Segue abaixo trecho extraído do Livro “Pombagira, A deusa – Mulher Igual a Você”. do autor Alexandre Cumino.

Em uma sociedade Machista, não basta não ser machista, é preciso ser AntiMachista”
(Frase adapitada da frase de Angela Davis, segue frase original
‘Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista’).

Hoje não damos conta do que é o machismo, pelo fato de que já estamos muito acostumados com a visão distorcida sobre a Mulher. A mulher não é frágil, a sociedade a torna assim para ela não ter força diante do homem, cozinha e lavanderia são lugares de homens e mulheres; cuidar dos filhos é responsabilidade do pai e da mãe, se uma mulher é livre afetivamente, ela tem o mesmo valor de outra que escolhe a castidade; virgindade não é sinônimo de caráter, muito menos de dignidade ou qualquer outro valor. O rito do casamento é um ritual de posse em que, no modelo tradicional católico, o pai, proprietario, da filha, a entrega para o noivo, seu novo proprietario, e a partir daí a sociedade considera que ambos têm obrigações um para com o outro, de casal.

Na memória da sociedade, a mulher continua tendo a carga maior de obrigações, e pesa sobre ela o olhar do falso moralismo e hipocresia social. Se essa mulher escolhe uma vida de solteira, é dito “ficou para titia”.

Todos já ouviram as frases e expressões: loira burra, mulher é falsa, mulher não tem amiga, tem mulher que dá motivo para apanhar, se acabou depois dos filhos, já sabe cozinhar já pode casar, trocou uma de 40 por duas de 20, mulher que bebe não presta, só engravida quem quer. E também adjetivos do mundo animal: ESSA MULHER É UMA VACA, GALINHA, POTRANCA, CAVALA, CADELA ETC.

Precisa dizer mais? Feminismo é a consciência de todos esses machismos, de origem patriarcal, chamados de sexismo. Quando não temos a percepção somos machistas, mesmo passivos.

Agredir fisicamente é um extremo, há sutilezas perversas na sociedade, que passam despercebidas principalmente para quem não é mulher, gay, lesbica, trans, negro, indio ou nordestino na região Sul do Pais.


Meus comentários: Entender o universo feminino é entender a si mesmo, indiferente o Gênero, não observar as pequenas sutilezas de maldade já inseridas no contexto social é também fazer parte desta maldade.
Precisamos mudar os pequenos hábitos para ter grandes resultados, nenhum tipo de segregação, seja por qual motivo for pode ser considerada positiva, nossa obrigação social é educar nosso filho e reaprender veementemente os membros de nossa sociedade que praticam tais atos.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Lendo vários posts do Dia dos Pais fiquei pensando…

Quantas recordações de quando eu era professora na educação infantil… isso no mínimo há 12 anos atrás.

Eram rodas de conversas, brincadeiras de faz de conta, onde as crianças relatavam o que faziam com seus pais! Sempre um momento muito especial e delicado e eu, claro, amava cada história ali compartilhada e respeitava aquele universo.

Entre as diversas histórias, tem uma muito especial e que nos instiga a pensar sobre a paternidade.

Eu tinha uma aluna de 03 anos, muito falante que contava tudo que fazia com seu pai, brincadeiras de casinha e boneca, passeios de bike, contação de histórias, etc.

Me lembro de uma manhã quando ela chegou na escola toda enfeitada de laços de fitas rosas e me falou: – Olha como estou linda Deni, hoje foi o meu o meu pai que me arrumou e eu arrumei ele, coloquei a gravata e o tic-tac no cabelo dele, ele está lindo também, não é Deni?

Nesse momento, levantei os olhos para ver o pai e me deparei com a cena relatada. O pai todo seguro com o tic-tac na cabeça e agindo com naturalidade, falou: – Oi Deni, tudo bem?

Claro, que embora a cena fosse muito divertida, naquele momento entrei na brincadeira, respondi ao pai e em seguida, olhei para a filha e falei: – Realmente, seu pai está muito bonito.

Eu e o pai nos olhamos, demos uma risada com os olhos e tudo seguiu normalmente.

Esse PAI era incrível! Participava, cuidava e brincava. Assumia suas obrigações e necessidades dentro de um sistema familiar, com funções estabelecidas e acordadas com sua esposa.

Hoje, observo o comportamento de muitos pais em relação aos filhos e percebo cada vez que assumem a paternidade responsável e eu, como professora de crianças (que fui) fico muito entusiasmada e esperançosa na construção de uma sociedade melhor. Afinal, com a paternidade responsiva toda a sociedade ganha, mas principalmente a criança, uma vez que impacta positivamente no seu desenvolvimento, deixando-a segura e feliz para explorar o mundo.

Deixo aqui o meu desejo, para que todos os pais vivam a experiência da paternidade de forma plena, não economize no afeto… abrace, beije, esteja presente, dê broncas, converse, demonstre o quanto você ama e quanto é parceiro de seu filho(a)!

Denilze Riciardelli – Bela Urbana, mãe da Lila e Duda, duas pets… ontem professora da infância, hoje empreendedora no ideal de uma sociedade melhor para todos, especialmente para as crianças.

Lembro do meu pai me fazendo lentamente um cafuné, recitava algumas poesias e fazia caretas imitando monstros… na vitrola, um disco de Eric Clapton, Neil Diamond e o favorito Harry  Chapin. Era especial aquele abraço, abraço de pai, de conforto, de proteção, de segurança. Isso tudo foi na minha infância. Quando ele me abraça é tão significativo pra mim que não tem uma só vez que eu não chore… sempre busquei esse abraço… esse afago.

Na minha adolescência, virei rebelde sem causa, e esse abraço, sobre minha e total responsabilidade se perdeu, e as palavras dele começaram a ser duras, rígidas e eu? Sem voz. Sempre tivemos uma relação de fortes sentimentos sem quase nenhuma intimidade. Meu pai, viajava muito no seu tempo de trabalho e até hoje, uma porta se fechando me dá arrepios. A gente não tem ideia das cenas que ficam na memória de uma criança.

Sempre fomos antagônicos, temos uma intensa e legítima dificuldade de nos comunicar, linguagens diferentes, sensações parecidas… sentimento de impotência. Mas estamos anos luz muito mais serenos e a nossa comunicação finalmente flui.

Minha garganta se embarga, os olhos se embaçam…é incrível como ele não imagina o amor profundo que sinto por ele. Tive uma educação rígida, cheio de horários, castigos e algumas certas regras. Hoje como mãe que sou, sei e sinto o quanto é árduo o nosso papel de educador. Meu pai fez o seu melhor. E em várias situações eu cheguei a ter muita raiva e tristeza, mas hoje o tempo passou, apaziguamos nossas almas, nosso juízo de valores, e posso dizer que esse grande homem, faz toda diferença em mim.

O que sou hoje devo grande parte a ele. A minha persistência, minha determinação, meus valores, minha lealdade perante aos outros e a vida, vem dele, desse homem que me pergunta de onde tenho tanta fé. Se ele soubesse que ele é um dos homens de mais fé que eu conheci. Sempre acreditando no quase impossível e realizando. Ele não se dá conta. Aprendi com ele sempre, sem titubiar, seguir em frente!

Obrigada meu pai,  só eu sei que você jamais desistiu de mim, mesmo você acreditando que sim, obrigada por todo amor que temos um pelo outro com todo respeito de todos esse anos que conseguimos conquistar: nosso melhor papel, pai e filha.

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social, fotógrafa há mais de 25 anos, já clicou muitas personalidades, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. Trabalha com marketing digital e gerencia o coworking Redes. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frente. Uma grande paixão é sua filha.

“Anunciaram que você morreu,

Meus olhos, meus ouvidos testemunham:

A alma profunda, não.

Por isso não sinto agora a sua falta.

Sei bem que ela virá

(Pela força persuasiva do tempo).

Virá súbito um dia,

Inadvertida para os demais…

Mas agora não sinto a sua falta.

(É sempre assim quando o ausente

Partiu sem se despedir:

Você não se despediu.)

Você não morreu: ausentou-se.

Direi: Faz tempo que ele não escreve.

Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.

Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.

Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?

A vida é uma só. A sua continua

Na vida que você viveu.

Por isso não sinto agora a sua falta.”

(Trechos do poema -A Mario de Andrade Ausente, Manuel Bandeira).

Letícia, minha menina querida!

          Tarde de primavera que ameaça chover,

Ao olhar para o céu vejo nuvens escuras carregadas querendo despencar.

Sabe, Lê, o céu desde pequena me inquieta…

Acreditava que com uma escada gigante, como aquela de bombeiros, alcançaria o seu topo, tocaria nas nuvens e finalmente descobriria quem lá habitava:

Seriam os anjos? São Pedro? As pessoas que quando morrem vão para o céu? Só os bons conseguem uma vaguinha? Se tivermos muito pecado não vamos para lá?

Afinal, o que acontece neste lugar?

Sabia que “… o céu ficava em cima do chão. O céu que continua. Em cima do céu há mais céu. E depois do céu do céu há mais céu. E depois de depois do céu do céu nenhum planeta, nenhum cometa, nenhum meteorito. Só o céu e céu e céu sem fim nem infinito”.(Arnaldo Antunes).

Nessa tarde que sento ao computador para escrever a você carregada de céu, retornam a minha memória fragmentos de um outro dia que percebi que como a mim, o céu, também te provocava um desassossego.

 Você, Lelê, sentada no colo de sua avó bem próxima à janela olhando para o alto. Olha para sua vó Luiza e pergunta:

“O vô Agapito está no céu?” No seu rostinho paira muitas dúvidas, algo estranho povoa seus pensamentos,

 Silêncio! “Ah! Minha filha, o seu avô está no céu!”

 Letícia pára, olha se perguntando, estranhando um pouco quem sabe,

Afinal, o céu sempre parece tão distante de nós e seu avô é uma figura tão presente no seu dia-a-dia:

nas diversas histórias que contamos a respeito de seus gostos e manias quando nos reunimos;

nas situações diárias que faz com que muitas vezes entre nós imaginemos como ele agiria, o que diria;

nas fotografias das nossas viagens para o sítio na Bahia que emitem sinais fortes, poderosos de sua presença;

nas coisas velhas, de um outro tempo que guardam o seu jeitinho;

nas perguntas que muitas vezes lançamos querendo ainda suas respostas;

nas idas ao cemitério para colorir seu jazigo e ali você corre de um lado para outro, menina travessa, trazendo água para encher os vasos com flores de cores fortes e vibrantes, suas preferidas!

Saiba que seu avô adorava comprar tecidos e vasos de flores alaranjados, roxos, lilases, amarelados, compondo uma “dinâmica botânica de cores!” (Zélia Duncan). Agora quem sabe, me dou conta das suas preferências nas minhas, nas cores que colorem minhas roupas, meus colares!

Nas lembranças das tardes de sábado que saíamos eu, seu pai, sua avó e seu avô, andando pelas ruas do centro de São Paulo, da Consolação a Sete de Abril, de lá até a 24 de Maio, atravessando o Vale do Anhangabaú, de mãos dadas, caminhando e ouvindo as lembranças do tempo quando chegou nessa cidade e como se encantou pelo letreiro iluminado do Hotel Jaraguá que trazia as últimas notícias. E hoje seu pai, Alexandre, caminha com você por essas mesmas ruas, contando às histórias que ouviu e quem sabe, inventando tantas outras…

Então, algo parece não combinar…Tão perto e ao mesmo tão longe?!Tão longe e ao mesmo tempo tão perto!? É possível?

Depois de um tempo, Lê responde: “O céu está tão longe, mas o meu avô está bem perto, né vó!?”

Sorrisos emocionados inundam a tarde. E de fato, como diz o poeta a sua vida, a do vô Agapito, continua na nossa vida. Por isso, quem sabe nos pareça tão perto! Acho que a sua sensação é similar a do poeta, seu avô apenas ausentou-se! Mesmo não o conhecendo você tem uma familiaridade com ele que não permite tamanha distância.

E a partir dessa lembrança que resolvi contar para você um pouco mais sobre o vô Agapito,

Nome esquisito, ao longo dos anos escutei as mais diferentes versões sobre seu nome, lembro-me com nitidez dele soletrando seu nome A-GA-PI-TO, muitas vezes ao telefone,

Para as pessoas que não entendiam quando ouviam o que ele dizia, soava estrangeiro.        

E de fato é estrangeiro, seu nome era uma homenagem a São Agapito, santo italiano que sua bisavó retirou de um calendário.

E quem sabe, todo migrante quando chega a essa cidade sente-se um pouco estrangeiro.

Imigrante nordestino, semi-analfabeto, saído de um vilarejo chamado São Felipe, aproximadamente 250 quilômetros de Salvador, que veio para São Paulo há 45 anos pela busca e pelo sonho de alcançar condições melhores de vida. E que nas suas práticas cotidianas, criou múltiplas táticas de sobrevivência, especialmente na arte de obedecer, lutar e driblar em meio a situações mais adversas para garantir a mim e aos seus tios (Aguinaldo, Antônio Carlos, Arinaldo) e ao seu pai, Alexandre, possibilidade de fazer uma história diferente: para seu avô uma história diferente começaria por garantir o acesso e permanência dos filhos na escola.

Era seu avô, que toda manhã levava-nos, eu e um dos seus tios até o ponto de ônibus, já morávamos no Centro e íamos até a Freguesia do Ó, estudar num colégio particular, de freiras.

Ainda estava escuro quando saíamos de casa, de mãos dadas, a passos largos e quando chegava no ponto seu avô, sempre tirava do seu bolso um punhado de balas.

Balas: essa guloseima feita de açúcar ou essência de frutas, leite para adoçar nosso trajeto.

Esse homem de poucas letras e de poucas palavras, mas de muita sensibilidade adorava deixar bilhetinhos nas datas especiais, tais como, aniversário, Natal, junto com seus presentinhos … aonde escrevia pouco, mas não deixava de dizer que nos amava. Isso me lembra um poema que gosto muito, da Adélia Prado, que diz assim: “…Minha mãe acha estudo/ A coisa mais fina do mundo./Não é/ A coisa mais fina do mundo é o sentimento./Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo:/ “Coitado, até essa hora no serviço pesado.”/Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente./Nem falou em amor. Essa palavra de luxo.”

Sua avó guarda como relíquia alguns postais enviados por seu avô de quando ainda namoravam, coloridos e assim escritos: “… Ofereço A minha queridinha Luiza França com amor. Hagapito Santos”.

Sabe Lê, nesses cartões seu avô escreve seu nome de duas maneiras, algumas vezes com H outras sem; a mesma confusão, que muitas pessoas faziam quando escreviam seu nome. (Risos emocionados de saudades!).

Seu avô tinha dificuldades com o mundo das palavras, ou melhor, quem sabe “corrompesse o silêncio das palavras, não gostava de palavra acostumada” como bem diz, Manuel de Barros. Porém, tinha muita facilidade com o mundo dos números. Mais ou menos na sua idade, era ele que me ajudava a fazer as listas intermináveis de problemas de matemática. Aí, não havia dificuldade de compreensão e sim, muitas facilidades! Nunca precisou de calculadoras, no supermercado fazia de “cabeça” as contas e me espantava ao ver que o valor calculado estava muito próximo do que foi gasto: seu avô era o nosso “homem que calculava.”

Das balas aos números, dos números as letras, das letras aos livros…

Uma grande paixão de seu avô que também se tornou minha: nunca deixou de comprar as enciclopédias (Conhecer, Trópico, Os Bichos…), dicionários, gramáticas, as revistas, os jornais e quando nasci comprou a Coleção de Monteiro Lobato: sem dúvida era a forma de trazer para dentro de casa a cultura letrada que ele tanto admirava, mas não teve a oportunidade de usufruir e que sempre ocuparam lugar de destaque na estante e ele dizia: “Não é só para ver, é para tocar, pesquisar!” Usufruíamos do seu desejo, mexíamos por ele…

Quando seu avô morreu, descobrimos um fato revelador remexendo nos seus arquivos pessoais, organizados nas noites de domingo quando eu ficava por perto para ganhar papéis para brincar e para ajudá-lo a rasgar o que não servia.

Nos deparamos com uma preciosidade: uma pequena hemeroteca, sabe o que é isso?

É a sessão da biblioteca onde estão jornais e revistas. Seu avô organizou a sua guardando artigos de jornais e revistas que narravam os estudos sobre a diabete (vovô era diabético a mais de vinte anos) sonhava que os avanços da medicina propiciassem a tão esperada cura e o abandono da insulina. Montou sua pequena hemeroteca sem nunca ter entrado em uma biblioteca!

Então, minha menina, posso dizer que dele herdei a paixão pelos livros, pelas revistas e a mania de guardar artigos e suplementos de jornais que sempre acredito que um dia vou usar e não é que às vezes acabo usando mesmo!?! E, agora escrevendo para você dou-me conta o que fez com que anos mais tarde eu optasse por ser bolsista na Unicamp do Arquivo Edgard Leuroth, no IFCH. Trabalhava com recortes de jornais da década de 20 sobre a origem da Coluna Prestes e a vida de Miguel Costa, já ouviu falar sobre isso?

É uma parte muito importante da nossa história e qualquer hora conto um pouco para você.

Mas, nessa época uniam-se muitas vontades da sua tia: a primeira era a tentativa de me aproximar da História, afinal, era minha primeira opção no vestibular da Unicamp e outra para mexer, vasculhar, organizar documentos antigos, as marcas de meu pai em mim!

Lelê, num dia há vida. Vovô seguia um dia após o outro, sonhando apenas com a vida que se estendia a sua frente, com a chegada da tão desejada aposentadoria, depois de anos, muitos anos de árduo trabalho, fazendo muito serão para garantir a sobrevivência de sua família. Com a aposentadoria desejava retornar para sua terra, apesar da paixão pela cidade aonde criou seus filhos, sentia-se aqui, um pouco estrangeiro e sonhava retornar para o seu sítio, para cultivar a terra, reencontrar suas raízes, suas marcas. Porém, a vida nos aprontou uma surpresa, de repente aconteceu sua morte.

Mas, a vida tem nos ensinado que vovô ausentou-se e o que “a memória amou fica eterno”(Adélia Prado).

Direi: Faz tempo que não andamos de mãos dadas.

Irei ao centro da cidade: E na volta pararei em frente ao letreiro do Hotel Jaraguá.

Imaginarei: Está no sítio consertando a cerca e lá vem ele caminhando a passos largos, assoviando e anunciando sua chegada.

Um abraço apertado, com amor.

Tia Déia.

Andreia dos Santos de Jesus – Bela Urbana. Paulistana, pedagoga formada pela Faculdade de Educação da Unicamp. Uma mulher negra que escolheu a escola como morada. É nesse terreiro que honra meus ancestrais, travando batalhas e criando possibilidades poéticas de reexistir. È a orgulhosa Mãe de Marina, a menina que veio do mar, e que traz na sua pele a cor da mestiçagem brasileira.

Apresentação do programa

Este programa existe porque a Roberta Corsi fez 50 anos e estava planejando uma festa com vários amigos, família, comes e bebes e muita animação. Mas, não foi bem isso que aconteceu. Chegou a pandemia e nada disso era possível. A distância entre ela e seus pais, aumentou ainda mais, afinal, não se podia visitar ninguém. Ficou claro também, que, apesar de ter em sua vida muitas pessoas importantes, as que mais ela sentia falta, eram seus pais.

Foi aí que resolveu pegar o dinheiro reservado pra festa e colocou 6 câmeras na casa dos seus pais e aí… começa o BBP…

Apresentação do morador da casa do BBP – Sr. Roberto

Vou começar com a frase que ele, meu pai, não para de repetir… ”tenho 80 anos e não tomo nenhum remédio”.

Bom, vou contar pra vocês, como ele consegue este milagre.

Ele tinha uma panificadora no interior de São Paulo, trabalhava muito e depois que se aposentou, resolveu ser artesão e reformar cadeiras antigas de palhinha. Além disso, não para de fazer palavras-cruzadas todos os dias, incansavelmente!

Mas, apesar de ser bom, esse não é o segredo…

O segredo dele é a alegria… alegria por viver, alegria em gostar das coisas mais simples da vida (fica horas olhando um cachorro na rua, um bêbado cambaleando no fim do dia etc.).

Ele nunca está triste e está sempre de bom humor. Independente do que aconteça com ele, em instantes ele se esquece. Não guarda nada. Ele perdoa facilmente. Se você esta brava com ele, ele ri, fala outra coisa, muda de assunto… Está sempre tudo bem!

Momentos mais “fortes” captados pelas câmeras indiscretas.

– Todos os dias no café da manhã ele coloca uma xicrinha pra minha mãe. (54 anos de casados) e muitas vezes coloca florzinha que ele pegou na rua enquanto vai comprar o pão.

– Não importa o que aconteça, ele dorme todos os dias depois do almoço. É parte do seu “remédio”.

–  Quando passa o lixeiro, lá vai ele com a garrafinha de café bater um papo e fazer uma gentileza… (câmera da frente da casa).

– A cidade dele estava em lockdown e eu o via saindo…. quando eu ligava pra ele, já ia dizendo…. vou ali conversar com os homens que estão barrando as pessoas de entrar na cidade….

– Ele segurando um saco plástico bem grande, com a netinha em uma das pontas, fazendo um gira-gira e ela morrendo de rir.

– Meu pai, dançando na sala enquanto ouvia o programa de domingo na rádio Educadora de Batatais.

 Tem muito mais, inclusive cenas proibidas, mas aí… só marcando comigo um cafezinho da tarde… eu conto tudinho!

Propaganda do BBP

Faça esse investimento, vale a pena. Instale câmeras na casa dos seus pais e fique babando a qualquer hora do dia. Não tem retorno melhor de investimento do que este…

Obs.: Aff, falei tanto disso que tchau… vou espiar um pouquinho…

Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

Há duas coisas que me intrigam muito: o tempo e as relações pais/filhos.

O tempo me intriga porque é uma grandeza que eu custo a compreender; Pai é uma grandeza que custei tomar para mim.

Cresci com uma imagem distorcida de meu Pai; distorcida pela minha incompreensão infantil, pelas condições e circunstâncias do “tempo vivido” e sabe-se lá por que mais.

Por anos eu neguei a importância dele na minha vida, fiz questão de ignorar sua história, seus ensinamentos, suas dores.

Isso teve um efeito devastador nas minhas relações: tornaram-se superficiais e desprovidas de afeto.

Mal sabia eu que aquela negação da figura de meu Pai era a causa do vazio que existia em mim.

Mas com o tempo – ah, o tempo, o Sr. da razão – e muita terapia, compreendi que ele está “aqui”, colado nas minhas células, pujante no meu DNA.

Eu sou Ele, misturadinho com minha mãe.

Não é possível negar o que se é.

Reconhecer sua importância e relevância me fez enxergar como Ele é incrível; pude ver que sua trajetória de vida merece aplausos de pé; sua nota na escola da vida é A Com Louvor.

E me ensinou tanto!

Sim, demorei para chegar a essa conclusão, mas antes tarde do que nunca.

Ouso pensar que “tarde”, “nunca”, “ontem”, “hoje”, “amanhã”, é tudo a mesma coisa: se acontece, está valendo.

O tempo é gerúndio. E Pai é!

Maria Claudionora Amâncio Vieira –  Belas Urbana, formada em Direito pela Universidade Estadual Paulista – UNESP e é especialista em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela Universidade de Franca. Amante incondicional da Natureza Selvagem, grande apreciadora dos prazeres da vida, leitora contumaz e cinéfila por excelência.

– Meu pai é o homem mais forte do mundo?

Na minha cabeça eu já tinha a resposta e era SIM, mas a resposta que veio foi NÃO. Inconformada voltei com outra pergunta: – E como ele vai nos proteger dos ladrões?

Não me lembro com exatidão da resposta, mas lembro que minha mãe me disse que não era para eu me preocupar, mas a pequena Adriana, na sua primeira infância, já era alguém preocupada. Preocupações exageradas para uma menininha, mas cada um é o que é desde sempre.

E somos, todos nós, uma construção de todos que vieram antes de nós, de todos que conviveram conosco, de tudo que vimos, sentimos, vivemos e percebemos… assim somos feitos.

Meu pai tem um grande papel na pessoa que sou, além da parte genética, sempre me disseram que sou a cara dele, o que me gerava muito choro, porque eu achava que me achavam “cara de homem”, eu chorava e rebatia que eu era a cara da minha mãe.

Tenho lembranças muito doces, outras engraçadas, outras tristes, outras alegres. Lembranças com todos os sentimentos do mundo. Tenho certeza que fez o seu melhor como meu pai.

Quando ele ficou doente, teve um câncer muito agressivo e já sem cura quando descobrimos, foram três doloridos meses. Algumas pessoas me falavam que era um tempo para se despedir… sinceramente que bobagem falar isso para alguém que está com o pai visivelmente morrendo… não existem palavras para se dizer nessa hora, é só viver e sem pensar que é uma despedida, mesmo sabendo que é.

Meu pai morreu em casa, na frente de sua família, já não falava nas últimas semanas e nem se comunicava de outras formas. Um pouco antes dele morrer, eu estava com ele sozinha no seu quarto e naquele momento eu contei algo que nunca tinha dito e que até hoje guardo no meu coração. Contei que amava quando era pequena e ele me fazia dormir no sofá da sala, depois do almoço, antes de voltar para o trabalho. Eu acho que ele ouviu e me entendeu.

Ali eu me sentia protegida e amada. Essa sensação é uma capa de proteção que levo comigo. Uma lembrança linda…. de todas, é a minha preferida. E ter dito, foi um dos momentos mais especiais da minha vida.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Ontem, fui.

Amanhã, serei.

Mas quem eu sou?

Bom…. essa é a grande pergunta, aquele tipo que é impossível de responder, mas um bom lugar para começar é refletirmos em “como me tornei quem eu sou?” e assim entendendo a vida que vivemos até chegar aqui.

Nas amizades que formamos.

Nas escolhas que tomamos.

E acima de tudo, nas pessoas que estiveram do nosso lado desde o começo.

Nossos pais.

O ser extraordinário e único que nos esculpiu. Que nos dá a mão quando caímos e nos ensina a viver, amar, sonhar e acima de tudo a entender o mundo em nossa volta e tomar as escolhas certas no caminho duro e belo que é a vida.

É ele que nos vê nos altos e baixos, nas frustrações e satisfações, nas conquistas e derrotas.

Quando eu era menor, sempre pensava no meu pai como o melhor do mundo, o inalcançável e inatingível. Mas ao crescer, entendi que as coisas não são tão preto e branco como pareciam.

Agora eu percebi que quem eu via como super-humano é na verdade só humano, que acerta e erra, assim aprendendo com os erros. Mas o maior super poder do mundo não é estar acima nunca errando, mas sim ao lado, apoiando quando puder, corrigindo quando necessário e ajudando no possível e impossível. Nunca desistindo de você, mesmo quando até você desiste de si próprio. Isso sim é o o que faz pai ser pai.

Aquele que atende e ensina. E mesmo depois das brigas, das discussões, aceita as desculpas, as diferenças e singularidades e aceita enfrentar o mundo por você, com você.

O dia dos pais, não é um dia para um único tipo de pai, mas sim para todos que batalham duro para dar um futuro as suas crianças, os que estão ao lado, os que partiram, as mães que são pais, os pais que são mães pois todos nos fizeram ser como nós somos.

Assim eu respondo minha pergunta, descobrindo que eu me tornei quem sou pelo meu pai que me ensinou a me aceitar e aceitar o próximo, a expressar minhas ideias e a traçar meu próprio caminho para o destino de um sonho grande que é viver a vida!

Karen Rosas – Bela Urbana, garota estudante do ensino médio, 15 anos, simpática e curiosa, que adora uma boa discussão, expressar suas ideias e se envolver com o mundo e sua sociedade. Ama uma boa competição e jogar videogame, mas além de tudo cuidar de quem ama.

Não posso dizer nada diferente do que se resume meu pai: AMOR, com tudo que de verdade isso significa, na sua amplitude, além de lhe atribuir todos os adjetivos incríveis que um ser humano pode carregar.

Quanto a nós…

Nossos momentos são únicos, nosso amor é só nosso, e até o nosso silêncio se completa. E assim seguimos, juntos, do nosso jeito, tomando nosso café da tarde, assistindo um filme, lendo um bom livro, trocando informações, conhecimentos, aprendizagens. Eu o levo ao médico, depois é a vez dele me levar; na cozinha, que ele comanda como ninguém, fico só admirando sua sagacidade ao elaborar alguma nova receita; nas obras aqui em casa, sempre juntos nos aventurando; em Assis e Alfenas, e outros tantos lugares, quantos momentos especiais!

O cuidado que sempre teve comigo é ímpar, e espero estar retribuindo da melhor maneira, mas acredito que temos essa troca, e quero seguir assim, de mãos dadas, com essa energia e força.

E ainda dizem que somos parecidos… Ah, que honra!

E quando imaginei ter desfrutado totalmente desse amor, especial em sua essência, eis que ele transbordou, e meu pai se tornou o melhor avô, provando ser capaz de ir além em sua entrega. Como é lindo vê-lo exercer esse papel!

O tempo passa e a gratidão é o que habita em mim numa crescente, por tê-lo junto comigo, com a nossa família, e ser esse exemplo de dignidade, honestidade, altruísmo, amor…

Que orgulho poder chamá-lo de MEU PAI!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Alfredo Lopes – Belo Urbano. Médico pediatra com 40 anos de experiência formado pela UNICAMP. Defendo o Amor genuíno, principalmente dos pais para com seus filhos , assim criaremos pessoas especiais. Apaixonado por Bike e Mar