Fui com o R namorado no shopping, na casa da C e depois na sorveteria, onde soubemos que é proibido dar um beijo na boca, onde o garçom veio até nós e se nos proíbe dizendo que não pode “gestos amorosos” no local.

Eu odeio essa conduta moralista que na verdade é só cínica.

Um beijo, o que tem demais?

19 de dezembro – Gisa Luiza – 19 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

Próximo beijo será pra “ele”. Ele que um dia neguei muitos beijos. Ele que mesmo depois de anos de casados gostava de longos beijos.

Dizia que “o beijo aquece o amor que esta esfriando”. Por cinco anos ficamos ausentes um do outro, partiu e acreditando ser o fim buscou uma outra boca.

Fiquei sozinha gostando da pausa, da frieza, correndo na labuta, numa luta por viver… cinco anos … De vez em quando sonhos com beijos, beijos roubados, beijos consentidos… mas sonhados, não vivenciados. Vem a saudade, da boca de hálito puro, mesmo na manhã ainda no leito.

Vem a lembrança dos beijinhos terminados em mordidinhas nos lábios que pareciam esticar como chicletes numa provocação para outros beijos. A saudade daqueles beijos, foi chegando, se instalando, se firmando e agora?

Bora correr atrás daquela boca que depois de uma boa conversa diz também sentir saudades da minha. Confessa que enquanto outra boca beijava era a minha que ansiava… Bora buscar sua boca em minha boca e nunca mais desgrudar!

O próximo beijo, será pra ele, pois nunca foi de mais ninguém!

Maria Teresa Cruz de Moraes – Bela Urbana, negra, 52 anos, divorciada, mãe de duas filhas, uma de 25 e outra de 17, totalmente apaixonada por elas, seu maior orgulho. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e coordenação pedagógica. Ama estudar. Está sempre envolvida em algum grupo de estudo que discuta sobre práticas escolares e tudo que acontece no chão da escola. Ah, é ariana.

 

Nestes últimos dias tive um papo com um cara que me fez refletir bastante sobre um assunto tabu. Na conversa ele me disse que apesar de ser muito bonita e atraente dificilmente eu engataria um namoro pois tenho filho e essa questão diminui bastante as minhas chances.
Ok! Até certo ponto concordo pois o que mais se vê por aí é cara com medo de relacionamento serio, imagine então assumir uma família que ele não formou. Mas a partir deste pré-conceito resolvi enumerar alguns tópicos esclarecendo porque deve ser muito mega-master-bom me namorar sendo eu uma mulher com filho.
Então vamos la!

1. Sou muito mais madura e tenho menos mimimi.
Já vivi um relacionamento, enfrentei a separação e agora cuido do meu filho sozinha. O foco e a importância maior da minha vida está nele, não em você. Tenho pouco tempo para picuinhas ou infantilidades como algumas mulheres que saíram da adolescência e sufocam seus namorados. Namorar comigo é mais tempo para fazer as suas coisas sem alguém no pé para cobrar tua atenção a cada minuto.

2. Sou mais franca e com menos joguinhos.
Já vivi um relacionamento e já passei pela experiência de maternidade o que me tornou mais franca na parte sexual. Aqueles joguinhos do tipo “O que ele vai pensar de mim se eu tomar a iniciativa?”, ficou muito mais escasso pra mim. Somos adultos, se quisermos fazer algo prazeroso juntos, por que passar vontade?

3. Mais independente.
Resolvi cuidar do meu filho sozinha, preciso arcar com custos e responsabilidades para isso. Não preciso me escorar em você e você não precisa se responsabilizar pela minha vida financeira. Se estivermos juntos, é porque nos gostamos. E ponto.

4.Muito mais resolvida com meu corpo.
Depois que meu filho veio ao mundo, fiquei bem mais resolvida com meu corpo. Aquelas neuras com estrias, celulites ou quilinhos a mais são mais amenas para mim que já convivi com um turbilhão de mudanças muito mais drásticas. Aceito melhor meu corpo sou muito menos encanada e mais suscetível a me dar e proporcionar prazer.

5. Sem pressa pra decisões serias.
Ao contrário de algumas mulheres que são loucas pra casar, eu já passei por isso e sei bem o ônus e bônus deste passo. Eu posso até querer casar de novo, mas serei muito mais cautelosa para tomar esta decisão já que tenho uma vivência maior tanto em relacionamento quanto na maternidade. A coisa vai fluir naturalmente se tiver que ser. A pressão será muito menor e a tendência é que os passos aconteçam no momento certo, sem precipitação.

6. Sou uma mulher de atitude!
Ser mãe solteira não é fácil. Cuido sozinha do meu filho todos os dias, trabalho, cuido da casa, tenho responsabilidades com ele e ainda reservo um espaço para me arriscar na vida emocional… Namorar comigo é encontrar uma mulher forte e decidida! Ao contrario daquelas menininhas na balada.

7. A gente vai se curtir muito! (E é isso que importa!)
Meu filho não precisa de um pai, ele já tem um! Não precisamos de ninguém nos completando ou preenchendo o lugar de alguém. Tudo aqui já esta muito completo e resolvido. Então só o sentimento, respeito e atitude bastam.
De resto é só correr pro abraço!

Agora o recado vai para o cara que me fez refletir por horas sobre essa questão e me disse que dificilmente namoraria já tendo um filho.
Deixa o preconceito de lado! A vida não é uma equação matemática com resposta única. Você, provavelmente, já foi a tampa de outra panela e a tua ex a metade da laranja de outro cara. Por que me penitenciar por ter vivido algo que não deu certo? Por que me julgar por ter tentado? O importante não é se eu tenho um filho, se tenho outro status social, ou melhor ou pior resolvida financeiramente do que o cara que estou, o importante é que eu estou pronta para fazer alguém feliz e deixar alguém me fazer feliz! Se isso acontecer, todo o resto é balela.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

Na faculdade, na saída, L fez cara de coitada e disse que queria conversar comigo, mas quem falou tudo fui eu. Ela ficou com cara de tonta olhando para mim. O problema pra ela é o social, como é que ia ficar? Pode? Ficou fazendo gênero de sofrimento, detesto pessoa assim, sinceramente essa menina não merece a mínima, não merece de jeito nenhum minha amizade. To com raiva de toda essa falsidade. Passa, porque eu não sou de ficar com raiva de ninguém por muito tempo. “Chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia”.

….

Fomos para a festa. Lá, muitas pessoas da classe e de fora, ignorei os ignorados, alguns paqueras, inclusive o M que conheci ontem, ele pegou meu telefone. Alguns correios-elegantes, gostei! Expliquei, ou melhor, respondi o correio para o Z, falando que eu gosto dele, mas que ele é só meu amigo. Fomos para outra festa, muita gente conhecida, festa na rua e dentro… vinho, não deu para resistir, bom, já foi o dia que eu tinha direito de beber, tava engraçado eu e  o F bebendo vinho de graça, numa festa esquisita, demos muitas risadas. Fiquei altamente tonta, levei  a G e fui pra casa, bateu bode, chorei. Cheguei em casa, guardei o carro, me tranquei no banheiro e chorei, me veio algumas pessoas na cabeça, fui dormir, chorei, altamente neném.

Ah, na primeira festa o A me deu um abraço e disse que tá com saudades de mim, deu saudades de mim também, de verdade.

8 de julho – Gisa Luiza – 20 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

 

Estamos velhos, amigo.
Aquele nosso amor antigo
Dorme o sono bom do passado,
Perdeu a memória
E não se lembra mais de nós.
Aquele amor dos tempos idos
Não mais nos reconhece
E nem nós o reconhecemos mais.
Ainda assim lhe convido:
Caminha um pouco comigo, amigo.
Vamos dar as mãos e rir um pouco,
Desempoeirar algumas boas lembranças
E levar a saudade mansa
Pra tomar um pouquinho de sol…

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

Este texto, assim como vários outros, não é para te dar uma conclusão fechada. É simplesmente para expor um assunto tão em voga e que nesta semana fez parte da discussão com os amigos nesta semana. Somos todos bem instruídos (pelo menos é isso que se espera de uma faculdade), leitores ávidos, cheios de opinião… por natureza e por profissão (jornalista costuma querer saber de tudo, entender tudo e “pitacar” sobre tudo). Vamos lá: a palavra da vez é ASSÉDIO SEXUAL!!!

Nada muito inédito, mas sempre comentado, principalmente quando é escancarado pela mídia pelo assediador (a) e vítima serem “famosos”. Mas quantos não famosos sofrem isso diariamente em casa, na rua, no trabalho até mesmo em seus relacionamentos. A gente tem a falsa impressão de que o assédio ocorre apenas em casos de maior hierarquia e que o assediador é sempre um homem. ERRADO. Tudo bem que acredito que nós mulheres somos muito mais assediadas do que os homens, mas mulheres têm assediado cada vez mais (conheço pelo menos três casos e um deles foi cometido por uma subalterna).

Mas voltando à discussão com os amigos: como definir e caracterizar o que é ou não assédio. Eu sou muito brincalhona, cumprimento todos com beijos e abraços. Um beijo e um abraço podem ser assédio? A resposta veio com exatidão de um dos meninos: Depende de quem recebe. Se gostar, não é. Se não gostar, é. Mas como assim? Outra resposta básica: se o cara ou a mulher te cantam e você tem pré-disposição, você jamais veria isso como assédio, e sim como flerte. Agora, se você não tem interesse por qualquer motivo, você vê como assédio e denuncia (se tiver coragem).

Tenho certeza de que a linha de divisão entre um flerte, uma brincadeira e assédio é muito tênue e fácil de ultrapassar. E ainda estamos aqui, pensando, sem ter uma opinião clara de um código de condutas que defina o que é ou não assédio sexual. É claro que excluímos dessas dúvidas ações explícitas como toques inapropriados, em partes íntimas por exemplo, ou abuso de poder mesmo, com palavras, na lei do toma lá, dá cá. A dúvida é mesmo nas ações mais sutis: olhares, abraços mais demorados, carinhos no cabelo, brincadeiras…

Segundo o Aurélio, assédio é “pôr assédio, cerco a; perseguir com insistência, e/ou importunar com tentativas de contato ou relacionamento sexual”. Ok, nós aqui estamos no caminho certo… Mas por que é tão difícil discriminar as ações quando elas não são explícitas? Seria tudo uma questão de percepção?

Essa discussão é sem fim. A única certeza que tenho é que, mais uma vez, como quase todos os problemas do país, a solução está no respeito ao próximo e na educação social. Muitos de nós, enquanto sociedade, temos que parar cultuar assediadores. Não são raros os casos de famosos ou pseudos famosos nacionais e internacionais que são acusados de agredir suas companheiras e que continuam a ser admirados pelo público.

Sonhadora que sou, espero que não tenhamos mais que nos deparar com outras Su Tonanis e Zé Mayers num futuro bem próximo. Mas essa é a parte do sonho e dos meus eternos óculos cor de rosa.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Se você pedir para uma plateia fechar os olhos e apontar pra si mesmo, ao menos 80% das pessoas irão apontar para o peito na direção do coração, embora seja no cérebro que está o centro de suas convicções, todo seu pensamento e decisões. Por que isso?

Porque no fundo temos o mesmo conceito dos gregos, somos o que SENTIMOS. No fundo o que realmente  importa são as emoções, mais especificamente o AMOR.

Tomei conta disso lendo um livro de um médico, “Emoções Mortais” Dr Don Colbert.

Mas e no nosso dia a dia?

Se um coração físico estiver com veias e artérias entupidas o que vai acontecer? Infarto. Morte.

Será que somos a geração que entupiu as artérias das emoções e desaprendeu a amar?

Amar envolve confiança, de cara já há um problema, vivemos um caos de confiança. Qual laboratório vende remédio realmente confiável? Qual marca vende lavadora que não quebra? Qual site realmente vai entregar o produto comprado? Qual operadora vai entregar o plano contratado de verdade? Imagine então você confiar SEUS SENTIMENTOS em uma relação. Vou ser tratado bem? Rejeitado? Meu amor será retribuído? Acabamos por proteção e instinto de sobrevivência a pisar em cascas de ovos, vamos tateando. O problema é que acabamos nunca vivendo um amor verdadeiro, e quando enfim acontece um amor verdadeiro corremos assustados porque isso envolve baixar nossos escudos. Amor é uma rua de duas mãos, e quando deixamos nossos sentimentos, afetos, carinhos, amor, perdão etc. parados congestionamos a rua do amor e acabamos infartando sufocados de amor retido.

Se você soubesse que fosse morrer hoje procuraria quem você ama? Precisamos aprender logo a amar e perdoar. Não tem perdão sem amor ou amor sem perdão.

Não tem amor sem entrega e sem confiança. Talvez alguém quebre a confiança, te decepcione, mas você só vai saber se tentar. Vivemos a geração do DESAMOR. Quantos relacionamentos onde,  estão investindo de tudo, menos no amor. Quem pode dizer de verdade que recebeu um abraço eterno onde olhos se cruzaram e nesse olhar almas se tocaram e não desejavam mais sair daquele abraço? Entregamos nossos corpos, mas, não entregamos nossa alma. Você já enxergou a alma de alguém? Almas são lindas porque elas não conseguem dissimular nada. Por isso as pessoas não se olham mais nos olhos….

Imagine que uma pessoa fosse proibida de beber água por uma semana, na verdade fosse apenas liberada para beber refrigerante de cola. Daqui a uma semana como estaria o organismo dessa pessoa? No mínimo, caso não tivesse morrido, estaria com diabetes e outros casos graves. Provavelmente alguns dentes destruídos. Se para nós é inaceitável imaginar uma pessoa passar dias sem água, como podemos aceitar nossa alma viver sem amor?

Hoje vejo pessoas fazendo essa tortura com sua alma, alimentam a alma com um bombardeio de medo (notícias, telejornais…), um bombardeio de desamor, de desesperança, falta de fé, falta de carinho. É tanta orfandade que o que sobra nessa criatura bombardeada pelo medo acaba sendo pior do que o medo que ela tinha. Em outras palavras, pessoas com medo de amar acabam recebendo em si mesmas,  algo muito pior do que o medo delas: recebem desamor, indiferença e morte espiritual.

Estamos com as emoções na UTI, um mundo de muros, de uma esquerda grotesca que insiste em vulgarizar com suas “artes” tudo que era belo, e uma direita ultra conservadora que insiste em voltar com a castração. Não há mais o equilíbrio. Não há mais AMOR.

Espero que você que teve a paciência de ler até aqui, faça um favor a si mesmo: INTERROMPA A MÍDIA TRADICIONAL E SUA CULTURA IMEDIATAMENTE NA SUA ALMA. Busque alternativas, não aceite mais essa ordem mundial. Já está provado que roubaram nossa felicidade e tiraram a nossa paz, nossa beleza.

Depois, limpe suas artérias da alma, retire medos, orfandades, se perdoe e  perdoe os outros e viva, porque com medo de viver, muitos estão morrendo sem amor, e alguns vivem sem saber que são zumbis. Amem, tentem, já pensaram que de repente PODE DAR CERTO?

Aproveitem o hoje, e respirem, saiam desse turbilhão. Eu resolvi quebrar rotinas impostas, uma delas, estou mexendo dez vezes menos no celular…. e descobri que tenho tempo sobrando no meu dia acreditam?

Bora AMAR?

Renato B Sampaio – Belo Urbano, publicitário, cristão e um questionador da vida, sempre em busca da verdade. Signo de áries, fã de Jazz, Blues e Música gospel.

 

Abraço envolve

Amasso bagunça

Abraço é sempre bom

Amasso depende

 

Abraço ganho

Amasso atordoa

Abraço dou

Amasso e passo (a roupa)

 

Abraço meu amor

Amasso com amor

Abraço com braços

Amasso com o corpo todo

 

Abraço é apertado

Amasso é aguardado

Abraço sempre acolhe

Amasso desarruma

 

Abraço conforta

Amasso confunde

Abraço responde

Amasso estremesse

Abraço ou amasso?

 

Abraço e amasso VOCÊ.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos www.3bis.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

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Eu vinha pela vida tristemente
Sem ter sonhos ou aspirações
De repente, senti dois olhos lindos
Me fitarem de maneira diferente.

Por alguns segundos me fitaram
Me desarmando então completamente
E vi que meus anos de espera
Haviam se acabado finalmente.

E como quem espera tanto tempo
A chegada é sempre tão bonita
Recebi-a naturalmente, sem espanto
Pois isto era coisa decidida.

Agora quando estou em seus braços
Me sinto até recompensado
A cada gesto afirmam-se estes laços
Te amo e sei que sou amado.

E sorrindo, às vezes fecho os olhos
Agradecendo a Deus sua chegada
Então beijo suas mãos e peço
Venha, vamos seguir juntos esta estrada

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Wilson Santiago – Belo Urbano, Brasileiro, natural de Potunduva SP, união estável, engenheiro de produção, pesquisador, corintiano, espiritualista, musico, poeta, produtor musical e do signo de áries.

 

24-12-08-2-olho-dri

Dia de chuva em São Paulo é um verdadeiro caos. A cidade parece que vira do avesso e o trânsito simplesmente pára, não anda para um lado nem para o outro.

Com esse breve raciocínio Antonio resolveu optar pelo metrô no lugar de usar o seu carro naquela sexta-feira, o quinto dia consecutivo de uma chuva intermitente a encharcar os ânimos dos paulistanos. Toda sexta, das nove ao meio dia, dirigia um grupo de teatro amador na zona leste. Para evitar o trânsito surreal daquele dia chuvoso, empreendeu uma epopéia por debaixo da terra. Saiu cedo, por volta das 7h30 da casa de uma ex-namorada que visitava com freqüência. Uma atriz com tendências suicidas no palco e na vida. Começou a viagem pela estação Parada Inglesa, na zona norte. Desceu na Sé e pegou a linha vermelha no sentido Corinthians-Itaquera. De guarda-chuva na mão, saltou na estação Patriarca, andou uns 15 minutos a pé e chegou quase todo molhado. A cabeça e os ombros respingados aqui e ali pelos furos irregulares e assimétricos no tecido puído e amarelado do seu guarda-chuva. E dos joelhos pra baixo era uma molhadura só, incluindo sapatos e meias – Ele sempre usava dois pares de meia em dias de chuva. Não era superstição, era medo de ficar resfriado – Tudo correu bem como de costume, a não ser pelo certo nervosismo que tomava conta dos seus 13 filhos adolescentes, como ele assim os chamava. No dia seguinte, sábado, seria a estréia daquele grupo na sede da associação de moradores do bairro. Ele tinha um carinho especial por aquela turma de jovens cheios de vida e vontade de vencer as dificuldades de viver na periferia. Dificuldades que todos aqueles que, assim como ele, que viveram ou vivem à margem da zona central da cidade, sabem muito bem o seu tamanho. Era o primeiro diretor e o responsável direto pelos primeiros passos na formação desses promissores futuros artistas. Alguns, tinha certeza, seriam grandes atores e atrizes, outros tinha lá suas dúvidas, mas todos eram como se fossem seus filhos de verdade. Tudo estava pronto e o último ensaio foi ótimo, fato esse muito diferente do que se está acostumado a ver no teatro profissional. O ensaio antes da estréia é sempre uma catástrofe. Acertou os últimos detalhes com os atores, afinou a luz, deu retoques no figurino e repassou o som. Ao término do ensaio, que se estendeu um pouco além das três horas habituais, foi abordado pelo presidente da associação de moradores, que havia chegado pouco antes do fim dos ensaios.

– Professor, estamos todos muito felizes com o seu trabalho por aqui. Nunca poderemos pagar pelo que o senhor fez pelos nossos jovens. Seremos eternamente gratos por isso.

– Deixa de bobagem homem.

– O senhor está com pressa?

– Não. Por quê.

– É que preparamos uma pequena surpresa pro senhor, e como amanhã vai ser uma confusão por aqui, queremos fazer isso hoje. Vamos até a sede?

– Claro que sim.

Lá se foram os dois. Antonio tentando preservar o que ainda não tinha sido molhado pela chuva. Sebastião, o presidente da associação, foi andando pela chuva mesmo. Estava de camiseta, bermuda e chinelo de dedos. Não era costume dele, andar vestido assim, em pleno dia de semana, mas estava de folga do restaurante. Era um homem alto e um pouco gordo, cuja barriga se pronunciava para além da camiseta, pelo menos dois números menores.

– Não tá com frio não Sebastião? Eu tô gelado.

– Nada Antonio. Tenho gordura de sobra aqui e ela me protege. Disse isso batendo na pança enquanto desviava de uma poça enlameada.

Na sede da associação foi recebido por mães, tias, avós e primas, fãs incondicionais daqueles atores estreantes. Pra surpresa de Antonio, ele era esperado com uma suculenta feijoada. Não era quarta nem sábado, dias sagrados dessa iguaria tipicamente nacional, mas a feijoada estava lá, completa, com tudo que ele tinha direito. Antes mesmo de dizer qualquer coisa em agradecimento, sentiu sua boca se encher lentamente de água. Era a reação física e mais sincera que alguém poderia ter diante do seu prato preferido e que exalava um aroma inigualável. Abriu um largo sorriso.

– É o meu prato preferido.

– E nós não sabemos, seu Antonio. Foi a Juju quem contou, disse dona Chica.

Juju era uma das atrizes que ele apostava todas as fichas. Uma menina talentosa e que quando sorria, lembrava uma grande amiga sua, também atriz, que sempre sorria com os olhos. Ela, a amiga, que ele não via há anos, tinha deixado o Brasil em busca de aperfeiçoamento em suas pesquisas no trabalho do ator. Essa era a última notícia que teve dela uns cinco anos antes daquela data.

– Ela disse que o senhor comentou isso num dos ensaios.

– É verdade. Disse isso enquanto tentava se lembrar de quando foi que tinha falado que adorava feijoada. Antes mesmos de puxar a cadeira e sentar-se ao lado de Sebastião, a imagem do tal dia brotou cristalina da sua memória. Ele havia proposto aos seus atores que representassem em dez movimentos, por meio de uma ação, o ato de comer o prato preferido de cada um. Lógico que no final do ensaio todos queriam saber qual era o seu prato preferido.

– E o seu professor, qual o seu prato preferido?

– Feijoada, Juju. Feijoada.

Comeu e comungou com aquelas pessoas da comida e de conversas o aproximaram ainda mais daquela gente. Em muitos momentos, a sua história de vida se confundia com um pouco da vida de cada um ali. Neide, que era a cara de uma prima sua e que ajudara Dona Chica na preparação do prato, não deixava nada passar em branco.

– Professor, acho que se o senhor andar sem o seu guarda-chuva vai ficar menos molhado. Parece uma peneira.

O riso foi geral na mesa. Deixa comigo que dou uns pontos e resolve o problema, disse isso Dona Matilde, levantando da mesa indo buscar a sobremesa. Sim, o cardápio era completo. Tinha até sobremesa. Uma torta de chocolate como poucas que tinha comido até então. Depois do café, olhando bem nos olhos daquelas pessoas simples e cheias de amor no coração, sentiu seus olhos encherem de lágrimas. E antes que todos caíssem no choro, Neide emendou:

– Não vem que não tem professor. Já tem água demais por aqui. Engole esse choro.

Abraçou um por um com um abraço longo e silencioso. Antes de ir embora, abriu um sorriso e disse:

– Tô pensando em começar a ensaiar com eles todos os dias. O riso estrondoso de todos mais uma vez competiu com o barulho insistente da chuva lá fora. Despediu-se e tomou o rumo da estação do metrô. A chuva, que teimava em não dar tréguas, completou o seu serviço. Antonio, pelas suas contas, estava aproximadamente noventa e três por cento molhado. Alguns pedaços da camisa, da calça e a sua cueca ainda estavam secos. Apesar da situação aparentemente diversa daquela sexta-feira, tudo tinha saído bem. A chuva, a roupa molhada, o sapato empapado de água e barro e o seu pé congelado apesar dos dois pares de meia, tinham pouca ou quase nenhuma importância. Estava feliz, e isso era o que importava. Com as mãos molhadas e os dedos duros de frio, segurou com cuidado o bilhete, que mesmo dentro do bolso da camisa, foi incapaz de resistir à chuva. Estava umedecido em uma de suas pontas, bem próximo à fita magnética. O bilhete passou pela catraca e saiu quase ileso do outro lado, apenas um pouco borrado, com sua tinta azul e preta misturada uma na outra. Antonio olhou para ele e pensou que a água havia provocado um efeito de aquarela no bilhete ao diluir a tinta impressa. Guardou o bilhete. Um dia pensaria naquilo com mais calma. Quem sabe não poderia tentar vender um projeto pro metrô, intitulado talvez de Arte no bilhete. O nome ocorrido ali, naquele momento, lhe parecia bom e o artista já sabia quem seria, o seu amigo Tarifa. Desceu as escadas, era momento de focar em outra coisa: ir pra casa e tomar um banho quente.

Durante todo o caminho da volta pra casa, fez o caminho inverso em sua cabeça. De trás pra frente, repassou sua vida até aquele momento. Apesar das dificuldades do dia-a-dia, a arte e o teatro sempre lhe proporcionaram momentos únicos, como o trabalho com aqueles jovens da periferia e feijoadas como a de Dona Chica. É não tinha o que reclamar, talvez não lhe faltasse nada, a não ser aquele grande amor que um dia fugiu pelo vão dos seus dedos. Não estava pensando numa mulher, estava pensando em todas aquelas que, em maior ou menor grau, poderiam ter sido companheiras para a vida toda. Mas assim como um heterônimo de Fernando Pessoa, não sabia se sentia demais ou de menos. Na dúvida, na eterna incerteza não agiu. Deixou a vida passar. Distraído em seus pensamentos, quase não desceu na Sé. Só conseguiu, porque naquela hora o trem anda vazio sempre. Era como se o metrô, no início da tarde, vivesse um verdadeiro buraco negro de passageiros. Frequentado apenas por mães com seus filhos, donas de casa, aposentados, vendedores ambulantes e trabalhadores, que como ele, têm horários flexíveis. Resumindo. Entre duas e quatro da tarde, o metrô era frequentado por todo tipo de gente, excluindo, é claro, a população economicamente ativa com emprego formal. Pelo menos a grosso modo, concluía Antonio calado, enquanto esperava o outro trem com destino ao Paraíso. Dentro do trem, resolveu que desceria na Ana Rosa. Era sempre mais tranqüilo pegar o trem na Ana Rosa. Não havia aquela afobação costumeira da estação Paraíso, mesmo naquele horário. O vagão não estava cheio. Conseguiu um lugar pra sentar. Na Brigadeiro, o carro ficou quase vazio. Bem a sua frente, sentada no lado oposto do vagão, estava uma mulher jovem. Não dava pra ver o seu rosto – O seu cabelo preto e longo cobria o seu rosto, enfiado num jornal – mas certamente ela tinha menos de 30 anos, a julgar pelo que o seu corpo revelava. O caderno era o de classificados e ela carregava uma caneta vermelha na mão direita. Olhou-a de cima a baixo. Vestia-se como uma bailarina. Sim, ela deve ser bailarina. Contudo, seu jeito de cruzar as pernas revelava outra coisa. Antonio tinha uma teoria: só as atrizes são capazes de cruzar as pernas de um jeito enlouquecedor. Ela era uma atriz. Nenhuma outra mulher é capaz de cruzar as pernas daquele jeito, só uma atriz. Ficou olhando por mais um tempo. Viajou em seus pensamentos naquela tarde fria. Será ela a mulher da minha vida, aquele amor que ainda não vivi? Mas como. Nem a conhecia, sequer viu o seu rosto. Como ela poderia ser o seu grande amor? Tentou desviar o olhar e o pensamento. Impossível. Tudo o que queria naquele momento era arrumar um jeito de chegar até ela, descobrir o seu rosto e conhecer aquela mulher. Ao chegar à estação Sumaré, a luz do dia, apesar de nublado, iluminou o vagão. Ela, num instante mágico, levantou a cabeça para saber de onde vinha aquela luz. Ele, petrificado pela surpresa, só pode dizer: Elisa. Ela olhou na direção dele imediatamente.

– Não acredito! Antonio é você?

– Nem eu.

Com o coração quase saindo pela boca, não dissemos mais nada. Nos enlaçamos num longo abraço. O trem saiu e quase caímos. Sem se desgrudar sentou ao lado dela.

– O que você ta fazendo aqui? Você não estava….

– …..não tô mais. Cheguei faz um mês.

– Vai ficar?

Mostrou-me o jornal.

– Sim. Em São Paulo. Resolvi aceitar o conselho de um velho amigo que dizia que meu lugar era aqui, onde as coisas acontecem.

– Seja muito bem-vinda.

– Curti minha família esse mês que passou. Cheguei ontem e estou na casa de uma amiga lá na Praça da Árvore.

– Você tá indo pra onde agora?

– Ver apartamentos pra alugar. Disseram-me que a Vila Madalena é um lugar legal.

– Muito. Eu moro lá.

Riram como duas crianças. O trem chegou à estação final. Como dois adolescentes, subiram as escadas atropelando os degraus, quase correndo e de mãos dadas.

– Lembra daquela cena que tivemos que sair correndo feito dois loucos?

– Lembro sim, mas ando meio fora de forma.

Esbaforidos, estancaram na porta da estação. A chuva continuava forte lá fora. Se esconderam na marquise ao lado da porta. O espaço diminuto os obrigou a ficar bem próximos. Frente a frente, podiam sentir a respiração do outro e o hálito quente apaixonado que escapava dos lábios de ambos. Olharam-se em silêncio por quase um minuto. Eles sempre tinham o hábito de ficar olhando diretamente um no olho do outro. Isso desde quando se conheceram, anos atrás. Ela tremia. Um pouco de frio e um pouco talvez pelo nervoso sutil do encontro inesperado. Aquele não era um encontro qualquer. Era possível ser um desfecho ou o início de uma nova história. Seus olhos diziam isso e brilhavam como nunca.

– O que você vai fazer agora?

– Procurar apartamento com você.

Ela sorriu quase à toa e apertou a mão de Antonio.

– Você continua sorrindo com os olhos, disse Antonio.

– É você que sorri com os olhos. Olha aí.

Estavam tão próximos que um beijo seria inevitável. Sabiam que tinha chegado o momento. Sem dizer palavras concordaram em esperar. Queriam curtir um pouco mais o desejo incontrolável do real primeiro beijo. Antonio abriu o seu guarda-chuva, passou a mão pela cintura de Elisa e abraçados começaram a descer a rua desviando de algumas poças de água.

– Hoje tem a estréia de um amigo. Você quer ir comigo?

– Claro que eu quero.

– Onde é a rua do apartamento?

– Aspicuelta. É isso né?

– É sim. E eu moro na Girassol, que corta essa rua.

– Quem sabe não seremos vizinhos.

– Depois do teatro podemos jantar. O que você acha?

– Pode ser comida italiana? Tô com saudades de comer uma massa, beber um vinho.

– Ah! Amanhã tem a estréia de um grupo de adolescentes que eu dirijo lá na Zona Leste. Se você puder…..

– Puxa…. eu quero ir sim. Ai meus deus…já tô me convidando.

– Acho que tá na hora de eu trocar de guarda-chuva. Tô pensando em comprar um maior.

– Eu vou achar ótimo. Disse isso e aninhou sua cabeça no ombro de Antonio.

Viraram à direita. Estavam tão abraçados que pareciam ser um só.

12084821_872243929489874_2008663406_o (2) Gil Guzzo 2

Gil Guzzo – Belo Urbano, é autor, ator, diretor e fotógrafo. Em teatro, participou de diversos festivais, entre eles, o Theater der Welt na Alemanha. Como diretor, foi premiado com o espetáculo Viandeiros, no 7º Fetacam. Vencedor do prêmio para produção de curta metragem do edital da Cinemateca Catarinense, por dois anos consecutivos (2011 e 2012), com os filmes Água Mornas e Taí…ó. Uma aventura na Lagoa, respectivamente. Em 15 anos como profissional, atuou em 16 peças, 3 longas-metragens, 6 novelas e mais de 70 filmes publicitários. Em 2014 finalizou seu quinto texto teatral e o primeiro livro de contos. É fundador e diretor artístico do Teatro do Desequilíbrio – Núcleo de Pesquisa e Produção Teatral Contemporânea. E o melhor de tudo: é o pai da Bia e do Antônio.