Existem muitos olhos por aí. Olhos grandes, pequenos, com cílios longos, sem nenhum. Castanhos, verdes, azuis, mel, cor de sei lá do que mais…

Olhos que enxergam cores trocadas. Olhos que perdem o foco de longe, de perto. Olhos vesgos. Olhos que não enxergam e que desenvolvem outros sentidos para ver o mundo.

E você? Como são seus olhos? Para onde olha? O que enxerga?

Você enxerga o que vê?

Tem olhos que conseguem ver o invisível. Conseguem enxergar a sua alma.

Você enxerga além do que é possível tocar?

Caro consulente se treinar bem conseguirá e vou te contar um segredo, é sensacional, mas esteja preparado para o que irá ver, porque nem toda cor é verdadeiramente aquela cor, existem lentes de contato.

Ver o invisível requer mais do que lentes de contato, requer CONTATO.

Hoje meu conselho é simples. Olhe para olhos que te olham. Enxergue-os.

Até a próxima.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos https://www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

 

 

Passa pela mente, em um breve instante, que tudo que se viveu, de repente, possa não ter sido o melhor. Passa pela mente, neste mesmo instante, que daqui pra frente se tiver outra chance, seria assim, também melhor. Fracasso num instante, ganho no seguinte e assim, sigo adiante. Porém uma pausa de segundos. Um momento de fraqueza, da saúde, da alma, do corpo, do todo e se percebe que a vida é por um fio. Que o relógio conspira sempre contra, em sua ditadura temporal. E o arrependimento. De não ter sido melhor, maior, mais forte, dócil ou amigo. Se tiver assim, uma nova chance, tentarei ser melhor… Pois é inigualável a beleza da vida nos seus detalhes sutis. Imperceptíveis. E quantos detalhes já deixei passar por entre os olhos? Muitos. No pouco que me resta, mesmo no auge da juventude, prometo a mim mesmo não perdê-los por nada. Prometo não usar relógios, viver à toa. E não fazer promessas.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico.

Olhinhos grandes. Ela tinha. Os olhos bem grandes mesmo sendo pequenininha. Era arteira. Os olhos grandes brilhavam quando viam brigadeiros, pudim, sorvete, chocolate. A boca salivava, as mãos escondidas escorregavam para perto dos doces. A casa era pequena, mas aos olhos dela era grande, chique e cheirava doce.

A mãe e a vó eram doceiras, tiravam o sustento do dia a dia dos doces. Ela tinha razão, a casa cheirava baunilha misturada com açúcar. Não era só uma sensação, era real.

Se pudesse teria sentido só o doce da vida, mas sabemos que isso é sonho, e não o que vende na padaria.

Sentiu sabores amargos, outros salgados como mar, que brotavam dos olhos grandes com a lágrima que caia. Gostava desse sabor, que a acalmava quando se dirigia para boca e ia virando brincadeira.

Simples como todos os melhores sabores, assim que ela sempre foi e assim como tinha sido sua Vó e sua mãe, talvez a sua filha também seguisse nessa linha, mas o que ela hoje sabia, é que a filha tinha a mesma mão. Mão para doce.

Seus olhos continuam grandes. Grandes para doces, mas a balança implora que se controle, assim como seu médico quando leva os exames de sangue. Ela, continua arteira e sua resposta vem com uma bomba. De chocolate. Não é o esperado, ela sabe, mas com a frase feita que uma amiga sempre dizia “de amarga já basta a vida”, ela não se continha e comia.

Memórias afetivas e coração quente, é assim que ela vai enfrentando os dissabores da vida e assim, seus olhos continuam grandes e brilhantes.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza. Entre uma fruta e um doce, prefere a fruta. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

 

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Me derruba seu olhar,

a beleza fina de seu olhar,

úmidos pela alegria de chorar

ao ver uma atitude bela,

como a cera desce a acesa vela,

reflete a vida singela

e repensa o caminhar.

Que belo é seu olhar!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico.

Ela estendeu o seu tapetinho de yoga cor de rosa no chão se sentou, ouviu o bater do metal. Três sinais… silêncio total. “Feche os olhos, se concentre na respiração”, era o que dizia uma voz suave que conduzia o trabalho naquela tarde. “Deixe a emoção fluir, não pense, não resista às emoções.”

E ela, em uma tentativa quase que desesperada, tentava se aquietar. Cabeça a milhão, pensamentos distintos. 1,2,3 inspira… tenho que fazer o material do trabalho de segunda… 1,2,3 expira… o que será que terá na janta? 1,2,3 faz a posição da cobra… 1,2,3 vai desligando, musiquinha ao fundo… 1,2,3 desligando… 1,2,3 desligou!

Ela escorregou por um túnel colorido e circular… Deu de cara com uma lagarta, que um dia iria morrer naquela forma e se transformar na borboleta mais linda, de preferência amarela… As amarelas sempre as fascinaram. Ouviu ao fundo o “cri cri” do grilo. Enquanto a descida acontecia, ela fechou os olhos novamente, sem medo de cair. Eram ela, a música e o movimento de seu corpo.

Até que aquela voz, mansa e suave, a colocou em cheque. “Vamos falar de amor, amor no seu sentido mais amplo. Se você pudesse voltar ao passado a quem pediria perdão e quem perdoaria? E hoje, seu perdão vai para quem e quem precisa te perdoar? E no futuro? Você terá se perdoado suficiente para reaprender a amar?” Uma, duas, três lágrimas escorreram pelo seu rosto. E o tal “autocontrole” que ela teima em fingir que tem, desapareceu… Movendo o corpo, no ritmo da música e da voz suave. “Hoje falar de amor virou banal. Todo mundo ama todo mundo, mas poucos sabem o que significa amar. Então, quando você estiver naquela euforia gostosa, achando que é amor, se faça quatro perguntas básicas: Eu quero conhecer o outro todo dia? Eu aceito as decisões do outro? Eu protejo o outro para ele não se ferir? Eu quero que ele seja feliz e cresça, independente da minha presença? E se você conseguir responder sim a todas as perguntas, você pode estar amando. Mas a relação com o outro é de amor? Refaça, então, as quatro perguntas, mas dessa vez coloque você no lugar do outro. Ele quer me conhecer diariamente? Ele aceita minhas decisões? Ele me protege para que eu não me machuque? Ele me quer feliz e crescendo, independente da sua presença? E se novamente as respostas forem sim, definitivamente é amor…”

Respira fundo, expira, cresce o pulmão, chora… posição do cachorro… Ela esquece a respiração de novo e se prende àquelas palavras… Teria amado plenamente, seus amigos, familiares, amantes? Será? Teria se disposto a tal libertação e liberdade? Posse, controle, autocontrole, mania de querer ser bruxa e prever o futuro e os sentimentos dos outros.

Mais lágrimas… era Semana Santa… semana da ressureição de Cristo, para quem acredita. Semana de ressureição dela. Esse era o propósito daquele tapete… 1, 2, 3… inspira…. 1, 2, 3 expira… Mais lágrimas… 1,2,3 posição da árvore… 1,2 ,3 meia lua… 1,2,3 deitada novamente de barriga para cima em seu tapete rosa… Ela abriu os olhos ao ouvir novamente as três batidas no metal… Foi voltando aos poucos, enxugou os olhos, sentou de coluna ereta, na posição do sup, fez seu mudra… ganhou um abraço apertado de uma total desconhecida, junto com um lenço de papel.

Naquela noite, ela não dormiu muito e o pouco que conseguiu, teve pesadelos. Acordada de madrugada, ouvindo apenas os grilos e o vento na janela, refletiu: “amei, amei sim… e fui amada. Isso não significa que não doa ver as pessoas que amo, crescerem longe de mim… Amigos, família, amantes…”

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Você quem, talvez se pergunte. Não importa. Não é essa a pergunta. O que importa a pessoa? Não importa quem é você. Nunca importou e não será agora que deveria importar. O que importa não é a pessoa, mas a própria procura em si. A busca. É na busca que se aprende, em que se luta, que se corre e enfrenta o estiver na sua frente. A força estará no fim ou no processo que leva ao fim? Eu não sei e nunca soube. Mas eu continuo procurando mesmo assim. Algumas vezes até mesmo encontro. Esta nos olhos amarelos do velho no ponto de ônibus. No balão da criança de colo, ou no sorriso do bêbado. Eu vejo você lá. Mas quando isso acontece quase nunca me vê e isso me causa dor. Porque se não me viu, é porque ainda não era a hora. Eu deixo e então irá embora. Minha busca então continua, como se não tivesse parado. Minhas lutas e minhas forças estão a todo o momento prestes a se esgotar, mas se sentir que devo parar, eu continuo. Por qual razão continuar? A luta vale a pena ou estou apenas destinado ao fracasso? Eu não sei, talvez eu nunca nem saiba. Mas devo continuar tentando. Porque se eu cair, se eu desistir, se eu perder, de nada me adiantara ter sequer tentado um dia.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

 

shutterstock_158427539 (1) foto 2 Belas TPM

Não sei se são os hormônios, mas o fato é que alguns dias estamos mais sensíveis. Nunca me guiei pelos hormônios, sempre me pareceu uma bobagem essa tal de TPM, acho que sempre estou tão ocupada com tantas outras coisas que nunca pensei  muito nisso, nunca dei importância. Sempre achei tudo uma grande bobagem, algo que algumas mulheres falam para chamar a atenção, fazer graça ou dar desculpa por uma tarefa mal feita ou não feita.

Mas vamos lá, tem dias que sentimos algo indefinido, na verdade não é indefinido, só não consigo colocar em palavras, mas é como se o dia ficasse cinza, não é toda música que quero ouvir, quero nesses momentos, músicas fortes, mas não alegres, e isso de alguma forma torna esse sentimento maior, mais a flor da pele ou a saltar dos olhos.

Não precisa muito para saber se alguém está assim,  é só olhar nos olhos. Os olhos ficam diferentes, carentes, tristes. Passa,  o que é bom, porém, também é preciso às vezes ter esses sentimentos. De onde vem? Por quê? Não sei. Aceito senti-lo, querendo que vá embora, querendo que eu descubra o invisível. Contenho minha ansiedade com cordas imaginárias.

Tem sentimentos que fogem da explicação óbvia, mas são fortes que chegam a doer. Os ossos doem, o corpo pesa além do seu peso, é um estado de espera para o próximo choro, um estado de suspense, um choro que você não sabe do que é, porque quer chorar, só quer chorar, mas segura, segura, segura. Se olhar os olhos verá que o brilho é outro, o pedido de socorro está ali, mas nada concreto.

E eu que sou tão concreta tenho uma certa resistência a lidar com isso, mas percebo que é necessário aquietar a mente, não pensar em tudo de uma única vez, não querer atravessar todas as portas juntas, a vontade é de, mas não dá.

Talvez não seja só “frufru“ de mulherzinha, mas é difícil aceitar isso quando você é do signo de leão, responsável, irmã mais velha, com síndrome da mulher maravilha. Meus Deus queimaram os sutiãs e sobrou para nós, que além de continuarmos usando os tais, a maioria tem ferros, aperta, incomoda e muitas vezes machuca.

Então só por hoje, eu aceito que são os tais hormônios, que às vezes podemos sim estar “frufru”. Olhem bem, não é ser é estar. E só por hoje,  bye  bye mulher maravilha, hoje eu quero mesmo é ser a Pedrita. A arte salva e a imaginação também, então quem sabe nas cavernas, sem tanta interferência eu escute uma música dançante que eu tanto gosto e espere  para ver se no próximo mês esse sentimento vem também, se vier, eu me rendo e digo algo que nunca imaginei dizer:  é TPM, só que sim.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos.