2017 foi um ano de MUITAS mudanças na minha vida! Entre as diversas mudanças, a que as pessoas mais comentam são os vários quilos que eu emagreci!! Estou impressionada e confesso, bastante surpresa e até mesmo chocada sobre como isso impacta a forma como algumas pessoas me vêem!! Ouvi diversos comentários sobre a “minha nova aparência” (será que mudei tanto assim?). Todos comentários “positivos”! No começo, ficava até feliz: quem não gosta de se sentir magra e “bonita”, de caber em qualquer roupa e ter o armário quadruplicado de opções? rs… mas, com o tempo, a alegria foi se tornando surpresa e ultimamente se transformou em espanto! E na última semana virou indignação total ao ouvir, de pessoas diferentes, em situações diferentes, comentários como:

1. Nossa! Você é uma outra pessoa! muito melhor!

2. Agora você pode até voltar a trabalhar no mundo corporativo!

3. “Agora” você vai “até” arrumar um namorado! E a máxima dessa semana: “você “merece” até um marido novo!”

Oi? Como assim? Será que as pessoas achavam mesmo que estavam me elogiando ou me dando um reforço positivo ao fazerem esses comentários? Uma mulher se torna uma “pessoa melhor” porque emagreceu? Porque a aparência atual está mais de acordo com o padrão estético socialmente aceitável?

Meu QI melhorou ou minhas habilidades profissionais aumentaram porque eu emagreci? Isso acontece com as pessoas que emagrecem? Elas se tornam mais capazes profissionalmente?

E só quem é magrinha merece namorado e marido novo? Desde quando a capacidade de amar e ser amado tem a ver com o peso da pessoa?

Então…. apesar dos quilos a menos (12, no espaço de 9 meses) informo que continuo a mesmíssima pessoa: mãe babona, cozinheira apaixonada (logo eu, que adorava dizer que cozinheiras magras não são de confiança! rs), ainda perco a chave do carro e o celular todos os dias, adoro viajar, amo vinho, odeio injustiça, coentro e pimentão, etc, etc, etc… tudo igualzinho como era antes! Continuo solteira (porque ser magra não faz aparecer nenhum príncipe encantado!! rs) e morando e trabalhando no meio do mato!

Nada mudou! Simplesmente porque minha essência, que não é medida em gramas ou quilos, continua exatamente a mesma!

Katia Reis – Bela Urbana, arquiteta, empresária, cozinheira, mãe babona, adora viajar, ama vinho, escrever e receber amigos

Há alguns dias me sinto muito incomodada para escrever esse texto. Depois de alguns posts sobre o que “mães” fazem com seus filhos decidi escrevê-lo hoje.

Pois bem, desde que aceitei Deus como meu Único Salvador e Santo vejo muitos cristãos dar ênfase sobre a vida de alguns apóstolos, profetas, seguidores e outros não. Sempre que alguém se encontra enfermo há uma pessoa para nos lembrar da Mulher do Fluxo de Sangue que foi curada, quando alguém esta em total fracasso nos lembramos que com com Jó também foi assim se não pior e com fé ele obteve sucesso. Lembramos da conversão de Maria Madalena no auge do pecado … Vejo muitos cristãos falando de Pedro, Thiago, Samuel, Davi, Elias … Mas e Maria?
Dentre tantas mães virtuosas que existem entre nós, por que não lembrar de Maria que foi um instrumento tão abençoado na mão de Deus para que pudesse gerar em teu ventre nosso Único Salvador?
Seria pecado? Sinceramente não sei. A gloria que reina em minha vida pertence somente a Jesus filho de Deus, mas como quero que Ele me molde e me use como Maria!!!
Num mundo de hoje como esse que vivemos onde existem tantas mortes e crueldade com nossos filhos alguém que esta lendo isso já parou para pensar na dor de Maria?
Meu Deus que força esta mulher teve! Pare um pouco e pense. Você gera por nove meses um presente de Deus, sente as dores do parto, acolhe teu bebê em seus braços, dá amor e proteção, o vê crescer como um santo, ama sem limites. Incondicionalmente. E certo dia você vê teu filho sendo humilhado, pisoteado, espancado, PREGADO em uma cruz. Aquele filho que Deus lhe confiou porque somente você saberia como criá-lo aqui na Terra, agora esta agonizando lavado de sangue e sofrimento morrendo aos poucos sem reclamar e você sem poder fazer nada. Você não pode fazer nada à não ser sofrer junto com aquele menino que você concebeu e esta vendo partir da forma mais cruel e injusta.
Sinceramente? Eu imaginei e já me encontro em soluços só de imaginar o começo da dor.
Quisera eu Pai ter a força de Maria. Logo eu que me acabo de sofrer ao ver meu filho tomando qualquer agulhada.
Quisera Você Pai que eu tenha a paciência de Jó, a fé de Abraão e a força materna de Maria.
Infelizmente nunca vi uma igreja evangélica citar Maria como falam de Davi, João Batista ou Saul.
As mulheres de hoje nasceram com a maternidade aflorada na alma e neste mundo tão desesperador precisam de um ícone de Mãe e Mulher.
Sou Cristã, meu Único Salvador é Jesus e a glória dEle não divido com ninguém, pois Santo na minha vida somente Ele.
Mas quero e espero ser como Maria e que minha força como Mãe transceda qualquer tipo de medo ou falha que eu venha a ter como ser humano.

Por um mundo com mais Mães como Maria.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

Mulheres são minoria em vários campos, independente de suas habilidades e qualificações.

Isso também é verdade no mundo do humor gráfico, quantos cartunistas você conhece? Quantas são mulheres?

Digite Cartunistas do Brasil num site de buscas da internet e você encontrará homens… Maurício de Sousa, Henfil, Angeli, Jaguar, Chico Caruso, Laerte… Espera aí! Laerte? Mas Laerte é transgênero, há sete anos é mulher, mas se estabeleceu na carreira como cartunista do sexo masculino.

Salões de Humor, minoria de mulheres são selecionadas, uma ou outra é premiada. No Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 2017, nenhuma mulher foi premiada, nem com menção honrosa. Em outros salões pelo mundo, o mesmo aconteceu.

Ziraldo completa 85 anos e, em sua homenagem, 85 cartunistas foram convidados para fazer caricaturas do mestre. Três mulheres, menos de 4%.

Existem mulheres cartunistas de qualidade? Claro que sim! Então o que está acontecendo? A baixa representatividade de mulheres no humor gráfico se deve, mais uma vez, ao machismo, claro. Mas é um machismo que nem mesmo os homens percebem. Os cartunistas não percebem, pois estão tranquilos dentro de suas panelinhas.

Quando um grande jornal precisou enxugar sua folha de pagamentos, a primeira coluna a ser tirada do ar foi uma chamada “quadrinhas”, que se propunha a divulgar o humor de mulheres quadrinistas e chargistas.

Mas como em todas as áreas, vemos mudanças nisso também. Quando Nair de Teffé, na virada do século 19 para 20, filha de barão e depois primeira-dama do Brasil, decidiu que faria uma carreira como caricaturista, ela passou a usar o pseudônimo Rian. Hoje ela é homenageada por todos os caricaturistas como a Primeira Dama da Caricatura do Brasil.

Nos anos 70, quando cartunistas faziam humor, com cuidado, apesar e sobre a ditadura militar, apenas uma mulher teve destaque. Hilde Webber.

Essas duas fortes mulheres serão homenageadas esse ano, em diversos salões de humor e exposições. Está havendo um resgate dessas histórias e nós fazemos parte disso.

Quinta-feira, 8 de março de 2018, Dia Internacional da Mulher, a exposição Humorosas abre no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, trazendo 20 mulheres artistas, que se propõem a usar o humor como forma de expressão. Mais um muro que estamos derrubando.

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

A frase mais ouvida de uma mulher diante do meu olhar de observadora e pronta para captar  as suas inúmeras máscaras, suspeitas ou não, é quase sempre: Qual seria o seu melhor ângulo?

Antes do grande dia tão esperado e que eu mesma, sendo do mesmo gênero, não me dou conta o quanto esse momento comigo pode ser tão transformador e significativo.

Antes do encontro, pergunto se elas tem algum vestido, se querem um cabelo diferente, um batom mais chamativo ou mais discreto. Ouço tantas respostas sem muita certeza de ser o que elas são realmente.

Uma já me disse: nossa, percebi que minhas roupas são neutras e quase todas pretas. Minhas lingeries são todas beges. Uma outra mulher: será que eu vou me soltar? Estou com medo. Acho que não sou bonita. Não tenho um bom ângulo. Não tenho um sorriso bonito. Minhas gorduras vão aparecer. Por favor, não esquece do photoshop para tirar as minhas marcas de expressão.

Meninas, mulheres, se vocês soubessem como vocês crescem interiormente, se conhecem sem querer e ficam tão lindas e tão especiais do jeito que bem entenderem na sua maior liberdade diante dos meus olhos e da minhas lentes.

Se vocês mulheres tivessem a consciência do seu poder feminino, entenderiam que não sou só eu que me rendo em cada olhar, cada gesto, de cada uma de vocês.

Macarena Lobos –  formada em comunicação social, fotógrafa há 20 anos, já clicou muitos globais, assim como grandes eventos, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frete. Uma grande paixão é sua filha. 

 

Sou daquele tipo de chata que se importa com os outros. Aquele tipo de pessoa que está passando por algum problema mas não demonstra porque um amigo está precisando dela, sabe?

Aquele tipo de pessoa que tem como lema “o que não me mata me deixa mais forte” e que está cansada de ser sempre forte mas se mantém forte pelos outros. Aquela que sempre tem os melhores conselhos e nem sabe de onde tirou, e pior: que serviria muito bem para própria vida mas não os usa.

Aquela que está bem quando o outro está bem. Aquela que vê simplicidade em tudo, abomina materialidade mas que guarda a pedrinha que ganhou do sobrinho – aquela pedra que ele achou na rua mas te deu com um sorrisão no rosto. Sou mais do que esse tipo de pessoa.  Sou esse tipo de mulher.

Aquela que urra contra o destino, que muda o futuro, que quebra barreiras de egos exagerados, que dá tapas em olhares preconceituosos, que amamenta o filho no meio da rua e que se mantém firme quando o mesmo faz um escândalo no mercado.

Aquela que usa mini saia e se sente bem e se defende das cantadas maliciosas no meio da rua. Aquela tem a coragem de ser uma das poucas mulheres a pilotar um avião ou entrar para o exército.

Sou aquela que decidiu ser mãe e aquela que preferiu não ser. Aquela que sonha em casar de vestido branco e aquela que “solteira sim, sozinha nunca”. Aquela que não se importa em usar 48 e aquela que faz academia 7 vezes por semana.

Sou aquela que trabalha fora o dia todo e sou “a dona de casa”. Sou aquela que cuida dos netos e dos sobrinhos se precisar.

Aquela que você pode se apoiar nas horas difíceis e aquela que você pode chamar para um bar. Aquela que você vai lembrar e agradecer por ter por perto.

Sou aquela forte que nem sempre gostaria de ser.

Sou tudo isso e sou muito mais que tudo isso.

Eu sou ela.

 

Natália Frizoni – Bela urbana, viveu nas nuvens durante anos e agora em terra firme. Adora livros. O Cabernet Sauvignon é sempre o escolhido. Aprecia a sua própria companhia e sai sozinha sempre que tem vontade. Tecido acrobático e escalada como esportes. Liberdade como lema.

Comecei a pensar nesse tema ao observar como os homens querem a atenção das mulheres para seus assuntos, mas não prestam atenção no que as mulheres querem dizer.

É comum ver piadinhas, memes, cartoons mostrando as mulheres falando sem parar e os homens entediados, sem prestar atenção ou batendo o carro, ou a mulher com a boca calada pelo cinto de segurança, enquanto o homem dirige tranquilo.

O que tenho observado é que há um conflito entre os assuntos de interesse do homem e da mulher. Muitos homens gostam de contar para a mulher seus novos projetos, seu dia no trabalho, sua discussão no trânsito. Enquanto outros, por considerarem seus assuntos somente interessantes para homens só conversam com os amigos do futebol, do trabalho, do bar. A mulher gosta de dividir seus assuntos com o parceiro, mas normalmente não encontra interesse da parte dele.

Mulheres gostam de falar sobre relacionamentos, comportamento. Quando comentam sobre o trabalho, geralmente falam sobre as atitudes do chefe ou dos colegas. Quando expõe seus projetos, levam em conta a parte humana da coisa. Para os homens, mais práticos, não interessa saber esses “detalhes”.

Os assuntos das mulheres que optaram por tomar conta do lar e das crianças, são ainda menos interessantes para eles. A nova receita de bolo, como as crianças se comportaram, tudo lhes parece tão chato!

A questão é que esse desinteresse gera uma distância tão triste entre um casal, uma falta de diálogo, que, acredito eu, tem causado muitas separações de casais.

Aquela pessoa que, um dia foi o centro dos seus interesses, de repente se torna alguém com quem você não quer conversar.

Para manter a chama do casamento ou do relacionamento acesa, não é preciso só sexo, mas é preciso saber ouvir, ter interesse no outro, compreender suas carências, suas necessidades e dificuldades. Temos dois ouvidos e só uma boca, por isso, temos que aprender a ouvir.

Filipa Mourato de Jesus –  Bela Urbana, 43 anos, a espera do terceiro filho, ex bancária concursada, atual mãe em tempo integral, larguei tudo em busca de fazer o que amo, quero ser confeiteira!

Este texto, assim como vários outros, não é para te dar uma conclusão fechada. É simplesmente para expor um assunto tão em voga e que nesta semana fez parte da discussão com os amigos nesta semana. Somos todos bem instruídos (pelo menos é isso que se espera de uma faculdade), leitores ávidos, cheios de opinião… por natureza e por profissão (jornalista costuma querer saber de tudo, entender tudo e “pitacar” sobre tudo). Vamos lá: a palavra da vez é ASSÉDIO SEXUAL!!!

Nada muito inédito, mas sempre comentado, principalmente quando é escancarado pela mídia pelo assediador (a) e vítima serem “famosos”. Mas quantos não famosos sofrem isso diariamente em casa, na rua, no trabalho até mesmo em seus relacionamentos. A gente tem a falsa impressão de que o assédio ocorre apenas em casos de maior hierarquia e que o assediador é sempre um homem. ERRADO. Tudo bem que acredito que nós mulheres somos muito mais assediadas do que os homens, mas mulheres têm assediado cada vez mais (conheço pelo menos três casos e um deles foi cometido por uma subalterna).

Mas voltando à discussão com os amigos: como definir e caracterizar o que é ou não assédio. Eu sou muito brincalhona, cumprimento todos com beijos e abraços. Um beijo e um abraço podem ser assédio? A resposta veio com exatidão de um dos meninos: Depende de quem recebe. Se gostar, não é. Se não gostar, é. Mas como assim? Outra resposta básica: se o cara ou a mulher te cantam e você tem pré-disposição, você jamais veria isso como assédio, e sim como flerte. Agora, se você não tem interesse por qualquer motivo, você vê como assédio e denuncia (se tiver coragem).

Tenho certeza de que a linha de divisão entre um flerte, uma brincadeira e assédio é muito tênue e fácil de ultrapassar. E ainda estamos aqui, pensando, sem ter uma opinião clara de um código de condutas que defina o que é ou não assédio sexual. É claro que excluímos dessas dúvidas ações explícitas como toques inapropriados, em partes íntimas por exemplo, ou abuso de poder mesmo, com palavras, na lei do toma lá, dá cá. A dúvida é mesmo nas ações mais sutis: olhares, abraços mais demorados, carinhos no cabelo, brincadeiras…

Segundo o Aurélio, assédio é “pôr assédio, cerco a; perseguir com insistência, e/ou importunar com tentativas de contato ou relacionamento sexual”. Ok, nós aqui estamos no caminho certo… Mas por que é tão difícil discriminar as ações quando elas não são explícitas? Seria tudo uma questão de percepção?

Essa discussão é sem fim. A única certeza que tenho é que, mais uma vez, como quase todos os problemas do país, a solução está no respeito ao próximo e na educação social. Muitos de nós, enquanto sociedade, temos que parar cultuar assediadores. Não são raros os casos de famosos ou pseudos famosos nacionais e internacionais que são acusados de agredir suas companheiras e que continuam a ser admirados pelo público.

Sonhadora que sou, espero que não tenhamos mais que nos deparar com outras Su Tonanis e Zé Mayers num futuro bem próximo. Mas essa é a parte do sonho e dos meus eternos óculos cor de rosa.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Mudamos de século e ainda continuamos na luta, como as mulheres do final do século XIX, que terminaram queimadas em um incêndio de uma fábrica nos Estados Unidos, depois de serem trancadas no local apenas de seus direitos. Tempos depois, em 1968, cerca de 400 ativistas do WLM ((Women’s Liberation Movement) protestaram contra a exploração comercial da mulher, durante realização do concurso de Miss America, queimando sutiãs e outros adereços que simbolizavam a beleza feminina.

Hoje não queimamos mais sutiãs, mas parece que a incansável luta pelos direitos está longe de acabar. A discriminação, mesmo que camuflada está em quase todo o lugar e em quase toda cultura. Mas não vou entrar no mérito político e social da coisa, pois para isso, com certeza, existem pessoas muito mais gabaritadas, como filósofos, historiadores e psicólogos. Só quero expor, em como pleno Século XXI, ainda temos que provar no dia-a-dia que somos capazes e acima de tudo, merecemos RESPEITO. Neste sentido, coisas banais e cotidianas me deixam extremamente frustrada quando reflito sobre a questão de gênero. E a cada dia que passa, descubro quais são minhas lutas internas e na sociedade em que vivo.

1. Eu não quero ter que acordar todos os dias pensando que se eu colocar um vestido ou uma saia mais justa (por mais que seja na altura do joelho), minha capacidade profissional e intelectual vai ser colocada à prova;

2. Eu não quero ter que me “fantasiar” que nem boneca ou como para uma festa todo santo dia, porque a sociedade espera que eu esteja linda, de unhas feitas, cabelos escovados e maquiada;

3. Eu não quero andar nas ruas com a insegurança de que posso sofrer qualquer tipo de violência, porque se estou de roupa curta, nesse calor infernal do Brasil, estou pedindo para ser agredida sexualmente;

4. Eu não quero ouvir “fiu fiu” por onde passo ou aquele “gostosa” ou “oh lá em casa”. Socorro, mulher não é mercadoria de feira para você sair gritando, como que dando as qualidades da fruta;

5. Eu não quero ser promovida e ficar vendo rodinhas de homens (e até de mulheres, pasmem) sussurrando se eu teria a capacidade para o cargo ou teria conseguido em “troca de algo”;

6. Eu não quero ser julgada pela sociedade porque não casei e não tenho filhos com 36 anos de vida. Alguém já se perguntou se a profissão não foi mais importante ou se simplesmente não aconteceu ainda ou que sequer venha acontecer e eu seja feliz com isso? Não, é mais fácil dizer que o tempo está passando, que ficarei sozinha na velhice, que não gosto de homens, que não tenho sucesso no amor. Ah, eu tenho. E se eu contasse um terço da minha vida amorosa para essas pessoas que tanto julgam, tenho certeza que elas cairiam de costas e mudariam os seus (pré) conceitos.

Eu estava discutindo essa questão do gênero com uma amiga advogada… Questionei muito as frases banais que costumam aparecer nesta Semana da Mulher, do tipo: dia da mulher é todo dia, ou dia 8 de março é uma data em que devemos exaltar a mulher. Como? Acho, inclusive (e me perdoem as feministas), que as próprias mulheres fazem questão de comemorar esse dia acabam cometendo uma certa discriminação. Porque se lutamos por direitos iguais, como precisamos de um dia no ano para comemorar um massacre? Essa minha amiga, que diga-se de passagem é uma feminista e ativista em defesa da causa da mulher de primeira, falou: Marina, às vezes precisamos voltar ao preconceito para nos livrarmos dele. Fácil assim. Voltemos então a refletir no que realmente queremos como sociedade. E não só no dia 8 de março. E são tantas as coisas que eu não quero enquanto mulher. Mas fica difícil acreditar que a minha geração vai resolver isso, ou as seguintes. Só espero que não demore mais de século para que a sociedade em geral, homens e mulheres, perceba que a diferença entre os sexos realmente existe, mas que ela não deve segregar e sim, complementar a existência de cada um deles.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Velho é aquele que tem o privilégio de viver uma longa vida. Idoso é aquele que perdeu a jovialidade. Os velhos ainda sonham, criam, inventam, se divertem, fazem bagunça, curtem as traquinagens da criançada (muitas vezes até as incentivam a fazê-las). O idoso em geral dorme muito; diria até que dorme mais do que “vive”. O idoso gosta de ensinar; já sabe tudo não precisa aprender mais nada. O velho quer ainda aprender, de fazer planos, de pensar pra frente. O idoso tem mesmo é saudades, só pensa no passado: “ah! No meu tempo… “ Eu sou velho. Gosto de aprender (vivendo e aprendendo…). Tenho planos (de viajar, de expor minhas pinturas, de redecorar minha sala, de fazer outro curso de culinária e vai por aí vai…). Para o velho a vida se renova a cada dia. Bem, pensando melhor, a cada semana já que as coisas correm um pouco mais lentamente agora do que quando era-se mais jovem. Para um idoso, coitado, a vida termina a cada noite. Ele é mais lento, mais pachorrento, gosta de dizer “nos meus tempos não tinha essas coisa não; era tudo bem diferente e melhor”. E passa as suas horas como se fossem as últimas de sua existência. Já o velho procura passar suas horas como se fossem as primeiras de sua vida. O Idoso tem locais específicos, demarcados e definidos e já não dá conta de pegar um carro e fazer uma longa viagem dirigindo. Tem fala mansa, bebe pouco e come cheio de cuidados. O velho pega a estrada e vai longe dirigindo; sobe escadas pra cima e pra baixo; bebe seu bom vinho e algumas birras. E ainda aprecia um bom e bem preparado prato. Aos 78 anos não sou um idoso. Sou um velho. Com muito orgulho e satisfação. O velho pai, o velho avó, o velho tio, o amigo velho. Sou um velho vivo, um velho ativo, um velho safo. Epa! Não me entenda mal, por favor -. eu disse safo! Não sou, nem quero ser, um avô idoso, um amigo idoso ou um idoso lerdo e pachorrento. Certamente, ser velho tem lá seus inconvenientes: a tal “fadiga do material” que vai desgastando a gente: dói ali, espeta lá, enguiça aqui, emperra acolá. São as ditas mazelas naturais da velhice. Algo que ânimo, alegria e vontade de viver ajudam bem a superar. Não sou um idoso, nem muito menos um de “ melhor idade”, esta imbecilidade que algum babaca sem noção inventou! Abaixo pois o politicamente correto. Seja velho e curta a sua velhice ( ou seria a sua “idosidade”?). Portanto, seja você uma bela e charmosa velha: glamourosa, cheia de vida e feliz. E, seja você, um belo e garboso velho: esperto, safo, exuberante e feliz.
A propósito: um cão com 15 anos é um cão idoso? Ou é um cão velho. Um carro de 1957, é um carro velho ou um carro idoso. E o seu vestido de casamento está velho ou está idoso?

E.T.- Tudo que foi dito aí aplica-se tanto à mulher quanto ao homem, acima dos seus 60 anos.

Carlos Pougy – Belo Urbano, um “pauliroca” (meio paulista meio carioca, mais este do que aquele) pai de 5 filhos e avô de 9. E que gosta de desenhar, pintar e escrevinhar.

A 1ª vez que recebi os Parabéns pelo Dia da Mulher foi em 1980 e eu, com 16 anos, perguntei por que haveria um dia da mulher. Com o tempo, é claro que fui estou descobrindo, mas aquela pergunta me instigou quando eu ainda me questionava o que era ser feminista.

Recentemente, fui buscar nas redes sociais, os motivos que levam algumas pessoas, homens e mulheres a lutar contra o feminismo e deparei-me com uma ala radical, cujos comentários de teor violento, precisei engolir, assustada, para tentar entender o que pensam: feminista é mulher feia, frustrada, gorda, com pelo no sovaco e falta de rola, que não merece nem ser estuprada! Normalmente saio da conversa quando a palavra “feminazi” entra na discussão. Mas digo que foi uma pesquisa interessante. É uma sociedade machista que não está aberta ao diálogo.

Essa era a ala radical, existe também o machismo velado, tipo “mulher deve lutar pelos seus direitos, desde que não interfira com os afazeres do lar”, ou “para que tanto mimimi?”

Estamos em março de 2017 e as pessoas ainda se espantam quando falo sobre a luta das mulheres para coisas tão simples como ter direito a votar, trabalhar, receber salário, o direito de estudar, de viver, não ser morta ou limitada pelo companheiro que se julga dono. Mulheres qualificadas ainda perdem a vaga por serem “mães”, ganham menos que seus colegas homens e justifica-se que faltam mais, produzem menos e não são boas no que fazem. Elas sofrem assédio! No emprego, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé…   Moral ou sexual. Levante a mão a mulher que não passou por isso, incluindo sua mãe, avó e filha.

Hoje me defino como Feminista sim! E quem não é, está mal informado! Homens e mulheres feministas são nada mais que pessoas que respeitam o outro ser como seu igual. Feminismo é entender que todos tem os mesmos direitos e deveres, capacidades e limites. É respeito pela pessoa, independente do gênero, cor ou credo.

Feminismo não é oposto de machismo, visto que machismo visa a opressão, enquanto o feminismo visa igualdade.

Ainda causa estranheza quando uma mulher está em um cargo de liderança ou quando desempenha uma função considerada masculina, como no mundo corporativo, na publicidade, na política, no taxi, caminhão, construção, no desenho, ou tantas outras áreas.

Eu, hoje, estou entre as “Mulheres Cartunistas”, “Mulheres desenhistas” mais conceituadas no Brasil. Muito feliz! Mas fico me perguntando quando eu e minhas colegas de traço seremos “cartunistas”, “desenhistas”, “quadrinistas” do seleto mundo do cartum, sem referência a gênero.

Como diz minha irmã Åsa: “Torço para que um dia não haja mais necessidade de existir um dia para lembrar as pessoas que mulheres são gente.”

Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.