Existem muitas histórias e não histórias sobre o que ocorreu. Todas começam da mesma forma. Com amor. Diana amava muito seu marido, querido Ângelo. Querido… Ângelo chegou tarde em casa. Seu bafo fedia a bebida e seu colarinho manchado cheirada a mulher. Diana estava indignada, brava. Estapeou seu marido. Ângelo, bêbado, bateu de volta, só que muito mais forte. Diana caiu, desamparada, bateu a cabeça em uma quina e morreu na hora. Essa é a boa versão.

Na segunda versão, Diana tinha medo. Medo de que Ângelo voltasse pra casa “daquele jeito” mais uma vez. Medo de que novamente ele desse nela uma “lição de quem manda aqui”. Medo de que ela tivesse que precisar usar roupas largas durante mais uns dias para que ninguém pudesse ver as marcas. Medo de que alguém descobrisse depois. O que iriam pensar? Ângelo não fazia por mal, ela dizia pra si mesma. Só batia nela pois a amava, a queria bem. Não é? Diana se matou nessa versão.

Na terceira versão Diana nunca se casou. Ficou pra titia, mas nem ligava muito. Amava seus sobrinhos como seus filhos. Mais até! Mas Carlos, marido de sua irmã a achava uma sem vergonha. Como ousava ela morar sozinha naquela idade! Era uma PUTA! Era o que Carlos dizia a qualquer um que quisesse ouvir. Mulher nenhuma deveria viver daquele jeito. Solteirona, sozinha, e usando umas roupas curtas daquela… Carlos iria dar uma lição nela. E foi o que fez. Um dia, enquanto seus filhos e mulher viajavam, fez uma visita a cunhada. Não cabe a ninguém saber o que aconteceu naquela noite. Mas Diana, nunca mais foi vista, e os rastros de sangue e sinais de abuso eram visíveis em sua casa quando a polícia chegou nessa versão.

Em outra versão Diana não sobreviveu quando seu marido, ou seu namorado, ou seu amigo, ou seu vizinho, ou só um conhecido achou que ela os traia. Diana nunca fez nada de errado. Diana só dormia e sorriu. Sorriu para quem? Só poderia estar de casinho com um cafajeste, seu namorado pensou. Ou era seu marido? Ou conhecido e nem nada mais? Não importa, ela fez algo de errado e claro que deveria PAGAR!

Em outra, Diana tentou terminar, mas seu namorado não aceitou bem.

Em outra ela saiu para festejar, mas o homem na rua não gostou quando a viu.

Em outra Diana…

Em todas as versões Diana morreu. Algumas de forma quase instantânea, em outras com horas de dor. Será mesmo que nenhum vizinho a ouvir gritar por horas a fio? Será mesmo que ninguém se importou? Será mesmo que algum homem verdadeiramente a amou?

Diana era uma objeto, não uma pessoa. Um ser que os outros tomaram posse e fizeram uso do jeito que acharam melhor. Diana era nada. Diana morreu sendo nada. Diana só nunca soube que poderia ter sido alguém. Nunca contaram para Diana que ela ERA alguém.

DIANA ERA ANA BEATRIZ. DIANA ERA AMANDA. ELA ERA JANAINA, THAIS, JESSYKA, ROMILDA, MARY, TAUANE… DIANA JÁ FOI MUITAS PESSOAS, E SERÁ AINDA MAIS SE NADA MUDAR.


Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do terceiro ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Minha mãe sempre teve medo do pai dela, ele batia nela e em todos os irmãos, ela chegou a ser espancada algumas vezes, minha mãe viu também uma tia ser chutada na barriga, grávida, essa mesma tia viveu anos com esse homem e teve vários filhos dele, apanhou e foi muito humilhada, ele teve várias mulheres fora do casamento e finalmente quis se separar para ficar com outra, bem mais jovem, ela, mulher das antigas ficou com ele e nunca tentou se separar, aguentou tudo calada. Apesar do meu avô ter sido violento com minha mãe, ele nunca me bateu, acho que foi suavizando com o tempo mas eu percebia o quanto minha avó o temia, o quanto minha mãe se sentia tensa ainda adulta ao estar perto dele, ela carrega muitas feridas emocionais da infância que a afetam até hoje aos seus quase 65 anos; se casou aos 16 anos, no fundo acredito que quis fugir de casa; aos poucos na adolescência fui entendendo o ciclo de violência que as famílias vão perpetuando, e o poder que os homens exercem sobre as mulheres, ou querem exercer, vivemos ainda hoje na cultura do patriarcado, a cultura do machismo que ainda impera e apesar de tantos direitos adquiridos pelas mulheres ao longo dos anos, essa cultura segue impregnada nas atitudes de homens e por vezes até das próprias mulheres, na relações das crianças também, podemos ver os meninos ainda nos dias de hoje, passando a bola somente para os colegas meninos e ignorando as meninas, essas atitudes são ensinadas, observadas e copiadas, as famílias ainda perpetuam essa cultura sexista e misógina, ajudando a disseminar essa visão da mulher como um ser inferior, infelizmente ainda existe um preconceito muito grande em relação a mulher e tudo isso leva ao feminicídio, uma realidade horrenda no Brasil, com números alarmantes, em média 13 mulheres são assassinadas por dia, e o pior: uma grande parte dessas mulheres é morta por parentes, maridos ou parceiros.

Talvez por ouvir as histórias da minha mãe, me sentir muito tocada por seu sofrimento eu cresci muito atenta às relações entre mulheres e homens, me lembro que minha mãe não trabalhava fora e quando chegava próximo ao horário do meu pai chegar do trabalho ela me pedia para pôr o par de chinelos dele e a toalha de banho no banheiro, eu fazia isso sempre, aos quinze anos falei que não faria mais, achava um absurdo e pensava que se um dia me casasse eu jamais faria isso, claro que eu era apenas uma adolescente desenvolvendo minhas opiniões sobre o mundo porém me incomodava também aquelas piadinhas antigas: “mulher esquenta a barriga no fogão e esfria na geladeira”, eu nunca achei aquilo engraçado e ficava muito brava ao ouvi-las, e o pior: me deixava boquiaberta a naturalidade das meninas com respeito a isso, para mim nunca foi uma piada ou “brincadeira boba de homem” era algo muito sério,  o tempo passou e hoje eu vejo com alegria que apesar da cultura machista as mudanças chegaram para nós mulheres, a Constituição de 1988 assegura que os homens e as mulheres são iguais em direitos e obrigações, a Lei Maria da Penha já existe há 12 anos e essa lei trouxe apoio legal para milhões de vítimas de violência, a mulher conquistou o direito do voto, no nossos dias as mulheres trabalham, são independentes, chefes de família e as relações amorosas são igualitárias, porém a cultura machista segue ainda poderosa, e com ela o feminicídio segue frequente, o abuso, a falta de aceitação do homem de que ele não tem poder absoluto sobre as mulheres, felizmente com o advento da internet as notícias chegam muito rápido, as investigações também e assim pessoas como João de Deus, Sri Prem Baba e tantos outros são desmascarados e detidos, no entanto me entristece ver todos os dias uma notícia nova de uma mulher que foi morta, estuprada, atacada e tantas outras situações que a colocam em risco de vida ou que perdeu sua casa ou está foragida enquanto o homem segue sua vida normalmente, é tanta injustiça que me angustia pensar que minhas duas filhas vivem nesse mundo aonde não somente a rua mas a nossa própria casa pode se tornar um lugar perigoso; sei que leva anos para que as mudanças sejam efetivas, para que os culpados sejam punidos adequadamente, sonho com o dia em que as estatísticas sejam diferentes para nosso país e que as mortes diminuam, por ora eu acredito nos grãos de areia das nossas atitudes, em minha micro esfera tento plantar sementes de respeito e amor na minha casa com as minhas meninas e nossa relação de família, meu marido é um companheiro que respeita meu “não”, que divide as tarefas diárias, e faz sua função de pai assim como eu faço a minha de mãe, ele cuida delas, ensino minhas crianças a respeitar o “não” de qualquer outro ser humano, e também a dizerem não se necessário, a respeitar seu espaço pessoal, seu corpo, a duvidar de figuras de autoridade, que não batemos para conseguir respeito, com minha família espero ter quebrado o ciclo de violência que tantas vezes vi com meus avós e parentes próximos,  ensino que estudar e trabalhar é importante e necessário para todos, não sou uma “feminazi”, e estou longe de ter uma vida de foto de rede social,   radicalismos não são meu forte, gosto, pratico e busco o caminho do meio: as pessoas precisam uma das outras, as relações amorosas independente do gênero devem ser respeitosas e igualitárias, se alguém acha que está em desvantagem então é problema, acredito nos bons combinados entre os parceiros, no amor acima de tudo, quem ama não quer prender o outro consigo, quem ama aceita que as coisas nem sempre são como gostaríamos que fossem, quem ama quer a felicidade do outro e não a morte.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Por favor, leiam tudo, não importa sua posição política, seus ideais e nem seu candidato.

Amigos e família,

Eu não peço que votem no PT porque vocês amam o Lula e acham que ele deveria estar livre. Eu peço que votem 13 para que eu e todas as mulheres desse país possam sair de casa sem medo de serem ofendidas, agredidas, baleadas, mortas ou estupradas.

Eu não peço que votem no Haddad porque acreditam que ele vai levar o Brasil pra frente. Eu peço que votem nele porque não querem que o Brasil seja levado para trás, onde as pessoas acreditam que não tem problema diminuir as mulheres ou ofender negros.

Eu não peço que elejam o PT de novo porque vocês são esquerdistas. Eu peço que vocês votem nele porque, se não o fizerem, o Brasil corre risco de voltar a ser uma ditadura sem direito de expressão, com tortura, mortes e repressão artística e de pensamento.

Eu não peço que votem no Haddad porque ele vai melhorar a segurança pública. Mas lembrem-se de que o Bolsonaro já é deputado do Rio, o estado com maiores índices de violência do Brasil! Ele não poderá proteger vocês e a sua família porque, depois de 20 anos como político, ele não o fez por seu estado, quem dirá por seu país!

Eu não peço que votem 13 para mudar o Brasil para melhor. Mas por favor, não votem 17 para mudar o Brasil para pior!

Eu não imploro que votem 13 porque é a nossa melhor opção. Eu peço que o façam porque é a única que nos resta.

Obrigada.

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, 17 anos, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU.

E ela Maria Getúlia, cochilou certa de que a Igualdade Social a faria vencer a máquina digital! E, sem vergonha de ser feliz colocou seu dedo no prumo, em riste, na ponta do terrível iceberg documentado em Cabos eleitorais, Senhas territoriais e  personalizados nas Zonas em Seções comportamentais.

Assim se via diante do Sistema saudado para a eclosão final da famigerada e da fama gerada pelo VOTO Feminino, seu nome santo Maria composto pelo nome Getúlia lhe dizia!

Sobre a capacidade de vigília que depende da mente em equilíbrio nesta situação de conflito entre o eu devo, quero, posso e sou Livre para manifestar!

E o agora acontece e ela sabe que existe um evento aos berros em prontidão por meio de uma mídia vultosa, que a tem chamuscado com um alvoroço de questões sobre seu sim e seu não. Sábio Fevereiro/1932 em que o Presidente da República Getúlio Vargas assina um mandato sobre o Direito de VOTO das Mulheres, e a Constituição se engrandeceu, porém, olhos machistas não o reconhece até hoje!

Ops! Ela, a intensa Maria Getúlia pensou neste ZONEAR comprometimento com o Estado afim de que seu VOTO a nada se subordinasse ou caísse em tentação, e como dizia sua falecida mãe:

Minha filha, a palavra ZONA tem muitas explicações supra temáticas e tem uma delas que nos reverencia e nos coloca em igualdade neste tambor de diferenças conceituadas, pela nefasta hipocrisia… O DIREITO DE VOTO!

Ahhhh! Mamãe!

Porém até hoje neste virtualizado Século XXI, a visão deste colóquio entre a URNA X Mulher é colocado como uma situação pândega ou até mesmo esdrúxula, com o perfil assentado e preconceituoso de que a mulher não pensa sobre Política, e para muitos pensamentos nós mulheres nem precisamos pensar em POLÍTICA!

Mesmo tendo em suas mãos o estereotipado “santinho”.

E Maria Getúlia, sabe com Consciência de que vive em um País Democrático e que o Voto é Secreto, e que nesta ZONA ela deve e pode frequentar como Direito de querer estar diante da Urna colocando sua personalidade ZONEADA, em total Liberdade de ação, afinal!

Acordem Getúlias em Marias para pleitearmos novos rumos!

Eles pensam que estamos cochilando.

Bom dia!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Vivemos em uma sociedade que aceitou as meias verdades ou pequenas mentiras como “regra de etiqueta” para não causarmos desconforto. Sob o falso pretexto de não magoarmos ao outro, mascaramos as verdades, adotamos “as mentirinhas que não fazem mal”, ficamos bem conosco mesmo e nos esquecemos de que uma meia verdade ou a tal mentirinha pode magoar muito mais do que a verdade nua e crua.

Em nome de uma falsa proteção àqueles que amamos ou que simplesmente convivemos, ignoramos o fato de que “não quero ir” significa não quero ir e não, “quero muito ir, mas tenho que levar minha avó (mãe, irmão, namorado, amiga, gato e qualquer outra pessoa) em qualquer outro lugar”.  Não é não e sim é sim.

Em épocas de internet avançada e redes sociais ativíssimas, as pequenas mentiras são cada dia mais descobertas e, garanto, magoam muito mais do que a verdade. Não apoio aqui uma crise de sincericídio descarado e sair falando o que pensa por aí, sem filtros e sem se preocupar com o sentimento dos outros. Mas me chamo e chamo a você leitor à uma reflexão de que até que ponto essas mentiras pequenas, camufladas de verdades alteradas, têm vez e função positiva em nossas vidas. Até que ponto as desculpas não verdadeiras podem magoar mais do que a verdade. Estamos nós convivendo com pessoas tão fracas emocionalmente que não podem ser contrariadas? Ou estamos nós vivendo em um mundo em que queremos estar bem com todos?

Mentiras, por menores que sejam, atraem outras mentiras. Você diz não a um convite por exemplo, com uma mentirinha boba que está com gripe e é pega em outro lugar ou se esquece que estava doente quando lhe perguntam se melhorou… Isso para ilustrar coisas pequenas.

Em uma conversa ouvi que todos falam essas meias verdades. Concordo. Mas de verdade, hoje (talvez amanhã um pouco mais sensível eu mude de ideia) me chame de canto, me olhe no olho e me fale na lata. Com carinho, mas na lata.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Analogia demarca a etiqueta de qualquer produto na gaiola… na cesta… no cabide… na mureta!

Este grafitar “Somos mulheres e não mercadorias” exposto neste muro é dolorido demais… Este grafite incomoda e faz com que nós Mulheres façamos mais pelos bloqueios advindos de nossa santa e apregoada Paz!

O mercado fecha para balanço…

As estantes serão consumidas pelos manifestos gritantes…

Os caixas já se perderam nas contas intrigantes…

As sacolas não mais serão permitidas…

E o troco? Não o queremos mais!

… E também não queremos Paz, as mercadorias necessitam de consumo qualificados e não quantificado como estão ainda feitos.

Percebem?

Este grafite é a pura realidade e não há tempo para continuarmos vendidas em muitos destes supermercados…

Alguns hipermercados… outros mercadinhos… e outras grandes lojas de departamentos… Além das bancas nas calçadas…

Não queremos Paz…  pois nós precisamos é de tranquilidade para que este manifesto não segregue muito mais do que o necessário!

Os vendedores destes mercados precisam ser sabotados!

Pois este grafite neste muro não chega a ser um pecado… porém se faz morte com efeito dominó e é só lermos as páginas das ofertas das mercadorias!

Que tal boicotar aquele que se gaba em ser dono muitas vezes por usucapião?

Que tal fazer um empoderamento sem tanta agressividade já que estamos nos reciclando como novo produto na cidade… do estado… do mundo?

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

OITAVO CAPÍTULO

Eu pensei naquele momento! Como? Que desrespeito! Ou coragem que esses filhos possuem! E esta mulher? RESPEITOSAMENTE CORAJOSA? Que loucura! Esta vida é louca mesmo!

 

NONO CAPÍTULO

  1. (AGORA PRESTEM MUITA ATENÇÃO NA LEITURA, POR FAVOR) Quando o ônibus parou, esta mulher que conversou a viagem inteirinha, a viagem toda, me atrapalhando…. e se enfiando sem cerimônia em minhas anotações sobre RESPEITO e CORAGEM, se levantou, meio que trôpega (pelo tempo sentada), desceu apressada, correndo… quase voando para abraçar o seu filho mais novinho (como ela havia dito), ela estava roxa de saudades, e naquele momento ele seu filho NÃO ERA BÊBADO, AGRESSIVO, SEM JUÍZO, ERA UM …FILHO E MUITO AMADO!E para mim que a observei e a escutei, a ouvi a viagem toda, pensei ao vê-la nesse momento:

“E UMA MÃE CORAGEM”! (e não é loucura da joaninha).

Acreditem… eu e ela nem ao menos os nossos nomes trocamos! É a vida! Realmente a vida é bela!

(FIQUEI MAIS “RICA” APÓS ESSA VIAGEM DE RETORNO PARA A MINHA CIDADE).

BOA VIAGEM… APROVEITEM, NÃO SOMENTE AS JANELAS!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

 

Convido-os para uma viagem comigo…

Tenham absoluta certeza de que alem de divertida, os fará pensar em Respeito e Coragem e neste contextual empoderamento!!

PRIMEIRO CAPÍTULO

Respeito e Coragem, duas linhas simétricas e com consequências ativistas. Pois, o ENCANTO em ser respeitador e também a predisposição em não se argumentar sobre o assunto, faz de nós os “GUERREIROS DA CORAGEM”. Nos dias de hoje, ao vislumbrarmos algo em que acreditamos ser o primeiro prenúncio de “algo” com desvantagens, isto é, sem RESPEITO, sem limites, sem regras e também sem concordância social nenhuma, pois podemos nos envolver ou não. Em uma recente viagem de ônibus, conversando com uma senhora da poltrona ao lado, e sendo o assunto filhos, e eu estava justamente anotando os meus pensamentos filosóficos, quando o assunto abriu-se sobre RESPEITO e CORAGEM.

SEGUNDO CAPÍTULO

Venham comigo… Que coisa encantadora observá-la dizendo mal das situações vividas, ou melhor, vivenciadas com a família. Era ela muito CORAJOSA e muito DESTEMIDA. Tinha um corpo franzino, enferrujado, mas aparentemente muito forte! Os cabelos já embranquecidos com um tingido na cor preta, e que já estava esmaecido pelo tempo. Os olhos eram pequenos e escuros, e ela não tinha óculos para defender-se do longe ou do perto!! Aquela senhora tão franzina possuía uma fala forte e nada cansativa, e ela elogiava a estrada durante todo o percurso, ela achava tudo belo, maravilhoso!E repetia: DEUS é BOM!!! Falou com sabedoria das religiões, e sem preconceito admoestou os filhos pela ruptura com os ensinamentos do berço, aqueles tão bem conservados pelos ensinamentos da família.

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Dia 19 de Abril de 2014, indo até a padaria de meu bairro observando um velho caminho, mas, me contentando com o novo apresentado.

Em uma esquina, me senti tão virgem… mas… tão virgem que nem eu tão criativa poderia ter esse GRAFITE imaginado.

Porém…

Eu… vibro o meu olhar e re… torno querendo entender o enunciado… tão virgem… mas… anunciado!

Em uma esquina

Talvez qualquer uma

Num talvez sem medidas

Observo e me imploro

O cantar das virtudes

Anoitecidas…

Vejo-me amanhecida!

Como um pão amanhecido.

Paro… Leio e re… leio.

E me olho entre… olho dentro de meus olhos!

Olhos de uma vida… e sem ter mais o brilho invasivo das córneas… E des… a… bafo o meu entender entre a caligrafia e a monotonia, dessa virgem não se dar ao uso de se querer.

Eu vou terminar de grafitar em voz bem audível…

O grand finale (expressão) desse meu encontro na esquina:

Vou de banda (expressão)… vou de outra…

Vejo-me dançando o tom tosco.

No entanto troco de lado e num enrosco… virgino-me (criei) e dou em tapas o rosto.

Virtualmente as virtudes se dão aos vãos blindados e escapam pelas esquinas algo que jamais foi pecado…

Nos sítios (leia-se corpos) que foram e estão invadidos pelos teclados… e nas esquinas em que as virgens se deflagram em tocantes meninas!

Fim

Será?

Ou ainda seremos visitados por frases de esquinas que não sabemos?

E agora dispam-se de seus guardados e vamos falar de Amor… E de Família também!

As Virgens continuam e as Esquinas se tornaram virtuais demais!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

 

Era uma manhã de quinta-feira, 9h14 eu perdia meu segundo ônibus para uma consulta. Provavelmente me atrasaria. Já que não tinha outra escolha, sentei-me no ponto para aguardar e como única distração naquele momento, encontrei uma lixa de unhas na bolsa que logo coloquei em uso.

Avistei um senhor vindo em minha direção em sua cadeira de rodas. Era branco, comprido, queimado de sol, vinha vagarosamente enquanto observava o movimento.

Respirei fundo como imagino que a maioria das pessoas (ou seriam mulheres?) fazem quando um desconhecido se dirige a nós. Esse desconhecido se chamava Nelson.

Sr. Nelson colocou sua cadeira ao meu lado, estacionando-a perfeitamente “de ré”. Não me cumprimentou, achou melhor me oferecer uma bolacha que recusei alegando ter tomado café (até sinto o cheiro…). Ofereceu uma paçoca. Meu organismo respondeu ao estímulo, ignorei-o e recusei educadamente enquanto lixava a unha para desviar uma possível tensão. Sr. Nelson estendeu as mãos grandes e encardidas como que para “brincar” que queria lixar suas unhas também… Dei risada e aquele foi o aval que Sr. Nelson precisava para começar a contar histórias de sua vida. Confesso que este rumo da conversa me deixou mais aliviada…Dificilmente um assédio se iniciaria ali…Exibindo dois grandes dentes em uma “janelona”, talvez ele só quisesse falar sobre sua vida enquanto mastigava sua paçoca cheirosa.

Sr. Nelson iniciou falando das suas filhas que ascenderam socialmente, que por tal razão devem ter vergonha de vê-lo e visitá-lo. “Uma delas é dona de uma loja naquele Shopping Campinas, sabe? Ela tem uma caminhonete e mora no Guanabara(…) Eu fico até sem graça de ir visitar quando eles resolvem me buscar. Mas é melhor do que ir visitar o filho na prisão, né? Tem mais é que agradecer!”. Eu respirava fundo e balançava a cabeça… Vamos deixar o senhor Nelson falar, não é mesmo? Ele prosseguia: ”Quando cheguei em Campinas, eu fui garoto de programa por alguns meses, sabe? É algo de que me arrependo muito!”  Aqui o Sr. Nelson não tinha muita tristeza na voz, os detalhes deste momento da sua vida não pareciam ser acompanhados de muito arrependimento pela eloquência ao narrar. Daí pra frente, a conversa deu um salto! (Ou como diriam meus amigos cinéfilos: Um plot twist!) Nelson me revelou que em uma de suas viagens para o Paraná (em uma das suas diversas profissões) ele conheceu uma moça e se envolveu com ela. “Eu gosto de mulheres de cor, sabe?” (Esbocei um sorriso, mas minha cabeça apenas queria perguntar ao senhor Nelson: ‘Que cor?’). Antes de ir embora ele lhe deu seu telefone e disse que um dia voltaria para vê-la, bem como ela poderia visitá-lo… Mas que naquele momento da vida, havia outras coisas a serem feitas. E prosseguiu: “Sabe, ela me ligou alguns anos depois. Eu devo ter uma filha por lá!”
Era como uma trivialidade: “Eu devo ter umas terras por lá”; “Devo ter algum conhecido”…Uma filha fora do casamento branco do senhor Nelson. Uma menina “de cor” que TALVEZ, leiam…TALVEZ exista, visto que sua amante preta lhe comunicou por telefone. A certeza da existência e contato só existe para suas filhas abastadas de vida confortável do centro de Campinas.

Com toda essa conversa, com muitos detalhes de algumas coisas, poucos de outras… Sr. Nelson se demonstrou ser o recorte perfeito daquele Velho branco, que passa sua vida em um relacionamento social-branco-aceito…Fetichiza mulheres negras em situações extraconjugais e só resolve assumir para si este fato no final da vida, quando a sociedade já não irá mais julgá-lo tanto, haja vista sua invisibilização que os anos e as doenças lhe conferiram. Sr. Nelson não ama mulheres “de cor”, Nelson é só mais um racista. Nelson é mais um apático protegido pela idade e um discurso “romântico” de amor antigo. Nelson pode ser seu pai, seu avô (e os meus também). Seu parceiro pode se tornar um Nelson… Seu irmão (e os meus também). Você que está lendo isso pode ser um Nelson! Quanto de Nelson existe dentro de você? Dos seus?

Matem esse Nelson que existe aí dentro! Não romantizem fetichismo, racismo, não deixem pra assumir seus “amores antigos” quando não tiver ninguém vendo, quando for num cômodo fechado, quando for atrás de uma tela de computador. Eu espero que você durma menos Nelson hoje.

Maristella Cruz – Bela Urbana, aspirante a Geógrafa, buscadora de padrões complexos e amante (não-sabichona) de vinhos. É ariana, gosta de brincar com sabores, cantar no chuveiro e fora dele. Feminista abolicionista, sonha com um mundo melhor.