Eu vou louvar a vida de meu pai,
Numa canção assim bonita,
E tenho certeza que ela vai,
Trazer ao mundo mais amor.

Quando teve terra, era roceiro.
Foi jardineiro, beato e pedreiro
Ele já foi gerente sábio, padeiro,
Balconista, caixa e cacheiro.

Já alugou casa, vendeu carro,
Vendia Dollar, se virou investidor.
Patrão ou empregado assalariado,
Sem passar, fome sempre trabalhou.

Foi Motorista, camelô
Faxineiro e doutor
E agora aos setenta
Aposenta, por favor!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Ela sentiu a nuca arrepiar ao olhar para aquele par de olhos azuis. Aquele era um indício de muita confusão em sua vida e de uma entrega que nunca havia vivido. Eram apenas algumas horas para viver essa louca paixão estrangeira, sem freios.

E assim foi. Foram exatas 10 horas de êxtase, gargalhadas, alguns problemas com o idioma, a descoberta que ele realmente não gostava de pimenta e que ela era louca em vinho Carménère e não podia tomar cerveja daquele jeito maluco e que eles dançavam forró lindamente, apesar dos dois pés esquerdos dele.

Jogo de Copa do Mundo no Brasil, festa na arena São Paulo. E lá estava o hermano mais charmoso que ela havia visto. Tudo começou com um irreverente e –inocente – acreditou ela, pedido de “saca uma foto, por favor?”. Claro! Pronto, feito o primeiro contato aqueles olhos não se desgrudaram mais. Conversa vai, conversa vem, em bom portunhol. Pois sim, ela só achava que as aulas de espanhol tinham feito algum efeito. Ele brincou com ela e a pediu tirar uma foto com o chapéu azul e branco. Ela tomou outro gole da birra e topou a brincadeira. A “irmã caçula” que a acompanhava, achando tudo lindo, incentivou a brincadeira.

Ela torceu pelos hermanos… O Brasil não jogava naquele dia, já havia acontecido o fatídico 7×1. Entre uma tentativa e outra de tentar ensinar o dançarino de tango forrozear, ele lhe roubou um beijo. Ela parou. Ele, sem graça, pediu desculpas. Ela riu e roubou outro beijo. A irmã, os amigos só se olharam e seguiram tarde e noite a fora rindo.

E eles pararam de ver a Copa, os jogos, as pessoas e se fecharam num mundo só deles. Conversaram, riram, dançaram. Até que ele teve que ir embora. Era domingo à noite. Ele tinha uma fronteira para cruzar e ela, uma hora e pouco de estrada pela frente.

Se abraçaram como se não existisse amanhã. Até hoje ela é capaz de sentir o cheiro do perfume dele se pensar naquele momento. Os olhos marejaram. Os dela e os dele. Trocaram juras de se ver. Ele prometeu voltar, ela prometeu ir. Passaram a se seguir nas redes sociais e conversaram horas a fio durante a volta dele. Se falam até hoje. A promessa de se encontrarem não foi cumprida. Ele namorou, ela também. Mas ainda se conversam esporadicamente. Numas dessas conversas a revelação mais surpreendente: ele guardou o guardanapo que ela escondeu no bolso da sua calça com um bilhete, ainda ouve a aquele forró de Gil e lembra dela. Ela ainda bebe o vinho Carménère e sabe o trecho que ele ensinou do hino argentino. Um torce pelo time do outro (quando não são rivais na partida) e guardam os copos de cerveja daquela Copa.

Uma história linda, de um encontro inusitado, que até hoje move sentimentos em dois corações distantes.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 40 anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Com Covid aprendi que:

– O autocuidado não deveria ser uma escolha. Nosso corpo é a maior preciosidade que temos no mundo terreno. Cuide-se com muito amor.

– O autoconhecimento nos faz perceber precocemente os sinais do nosso corpo, oportunizando tempo para a cura.

– O nosso maior propósito aqui neste planeta é conhecer a si mesmo a ponto de conseguirmos aprimorar nosso espírito.

– Cuide dos seus processos intuitivos, estimule-os. A intuição é o nosso maior GPS.

– Ter amigos desejando o nosso bem nos fortalece e nos conecta com uma fonte imensurável de luz.

– Alimentar laços de amor todos os dias de nossas vidas deve ser a nossa maior prioridade.

–   Cuidar de quem amamos com dedicação é uma das coisas que mais vale a pena nesta vida.

– Demonstrar amor ao próximo só é possível quando nosso coração transborda de amor por nós mesmos.

– Antes de querer salvar o mundo, salve a si mesmo.

– Os cachorros são grandes companheiros dos homens e nos ensinam o que é amar incondicionalmente.

–  Mergulhar nas nossas sombras é necessário para a evolução.

– Abrir-se para o inesperado é reconhecer nossa falta de controle e confiar no que Deus reserva para a nossa vida.

– Viver o presente é alinhar corpo, mente e alma, trazendo estado de consciência para nossas escolhas.

– Dentro do mal há bem e dentro do bem há mal. A divisão do que bem e mal é feita pela a nossa mente… para a alma não há dualidade.

–  O covid não é monstro, ele só veio nos mostrar como somos frágeis na matéria e quão melhores podemos ser no espírito.

– Só hoje é tempo de perdoar, de agradecer, de ajudar e de entrar em contato com a sua melhor versão. A vida é passageira mas nossa caminhada é eterna.

Carolina Salek Fiad – Bela Urbana, Mulher, mãe (muito mãe), yoguin, aromaterapeuta, reikiana, professora, entusiasta da vida. Acredita que o corpo é instrumento de cura e evolução. Lema de sempre: Leve a vida leve.

O mundo uma sede de uma pandemia…

A população uma sede de melhoria diante de tamanha negação!

Sacolinha passando

Dízimo atribuído

Ventana faltando

Escavadeiras assumindo

Rupturas de lives

Palavras rasgadas

Telas surtadas

Mentes lavadas

Sprays borrifados

Pandemia negada.

Desapegando do excesso de formigamento e,

Tentando absorver um novo dialeto para tentar sobreviver!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Sou cartunista, mas não leio o futuro nas cartas. Desenho o presente com lápis e humor.

Minha formação acadêmica é em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda e já trabalhei na área. Depois, aliando o mundo business e o meu conhecimento fluente em alguns idiomas, passei a dar aulas. Também trabalho com construção civil, junto com a família.

Porém, a minha grande paixão é a arte! Já sofri muito pela falta de tempo de produzir o que minha mente criativa pedia. Cores, tintas, lápis, papéis, dá até água na boca de pensar.

Juntando a arte com a veia de humor, que sempre esteve presente em mim, nasceu a cartunista. Há alguns anos tomei coragem e inscrevi uma ou duas caricaturas em salões de humor, que foram selecionadas e eu passei a amar esse novo mundo que se abria. Com o passar do tempo, o vício foi dominando e, charges, cartuns, até tirinhas foram surgindo. O Brasil é uma terra rica em matéria-prima para essa arte, seja pela homenagem às nossas
grandes figuras ou pela crítica à política do momento. E tem o mundo.

Nunca pensei ser a ‘mulher cartunista’, mas, aos poucos, acabei me tornando uma ativista cultural também. Fui percebendo a pouca representatividade feminina na área e procurei entender os motivos para isso, visto que o mundo do cartum é uma bolha masculina. Os grandes chargistas são majoritariamente homens – procure “cartunistas do Brasil” no Google – e nem mesmo eles parecem perceber esse círculo fechado em que vivem.

Sabemos que, há muitos séculos, existe um trabalho por parte de sociedades, principalmente as religiosas, para destruir a relevância do papel da mulher. O sexo frágil, a bela, que deve ser também recatada e do lar. No seu papel de procriadora, ela acabou sendo dominada e o seu
conhecimento ancestral foi chamado de bruxaria e queimado nas fogueiras da inquisição e outras semelhantes.

Quando surgiu o movimento feminista, toda a luta foi desmerecida. O que se buscava era a igualdade de direitos, como poder votar, trabalhar, ter direito à herança, sair à rua desacompanhada e sem ouvir bobagens. Mas denunciar o machismo é coisa de “histérica”, ela é feia, tem sovaco cabeludo, não gosta de homem, mal-amada, não conseguiu segurar marido,
a lista é longa… O humor que ela desenha é, também, desmerecido como arte inferior.

Uma vez, em uma feira de quadrinho, na Alemanha, Maurício de Sousa foi indagado sobre a falta de mulheres quadrinistas em sua comitiva. Ele respondeu que, no Brasil, “Mulher ainda não tem essa liberdade sem vergonha que homem tem, de trabalhar até tarde, tem que cuidar
da casa, dos filhos, quadrinho exige muito tempo de dedicação”.

A mulher, como protagonista de seus próprios desenhos de humor precisava ser resgatada e furar a bolha.

Na procura por essas cartunistas, salões de humor, exclusivos para mulheres, surgiram, como é o caso do “Batom, Lápis & TPM”, que acontece todo mês de março, em Piracicaba e que reúne artistas, que, mesmo espalhadas pelo mundo, são muitas e seus desenhos e mensagens são
impressionantes. Sororidade passou a ser um lema. Esse ano, 2021, houve a tentativa da secretaria de cultura de Piracicaba de cancelar o Salão. Quando tomei conhecimento de que não haveria uma edição inédita, entendi que era a hora de mobilizar os cartunistas e passei a enviar mensagens e e-mails mundo afora e, assim, conseguimos reverter a situação. Preciso dizer que também recebi algumas reações estranhas, de negação, como se o salão fosse realmente algo inferior e que não merecia atenção, por parte de pessoas que eu admiro. Não guardo rancores, mas guardo nomes…

Trata-se de um precedente perigoso. O primeiro corte é nas mulheres. Era preciso agir para que não houvesse corte (ou censura) a outras exposições de humor. O Salão de Humor de Piracicaba tem uma longa tradição de resistência política. Nasceu no auge da ditadura militar no Brasil e está em sua 48ª edição, em 2021. Todos os anos o Salão Batom, Lápis & TPM, abre a temporada, em março. Em seguida, sai o regulamento e as inscrições para o salão principal, que acontece em março. Muitas atividades são levadas às escolas da cidade, e existe o salãozinho, para crianças. Quem sabe o que mais pode ser cortado, alegando custos e organização, mas sabe-se que é política. E parece que a atual política é tendenciosa à censura do humor questionador.

Há 3 anos, eu fiz a curadoria da exposição “Humorosas”, que reuniu 20 artistas. A ideia original foi do amigo artista, o Robinson, para expor as mulheres artistas que fazem humor. Foi um sucesso, a abertura foi no MACC, Museu de Arte Contemporânea de Campinas, depois passou
por mais 3 locais, antes de encerrar. Estamos programando uma nova edição de Humorosas para logo, pois temos um problema recorrente. Hoje, nas páginas das redes sociais, que anunciam festivais de humor, pouquíssimas mulheres são mencionadas. Quando uma de nós levanta a questão, denunciando o clube masculino, a recepção é sempre fria e negado o machismo. Acabo de ver um cartaz com “cartunistas do Brasil”, com umas 100 fotografias. Não cheguei a ver 3 mulheres entre os grandes.

O trabalho de charges, cartuns e caricaturas que realizo, estão muito ligados a essas situações, de sexismo e política, basicamente. Recebo prêmios e críticas pelo meu trabalho. Prêmios no Salão Internacional de Piracicaba e, ano passado, 2020, o “Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado”, junto com 110 cartunistas (6 mulheres), por uma charge continuada, em apoio a
um cartunista, ameaçado pela Lei de Segurança Nacional. Críticas vem nas formas mais variadas. Tem gente que acha que eu não devo criticar o governo, que acha que estou torcendo contra. Tem gente que pergunta se eu não tenho medo. Medo do quê, amigo?

Enquanto conto os números de mortos na pandemia, a cada charge ou texto que publico, nunca terei medo de expor as mazelas e irresponsabilidades de um governo genocida. Não é um prazer desenhar o terror que estamos vivendo e ainda tentar agregar humor. Para mim, é um dever. Estamos em março de 2021 e nadando a braçadas para os 300 mil mortos pela Covid-19.

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

Sim, essa de várias facetas!

Que muitas vezes se transforma em duas e em “dois”, de pai e mãe.

Que suporta as dores da vida com solidez de algo másculo e que mesmo assim, é capaz de sorrir para a vida, sem deixar as amarguras vividas abater o teu semblante de esperança constante.

Viva a essa mulher artista!

Nós homens, somos conquistados pelo seu carinho, seu jeito e não conseguiríamos viver sem você no mundo inteiro, como mãe, namorada, esposa, amiga e guerreira de um mundo pandêmico, se inventando e reinventando aos mares da vida econômica, a dois ou a sós, mas sempre com verdade estampada no peito.

Sim, é preciso ter peito!

É preciso ter voz!

É preciso ter coragem para ser MULHER!

Mulher não é somente geradora, é energia da vida, é raça, é sangue e é coração!

E que coração!

Aquele que guarda de tudo e mais um pouco nos refazeres e desprazeres da vida.

Que se monta de beleza e por dentro é fortaleza, embora não saibam algumas, que a luz do sol faz-se brilhar muito mais diante de tanta grandeza.

A humanidade sem a mulher eu não sei, mas mulher na humanidade é tudo!

Sim, essa humana de tantos papeis de uma só.

Ela existe para uma humanidade sã de coração e razão, para nos encantar com seu olhar de aconchego, num mundo que anda cada vez mais complicado, desarticulando todo o medo.

Mulher é música, pintura, cheiro, café e fé!

Fernando Dassi Bonin – Belo Urbano. Professor de música e de artes. Músico. Cantor. Ator. Diretor. Sua graduação é Música Licenciatura, Arte-Educação e tem como hobby viajar, cozinhar e ama a natureza. É um verdadeiro aprendiz da Vida.

As mulheres podem e devem fazer parte desse mundo exclusivo Empresarial… Quando a maioria são os homens estruturalmente seletivos, e com $alários $uperiores aos delas. Que na verdade, estudam e se qualificam tanto ou mais que eles, para que sejam respeitadas. Sem que elas precisem mendigar, extrapolar seu universo feminino, deixar de ser clara e objetiva, e também sem que tenham que usar a sua defesa sobre as incontidas guerras, sobre quem é melhor!

O melhor basicamente não existe, o que existe é a força de cada um como ser humano atuante dentro e fora da sociedade como um todo. Mulheres que se afinam e contraem a diplomacia de vencer como solo familiar, e ainda se preservar de ações e atos contrários ao seu bem viver. Como não querer ser mãe ou mesmo se casar, ou ainda se aventurar pelo mundo afora sem constrangimentos de estar só, sem companhia.  

Por prevalecer situações estruturais fomentadas por centros governamentais, elas precisam se segregar em sindicatos sociais e ou solos, para vencer essa radicalidade atemporal com força de sua inteligência mental agregada à sua inteligência emocional, a fim de superar os imbróglios concomitantes. 

NÓS PODEMOS ABRILHANTAR A SUA VIDA!

Bom dia e seguindo a estrada da boa vontade. Só desejamos ficar ao lado e com isso ganharmos mais substâncias para reconhecermos “VIA PRÓPRIA”…

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

“Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez”; quem não conhece essa famosa canção que segue sendo hit até hoje? Um clássico atemporal frequentemente tocado em festas de final de ano, para muitos remete a um balanço do ano, a fechamento de ciclos a planos elaborados e conquistados, a outros postergados e aqueles que não se realizaram, ao mesmo tempo pode trazer um sentimento de urgência para o próximo ciclo, se não foi em 2020 então será em 2021, muitos questionamentos surgem: O que mudarei? O que eu quero de verdade? Vou tomar quais decisões? Certamente os finais de ciclo tradicionalmente são marcados pela dualidade do que foi e do que será, de tristezas e alegrias, independentemente das religiões e seus rituais e símbolos, as festas que encerram esse ano para muitos seguramente serão atípicas, desnecessário mencionar a razão.

Que seja esse o texto das saudades que sentimos de nos aglomerar sem máscara e sem receio, de sentir o cheirinho de nossos queridos bem de perto, de abraçá-los e beijá-los bem apertado como antes, de viajar para ver o mar em dezembro, de quando sentíamos medo de algumas coisas mas agora temos muito mais, de ter que controlar essa ansiedade desenfreada que as vezes sufoca o peito com pensamentos inconvenientes, que seja o texto também dos pequenos e grandes agradecimentos, em 2020 tantos tiveram perdas, muitas  irreparáveis e outras milhares de ínfimas perdas: pequenos confortos ,hábitos, agradáveis passatempos, em pouco tempo o mundo mudou e pouco se pôde fazer para conter essa cascata de desagradáveis novidades, conviver com a sensação de impotência, máscara, distanciamento e álcool gel viraram rotina obrigatória.

2020 têm sido um ano com muitos desafios, muitas perguntas sem respostas disponíveis e lógicas, muito sofrimento, ao mesmo tempo vimos generosidade, solidariedade, amor, esforço contínuo de profissionais de saúde extremamente dedicados, cientistas se superando em sua busca por conhecimento na luta contra o vírus, vimos o mundo lutando por um ideal comum e isso de alguma maneira faz com que apesar dos reveses tenha-se fé e esperança na humanidade e na vida, foi um ano de intensivo aprendizado.

Que nesse período que antecede o próximo ano, possamos escolher agradecer mais do que nos queixar, focar no que se tem e não na falta, agradecer cada minuto de vida com as nossas pessoas preferidas, respirar profundamente e seguir com fé independentemente da religião, buscar uma maneira mais tranquila de lidar com as incertezas e o caos ao redor, quer seja aromaterapia, meditação, yoga, leitura, cozinhar, terapia, ouvir música, voluntariar, escrita, observação de pássaros, flores, do mar, da lua e do sol, assistir séries e filmes favoritos, jardinagem e uma infinidade de opções, acima de tudo que possamos querer ter menos razão e mais ação, parar de achar que a esperança está apenas em uma vacina e abrir os olhos para a realidade e nosso comportamento do dia de hoje, da vida que acontece nesse minuto e fazer a nossa parte com responsabilidade, amar com intensidade, se possível doar, buscar a humildade em nossas interações com outros seres humanos, perdoar depressa, olhar mais nos olhos e menos nas telas e mais do que apenas querer ser feliz que possamos também querer que outros sejam felizes, que não nos esqueçamos que todos somos irmãos em nossas dores e falhas e que não importa quão diferente sejamos, estamos unidos em nossa humanidade, de acordo a pesquisadores da Universidade da Califórnia através da análise de DNA todos os seres humanos vivos na atualidade são descendentes da Eva mitocondrial que viveu na África a cerca de 200 mil anos, se tivermos essa consciência podemos assim tocar com delicadeza a vida do outro e assim quiçá o mundo se cure, se aprimore um pouquinho a cada dia no nosso microcosmo e assim reverbere no universo. Mais do que todos meus objetivos e planos para o próximo ano essa é a minha prece. Amém!

Um 2021 com muita vida e esperança para todos!

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

A internet, um lugar perigoso, mas ao mesmo tempo vasto e misterioso. Não conseguimos falar ou descobrir tudo que a internet e as redes sociais nos proporcionam mas nem sempre são coisas boas, tanto o vício como as pessoas mal intencionadas são bons exemplos de fatores que a própria internet não consegue controlar, depende de você, suas ações e da comunidade ao seu redor.

As redes sociais são grande parte da vida de milhões de pessoas, não importa a idade, idosos, adolescentes, adultos ou crianças estão mais conectados a cada dia. Se você entrar em qualquer rede social todas as faixas etárias são vistas fazendo seus interesses e expressando seus pensamentos, e eu não sou diferente, como com milhões de pessoas a internet faz parte do meu dia a dia, minhas redes sociais estão abertas 24h por dia, mas como não estariam? Tudo que acontece no mundo vai para a internet, não tem como ficar de fora.

Eu consigo admitir que sou um pouco viciada com as redes sociais. Não ao extremo, mas muitas coisas da minha vida estão na internet, eu gosto de falar minha opinião e dividir o que eu faço com quem estiver disposto a ver ou escutar. Consigo ficar sem meu celular por um bom tempo, consigo me desconectar, mas chega uma hora que vem um sentimento de saudade e curiosidade com o que está acontecendo com o mundo.

Minha geração é mais conectada e a dependência a internet é inevitável e eu não acho que isso vai mudar futuramente, mas o nosso papel é não esquecer que o contato físico é tão importante e a internet nunca irá substituir.

Ana Beatriz Qualha De Paula Bela Urbana. Estudante do primeiro ano do ensino médio. Modelo. Ama dançar, já fez mais de 10 anos de ballet.

E assim começou: declaração da pandemia, quarentenas, bagunça geral.

Histórias parecidas no mundo todo, não importa onde vá, seja rico ou seja pobre, more na Suíça ou na Índia, o assunto da moda é sempre o mesmo. Distância social, máscara, lave a mão, não toque o rosto, use álcool, não tem álcool, e agora? Tem vacina? Não. Quanto tempo demora? Especulação.  

Teorias de conspiração chegam rápido. Acusam os chineses, CIA, Bill Gates, indústria farmacêutica. Até rede de celular 5G entrou na lista de culpados.  Muitos se ocupam debatendo o que não importa. Ajuda a passar o tempo.

Nossos líderes, eleitos democraticamente, mostram para que vieram.  Seja Trump, seja Bolsonaro, parece que só muda o endereço. Arrogância, discórdia, guerra de egos, desunião.  Trump chama o vírus de “inimigo invisível”, mas esquece esse não recua com ameaça, embargos nem bomba atômica.

Penso que o buraco é muito mais embaixo. Penso que a crise de liderança reflete uma crise de valores e pode ser tão devastadora quanto o vírus.

Também penso nas consequências de longo prazo dessa crise.  Nos Estados Unidos uma das principais causas de mortalidade de jovens e adultos de meia idade inclui uso de drogas e suicídio. Chama-se “Deaths of Despair” (mortes do desespero). Acho que um dos efeitos colaterais da quarentena será um agravamento dessa situação. 

Penso nas crianças de rua, ou crianças com pais alcoólatras ou narcóticos, agora juntos, debaixo do mesmo teto, 24 horas por dia. Antes da pandemia muitas dessas crianças iam a escola onde encontravam um ambiente estável. Hoje não é possível. Mais um efeito colateral da quarentena. Acho que estamos vivendo algo que assistiremos em filmes daqui alguns anos. Fico pensando se no final das contas teremos mais gente em hospitais psiquiátricos do que nas UTIs. Mas essas estatísticas não dão muito ibope. Além do mais, esses efeitos colaterais chegam mais tarde, depois das eleições. 

Ao mesmo tempo, penso no lado positivo. Somos seis bilhões de pessoas lutando contra o mesmo vírus, passando pelos mesmos problemas. Que oportunidade melhor do que essa para enxergarmos que temos muito mais em comum do que diferenças?

Não temos controle nem sabemos que rumo que essa pandemia vai tomar. Mas uma coisa é certa, temos total controle das nossas atitudes. Penso que nas horas difíceis, de crise, é que temos a oportunidade de aprender (na marra). Temos a oportunidade de ver o mundo (e a nós mesmos) com outra perspectiva. Quem sabe nos tornarmos pessoas melhores.

No final das contas, não precisamos fazer nada grande ou tentar mudar o mundo. Posso fazer coisas pequenas, todo dia, que não custam nada e contribuem para um mundo melhor. Sorrir para o vizinho, porteiro, ou desconhecido na rua, usar palavras gentis, praticar empatia, não julgar, não tentar mudar o que é imutável, aceitar a situação, por pior que seja, e usá-la para algo bom.

Alice Chebabi – Bela Urbana, 38 anos, mãe, esposa, natural de Campinas, mora em Houston, Texas, onde é diretora de desenvolvimento de projetos. Adora trabalhar, jogar squash, ir ao cinema, brincar com seu filho Lucas e aprender coisas novas.