Sonho sonhado, vivido, compartilhado.

Sonhei então que entrava num prédio, subia as escadas, entrava num elevador daqueles antigos, todo de madeira escura, lindo.

Saia dele e entrava na redação de um jornal, mesas também de madeira escura, muitos papéis em cima, textos escritos nas máquinas de escrever antigas, pesadas e lindas, desenhos e mais desenhos pendurados, caricaturas, artes, charges, imagens do cotidiano saídas das cabeças incríveis de cartunistas famosos Glauco, Caruso, Quino, sim Quino.

Era uma mistura de Folha de São Paulo, Estadão e Correio Popular, aquele mesmo, famoso e antigo jornal da minha cidade natal, Campinas.

Jornal este muito conhecido e respeitado na região onde hoje, acabado, arrasado, desrespeitado, humilhado por muitos que vejo dizendo: “está quebrado coitado, esse já era, acabaram os jornais, hoje é só internet e olhe lá”!

E me vem aquele cheiro de papel, de tinta de impressão, de sorrisos, risadas na redação, brincadeiras mil, de gente de peso, artistas, jornalistas, repórteres, escritores, a mulher do café, a faxineira que lá trabalhava alegre, feliz ao meio de toda aquela gente maravilhosa e linda, e me vem as lágrimas agora me escorrendo pelo rosto enquanto escrevo, me vem a tristeza da alma.
Um jornal, uma época inesquecível, onde todos os dias se reuniam amigos sinceros, jornalistas, fotógrafos, publicitários que também andavam por lá, os tais vendedores de espaço, contatos, um corre corre danado, louco atrás de matérias e notícias quentes do dia…
Tudo isso se foi, acabou!
O tempo passou, levou e deixou em nossa memória.
Me vejo chegando nesse sonho de novo no jornal, na redação, cumprimento feliz um amigo cartunista, olho para o lado e pendurada num móvel junto de tantos outros desenhos lá estava eu, desenhado em minha visita anterior, minha caricatura, estampada num trabalho que ficará para sempre, enquanto o papel existir, enquanto o jornal não acabar, enquanto a janela não quebrar e o vento entrar e levar tudo para os ares, para o passado que vejo hoje distante, quase esquecido…
O tempo que leva tudo, que acaba com tudo, mas que não apaga da nossa triste e feliz memória.
Saudades restaram, apenas elas…

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

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Os últimos acontecimentos na política nacional e na minha própria vida me levara a uma reflexão, que não me gerou conclusões (não aquelas as quais ansiamos), mas me suscitou dúvidas pertinentes.  Despertou máximas que estavam arraigadas em mim e que por um motivo qualquer (ou medo ou comodismo) eu sequer costumada a pronunciá-las, seja em voz alta ou mentalmente.

Eu me nego a acreditar que num país com tantos corruptos (em todas as esferas da sociedade e não só na política), a corrupção seja a única saída ou escolha;

Eu me nego a acreditar que as desilusões com as pessoas, em todos os níveis de relacionamento, são argumentos para se desistir de tentar e confiar;

Eu me nego a acordar todos os dias para viver uma rotina besta de trabalho ou vida só para me financiar, como muitos querem me fazer crer que é preciso;

Eu me nego a ler as notícias no jornal, os estereótipos na mídia e achar que o mundo é tão só e simplesmente isso;

Eu me nego a viver pensando que em quanto mulher só tenho dois caminhos me ensinados na infância: ou ser a princesa de contos de fadas, esperando o príncipe e o “felizes para sempre”, ou ser a profissional bem sucedida e emocionalmente frustrada;

Eu me nego a colocar o sapato de cristal, esquecer o sapo, servir ao outro, a não cantar em voz alta a música que estiver na minha cabeça (seja eu desafinada ou não), a não dormir o quanto o meu corpo pede, a não chorar por vergonha, a ter que ser forte porque assim alguém espera que eu seja.

Ando me negando tanta coisa, que já nem tenho mais certeza real do que ando me permitindo. Mas, saber o que não quero já é um bom começo para se chegar ao que anseio, mesmo que isso esteja meio nebuloso no momento, assim como a política e a vida…  Por enquanto, a certeza máxima é seguir tendo fé no ser humano (no outro e em mim) por mais que o mundo, as pessoas e as situações nos desencoragem!

12507504_864760573644811_8622203985550743298_n Marina Prado

Marina Prado – Bela Urbana, recém chegada ao time. Jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!