabe tudo”. Atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 

As mulheres podem e devem fazer parte desse mundo exclusivo Empresarial… Quando a maioria são os homens estruturalmente seletivos, e com $alários $uperiores aos delas. Que na verdade, estudam e se qualificam tanto ou mais que eles, para que sejam respeitadas. Sem que elas precisem mendigar, extrapolar seu universo feminino, deixar de ser clara e objetiva, e também sem que tenham que usar a sua defesa sobre as incontidas guerras, sobre quem é melhor!

O melhor basicamente não existe, o que existe é a força de cada um como ser humano atuante dentro e fora da sociedade como um todo. Mulheres que se afinam e contraem a diplomacia de vencer como solo familiar, e ainda se preservar de ações e atos contrários ao seu bem viver. Como não querer ser mãe ou mesmo se casar, ou ainda se aventurar pelo mundo afora sem constrangimentos de estar só, sem companhia.  

Por prevalecer situações estruturais fomentadas por centros governamentais, elas precisam se segregar em sindicatos sociais e ou solos, para vencer essa radicalidade atemporal com força de sua inteligência mental agregada à sua inteligência emocional, a fim de superar os imbróglios concomitantes. 

NÓS PODEMOS ABRILHANTAR A SUA VIDA!

Bom dia e seguindo a estrada da boa vontade. Só desejamos ficar ao lado e com isso ganharmos mais substâncias para reconhecermos “VIA PRÓPRIA”…

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Os professores te veem
Mas não te chamam para dar respostas
Porque não acreditam que você as tenha

Seus colegas não te levam tão a sério
Uma menina não é tão engenheira
Quanto um menino

Não te contratam
Porque meninos dão menos trabalho
Não engravidam
Não prestam queixa de assédio
É menos despesa
E menos dor de cabeça

Desde pequena
Seus próprios pais não acreditavam em você
Ao te dar uma boneca ao invés de
Carros ou blocos de montar

Até o motorista do Uber!
Ele não acredita quando você diz
Que é engenheira
Como se não soubesse que existia
Uma raça exótica assim

Mas nada disso nos abala!
Não somos uma
Somos várias
E estamos unidas

Na classe de 2018
Somos 15 de 150
Estamos ocupando espaço
Mas ainda não é o suficiente

Somos as maiores notas sempre
Somos as mais estudiosas e dedicadas
Porque a triste verdade é que
Toda menina engenheira sabe
Que precisa se esforçar
Duas?
Cinco?
Dez?
Vezes mais que um menino
Pelas mesmas oportunidades
Mas tudo bem
Isso só nos fortalece

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU

Era um dia desses que a gente não tem o que fazer. Fui eu, mais dois amigos ao bar. Falávamos daquelas coisas do universo que nos rodeia: Corinthians, Hamilton, MMA, Bolsonaros e outros assuntos irrelevantes de fato. Cerveja vinha, cerveja ia e gente começava a ter tédio. Muito tédio.

Lascamos a falar mal de mulheres que tínhamos tido. Várias, citando o nome ou não, eram motivos de risada. Seja pelas manias, pelas fixações, pelo atrevimento e ousadia. Qualquer valor era motivo de crítica apenas pelo riso. Ao final, estávamos a contar piadas das mais preconceituosas que se possa imaginar…

Um de nós, não lembro qual (mas não fui eu, claro), fez o desafio: Duvido que alguém dessa mesa saia daqui com uma mulher. Trato feito! Rodamos o bar a procura de alguma desavisada que caísse no nosso léro. Foda-se o nome, era por honra! Não queria ser motivo de piada no próximo Happy Hour.

Eis que a vi. Uma mulher sozinha, impaciente, meio que aguardando algo. Me pareceu habituê daquele bar, ou das noites solitárias, algo que me identifico, não sei como. Sentei ao lado, puxei papo sobre o Jalapão  (ou Japão, nem me lembro) ou qualquer outro local que nunca pisei, mas que, por curiosidade, havia lido na Wikipedia. E que sorte, ela sabia algo sobre esse local. Ou que azar, não sei. Só sei que o papo rolou.

Mas a coisa foi andando para um lugar estranho. Ela foi ficando distante e eu sem bala na agulha (ou na língua). O clima foi esfriando à medida que percebia o vazio que ambos tinham e a aflição em preenchê-lo era grande, crescia. Por algum motivo, me identificava com ela, e me atraía por seu olhar vago, à espera de algo.  E não me refiro aos amigos que deram cano no bar, mas algo da vida que lhe faltava.

Senti uma vontade de partilhar meus medos e angústias, meus sonhos também, algo que não faço há muito tempo. “Mas basta! Que pensamento fraco, homem! Solta uma cantada e agarra essa mulher! Você está aí para provar o poder de seu falo aos colegas, não?”. Essa era a voz que me trazia ao chão. Ou à lona, não sei.

De fato, em algum momento inesperado ela me beijou. Me beijou como se estivesse à procura de algo dentro de mim. Parece papo de maluco, mas senti que ela estava em busca de alguma coisa que não iria encontrar em mim. E eu fiquei intrigado com isso, ainda mais que ela se levantou e se foi logo em seguida. Me pareceu que já fizera isso antes, dessa mesma forma. Como se estivesse minerando em busca de uma pedra preciosa que perdera…

Logo parei para terminar meu copo, e nisso, pensei em mim. O que eu estava fazendo ali, meu Deus? Tentei usar alguém para provar algo para outro alguém. Mas eu mesmo ali não estava… Aliás, quem eu era nessa cena, nesse teatro de farsa? Um saco de batatas, vazio e sujo talvez.

Voltei à mesa com sorriso amarelo. Tinha provado a eles meu potencial, mas por dentro continuava a pensar o quão ridículas aquelas noites estavam se tornando com eles. Precisava mudar meu rumo, mas que rumo tomar, sem que achem que sou frouxo, porra?

Cheguei em casa quase de manhã, pois fiquei rodando a cidade até o sol aparecer. Pensei em todas as mulheres que passaram na minha vida. Casamentos, namoros, noivados, noitadas. O que eu tinha plantado nessa vida além de sêmen? Realmente, acho que não vou colher porra nenhuma desse jeito.

Abri meu guarda-roupas, separei alguns objetos que guardava e não usava mais. Coisas que provavam o que eu não era. Separei roupas que não mais cabiam, perfumes da moda e remédios azuis. Botei num saco preto e joguei no lixo. Não sei o que me deu, mas aquele dia, depois daquele beijo vazio, me deu uma vontade de mudar algo que ainda não sei o quê. Preciso começar…

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

A indústria sexualiza o corpo da mulher desde que ele começa a se desenvolver. Talvez o carnaval seja um dos momentos em que isso mais fique visível para todo mundo ver, e que mesmo assim ainda existem muitas pessoas que não notam. Nós mulheres passamos nossa vida inteira tentando nos encaixar em um padrão de beleza que é cruel, desafiador e que na maioria das vezes não se molda aos nossos corpos. Nós estamos constantemente encarando o espelho e procurando por defeitos que nem ao menos existem.

Vivemos muitas vezes com pessoas que acreditam que o corpo de uma mulher diz mais sobre ela do que quem ela realmente é. Vivemos em um mundo onde uma mulher não consegue andar na rua com a roupa que quiser sem ser assediada, comentada ou observada. Vivemos em uma sociedade patriarcal e machista que nos ensina desde cedo a entrar nos moldes e nos portar “do jeito que deve ser”.

Mas o que o carnaval tem a ver com tudo isso? Bom, pode ser que muitas mulheres usem essa data para dar seu grito de liberdade e sair na avenida com a roupa que quiser, do jeito que quiser sem que ninguém ache nada sobre isso. Pode ser também que para muitas a sexualização dos seus corpos fique ainda pior no momento em que a sociedade julga o tipo de roupa usada ou o comportamento das mulheres que saem na avenida.

A verdade é que o problema está nas pessoas que se veem no direito de julgar e sexualizar os corpos femininos. Nas crianças que desde sempre se veem encurraladas por conta disso. Nas adolescentes que antes mesmo de entenderem o que o corpo significa já são taxadas como objeto. Nas adultas que lidam diariamente com a monstruosidade que é se espremer nos padrões, muitas vezes gerando transtornos e compulsões alimentares.

O problema está na nossa sociedade doente. Porque as mulheres só querem ser elas mesmas, se portar como quiserem, se vestir como der vontade e, mesmo assim, continuar sendo respeitadas!

Juliana Manfrinatti Bittar – Bela Urbana. Bióloga. Gestora empresarial em formação. Apaixonada por livros, se arrisca às vezes na escrita. Tem como um dos objetivos de vida conhecer todas as maiores e mais bonitas bibliotecas e livrarias do mundo.

Alguém já entrou pelado na sua casa sem convite?

Achou estranha a pergunta?

A pergunta pode soar estranha porque as pessoas não comentam que isso acontece, mas isso acontece, e muito! Sábado de madrugada isso aconteceu comigo.

Recebi dois vídeos, o primeiro era um vídeo pornô de um casal. O vídeo veio acompanhado da frase: “Meu pau é muito maior viu rs vou te mandar o vídeo pra provar tá rs”.

Eu não pedi para receber nenhum vídeo pornô e não queria saber qual é o tamanho do pênis de quem me mandou a mensagem. Fiquei pensando, o que passa na cabeça de um homem que aborda, que invade minha casa, meu celular, meu sossego com um vídeo assim?

Fui responder, e antes de terminar minha resposta, recebi o vídeo dele se masturbando.

É importante esclarecer que não tenho a mínima intimidade com esse homem, é um colega e tenho seu contato por questões de trabalho.

Me senti como muitas outras vezes já me senti, quando caminhando nas ruas, algum homem me mostrava seu pênis e se masturbava para que eu olhasse. Eu sempre saía correndo.

Desta vez me senti igual, foi virtual, mas a invasão e o assédio foram o mesmo.

Senti vergonha por ele, é um papel ridículo que se prestou. Sexo, nudez, namoros virtuais podem ser legais quando a via é de mão-dupla, quando a dupla está disposta a isso, mas no meu caso foi assédio, assédio baixo, de alguém com um caráter bem duvidoso.

Digo que é duvidoso por várias questões. A primeira é que não teve nenhum respeito por mim (ninguém deve chegar pelado e com convidados pelados na casa de ninguém),  não dei nenhuma liberdade para receber esse tipo de vídeo. Segundo, pela sua própria mulher. Sim, o sujeito é casado! Será que ela sabe que ele fica de madrugada assediando outras mulheres?

Soube no domingo que já abordou outras amigas que temos em comum, sempre com uma conotação sexual. A história vem de longe!

Quantas de nós nos calamos perante esses assédios para não nos expormos? Quantas vezes nos calamos por medo de sermos julgadas? Quantas vezes já ouvimos as vítimas serem culpabilizadas? Quantas de nós achamos melhor deixar para lá, porque no fundo, nós mulheres de 50 anos crescemos em uma sociedade machista, onde quem determina o querer e o poder é o homem, e quando relativizamos isso, não percebemos o quanto esse tipo de comportamento se fortifica?

Eu não vou me calar!  Hoje em dia sou muito mais consciente dessas agressões em forma de assédios. Não aceito ficar quieta. Respondi para o sujeito que não pedi para receber aquilo, que não queria receber vídeo dele gozando (ele queria ainda me mandar outro), que não acho nada legal ele ser casado e na calada da noite abordar mulheres mostrando seu “pau”, e, ainda por cima, queria saber minha opinião sobre o digníssimo membro; não dei nenhuma opinião para ele, mas agora darei uma opinião, não sobre o membro, mas sobre saúde.

Acredito que seria interessante procurar um psiquiatra ou psicólogo, nitidamente é alguém que precisa de ajuda.

A minha denúncia hoje é em forma de texto, contando o que aconteceu comigo para incentivar que mais mulheres também falem se sofrerem qualquer tipo de assédio. Não podemos mais aceitar o que não queremos, pedimos e desejamos.

Não podemos mais nos calar. Assédio é crime!

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Atualmente, o que se fala em estupro, agressão física e feminicídio é uma enormidade e uma triste verdade.

Quando vejo as notícias e as imagens das mulheres que escaparam com vida, fico muito indignado. Rostos e corpos mutilados!

Acho inacreditável um homem (qualquer adjetivo que tente usar vou manchar a classe utilizada), mas utilizando, esses vermes se consideram donos de suas companheiras.

Eles não poupam nem seus próprios filhos de presenciarem essas atrocidades.

Houve um caso que o marginal atirou na esposa com o nenê no colo.

Agora analiso o comportamento das mulheres: todas têm o direito de tentar ser felizes.

Mas a maioria não procura checar a “capivara”  – ficha corrida do aspirante a companheiro.

As redes sociais são um facilitador para que isso comece a acontecer; digamos, o pontapé inicial da relação infernal.

Levam esses malditos para dentro de casa, aí a máscara começa a cair…

Aí não trabalha, bebe, usa drogas e o sustento da casa fica por conta dela.

E no extremo, abusam sexualmente de seus enteados.

As agressões começam e também os perdões.

Perdoa uma, duas, três e por aí vai.

Quando não aguenta mais, coloca o marginal para fora.

Não adianta! A perseguição por não aceitar é constante.

A vítima faz inúmeros boletins de ocorrência, consegue a medida protetiva, que não vale nada! O agressor usa esse seguinte bordão: “Se não for minha, não será de mais ninguém”.

Medida ignorada, ameaça cumprida: mais um feminicídio executado.

A dependência econômica, o medo são fatores que levam as mulheres a aceitarem essa condição degradante. E do outro lado, a total impunidade deixa os agressores e assassinos numa situação muito cômoda e tranquila.

A minha opinião é que, na primeira agressão, se separe desse verme, pois o cenário nunca mudará.

Mas para que as vítimas tenham coragem de denunciar é preciso ter leis mais duras e severas, caso contrário, os agressores se sentirão donos da situação, deitando e rolando na impunidade.

E o que se vê, na maioria dos casos, são as relações acabando e os vários filhos dos diversos relacionamentos ficando com a mãe.

Eu, como homem, repudio totalmente esses comportamentos.

Não se pode perder sua dignidade e sua vida em troca de uma relação amorosa.

Mulher não é objeto e muito menos propriedade de ninguém.

É a criação mais bela de DEUS!

Eduardo Gonzalez Domingo – Belo Urbano. Formado em Educação Física. Atuou com voleibol em todas faixas etárias, recreativamente e competitivamente. Há 14 anos atua como Corretor de Imóveis em construção, ama o que faz, pois ente que é facilitador para as pessoas realizarem o sonho da casa própria. É fiel as amizades, de bom coração e fanático por esportes e música.

Um dia acordei e percebi que a cidade, o estado e o país que vivia estava diferente. Era um estado esquisito, mas melhor. Achava estranho por ser novo, diferente, até incomodo perto do que vivia, mas era bom, estranhamente bom, funcional e justo.

O estado era mais bem organizado, respeitava as pessoas. Todas elas. Por mais diferentes que fosse. Respeitava o tempo do corpo, da alma, da emoção. O trabalho, a economia não eram totens do sucesso individual, mas sim, expressão da união das pessoas em prol do seu próprio cuidado. Estavam limitados ao que era necessário, sem exigir dos indivíduos mais que o esforço necessário para atender ao necessário.

Havia um afeto coletivo genuíno. Não era sexual ou piegas, mas genuíno ao ponto de eu não saber explicar. Onde eu ia, me sentia acolhido como no útero de uma mãe. Pessoas educadas, calmas e colaborativas. As crianças eram livres, inteligentes e ouvidas. Os adultos eram sábios e ponderados, reconheciam seus erros e aprendiam. A justiça era feita na conversa, não no martelo, ou na balança cega por quem tem mais.

As ruas eram limpas, para que nenhum bicho, por mais selvagem que fosse, se contaminasse. Todos habitávamos em harmonia com as plantas que permeavam a cidade. Tudo era vida e tudo bem. Não havia concreto, mas o solo, a terra que sempre existiu, abraçando nossos pés. Esse mundo, parecido com um desenho bíblico havia se tornado real porque as pessoas simplesmente buscaram construí-lo.

Um exercício de imaginação é o princípio de um mundo novo. Convido você a imaginar esse dia, assim como imaginei para escrever essas linhas. Vem, pensa num mundo governado pelas mulheres!

Entendo se você estranhar esse depoimento, esse exercício imaginativo. Talvez nunca tenha imaginado nada sobre matriarcado ou sociedades governadas (ou mesmo geridas) a partir do etos feminino. Nem eu sou expert nisso. Mas a mulher tem outro tempo, outro espaço e outras demandas, necessidades e prioridades muito mais humanas. Homens como eu, como você talvez, temos que entender que há um mundo possível, bem diferente do que aquilo que chamamos de normal. Há algo que nunca tentamos, e não é porque o patriarcado está aí a um bom tempo que temos que conservá-lo. Às vezes, está errado a um bom tempo, temos que ter culhão para mudar urgentemente.

Uma mulher na política vai sim pensar na vida em gestação, aquela que só ela sabe como carregar em seu corpo. Vai pensar nas dificuldades que são, uma vez por mês, sangrar pela humanidade e na necessidade de pausa para sentir e refletir o momento. Vai pensar no tempo necessário para cimentar o sorriso em uma criança, até quando ela puder sorrir por si só e fazer o mundo ao redor sorrir junto. E a cada criança que sorri, a partir de políticas públicas baseadas em dilemas femininos, é um pedaço de uma sociedade mais humana e equilibrada que surge, buscando longe do trabalho ou da economia os totens de sucesso, mas sim na felicidade e na união dos povos.

Mulher no poder é necessário, assim como todas as outras identidades. Os homens precisam dar espaço e tentar o novo, por mais romântico que o texto pareça, pensar nisso é realmente necessário se quisermos superar as demandas econômicas, ecológicas, sociais e de paz do mundo. Pense nisso. 

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Mudar é um coringa. O da carta, não o do cinema.

Mudar é, ao mesmo tempo, assustador e empolgante, um peso e um alívio, uma dor e um prazer… Mudar pode ser ruim quando as coisas estão boas, mas é a melhor saída quando as coisas estão ruins.

Nossa sociedade está sempre em movimento e sempre em busca de algo melhor, ainda que se torne temporariamente pior nesse processo. E nossa sociedade começou a mudar, algum tempo atrás. Uma leve melhora que provocou os egos mais conservadores que, na ânsia de proteger sua “zona de conforto”, lutaram contra essa melhora, o que fez de todos nós um pouco piores.

Mas isso é bom! Porque só quando nos sentimos desconfortáveis ou ameaçados é que resolvemos nos mexer. E nós crescemos somente quando existe um obstáculo à nossa frente. A piora é só o efeito colateral dos primeiros passos para a melhora.

Eu gosto de mudanças. De todas as mudanças! As que trazem dor e as que trazem prazer. Sim, ambas! A mudança, para mim, remete a desconforto, como para todos, mas desse desconforto surgem a excitação das novas informações e, com elas, novas possibilidades. Nossa sociedade, nossa cultura, principalmente nossos valores estão muito doentes e a cura só vem com a mudança.

Nestas eleições, eu busquei muitas mudanças e torci para que elas fossem as mais radicais possíveis. Agi até onde pude, mas fui limitado a dois míseros votos. Queria ver a maior diversidade possível nas casas executivas e legislativas deste imenso País, mas, com coerência e conhecimento, só consegui apoiar duas mulheres: uma para a Prefeitura e outra para a Câmara dos Vereadores.

Ao final, minha cidade querida terá 3 mulheres e 2 transgêneros* no seu conselho legislativo. Satisfação! No executivo, contudo, as opções sobreviventes são mais do enferrujado e hipócrita mesmo. Frustração.

Eu entendo que o momento é das mulheres e precisamos delas. Elas estão melhor preparadas para o cenário atual, pois elas não têm os vícios do poder patriarcal, têm a sensibilidade de quem é orientada para a congruência, para a união, e elas têm a virtude de dar voz a todos, coisa que anda em falta na cultura tupiniquim dos últimos tempos. O momento é também de quem não se vê lá, nem cá, ou, estando lá, sabe que seu lugar é aqui e vice-versa. Ser LGBTQI+ é ser disruptivo em essência. E a ruptura com o sistema é a mudança que nós mais precisamos!

Estamos longe ainda da diversidade que eu considero ideal, mas os resultados desta eleição, ao menos em São Paulo, trazem um avanço sem a menor sombra de dúvidas!

Parabéns a quem chegou lá e a quem contribuiu para esse princípio de mudança! Aos que tentam conter essa mesma mudança, sugiro que olhem para os dois lados, antes de atravessar a rua.

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* Fico, aqui, imaginando como cada um leu o número “2”.

REFERÊNCIAS:

RODRIGUES, Artur. Trans na política são resposta ao bolsonarismo, diz Erika Hilton, 6ª vereadora mais votada em SP. São Paulo: Folha de São Paulo, 16 nov. 2020. Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2020.

UOL Eleições 2020 – Apurações. São Paulo: UOL, 16 nov. 2020. Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2020.

Cássio C. Nogueira – Belo Urbano, psicanalista, coaching, marqueteiro, curioso, maluco com CRP, apaixonado pela vida e na potência máxima, sempre!

Um jovem empresário rico e influente é acusado de estupro. A culpa é da vítima, que não é nem rica, muito menos influente. A vítima tem provas, vídeos chegando e saindo do local do estupro, conduzida pelo estuprador, ela, visivelmente desorientada. Exame que comprova que ela foi penetrada e perdeu a virgindade, esperma com DNA do sujeito no vestido e corpo,
mensagens de texto pedindo ajuda a amigos. Mas ela não tem o exame toxicológico positivo, visto que algumas substâncias ficam pouco tempo no organismo e, por isso é condenada. Durante a audiência, a vítima é torturada pelo advogado de defesa do réu. O juiz e demais presentes permitem, calados, quase em deleite, que ela seja humilhada pelo representante machista do que a nossa sociedade patriarcal tem de pior exemplo, na tentativa visível de lhe roubar a dignidade por total.

E o papel do promotor, que deveria representar a justiça contra o réu o que fez? O primeiro promotor do caso e que acusava o estupro, foi convenientemente promovido e precisou deixar o caso. O promotor que assumiu, apresenta a absurda tese do estupro sem dolo, ou seja, o
pobre réu não poderia saber que o estupro não estava sendo consentido.

O caso escancara o que há de pior numa sociedade. A influência do réu, amigo de herdeiros da mídia brasileira e empresário de grandes jogadores, mostra a facilidade com que o caso não foi evidenciado nos grandes canais jornalísticos. A situação financeira lhe dá acesso aos advogados mais caros. Uma bancada de justiça representada unicamente por machos. E pior, a
humilhação da vítima, que foi totalmente massacrada por quem deveria tê-la acolhido.

Muitos se perguntam por que as vítimas de estupro, em tantos casos, não denunciam seu agressor. No caso de Jurerê Internacional, Mari Ferrer foi violentada de tantos modos que só com muita coragem, uma mulher encara uma situação dessas. A justiça é que foi violentada!

O juiz absolveu o empresário por falta de provas, mas a tese da promotoria de estupro culposo abre precedentes perigosíssimos para as mulheres e demais potenciais vítimas de estupro. Estuprar sem intenção de estuprar. Eu diria que existe também o julgamento culposo: julgar a vítima sem intenção de condenar o réu.

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.