Engoliu o choro junto com o arroz

acompanhado do feijão

a seco.

Precisava engolir a raiva antes de acabar a refeição

e voltar para a reunião.

A raiva não descia.

Tomou suco de laranja,

goles largos.

Ufa! A raiva foi junto,

engoliu.

A sensação de injustiça também precisava ir embora,

comeu pudim seu doce favorito.

Engoliu o doce em três grandes colheradas,

mas ficou amargo com a injustiça junto.

Engoliu tudo.

Fim do horário de almoço.

De volta para a reunião.

Estômago doendo, reclamou.

Alguém disse:

Preste mais atenção ao que coloca para dentro

Não engula porcaria

Procure um nutricionista

A raiva voltou junto com o refluxo.

Está engasgada na garganta.

Difícil engolir tudo aquilo.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo_photography

Solidão
Solitude
Sozinho
Sonho ser
Um ser imaginável
Sonho ter alguém
Sonho ser alguém
Só eu sei

Só, tem vez que
O dia vira noite
O doce azimute
Aprazível
Amigável
Só, tem vez
Que tento
Ser amável

E sou?
Não sei…
Tentei.
Tentei.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Colocou a mesa…e tinha extrato de framboesa, estrelas

 e um bocado de pão.

Nos cabelos, uma flor intensa. Os ombros quase nus e a delicadeza.

Mordeu os lábios, deitou os seios no aroma doce. Colocou os pratos.

Descalça e ligeiramente amanteigada. Desalinhos fáceis.

Cílios de amoras, horas descongeladas. Vinho tinto nos dedos.

Deixou os medos, cada um deles, em travessas lidas. Táteis.

Como comer dos sonhos escassos, silenciou as mentiras.

Escorrendo mel e quase vaselina entre os temperos…acodiu a vida.

Ficou ouvindo a sua música preferida e dançou nos lençóis e

e nas toalhas. No chão.

Linda e sorte, dos arranhões e dos cortes, bebeu as uvas.

Colocou a dor de lado, pequena esperteza. Na mesa…

Se amou tanto, que virou -se amante. Amada chuva.

Siomara Carlson – Bela urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si

Não sei se tinha algo na densidade do líquido

Grandeza essa que associa massa e volume

Ou se era o tamanho da língua

O que sei é que a química, a física e toda a biologia daquele corpo

Estranho em mim

Levava-me ao delírio

Fernando Farah – Belo Urbano, graduado em Direito e Antropologia. Advogado apaixonado por todas as artes!

Mar… Fim

Um mar (sem) fim

Marfim sem anatomia

Sem razão de estar assim

Um mar (sem) fim

Marfim em anestesia

Vanguarda de um artista

Em sintonia afim

Um mar (sem) fim

Desejoso de estar marfim

Um mar afim de buscar você

Em pele suada

Para mim

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Finalmente me sinto inteiramente eu
Unhas vermelhas
Mostram minha força e determinação
Que eu sou mulher
Que eu não tenho medo
Cabelos roxos
Eu me destaco na multidão
Sim
Eu sou única e especial
Aquele anel
Mesmo sendo forte e independente
Eu sou capaz de dar e receber amor
Muito amor
De ser amada incondicionalmente
De não ter medo que todo mundo saiba
Eu sou uma menina apaixonada
Por aquele menino
Pelas pessoas
Pelo amor
Pela vida
E ainda o aparelho nos dentes
Apesar de tudo
Com minhas falhas e defeitos
Que me fazem ser eu.

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU.

Ainda sobre espaços não ocupados ou gotas

que nem foram diluídas.

Sobre perder quase 18 quilos, vomitar as palavras ou

tampar os espelhos.

Sobre se recompor ou não…sobrepor um vestido neutro,

alisar os cabelos com os dedos, decantar a saúde aos

gestos.

Nenhuma bebida quente. Sim! Ela não bebia e ela não

bebe. Ela come as sobras e os restinhos. Quem se

importa?

A sociedade é como um gatilho, atira pra todos os lados, e

ela corre, engorda o que perdeu, perde o que nunca teve,

solicita nada. Ela nunca pede!

Recria os espaços, acolhe sua cria com a amplitude do

amor supremo e protege.

Solta os dedos, ajeita a louça, tempera os dias. Ela pagou

todas as contas, até aquelas que não eram suas.

Deita no silêncio, na incerteza e na faxina.

Não! Ela não é louca!

Ela é um vulcão, uma calmaria, um reflexo de quem

abusou…e ela tem horas que queria:

“Para de me maltratar, por favor, para!”.

Gritaria se fosse ouvida.

Mas,₢ um pouquinho.

A sorte é que seu dorso é um pedaço de ombro forte e ela

ama, ama a poesia.

Siomara Carlson – Bela urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si

No primeiro dia ele disse como eu era linda e ele me amava;

No segundo dia ele lavou toda a louça comigo, passou nossas roupas e cozinhou pra mim;

No terceiro dia ele elogiou minha roupa;

No quarto dia ele falou que adorava meus amigos;

No quinto dia ele me encorajou a arrumar emprego;

No sexto dia ele perguntou se não era melhor eu tirar o batom;

No sétimo dia ele falou que achava melhor eu não sair com meus amigos porque eu tinha que dar mais atenção pra ele;

No oitavo dia ele reclamou que eu trabalhava muito e disse que talvez fosse hora de parar;

No nono dia ele parou de lavar a roupa e me mandou fazer a janta;

No décimo dia eu já não tinha mais certeza

Se eu era eu

Ou era dele

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU.

Enquanto busca…

Há encontros.

Enquanto encontros…

Haverão enlaços.

Enquanto houver buscas…

Haverão traços.

Enquanto traços…

Haverão marcas.

Enquanto marcas…

Sentiremos a busca.

E enquanto busca saberemos que:

Encontros se fazem abraços.

É só sentir o laço… Sem nós…

Porém…

Não sabendo a busca dentro de nós…

Não haverão abraços entre os laços…

Cuidado com as suas buscas!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.