Como um segredo que se quer revelar aos poucos, foi tirando lentamente o capacete com uma vontade de respirar a si mesmo. Olhou por um instante ao redor enquanto afagava seu cabelo amassado. Estava de volta. Estava de volta à cidade que havia abandonado pra nunca mais voltar e estava de volta ao bar em que havia começado a trabalhar como motoboy no dia anterior. Não contou a ninguém que havia voltado. Queria ficar escondido enquanto recuperava tudo que havia perdido fora dali. O emprego de motoboy no bar era perfeito. Vivia invisível dentro do seu capacete enquanto percorria os quatro cantos da cidade. Era assim que queria, era assim que seria por um tempo. Sentia-se um flaneur às escondidas. Sentado na moto ao lado dos demais entregadores, começou a fitar a todos dentro do bar. De repente, seu coração gelou e um arrepio gelado subiu pelas costas. Imediatamente colocou o capacete, causando um certo estranhamento aos outros entregadores ao redor. Era ela! Ela estava ali. Sozinha na mesa do bar. Ela parecia esperar alguém. Ninguém chegou. Ela bebeu, sorriu, beijou um estranho. Ele foi invadido por memórias e calafrios. Memórias do amor pra vida inteira. Aquele amor que nunca acaba. Vieram as memórias da pele, do cheiro, dos seus corpos ainda mornos e abraçados na manhã seguinte e de tantas outras coisas. Engolia seco e suava frio, ao mesmo tempo em que ainda podia sentir o gosto da sua boca e da textura das suas costas molhadas entre seus dentes. Sentiu um ímpeto de ir até a mesa, mas não foi. Ela levantou-se e saiu cambaleando pelas ruas escuras. Não pensou em nada. Saiu da moto e foi caminhando atrás dela. A situação era quase bizarra e chegou a rir. Afinal, resolveu ir atrás sem tirar o capacete. Mas era assim que tinha que ser. Cuidadosamente se esgueirava pelas calçadas sem ser notado. A não ser quando uma ou outra pessoa resolvia dizer alguma coisa ou brincar com a situação. Afinal, não era comum ver um homem andando escondido pelas ruas só de capacete. Mas ele não ligava pra nada. Enquanto ia atrás dela a sua cabeça revirava. Queria vê-la mais de perto, sentir o seu perfume, olhar no seu olho. A madrugada avançava e nada. Ele a protegia com suas memórias. Memórias que também a levaram para uma praça que ambos sabiam o que significava. Decidido, depois de um tempo, tirou o capacete e arrumou o cabelo. Deu um passo à frente em sua direção. De repente, um telefone começou a tocar. Ela não atendeu. Tomou coragem e tentou de novo. O telefone tocou novamente e ela atendeu. Desligou. Ela olhou ao redor e respirou fundo. O dia estava amanhecendo. Enquanto o dia chegava a coragem dele ia embora. Mesmo assim, tirou o celular do bolso e colocou uma música do Milton que havia cantado pra ela. A música que era “Quem sabe isso quer dizer amor” começou a encher a praça ainda silenciosa e vazia daquela manhã. Ela olhou em volta com um ar surpreso. Quase não acreditava. Procurou instintivamente por ele. Ele já havia colocado o capacete e se afastava junto com a música. Ela ficava com a memória. Ele caminhava, assim como os versos do Milton, com a vontade “… de chegar a tempo de te ver acordar, de vir correndo à frente do sol, de abrir a porta e antes de entrar, reviver uma vida inteira…”

Gil Guzzo –Belo Urbano, é artista, professor e vive carregando água na peneira. É um flaneur catador de latinhas. Faz da rua, das pessoas e da vida nas grandes cidades sua maior inspiração. Trabalha com fotografia de arte, documental e fotojornalismo. É fundador do [O]FOTOGRÁFICO PRESS (Agência de imagens) e professor universitário. Adora cozinhar e ficar olhando distraidamente o mar. É alguém que não se resta a menor dúvida…só não se sabe do que…. 

Eu e meus amigos frequentávamos aquele bar assiduamente.

Era um lugar descontraído, onde podíamos nos divertir de diversas maneiras, desde uma boa música ao vivo, uma pista de dança, comidinhas deliciosas, até um vinho de primeira!

Não posso me esquecer da mesa de sinuca, meu lugar favorito, pois ali conhecia muita gente diferente e a interação era uma constante.

E foi dali que rumei ao balcão do bar, pois queria mais uma taça, quando de repente a vi sentada, conversando com um rapaz. Deu para ouvir que falavam algo sobre o Japão, e logo pensei se seria possível ela ter viajado em algum momento para lá. Na verdade, pouco me importava.

Fazia anos que não a via, desde a nossa triste e definitiva discussão. Ela foi uma figura importante, mas saiu da minha vida de um jeito ruim, não deixando boas recordações. Preferi esquecer aquela amizade, pois tinha motivos sérios para isso.

Peguei minha bebida e passei por ela, fingindo não vê-la; não sei se ela me viu, sigo com a dúvida.

Nenhuma palavra foi dita, nem tampouco algum gesto foi feito.

Retomei minha sinuca e fiz uma tacada contínua, deixando a equipe adversária embasbacada.

Confiante de que eu era mesmo uma exímia jogadora – claro que isso não passava nem perto da verdade –,  senti uma vontade imensa de dançar. A música sempre teve um poder transformador em mim.

Na pista de dança com meus amigos me senti feliz! As mágoas do passado não tinham vez… Pelo menos não ali, não naquele momento mágico, onde a melodia me envolvia e fazia com que meu corpo e minha alma estivessem livres.

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Lembro de muitas histórias de carnaval. Na infância, esperava ansiosa minha tia Marta e minha prima Gi chegarem do Rio de Janeiro, com a fantasia que minha tia trazia pra mim igual ao da minha prima. Sempre tão lindas! Lembro de nós duas na matinê, no salão do clube à espera para desfilarmos no concurso de fantasias… já fomos baianas, bruxinhas, ciganas etc.

Na adolescência, a primeira vez que fui a um baile à noite estava de melindrosa, tinha 12 anos e fui uma única noite. Queria porque queria ir, já que minha prima ia, mas não gostei. Não me senti pertencendo, ainda gostava da luz da matinê e de ficar jogando confetes e serpentinas… A noite ainda não era para mim!

Com 13 anos, passei as cinco noites com um grupo de uns 40 adolescentes como eu, fantasiados de egípcios e gritando: “Alalaooooo, mas que calor”. Aquilo para mim foi o máximo! Passei as cinco noites junto com o grupo, correndo pelo salão, cantando sem parar aquele refrão e sem olhar para nenhum garoto. Eu era mais criança que adolescente ainda.

Já no ano seguinte, 14 anos, começaram a ser mais divertidos os bailes de carnaval. Nesse ano, lembro que junto com minha amiga Alexandrina, ficamos “apaixonadas” platonicamente por um mocinho no salão, que nunca nem sequer dançou uma música com nenhuma de nós. Acho que nem nos via, era “gatinho”, como dizia a gíria da época dos anos 80 quando era para fazer referência a alguém bonito. Ali eu descobri que gostei do colorido que a paixão nos traz, mesmo quando não é correspondida. Ainda era uma menina que nunca tinha beijado na boca.

Com 15 anos, já era mais encorpada, bem morena, e novamente com minha prima e amigas fizemos fantasias iguais para algumas noites. Éramos piratas com meia arrastão preta, top vermelho com lantejoulas e um pano de cetim vermelho que servia de saia, biquine por baixo, porque tudo era bem curto, era moda. Ano que comecei a ser vista pelos mocinhos. Dançava com um, depois com outro e com outro pelo salão. Funcionava assim: Tinha uma grande roda e quando parávamos de dançar com o par, ficávamos no entorno dessa roda dançando até outro convidar para dançar. Sempre nós, as meninas, esperando passivamente sermos convidadas. Eu nunca convidava ninguém, poderia justificar com minha timidez – de fato era tímida demais para chegar em algum moço –, mas não era só isso, era algo que no fundo estava enraizado em mim. “Isso não é papel de moça, os homens é que devem tomar a iniciativa”.

Os homens podiam escolher e nos tirar para dançar, mas nós, moças mais recatadas, jamais faríamos isso. Isso nunca passou pela minha cabeça como algo a ser questionado, nunca nem pensei, e se quisesse dançar com alguém, por que não ir tirá-lo também? Nesse ano, me lembro de dois mocinhos que ficavam “me disputando”… Uma vez, dançando com um deles, um amigo o chamou para brigar, e ele, como ‘bom macho e fortão’, falou pra mim: “– Tenho que brigar agora, depois eu volto, me espera”. Eu sei lá qual o motivo da tal briga, na hora o achei muito valente. “Nossa, uau, ele vai brigar, como é forte! Como é valente!”, esses eram meus pensamentos.

Bom, os dois que me “disputavam”, o valentão e o outro, eram amigos, esse outro tinha uma namorada… mas passava por mim quando não estava dançando comigo e me media de cima a baixo, jogava charme, fazia comentários, mesmo dançando com ela, sem nenhum respeito por ela. Eu, na verdade, também não percebia que isso não era respeitoso nem com ela e nem comigo.

Na última noite, a banda tocava até quase o raiar do sol, e nas repetições do mais um, eu estava dançando com outro mocinho. A música parou e ele veio todo para cima de mim tentar me beijar, quando o tal que me “disputava” com o amigo fortão, o que tinha namorada, disse em alto e bom som: “Não mexe com essa moreninha que eu vi primeiro!”. Como se eu pertencesse a ele, como se eu fosse um mero objeto.

Como me senti? Sinceramente, naquele dia, me senti desejada, importante, e estava gostando das investidas do garoto que levou um sinal amarelo do outro. Eu fiquei passiva, esperando que os meninos decidissem de quem eu era. Como assim de quem eu era? Eu que deveria escolher! Afinal, eram dois pretendentes, mas eu não tinha essa percepção e talvez até achasse interessante ser “disputada como um prêmio”. Hoje consigo enxergar o quanto eu era machista e não tinha consciência de nada disso. Sou uma desconstrução dessa machista.

Enfim, me despedi, fui embora com minha prima e amigas. Já com saudades daquele carnaval, que me traz lindas lembranças, mas com água na boca de um beijo que não aconteceu, mas… a vida é um caixa de surpresa e o primeiro beijo veio no carnaval do ano seguinte… Mas essa história é outra…

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Baby eu sei que você está bravo comigo

Brabo, bravo não importa

Baby me perdoe

Mas não da pra ser assim

Eu gosto de você, mas é desse jeito Baby

Você sabe que ando ilegal por aí

Desta vez não da para ser com você

e não me venha com essa que eu te quebrei

Bobagem essas frases feitas

Baby, eu sou assim me perdoe

Podemos continuar amigos

Você vai me ler

E eu vou te ver

Mas desta vez não vou te levar

Eu preciso ir

e rir

Baby a gente se vê por aí

Baby não chore

Baby eu gosto de você

Só que é desse jeito

Sem documento

Sem compromisso

Baby não me espere

Baby não fique assim

Baby não chore por mim

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

Olá consulentes. Aqui estou eu novamente.

Meu conselho de hoje é DANCE. As forças ocultas dizem que dançar te fortalece. Te empodera. Te liberta das energias ruins. Então, agora é a hora, onde estiver lendo meu conselho, dance.

O quê? Vai me dizer que não sabe dançar? Isso não existe. Vamos lá comece com os pés, de um lado para o outro, agora as mãos, abra e feche, vire a cabeça de um lado pra o outro e na sequencia tudo mais do seu corpo que te leve para algum lugar prazeroso. O som você colocou né? Agitado, batida forte, ritmo dançante. Agora no ritmo, sem vergonha, dance, dance, dance.

Esta se sentindo melhor? Alguém do seu lado de te achou meio fora da curva? Uma pessoa estranha? Não ligue, estranhos todos somos, mas estranhos dançantes são mais felizes do que estranhos estátuas.

Ah, e pra você que ainda está na dúvida e acha que tem problemas demais para dançar, por favor, sem tanta dor, somente dance, literalmente dance, senão você dança na roda da vida.

Entendeu? Logo, logo tem mais.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou a atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absolutos, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube Madame Zoraide dicas e conselho www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

 

Quando os irmãos lumière apresentaram ao mundo o cinema em 1895 muitos apostaram que seria uma brisa passageira, porém, os quadros em movimento povoaram o imaginário das pessoas. E aí está!

As pessoas: esse universo no qual a psicanálise embarca há tempos tentando entender você, eu, tu e eles. Com a chegada da televisão não foi diferente, o que mudou foi somente a forma e a linguagem, ainda que, pessoalmente, eu prefira a tela de projeção, tudo bem dinâmico e associado fizeram de novelas e hoje séries um verdadeiro vício pelo próximo capítulo ou episódio. Tudo por uma história bem contada, um enredo, uma trama, um roteiro adaptado para a vida.

As pipocas só aumentaram seu consumo e o consumo só aumentou mais fãs. Hoje com as mídias sociais, podemos ser mais belos, mais magros, inteligentes e interessantes, quase sem defeitos, orbitando uns aos olhos do outro.

Contatos, relações, profundas ou não, é bom lembrar que tudo fica fascinante quando você acha que domina seu perfil, mas aí está de novo. Por que? Porque todos só querem mesmo ser amados e aceitos ainda que de forma virtual ou “cinematográfica”. Fazendo uma ponte com um dos musicais mais lindos que vi por essa tempos, “la la land”, acho que na trama deliciosamente bem dirigida você mergulha em universos paralelos onde afetos e horizontes ainda que divergentes contam sobre um amor e um encontro quase juvenil que desabrocham em música, dança e interpretação das boas, é bom que se diga, e emoções projetadas. E aí está novamente! É delicioso!

Os dois lados da mesma moeda: um mundo dinâmico, fantasioso e colorido mas que acompanham os indivíduos e sua trajetória pessoal onde um não existe sem o outro. Um verdadeiro encontro entre a tela e o espectador que também dançam juntos mas que terminam sozinhos quando as luzes acendem.

Vivamos com sabedoria esses tempos líquidos e que acima de tudo a gente se divirta pelo preço do ingresso, da pipoca e da companhia.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

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Você já percebeu como é gostoso falar bem vindo? Sim, é muito gostoso, principalmente quando esse “bem-vindo” é dito com o coração aberto.

Então, é com caixa alta (já que estão lendo e não ouvindo) e com o coração aberto, que digo BEM- VINDOS!

Começamos oficialmente a postar novos textos hoje dia 01 de fevereiro. Além do nosso time de colaboradores, contamos com novos já nesse mês.

Os temas? Muita coisa no nosso divã, reflexões pertinentes a essa vida urbana, caótica, corrida, mas adorável que vivemos. Temas que abordam nossas liberdades de escolhas. Temas que abordam comportamento, saúde, superação, família, trabalho. Também continuamos com nossas poesias e contos e as dicas sobre restaurantes, filmes, teatros, parques, lugares. Ah, também continuaremos com os Conselhos do kiabo e agora também com os conselhos da Madame Zoraide, afinal diversão e bom humor são fundamentais e como dizem “rir é o melhor remédio” portanto, permita-se rir.

Fevereiro é o mês mais curto do ano, é pura poesia, verão, carnaval e como os tempos andam outros, em 2017 o Brasil não começou depois do carnaval. Sim, já começou, esperar até o final do mês e no meio de uma crise financeira não é o que os brasileiros podem fazer, novos tempos. Estamos nos reinventando para sobrevivermos e vivermos bem, esse é o desafio para todos nós.

Existe uma teoria administrativa que diz que quando está tudo bem em uma empresa, a liderança cria propositadamente uma crise, para que a equipe saia do seu lugar confortável e crie alternativas, traga a tona a criatividade. A crise serve para separar o joio do trigo. Após a crise quem fica é o trigo e isso não é só no mundo corporativo. O lado bom da crise é justamente esse, deixar ficar o que é melhor, bom, o que joga no mesmo time e principalmente para reforçar a sua própria auto confiança.

Enfim, que venham as flores, as músicas, os sonhos e fevereiro é tudo isso. Temos essa magia que é o carnaval. Dias de descanso para alguns, dias de praia para outros, alguns em retiro espiritual. Dias de samba, marchinhas, frevo e todas músicas que fazem nosso corpo balançar e nossa alma viajar.

Cantar e dançar é terapia. Solte o corpo. Solte a voz. Não precisa ter vergonha, solte-se, sinta e relaxe. A adrenalina vai a mil e essa é uma boa dose de combustível para seguirmos em frente. Busque o equilíbrio e é por isso que estamos aqui, para que com nossos textos você possa refletir, rir, questionar, se divertir. Afinal, é muita coisa para darmos conta e muitas coisas ao mesmo tempo, só com equilíbrio mesmo para não entrarmos nesse processo de depressão, que é uma doença que cresce assustadoramente na nossa sociedade.

Então, já que música é fundamental, para mim é, não vivo sem. Deixo aqui com vocês um pedaço de uma letra de uma música do Gonzaquinha que já tocou muito em carnavais que pulei na minha adolescência e que está entre as minhas músicas favoritas, desde os meus 14 aninhos. Inspiração pura para todos nós.

“….Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz. Ah meu Deus! Eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita….”

BEM-VINDO 2017!!! BEM-VINDOS AO BELAS URBANAS 2017!!!

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos www.3bis.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

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Agora

Eu encaro os fatos como se fosse tudo por acaso

Eu vou levando a vida como se eu não soubesse que ela acabará

E vou passando reto pelas linhas tortas de Deus, eu nunca vou chegar

Eu vou pegando atalhos que não só levam a nada como também tanto faz

Saber o que me espera por que eu também não conheço ninguém que esteve lá

Então também é vingança, um pouco de teatro e um pouco de esperança

De ver você voltar como consequência de tanta hipocrisia Então também é saudade, meio nunca mais Meio até um dia…

 

Eu

Fico cantando por horas como se eu não tivesse nada prá dizer Essa canção infinita, por que por mais que se diga, há sempre mais prá se esquecer Eu vou deixar a vida me viver como se eu não tivesse nada a ver com isso Mas não desisto de nada Porque eu também já não tenho Nada prá perder

 

Eu

Vou viajando por horas no teu sorriso perfeito até me embriagar No teu olhar infinito Porque por mais que eu descubra eu quero mais é procurar Eu vou deixar o beijo me levar como se eu só tivesse coração e boca A nossa vida é tão louca

A nossa roupa, pouca

E nada prá esperar

Agora.

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Tico Vicente – Belo Urbano, diretor de filmes, ama gatos, leonino, se divide entre a mega metrópole São Paulo e sua chácara no interior. Festeiro, músico, vocalista da banda Ginger. Não se considera charmoso, mas sabemos que é sim 🙂

Link da canção INFINITA: 

https://www.reverbnation.com/play_now/26204595?utm_campaign=a_public_songs&utm_medium=facebook&utm_source=page_object_news_item

Velas shutterstock_361117088

Sentir a perda de David Bowie é permitido!

“Estou procurando textos problematizando o Bowie! Cansei de procurar e lanço o desafio…” Foi essa frase que li logo cedo ao abrir o facebook. Alguns comentários no post davam conta de que só havia boatos, nada definitivo. Uso de drogas não era um problema, a busca era por assédio sexual mesmo ou outra podridão qualquer que pudesse denegrir o caráter por abuso de poder. Não continuei a seguir o post pois tudo levaria a “algo” que hipoteticamente poderia ter acontecido no contexto do começo da década de 70…

Estamos “problematizando” muito a época atual? A militância está se tornando tamanha que não podemos sentir a perda de uma pessoa a quem admirávamos sem buscar algo negativo contra ela? Imagino que a maior bronca de alguns é que David Bowie levava uma vida privada discreta e sem escândalos enquanto na vida artística não aceitava rótulos, mudava de estilo tantas vezes quanto achasse por bem fazê-lo e morreu de maneira serena, bailando a música final com o destino. Surpreendeu-nos mais uma vez ao oferecer uma poesia musical como despedida. O artista se foi, o empréstimo acabou, ele foi levado de volta a uma esfera que desconhecemos, mas antes nos deixou seu legado.

E se aqui falo sobre a perda de Bowie, isso não significa que sinto menos ou mais dor pela perda de outras pessoas, não quantifico minha capacidade de sentir…

Aos militantes de plantão deixo um recado: Vamos sim lutar por um mundo melhor, vamos lutar contra preconceito, assédio, machismo, racismo, xenofobia, homofobia e uma lista enorme… Só que podemos usar uma perspectiva positiva e construtiva, dar exemplo, educar a geração pela qual somos responsáveis, discutir, debater e até brigar quando necessário, pois somos bons de briga, claro. Mas, às vezes, é bom sentir tristeza, amor, afeto, sem questionamentos. Apenas porque sim.

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Synnöve Dahlström Hilkner É artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

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No Dia da Mulher, a viola emudeceu!
Aos 90 anos, morreu a cantora, pesquisadora, compositora, violeira e apresentadora de TV Inezita Barroso.
Inezita viu tudo. Era um livro de história viva, daqueles com notas de rodapé e trilha sonora. A última testemunha ocular a ter caminhado sobre a própria linha do tempo da música sertaneja. Soube o que queria ser bem cedo, com 7 anos. Ou antes. O fato é que, enquanto saía do ventre de sua mãe, em pleno domingo de carnaval, na casa da Rua Conselheiro Brotero, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, passava em frente o Cordão Carnavalesco Camisa Verde, futura escola de samba com o mesmo nome.
As seis cordas não agradaram a mãe, que preferia ver a filha casada com um advogado ou farmacêutico, mas a música não parava de chamá-la. Quando ia passar férias em uma das fazendas da família, deixava as primas na casa grande, pulava a janela e ia ver os colonos tocando viola. No dia em que um violão caiu em suas mãos, ela atacou de Boi Amarelinho. E teve caboclo marmanjo chorando baixinho.
Quando chegou a década de 1960, Inezita já tinha ímpetos de pesquisadora. O mundo sertanejo era maior que o interior de São Paulo. Sertanejo não, ela não suportava essa nomenclatura por uma questão geográfica. “Sertanejo existe onde tem sertão. Aqui em São Paulo é música caipira. Por acaso, você já foi ao sertão de Jundiaí?”
Decidida a desbravar as profundezas do Brasil, conseguiu um Jipe e dirigiu até a Paraíba, onde iria gravar um filme sobre a Guerra do Paraguai. Foram dois meses de viagem, anotando literalmente todas as notas musicais que encontrava pelo caminho. Como não tinha gravador, escrevia uma a uma do que ouvia das culturas locais em folhas com pentagramas musicais.
Sua aventura rendeu história. Quando chegou a Salvador, testou as trações nas quatro rodas subindo de Jipe as escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.
Mais à frente, no interior da Bahia, ficou encantada por um cantador e passou a anotar rapidamente o que ele cantava, até que um caminhoneiro parou a seu lado ouvindo em alto volume a Rádio Nacional.
“Não consegui ouvir mais nada. Perdi o que aquele homem cantava.” Em outra cidade, resolveu testar sua mira. Apontou a espingarda que levava consigo para um objeto voador e atirou: “Caiu um urubu do meu lado, que horrível aquilo. Nunca mais dei um tiro”.
Sua derrota, uma das poucas da trajetória, se daria na volta. Inezita queria que alguma emissora de rádio ou de TV exibisse sua pesquisa.
Depois de levar o oitavo não, ela quebrou o violão, fez uma fogueira e jogou nas chamas todo o material recolhido pelo Brasil. Um jogo perdido dentre vitórias inquestionáveis, como os seus mais de 80 discos lançados, quase dez filmes e a conquista de uma autonomia artística em um programa de televisão na Cultura(Viola, Minha Viola), com 35 anos de duração, mostrando apenas a legítima música do Brasil.
Pensando bem, aquela fogueira não queimou nada. Tudo o que Inezita Barroso viu pelo País afora ficou bem guardado, fortalecendo a maior defensora das tradições culturais que o Brasil já teve.
Descanse em paz Inezita, e obrigado por tudo!

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Wilson Santiago – Brasileiro, natural de Potunduva SP, união estável, engenheiro de produção, pesquisador, corintiano, espiritualista, musico, poeta, produtor musical e do signo de áries.