Quando decidi trazer o tema Relacionamentos Abusivos para o Belas Urbanas, não tinha noção real da complexidade do tema.

Nesse período de seleção dos textos, conversei com muitas mulheres, mas quero deixar claro que não são só mulheres que são vítimas, assim como não são só relacionamentos “amorosos” héteros que são abusivos, está também nos relacionamentos homoafetivos e em todos os tipos de relações, entre amigos, no trabalho, entre pais e filhos.

As histórias dos casais héteros se destacam porque muitas vezes terminam em feminicídio. Palavra que se tornou recorrente nos últimos anos e mais ainda, nesse período de isolamento que a pandemia nos trouxe.

Toda relação que inferioriza, destruindo a autoestima e a autoconfiança é abusiva.

Palavras podem destruir. Não podemos aceitar violências veladas que estão estruturadas na nossa sociedade e disfarçadas de piadas que rebaixem o outro. Não é mimimi, é respeito. São vidas.

Pode ser a sua, a minha, a de quem amamos.

Ser consciente é o primeiro passo para uma transformação individual e coletiva.

Acreditamos que palavras também salvam e, por isso, iremos começar aqui no Belas Urbanas a publicar uma série de textos com depoimentos pessoais, dados, poesias, contos, tudo relacionado a esse assunto, para que mais e mais pessoas tenham consciência da gravidade e de como podem se salvar e ajudar outras pessoas.

Te convido a acompanhar, ler, dar sua opinião e compartilhar.

Se tiver alguma história que queira compartilhar, nos encaminhe um e-mail: comercial@belasurbanas.com.br

Juntas somos mais fortes. Somos Belas Urbanas!

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Gabriel tem 7 anos e pediu para falar comigo por chamada de vídeo.

O pai dele, Miro, enviou uma mensagem pedindo permissão e eu aceitei, claro.

O Gabriel foi meu paciente há alguns anos, quando eu ainda clinicava. Nós tínhamos um bom vínculo e no momento da alta, apesar do orgulho pelo êxito, foi difícil para nós dois.

Mas, crianças superam rápido e, em geral, nem se lembram do período de terapia. O que é muito compreensível, já que o processo terapêutico envolve a dor e a transformação.

Eu não os vi mais. Esporadicamente, recebia alguma mensagem da família, em datas especiais.

No ano passado, a mãe do Gabriel faleceu em um acidente de carro. Eu estava viajando. Enviei apenas uma mensagem solidária e nenhum novo contato foi feito.

Hoje à tarde o telefone tocou.

Era o Gabriel e eu atendi sem saber muito bem o que seria este reencontro (remoto).

Ele me olhou sorrindo. Meus cabelos, curtos e brancos, eram novidade para ele, assim como seu rostinho alongado e seu sorriso banguela eram para mim.

Depois de me contar sobre várias peripécias deste tempo de quarentena, ele mandou uma pergunta direta:

– Daniela, quantos anos você tem?

Eu sorri e respondi: – 49. Em silêncio eu vi os olhinhos dele crescerem e emendei a pergunta: Você acha muito?

Ele disse que não, o silêncio aumentou e ele tomou a palavra, sem interrupção:

– Um dia, eu pedi para mamãe para ir ao parquinho do condomínio e ela não deixou. Quis saber “Por que não?” e ela respondeu: – Você tem a idade de entender. Eu tinha 6 anos e ela 32. Ontem, eu perguntei para o papai o que era idade de entender e ele disse assim: – Sei lá, quando a gente entende, acaba!

Novo silêncio. Daqueles que atordoam.

Eu senti uma lágrima barraqueira querendo empurrar as outras. Congelei. Pela tela vi que Miro também abaixou a cabeça.

Ele não tinha como saber da conversa do Gabriel com a mãe…

Eu fiz menção de que iria falar, mas, vendo o clima tenso, o menino mesmo disse:

– Relaxa. A gente sempre tem a idade de entender, né?

– Né? – foi tudo que saiu da minha boca, numa síntese do momento que eu aprendi uma baita lição.

Essa frase não sai de mim nem por um segundo – “Idade de entender”.

Conversamos por mais vinte ou trinta minutos, sobre muitas coisas, rimos, matamos a saudade e nos despedimos.

Pai e filho são acompanhados por profissionais e eu digo isso apenas para que se poupem dos julgamentos. Não há nada no relato que mereça um apontamento porque diz respeito à vida deles e à relações humanas construídas dia após dia.

O que me motiva a compartilhar a história é a constatação de que a gente cresce mesmo é por dentro.

Dany Cais – Bela Urbana, fonoaudióloga por formação, comunicóloga por vocação e gentóloga por paixão. Colecionadora de histórias, experimenta a vida cultivando hábitos simples, flores e amigos. 

OBS.: Os nomes citados no texto são fictícios para preservar as identidades.

E surgem nas telas, os “Donos da Palavra”!
Aplausos!
Vaias!
Xingamentos!
Vamos lá, é isso mesmo que eles mais querem…
Como parasitas, se alimentam e absorvem toda essa enxurrada de informações, que é despejada à sua volta. Todas as fontes, todos os assuntos, todas as verdades e todas as inverdades, agregando a esse arsenal, uma pesada carga de energia! Boa ou ruim?
Não importa, Bônus!
Plim!
Próxima fase.
Hora de vomitar, ou melhor, informar, passar adiante todo o seu “conhecimento”.
De alguma forma, alguém tem que se pronunciar, então, é tiro pra todo lado, encaminha, compartilha, copia e cola!
E fica ali, de olho, só aguardando o primeiro round.

Ao observar o surgimento de vários representantes dessa nova “Espécie “, digo que é fato afirmar:

⁃ Esses seres de “suprema sabedoria”, sabem como ninguém, ignorar o sentido das palavras Respeito, amizade e livre arbítrio.

⁃ Será uma regra? Depois penso nisso? (Deve ser assim mesmo!)

Gritar a sua “Palavra”, talvez seja mais importante do que esses meros “detalhes”.
O que vejo, em muitos casos, é o fim de relações, que se perdem durante uma disputa de egos, nesse jogo do “Quem tem razão, quem grita mais alto?”
Por fim, à você, “Dono da Palavra “, dedico o meu profundo silêncio, minha atenção já conseguiu, parei pra te ouvir, me fez pensar e lamentar também.
Plim!
Ponto!
Talvez, um dia, eu tire um tempinho pra tentar entender essa sua imensa necessidade auto-afirmação…não hoje, um dia!
Plim!
Fim de jogo!

Ganhei?

Gabi Leite – Bela Urbana, publicitária, empresária, mãe. Ama pão com banana e queijo, viajar e criar. Acredita que ser do bem, ainda é a melhor pedida!